Salmo Responsorial 47(48)R- O Senhor estabelece sua cidade para sempre
Evangelho Mateus 11,20-24
Então Jesus começou a censurar as cidades nas quais tinha sido realizada a maior parte de seus milagres, porque não se converteram. 21 “Ai de ti, Corazim! Ai de ti, Betsaida! Se em Tiro e Sidônia se tivessem realizado os milagres feitos no meio de vós, há muito tempo teriam demonstrado arrependimento, vestindo-se de saco e cobrindo-se de cinza. 22 Pois bem! Eu vos digo: no dia do julgamento, Tiro e Sidônia terão uma sentença menos dura do que vós. 23 E tu, Cafarnaum! Acaso serás elevada até o céu? Até o inferno serás rebaixada! Pois se os milagres realizados no meio de ti se tivessem produzido em Sodoma, ela existiria até hoje! 24 Eu, porém, te digo: no dia do juízo, Sodoma terá uma sentença menos dura do que tu!”
Meu irmão, minha irmã!
Is 7,1-9
A leitura de hoje descreve uma crise política grave, mas que revela uma crise ainda mais profunda que é a crise de fé.
A independência política do povo está ameaçada a partir de fora e principalmente a partir de dentro. Os países vizinhos da Síria, de Israel, Edom e da Filistéia se unem contra o inimigo comum que é o império Assírio. Eles pressionam o reino de Judá a entrar nessa aliança. Mas o rei dos judeus, Acaz, tem outros planos. Acha mais seguro se aliar ao império Assírio. Afinal, quem vence não é o mais poderoso? Nesse caso concreto, a política exterior mais segura é a de buscar ajuda no império dominador.
É nesse momento de Isaías intervém com uma profecia, ao mesmo tempo, triste e esperançosa. A profecia é triste, porque Isaías não fala ao povo, mas apenas a um “resto”. O “resto”, nos profetas, indica a parcela do povo eleito que se manteve fiel à Aliança e que, um dia, retornará do Exílio para constituir um novo começo. O “resto” se torna assim o portador da esperança no cumprimento das promessas de Deus.
Dessa forma, Deus não rejeitará completamente o seu povo: um “resto” permanecerá como garantia de que as promessas de Deus se cumprirão. Mas para que as promessas se realizem é necessária a fé.
Em meio à grave crise política, Isaías aponta o caminho a ser percorrido: não é o caminho do cálculo politiqueiro, nem o da diplomacia mundana de escolher o mais poderoso. É o caminho da fé: “se não confiardes, não podereis manter-vos firmes”. Infelizmente, a fé é exatamente o que falta completamente a Acaz e aos seu cortesãos.
A leitura de hoje nos ensina como uma política sem fé acaba, no fim das contas, se tornando refém somente da politicagem e dos interesses dos poderosos.