Carpe Diem

Carpe Diem (colha o dia, aproveite o instante). Expressão latina encontrada num verso do poeta romano Horácio (65-8 a.C.) para celebrar o gozo do instante e resumir a moral do prazer individual ou hedonismo. (1)

É uma fórmula de Horácio, em latim, que poderíamos traduzir por "colha o dia". Nossa época hedonista e veleidosa vê nela o sumo da sabedoria. Deveríamos viver o instante, aproveitar o momento presente, desfrutar dos prazeres conforme vão aparecendo... Claro não contesto que existe nela como que uma sabedoria mínima. Mas daí a crer que o farniente e a gastronomia poderiam fazer as vezes da filosofia há, apesar de tudo, um passo que é melhor não dar. Epicurismo? De fato, há ecos dele em Horácio, nem sempre tão sorridentes como se imagina, mas voltados, quase inevitavelmente, para os prazeres mais próximos, mais fáceis e mais materiais. Viver no instante? Não é possível. Viver no presente? É o único caminho, já que não há outro. Mas o presente não é um instante; é uma duração, que não se pode habitar, mostrava Epicuro, sem uma ação deliberada com o passado e o futuro. Gozar? O máximo possível. Mas isso não nos diz o que fazer da nossa vida quando ela não é agradável, quando a dor ou a angústia nos vencem; quando o prazer é diferido ou impossível... Colha o dia, portanto, mas não renuncie por isso à ação, nem à duração, nem a esses prazeres espirituais que Epicuro, no fim da Carta a Meneceu, chamava de "bens imortais". é que eles concernem ao verdadeiro, que não morre. Carpe aeternitatem. (2)

Muitas vezes acrescida de carpe horam. Carpe diem/carpe horam (aproveite este dia, aproveite esta hora).


(1) JAPIASSÚ, Hilton e MARCONDES, Danilo. Dicionário Básico de Filosofia. 5.ed. Rio de Janeiro: Zahar, 2008.

(2) COMTE-SPONVILLE, André. Dicionário Filosófico. Tradução de Eduardo Brandão. 2. ed., São Paulo: Martins Fontes, 2011.