Dicas & Notícias da Divisão de Biblioteca da USP/ESALQ | Ano: 2026 | Número: 315
Período: 31/07 a 06/08/2026 | Elaboração: Alice Rossi Dótoli
Dicas & Notícias da Divisão de Biblioteca da USP/ESALQ | Ano: 2026 | Número: 315
Período: 31/07 a 06/08/2026 | Elaboração: Alice Rossi Dótoli
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À noite, a ESALQ revela uma beleza singular. A iluminação destaca cada detalhe de sua arquitetura centenária, transformando a fachada em um cenário que inspira admiração e convida à contemplação. Entre luzes e sombras, o prédio histórico simboliza a tradição, a excelência acadêmica e o legado construído por gerações dedicadas ao ensino, à pesquisa e à extensão.
Mais do que um cartão-postal do campus, esse espaço representa o encontro entre história e conhecimento. É um lugar onde o passado permanece vivo, enquanto novas ideias e descobertas continuam sendo construídas diariamente. Cada olhar para essa paisagem reforça o orgulho de fazer parte de uma instituição que valoriza seu patrimônio e segue iluminando caminhos para o futuro.
A fotografia desta edição do Dicas & Notícias é de Melissa Rebechi Santana, estudante de Ciências dos Alimentos , na ESALQ/USP.
A Divisão de Biblioteca da ESALQ/USP inicia um novo ciclo com a implementação de sua estrutura organizacional, concebida para fortalecer a integração entre as equipes, otimizar processos e ampliar a qualidade dos serviços oferecidos à comunidade acadêmica, alinhada a uma gestão voltada ao planejamento estratégico, à inovação e à melhoria contínua.
A nova estrutura organiza as atividades da Biblioteca em três áreas estratégicas: Gestão da Informação e do Acervo, Gestão de Serviços Integrados ao Usuário e Gestão de Pesquisa e Aprendizagem, promovendo maior integração entre os serviços, clareza na atuação das equipes e fortalecimento das ações voltadas ao ensino, à pesquisa, à extensão e à inovação.
A proposta é resultado de um estudo desenvolvido pela própria equipe da Biblioteca, com o objetivo de construir uma estrutura mais colaborativa, eficiente e preparada para responder às demandas atuais e futuras da Universidade.
Mais do que uma mudança de organograma, este é um compromisso com a evolução da Biblioteca. Seguimos trabalhando para oferecer serviços cada vez mais integrados, inovadores e centrados nas pessoas, fortalecendo nosso papel como espaço de conhecimento, aprendizagem e apoio à comunidade da ESALQ.
Que este novo ciclo seja marcado por colaboração, aprendizado e conquistas coletivas.
Thais Cristiane Campos de Moraes é Chefe Técnica da Divisão de Biblioteca da USP/ESALQ.
A construção de uma educação comprometida com a equidade passa pelo reconhecimento das diferentes histórias, identidades e experiências que compõem a sociedade. Nesta obra, Bárbara Carine convida o leitor a refletir sobre o papel da escola e dos educadores na promoção de práticas pedagógicas que valorizem a diversidade e enfrentem o racismo de forma consciente e transformadora.
Com uma abordagem acessível e fundamentada em sua trajetória como educadora, a autora apresenta conceitos essenciais para compreender as desigualdades raciais e incentivar uma atuação mais crítica dentro e fora da sala de aula. Mais do que oferecer respostas prontas, o livro inspira novos olhares, estimula o diálogo e reforça o compromisso com uma educação emancipatória e socialmente responsável.
Educar é transformar memórias, ampliar perspectivas e construir caminhos para uma sociedade mais justa.
Isabel Cristina Moraes Barros Chaddad é Chefe Técnica do Processo Formação e Manutenção do Acervo, da Divisão de Biblioteca da USP/ESALQ.
Compreender a biologia das plantas daninhas é um passo essencial para enfrentar os desafios da agricultura moderna. Nesta obra, o aprendizado ganha um formato dinâmico por meio de um jogo de cartas que reúne informações atualizadas sobre 141 espécies infestantes, tornando o estudo mais acessível, envolvente e prático para estudantes, pesquisadores e profissionais do setor.
Além de apresentar dados sobre distribuição geográfica, prolificidade, características de dispersão e resistência a herbicidas, o conteúdo oferece uma base sólida para aprimorar estratégias de manejo e tomada de decisão no campo. Uma leitura que transforma conhecimento científico em uma ferramenta valiosa para promover sistemas agrícolas mais produtivos e sustentáveis.
Conhecer a biologia das plantas daninhas é o primeiro passo para manejá-las com eficiência e sustentabilidade.
Rafael Munhoz Pedroso é Professor Doutor na ESALQ/USP e autor da obra "Herbicartas: o reino da matologia".
A preservação digital é um dos pilares para garantir o acesso contínuo ao conhecimento e à memória científica. Pensando nesse desafio, a Cariniana Podcasts lançou uma nova série dedicada ao tema, reunindo pesquisadores e profissionais para debater questões atuais, tendências e estratégias voltadas à conservação de documentos e acervos em ambientes digitais.
Ao longo dos episódios, o público terá acesso a discussões sobre os principais desafios contemporâneos da preservação digital, além de reflexões sobre boas práticas e iniciativas que fortalecem a gestão da informação nas instituições de ensino, pesquisa e memória. Uma oportunidade para ampliar conhecimentos e acompanhar os avanços de uma área cada vez mais essencial para a ciência e a sociedade.
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Elisabeth Adriana Dudziak é Chefe Divisão de Gestão de Desenvolvimento, Inovação e Coleções Digitais da Agência de Bibliotecas e Coleções Digitais da USP.
Biblioteca "Dina Bueno Moretti" (Central): segunda a sexta-feira, das 7h45 às 21h45;
Biblioteca Setorial do LES: segunda a sexta-feira, das 8h15 às 21h45.
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Um trabalho realizado em colaboração em diferentes centros da USP investigou um novo tipo de tratamento para lesões agudas na medula espinhal em ratos. O objetivo foi analisar as respostas e recuperação dos animais após sofrerem contusão quando injetados com células da mucosa olfatória, que no grupo testado mostrou evolução significativa.
A medula espinhal integra parte do sistema nervoso central. É um tecido frágil e de extrema importância, responsável por transportar estímulos do cérebro para o resto do corpo, ou seja, uma importante peça do sistema neurológico. Em situações como acidentes automobilísticos e quedas de significativas alturas, lesões na medula espinhal são um cenário comum e grave em centros de trauma hospitalares.
Com um olhar poético que alia a sociedade à natureza, o livro Geografia, de Sophia de Mello Breyner Andresen (1919-2004), está entre as leituras obrigatórias para os estudantes candidatos da Fuvest 2027. A autora destaca-se como uma das mais importantes da literatura de Portugal.
Em entrevista ao Jornal da USP, Fernando Breda, pesquisador em Estudos Comparados de Literaturas de Língua Portuguesa pela Universidade de São Paulo, orienta os vestibulandos sobre a importância da escritora. “Sophia de Mello Breyner Andresen é, sem dúvida, um dos grandes nomes da poesia portuguesa e também da cultura portuguesa como um todo, haja vista sua influência em artistas de diferentes campos culturais, como cinema, música, artes plásticas etc.”
Há intelectuais cuja obra permanece atual porque suas respostas continuam válidas. Outros permanecem atuais porque continuam inspirando novas perguntas. Josué de Castro pertence a ambas as categorias. Em um momento em que a alimentação ocupa lugar central nos debates sobre saúde, mudanças climáticas, biodiversidade, desigualdades e desenvolvimento, revisitar seu legado significa compreender e localizar como a questão alimentar se transformou e quais desafios ela coloca para a ciência e para as políticas públicas nos dias atuais.
Foi dessa compreensão que nasceu, em 2021, a Cátedra Josué de Castro de Sistemas Alimentares Saudáveis e Sustentáveis, sediada na Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo. As Cátedras da USP são espaços voltados à reflexão sobre temas estratégicos para a sociedade, reunindo pesquisadores de diferentes áreas do conhecimento em torno de agendas de pesquisa, formação e diálogo com gestores públicos, organizações da sociedade civil e organismos internacionais. A Cátedra Josué de Castro foi concebida não apenas para preservar a memória de um dos maiores intelectuais brasileiros, mas para atualizar sua tradição de pensamento diante dos desafios do século 21.
Como garantir condições de vida dignas para uma terra indígena rica em recursos naturais, mas onde seus habitantes estão sujeitos a condições de pobreza extrema? Uma pesquisa de mestrado realizada no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Humanidades, Direitos e Outras Legitimidades da USP propõe a criação de instrumentos de reparação que permitam às comunidades aldeadas decidir sobre o uso econômico de suas terras sem pedir autorização ao Estado brasileiro.
O autor da pesquisa, Kleider Luciano Risso, diz que seu trabalho enfrenta duas controvérsias: uma quanto à permanência do poder tutelar na relação entre os povos indígenas e o Estado, e a outra relacionada à possibilidade de exploração econômica em terras indígenas. São controvérsias que atravessam tanto o meio acadêmico quanto o meio indígena e têm a ver com a cidadania econômica coletiva dos povos. “A autonomia indígena existe relativamente, mas a cidadania econômica coletiva precisa ser equiparada aos direitos não indígenas”, defende o pesquisador, que se identifica como indígena Xavante.
Em 2004, Andre Geim e Konstantin Novoselov, ambos físicos da Universidade de Manchester, no Reino Unido, utilizaram uma fita adesiva comum para isolar, pela primeira vez, uma folha atômica de grafite, inaugurando uma nova classe de materiais. Conhecido como grafeno, o material conduzia eletricidade tão bem quanto o cobre, era um excelente condutor de calor e, embora sua estrutura muito compacta de carbono o fizesse muito denso, sua espessura ultrafina conferia extrema flexibilidade. A própria obtenção do grafeno foi considerada um feito surpreendente na época, dado que era impensável que materiais cristalinos formados por apenas uma camada atômica fossem estáveis. Tamanho foi o impacto da descoberta que, seis anos após a obtenção do grafeno, a dupla foi agraciada com o Nobel de Física.
Embora mais de duas décadas tenham se passado desde a descoberta de Geim e Novoselov, cientistas continuam explorando essa nova classe de materiais, conhecida como materiais bidimensionais (2D) ou lamelares. Esses materiais consistem em uma ou poucas camadas atômicas e exibem comportamentos físicos que muitas vezes desaparecem em suas formas tridimensionais, ampliando o leque de potenciais aplicações tecnológicas.
Com apoio do Soil Health & Management Research Group (SOHMA), grupo de pesquisa da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, a Brazilian Soil Health Partnership (BSHP) lançou a série de boletins informativos Soil Health News. A BSHP atua como uma rede cooperativa que articula pesquisadores, produtores rurais e instituições de ensino em prol da sustentabilidade e da inovação no campo, vinculada ao Centro de Estudos de Carbono em Agricultura Tropical (CCARBON) da USP. As publicações reúnem um panorama atualizado das pesquisas, projetos e boas práticas voltadas ao manejo sustentável e à conservação do solo em diversas regiões do País. O objetivo principal é conectar o conhecimento científico gerado nas academias à rotina dos agricultores, aos formuladores de políticas públicas e à sociedade em geral.
Os boletins Soil Health News, disponíveis gratuitamente neste link, sintetizam avanços científicos em uma linguagem acessível, trazendo exemplos concretos de iniciativas e aplicações práticas no manejo do solo, tais como divulgação de estudos sobre biologia e química do solo, estoque e sequestro de carbono em solos tropicais, dinâmica da matéria orgânica e indicadores da qualidade do solo sob diferentes sistemas agrícolas; casos práticos e orientações técnicas sobre o sistema de plantio direto, rotação de culturas, adubação biológica, integração lavoura-pecuária e técnicas de recuperação de áreas degradadas; e mapeamento de projetos socioambientais e redes de monitoramento da saúde do solo desenvolvidos em biomas específicos do Brasil.
Depois de mais de três décadas dedicadas ao ensino e à pesquisa na USP, o historiador Elias Thomé Saliba recebeu uma homenagem inédita: seu nome passou a identificar um prêmio internacional concedido às melhores produções científicas e teses na área dos estudos do humor. O Elias Thome Saliba Award foi criado pela International Society for Humor Studies (ISHS), uma das mais prestigiadas instituições do mundo dedicadas ao tema, durante a 36ª conferência da entidade, realizada em julho deste ano, em Niterói (RJ).
“Aceitei com muita gratidão a nomeação do prêmio, uma conquista e uma retribuição por tantos anos de trabalho à FFLCH e à USP”, cestaca o professor. “Mas, cá entre nós, também fiquei imaginando se não era mais uma piada: afinal, a nomeação de um prêmio costuma ser, quase sempre, póstuma!”, brinca, em referência ao tema que há décadas pesquisa no Departamento de História da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP.
Embora o Brasil seja um dos maiores produtores mundiais de soja, a imensa maioria da safra nacional é destinada à exportação em grão seco para a produção de ração animal e óleo vegetal. O consumo direto do grão verde e fresco, amplamente difundido na culinária oriental, ainda é pouco explorado no mercado brasileiro. Contudo, o avanço da busca por escolhas alimentares mais saudáveis e a crescente aceitação de derivados como tofu, shoyu e proteína texturizada abrem espaço para a consolidação da soja-hortaliça como uma alternativa rentável de cultivo.
A Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP disponibiliza, gratuitamente, a publicação "Soja hortaliça", desenvolvida para orientar produtores rurais, técnicos do setor agrário e consumidores sobre a cultura da soja destinada ao consumo humano in natura. Integrante da tradicional Série Produtor Rural, a obra busca incentivar a diversificação no campo e popularizar o consumo do alimento no Brasil por meio de dados técnicos, recomendações de manejo e análises de viabilidade econômica. A obra já está disponível para download no Portal de Livros Abertos da USP.
A degradação de solos é um dos grandes problemas no País. Segundo análise do MapBiomas, entre 1986 e 2021, cerca de 25% da vegetação do Brasil pode estar em processo de degradação. Essa porcentagem corresponde a cerca de 135 milhões de hectares e tem como um de seus principais causadores a atividade agropecuária. Nesse sentido, pesquisadores da USP desenvolveram um novo fertilizante capaz de ajudar na recuperação de solos degradados.
A iniciativa é uma parceria entre especialistas da Universidade, Unesp e duas startups: a Quanticom e a MOF Tech, ambas da USP. Liane Rossi, professora do Instituto de Química da USP e uma das responsáveis pelo dispositivo, comenta que ele pode ter um enorme potencial ambiental e econômico. “Ele pode funcionar como um regenerador de solo e, portanto, ele poderia ser aplicado em solos degradados para melhorar a possibilidade de agricultura.”
Pouco mais de uma década se passou desde que um grupo de mães abriu caminho para a legalização da cannabis medicinal no Brasil. A trajetória delas foi retratada no documentário Ilegal: a vida não espera, disponível no YouTube. Desde então, a cannabis medicinal deixou de ser um tema restrito ao ativismo e passou a movimentar um mercado bilionário que reúne desde associações de pacientes até grandes empresas farmacêuticas. Em 2023, o mercado mundial (legal) estava estimado em US$175 bilhões, segundo a BDSA, empresa de inteligência de mercado de cannabis.
Há anos, o professor Paulo José dos Reis Pereira, coordenador do Núcleo de Estudos sobre Drogas e Relações Internacionais (Nedri) da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), acompanha os processos de regulação da cannabis em diferentes países, especialmente o papel desempenhado por associações de pacientes e grupos historicamente ligados à luta pela regulamentação da planta. Agora, afirma, uma nova preocupação ganha centralidade: “A grande questão hoje é que o mercado está sendo cada vez mais dominado pelas corporações farmacêuticas e empresas internacionais de cannabis”.