Como os outros Kithain, consideramos que a Idade Mítica foi um momento feliz, mas ao contrário deles também nos lembramos dela com tristeza e desprezo. Sim, os mortais ainda não haviam se rebelado, mas a Noite da Vingança ocorreu nesta época. Para nós foi uma época de sangue, guerra e injustiça.
O Glamour corria livremente através dos reinos, mas ao contrário dos outros nós nos recusamos a mergulhar em tanto poder e desperdiçar Glamour sem um motivo justo - nós não nos corrompemos. Talvez seja por isso que nos tornamos melhores nos últimos anos, não?
Com o término de uma era vem uma nova. Entramos em um período de ódio e descrença não muito depois dos mortais terem descoberto o ferro. Eles nos caçaram para obter poder e sabedoria eternos, por um tempo lutamos e, ao contrário de outras partes do mundo, conseguimos que eles se acalmassem. Secretamente nos retiramos, deixando apenas lembranças de nossa existência, enquanto as Brumas recém-criadas nos escondiam.
Essas memórias, embora distorcidas nas mentes dos mortais, ressurgiram quando eles começaram a adorar os Anciões, agora conhecidos como Aesires. Novamente caminhamos entre os mortais como fizemos durante a Idade Mítica – como deusas. O Glamour fluía novamente para nós, mas isso acabou quando a guerra contra a nova religião conhecida como cristianismo começou.
Nós oferecemos um pouco do nosso conhecimento para os humanos que nos adoravam. Logo depois, os vikings começaram a viajar pelo mundo. Acho que você entende a razão pela qual alguns dos primeiros ataques vikings lembrados foram contras igrejas cristãs. É certo. Nós estávamos por trás daqueles ataques. De qualquer forma, os vikings logo criaram seus próprios planos. Muitos deles fundaram novos reinos e criaram o que consideravam um grande império. Mas das sombras nós guiávamos suas ações.
Juntamente com nossos súditos, os guerreiros Aesin lutaram com coragem. No entanto, no final, perdemos quando os habitantes de nossos reinos se converteram ao cristianismo.
Em Changeling: o Sonhar, um jogo de sonhos, lendas e mistérios, a maioria das verdades é como uma faca de dois gumes. Neste mundo os deuses não devem ser tratados de forma leviana. Assim, a descoberta da verdadeira origem de um deles pode se tornar o enredo de toda uma Crônica.
Há muito tempo, durante a Idade Mítica, nossos pais ainda caminhavam entre as fadas deste reino. Enquanto a cultura celta conhecia os Anciãos como os Tuatha de Danaan, os mortais do extremo norte os conheciam como Vanes.
Com o passar do tempo, a corte dos Vanes conheceu outra família de deuses, os Aesires. Enquanto os Vanes eram pacíficos, os Aesires eram uma corte de guerreiros. Sua guerra era dirigida principalmente contra os Jotunns malignos, conhecidos como Fomorianos, nas terras dos celtas.
A maior diferença entre as duas cortes é que os Vanes tinham a capacidade de usar magia, enquanto os Aesires não. Os Aesires observavam os Vanes com inveja e, embora nunca tentassem usurpar esse conhecimento, eles o queriam mais do que qualquer outra coisa. Por um longo tempo houve paz entre as duas cortes, mas quando os Aesires mataram um dos Vanes por causa de sua magia, a guerra estourou entre eles. Foi sangrenta e só terminou quando foi decidido que as duas cortes deveriam se unir e se tornar uma única. Dessa união surgiu a Ordem Guerreira Aesin.
Ou pelo menos é o que a história nos diz.
Pela primeira vez desde que nos tornamos o que somos, perdemos uma guerra. Embora nossos reinos tenham se convertido ao cristianismo, alguns mortais ainda acreditavam em nós, então alguns de nossos membros ficaram para protegê-los, enquanto outros fugiram para as Terras do Verão ou Alfheim. O que aconteceu com aqueles que viajaram para as Terras do Verão ainda é um mistério que aguarda uma resposta. Ficamos em Midgard o máximo que pudemos, mas quando o Grande Rei declarou o retiro para Alfheim, obedecemos sem questionar.
Devido às Brumas, sabemos pouco sobre esse período. De qualquer forma, vou compartilhar o que minhas memórias me permitem. Nas montanhas escuras de Alfheim há o Castelo de Aesin envolto em gelo e neve. No sopé das montanhas havia uma enorme floresta. Esse foi o nosso domínio, o nosso reino. De lá, governamos nossos súditos e treinávamos enquanto esperávamos o dia em que nossos serviços seriam necessários novamente. Sob a lua cheia nós dançávamos entre as árvores, realizando inúmeros rituais que nos fortaleciam. Tenho vagas lembranças de uma guerra em que um jovem Ailil liderou uma rebelião e nos obrigou a sitiá-los em uma caverna. Não é necessário dizer que derrotamos os rebeldes. Acredito, embora não tenha certeza, que usamos as conseqüências desta guerra como uma desculpa para exilar as outras Casas. Elas seriam nossos olhos e ouvidos em Midgard. Infelizmente, esta estratégia falhou quando nos tornamos cegas e surdas para o que estava acontecendo em Alfheim.
Conforme as histórias e profecias dos anciãos anunciaram, uma estrela vermelha apareceu no céu. Enviamos uma patrulha de caçadores e guerreiros para a Floresta das Mentiras, mas eles não retornaram. Lembro-me de uma batalha não muito longe das fronteiras de Alfheim. Eu me vejo ajoelhada ao lado de um homem morto e conjuro meus feitiços mais poderosos contra as criaturas das trevas. Então minha memória desaparece. A última coisa de que me lembro é viajar pela Bifrost para Midgard, ouvindo o triste lamento do chifre de Heimdall. Não há dúvida. Os Jotunns estão retornando e devemos fazer o que for preciso para detê-los.
O desastre ocorreu enquanto estávamos caminhando pelo Caminho de Prata. Sem aviso, criaturas horríveis, possivelmente os Caídos, nos atacaram e o caos irrompeu. Durante a batalha, nossa amada rainha Ragnelf desapareceu sem deixar vestígios. Nossas perguntas sobre o seu destino permanecem sem resposta. Alguns saíram em sua busca e, se tiverem sucesso, receberão uma grande recompensa. Precisamos da orientação de Ragnelf para enfrentar a escuridão. Até sua volta, a alta dama Magnhildr governa a Casa Aesin.
Nosso plano era voltar para as nossas antigas terras e resistir ali. Esses sonhos foram despedaçados quando o Sonhar colocou a maioria de nós em Concórdia. Surgiu a especulação de que, como fomos nós que descobrimos essas terras durante a Separação, agora era nosso dever protegê-las. Nenhuma de nós conhece a verdade, mas o Sonhar deve ter nos trazido aqui para que possamos restaurar a sociedade feérica. A loucura se espalhou entre os plebeus, que agora acreditam que podem se sentar em nossos tronos e governar o que é nosso por direito. Isso deve acabar. Todas nós temos o nosso lugar no grande plano do destino, e os plebeus devem saber qual é o seu. Se não, perderemos e os Jotunns governarão depois do Ragnarök.