Salmo Responsorial: 97(98)-R- O Senhor fez conhecer a salvação e revelou sua justiça às nações
Segunda Leitura: 1 João 4,7-10
Evangelho: João 15,9-17 (ou 17,11b-19)
9 Como meu Pai me ama, assim também eu vos amo. Permanecei no meu amor. 10 Se observardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor, assim como eu observei o que mandou meu Pai e permaneço no seu amor. 11 Eu vos disse isso, para que a minha alegria esteja em vós, e a vossa alegria seja completa. 12 Este é o meu mandamento: amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei. 13 Ninguém tem amor maior do que aquele que dá a vida por seus amigos. 14 Vós sois meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando. 15 Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu Senhor. Eu vos chamo amigos, porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi de meu Pai. 16 Não fostes vós que me escolhestes; fui eu que vos escolhi e vos designei, para dardes fruto e para que o vosso fruto permaneça. Assim, tudo o que pedirdes ao Pai, em meu nome, ele vos dará. 17 O que eu vos mando é que vos ameis uns aos outros.
Meu irmão, minha irmã!
Jo 15,9-17
Jesus proferiu as palavras que acabamos de ouvir no cenáculo, poucas horas antes de sua morte na cruz.
“Como o Pai me amou, assim também eu vos amei. Permanecei no meu amor (...) Este é o meu mandamento: Amai-vos uns aos outros assim como eu vos amei.”
Gostaria de aprofundar esse “amar como Jesus nos ama”.
O amor é descrito em três planos, ou melhor, em três movimentos: o Pai ama o Filho Jesus; Jesus ama os discípulos; os discípulos se amam uns aos outros.
O amor humano, natural, passional é governado por uma lei: “Você deve me amar como eu amo você”. Esse é um amor de reciprocidade: amar e ser amado. A reciprocidade está como que ameaçada de fechamento: “amo você para ser amado da mesma forma e na mesma medida em que amo você”. Esse amor de pura reciprocidade pode se fechar em si mesmo e se tornar egoísmo a dois.
Jesus introduz no amor uma outra dinâmica, uma lei nova: Este é o meu mandamento: Amai-vos uns aos outros assim como eu vos amei. Como eu amei você, assim você deve amar o outro. O amor não se fecha no egoísmo, porque não obriga o amado a corresponder ao amante. Pelo contrário, o amor do amante lança o amor do amado para um terceiro: um condileto: amado pelos dois. Assim o amor faz circular a vida e a felicidade de amar. O amor de Jesus não nos obriga a amá-lo, mas a nos amar uns aos outros como Ele nos amou.
Esse amor de Jesus não proíbe a reciprocidade nem a gratidão: amar Jesus porque sou amado por Ele. Mas essa reciprocidade e gratidão se expressam exatamente quando doamos o amor recebido de Jesus ao outro: amar Jesus (reciprocidade) é o mesmo que amar o irmão (condileto); amar o irmão é transmitir a ele o que recebi de Jesus: o amor que dá a vida pelo amigo. Ninguém tem amor maior do que aquele que dá a vida pelos amigos.
Outra dinâmica própria do amor de Jesus é que para amar como Jesus é preciso primeiro ser amado por Ele. Amamos porque Deus nos amou por primeiro (1Jo 4,19). “Primeiro” não significa dizer uma vez só, no início, mas receber sempre, a cada momento, porque Deus em cada instante ama para que eu possa amar o outro.
Essa dinâmica mostra qual é a fonte do amor de Jesus por nós. Jesus não se revela como a fonte do amor. Ele sabe que a origem do seu amor é o Pai. Sendo amado, Jesus ama e é a perfeita expressão humana do amor do Pai por nós. Jesus recebe continuamente o amor que provém do Pai e vive o amor de modo perfeitíssimo nos amando e dando a sua vida por nós.
Você quer amar de verdade? Ame como Jesus! Para amar como Jesus é preciso receber continuamente, a todo momento o amor de Jesus. Ora, essa experiência de receber o amor para amar, nós a temos de maneira originária no batismo, de maneira cotidiana na Eucaristia e de modo atual na Confirmação. No batismo o amor de Jesus é derramado como virtude para se desenvolver e se tornar consciente. Na eucaristia, o amor de Jesus nos é dado como alimento e como memorial do amor que dá a vida pelos amigos. Na Confirmação recebemos o Espírito Santo, que é o Condileto: Ele é o amado pelo Pai e pelo Filho (Condileto) que nos configura ao Amado-Filho do Pai.