83 - Incursão Teatral
Tudo começou ligo depois da minha avaliação pelo Departamento de Recursos Humanos na empresa multinacional onde trabalhei sempre.
Era um dos diretores da empresa, solteiro, por opção, com quase 40 anos, e era considerado um demónio pelos meus funcionários, tal costumava ser o meu nervosismo e mau humor durante o horário de trabalho. Várias secretárias "alegadamente" demitiram-se ou pediram a transferência de departamento por não me aguentarem.
Fui chamado ao departamento de Recursos Humanos para conversar sobre o assunto, pois trabalhando numa empresa de software estávamos a perder alguns talentos para a concorrência, alguns funcionários preferiam ganhar menos a ter que trabalhar comigo.
Assim após passar por diversos profissionais, alguns deles psicólogos, aconselharam-me a eu arranjar uma outra atividade paralela, que me fizesse relaxar, que desse vazão à minha criatividade e aliviasse a minha ansiedade e consequente hiperatividade.
Acabei por encontra e integrar um pequeno grupo de teatro, coordenado pelo meu psicólogo, onde nos reuníamos e interpretávamos diversos papéis.
No começo achava tudo aquilo meio infantil, pois vivíamos treinando a interpretação de pessoas furiosas, angustiadas, chorando, felizes, etc. Mas aos poucos fui me acostumando e gostando dos ensaios, também porque me pude aproximar de outras pessoas, mais jovens que eu, especialmente mulheres. Uma em especial que me interessava muito. Era uma morena de 30 anos, que aparentava bem menos, casada, e que por quem eu sentia uma grande afinidade.
Um dia decidimos encenar uma comédia, assim um pouco a título de brincadeira e reunimo-nos para a escolha dos papéis. Era uma história de um rapaz que apaixonado por uma moça, estudante de um colégio só de mulheres, se decide a fazer-se passar por uma delas e, após diversas e engraçadas situações apaixona-se por uma das professoras, com quem fica no final da peça, numa cena que culminava com um beijo apaixonado.
O papel da professora ficou com a dita morena e eu, rápido, candidatei-me ao papel do rapaz, sem pensar que teria de me vestir como uma estudante para interpretar o papel. Estava mais interessado em ensaiar as cenas com a morena.
Mas havia outros candidatos para o papel e decidimos que ficaria com ele quem melhor se enquadrasse num teste que se ia realizar dentro de alguns dias.
Um dos rapazes que também fazia parte do grupo percebeu o meu interesse e veio conversar comigo à parte. Dizendo-me:
- Mauro (é o meu nome), percebi o teu interesse em interpretar o papel principal, posso te ajudar se quiseres.
- Quero sim Alfredo, preciso deste papel, mas como é que me podes ajudar?
- Simples, tenho tudo que é necessário para o disfarce necessário às últimas cenas da peça. Podemos nos reunir e fazemos um ensaio na próxima sexta à noite.
- Não sei, creio que não me sinto muito à vontade para usar o disfarce em frente a alguém, principalmente da tua esposa (ele era casado e a sua mulher também fazia parte do grupo). Uma coisa é estar no palco, outra num lugar em que não deva estar disfarçado.
- Não te preocupes, marcamos para esta sexta no teu apartamento, vais sentir-te à vontade, ela não pode ir porque tem alguns assuntos para tratar nessa noite.
Diante de tanta boa vontade, embora ainda desconfortável, não consegui negar a ajuda oferecida pelo Alfredo.
Na quarta feira à tarde recebi um embrulho enviado por dele, com instruções para apenas o abrir quando estivesse em casa a sós. Como estava muito ocupado no trabalho deixei-o de lado para o abrir e ver do que se tratava à noite em casa.
Quando abri o pacote foi uma surpresa. Tratava-se do disfarce que eu deveria utilizar caso conseguisse o papel, mas não aquele que poderia ser usado no teatro, eram roupas de muito boa qualidade, de boas marcas, e todas do meu tamanho.
Dentro da caixa estavam umas sandálias brancas com um ligeiro salto, umas meias baixa cor de rosa, meias colant opacas brancas (para esconder os pelos das perna segundo ele), calcinhas da mesma cor, umas saias plissadas em xadrez de estudante colegial, uma camisa branca, e um sutiã branco com enchimento, para dar a ideia de peitos. Por fim uma peruca morena, de cabelos lisos.
De início fiquei surpreendido com tudo aquilo. Que ideia era a do Alfredo pensar que eu ia usar aquilo. Uma coisa era poder estar caracterizado de estudante colegial numa peça, outra coisa era eu me travestir em casa imitando uma estudante.
Mas depois, à medida em que ia olhando e tocando naquelas roupas uma sensação estranha foi minando as minhas certezas. Foi crescendo a minha curiosidade e fiquei com uma vontade louca de me vestir e claro que o fiz.
Me vesti por completo de estudante colegial, tive um trabalho incrível para esconder o meu pénis duro, de tão excitado que comecei a ficar.
Depois de me vestir me olhei no espelho e achei que a roupa me ficava bem, e resolvi ficar com ela vestida, passeando pela casa. Fiz o meu jantar e sentei-me a ver televisão vestido como a minha personagem. Estava a adorar ser e agir como uma mulher, e tentava assumir o meu papel.
No dia seguinte só não fui trabalhar com as calcinhas brancas porque não as queria sujar, mas chegado à noite repeti a dose.
Fiz tudo vestido como mulher, inclusive o tratar das minhas roupas e a limpeza da casa. Não percebia bem o que se estava a passar comigo, mas estava a gostar de estar vestido de menina. Interrogava-me se ia conseguir ficar assim vestido na frente do Alfredo. E se ele percebesse que estava a gostar. O que devia fazer? A minha imagem de machão podia ficar manchada, e aí podia esquecer a morena e qualquer outra mulher do grupo de teatro.
Decidi que me ia mostra relutante em vestir a roupa no dia seguinte. Decidi que ia ensaiar, sem o disfarce, por mais que o Alfredo insistisse e por mais vontade eu pudesse ter.
Fim da 1ª parte - Não perca as cenas do próximo episódio, reserve já o seu número em qualquer quiosque, ou leia aqui já na próxima página >>>>>>>>>>>>