Seita

Seita. De acepção muitas vezes pejorativa, a seita é constituída de um grupo de indivíduos que professam uma doutrina diferente da doutrina considerada ortodoxa e majoritária. É o caso por exemplo dos hereges em matéria de religião; porém, quando ela se institucionaliza e adquire amplidão, a seita acaba por constituir uma Igreja: foi esse o destino, principalmente, das Igrejas protestantes. Como mostra Durkheim, o adepto, antes de se vincular à própria doutrina, quer participar a princípio do "sistema de forças coletivas" representadas pela seita. (1)

Seita. Grupos minoritários, contestadores das estruturas da Igreja e/ou das religiões estabelecidas. Como foi recentemente salientado, “a seita é o outro”; considera-se diferente, quase estranha à sociedade onde surge, fruto de tensões que conduzem à ruptura, ao afastamento. A raiz do termo “seita” não é clara; etimologicamente vem do verbo latino sequi, “seguir” (um chefe, uma doutrina). Para alguns, provém do verbo secare (“separar”, “romper”), para outros – equivocadamente segundo vários especialistas – advém do vocábulo sequi (já assinalado acima). Na primeira hipótese, a seita é um rompimento; na segunda, mostra novo caminho a trilhar. De qualquer modo, em ambos os casos, caracteriza dissidência. Há um grande número de seitas. Umas centradas sobre a realidade do pecado, pugnam pelo retorno à pureza evangélica, outras acentuam a retidão moral; as gnósticas realçam a importância do conhecimento obtido pela “revelação” que conduzirá o homem à salvação. (2)

Seita. Hist. Ecl. Do latim sequi, seguir, designa genericamente um grupo religioso dissidente por cisão de uma comunidade maior e mais antiga. Sob o ponto de vista teológico, a Igreja católica considera S. toda a comunidade cristã, grande ou pequena, que se separou dela por divergência no plano dogmático (ver Heresia) ou por recusa de obediência (ver Cisma). Entretanto, S. define-se especificamente, no plano da psic. religiosa como excrescência religiosa, nascida de uma atitude de reação crítica relativamente a um sistema dogmático ou disciplinar bem estruturado. Caracteriza-se por uma vivência entusiástica, às vezes fanática e excêntrica, de alguns elementos escolhidos no sistema religioso rejeitado e aos quais se juntam outros normalmente de índole humanitária. Este fenômeno tem se verificado com particular intensidade no cristianismo (sobretudo no protestantismo, normalmente norte-americano). Isto, porque o cristianismo, mais que qualquer outra religião universal, apresenta fronteiras dogmáticas muito definidas, ou porque se implantou em zonas humanas, onde a cultura é muito marcada pelo subjetivismo e pelo sentido da individualidade. No cristianismo protestante, as S. opõem-se quer às grandes denominações quer às chamadas "igrejas livres". Uma das suas características mais acentuadas é a concepção donatista da Igreja: "grupos de eleitos", que pratica o rigorismo moral e com intensa atividade proselitista. Atualmente, existem nos E.U.A. 256 S. (3)

Seita. Na raiz da maioria dos usos do termo "seita" no século XX está a noção de uma coletividade voluntária que se separou da corrente principal de ideias religiosas ou políticas e que ciosamente preserva a sua exclusividade social, cultural e ideológica. (4)

Seita. A. Conjunto de homens que professam uma mesma doutrina. "Os dois mais ilustres defensores das duas mais célebres do mundo (Epiteto e Montaigne)." [Pascal]

B. Num sentido mais especial, mais usual e sempre pejorativo, diz-se de um grupo de homens que aderem estritamente a uma doutrina muito definida, sendo essa adesão motivo de forte união entre eles, ao mesmo tempo que os separa dos outros espíritos. "Gostaria que você não tivesse escrito apenas para os cartesianos, como você próprio reconhece, porque me parece que qualquer nome de seita deve ser odioso, para um amante da verdade." Leibniz, Carta a Malebranche, 1679. (5)

Seita. 1. Doutrina religiosa que se desvia da tradicionalmente aceita. 2. Qualquer grupo unido em torno de uma determinada doutrina ou de um líder. (6)


(1) DUROZOI, G. e ROUSSEL, A. Dicionário de Filosofia. Tradução de Marina Appenzeller. Campinas, SP: Papirus, 1993.

(2) AZEVEDO, Antonio Carlos do Amaral. Dicionário Histórico de Religiões. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2002.

(3) ENCICLOPÉDIA LUSO-BRASILEIRA DE CULTURA. Lisboa: Verbo, [s. d. p.]

(4) OUTHWAITE. W. e BOTTOMORE, T. Dicionário do Pensamento Social do Século XX. Rio de Janeiro, Zahar, 1996.

(5) LALANDE, A. Vocabulário Técnico e Crítico de Filosofia. Tradução por Fátima Sá Correia et al. São Paulo: Martins Fontes, 1993.

(6) SACCONI, Luiz Antonio. Dicionário Essencial da Língua Portuguesa. São Paulo: Atual, 2001.

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