Ela se foi. Sem deixar vestígios. Como um floco de neve na palma da minha mão, o Glamour que a preenchia e a tornou o que ela era... se foi.
- Sir Liam Wormwood, cavaleiro sidhe, lamentando sua amante perdida para a Banalidade
Se se tornar Dauntain pode ser considerado um destino pior do que a morte, então a Ruína é um destino ainda pior do que isso. O Kithain que passa por isso simplesmente deixa de existir, como se nunca tivesse existido. Este é quase sempre o destino final de um Dauntain, à medida que mergulha cada vez mais em um poço de Banalidade.
Sucumbir à Ruína é o que muitos Kithain mais temem, pois é esse destino que quase todos os fae irão enfrentar um dia. Sucumbir à Ruína é verdadeiramente trágico, pois sua história termina não com um estrondo, mas com um gemido. Não há morte heroica nem sacrifício nobre para salvar o reino.
Na verdade, existem duas magnitudes diferentes desse fenômeno. O primeiro é simplesmente o que acontece quando um Kithain esquece temporariamente quem e o que ele é. Este estado geralmente passa quando o changeling é mais uma vez exposto ao Glamour. Ele experimenta uma forma de “segunda Crisálida”, enquanto suas memórias retornam, despertando seus sentidos para a beleza que estava escondida há alguns momentos atrás. Sim, as Brumas são um perigo até mesmo para o Kithain. Às vezes os fae se voltam aos seus Aspectos Mortais para evitar o perigo de quimeras, apenas para descobrir que se fazem isso com muita frequência, as Brumas irão tomá-los e não conseguirão mais voltar ao que deixaram para trás.
É certo que, mesmo quando os Kithain se tornam “normais”, eles não são normais. Afinal, Kithain, que se esqueceram de si mesmos, muitas vezes tem uma sensação incômoda de que algo simplesmente não está certo com o mundo, ou com eles mesmos. Eles se sentem incompletos e incapazes de preencher o vazio que sabem estar lá. Alguns Kithain escrevem notas e cartas para si mesmos, na esperança de que possam se lembrar do que são e, talvez, retornarem para seu verdadeiro eu.
Pena que um propósito tão nobre possa tantas vezes ser um fracasso tão trágico. Essa técnica de tentar se lembrar é uma lição muito dolorosa; raramente o resultado esperado é alcançado. Mais frequentemente, o Kithain deixa a nota de lado em troca de algo mais importante, achando-a tola ou sem sentido. Talvez isso só aumente o anseio de preencher esse vazio profundo e frio em sua alma. Talvez ele pense que seja um bom enredo para uma história de fantasia.