ÁUDIO DO COMENTÁRIO DESTA PÁGINA
AS LEITURAS DESTA PÁGINA E DO MÊS TODO
Jesus apresentou-lhes outra parábola: “O Reino dos Céus é como alguém que semeou boa semente no seu campo. 25 Enquanto todos dormiam, veio seu inimigo, semeou joio no meio do trigo e foi embora. 26 Quando o trigo cresceu e as espigas começaram a se formar, apareceu também o joio. 27 Os servos foram procurar o dono e lhe disseram: ‘Senhor, não semeaste boa semente no teu campo? Donde veio então o joio?’ 28 O dono respondeu: ‘Foi algum inimigo que fez isso’. Os servos perguntaram ao dono: ‘Queres que vamos retirar o joio?’ 29 ‘Não!’, disse ele. ‘Pode acontecer que, ao retirar o joio, arranqueis também o trigo. 30 Deixai crescer um e outro até a colheita. No momento da colheita, direi aos que cortam o trigo: retirai primeiro o joio e amarrai-o em feixes para ser queimado! O trigo, porém, guardai-o no meu celeiro!’” 31 Jesus apresentou-lhes outra parábola ainda: “O Reino dos Céus é como um grão de mostarda que alguém pegou e semeou no seu campo. 32 Embora seja a menor de todas as sementes, quando cresce, fica maior que as outras hortaliças e torna-se um arbusto, a tal ponto que os pássaros do céu vêm fazer ninhos em seus ramos”. 33 E contou-lhes mais uma parábola: “O Reino dos Céus é como o fermento que uma mulher pegou e escondeu em três porções de farinha, até que tudo ficasse fermentado”. 34 Jesus falava tudo isso em parábolas às multidões. Nada lhes falava sem usar de parábolas, 35 para se cumprir o que foi dito pelo profeta: “Abrirei a boca para falar em parábolas; vou proclamar coisas escondidas desde a criação do mundo”. 36 Então Jesus deixou as multidões e foi para casa. Seus discípulos aproximaram-se dele e disseram: “Explica-nos a parábola do joio!” 37 Ele respondeu: “Aquele que semeia a boa semente é o Filho do Homem. 38 O campo é o mundo. A boa semente são os que pertencem ao Reino. O joio são os que pertencem ao Maligno. 39 O inimigo que semeou o joio é o diabo. A colheita é o fim dos tempos. Os que cortam o trigo são os anjos. 40 Como o joio é retirado e queimado no fogo, assim também acontecerá no fim dos tempos: 41 o Filho do Homem enviará seus anjos e eles retirarão do seu Reino toda causa de pecado e os que praticam o mal; 42 depois, serão jogados na fornalha de fogo. Ali haverá choro e ranger de dentes. 43 Então os justos brilharão como o sol no Reino de seu Pai. Quem tem ouvidos, ouça.
Prezados irmãos e irmãs!
No domingo que passou, celebramos o 15o domingo do Tempo Comum e nele lemos e refletimos a parábola do semeador que é a primeira das sete parábolas ali narradas (1-23) no discurso intitulado “Discurso das parábolas”
Hoje continuamos a leitura e reflexão do mesmo discurso, lendo três parábolas: do joio semeado no meio do trigo (24-30), do grão de mostarda (32) e do fermento, (33) além da explicação de Jesus (34-35) e da consequente dinâmica do Reino de Deus na história (36-43).
Essas parábolas iluminam a realidade que nos cerca e tantas vezes dramática: a maldade de alguns que se instala prejudicando a bondade... a justiça que sempre parece perder para a injustiça e assim por diante...
Surge em nós a tentação de querer consertar tudo ao nosso modo, ou seja, a famosa justiça com as próprias mãos. Às vezes até reclamamos que Deus está ausente e não vê nada do que está acontecendo...
Olhemos a parábola do joio (24-30), lendo-a com atenção: Jesus critica a pressa dos discípulos e das comunidades cristãs, que querem logo separar os bons dos maus, os justos dos injustos, e separar é coisa de fariseu. Esses versículos nos ensinam que a sociedade é um campo onde muita coisa é semeada, isto é, há diversidade e pluralidade, e a tarefa do semeador é semear, e ao discípulo de Jesus (nós) a contínua prática da justiça e do bem. E a resposta do dono é muito clara: só a Deus cabe fazer a triagem.
A segunda parábola (31-32): semente de mostarda a nos mostrar o contraste do MENOR e do MAIOR. A menor de todas as sementes se torna a maior das hortaliças. A semente de mostarda é a síntese da insignificância dos inícios da justiça que faz o Reino crescer.
A terceira parábola (33), a pequena medida de fermento em grande porção de farinha, notemos um outro e importante contraste: POUCO e MUITO e é o primeiro que subverte o segundo. Não é a farinha (o muito) que transforma o fermento (o pouco) mas exatamente o contrário. O texto mostra que a mulher esconde o fermento na farinha. A justiça do Reino de Deus tem esse poder revolucionário.
Na quarta parte (34-35), Jesus revela o mistério do Reino, pois nos mostra com clareza que a função da parábola é revelar o mistério escondido anteriormente e agora plenamente revelado n’Ele, pois é a verdadeira face de Deus e de seu Reino.
Por fim, a dinâmica do Reino (36-43): Jesus volta para casa convidando os seus a olharem para dentro de si e deslocando-nos do campo do mundo para campo do final dos tempo. Deixa-nos também um veemente apelo: “Quem tem ouvidos para ouvir, ouça” (43), isto é, apelo ao discernimento do agora da nossa história: pois a vitória final pertence a Ele: o Senhor Jesus!
Padre Tadeu Rocha Morais, pároco da Igreja Catedral de Sorocaba SP.