138 - E de repente “Teresa” Capítulo 1Estava num bar, a beber para me esquecer da tampa que tinha apanhado da minha namorada depois de dois anos de uma relação complicada. Já tinha umas quantas cervejas a mais que a minha conta, já não dizia coisa com coisa. Comecei a contar a minha história para um homem, acho que era um amigo de um amigo, apenas me lembro que ele estava por ali. Mais velho que eu uns 15 ou 20 anos, já perto dos 45 ou 50, ele era um bom ouvinte e conversador. Ficamos a conversar um bom bocado ao longo da noite, e entre muitas das coisas eu comentei, disse-lhe que no dia seguinte tinha que sair do apartamento da agora ex-namorada, e não sabia para onde ir.Simpático, ele ofereceu-me a sua casa.- Podes ficar por lá uns dias até te safares, tens lugar, numa boa.- Sério, não é problema para si? A gente mal se conhece. Disse eu.- Tranquilo, não esquentes, podes vir que estás na boa!Na situação em que eu estava, nem queria acreditar. Era uma grande ajuda, eu não tinha lugar para ir. Sem família na cidade e sem lugar em casa de amigos, a única opção era um hotel. Mas o dinheiro era pouco e ajudou-me a decidir a questão. E seriam só uns dias até encontrar um lugar definitivo. Fui.Chegamos ao apartamento dele já de madrugada. O apartamento tinha dois quartos. Ofereceu-me o quarto que disse ter sido da sua filha, que já era adulta e morava noutra cidade. Todo decorado em rosa, tinha cortinas com rendas nas janelas e um mesa com espelho e cheia de perfumes e enfeites.No estado alcoólico em que eu estava, eu só queria tomar um banho e dormir. O quarto era uma suíte, tinha casa de banho privativa. Igualmente rosa, como o quarto, todo feminino. Tomei banho, coloquei só as cuecas e caí na cama. Num sono pesado de quem bebeu mais que a sua conta!Acordei no outro dia tonto da ressaca. Fui vestir-me e estranhei as minhas roupas não estarem no quarto, nem na casa de banho. Olhei debaixo da cama, por todo lado, não encontrei nada. Meio envergonhado e sem entender onde as tinha deixado eu saí do quarto só de cuecas para procurar. O meu amigo já estava na sala, tomando um café.- Bom dia! ... não sei onde deixei as minhas roupas…- As tuas roupas? Estavam na casa de banho. Mas eu peguei nelas e deitei tudo fora.- Como assim, deitou tudo fora? Não entendi!- É o seguinte. Vou abrir o jogo contigo. Nada disto é o que estás a pensar. Eu não te trouxe aqui só para passares uns dias. Eu trouxe-te para algo muito diferente disso. Tu vais ser a minha menina. Eu vou te transformar na minha mulher.- Como? O quê? Não estou a entender nada e acho que não gosto da brincadeira! Que palhaçada é esta? Estás maluco? Disse eu dando uma risada nervosa.Ele aproximou-se e segurou-me num braço com uma das suas mão fortes, encostando-me a uma parede. Ele era mais alto que eu, devia medir 1,80m. Corpo trabalhado, um pouco barrigudo, mas forte. E eu não tinha nem 1,70m, nunca fui muito forte ou musculoso, e percebi logo que não tinha hipótese numa luta. Não me acobardei e continuei:- Por que é isto, rapaz? Não é preciso ser violento, não te fiz nada. Foste tu que me convidaste para vir para cá. Mas tudo bem, já vou sair! Devolve-me a roupa e eu vou-me embora agora mesmo!Mais uma mão que me segurou. Tão forte que eu quase me desequilibrei e caí. Encolhi-me, com a cara vermelha e a arder de vergonha.- Daqui tu não vais sair, minha querida. Tu agora és minha, entendeste? A tua vida pertence-me. E tu vais ser a minha menininha. Eu vou fazer de ti uma mulher.Apavorado e quase a chorar respondi:- Mas eu não sou uma mulher, rapaz, que história é esta? Tu estás louco? Eu não sou gay, não gosto de homens! Por que não vais procurar uma mulher de verdade? Deixa-me ir embora que esta loucura já passou da conta!Ele aproximou-se mais de mim e eu achei que ele me ia bater. Corri na direção da porta do apartamento. Estava trancada, claro. Corri para a janela, mas olhei para fora e vi que era um andar alto. Além disso tinha grades, não conseguia saltar. Estava mesmo preso. Ameacei-o:- Olha eu vou gritar, todo o prédio me vai ouvir! Deixa-me sair!Ele nem se importou. Sentado no sofá disse:- Podes gritar, minha linda, nenhum vizinho vai aparecer por aqui.Eu gritei. Socorro! Alguém me ajude! Gritei várias vezes. Nada. Ninguém apareceu. Ele continuava sentado no sofá, olhando-me e rindo. Parei de gritar quando ele veio de novo em minha direção, devagar. Para me proteger, com medo de apanhar eu agachei-me e protegi o rosto. E implorei:- Chega, não me batas por favor!- Já te cansaste de gritar? Não é preciso eu ser bruto? Óptimo. Estás pronta para começar a tua vida nova?Não, eu não estava pronto para nada. Mas percebi que naquele momento não tinha como resistir, não sabia o que fazer. Não adiantava gritar, levar um aperto ou uma tareia também não me ia ajudar. Eu não representava um desafio para a sua força.Pensei que era melhor ceder momentaneamente e traçar uma estratégia. Sempre me disseram que “com um maluco não se discute”, talvez que se eu entrasse no jogo onda dele podia encontrar mais tarde alguma hipótese de fugir e acabar com aquela loucura.Mas naquele momento eu estava muito desesperado para poder engendrar alguma solução racional.Agachado num canto, chorava, e pedi mais uma vez:- Por favor, deixa-me ir embora! Eu só me quero ir embora! Eu parecia um bichinho encurralado, só de cuecas, todo enrolado com medo.Ele veio na minha direção, eu achei que ia finalmente apanhar e protegi a cabeça com os braços. Mas ele surpreendeu-me. Baixou-se, abraçou-me de lado e deu-me um beijo na bochecha. Ouvi ele dizer-me calmamente:- Minha linda, eu não te quero fazer sofrer, não chores mais, não. Vais ver que a tua vida como minha menina não vai ser ruim! Vais gostar!Eu ainda chorava. Medo, desespero, indignação. Falei meio a chorar:- Eu não sou mulher! Eu não gosto de homens! Pára com isso! Vai procurar uma mulher de verdade! Podes ter qualquer mulher que quiseres, por que estás a fazer isto comigo?Ele teve um carinho para mim, limpou-me as lágrimas com os seus dedos.- Minha fofinha, vais ser uma menina linda, podes acreditar em mim. E vais gostar de satisfazer o teu homem como poucas, eu te garanto…Eu supliquei:- Pára de me chamar de menina linda! Eu sou homem!Ele carinhosamente pegou no meu rosto com as duas mãos. Fez-me olhar nos seus olhos e disse:- Não, minha linda, não és mesmo. Podes ter sido, mas não és mais. Daqui para frente és a minha mulher. Mas tu estás certa num ponto, precisas de um nome para eu te chamar.- Vai ser Teresa. Daqui para frente tu és a Teresa. É um nome bonito e bem feminino. E vamos dar um jeito nas tuas roupas. Lá no teu quarto tens muitas roupas femininas, novas, agora vais te vestir.