Nome científico: Cannabis sativa.
Nome científica: Cannabis sativa var. kafiristanica (Vavilov) E.Small & Cronquist
Partes usadas: Sumidades floridas, folhas, brotos.
Princípios Ativos: Canabinoides (delta-9-tetrahidrocanabinol, canabidiol, metanandamida, JWH-015, etc.), flavonoides, fenóis, alcaloides e óleo essencial (β-cariofileno, humuleno, α-pineno etc.).
Propriedade terapêutica: Anticonvulsivante, antiemético.
Indicação terapêutica: Doença de Parkinson, esquizofrenia, ansiedade, distúrbios do sono, epilepsia, náuseas, esclerose múltipla, câncer de próstata.
Uso popular e medicinal
Esta planta é conhecida e cultivada há mais de 4.000 anos, sendo usada antigamente na forma de fumigações. Em tempos remotos na Índia e China recorria-se à resina para aliviar a dor, reduzir a febre, estimular o apetite, suspender a diarreia, a disenteria, a bronquite, a enxaqueca, a insônia e diversos transtornos neurológicos.
É excelente produtora de fibras (conhecida como cânhamo), de cujas inflorescências femininas depois de secas, tem origem o haxixe dos orientais, a marijuana ou maconha como é conhecida no Brasil.
Entretanto vários outros canabinoides conhecidos, muitos deles com potencial terapêutico, são diferentes. Um exemplo é o canabidiol (CBD), que possui efeitos opostos aos do THC, além de apresentar efeitos ansiolítico e antipsicótico. O CBD isoladamente não apresenta os efeitos típicos do uso da maconha.
Vários pesquisadores brasileiros dedicam-se ao estudo do potencial terapêutico do CBD notadamente na doença de Parkinson, esquizofrenia, ansiedade, distúrbios do sono e dependência de drogas. Na década de 1970 observou-se em animais e em humanos os efeitos anticonvulsivantes do CBD. Entre novas evidências cita-se o caso de uma menina com quadro de epilepsia refratária decorrente de rara doença genética, que melhorou devido ao uso do CBD.
Atualmente entre os usos terapêuticos bem aceitos incluem-se o efeito antiemético (náuseas) e estimulação de apetite em pacientes de AIDS e de quimioterapia.
Importante deixar claro que CBD e THC não são equivalentes. Um medicamento que combina CBD e THC já está disponível para tratamento de esclerose múltipla em países como Canadá, Espanha e Reino Unido.
O consumo na forma "recreativa" (por inalação) da maconha pode levar algumas pessoas a desenvolver sintomas psicóticos transitórios como alucinações, delírios e alterações cognitivas. Dependendo da dose, quantidade e precocidade do início, pode produzir alterações cognitivas permanentes e facilitar o desenvolvimento de transtornos psiquiátricos em usuários vulneráveis.
Existem estudos que associam o uso crônico da maconha a maior risco de desenvolvimento de esquizofrenia e alterações na estrutura cerebral particularmente entre jovens e adolescentes. Essas alterações podem mesmo ocorrer em usuários ocasionais. Complicações clínicas como câncer, problemas cardíacos, respiratórios e imunológicos também estão associados ao uso da maconha inalada.
Os compostos canabinoides têm demonstrado potencial terapêutico para diversas doenças. Acredita-se que poderão ajudar milhões de pessoas no mundo todo, inclusive no Brasil. A ampliação dos ensaios clínicos avaliando segurança, faixa de dose e extensão de eficácia é essencial. A regulamentação do uso dos canabinoides poderá levar a importante redução de sofrimento e melhor qualidade de vida a portadores de diversas doenças e transtornos.
No Brasil o uso do CBD não está regulamentado porém a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) tem autorizado a importação deste medicamento mediante pedido excepcional.
Outros canabinoides da maconha são também objetos de pesquisa científica. Um trabalho publicado em agosto de 2009 na British Journal of Cancer relata que a metanandamida e JWH-015 mostraram-se eficazes na redução do crescimento de câncer de próstata, o câncer mais comum diagnosticado em homens. Segundo os autores, esses componentes trabalham contra o câncer de próstata porque bloqueiam um receptor na superfície do tumor, evitando a divisão das células doentes.
Além de canabinoides, Cannabis sativa contém vários outros compostos: flavonoides, fenois, alcaloides e óleo essencial cujos componentes principais são β-cariofileno, humuleno, α-pineno, β-pineno, limoneno, mirceno e cis-β-ocimeno.