Primeira Leitura: Atos 2,1-11
Salmo Responsorial 103(104)R- Enviai o vosso Espírito, Senhor, / e da terra toda a face renovai.
Segunda Leitura: 1 Coríntios 12,3b-7.12-13
(ou Rom 8,8-17)
Evangelho: João 20,19-23 (ou João 14,15-16.23b-26)
Proclamação do evangelho de Jesus Cristo segundo João (20,19-23) –
19Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas, por medo dos judeus, as portas do lugar onde os discípulos se encontravam, Jesus entrou e, pondo-se no meio deles, disse: “A paz esteja convosco”. 20Depois dessas palavras, mostrou-lhes as mãos e o lado. Então os discípulos se alegraram por verem o Senhor. 21Novamente, Jesus disse: “A paz esteja convosco. Como o Pai me enviou, também eu vos envio”. 22E, depois de ter dito isso, soprou sobre eles e disse: “Recebei o Espírito Santo. 23A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados; a quem não os perdoardes, eles lhes serão retidos”. – Palavra da salvação.
Irmãos e Irmãs:
Celebramos na festa de PENTECOSTES a inimaginável generosidade de nosso Deus que decidiu fazer em cada um de nossos corpos o seu próprio templo. O Apóstolo Paulo, em sua primeira Carta aos Coríntios proclamou que “nós somos o Templo do Espirito Santo”. Ele faz parte de nossas vidas e mora conosco (I Cor. 6, 19-20). O livro do Gênesis nos recorda que “no princípio o Espírito de Deus pairava sobre as águas” (Gn. 1, 2) e que na segunda narrativa da criação Deus nos criou do barro da terra e “SOPROU” sobre nós o hálito da vida (Gn. 2, 7). Sabemos que não fomos capazes de corresponder a esse incrível gesto amoroso, de modo que, muito tempo depois, o mesmo Espírito Santo comunica à jovem Maria de Nazaré que dela nascerá Aquele que nos reconciliará com o nosso Deus Criador.
O Evangelho de João apresenta uma narrativa diferente da dos Atos dos Apóstolos sobre vinda do Espírito Santo. É o primeiro dia da semana (domingo) e Jesus aparece ressuscitado aos seus Apóstolos. Após a saudação da Paz, Jesus SOPRA sobre eles uma nova Vida: “Recebei o Espírito Santo...” (Jo. 20,22) Há exegetas que sinalizam a doação preciosa do Espírito no último momento vital de Jesus na Cruz. Ao dar o seu último suspiro nos “entregou o Espírito!”, nos testemunha João, o discípulo amado, que estava junto à Cruz (Jo. 19,30).
A narrativa sobre a vinda do Espírito Santo de Deus na catequese do evangelista Lucas, nos apresenta um extraordinário acontecimento em Jerusalém, quando lá se encontravam judeus de Israel e os que haviam se espalhado pelas regiões de povos vizinhos ou mais distantes. Acontecia na cidade de Jerusalém a festa das Colheitas, celebrada 50 dias após a Páscoa judaica (Lev. 23, 15-21). A cidade santa, durante uma semana inteira, celebrava a felicidade de ter um país com a bênção da produtividade! Não bastava só ter um lugar para morar, mas também uma terra com abundância de frutos e cereais para coloca-los à mesa da partilha. Jerusalém, no dia de Pentecostes fervilhava! Era gente de todo o lado.
É nesse ambiente festivo e de ação de graças que o Espírito Santo se apresenta. Desta vez, a narrativa do evangelista Lucas nos fala de uma “VENTANIA” que entrou pela casa onde estavam os Apóstolos e de “LINGUAS DE FOGO” que pousaram sobre a cabeça de cada um deles (At. 2, 1-4). Nessa “VENTANIA”, novamente está presente o “SOPRO”, agora mais contundente e, com certeza, sobre todos nós. É o “VENTO” gerador da Vida e, ao mesmo tempo salutar, para varrer todos os nossos medos e nos impulsionar para a continuidade da missão que nos foi confiada por Jesus! Como sabemos, o Espírito Divino ainda se apresentou em “LÍNGUAS DE FOGO”! Agora também somos purificados no fogo, como se purifica o ouro e a prata! A minha mente corre até o profeta Isaías quando este demonstrou medo de assumir a tarefa solicitada por Deus. Diz o texto que um anjo do Senhor pegou uma brasa ardente e a colocou na boca de Isaías. E foi assim que ele, purificado, se disponibilizou a servir na condição de profeta: “Eis-me aqui, Senhor, envia-me!” (Is. 6). O texto do evangelista Lucas também expressa a força das “LÍNGUAS DE FOGO”: os medrosos Apóstolos agora se inflamaram de coragem e passaram a anunciar Jesus! A maravilhosa surpresa foi que cada estrangeiro que ali se encontrava entendeu o que eles falavam na sua própria língua!
Tem mais? Muito mais! O Apóstolo Paulo entendeu bem os porquês da manifestação do Espírito Santo. Agora, com esse dinamismo e sabedoria, aprendemos que somos um ÚNICO CORPO, com membros diferentes, mas todos voltados para o perfeito funcionamento corporal. Finalmente podemos compreender o significado dessa unidade na diversidade (1Cor. 12) na Igreja do Cristo Jesus! Este é o momento propício para avaliar o nosso desempenho nessa magnífica obra realizada pelo Espírito que distribuiu os seus dons e frutos (qualidades de nosso Deus) para todos nós!
Com tantos dons e abundantes frutos do Espírito começo a entender o significado de ser “ser criado à imagem e semelhança de Deus” (Gn. 1, 26).
Com o salmista, vamos clamar com toda a nossa convicção amorosa: “ENVIAI O VOSSO ESPÍRITO, SENHOR, E DA TERRA TODA A FACE RENOVAI!”
PROF. JOÃO J.C.SAMPAIO