Nome científico: Tabernanthe iboga.
Nome científica: Iboga vateriana Braun-Blanq. & K.Schum
Partes usadas: Raiz, caule e folhas.
Princípios Ativos: Contém aproximadamente 12 alcaloides, dos quais destaca-se a ibogaína. Outros alcaloides psicoativos: tabernatina, ibogamina.
Indicação terapêutica: Tratamento da dependência de heroína, cocaína, crack, álcool, tabaco.
Uso popular e medicinal
Segundo a Encyplopaedia Brittanica a ibogaína, encontrada em caules, folhas e principalmente nas raízes da iboga, é considerada o principal alcaloide do vegetal. A substância foi isolada a partir de 1901 e sintetizada em 1966. Em pequenas doses atua como estimulante. Os povos da África Ocidental e da região do Congo usavam extratos da iboga ou mastigavam a raiz a fim de manter a calma.
Quimicamente o alucinógeno ibogaína pode bloquear a ação da serotonina (o transmissor de impulsos nervosos) no tecido cerebral. Ocorre como um sólido cristalino e é solúvel em álcool e outros solventes orgânicos. O cloridrato de ibogaína é um sal cristalino, solúvel em álcool e em água. Foi proposto para uso médico como antidepressivo, porém posteriormente rejeitado devido a descoberta de drogas mais práticas e menos tóxicas.
Alguns trabalhos científicos referentes ao alcaloide têm sido relatados. Conforme citado, uma hora após a administração de ibogaína, os pacientes têm visões que são como um flash back, situações importantes da vida, da infância, são vistas como num filme passando em alta velocidade. Após este período, o paciente faz uma avaliação de suas experiências passadas revividas através das visões. Pode-se dizer que a ibogaína induz à liberação de memórias reprimidas e que a reavaliação intelectual das memórias leva eventualmente a integração de novas idéias à personalidade e conduta do paciente.
No Brasil a raiz tem sido usada no tratamento de dependentes químicos em clínicas, porém não há comprovação científica do efeito terapêutico.
A Universidade Federal de São Paulo está prestes a concluir o primeiro estudo do mundo realizado com dependentes de crack e cocaína. Segundo os pesquisadores, há uma hipótese de que essa substância atue sobre o "sistema de recompensa" do cérebro, em áreas relacionadas ao prazer, que tem sua atividade aumentada sob efeito de drogas como cocaína e crack. A ibogaína parece ser capaz de reiniciar esse sistema. Dependentes de cocaína e crack têm atividade exacerbada do circuito de recompensa, com excesso de liberação da dopamina. Por isso não se acostumam ao estímulo normal de bem-estar e precisam sempre de mais uma dose, a chamada "fissura". Cientistas acreditam que a ibogaína reinicie esse sistema, retornando-o a níveis normais de atividade.
A ANVISA informa que não há medicamento registrado no Brasil com a ibogaína, por isso alegações terapêuticas com esse produto são ilegais.
A literatura médica registra 3.000 casos de uso da iboga. Seu efeito contra a dependência foi relatado em 1962. Há relatos de dezenas de mortes principalmente por que a droga, em alta dosagem, provoca alterações cardíacas.
Mas a substância não está na lista de compostos proibidos e pode ser importada para uso pessoal.
Dosagem indicada
A ibogaína pode ser administrada na forma de cápsula e não causa dependência. A dose para uso terapêutico é geralmente cerca de 5 a 8 microgramas por kg de peso corporal da pessoa. É geralmente aplicada num só tratamento em ambiente clínico apropriado, seguro e monitorado por profissionais da área médica.
Enquanto alguns indivíduos cessam permanentemente o uso das drogas após uma só dose de ibogaína, para muitos o tratamento deve ser considerado apenas como o componente inicial em um programa mais completo de reabilitação.