Nome científico: Brosimum gaudichaudii.
Nome popular: Mama-cachorra, mamica-de-cadela, burle, burrule, salva-vidas, chicletinho-do-cerrado, algodão-do-campo, mururerana, inhore, inharé, espinho-de-vintém, conduru, algodãozinho.
Partes usadas: Folha, casca, raiz.
Princípios Ativos: Derivados de furanocumarina (bergapteno, psoraleno, xantiletina, luvangetina, gaudichaudina), saponina, tanino, protoantocianidina, alcaloides.
Propriedade terapêutica: Fotossensibilizante.
Indicação terapêutica: Discromia, vitiligo, psoríase, hanseníase, leucodermia, micose, dermatite, dermatose, eczema, gripe, resfriado, bronquite, depurativo do sangue, doença reumática, intoxicação etc.
Uso popular e medicinal
Espécie comum no cerrado brasileiro, mama-cadela tem grande valor na medicina tradicional e na indústria de medicamentos. Folha, casca e raiz são usadas pelas populações da região do Brasil Central principalmente para o tratamento do vitiligo.
A constituição química de B. gaudichaudii revela a presença nas raízes e frutos de duas furanocumarinas: bergapteno e psoraleno. As furanocumarinas (ver quadro), uma subdivisão das cumarinas, pertencem ao grupo dos compostos fenólicos.
Bergapteno e psoraleno são substâncias fotossensibilizantes sobre a pele, por isso são utilizadas nas discromias (alterações na cor da pele).
As furanocumarinas são utilizadas desde épocas remotas para o tratamento de psoríase, hanseníase, vitiligo, leucodermia, micoses, dermatite e eczemas.
Furocumarina (ou furanocumarina) designa um conjunto de substâncias tóxicas sensíveis à luz. São obtidas a partir da fusão de um composto químico (furano) e uma substância orgânica aromática (cumarina). Incluem especialmente o psoraleno, utilizado para tratar doenças da pele.
Tangerina, limão e toranja contêm furocumarinas em sua casca, por isso são contraindicadas em associação com outros medicamentos.
A espécie já foi bem estudada sob diversos aspectos químicos, permitindo comprovar sua atividade fotossensibilizante. Além do uso tradicional da mama-cadela, derivados psoralênicos são encontrados em produtos industrializados elaborados a partir de cascas da porção inferior do caule e das raízes desta espécie. Essas partes são preparadas para uso interno como comprimidos; e externo, como pomada e loção.
A composição química dos extratos metanólicos do vegetal apresentam diferenças, de forma que a parte que contém as maiores concentrações das cumarinas é o córtex das raízes. Fitoquimicamente foram isolados os derivados furocumarínicos, todos possuindo capacidade fotossensibilizante e que já encontram congêneres sintéticos no mercado farmacêutico na formulação de medicamentos magistrais para tratamento de doenças despigmentantes da pele.
Compostos furocumarínicos podem ser obtidos por síntese química, no entanto esse processo é oneroso. É mais barato extrair de plantas como B. gaudichaudii.
A planta contém outros constituintes químicos além dos já citados: furocumarinas (bergapteno, psoraleno, xantiletina, luvangetina, gaudichaudina), saponinas, taninos, protoantocianidinas e alcaloides
Dosagem indicada
Tratamento de vitiligo e manchas da pele - uso tópico do extrato das raizes, folhas e casca do caule
Espremer 1 xícara (chá) destes materiais diluído em 1 litro de água, em decocção. Após repouso de 24 horas, passar 2 vezes por dia nas partes afetadas.
Em uso interno, é também indicado o decocto das raízes e folhas contra moléstias que requerem um depurativo do sangue, como doenças reumáticas, intoxicações crônicas, dermatoses em geral, má circulação sanguínea, etc..
A planta inteira na forma de infusão é também empregada contra gripe, resfriado e bronquite.
Contraindicação
Possível fotoenvelhecimento e câncer de pele, por isso deve ser usado com acompanhamento médico e precaução. Contraindicado para gestantes e lactantes.