4ª FEIRA DA 29ª SEMANA COMUM. -
1ª Leitura: Efésios 3,2-12
Salmo Responsorial Isaías 12-R- Com alegria bebereis do manancial da salvação.
Proclamação do evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas – Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 39“Ficai certos, se o dono da casa soubesse a hora em que o ladrão iria chegar, não deixaria que arrombasse a sua casa. 40Vós também ficai preparados! Porque o Filho do homem vai chegar na hora em que menos o esperardes”. 41Então Pedro disse: “Senhor, tu contas esta parábola para nós ou para todos?” 42E o Senhor respondeu: “Quem é o administrador fiel e prudente que o senhor vai colocar à frente do pessoal de sua casa para dar comida a todos na hora certa? 43Feliz o empregado que o patrão, ao chegar, encontrar agindo assim! 44Em verdade eu vos digo, o senhor lhe confiará a administração de todos os seus bens. 45Porém, se aquele empregado pensar: ‘Meu patrão está demorando’, e começar a espancar os criados e as criadas, e a comer, a beber e a embriagar-se, 46o senhor daquele empregado chegará num dia inesperado e numa hora imprevista, ele o partirá ao meio e o fará participar do destino dos infiéis. 47Aquele empregado que, conhecendo a vontade do senhor, nada preparou nem agiu conforme a sua vontade será chicoteado muitas vezes. 48Porém o empregado que não conhecia essa vontade e fez coisas que merecem castigo será chicoteado poucas vezes. A quem muito foi dado, muito será pedido; a quem muito foi confiado, muito mais será exigido!” – Palavra da salvação
Para sermos realmente fiéis a Deus é preciso meditar sempre na grandeza da nossa vocação; é preciso cultivar assombro e admiração pela generosidade de Deus em nosso favor; é preciso pensar não tanto nos deveres, mas sobretudo na graça que nos foi dada por Deus.
Paulo medita na sua vocação, e a sua alma se enche de alegria e gratidão: “Eu, que sou o último de todos os santos, recebi esta graça de anunciar aos pagãos a insondável riqueza de Cristo”. São Paulo tem consciência de sua pequenez e indignidade. Reconhece-se o menor de todos e a constatação de que Deus lhe deu a “graça de anunciar aos pagãos a insondável riqueza de Cristo” o enche de gratidão e entusiasmo. Ele, assim, considera todas as fadigas e canseiras como ínfimas em relação à grandeza da mensagem que lhe foi confiada. Por isso, mesmo em meio a grandes provações, sua alegria é plena e autêntica.
Aprendemos de Paulo como é importante cairmos na conta da grandeza da graça que nos foi dada para podermos viver como cristãos. Se nós só pensarmos nas nossas obrigações e deveres, sentiremos a vida como um peso e uma fadiga; sentiremos como que uma espécie de desgosto e de tédio. Se, ao contrário, nos deixarmos iluminar pela graça do Evangelho e pelo esplendor de Cristo, a nossa alegria será maior e a nossa generosidade de alargará.
Pedro pergunta se a parábola que Jesus conta é para eles também.
A parábola de Jesus dirige-se a todos os membros da comunidade eclesial. Ela é um convite dirigido a todos os discípulos missionários a desempenhar a própria missão com fidelidade, diariamente, sem adiar nada para o dia seguinte. Entre aqueles que são chamados a vigiar, os detentores de encargos de liderança na Igreja têm uma responsabilidade maior: quem se senta à cabeceira da mesa deve se assegurar de que os outros receberam a sua porção antes de se servir. Jesus elogia o administrador sábio e honesto, aquele que não se deixa enredar pelo fascínio do poder e que administra os recursos com o devido desapego. “Feliz o servo que o Senhor, ao chegar, encontrar fazendo assim. Em verdade vos digo: o senhor lhe confiará a administração de todos os seus bens” (Lc 12,43-44).
A gestão dos bens terrenos com equidade, justiça e transparência são temas de enorme atualidade no mundo contemporâneo: um mundo flagelado pelas cobiças predatórias e em que muitas vezes o ser humano vale menos do que as mercadorias e os objetos. “Mas se esse servo pensar: ‘O meu senhor, vai demorar’, e começar a bater nos outros servos e servas, a comer, beber e embriagar-se, o senhor desse servo chegará num dia inesperado e numa hora imprevista. O senhor o expulsará de casa, fazendo-o partilhar a sorte dos infiéis” (Lc 12,45-46).
Nestas palavras, é importante prestar atenção à atitude do servo infiel, que no seu coração se convence de que a chegada do Senhor irá demorar, e na referência final aos infiéis. Insensatez e ateísmo surgem lado a lado nos Salmos (14,1; 53,2): “O insensato diz no seu coração: ‘Deus não existe!’”. Para quem decide excluir Deus do seu próprio coração, não será certamente fácil acolher o próximo e reconhecer que a vontade de Deus consiste em ter zelo pelo próximo. Declara o Evangelho que o Senhor virá novamente como juiz e que cada um terá de prestar contas da sua atuação.
A parábola do administrador nos mostra que o tempo da espera é um tempo de serviço. O empregado que é posto na administração da casa é um símbolo de todos os que na Igreja tem autoridade. Os pais têm autoridade sobre os filhos, os padres sobre os fieis, os catequistas sobre os catequizandos. O poder e a autoridade que é confiada às pessoas consiste em ser responsável pelo bem de outros. A todos os membros da Igreja é confiado um tipo de serviço nesse tempo da espera que nós vivemos.