Salmo Responsorial: 32(33) Sobre nós venha, Senhor, a vossa graça, da mesma forma que em vós nós esperamos!
Segunda Leitura: 1 Pedro 2,4-9
Evangelho: João 14,1-12
Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: “Não se perturbe o vosso coração. Tendes fé em Deus, tende fé em mim também. Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se assim não fosse, eu vos teria dito. Vou preparar um lugar para vós, e quando eu tiver ido preparar-vos um lugar, voltarei e vos levarei comigo, a fim de que onde eu estiver estejais também vós. E para onde eu vou, vós sabeis o caminho”. Tomé disse a Jesus: “Senhor, nós não sabemos para onde vais. Como podemos conhecer o caminho”? Jesus respondeu: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vai ao Pai senão por mim. Se vós me conhecêsseis, saberiam também o meu Pai. E desde agora o conheceis e o vistes”. Disse Filipe> “Senhor, mostra-nos o Pai, isso nos basta”! Jesus respondeu: “Há tanto tempo estou convosco, e não me conheces, Filipe? Quem me viu, viu o Pai. Como é que tu dizes: ‘Mostra-nos o Pai’? Não acreditas que eu estou no Pai e o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo, não as digo por mim mesmo, mas é o Pai que, permanecendo em mim, realiza as suas obras. Acreditai-me: eu estou no Pai e o Pai está em mim. Acreditai, ao menos, por causa destas mesmas obras. Em verdade, em verdade vos digo: quem acredita em mim fará as obras que eu faço e fará ainda maiores do que estas. Pois eu vou para o Pai”. Palavra de Salvação.
Meu irmão, minha irmã!
Jo 14,1-12
Quando estamos diante de um filho, somos levados a pensar no pai, porque vigora sempre alguma semelhança entre pai e filho. Em alguns filhos, a semelhança é tão grande que chegamos a dizer: “é a cara do pai!”
Com Jesus não ocorre assim. Entre Ele e o Pai eterno não há semelhança de natureza; é a mesma natureza e um e em outro. Por isso devemos reconhecer: estar diante do Filho é o mesmo que estar diante do Pai. Em Jesus, o Pai se nos revelou assim como Ele é.
Muitas vezes nossa tendência é a de imaginar Deus, para depois projetar em Jesus algo deste divino que nós imaginamos. As palavras de Jesus nos obrigam a pensar de modo inverso: devemos olhar para Jesus de Nazaré, para sua vida, palavra e morte, e depois dizer: assim é Deus, assim é o Pai!
Jesus nos assegura que as suas palavras não vêm dele, mas do Pai (Jo 14,10). Podemos sintetizar as palavras de Jesus em duas: Pai (quem é Deus) e Reino de Deus (qual é seu desígnio).
Jesus nos revela Deus de infinita bondade e que ama os ingratos e maus; porque se revela como Pai, nos revela também que somos seus filhos e, consequentemente, irmãos uns dos outros. Em seguida, este Pai nos comunica, por Jesus, seu próprio desígnio, aquilo que chamamos de Reino de Deus. Reino de Deus é a transfiguração de toda a criação que não será destruída, mas purificada e exaltada; nela não haverá mais injustiça nem motivo de lágrimas, nem morte. Este reino não é totalmente futuro e longínquo, mas ele já está dentro de nós e irrompeu na pessoa de Jesus. Jesus é a presença do Reino de Deus, feito carne.
As palavras de Jesus nos advertem também que neste Reino não se entra mecanicamente, mas é necessário aceitá-lo na fé: é preciso crer em Jesus e se converter. Converter-se exige rupturas, largar o pecado e assumir novas atitudes no espírito das bem-aventuranças.