Nome científico: Pilocarpus microphyllus.
Nome popular: Jaborandi-legítimo, jaborandi-do-maranhão.
Partes usadas: Folhas ou folíolos.
Princípios Ativos: Alcaloides: pilocarpina (majoritário), pilocarpidina, isopilocarpidina, fisostigmina, pilosina, isopilosina, epiisopilosina. Óleos essenciais: limoneno, beta-cariofileno.
Propriedade terapêutica: Sudorífero, diurético, promovedor de saliva, revitalizante capilar.
Indicação terapêutica: Afecções bronqueais, reumatismo, glaucoma, esquistossomose.
Uso popular e medicinal
As partes utilizadas são as folhas ou folíolos. Uma vez dessecadas devem ser utilizadas rapidamente pois perdem sua atividade com o prolongado armazenamento.
Na composição química são encontrados alcaloides (0,50 - 1%) derivados do imidazol: pilocarpina (majoritariamente), pilocarpidina, isopilocarpidina, fisostigmina, pilosina, isopilosina, epiisopilosina e epiisopiloturina. A pilocarpina é solúvel em água.
Óleo essencial (0,50%): limoneno, beta-cariofileno, 2-tridecanona, sabineno, a–pineno e outros terpenos.
O efeito da pilocarpina é bem conhecido do ponto de vista farmacológico. A partir de sua administração local, difunde rapidamente desde a córnea até o líquido aquoso, exercendo uma contração do músculo ciliar, de maneira antagônica a atropina, empurrando o esporão escleral e expandindo a malha trabecular até separar. Desta maneira se abrem as vias que conduzem o fluido, aumentando o efluxo do líquido aquoso, permitindo uma diminuição da pressão intraocular (glaucoma). Também permite aumentar a irrigação sanguínea local.
A pilocarpìna é um agonista colinérgico, de ação predominante muscarínica mas não nicotínica. Aplicada localmente ao olho provoca constrição pupilar, espasmo da acomodação do cristalino e um aumento transitório da pressão intraocular, seguido de uma imediata queda da mesma em forma mais prolongada. A miose tem uma duração variável: entre várias horas até um dia. A fixação da acomodação do cristalino para a visão de perto desaparece ao cabo de 2h.
Por outro lado, a aplicação de 10-15 mg subcutânea de pilocarpina provoca vasodilatação e sudoração local aumentada, das quais são bloqueadas por atropina. Também pode promover a secreção de glândulas salivais, lagrimais, bronqueais, suco gástrico (ácido clorídrico e pepsina), pancreáticas e intestinais, aumentando a eliminação de água, uréia e cloruro sódico (sal comum, sal de cozinha). Aumenta o tônus muscular e as contrações estomacais.
Em 2015 foi investigada a ação da epiisopiloturina encontrada em resíduos da pilocarpina extraídas de folhas de jaborandi. Segundos os autores, essa substância tem potencial ação contra vermes da esquistossomose.
Usos medicinais
Formas galênicas: a infusão das folhas de jaborandi (2-4%) é indicada popularmente em afecções bronqueais e reumatismo. É excelente diaforético. Logo após tomar a infusão, o paciente deve deitar-se totalmente coberto para assim promover uma transpiração abundante. Útil em caso de febre, gripe e afonia.
No Peru a decocção das folhas é utilizada como lactagoga e diurética.
No Brasil é indicado como sudorífero, diurético, promovedor de saliva (sialagogo) e contra o glaucoma.
O sumo das folhas é um bom tônico capilar. Para este fim são preparadas 70g de folhas a macerar em 500cc. de álcool 60º durante um mês.
A pilocarpina é empregada correntemente no tratamento de glaucoma, administrando-se em forma de solução aquosa entre 0,5% e 4% como gotas oftálmicas. Aplicada como colírio, é conveniente pressionar o saco conjuntival para evitar una excessiva absorção sistêmica. Nos tratamentos de glaucoma crônico pode alternar-se com eserina, cuidando de não se administrar juntos pela possibilidade de antagonismo.
Também se emprega junto a outros componentes na formulação de loções ou xampus antisseborrêicos e revitalizantes capilares. Mesmo assim, é muito útil como sialagogo em casos de xerostomía ou aptialismo, nefrite crônica, uremia elevada e para neutralizar o efeito parassimpaticolítico de outras medicações como a atropina.
Efeitos adversos
A pilocarpina pode estimular a musculatura bronquial provocando broncoespasmo, o qual contraindicaria o emprego em pacientes asmáticos. Também se tem observado um aumento no tônus muscular e motilidade dos ureteres, bexiga, vesícula e condutos biliares, pelo que se deverá abster-se de utilizar em casos de suspeita de cálculos nesses níveis.
Durante o tratamento com esta droga pode aparecer alteração da acomodação ou dor no globo ocular, que cede em poucos dias. Doses altas podem provocar depressão do SNC e do centro respiratório.
Efeitos tóxicos
A overdose com pilocarpina produz uma exacerbação de seus efeitos parassimpatomiméticos, similar ao produzido por intoxicação com fungos dos gêneros Inocybe e Citocybe, o qual é resistido pela administração parenteral de atropina (2 mg) seguida de medidas apropriadas para ajudar a respiração pulmonar e a circulação.
Os sintomas de intoxicação imputáveis à muscarina começam aos 30-60 minutos e consistem em salivação excessiva, lacrimejo, náuseas, vômitos, cefaleia, transtornos visuais, cólicas abdominais, diarreia, bradicardia, broncoespasmo, hipotensão, podendo ocorrer morte.
Desaconselha-se o uso de mióticos como a pilocarpina em casos em que a contração do íris não esteja recomendada tal como sucede na iritis aguda ou na iridociclitis.