66 - Princesa
Cap. I
Eu não podia acreditar nisto!
Foi muito além de meus sonhos mais selvagens.
Aqui estava eu, Luís, mestre dos computadores… nerd... webmaster ou o que me quiserem chamar, num quarto cor-de-rosa da doce Janine, uma garota para além de linda. Ela tinha um corpo perfeito, alta, cabelos curtos pretos e olhos castanhos, ela era muito popular e na minha opinião, a menina mais bonita da escola.
Deixem-me falar sobre tudo isto.
A Janine era uma rapariga do tipo das mais populares da escola. Aquele tipo de raparigas gostam de coisas que nada têm a ver com nerds como eu. Seguramente que para elas nós existimos só para as ajudar nos trabalhos de vez em quando. Ela invariavelmente gostam de sair com rapazes que gostam de desporto, por exemplo os craques do futebol ou as estrelas do surf. Tudo isso era o que se passava com a Janine quando eu comecei a estudar na mesma escola que ela. De acordo com o que eu sabia ela namorava com o Alexandre, capitão da equipe de futebol da escola naquele ano. Parecia que eles tinham saído de um filme de fadas da Disney, a rapariga bonita da escola e o jogador mais bonito e forte...
Mas um dia ele a abandonou, em público, no snack bar onde a maioria dos alunos parava.
Num instante toda a escola ficou sabendo.
Por isso que, quando a voltei a ver na escola depois alguns dias, meio triste no arvoredo atrás dos edifício, percebi que algo estava errado. Cheio de coragem fui falar com ela. No princípio ela ficou meio incomodada, mas depressa me aceitou e poucas horas depois parecia que sempre tínhamos sido amigos.
Ela realmente precisava de alguém para falar.
Eu a acompanhei até à sua casa ao fim da tarde.
Algumas raparigas parecem grandes de longe, mas quando você realmente as conhecem de perto, elas demostram ser uma decepção. Janine era igual a muitas.
Durante as quatro semanas seguintes, nós passamos muito tempo junto.
Eu me esforcei por a ajudar a fazer as suas tarefas escolares em casa dela, a minha expectativa era muito grande. Eu achava que podia acontecer algo mais entre nós.
As minhas esperanças foram confirmadas quando ela me convidou para ser o par dela na festa do Dia das Bruxas na casa da Cíntia. Eu gaguejei um "sim" de resposta aceitando ser o seu par. Seu par! Par da linda e doce Janine!
Era muito bom ser verdade. Era tal e qual um filme, a menina mais popular da escola cai de amores por um nerd. Igual a um filme de fadas na vida real.
Mas, quando ela me beijou aquela noite, eu senti que era verdade. Não foi um longo beijo, mas prometia mais. Eu me sentia como um sapo prestes a ser transformado em príncipe.
Janine disse que precisava ir ajudar a sua amiga Cíntia nos preparativos e que eu tinha de ir embora naquele momento, mas que eu tinha de ir ter com ela a sua casa à tarde para experimentar o meu disfarce.
- Que disfarce? Perguntei.
- Amanhã vais ver. E sorriu.
Eu queria perguntar mais, mas ela beijou-me novamente. O dia seguinte era sábado.
Eu estava muito ansioso e assustado com a chegada do dia da festa. Até mesmo a minha mãe que normalmente nada quer saber dos meus problemas, notou algo diferente. Eu tentei explicar-lhe o que significava, para mim, ser par de Janine, mas ela abanou a cabeça e disse:
- Isso deve ser agradável, querido.
Ela não alcançou tudo. Às vezes eu gostaria que o mau pai ainda estivesse por perto. E finalmente chegou a tarde de sábado.
Estava no quarto da Janine. Como disse, era muito para lá dos meus sonhos mais ousados. Quando eu cheguei a casa de Janine eram ainda três da tarde e ela apareceu à porta vestida como um homem!
Ou como um rapaz, talvez.
- J-Janine?
- Olá Luís. Ela sorria para mim. Tu gostas deste disfarce?
Ela rodou sobre si mesma e eu tive visão completa. Ela podia estar disfarçada de homem, mas o modo como ela sorriu e moveu... bem, se ela fosse um homem, até que seria bem bom.
Todo o disfarce era satisfatório. O seu cabelo preto ainda estava molhado. Ela não estava maquilhada, e tinha colocado uns óculos grossos, bem masculinos escondendo os seus olhos.. E não ficou menos feminina por isso. O resto era uma vestimenta simples: um falso bigode, umas calças compridas masculinas, um casaco e um par de sapatos masculinos. Menos mal.
- Tu estás muito bem. Disse eu e vi um súbito sorriso nos seus lábios. Mas e eu? Não acho bem que as pessoas possam pensar que eu estou num encontro com ouro rapaz.
Ela riu.
- Vem ver. Disse pegando na minha mão e conduziu-me ao seu quarto.
Eu descobri o porquê do sorriso nos seus lábios. Estava tudo sobre a cama dela: um vestido amarelo... a roupa íntima de menina... um par de sapatos de salto amarelos... uma peruca loira...
- Ãaah? Eu virei-me para ela. Queres que eu vá vestido como um... uma menina?
Ela acenou cabeça e sorriu.
- Tu vais ser o meu par. Explicou ela. Estarás perfeito. Nós vamos ganhar o primeiro premio sem dúvida.
Eu sentia-me meio surpreso e confuso. Sair com Janine era um sonho que estava se tornando realidade, mas disfarçado de menina? Era demais para mim! Bolas, eu nunca vivi nada assim antes.
- Eu não sei. Comecei a argumentar. Eu não acho muito bem não...
Antes que eu pudesse completar a frase, ela caminhou até mim, tirou os óculos e deu-me um longo beijo...
- Tu tens a certeza? Sussurrou ela.
- Eu...
Ela beijou-me novamente. Antes que o beijo terminasse, eu estava tremendo e o meu pénis estava a ficar duro nas minhas calças jeans. Eu gemi quando senti ela deslizar a sua mão e acariciar o meu pénis por cima das minhas calças.
- Eu quero mesmo que tu uses esta roupa. Disse ela e eu sorri.
- Além disso, vestida como homem eu me sinto bem agressivo. O sorriso dela ganhou uma intensidade nova.
- Um rapaz como eu precisa de um par feminino... quem sabe o que o que vai acontecer?
O sorriso dela prometia tudo. Como poderia eu recusar? E concordei abanando a cabeça.
- Oh... que bom. Eu mal posso esperar ver como tu vais ficar.
Ela pegou na minha mão e conduziu-me ao banheiro.
- O disfarce tem que ser perfeito.
Talvez eu devesse ter protestado naquele momento, mas não consegui. Eu queria reclamar quando ela me obrigou a despir e cobriu com uma espuma branca os meus braços e pernas. Eu queria lhe dizer não.
Mas ao sentir as suas mãos acariciando o meu corpo e ocasionalmente tocar no meu pénis duro, mantive o silêncio. Eu estava a gostar das massagens e quando entrei para o chuveiro e lavei o material branco que ela me tinha espalhado pelo corpo notei que estava totalmente depilado enquanto me lavava. Ela esperava com uma toalha aberta e os seus olhos deslizavam por todo o meu corpo, de cima abaixo, e lambia os lábios.
Como podia eu ter recusado a depilação?
Eu questionei-a quando ela me colou umas unhas postiças sobre as minhas próprias. Mas ela riu.
- Não sejas tolo. Elas vão sair ao fim da noite com um pouco de líquido removedor. Eu aceitei e calei-me.
Deixei-me levar pela sua alegria, vendo ela terminar o meu disfarce.
Vesti umas calcinhas brancas em tecido de algodão grosso, sólidas, tão apertadas que prenderam o meu sexo contra o abdómen. Meias finas que até ao meio das coxas e fixadas a um cinto de ligas. Uma cinta abdominal clara apertou e manteve o meu estômago e levantou o meu peito. Um sutiã rosa pequeno com um enchimento de meias. Um vestido amarelo, de festa, bonito, com uma barra cobrindo os joelhos. Um par de sapatos de saltos com uns 7 cm amarelos.
Enquanto me calçava os sapatos ela disse:
- Tens que praticar um pouco.
Ainda me colocou um par de brincos de pressão e, finalmente, a maquiagem que foi demorada.
Eu queria me ver ao espelho. Estava a ficar curioso, apesar de estar um pouco desgostoso com o que me estava a acontecer, eu queria ver como ficava, mas ela não me deixaou espreitar.
- Espera um pouco. Conteve-me, concentrada na aplicação da maquilhagem... bem, eu não sei bem o que era... eram muitas matérias prima.
- Isto vai ser uma surpresa. Dizia ela.
Finalmente, parecia que ela tinha terminado. E assobiou-me piscando o olho quando me olhou.
- Emocionante. Levanta-te e vê no espelho.
Eu levantei-me da cadeira e tentei olhar-me no espelho.
- Falta mais uma coisa! Ela segurou-me de novo e colocou a mão dela no meu ombro. Não terminei ainda.
Eu obedeci e sentei-me de novo. Ela veio por trás e colocou a peruca loira sobre a minha cabeça.
- Está perfeito! Sorriu e disse. Agora sim podes olhar.
Eu virei-me e olhei. Era eu? Eu não acreditava no que via.
Eu não era um rapaz grande. Sou pequeno e magro, a minha mãe de vez em quando me chamava de baixinho. Eu tinha o tamanho certo para uma rapariga. E, pasmem, ela me fez parecer uma. A peruca deu o toque... O cabelo loiro caia sobre os meus ombros cobrindo as orelhas. O cabelo emoldurava o que, eu tenho que admitir, era um rosto maravilhoso. Eu não sei bem o que ela fez com a maquiagem, mas foi muito bem trabalhada. O meu rosto masculino quase tinha desaparecido atrás das bochechas rosadas... eh, sobrancelhas magras... delicadas sobre meus olhos... e lábios rosas quentes...
E não era só o cabelo e o rosto. O vestido amarelo ajustava-se perfeitamente ao meu corpo. A cinta abdominal comprimia o meu tórax e com o sutiã parecia que eu tinha seios duros e firmes e o meu estômago bem delineado formava uma cintura suave.
Janine ficou a meu lado e olhou-me no espelho. Ela tinha recolocado os óculos e um boné.
- O que achas uhm... Luísa"? Perguntou e sorriu vendo os nossos reflexos.
- Luísa?
Eu nem sorria. Ela tinha feito um trabalho incrível! Eu transformei-me muito mais numa menina do que ela num rapaz.
- Estou pasmado! E olhei para ela. Eu não acredito.
- Uh oh. O sorriso saiu do seu rosto. Isto não está certo. Nós nunca vamos ganhar o premio contigo a falar e caminhar assim.
- Assim como?
- Como um menino. Disse ela. Arregalou os olhos e disse.
- Nós não temos muito tempo. Eu tenho que ir cedo para a casa da Cíntia. Eu vou te dar algumas instruções e tu praticas um pouco antes de ir.
Eu comecei a dizer algo, não estava contente com a forma que as coisas estavam a acontecer. Mas ela me silenciou com um beijo e as minhas lições começaram. Durante uma hora, ela ensinou-me a agir como uma menina: como caminhar com sapatos de salto; como me sentar, falar - eu tive dificuldades com essa parte, mas aprendi a respirar, mover e falar de forma mais pausada, suave e num tom mais agudo.
Bem, parecia fácil aprender, e antes de eu começar a praticar afincadamente ela pegou no seu casaco e saiu apressada para casa de Cíntia para ajudar nos preparativos da festa. Eu ainda a tentei beijar antes de ela sair, mas ela não deixou, argumentando.
- Não quero que estragues a maquiagem. Eu franzi as sobrancelhas.
Deslizou a mão dela por baixo do meu vestido e acariciou o meu pénis por cima das calcinhas e disse:
- Haverá muito mais do que isto mais tarde. Isso era o bastante para mim.
Nas seguintes duas horas eu pratiquei os ensinamentos da Janine. Eu estava determinado a ganhar o prémio que ela tanto falava. Eu pratiquei o andar, o gesticular, enfim tudo o que era necessário para completar o meu dressing. Como eu estava sozinho no quarto dela aproveitei para dar uma olhada em tudo.
Fiquei um pouco desapontado quando vi uns quadros do seu ex namorado, mas fiquei contente ao verificar que ela os danificara todos. Ele definitivamente estava fora da vida dela, e isto me reanimou.
Enquanto eu treinava o telefone tocou várias vezes, mas eu achei que era melhor não atender, estava numa casa que não era minha.
Até chegar a hora de ir para a festa, eu continuei a tentar aprender a ser a Luísa. Eu treinei mais o andar para me acostumar aos sapatos de salto. Não que eu gostasse disto, eu apenas tinha concordado em me vestir de menina e queria ficar perfeito para agradar à Janine.
E, claro que, a promessa das coisas que iriam acontecer, mais tarde, entre nós, é que me dava este incentivo. A minha mente continuava a recordar o sabor dos lábios dela... a mão dela acariciando o meu pénis... Rapidamente chegou a hora de sair.
Eu peguei na bolsa que a Janine tinha deixado para para mim, coloquei o casaquinho branco em cima dos meus ombros e chamei um táxi pelo telefone. Eu estava um pouco nervoso com a fantasia, mas tentei ser natural como uma menina. Ninguém se importou ou apercebeu do que se passava. O motorista de táxi me tratou como uma senhora. Foi muito divertido e misterioso.
A casa da Cíntia situava-se na parte nobre da cidade. Eu sabia que ela estudava na mesma escola e era amiga da Janine, mas eu não a conhecia.
O meu estômago apertado incomodava um pouco enquanto eu caminhava pelo passeio de acesso à mansão. Eu ouvia a música que vinha lá de dentro e notei que a frente da casa estava decorada. Pelo menos eu não tinha vindo para a casa errada. Se isto tivesse acontecido seria um desastre. Toquei à campainha.