Acidente. Tradução de um termo aristotélico, muito utilizado pela escolástica, que designa o que pode, indiferentemente, estar presente ou desaparecer sem modificar o sujeito ao qual pertence. Por exemplo, é por acidente que um homem dorme ou um tecido é verde (o primeiro permanece homem quando não está dormindo, o segundo, tingido de vermelho, continua sendo tecido). (V. essência) (1)
Acidente. (em gr. synbebekós, o que acontece com algo) É o que não pertence à essência. Vide Existência e Essência e Substância. (2)
Acidente. Na filosofia aristotélica, é aquilo que não pertence à essência do ser (ou à substância, para falarmos de Aristóteles), mas existe de modo casual, ou seja, como "algo" que poderia existir ou não. Um exemplo: Quando se diz que, "Sócrates é homem". Trata-se de uma definição essencial de Sócrates, porque ela diz o que ele é. No entanto, quando se diz que Sócrates "está sentado", "estar sentado" é um acidente. O conceito vai sofrendo modificação ao longo da história da filosofia e, em Kant, ele significa "modos especiais de ser" da substância. Modo especial, e não exatamente casual, não podendo também existir por si mesmo. É algo semelhante que aparece em Espinosa se pensarmos que "os modos de Deus" podem ser entendidos como acidentes na medida em que eles não são a causa de si mesmos nem existem por si, mas apenas como parte de Deus. (3)
(1) DUROZOI, G. e ROUSSEL, A. Dicionário de Filosofia. Tradução de Marina Appenzeller. Campinas, SP: Papirus, 1993.
(2) SANTOS, M. F. dos. Dicionário de Filosofia e Ciências Culturais. 3. ed. São Paulo: Matese, 1965.
(3) SCHÖPKE, Regina. Dicionário de Filosofia: Conceitos Fundamentais. São Paulo: Martins Fontes Selo Martins, 2010.