Salmo 85(86)R- Ensinai-me os vossos caminhos e na vossa verdade andarei
Evangelho Lucas 5, 27-32
Naquele tempo: 27Jesus viu um cobrador de impostos, chamado Levi, sentado na coletoria. Jesus lhe disse: 'Segue-me.' 28Levi deixou tudo, levantou-se e o seguiu. 29Depois, Levi preparou em casa um grande banquete para Jesus. Estava aí grande número de cobradores de impostos e outras pessoas sentadas à mesa com eles. 30Os fariseus e seus mestres da Lei murmuravam e diziam aos discípulos de Jesus: 'Por que vós comeis e bebeis com os cobradores de impostos e com os pecadores?' 31Jesus respondeu: 'Os que são sadios não precisam de médico, mas sim os que estão doentes. 32Eu não vim chamar os justos, mas sim os pecadores para a conversão.' Palavra da Salvação.
Meu irmão, Minha irmã!
Is 58,9-14
Na leitura Isaías insiste na natureza da verdadeira religião. Ela consiste me tirar da vida tudo que é um peso impróprio para as pessoas carregarem; é fazer desaparecer da vida os gestos ameaçadores, o dedo em riste e o falar arrogante. A religião verdadeira consiste em repartir o pão com o faminto. A partilha do pão é realidade e símbolo. Realidade porque ao partilhar o pão a fome é vencida. E símbolo porque ao repartir o rico experimenta na pele a carência própria do pobre, e o pobre oferece ao rico a sua atitude de confiar unicamente em Deus.
Tempo da quaresma é tempo para viver a religião verdadeira a fim de que comece o tempo messiânico: “a tua luz brilhará nas trevas, e a tua escuridão será como o meio-dia”.
A santificação do sábado é também verdadeira religião no sentido de que é um tempo subtraído ao interesse humano e dedicado a Deus. Da mesma forma como o templo é um espaço reservado a Deus, o sábado é um tempo que não deve ser usado para aumentar lucro e produtividade, mas é um sacrifício do ganho para professar um valor superior. Além disso, o sábado deve ser observado não como pesar, mas como privilégio e com alegria: “se evitares negócios no meu dia santo, se disseres que o sábado é tua delícia, dia consagrado ao Senhor: se, de verdade o glorificares, deixando os teus negócios e tuas conversas, então te alegrarás no Senhor”.
Tempo da quaresma é também um tempo subtraído aos nossos interesses para ser consagrado à Deus e à prática da penitência. Quaresma é um tempo sagrado, não por si mesmo, mas porque o dedicamos a Deus em comunhão festiva com Ele e de caridade operosa em relação aos irmãos.
Lc 5,27-32
Os que são sadios não precisam de médico, mas sim os que estão doentes. Eu não vim chamar os justos, mas sim os pecadores para a conversão.
Se queremos que Jesus venha para nós, devemos nesta quaresma aprender a nos reconhecer pecadores. Se desejamos que Jesus nos ajude e nos cure é preciso que reconheçamos a nossa doença e que temos necessidade do divino médico. Essa atitude de humildade não é fácil para nós, e precisamos da graça de Deus. Mesmo que não tenhamos pecados graves, é preciso reconhecer que somos tão dependentes da graça de Deus quanto outros mais pecadores do que nós. Se não somos grandes pecadores, não é necessário fingir, mas isso não significa que não devamos reconhecer com humildade que não ter grandes pecados é também resultado da graça que nos preserva.
Mais ainda. Nesta quaresma somos convidados a carrega o fardo dos pecados dos outros, assim como fez Jesus. Jesus quis tomar sobre si o pecado da humanidade. Ele poderia ter se distanciado dos pecadores; Ele não precisava fazer penitência pelos pecados; Ele não precisava sofrer pelas consequências dos pecados. Mesmo assim Ele quis voluntariamente tomar sobre si o pecado do mundo, quis fazer penitências pelos pecados dos outros; aceitou sofrer as consequências dos pecados dos outros.
Nós fazemos penitência na quaresma porque queremos nos unir a Jesus em seu sofrimento redentor. Em vez de dizer: “eu não sou grande pecador, por isso não preciso fazer penitência!”, procuro me engajar humildemente com a penitência do Senhor para vencer o pecado em mim e nos outros.