Outro

Outro. Do latim alter. 1. Em Platão, o outro é, por oposição ao mesmo, o diverso, o múltiplo. 2. Em Sartre: "Para obter uma verdade qualquer sobre mim, devo passar pelo outro. O outro é indispensável à minha existência, tanto quanto à consciência que tenho de mim". (1)

O outro significa diverso do primeiro, diferente de pessoa ou coisa especificada. A qualidade das relações que o homem trava com o outro depende não apenas da simpatia de que é investida, mas também, do conhecimento recíproco dos protagonistas.

Outro. (do lat. alter).  a). O que é outro que outro é a relação entre o que é o que é, e não é o que é um ser numericamente distinto do primeiro.

b) Termo empregado pelos pitagóricos e sobretudo por Platão, A matéria, para Platão, aparece-nos como um outro, diferente do ser ativo, não, porém, um puro nada, mas apenas simbolizado como um ek mageion amorphon, uma massa amorfa, que é modelada pelo demiurgo. Mas estamos aqui em pleno mito, mas o que ele afirma é a coeternalidade do ek mageion amorphon da matéria, com a ação do demiurgo, ou seja a contemporaneidade da determinabilidade com a determinação. O ato que modela, que informa a coisa, é um determinante, que o é na proporção em que há um determinável. O ato criador determinante implica um determinável proporcionado, e por ser o ato potencialmente ativo, seu poder não tem limites pois sempre pode. Para que o poder criador seja potencialmente ativo e sem limites, impõe-se uma determinabilidade; ou seja, uma potência passiva sem limites, mas limitável pela determinação. Em outros termos, a uma potência ativa infinita deve corresponder uma potência passiva limitada e não infinita no sentido adequado deste termo, pois infinito quer dizer independência, e a determinabilidade é dependente do determinante, no ato criador. A criação é ilimitadamente determinável. Tanto Platão como os pitagóricos afirmavam que o infinito não é o acidente de alguma natureza, mas algo per se existens.  Quando ele afirmava que à matéria cabia o infinito, referia-se ao potencial, com duas raízes, o Mega e o Micron (o grande e o pequeno), a máxima e a mínima determinabilidade, pois a primeira pertence à adição e a segunda à divisão, tendendo aquela para o máximo e esta para o mínimo, não niilificando-se nunca. (3)


Figura Ilustrativa (2)

(1) JAPIASSÚ, Hilton e MARCONDES, Danilo. Dicionário Básico de Filosofia. 5.ed. Rio de Janeiro: Zahar, 2008.

(2) DUROZOI, G. e ROUSSEL, A. Dicionário de Filosofia. Tradução de Marina Appenzeller. Campinas, SP: Papirus, 1993.

(3) SANTOS, M. F. dos. Dicionário de Filosofia e Ciências Culturais. 3. ed. São Paulo: Matese, 1965.