Dt 30,15-20
Iniciamos nossa caminhada quaresmal, e a leitura nos recorda que são dois os caminhos que podemos seguir: o caminho da vida e do bem ou o caminho da morte e do mal.
No Deuteronômio vemos que o nosso destino não está predeterminado por Deus no céu, mas é uma opção que fazemos neste mundo. Não é Deus que nos predestina. Somos nós que escolhemos o bem ou o mal, a vida ou a morte.
No Deuteronômio constatamos que não estamos sozinhos nesta escolha, mas que Deus está perto de nós para que possamos escolher a vida e o bem: “Escolhe pois a vida, para que vivas, tu e tua descendência, amando o Senhor teu Deus, dando ouvidos à sua voz e apegando-te a ele, a fim de que habites na terra que o Senhor jurou dar a teu pais”.
Com amor paterno Deus insiste conosco para que escolhamos a vida e o bem para que possamos ter vida plena. Sua insistência não é coerção. Ele tem grande respeito pela nossa liberdade de escolha. Deus não nos constringe, mas ele nos adverte contra o perigo de escolher o mal e a morte. Nisso consiste o respeito de Deus: Ele poderia nos obrigar, mas ele deseja a nossa resposta livre de filhos. Ele não quer uma resposta de escravos. Por isso mesmo ele faz ver que toda escolha tem suas consequências.
Deus, porém, tem grande desejo de nosso bem, por isso ele insiste: “escolhe a vida, para que vivas”. Deus nos oferece o caminho da bênção e nos coloca em alerta contra a ilusão do caminho mais fácil e das vantagens imediatas.
Se estamos persuadidos do amor do Senhor por nós, se temos profunda confiança nele, sentiremos também o desejo de fazer a sua vontade, porque sabemos que somos amados e guiados para o amor. Não somos livres simplesmente porque temos a capacidade de escolher, mas somos livres porque, com o exercício de nossa liberdade, podemos amar.
Lc 9,22-25
Estamos no início da quaresma, e o Evangelho de hoje nos recorda que diante de nós há duas vias e que devemos escolher aquela que nos conduz a salvação.
Jesus nos apresenta os dois caminhos: o da gratificação imediata e o da renúncia que nos conduz à salvação. “Quem quiser salvar a sua vida, vai perdê-la”, esse é o caminho da perdição. “Quem perder a sua vida por causa de mim, essa a salvará”, esse é o caminho da salvação.
Como podemos trilhar o caminho de perder para ganhar? Deus nos indicou o caminho nos enviando o próprio Filho que percorreu por primeiro o caminho da salvação. É um caminho difícil, mas que também promete a vida: “O Filho do homem deve sofrer muito, ser rejeitado pelos anciãos, pelos sumos sacerdotes e doutores da lei, deve ser morto e ressuscitar ao terceiro dia”. Sabemos que quem segue o Senhor não erra nunca. Digamos a ele que queremos segui-lo no sacrifício para estar com Ele na glória.