Salmo Responsorial: 22(23)-R- O Senhor é o pastor que me conduz; para as águas repousantes me encaminha.
Segunda Leitura: 1 Pedro 2,20b-25
Evangelho: João 10,1-10
Naquele tempo, disse Jesus: 1'Em verdade, em verdade vos digo, quem não entra no redil das ovelhas pela porta, mas sobe por outro lugar, é ladrão e assaltante. 2Quem entra pela porta é o pastor das ovelhas. 3A esse o porteiro abre, e as ovelhas escutam a sua voz; ele chama as ovelhas pelo nome e as conduz para fora. 4E, depois de fazer sair todas as que são suas, caminha à sua frente, e as ovelhas o seguem, porque conhecem a sua voz. 5Mas não seguem um estranho, antes fogem dele, porque não conhecem a voz dos estranhos.' 6Jesus contou-lhes esta parábola, mas eles não entenderam o que ele queria dizer. 7Então Jesus continuou: 'Em verdade, em verdade vos digo, eu sou a porta das ovelhas. 8Todos aqueles que vieram antes de mim são ladrões e assaltantes, mas as ovelhas não os escutaram. 9Eu sou a porta. Quem entrar por mim, será salvo; entrará e sairá e encontrará pastagem. 10 -O ladrão só vem para roubar, matar e destruir. Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância.
Meu irmão, minha irmã!
Jo 10,1-10
Uma figura importante do evangelho de hoje é a do porteiro. No AT os porteiros do palácio e do templo são os responsáveis pela segurança. Também na parábola de hoje o porteiro tem essa função: ele não deixa o ladrão entrar, mas abre a porta ao pastor. Podemos interpretar essa imagem do porteiro como uma explicação e como uma crítica. É uma explicação da futura função dos Apóstolos: eles são os encarregados de não permitir que algumas pessoas desviem os discípulos de Cristo para o erro e fazer com que Cristo entre na vida dos fiéis e que permitam que os fiéis sigam o mestre. É também uma crítica para os que não se comportam bem e permitem que os discípulos se desviem de Cristo.
Um detalhe importante da parábola é que o pastor é descrito como aquele que leva as ovelhas para fora do redil e caminha à frente delas. Não se fala do pastor que traz as ovelhas de volta ao redil. De fato, a missão de Cristo é salvar do pecado. De fato, Ele não traz os discípulos de volta para o pecado, mas os conduz para a vida em plenitude.
Outro detalhe é menos chamativo mas não menos importante. Trata-se da relação pessoal do pastor com cada ovelha: ele conhece as ovelhas pelo nome, e as ovelhas reconhecem a voz do seu pastor e só a ele seguem. No Gênesis, Adão impôs os nomes aos animais segundo as espécies: assim um pássaro indica todos os pássaros da mesma espécie, um cavalo é o nome dos animais da mesma espécie. No Evangelho de hoje, o pastor dá nome individual, ou melhor, pessoal a cada ovelha. Ele cumpre o que está na profecia de Is 43,1: “chamei-te pelo nome, tu és meu”.
As ovelhas não escutam os ladrões e assaltantes; elas só ouvem o verdadeiro pastor. Os falsos pastores do passado e do presente são mencionados nessa parábola como uma advertência: precisamos tomar cuidado, não devemos escutá-los. Muitos se apresentam como mestres e guias, mas é preciso discernimento e não ir atrás de qualquer um.
Como podemos ser ajudados nesse discernimento?
Cristo deixou à frente da Igreja pessoas com a autoridade de pastor. O que é essa autoridade? Eles não são chefes ou dignitários. São pastores porque, como Jesus, se dedicam ao povo de Deus. A autoridade na Igreja é uma autoridade delegada por Cristo a alguns homens. Não é uma autoridade absoluta; é uma autoridade que está ligada a Cristo ressuscitado: Cristo está presente nos pastores que Ele pôs à frente do Seu rebanho. Assim os fiéis obedecem aos pastores, obedecendo neles o próprio Cristo, pois reconhecem nos pastores terrenos o sinal vivo do Ressuscitado que está presente na e que conduz a Igreja.