184 - Mudei de Cidade
Eu tinha acabado de me mudar para o litoral alentejano e estava a adorar o estilo de vida quase rural quando conheci o Júlio.
Ele era um homem alto e magro de quase 30 anos e com boa aparência, que trabalhava num mini-mercado da localidade onde eu tinha decidido ir fazer as minhas compras.
Ele sempre foi muito atencioso comigo, e quando eu entrava na loja sentia os seus olhos a percorrerem a minha silhueta.
A princípio pensei que fosse apenas a minha imaginação, mas ele parecia estar sempre a emanar uma espécie de fome.
Foram necessárias umas quantas visitas quase diárias para eu perceber que o Júlio estava a acordar o radar gay adormecido.
E também eu perceber que o radar dele estava a ser atraído por mim.
Fazia anos desde que eu tinha estado com outro homem, e já quase tinha esquecido o homem sexy chamado Jaime a quem eu fizera uma proposta num dia de trabalho quando eu morava em Lisboa.
A minha proposta, tinha sido simples, apenas uma provocação descarada na forma de um verso escrito num pedaço de papel que eu lhe tinha entregue numa sexta feira, em que eu sabia que nós os dois íamos ficar de folga.
Dizia apenas:
a minha boca
tem tanta fome da tua
a minha língua
tem tanta sede da tua
a minha boca
tem tanta fome do teu
os meus dedos nervosos
percorrem o meu sexo
verticalidade lúbrica, orgânica
outra e outra vez
perfilado, aprumado, em vão
de tanto ansiar pelo teu.
O rosto de Jaime abriu-se num sorriso quando ele respondeu:
- Mário, eu não fazia ideia. Eu sempre pensei que tu fosses hétero.
Nesses dias de folga tivemos uns óptimos dias de sexo juntos.
Naquela mesma noite, e quase todas as noites por meses depois disso, até que tive de mudar de emprego.
Antes daquela ocasião eu nunca tinha pensado em mim como 'gay'.
Eu tinha estado com muitas mulheres.
Mas a partir daquele fim de semana passei a sentir-me mais natural com os homens.
Menos drama, menos jogos, menos atitudes sem sentido.
Os homens sabem exatamente o que querem. As mulheres, por outro lado, na minha experiência apenas queriam que eu comprasse algo e que eu estourasse tudo com elas.
Como a abordagem que eu tinha feito com o Jaime tinha sido simples, decidi fazer uma abordagem semelhante ao Júlio.
Desta vez, imprimi a minha foto e escrevi por cima um endereço de e-mail descartável.
Enfiei a foto sob o limpa pára-brisas da carrinha dele e tive notícias dele no dia seguinte.
Correspondemo-nos por uns dias contando um ao outro o que gostávamos e decidimos combinar um encontro num parque de merendas local quando ele saísse do trabalho no domingo.
Nas nossas mensagens de e-mail, eu disse-lhe que gostava de um pau duro na minha boca, e que precisava que ele fosse dominador também.
Eu apenas queria que ele me segurasse na parte de trás da minha cabeça enquanto fodia com força a minha boca.
Em troca, eu disse a ele que eu só queria que ele me acariciasse.
Disse-lhe que nada era mais sensual para mim do que a mão de outro homem no meu pau.
O Júlio respondeu-me que tentaria agradar-me mesmo que ser dominador não fosse o seu estilo.
Eu estava um pouco nervoso quando me dirigi para o parque.
Combinamos o encontro no centro do parque, onde havia um monumento alto que os moradores chamavam de “o grande pau”.
Nada mais do que um Menir, um impressionante monumento megalítico da região.
Quando cheguei às 15h30 em ponto, não parecia haver mais ninguém por perto.
Sentei-me num banco, peguei no meu telefone e comecei a jogar um pouco.
Fiquei tão distraído com o jogo que nem percebi que ele se aproximava de mim, até que ele disse baixinho:
- Mário?
Quando olhei para os seus olhos cor de avelã, ele sorriu gentilmente e estendeu a sua mão para eu apertar.
Quando me levantei e peguei sua mão, ele disse:
- Vamos passear um pouco; OK?
Andamos de mãos dadas como se fosse a coisa mais natural do mundo, o tempo todo a trocar alguma conversa fiada sobre desporto e cinema.
Uma das coisas que o Júlio me disse foi:
- Não encontrei o teu perfil online, em nenhuma rede social.
- Sim. Respondi eu. Eu sou um pouco cauteloso com estas coisas online. Tive um ex que me perseguiu uma vez por causa de coisas que escrevi enquanto morava em Lisboa. E continuei:
- Eu acho que não se pode confiar muito na tecnologia com algumas informações online. Olha bem para o que o Facebook faz às pessoas!
Sem me perceber fomos andando e de repente percebi que havíamos saído do caminho calcetado e estávamos a dirigir-nos para o meio do arvoredo.
Foi quando olhei para ele e nos beijamos apaixonadamente.
A sua mão deslizou pelos meus jeans e começou a massajar o meu pau semi-ereto.
Sentia-me como no céu quando ondas de prazer me inundaram.
Gemi e entreguei-me no seu abraço enquanto ele me lavava cada vez mais para perto do orgasmo.
Quando eu gozei, foi como o melhor sexo que já tinha tido.
Caí de joelhos na frente do Júlio e ansiosamente pressionei os meus lábios contra o contorno do seu pau que já crescia dentro das suas calças.
O Júlio abriu as calças e o seu pénis duro saltou e rapidamente encontrou o caminho para os meus lábios.
Quando a minha boca se encheu, comecei a lamber o seu membro, chupei as bolas e provoquei a sua cabeça passando a minha língua pela ponta da sua cabeça.
Ele passou as mãos pelo meu cabelo enquanto eu fazia isso, mas quando ele ficou realmente duro, senti as suas mãos fortes e controladoras na parte de trás do meu pescoço.
Então a sua haste perfurou os meus lábios enquanto ele me segurava com força.
Ele começou a empurrar para dentro e fora da minha garganta.
Eu tinha pedido ao Júlio para ser levemente dominador e ele fazia o que eu lhe tinha pedido.
Ocasionalmente ele dizia coisas como:
- Chupa-me bicha.
- O teu único propósito na vida é chupar o meu pau.
Dentro de alguns minutos senti o seu pau ficar ainda mais duro e, de seguida, ele estremeceu esguichando a sua esperma na minha garganta.
Começa-mos a encontrar-nos muitas vezes depois disso, tanto na casa dele quanto na minha.
Certo dia ele começou a pedir-me para eu me vestir de mulher e para começar a ter um comportamento e atitude mais feminina.
Aprendi com ele o prazer imenso de ser penetrada e de ser uma mulher.
É claro que eu aproveitei e libertei tudo o que tinha em mim e comecei a sentir-me como se fosse a sua mulher.
Cada vez que estive com Júlio foi memorável.
Provavelmente iríamos morar um com o outro, mas o Júlio foi tragicamente morto por um motorista bêbado.
Esta história tem elementos de verdade e outros de ficção.
O parque em que me encontrei com ele é um lugar real, mas não fica no litoral alentejano.