Os rituais do amor cortês ocupam uma boa parte da atenção dos nobres e às vezes está envolvido na maioria das relações do paço. A pompa e a arte do galanteio ritualizado se adaptam muito bem ao senso de intriga das fadas e a seu gosto pelo romance. Seja como participantes ou espectadores, a maioria dos cortesãos adora tomar parte nas sutilezas do amor cortês.
O romance entre os Kithain personifica uma refinada e elegante dança de habilidade e sedução, apreciada tanto em forma quanto em conteúdo. Homens e mulheres reconhecem a utilidade do amor na manipulação das pessoas e se aproveitam de toda e qualquer oportunidade para demonstrar sua perícia nos assuntos do coração.
O amor cortês se expressa como um elaborado dueto entre o “pretendente apaixonado” e o “amado tímido”. No passado, quando os mortais praticavam essa expressão formal do desejo, o pretendente era geralmente um homem, e o amado, uma mulher. Os Kithain, bem mais liberais, não fazem essas exigências quanto ao gênero dos participantes. Um protocolo extremamente rígido supervisiona todas as etapas do amor cortês, desde a declaração de intenções do pretendente à corte ao ser amado, passando pela rejeição geralmente educada, mas firme, até o período de intensa lamentação pelo amor perdido – uma etapa que pressagia o reinício do ciclo. A cada estágio do processo, os trovadores circulam pelos bastidores (quando não no centro do palco), prontos para fazer uma serenata particular para o amado ou proclamar o mérito do pretendente perante a corte reunida.
O processo de galanteio consiste de um namoro estilizado. É costume o amado alternadamente aceitar e recusar os favores do pretendente, refinando a arte da provocação e do encorajamento. O pretendente não tem quaisquer direitos, exceto aqueles concedidos pelo amado, e espera-se que ele prove seu ardor a todo o momento. Poemas e canções de amor, feitos heroicos e paciência interminável à espera de um sorriso ou de uma palavra doce são todos passos necessários na jornada do amante. O amor que se vende barato ou se anuncia desajeitado e insosso não vale a pena.
O galanteio geralmente ocorre em segredo, mas, às vezes, torna-se um drama em miniatura encenado diante de todos. Inicialmente, o amado deve rejeitar o pretendente, citando como desculpa diferenças pessoais ou políticas. Em seguida, cabe ao pretendente adular, convencer, cortejar ou conseguir reverter a decisão do amado.
Se o processo conseguir evocar toda a paixão do romance (embora não necessariamente o ato sexual) entre o pretendente e o amado, os dois fazem juras de amor. Até que esse laço seja rompido, amante e amado permanecem inextricavelmente unidos em espírito. Somente a Banalidade é capaz de separá-los. Os amantes sempre correm ao auxílio um do outro, não importam os riscos pessoais, as diferenças de Corte ou as fidelidades conflitantes. Em alguns casos, um dos enamorados se sacrifica pelo outro.