Episteme: 1. conhecimento verdadeiro e científico (oposto a doxa). 2. Um corpo organizado de conhecimento, uma ciência. 3. Conhecimento teorético (oposto a praktike e poietike). Latim: scientia. (1)
Epistemologia. Quer dizer, etimologicamente, "discurso sobre a ciência". Ainda que usado para significar "teoria do conhecimento", "gnoseologia", o termo emprega-se hoje, frequentemente, para designar o estudo crítico das ciências naturais e matemáticas. As ciências podem ser estudadas segundo o conteúdo ou segundo a forma, entendendo-se por conteúdo a matéria ou objeto que a ciência trata e por forma a estrutura racional que confere o caráter científico. A epistemologia é o estudo crítico da forma (e não do conteúdo) da ciência. Ao longo da história da filosofia, a epistemologia tem-se traduzido num critério de avaliação da autonomia das várias ciências em relação à filosofia e num critério de distinção dos vários ramos do saber. (2)
Epistemologia. O estudo da cognição e do conhecimento. Teoria do conhecimento. a. Científica — Psicologia cognitiva. A investigação dos processos cognitivos da percepção à formação do conceito, conjecturas e inferir. Quando leva em conta o cérebro e a sociedade, pode-se dizer que a psicologia cognitiva tem como efeito naturalizar e socializar a epistemologia. b. Filosofia — o estudo de processos cognitivos — particularmente a investigação — e seu produto (conhecimento) em termos gerais. Amostra das problemáticas: relação entre conhecimento, verdade e crença; conhecimento ordinário, científico e tecnológico; papel e limites da indução; estímulos filosóficos, e os obstáculos à pesquisa; relações entre epistemologia, semântica e as ciências sociais do conhecimento; relações entre teologia e ciência. A investigação de alguns problemas epistemológicas exige matemática avançada, conhecimento científico ou tecnológico. Exemplos: O que são objetos matemáticos e como é que existem? Qual das interpretações de probabilidade é correta? Como pode a matemática, que é a priori, desempenhar algum papel na ciência factual? Como são operacionalizadas as teorias, isto é, preparadas para o confronto com os dados empíricos? (3)
Revolução Epistêmica. Diz-se de uma ruptura epistemológica (G. Bachelard) ou de uma revolução científica (T. S. Kuhn) que efetua uma ruptura nítida com o conhecimento existente. Tanto assim que a nova teoria pretende-se, seria incomensurável (incomparável) com a velha. Essa ideia contém um grão de verdade: uma descoberta radical e original ou invenção não tem antecedentes. Exemplos: física dos campos, biologia molecular, economia matemática, filosofia exata. Entretanto, mesmo tais rupturas têm raízes. Por exemplo, a física dos campos aprofundou e estendeu teorias de ação à distância, e a biologia molecular foi o fruto das bioquímica e da genética. Além disso, se uma ideia radicalmente nova é admitida, ela o é porque prova ser mais verdadeira do que as anteriores acerca dos mesmos temas, ou porque inicia um novo e fértil campo, como foram os casos da física dos campos e da física nuclear. Mais ainda, a tradição é amiúde uma pedra de tropeço para a novidade epistêmica. Isso vale em particular para os instrumentos formais empregados na ciência e na tecnologia. Assim, a Revolução Científica foi consideravelmente auxiliada pelos legados da matemática grega e da lógica medieval.
Discutivelmente diz-se que houve apenas duas revoluções científicas: o nascimento da ciência na Antiguidade, e seu renascimento no século XVII. Em conclusão, as maiores novidades epistêmicas tiveram mais o caráter de rupturas do que de revoluções. (3)
Ruptura. Uma descoberta ou invenção radicalmente novas. Exemplos: as invenções das hipóteses atômicas e das provas matemáticas. Uma revolução epistêmica, como a revolução científica do século XVII, é um feixe (sistema) de rupturas epistêmicas num certo número de campos de pesquisa - nunca em todos. (3)
(1) PETERS, F. E. Termos Filosóficos Gregos: Um Léxico Histórico. Tradução Beatriz Rodrigues Barbosa. 2. ed. Lisboa: Fundação Calouse Gulbenkian, 1983.
(2) LOGOS – ENCICLOPÉDIA LUSO-BRASILEIRA DE FILOSOFIA. Rio de Janeiro: Verbo, 1990.
(3) BUNGE, M. Dicionário de Filosofia. Tradução de Gita K. Guinsburg. São Paulo: Perspectivas, 2002. (Coleção Big Bang)