Aquele que caça monstros deve ter cuidado para não se tornar um monstro. E se você contemplar o abismo por um longo tempo, o abismo irá contemplar você.
- Friedrich Wilhelm Nietzsche
Nossas vidas não são fáceis. Cada novo dia traz novos desafios a serem superados. Desde o alvorecer do Sonhar, embora tentemos levar uma vida “normal”, aquelas de nós que têm sangue Aesin sempre agiram como guardiãs do Sonhar contra os Jotunn. A maioria de nós prefere viver em ambientes naturais pois eles nos lembram nossa antiga casa. No entanto, há também aqueles que começaram a se adaptar ao modo de vida nas cidades.
Na nova vida em que vivemos agora, mantemos nossas antigas tradições. As mulheres governam a casa, enquanto os homens estão encarregados da caça e da guerra. Compartilhamos responsabilidades diferentes e, ao fazê-lo, nos tornamos algo mais que uma Casa - somos uma família.
Eu vejo que vocês desprezam sua carne mortal. Para nós, isso deve ser uma maldição do Sonhar, nos punindo pelas atrocidades cometidas na Noite da Vingança. Mas por que isso afetou todos os outros? É verdade que ela nos protege da Banalidade. Entretanto, por que o Sonhar foi tão cruel conosco? Perdemos a beleza eterna e o aspecto divino que tínhamos em Alfheim, e muitas temem que nossos novos corpos contaminem nossas mentes e nos deixem loucas. Há rumores de que isso já aconteceu uma vez.
A verdade é que nossas mentes estão tão fortes como antes, mas a carne mortal nos limita. Para permanecermos sãs a maioria de nós, incluindo eu mesma, consideramos os corpos mortais uma simples vestimenta. Agora temos a oportunidade de estudar a sociedade humana e agora temos que agir assim se quisermos regê-la novamente. Com o tempo, os humanos se curvarão à nossa superioridade.
Durante seu retorno, nenhum Sidhe Aesin tomou o corpo de um mortal cristão. Desde a guerra contra o cristianismo durante a Era Viking, os membros da Casa acham o cristianismo repulsivo. Se confrontado um cristão com Fé Verdadeira, o personagem Aesin deve fazer um teste de Força de Vontade, dificuldade 6, ou imediatamente se retirar da cena.
Até hoje a Casa Aesin se lembra de uma noite terrível há vários milênios. Em 30 de abril, a Casa deve pagar ao Sonhar pelo que ela tomou no passado. Acendemos uma grande fogueira e, sob a supervisão da governante da Casa, uma Aesin Unseelie de cada posição (volva, mãe, guerreira, caçadora, berserker e skald), cada qual vestida de vermelho, caminha em direção ao fogo e se deixa ser consumida pelas chamas. Alguns consideram isso como “prestar homenagem ao Inferno”, mas a Casa Aesin considera um pagamento pelos crimes causados por nosso desejo de vingança. É uma grande honra ser escolhida como uma das sacrificadas, porque só aceitamos as melhores. Sabemos que tal coragem é recompensada com um retorno imediato a Alfheim, onde estas honradas supervisionam os preparativos para a guerra iminente contra os Jotunns. Acreditamos também que o ritual anuncia a chegada da primavera e do verão.
Com a fundação da Casa Aesin, nossas vidas mudaram. Seguindo o caminho do destino, a Rainha Ragnelf criou o Conselho da Virtude. Nove Aesin fazem parte do conselho, a maioria Unseelie, já que a corte com mais membros têm mais assentos no conselho. Atualmente há seis Unseelie e três Seelie ocupando os assentos. Sua finalidade é decidir sobre assuntos de grande importância para a Casa e atuar como juízes durante julgamentos especiais.
Cada flor, mineral, animal e fera tem uma bela alma. Infelizmente alguns, como é o caso dos Jotunns, não entendem o que significa ter uma. Nós da Casa Aesin estamos convencidas de que a verdadeira magia do Sonhar está dentro de nós. Quando podemos nos conectar com a essência interior de nossas almas, nos tornamos tão poderosas quanto as que vieram antes. A natureza é o lugar perfeito para esse processo. Purifica nossas mentes e corações, e nos sentimos seguras entre nossos mais leais súditos, os animais.
Valorizamos nossa conexão com a natureza e, portanto, permitimos que ela seja uma parte importante de nosso Fior-Righ. Ao contrário da maioria das outras Casas, nossa prova de sobrevivência é verdadeira. Se vocês não forem dignas o suficiente para se tornarem Estouvadas, morrerão. Não podemos nos dar ao luxo de ter qualquer fraqueza na guerra, pois o sucesso é impossível se não formos fortes e capazes. O momento da prova de vocês chegará em breve. Já consigo ver seus olhos arderem com o anseio de se tornarem um Aesin, mas acalmem-se. Se desejam viver, devem aprender a ouvir com atenção durante o treinamento.
Como crianças pequenas, talvez com nove ou dez anos de idade, vocês despertarão — meninos e meninas, como uma família — em algum lugar de uma floresta. Vocês não terão ferramentas ou armas para usar exceto sua mente e vocês não terão ninguém além de seus companheiros Aesin. O perigo irá espreitar atrás de cada árvore e arbusto, e vocês terão que agir como uma família para sobreviver.
Se você sobreviverem por uma semana, enviaremos um bando de Caçadores para procurá-las e trazê-las de volta. Quando vocês voltarem, o grão-Lorde realizará a cerimônia da Consignação, onde vocês descobrirão seu verdadeiro nome. Então será tempo de fazer o Juramento das Virtudes que as transformarão em verdadeiras Estouvadas dos Aesin.
Meninas, mesmo que uma de vocês falhe e morra, não devem se envergonhar. Vocês terão servido a vossa Casa com honra e devem aceitar a morte em vez da desonra do regresso para casa após ter falhado. Eu lhes asseguro que enquanto viverem seguindo as virtudes, vocês sobreviverão. Às vezes pensamos que alguém vai morrer, mas para nossa surpresa ele volta para casa mais cedo do que imaginamos.
O nosso brasão de armas tem história e poder. No passado, tínhamos a capacidade de mudar de forma e nos tornarmos uma coruja. É um pássaro sábio, mas também um forte predador. Vocês podem notar este simbolismo em nosso belo brasão de armas: uma coruja dourada centraliza num fundo violeta. Em ambos os lados há runas douradas: Uruz e Ansuz, que representam nossos poderes primordiais e nossa força.