Carma / Karman

Carma / Karman. Termo sânscrito (literalmente, "ação") que na especulação hinduísta alude ao conjunto das ações humanas e dos efeitos que delas decorrem necessariamente no curso das sucessivas reencarnações (v. Samsara). Para o budismo e o jainismo , o C. brota do desejo. Por isso, extinguindo-se este, extingue-se também o K. e o Samsara (v. Budismo e Nirvana)

Samsara. Termo sânscrito (literalmente, "corrente, migração" que no hinduísmo e no budismo indica o fluir incessante das coisas e o ciclo das reencarnações. (v. Budismo) (1)


Karman. Filos. Significa ação. Nos tempos védicos as ações que recebiam consideração especial eram ações sacrificiais e rituais pelas quais um fruto especial (phala) é supostamente obtido. No Satapatha-Brãhmana e no Brhad-Aranyaka-Upanishad, a relação ação-fruto estende-se a todas as espécies de ação e estabelece-se a regra de que "um homem transforma-se naquilo que faz, no modo como se comporta; sejam quais forem as obras que fizerem colherão o fruto delas; do outro mundo em que vive, regressa a este mundo de obras e de trabalho". A lei do K. é depois tornada radical por Buda, que proclama que todas as predisposições dos seres têm origem na sua falta de começo K., sendo, portanto, K. o princípio da essência. Portanto, não aceita nenhum atman e reduz a existência a um simples fluxo cuja única continuidade é a relação entre K. e phala. A concepção de Jaina é ainda mais primitiva: concebe K. como uma mancha de tinta que enfeita a alma (jiva ou atman)...

A crença em K. mantém-se muito espalhada na Índia, muito frequentemente com aspecto de fatalidade, e continua a acreditar no princípio da reencarnação. É considerada como lei última de natureza que não deixa abertura a acidente ou acaso e confina a liberdade dentro dos seus limites. O único meio de escapar a este domínio é deixar de agir (nivrtti) e refugiar-se na inação, o conhecimento puro, tal como Vedanta propõe, ou abandonarmo-nos ao amor de Deus e confiar na sua graça como propõem os mestres de bhakti. (2)

Karma. O termo karma significa "ação" ou "feito". Na filosofia hindu e budista, é o princípio de causalidade universal, que afirma que toda ação é causada por uma ação anterior e por sua vez provoca ações posteriores. Tudo acontece agora porque alguma outra coisa foi feita antes e a sucessão de resultante de feitos criativos é karma. Conceitos como oportunidade e sorte são incompatíveis com o karma, pois tudo é determinado pela inflexível lei de causa e efeito.

No sentido mais geral, o karma se refere especificamente à ação individual e ao modo como dessa ação surgem reações que determinam o destino de uma pessoa, senão nesta vida, então na próxima encarnação. O bem e o mal que acontecem ao homem são o que ele mereceu por feitos anteriores, suas ações constituem os elos na corrente que o agrilhoa à roda de samsara, o ciclo sempre repetido de nascimento-morte-renascimento.

Algumas vezes se fala de karma como uma mácula, que a alma adquire na Terra, uma mácula que tem de ser erradicada por feitos contrabalançantes na região terrena. A Terra, ou o ambiente material em que vivemos, é portanto, conhecido como karma-bhumi, a esfera-karma. Cumprimos nosso destino na Terra e temos de retornar a ela para acertar nossas contas. Se tivermos sido bons, somos aquinhoados com uma alta posição na vida e muitas vantagens físicas, intelectuais e sociais, e se fomos maus, nascemos em baixa posição, e na crença hindu às vezes até em forma de animal. Portanto, nosso karma, soma total de nossas atividades, determina, diretamente, como e em que circunstâncias renascemos a cada vez.

A doutrina do karma foi submetida a muitas interpretações, para tentar-se definir a natureza precisa da ação. A rígida opinião de que toda atividade física e mental gera karma teve de ser suavizada e restringida até certo ponto, do contrário seria praticamente impossível a alguém romper o inexorável círculo que o traz repetidas vezes à esfera terrena. Analisando-se, pode-se resumir todas as ações em três partes: o motivo da ação, a própria ação, e as consequências da ação. Os que enfatizam o motivo da ação como portador da mácula do karma sugerem que, já que motivo é conhecido na mente, a ação está como que realizada, seja ela realizada ou não. Segundo essa opinião, são os motivos que determinam o karma. Outros acentuam a verdadeira execução da ação, sejam quais forem seus motivos ou consequências. A terceira e última opinião é a de que as consequências determinam a ação, e todas as ações têm de ser julgadas por seus frutos.

Certas ações, no entanto, podem ser consideradas neutras, sem qualquer fruto. Pode-se pensar que ficar sentado, por exemplo, sem fazer nada que interfira com as vidas dos outros, não incorre no perigo de um karma adverso. Mas até isso traz o contágio, pois a simples existência tem seu alcance de repercussões, e mesmo quando inativos deixamos a impressão de nossa presença no ambiente. (3)


Karma. O termo karma significa "ação" em sânscrito e se refere à ideia de que toda ação tem um conjunto específico de causas e efeitos. Eticamente, karma é um registro metafísico do valor moral de uma pessoa. Quando alguém comete um ato mau, adquire karma; quando alguém faz o bem, adquire mérito, que anula o karma. Karma está vinculado ao samsara (o ciclo da reencarnação), pois, quando as pessoas morrem, o seu karma determina o tipo de renascimento que terão na vida seguinte. No hinduísmo, está mais vinculado com o sistema varna (de castas): uma vida virtuosa erradica o karma e garante o renascimento em uma casta mais alta que tem mais possibilidade de atingir moksha, um estado de união entre o atman (eu verdadeiro) da pessoa e Brahma (a realidade última). No budismo, a vida é caracterizada por sofrimentos; a meta do cultivo espiritual é erradicar o karma e alcançar o nirvana, um estado no qual todo o karma é anulado e uma pessoa pode sair do ciclo de renascimento. No jainismo, eliminar o karma leva a moksha, um bem-aventurado de liberação do samsara. No hinduísmo e no budismo, as pessoas recebem karma apenas por atos intencionais, enquanto no jainismo até mesmo atos não intencionais podem gerar karma. (4)


Karma. Entre as noções de religiões e filosofias orientais, a ideia do karma talvez seja a que mais tenha encontrado resposta no mundo ocidental. O termo tem origem no sânscrito karman e foi adotado pela filosofia hindu e budista para explicar a relação entre a causa e o efeito de uma determinada ação sobre o sujeito que a pratica. Dessa forma, chega-se à conclusão de que nada ocorre por acaso. Uma ação é provocada por outra anterior e, por sua vez, provoca uma reação consequente. A sucessão de acontecimentos, segundo esse pensamento, forma o karma.

A noção pressupõe um antecedente, que é a crença nas sucessivas existências da alma, ou a reencarnação, de modo que a série de acontecimentos que um sujeito experimenta em sua vida surge como consequência de atos e ações de sua vida anterior. Da mesma forma, as ações nessa vida irão determinar o andamento da próxima vida do indivíduo. A noção do karma coloca o ser humano, portanto, como o centro da ação, em relação direta com o divino, é verdade, mas como o único responsável pelo que ocorre em sua vida. Ele tem o poder de escolha. A Terra é chamada de karma-bhumi, a "esfera do karma", para onde as pessoas retornam após a morte e onde irão viver melhor ou pior, de acordo com a forma pela qual viveram antes.

Os atos dos seres humanos se tornam responsabilidade deles próprios e a existência deixa de ser o resultado de uma concessão divina, de sacrifícios ou rituais mágicos e religiosos. Existem diferentes interpretações quanto à relação entre karma e a ação humana ou, em outras palavras, como se define o karma e a consequente vida do ser na Terra. Dessa forma, alguns dizem que o simples ato de pensar já implica a realização. Se um determinado ato surge no espírito da pessoa, é como se ele já estivesse cumprido, mesmo que a pessoa não venha a torná-lo real. É o que se costuma chamar de "maus pensamentos" ou a situação definida pela expressão "o que vale é a intenção". Essa forma implica a necessidade do domínio espiritual e mental para se manter na conduta correta, e é justamente por isso que outras pessoas entendem que é absolutamente necessário o cumprimento do ato. Os pensamentos podem ser maus, mas podem não ser transformados em atos ruins, o que significa que a pessoa, afinal, conseguiu se dominar e evitou a ação má.

Outra linha de pensamento entende que um ato só pode ser julgado bom ou ruim a partir de suas consequências, independentemente da intenção da pessoa no momento da ação, o que não deixa de ser estranho. Uma pessoa pode realizar uma ação má, com intenções más, e os resultados podem não ser ruins, devido a uma série de fatores que fogem ao seu controle. (5)

(1) ABBAGNANO, N. Dicionário de Filosofia. São Paulo: Mestre Jou, 1970.

(2) ENCICLOPÉDIA LUSO-BRASILEIRA DE CULTURA. Lisboa: Verbo, [s. d. p.]

(3) CAVENDISH, Ricardo (org.). Enciclopédia do Sobrenatural. Tradução de Alda Porto e Marcos Santarrita. Porto Alegre: L&PM, 1993.

(4) ARP, Robert (Editor). 1001 Ideias que Mudaram a Nossa Forma de Pensar. Tradução Andre Fiker, Ivo Korytowski, Bruno Alexander, Paulo Polzonoff Jr e Pedro Jorgensen. Rio de Janeiro: Sextante, 2014.

(5) SCHOEREDER, Gilberto. Dicionário do Mundo Misterioso: Esoterismo, Ocultismo, Paranormalidade e Ufologia. Rio de Janeiro: Record: Nova Era, 2002.

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