Nome científico: Arctostaphylos uva-ursi.
Nome popular: Buxulo, medronheiro-rojante, medronheiro-ursino, uva-de-urso.
Partes usadas: Folhas
Princípios Ativos: Arbutina, ácido ursólico, ácido tânico, ácido gálico, óleo essencial, resina, hidroquinonas (principalmente arbutina, até 17%), taninos (até 15%), glicosídeos fenólicos, flavonoides.
Propriedade terapêutica: Adstringente, diurética.
Indicação terapêutica: Doenças das vias urinárias, pielonefrite, cistite, uretrite, prostatite, cálculo renal, areias.
Uso popular e medicinal
As excelentes propriedades desta planta são conhecidas desde o século XVIII em toda a Europa e América, no tratamento de doenças das vias urinárias. Atualmente as suas propriedades foram confirmadas pela investigação científica. Trata-se de um remédio muito valioso para os doentes das vias urinárias, por isso são elaborados diversos preparados farmacêuticos à base de extrato de uva-ursi.
Folhas da uva-ursi contêm taninos abundantes, que lhes conferem uma ação adstringente, glicosídeos flavonoides, que determinam a sua ação levemente diurética, matérias gordas e resinosas.
A hidroquinona proporciona uma potente ação antisséptica e anti-inflamatória sobre os órgãos urinários e é eliminada pela urina.
Para que a hidroquinona exerça a sua ação, é necessário que a urina tenha reação alcalina, pois fica inativada quando o pH é ácido. Isto não constitui nenhum problema para as pessoas que tenham uma alimentação vegetariana, pois eliminam urinas alcalinas. No entanto, aqueles que seguem um regime rico em carnes e mariscos produzem urinas ácidas e nesses a uva-ursi não atua. Convém, portanto, que durante o tratamento com uva-ursi se siga uma dieta vegetariana, rica em frutas e verduras que, além de alcalinizar a urina e permitir que a uva-ursi atue, tem um efeito positivo sobre as afecções urinárias.
A urina também se pode alcalinizar temporariamente tomando-se bicarbonato de sódio, embora a sua ação dure pouco tempo e o bicarbonato não seja isento de efeitos secundários. Dado que os germes produtores de infecções urinárias frequentemente se tornam resistentes aos antibióticos e antissépticos habituais, a uva-ursi oferece uma alternativa válida para tratar estas afecções. Se bem que, em caso de infecção urinária, seja sempre necessário consultar o médico.
A uva-ursi, só ou complementada por outros tratamentos, é indicada ainda nos seguintes casos:
Pielonefrite
É a infecção da pelverenal (cavidade que existe dentro do rim), em que se recolhe a urina produzida. Esta infecção manifesta-se com febre alta intermitente, urina turva e dores nos rins. A uva-ursi, eliminando pela urina os seus produtos ativos, atua como um antisséptico e anti-inflamatório.
Cistite
E a infecção e inflamação da bexiga. Uva-ursi acalma a sensação de ardor e a irritação que se produz ao urinar. É particularmente eficaz nas cistites crônicas rebeldes a outros tratamentos.
Uretrite
É a infecção da uretra. Em alguns casos pode ser de origem venérea.
Prostatite
Produzida quase sempre como consequência de uma infecção urinária.
Cálculos renais e areias
Tem uma ação benéfica sobre estas afecções, impedindo a infecção da urina que costuma acompanhá-las. Uva-ursi dá uma cor esverdeada à urina, o que indica que o tratamento está produzindo efeito.
Dosagem indicada
Uso interno
- Decocção: 50-60 g de folhas secas e trituradas, umedecidas previamente durante 3-4 horas, por cada litro de água. Após ferver, abafar 10min. Esfriar e tomar uma chávena a cada 3-4 horas. Não convém espaçar mais o consumo, pois os princípios ativos eliminam-se rapidamente pela urina.
- Maceração: 50-60 folhas num litro de água. Deixar repousar durante 24 horas. Depois coa-se e toma-se 3 chávenas por dia, ligeiramente aquecida. É uma boa alternativa para tomar a uva-ursi sem sofrer os efeitos indesejáveis do tanino; ainda que, assim, os efeitos da planta sejam menos intensos do que os que se obtêm com a decocção.
Existem diversos preparados farmacêuticos à base de extrato de uva-ursi, que o médico pode receitar de acordo com a situação do paciente.
Interaçöes com medicamentos
- Anti-inflamatórios não-esteroides. Resultado: ocorre efeito aditivo de irritação ao trato gastrointestinal.
- Furosemida (diurético). Resultado: pode reduzir o efeito do diurético por promover retenção do sódio.
- Hidroclorotiazida (diurético). Resultado: pode reduzir o efeito do diurético por promover retenção do sódio.
- Lítio (estabilizador do humor). Resultado: o fitoterápico potencializa efeito tóxico do lítio uma vez que possui efeito diurético.
Precauções
O tratamento com uva-ursi não deve durar mais de 10 dias seguidos, ou 15 no máximo. Se for necessário, pode-se repetir depois de passadas algumas semanas. Algumas pessoas de estômago delicado podem apresentar intolerância digestiva ao tanino contido nas folhas da planta. Nestes casos, recomenda-se reduzir a concentração da tisana (usar só 20-30 g de folhas) e tomar simultaneamente carvão vegetal, que absorve os taninos.
Mulheres grávidas devem evitar usar esta planta, pois pode reduzir o fornecimento de sangue para o feto. Grandes doses podem levar a náuseas e vômitos devido ao teor de tanino. Doses exageradas também podem resultar em zumbido, náuseas, vômitos, falta de ar, convulsões e colapso.