155 - O meu amigo Jaime
Na quarta-feira de manhã, acordei sobressaltado, não com o som do despertador na mesa de cabeceira, mas com o toque do telefone no armário ao fundo do quarto.
Sentei-me rapidamente, esfreguei os olhos, olhei para o relógio, 8h59m e cambaleei até ao telefone.
Quem é que podia estar a ligar-me às nove da manhã?
- Estou sim! Murmurei enquanto levava o telefone ao ouvido.
- João, eu acordei-te? Disse uma voz de mulher do outro lado.
- Dª. Isabel? - Perguntei eu.
Pareceu-me reconhecer a voz da mãe do meu melhor amigo. Ela raramente tinha ligado para mim. Tinha falado com ela apenas quando o Jaime ficava em minha casa tempo demais, ou quando ela deu uma festa e me convidou, ou algo assim. E nunca tinha ligado tão cedo!
- Sim. Olha desculpa eu te ligar, mas o Jaime está deprimido ou alguma coisa assim nestes últimos dias. Eu sei que ele está acordado desde cedo esta manhã, mas ainda não saiu do quarto. Ele não parece a mesma pessoa, ele simplesmente não tem sido ele próprio. Eu queria saber se tu podia passar por cá e conversar um pouco com ele?
Eu não falava com o Jaime desde o dia em que ele e sua namorada Joana tiveram um encontro duplo com Clara Silva e comigo.
- Ele acordou cedo de manhã? Alguma coisa deve estar errada! Claro que eu passo aí. Vou tomar banho e vou passar aí assim que puder. Respondi eu.
- Ok, eu vejo-te em breve. Disse a Dª. Isabel e desligou o telefone.
Eu levantei-me da minha cama e cambaleei para o corredor. O meu pai já devia estar no trabalho e o Xavier ainda dormia. Ele dormia sempre até tarde e nunca acordava ao primeiro barulho. Peguei numa toalha lavada do armário e fui para a casa de banho.
Talvez passados uns 20 minutos estava a bater à porta da casa do Jaime.
A Dª. Isabel atendeu a porta de maneira gentil. Creio que de todos os amigos do seu filho, eu era o seu favorito. Ela afastou-se e deixou-me entrar na casa dizendo:
- O Jaime está no seu quarto. Não havia necessidade de mais cumprimentos. Subi a escadaria alta e caminhei pelo corredor até o quarto do Jaime.
A porta estava fechada e eu bati ao de leve.
- O que é? Perguntou em voz baixa.
- Jaime, sou eu. Posso entrar? Respondi eu.
- Sim, entra. Murmurou ele. Girei a maçaneta e entrei no quarto. Ele estava sentado na sua cama e de facto não parecia estar muito feliz.
- Há alguma coisa que esteja errada Jaime? Perguntei enquanto me sentava a seu lado.
- Ias acreditar em mim se eu te dissesse que não? Perguntou ele. Eu coloquei um braço em volta dele.
- Na verdade não. Queres falar sobre isso?
- É só ... Bem, é o que o Rui disse. Eu só não quero que as pessoas pensem que eu sou gay.
- Não foi por isso que tu começaste a namorar com a Joana?
- Nós terminamos o namoro.
- O quê?
- Nós terminamos.
- Eu ouvi você da primeira vez, Jaime. Por que é que terminaram?
- Eu só estava a sair com ela para que as pessoas não pensassem que eu sou gay e terminei com ela porque me senti mal por a estar a usar assim.
- Jaime, veste-te. Vamos falar com o Rui Silva.
O Jaime levou algum tempo a tomar banho e vestindo-se.
Ele disse que tinha terminado com a Joana e eu interpretei isso como um sinal de que ele estava pronto para algumas mudanças.
Mas de momento estávamos com um problema, o Rui Silva tinha-me dito claramente que achava que o Jaime e eu éramos gays.
Claro que era verdade, mas precisávamos enfrentar o problema porque, naquela época, nenhum de nós queria que todo o mundo soubesse disso.
Na casa dos Silva, a Clara abriu a porta. Ela pareceu ficar bastante surpresa ao ver-me com o Jaime.
- Bem, eu … uh ... não estava à espera de ti! Disse ela ao cumprimentar-me.
- Na verdade, eu queria saber se poderíamos falar com o Rui. Ele está cá? Perguntei eu nervosamente.
A Clara quando nos mandou entrar, tinha um olhar de quem sabia do que se tratava, na sua cara, o que na realidade me incomodava pois parecia que ela sabia o que nos tinha levado a sua casa.
- Vão pelo corredor fora, última porta à esquerda. Disse ela. Jaime e eu caminhamos pelo corredor até à porta que a Clara dissera. Creio que ela sabia por que tínhamos lá ido e por isso ela não nos seguiu. Bati na porta.
- Vai-te embora, Clara. Veio uma voz de dentro da sala, mas não me pareceu ser o Rui.
- Não é Clara. Disse eu. E de seguida a porta abriu-se. Em vez de ver o Rui de pé diante de mim, fiquei a olhar para os olhos castanhos claros do segundo homem mais atraente que já conheci. O seu cabelo parecido com um esfregão era de cor loura suja e descia até o meio das orelhas. O rosto estava levemente salpicado de sardas, o conjunto perfeito.
- Miguel Roberto. Cumprimentou ele.
- Eu sou o João e este é o Jaime. Disse eu. O Miguel nos levou para dentro do quarto do Rui. Ele tinha muito pouco espaço por causa da grande cama e mesa que ocupavam a maior parte do espaço.
O Miguel sentou-se na cama perto do Rui que continuava estendido por cima das roupas da cama.
O Jaime sentou-se na cadeira da mesa e eu fiquei em pé.
- Bem, olhem quem são. Disse o Rui com um sorriso. Nós estávamos agora a falar de vocês os dois.
- Vocês … vocês estavam? Perguntou o Jaime nervosamente. E o Miguel assentiu.
- Não é correcto falar das pessoas assim. Disse eu. Não tinha certeza de onde vinha aquela frase, mas era tudo que eu conseguia pensar para dizer.
- Sim, Rui, não é correcto falar das pessoas assim. Repetiu o Miguel. O Rui riu-se.
- Tu és uma pessoa de que é divertido falar-se. Disse o Rui.
- Veja-mos, tu deves ser gay! Que tipo de rapazes saem com outros rapazes antes do meio-dia e não são gay?
- Olha repara numa coisa, tu e o Miguel estão aqui juntos, antes do meio dia. Argumentou o Jaime.
O Rui ergueu uma sobrancelha para o Jaime e o Miguel apenas ficou a sorrir.
- Tu achas que és o único gay na Terra? Perguntou o Rui.
Lembro-me de pensar, nesse momento, que ele estava absolutamente calmo. Era um assunto que eu só tinha discutido com o Jaime porque eu não me estava a sentir confortável com a situação.
- Bem ... acho que não ... Disse o Jaime. Ele estava a reconhecer a sua sexualidade pela primeira vez para outra pessoa e eu estava quase em choque.
O Jaime sempre tinha sido super fechado sobre o assunto, que até ele e eu mal discutia-mos o assunto até recentemente.
- Tu pareces surpreso. Disse o Miguel para mim.
- Eu não estava à esperava que ele dissesse isso. Respondi eu honestamente.
- Pobre Clara. Parece que de todas as vez que ela encontra um rapaz ele é gay. Disse o Rui.
- Esta é a primeira vez! Lembrou o Miguel.
- É a mesma coisa, não há diferença. Murmurou o Rui.
- Vocês os dois discutem como se fossem casados. Comentei eu.
- Triste, não é? Mas pelo menos eu estava certo sobre uma coisa. Disse o Rui.
- Tu não tens sempre razão? Perguntei eu.
- Geralmente não. Apenas sobre assuntos como este. Comentou o Rui.
A conversa continuou por algum tempo.
Ao termos ido falar com o Rui, eu pretendia impedi-lo de nos chamar, ao Jaime e a mim, de gays porque isso nos incomodava. Mas, em vez disso, o resultado era quase inspirador. Era a primeira vez que o Jaime e eu reconhecíamos os nossos verdadeiros sentimentos e os discutíamos com outros e, pela primeira vez desde que me lembro, sentia uma sensação de segurança.
- Isto foi divertido, não foi?
Perguntei inclinando-me para trás na minha cama. Eram 8h00 e o sol estava-se a pôr no céu a Oeste.
Apesar da escuridão do meu quarto, que ficava virado ao pôr do sol, não nos tínhamos incomodado com as luzes.
- O que foi divertido? Perguntou o Jaime. Ele tinha uma inclinação para fazer perguntas assim, mesmo quando sabia o que eu queria dizer.
Eu sempre pensei que era engraçado, apesar de me dar alguns nervos de vez em quando.
- Termos ido ao shopping com o Rui e o Miguel. Respondi.
- Ah. Pois, sim, acho que sim. Sabes que eu sempre me senti tão … diferente … Eu nunca pensei que existiam outros gays no mundo. Agora conheço alguns que estão na nossa escola. É tão estranho! Disse o Jaime.
Ele, de repente, parecia e soava mais filosófico do que nunca em toda a sua vida. Com toda a honestidade, aquele dia me ajudou a começar a ver este lado dele.
- O que é que estás a pensar agora? Perguntei, tentando manter o clima.
- Estou a pensar que estou com ciúmes do Rui. Respondeu o Jaime.
E ele estava certo, o Miguel Roberto era muito bonito.
- Não me faças ficar com ciúmes agora. Provoquei eu.
Em resposta, o Jaime rolou para cima de mim e beijou-me de forma bastante agressiva. Eu agarrei-o pela camisa e empurrei-o para cima da cama. Sem hesitar, tirei-lhe a camisa. Ele ajudou um pouco, mas eu mal lhe dei tempo para reagir. A minha língua percorreu todo o seu corpo quente, cruzando o seu peito e ombros até a sua boca para outro beijo. Os seus lábios estavam quentes e antecipavam os meus. Na atmosfera fresca da noite com ar condicionado, ele estava quase a tremer.
Eu rapidamente recuei e tirei o resto das roupas do Jaime. Ele sabia o que eu ia fazer a seguir tão bem quanto eu. Eu arranquei a minha própria roupa o mais rápido que pude e corri para ir buscar uma camisinha ao meu armário. Quando voltei para a cama, o meu amante que esperava já estava na posição em que eu o queria. Coloquei-lhe uma camisinha e parei para escutar brevemente, Não havia nenhum sinal de som em nenhum outro lugar da casa. Estávamos sozinhos, mas juntos e inseparáveis.
Não poupei tempo para empurrar o seu pau sólido como uma rocha pelo meu anus já lubrificado.
Ter passado o dia com alguns rapazes gays muito bonitos tinha-me deixado ansioso pela noite.
Eu sabia que os meus pais podiam voltar para casa e que o meu irmão mais novo estava com eles.
A primeira investida foi acolhedora. O pau do Jaime estavam tão quente quanto o resto dele. Eu puxei de volta e depois empurrei novamente. Jaime não reclamou (como sempre) e eu apressei o passo. Foi rápido porque nós dois estávamos muito animados e muito animados com os eventos do dia. Ele empurrou para dentro e fora do meu anus enquanto eu gemia eroticamente. Eu comecei a sentir que ele também me a acariciar o meu pau no seu ritmo, ele fazia sempre isso. Eu nunca foi capaz de segurar os meus orgasmos por muito tempo e gozei em todos os meus lençóis. O aperto espasmódico dos músculos no meu anus deram-lhe a estimulação que ele precisava e breve ele soltei o seu orgasmo em mim. Exaustos e cansados, ficámos deitados na cama. Tivemos tempo para descansar antes de nos limpar e nós dois precisávamos de uma chance de relaxar.
O meu coração batia a 100 à hora quando adormeci, exausto e esparramado com o meu melhor amigo.
- João, olha o telefone, é para ti!
A voz do Xavier ecoava pela casa. Larguei o livro que estava a ler e peguei no telefone ao lado da minha cama.
- Já atendi! Gritei eu. E depois para o telefone, eu disse:
- Estou sim?
- João? Olá, sou a Clara! Disse uma adorável voz jovem do outro lado.
- Uhh … Clara? Oi, olá. Soltei um riso nervoso. O meu coração falhou umas batidas. O que eu podia dizer à Clara? Felizmente para mim, fui poupado desse problema.
- Ouve, João, o Rui explicou-me tudo! Disse ela. Ela não parecia desapontada.
- Então tu não estás zangada comigo? Perguntei esperançoso.
- Não, eu tenho mais amigos gays. E é normal hoje em dia. Foi bom termos um encontro enquanto ainda podia-mos. Disse ela.
- Espero que possamos continuar a ser apenas amigos.
- Sim, olha estava a pensar ir ao shopping amanhã, quero que tu me ajudes com algumas compras.
Antes que eu tivesse a oportunidade de responder, ouvi o que soou como as palavras “Oh meu Deus” e o clique de um telefone sendo desligado.
O meu irmão tinha ouvido toda a conversa.
O FIM