Salmo Responsorial Lucas 1-R-Bendito seja o Senhor Deus de Israel, porque a seu povo visitou e libertou!
Evangelho Lucas 11,5-13
Proclamação do evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas – Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 5“Se um de vós tiver um amigo e for procurá-lo à meia-noite e lhe disser: ‘Amigo, empresta-me três pães, 6porque um amigo meu chegou de viagem e nada tenho para lhe oferecer’, 7e se o outro responder lá de dentro: ‘Não me incomodes! Já tranquei a porta, e meus filhos e eu já estamos deitados; não me posso levantar para te dar os pães’, 8eu vos declaro: mesmo que o outro não se levante para dá-los porque é seu amigo, vai levantar-se ao menos por causa da impertinência dele e lhe dará quanto for necessário. 9Portanto, eu vos digo, pedi e recebereis; procurai e encontrareis; batei e vos será aberto. 10Pois quem pede, recebe; quem procura, encontra; e para quem bate, se abrirá. 11Será que algum de vós que é pai, se o filho pedir um peixe, lhe dará uma cobra? 12Ou ainda, se pedir um ovo, lhe dará um escorpião? 13Ora, se vós, que sois maus, sabeis dar coisas boas aos vossos filhos, quanto mais o Pai do céu dará o Espírito Santo aos que o pedirem!” – Palavra da salvação.
Meu irmão, minha irmã!
Gl 3,1-5
Sabemos que para São Paulo o erro dos gálatas era muito grave, porque estava relacionado com algo fundamental. Os gálatas queriam obter a salvação por meio das próprias obras e da observância da lei de Moisés. Paulo luta energicamente contra esse erro, que ameaça a toda a vida cristã e a nossa relação com Deus. O fundamento da salvação não são as obras mas a fé! Para receber o dom do Espírito é preciso receber; o Espírito Santo não é a recompensa das nossas obras, não é fruto de nossa conquista. O Espírito Santo é dom gratuito e não uma medalha que se conquista.
Evidentemente as obras são necessárias, mas o problema e pôr nelas o fundamento de nossa vida. Nossa vida não pode ter noutro fundamento a não ser Cristo e sua graça. As obras são consequência da fé; a fé não é consequência das obras. É somente na fé que nos tornamos capazes de realizar as obras de Deus. Não realizamos as obras por nossas forças, mas pela força da fé.
Nós também temos as mesmas tentações dos gálatas, ou seja, de pôr o fundamento da nossa salvação em nós mesmos; temos sempre a tentação de pensar o que nos salva é o nosso esforço e a nossa boa vontade. Não. Fundamento da nossa salvação é Cristo, é a fé em Cristo, é o dom gratuito do amor de Deus. Não somos os fabricantes de nossa própria santidade. Nossa santidade é graça de Deus.
Peçamos a graça de confiar em Deus, de pôr nele a nossa segurança, de receber de Deus a salvação.
Lc 11,5-13
A parábola do amigo importuno e impertinente nos apresenta o comportamento fundamental que deve sustentar a oração cristã: a perseverança. A parábola insiste sobre a impertinência para nos exortar à perseverança! Jesus deseja que nos aproximemos do Pai para apresentarmos nossas necessidades cotidianas. Na verdade, o Pai não precisa ser informado sobre as nossas necessidades, que Ele não pode desconhecer. Precisamos, porém, pedir com perseverança porque tal atitude cria em nós uma crescente abertura que nos possibilita fazer a experiência do amor do Pai e de encontro pessoal com Jesus. Assim a oração de petição nos ajuda a estreitar com o Senhor uma relação pessoal de confiança e de intimidade filial.
A oração nos alcança o dom mais precioso, mas para cair na conta desse dom mais precioso é preciso rezar sempre. E o dom mais precioso não são as graças, mas ou autor da graça, o próprio Deus. Essa é a experiência de Jesus que ora: o maior dom é o próprio Pai: estar com Ele, escutá-lo, obedecê-lo, fazer o que é de seu agrado constitui a suprema e única felicidade do Filho. É nessa relação filial que Jesus deseja nos introduzir. É por isso que Jesus fala do Pai que sabe dar coisas boas ao filho querido.
O dom mais precioso que podemos receber é o Pai. O dom mais precioso que o Pai nos quer dar é o Espírito Santo! O que é mais precioso? O Pai que recebemos, ou o Espírito que o Pai nos quer dar? Nisso está o mistério da comunicação de Deus a nós. O Pai nos entregou o Filho. O Filho se entrega a nós e nos introduz na sua relação com o Pai. O Pai, que já nos deu o Filho, nos entrega o Espírito Santo. Para que possamos nos entregar ao Pai como o Filho, recebemos o Espírito do Filho, que é o Espírito do Pai. Maravilhosa comunicação de Deus mesmo! Maravilhosa comunicação de Deus a nós! Maravilhosa comunicação de nós mesmos a Deus!
Nesse sentido, o missionário é aquele que recebeu o precioso dom do encontro pessoal com Jesus e que deseja partilhar com os outros a amizade pessoal que brota desse encontro. É a partir do encontro pessoal com Deus que nasce a missão e o desejo de partilhar com os outros a felicidade da amizade com Deus. Missão não é marketing. Missão é o transbordamento natural de um encontro pessoal para outras pessoas; é a alegria do Evangelho que se difunde irresistivelmente aos outros.