6ª FEIRA DA 1ª SEMANA DA QUARESMA
LINKS AUXILIARES:
1ª Leitura - Ezequiel 18,21-28
Salmo - Sl 129(130)-R. Se levardes em conta nossas faltas, quem haverá de subsistir?
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 20Se a vossa justiça não for maior que a justiça dos mestres da Lei e dos fariseus, vós não entrareis no Reino dos Céus. 21Vós ouvistes o que foi dito aos antigos: 'Não matarás! Quem matar será condenado pelo tribunal'. 22Eu, porém, vos digo: todo aquele que se encoleriza com seu irmão será réu em juízo; quem disser ao seu irmão: 'patife!' será condenado pelo tribunal; quem chamar o irmão de 'tolo' será condenado ao fogo do inferno. 23Portanto, quando tu estiveres levando a tua oferta para o altar, e ali te lembrares que teu irmão tem alguma coisa contra ti, 24deixa a tua oferta ali diante do altar, e vai primeiro reconciliar-te com o teu irmão. Só então vai apresentar a tua oferta. 25Procura reconciliar-te com teu adversário, enquanto caminha contigo para o tribunal. Senão o adversário te entregará ao juiz, o juiz te entregará ao oficial de justiça, e tu serás jogado na prisão. 26Em verdade eu te digo: dali não sairás, enquanto não pagares o último centavo. Palavra da Salvação.
No Evangelho de Mateus 5, 20, Jesus diz a seus discípulos: “Se a vossa justiça não for maior que a justiça dos mestres da Lei e dos fariseus, vós não entrareis no Reino dos Céus”.
Somos chamados a amar com um amor que é maior que a justiça. O amor é o cumprimento perfeito da Lei. Pouco ou nada adianta práticas religiosas que não produzam frutos de amor, justiça, misericórdia.
Na liturgia de hoje o tema principal é o da conversão. Estamos ainda a caminho, temos ainda tempo para a nossa conversão. Ainda não estamos diante do Juiz para sermos julgados. Ainda estamos a caminho e ainda podemos fazer um acordo com o nosso adversário.
Quem é o nosso adversário? Nosso adversário é o irmão com o qual não vamos de acordo. Por isso o evangelho de hoje nos exorta com clareza a nos reconciliar com o irmão antes que seja tarde demais.
O adversário é também, de certa forma, Deus. Deus? Por que? Deus é nosso adversário quando estamos no pecado! Por isso, o Evangelho nos exorta também a nos reconciliar com Deus. Podemos nos reconciliar com Deus porque o que Ele mais deseja é a nossa salvação. Deus não tem alegria nenhuma com a nossa perdição. A grande tentação proveniente do espírito do mal é de que é inútil buscar a conversão porque é impossível. É o espírito do mal que quer nos fazer crer que não podemos sair de nosso pecado.
Ao contrário, a Palavra de Deus proclama que Deus deseja a nossa conversão e a nossa salvação.
A leitura relata a revolta de muitos contra Deus: “Vós dizeis: o caminho do Senhor não é reto!” Por que o povo se queixa desse modo contra a justiça de Deus? Para entender essa acusação contra Deus é preciso entender o contexto em que ela se dá.
O povo está no exílio. Seu cotidiano amargo de exilados é o resultado de muitos séculos de prevaricações e pecados acumulados das gerações anteriores. Assim os exilados sofrem, segundo a teologia da época, o castigo dos pecados dos pais. Era muito conhecido entre os exilados o provérbio: “Os pais comeram uvas verdes e os dentes dos filhos ficaram embotados” (Ez 18,2).
Dessa forma, os exilados se sentiam injustiçados pelo castigo divino que lhes tocava. Eles tinham consciência de que não eram inocentes, mas o castigo que estavam suportando era desproporcional à culpa pessoal.
O profeta Ezequiel se levanta em nome de Deus contra essa acusação. Em nome de Deus ele prega: “Que provérbio é esse que andais repetindo na terra de Israel? Por minha vida, esse provérbio não repetireis mais”.
Estamos diante do conteúdo doutrinal mais importante do Livro do profeta Ezequiel. Ezequiel não nega o princípio de solidariedade, mas o completa: “Ouvi, casa de Israel: é o meu caminho que não é reto, ou são os vossos caminhos que não são retos? Acaso tenho prazer na morte do ímpio? Não desejo antes que se converta de seus caminhos e viva?”
O princípio da responsabilidade pessoal é um chamado insistente à conversão. Cada um deve assumir suas responsabilidades diante de Deus e não ficar reclamando contra a justiça de Deus. Na realidade, ficar se queixando de Deus é uma atitude cômoda, pois nos dispensa da necessária conversão.
É verdade que os fatos do passado influenciam e condicionam fortemente qualquer decisão nossa do presente. É verdade que todos nós sofremos no presente com os influxos negativos de ações passadas. Mas o passado não é uma herança fatídica; o passado não determina o presente nem aprisiona a pessoa humana. É possível superar os condicionamentos do passado com uma responsável conversão a Deus. Podemos, portanto, superar o peso negativo do passado, pois Deus não quer a morte do pecador, mas que ele se converta e viva.
Ao mesmo tempo, sabemos que Deus quer a nossa conversão e nossa vida, por isso o passado não tem o poder de determinar nosso presente e futuro com Deus.