81 - A Idade da Inocência
Eu acho que nasci assim, uma menina num corpo de menino. Hoje com 52 anos de idade, casado, filhos e uma esposa adorável, convivo muito bem com a minha dupla personalidade. Na minha família, apenas a minha esposa sabe e ajuda-me muito. Nós apreciamos este meu lado feminino de uma maneira especial. É ela quem compra tudo o que eu preciso e que me ajuda muito na escolha das roupas, maquilhagens e acessórios que a Vanessa deve usar, foi ideia dela o nome de Vanessa Cristina.
Mas nem sempre foi assim. Passei por diversas situações humilhantes e constrangedoras que se pudesse descrever aqui, certamente dariam para escrever um livro, tantos são os factos. Mas para este conto ser menos cansativo, vou tentar contar um pouco da minha vida até os dez anos de idade, que não deve ser diferente de muitas das vossas e espero que sirva de referência para aquelas pessoas que também apreciam esta deliciosa prática, que é ser CrossDresser, que é ser menina, que é ser mulher, sem abrir mão da sua masculinidade, emas que ficam a atormentar-se cheios de dúvidas, pensando que são pessoas com problemas, como eu e muitas de nós pensavam, quando na verdade devem apreciar essa vossas fantasia e pensar que existem outros milhões de pessoas assim.
Se vocês, caros leitores, acreditam que se encaixam nesta situação, acham que ser homens e gostar de usar roupas femininas é um castigo divino ou qualquer coisa do género, parem de se martirizar, porque vestirem-se de mulher não vai diminuir nem um pouco a vossa masculinidade, porque é preciso ser muito macho para ser assim! Leiam o que aconteceu comigo…
A minha mãe, pelo que me disseram, queria que o seu primeiro filho fosse uma menina. Ela tinha um defeito físico numa das suas pernas que limitava bastante os seus movimentos. Os meus pais eram pobres e não se podiam dar ao luxo de ter uma empregada. As minhas tias é que a ajudavam nas lides da casa e ela queria ter uma filha que a ajudasse mais tarde.
A minha mãe era religiosa e acreditava piamente nas conversas dos videntes, benzedeiras e muitas outras pessoas que por simpatia ou dinheiro previam o futuro e que em cada consulta reafirmavam que ela teria uma menina no seu primeiro parto. Eu nada tenho contra as pessoas que se dizem videntes ou que lêem a sorte, mas eu nunca acreditei nisto.
Segundo a minha mãe contava, a todas as suas amigas anos depois, todas as vezes que a examinavam, reafirmavam depois de testes, dos mais exóticos, ou por simples verificação do formato da barriga dela que ali estava uma menina pronta a nascer.
Os meus pais eram gente humilde, pessoas de pouca ou nenhuma instrução, e davam créditos a este tipo de pessoas. E a minha mãe tinha tanta certeza de ir ter uma filha que montou o meu pequeno enxoval, segundo me contaram depois, todo o enxoval era só com roupas de menina! Vestidinhos, roupinhas rosas, mantas, tudo, até os sapatinhos eram femininos.
Mas quando eu nasci, naquela terça feira do mês de setembro de 1958, acho que o mundo desabou, para a minha mãe e para as suas amigas 'videntes' quando viram aquelas coisas roxas penduradas no meio das minhas pernas e eu a berrar sem parar. Pelas conversas entre a minha mãe e as suas amigas, quando eu já era crescido, ela disse por diversas vezes que tinha sido uma correria para arranjar algumas roupas de menino assim à última da hora. Até hoje não sei bem se quando nasci me vestiram roupas de menina ou não, nunca tive grande coragem para perguntar. A única coisa que sei é que no meu batizado eu usava um vestido comprido branco, comum nessa época, pois ainda tenho uma foto guardada até hoje.
Muito religiosa, ela sempre respeitou a vontade de Deus. Achava que se ELE mandou um menino é porque tinha que ser assim, mas não se conformava! Quase dois anos depois nasceu a minha irmã e ai tudo se resolveu. Acham que recrimino ou censuro a minha mãe? Não! No seu caso acho que eu faria o mesmo.
Hoje em dia, graças aos avanços da medicina em que quase se pode escolher o sexo dos bebés, isto não seria possível, basta perguntar ao médico qual o sexo do bebé e as possibilidades de ele não responder correctamente são muito diminutas. Mas naquela época... bem, eu fiquei nove meses a ouvir dentro da barriga dela todo o mundo a dizer que eu ia ser uma menina, isto sem contar com a pressão emocional que ela transmitia a todo o instante para mim dizendo-me que eu seria uma menina! Eu digo isto porque pelo que sabemos hoje em dia, tudo o que uma mãe sente ou deseja, é transmitido para o bebé em formação e ele recebe esses impulsos e reage de acordo.
Com tudo isto, alguma coisa poderia acontecer depois de eu nascer. E a resposta veio da maneira que tinha de vir. Eu biológicamente sou um homem mas psicologicamente sinto-me mulher. Todo o desejo dela para que eu fosse uma menina, moldou a minha personalidade, porque desde o primeiro momento em que comecei a entender o mundo (acho que teria três anos mais ou menos), eu achava que era diferente porque me identificava muito com a minha irmã. Com o passar do tempo eu me zangava porque a nossa maneira de vestir era diferente. Os vestidinhos, brincos, pulseiras, e muitos outros enfeites que eu adorava, eram todos para ela. As roupas que me davam nada tinha a ver com a minha personalidade. Eu sentia-me discriminado. Só depois de começar a entender melhor o mundo em que vivemos é que comecei a notar as diferenças entre mim e a minha irmã.
Por volta dos quatro anos de idade eu percebi, enquanto eu e ela tomávamos banho, que no lugar onde eu tinha um pipi, a minha irmã tinha uma pequena racha, isso fez com que eu dissesse à minha mãe que a minha irmã tinha um defeito. Ela era diferente!
A minha mãe explicou-me tudo sobre as diferenças e a minha revolta aumentou! Eu sentia-me igual a ela mas ali naquele pedaço eu era diferente. Porquê? Seria que era por causa disso que as nossas roupas eram tão diferentes? As dúvidas povoaram a minha cabeça até aos cinco anos de idade.
A irmã mais nova da minha mãe que é apenas dois anos mais velha que eu, passava a maior parte do tempo na minha casa. Eu me lembro, que um dia, eu fui à casa de banho e vi umas calcinhas muito bonitas abandonadas em cima do bidê. Eram da minha tia.
Eu peguei naquela peça e fiquei a esfregá-las por entre os meus dedos. E senti aquela vontade de as vestir. Tirei a minha roupa e vesti as calcinhas. Fiquei encantado com elas e inocentemente resolvi ficar com eles vestidas. Vesti as minhas roupas normais e fui brincar no quintal da nossa casa.
Envolvido nos afazeres próprios da idade, esqueci por completo o episódio. No final do dia, quando fui tomar banho, ao tirar a minha roupa a minha mãe reparou nas calcinhas e perguntou-me porque é que eu estava com elas vestidas. (Até mais ou menos os meus seis anos de idade, a minha mãe ainda me ajudava a tomar banho).
Não sabia o que responder, e simplesmente disse-lhe que as tinha visto ali e as tinha vestido.
Ela não ficou zangada de verdade, mas disse-me que eu era um menino e que aquilo era roupa de meninas e que não ficava bem eu vestir aquilo. Ameaçou-me que se eu fizesse aquilo de novo podia ser castigado. Eu não entendi o porquê da ameaça!
A minha irmã era uma menina e usava aquelas calcinhas, a minha tia era menina também usava calcinhas, porque é que eu sentindo-me menina estava proibido de as usar? Estas diferenças mexiam comigo! E nesse momento perguntei à minha mãe porque e que se eu era menino e tinha um retrato do meu batizado usando o mesmo vestido que a minha irmã usara também para ser batizada?
A minha mãe engasgou-se não respondeu e voltou a fazer a ameaça.
Tudo bem se eu não podia usar, não usava, não queria apanhar por causa disso.
Mas, escondido? Ninguém a ver, a coisa foi muito diferente. Usei calcinhas mais algumas vezes antes de completar os seis anos de idade. Sempre escondido.
A minha mãe tinha mais cinco irmãs, ainda vivas nessa época, três casadas e as outras três solteiras. Uma das suas irmãs morava numa quinta, e era a irmã que ela mais gostava. Esta minha tia ficou decepcionada por eu ter nascido menino, ela tinha se unido à minha mãe e muito torcera para que o primeiro filho da minha mãe fosse menina. Ela se tinha casado antes da minha mãe e tinha quatro filhas, quando eu nasci ela já tinha duas filhas, e quando eu tinha os meus seis anos de idade ela estava grávida de outra menina. Eu adorava esta minha tia, pela sua bondade, pelo seu feitio, ela foi sempre muito boa para mim.
O seu marido era quem administrava a quinta onde eles moravam. Era um lugar lindo, só que muito isolado. Devido à quinta ser grande a sede ficava num local e as casas dos trabalhadores ficavam um pouco afastadas da sede uns 1 500 metros e além disto tinha outras casas em pontos estratégicos para o pessoal que cuidava do gado e do olival. Naquela época não existiam trabalhadores à jorna, todo o pessoal morava na quinta. Eles moravam em casas afastadas, distribuídas pela quinta de forma a puderem tratar e administrar a quinta. A minha tia cuidava apenas da casa principal.
A minha tia esperava mais um bebé. A minha avó que morava perto da nossa casa principal teve que ir para a quinta cuidar da minha tia.
Eu lembro-me que queria ir e a minha mãe não queria deixar, pois a minha avó ia demorar muito tempo para voltar, e só depois de eu muito insistir acabou por deixar que eu também fosse.
No dia marcado, eu, a minha avó e a minha tia mais nova, fomos para a casa da minha tia.
Havia poucas ou quase nenhumas estradas asfaltadas naquela região e tivemos que fazer quase um dia de autocarro por estradas de terra esburacadas.
Era final de ano e chovia muito. Quando finalmente descemos do autocarro na beira da estrada, estava um forte temporal por aquelas bandas.
Desembarcamos numa pequena venda de estrada, onde havia um pequeno armazém, uma igrejinha e algumas casas. Ficava a uns três quilómetros de distância da casa dos meus tios que teriam de ser feitos a pé.
Depois de caminharmos por mais de uma hora e quase perto da casa da minha tia, desabou um chuvada. Eu, a minha avó e a minha tia não tínhamos onde nos esconder e de modo que continuamos à chuva.
As nossas roupas estavam arrumadas numa bolsa de pano que a minha avó tinha feito e ficou tudo molhado.
Chegamos à casa da minha tia completamente ensopados, sujos de barro e as roupas que levávamos completamente molhadas.
A minha tia vendo a situação em que nos encontrávamos tratou logo de arranjar roupas secas para nós.
Para a minha avó e minha tia que nos acompanhava não teve muitos problemas, pois tinha roupas de sobra. E para mim? Bem, por ali, exceto o meu tio que tinha quase três vezes o meu tamanho, só existiam mulheres, e a minha tia experimentou todos os vestidos da minha prima mais velha em mim.
Eu tentava recusar, esperneava, não queria de modo algum usar vestidos (era só fachada, eu precisava de me impor) e senti-me decepcionado quando a minha tia disse que nenhum vestido daqueles ia servir-me.
Mas era preciso eu vestir algo ou ia ficar gelado até as minhas roupas secarem. Ninguém era louco para ir até às casas dos vizinhos para procurar roupas de menino para mim debaixo daquele temporal. Foi aí que a minha prima teve uma ideia, que era ir buscar alguns vestidos das netas da dona da quinta na casa grande.
Os proprietários da quinta eram de idade avançada e tinham dois filhos já casados.
Um era médico na capital e ia muito pouca até lá. O outro era quem ajudava o pai a cuidar da quinta e demais propriedades que eles possuíam. Este filho que morava por perto tinha duas filhas com idades de 10 e 8 anos que geralmente nos fins de semana iam até à quinta com os avós e os pais.
Elas normalmente deixavam muitas roupas por lá e era minha tia quem cuidava de tudo.
A minha tia foi lá e arranjou alguns vestidos e outras roupas e trouxe para eu experimentar. Eu fazia questão de recusar e só aceitei por dois motivos, o primeiro era que eu ia usar só por um dia. E o segundo era que a tia me prometeu que no dia seguinte ela resolvia a questão.
Sem escolha eu resolvi aceitar. Era a primeira vez que eu ia usar um vestido, pelo menos depois de grande. As roupas eram lindas!
Eu usei na verdade uns três ou quatro vestidos, calcinhas, saiotes, sapatos.
Eu fingia que estava revoltado, mas no intimo eu estava nas alturas, as minhas primas me pintaram e eu brinquei com casinhas de bonecas, foi um sonho, fui tratado como sempre desejei... como uma menina.
Quando depois de três dias o sol finalmente apareceu, eu já estava triste. Eu estava a adorar usar os vestidos. O contato com aquelas roupas estava a fazer eu sentir-me bem, sentia a bainha dos vestidos roçar as minha pernas, o contato permanente com as calcinhas e o fato de ser tratado como uma menina pelas meninas da casa fez com que eu acreditasse que era uma menina de verdade. Ninguém mais se lembrou de procurar roupas de menino para mim. A minha avó lavou toda a roupa que levamos, eram poucas pois não tínhamos muitas. Inconformado com a perspectiva de ter de voltar a usar as minhas roupas normais fui até o quintal, onde estava o varal com as roupas a secar e depois de me certificar que não havia ninguém por perto, provoquei um acidente e derrubei as minhas roupas meio secas para cima das poças de barro do quintal.
Pouco tempo depois, uma meia hora, ouvi a minha avó a queixar-se do seu descuido. Isso garantiu mais um dia de vestidos.
Finalmente tive de usar as minhas roupas normais que eu não queria mais. Um pouco por acaso ouvi a minha tia dizer para a minha avó que eu ficava muito melhor de vestido, e que Deus tinha sido injusto para com a minha mãe, ela achava que eu me comportava melhor quando me vestia de menina, e que estava a dar-me muito bem com minhas primas. Eu não sabia se devia chorar ou gritar de felicidade, achei que era um incentivo para eu continuar.
Não aguentando mais, dois dias depois coloquei um dos vestidos para dormir. No dia seguinte, domingo, as minhas primas e a minha tia mais nova entraram no quartinho onde eu dormia para me chamarem para ir à missa com elas e viram-me de vestido. Eu fiquei envergonhado, mas elas me puxaram da cama para tomar o pequeno almoço e lá fui eu de vestido para surpresa da minha tia grávida e da minha avó.
Vi os olhos da minha tia brilharem.
As meninas perguntaram-me se eu queria ir de vestido. Eu não sabia o que responder e elas me levaram para o quarto e me colocaram outro vestido das netas da dona quinta. Nesse final de semana devido às chuvas elas não apareceram. E depois de me colocarem um vestido novo, meias, sapatos um pouco de maquiagem e um lenço na cabeça, eu estava convincente como menina.
A minha tia grávida e a minha avó quando me viram produzida ficaram espantadas e ouvi minha tia dizer para minha avó que minha mãe precisava ver aquilo.
Na igreja ninguém se importou pois algumas das pessoas que estavam ali já tinha me visto usando vestido antes na casa da tia e nem ligaram.
Para as meninas amigas das minhas primas eu fui apresentado como a prima Isabel que morava na cidade. Brincamos muito depois da missa no vilarejo e na hora do almoço voltamos para casa e eu já meio triste, pois teria que trocar de roupa.
A minha tia parece que estava a gostar de me ver daquele jeito. Ela disse-e que eu devia ter nascido menina, que eu ficava muito bonita assim e mais um monte de elogios.
Acho que fiquei por lá mais umas duas ou três semanas, e a maior parte usando vestidos. Só não usava nos fins de semana porque as donas deles apareciam e as roupas das minhas primas não me serviam.
Quando a minha tia deu à luz mais uma menina, a dona da quinta apareceu por lá para fazer uma visita. Era dia da semana, de modos que eu estava com um vestido da neta dela.
Ela perguntou porque eu estava usando aqueles vestidos e a minha tia justificou-se dizendo que nós estávamos com pouca roupa e que por causa da chuva nada secava, e que eu apenas as usava enquanto as minhas roupas estavam a lavar e secar. Ela ficou satisfeita com a explicação e fez mais, deu à minha tia um monte de roupas das netas, roupas do marido dela e do filho e da nora. Ela colocou tudo numa cama e disse para a minha tia que podia ficar com tudo. Eu fiquei radiante, pois não precisava mais de me esconder quando as netas dela fossem lá.
Eu adorei muito todos aqueles momentos. Mas estava a ficar preocupado porque se aproximava a hora de me ir embora da quinta.
A minha tia escolheu metade das roupas para nós levarmos, separou umas que seriam para a sua 'irmã', mas ela escolheu as que sabia que não lhe serviriam. Acho que a intenção era outra.
Eu sujava as minhas roupas de propósito e a minha avó ficava zangada comigo, mas o meu verdadeiro objetivo era outro, enquanto elas estavam sujas eu podia estar de vestido.
Sujava as minhas roupas mesmo a sério.
Tinha chovido uma grande parte do dia anterior ao nosso regresso para a cidade.
Na casa em que a minha tia morava havia uma cozinha grande e que tinha no seu centro um grande fogão a lenha. Além de servir para cozinhar tinha outras utilidades. Em redor da caldeira onde se queimava a lenha havia serpentinas de canos que aqueciam a água para tomar banho. Quando o tempo ficava mau, savam as laterais de cimento aquecido para secar a roupa e foi ai que eu decidi aprontar mais uma.
Eu não queria mais largar os vestidos e depois de ver que todos estavam a dormir fui até ao fogão e empurrei a minha roupa que secava para perto de uma chapa de ferro que estava mais quente. Estas roupas eram as que eu iria usar para viajar no dia seguinte.
Uma hora depois a minha avó sentindo o cheiro da roupa queimada levantou-se a correr mas já não deu para fazer nada. As minhas roupas ficaram imprestáveis para usar. Ouvi a minha avó a lamentar-se por ser descuidada e até urinei na roupa de tanto me rir. Eu estava a dormir de camisola e de calcinhas.
Como já não havia tempo para lavar e secar as minhas outras roupas, no dia seguinte a solução foi me vestirem de menina para poder viajar.
A minha mãe assustou-se, quando me viu de vestido, maquilhado e com sapatos de menina. A minha avó explicou-lhe tudo o que tinha acontecido na quinta e ela teve que se conformar. Eu ainda usei aquelas roupas discretamente até elas serem recicladas e reaproveitadas para a minha irmã.
Me recordo muito destes dias que passei na quinta com a minha avó e devem ter sido os meus dias mais felizes até mais ou menos os meus dez anos. Me recordo que depois disso eu tinha dificuldades em me vestir de menina. A minha mãe apesar de tudo não permitia que eu me vestisse de menina e eu não entendia porque é que era assim.