172 - Vida de mudanças
Eu, desde muito pequeno que adoro me vestir de mulher. Nunca procurei tentar perceber porquê, mas o fato é que eu adoro, e vivo até hoje com essa incrível fantasia que fez eu transformar-me na mais fêmea das mulheres.
Tudo deve ter começado por volta dos meus cinco anos de idade, eu lembro-me de ter vestido umas calcinhas, que eram da minha irmã.
Quando eu tinha uns sete anos de idade lembro-me de ficar na casa da minha avó materna, que se chamava Luísa. Ela era costureira e geralmente era ela quem fazia as minhas roupas, da minha irmã e das minhas primas e primos. Eu ficava a observar tudo, curioso, e fazia muitas perguntas. A minha avó era viúva queria sempre a companhia dos netos e eu gostava de passar as noites em sua casa, revezando-me com os meus primos.
Um dia a minha avó precisava de terminar um vestido da filha de uma cliente, estava irritada porque a minha prima que tinha ficado de fazer a prova do vestido para os ajustes finais e até aquele momento não tinha aparecido e ela precisava de terminar a roupa, para a entregar. A dona do vestido tinha mais ou menos a minha estatura e eu perguntei para minha avó se eu não poderia fazer a prova. Ela olhou-me espantada, e medindo-me de cima a baixo respondeu:
- Mas tu és um menino, que ideia é essa de quereres usar um vestido?. Respondi:
- Eu só estou a querer ajudar, avó! Tu é que tens pressa para entregar a roupa. Ela surpresa com a oferta, respondeu:
- Porque não? Acho que te deve servir, sim!
Ela deu-me o vestido e fui para o quarto onde me troquei e senti-me muito confortável naquela roupa. Foi uma sensação de bem estar, de liberdade, tão grande que eu nunca tinha experimentado antes.
De volta à sala de costura perguntei à minha avó como é que estava. Ela respondeu que tinha ficado muito bem em mim. Aproximei-me dela e ela começou a fazer os remates finais, disse que estava muito lindo e que a dona dele ia gostar. Depois dos ajustes, voltei para o quarto e troquei de roupa.
Pouco tempo depois chegaram a minha irmã, a minha tia e as minhas primas. A minha prima mais velha, pegou no vestido para provar e minha avó disse:
- Já não é preciso, já está pronto! Elas acharam esquisito pois tinham ido lá justamente para fazer a prova e a minha avó explicou:
- O Daniel colocou o vestido e ficou feita a prova. Elas olharam para mim de um modo meio esquisito mas ninguém comentou nada. Percebi as minhas duas primas se entreolharem e fizeram alguns sorrisos marotos na minha direção. Eu fiz de conta que nem era comigo.
Pouco tempo depois estávamos a conversar e elas, juntamente com a minha irmã, começaram a fazer perguntas sobre o fato de eu ter experimentado o vestido. Eu disse:
- Foi só para ajudar a avó! Ela disse que tinha pressa e que vocês não apareciam e eu disse que a ajudava.
Na realidade se fosse preciso fazia de novo, pois tinha adorado ser manequim.
Fui para casa feliz, pois tinha realizado um sonho, que era vestir-me de menina.
Os dias seguintes passaram-se sem novidades, a cada dia, ficava mais interessado no corte e costura.
Numa noite em que fui dormir a casa, e estava a conversar com a minha irmã antes de dormir, ela começou a fazer perguntas sobre o fato de eu ter experimentado o vestido na casa da minha avó.
Nós dormia-mos no mesmo quarto, devido à nossa casa ser pequena. Eu e minha irmã sempre fomos muito ligados e sempre nos demos super bem. Tínhamos vários traços comuns, tais como a cor dos olhos e cabelos e alguns traços no rosto.
Quando eu era bem pequeno não me conformava com o fato de ser igualzinho à minha irmã e de ver que só ela é que ganhava aqueles vestidos e calcinhas bonitos, só ela é que usava brincos e tinha às unhas pintadas enquanto que eu tinha que usar roupas feias, não tinha brincos nem unhas pintadas.
Acho que no fundo eu tinha era inveja de ela ter um tratamento diferenciado por ser menina. Os nossos pais nunca fizeram distinção entre nós, éramos tratados de forma igual.
Eu achava que era igual a ela, e também queria poder usar roupas iguais e só com o passar do tempo é que comecei a entender que não era possível. Achava que a natureza tinha sido má para mim fazendo-me menino.
Durante a nossa conversa no quarto ela perguntou se eu já tinha feito aquilo antes, se tinha vontade de fazer de novo. Meio surpreso com as perguntas, ei contei-lhe que gostava muito de ver a nossa avó costurar e adorava ver as roupas bonitas que ela fazia, e que se eu pudesse faria de novo. Tinha gostado muito e só tinha medo da reação da nossa mãe. Já estava quase a dormir quando a minha irmã com alguma coisa na mão se aproximou da minha cama.
Ela colocou em cima da minha cama uma das suas camisas de dormir e perguntou se eu queria dormir com ela. Surpreso respondi que gostaria, mas que tinha medo de ser castigado pela nossa mãe. Ela trancou a porta e pediu para eu a colocar, pois gostaria muito de me ver a usar a camisa. Peguei nela, tirei o meu pijama e vesti-a. Era uma peça bonita de malha com apliques de rendas brancas e um ursinho bordado na frente, meio transparente, o que fazia o meu sexo ficar em evidência. Ela apercebendo-se, deu-me umas calcinhas e disse que eu estava muito bonita, só precisava de um pouco de maquiagem para ficar parecida com ela, pois eu já tinha o cabelo meio comprido.
Ela disse que gostava muito de ter uma irmã mais nova e que estava a realizar o seu desejo. Sentindo a possibilidade de ter minha irmã como cúmplice das minhas fantasias, disse-lhe que se ela guardasse segredo, eu podia se a sua irmã sempre que ela quisesse. Comovida e feliz ela abraçou-me beijou o meu rosto e foi dormir.
Creio que dormi o sono mais tranquilo da minha vida. Algo de muito bom estava a acontecer comigo. O fato de dormir de camisa foi o máximo.Tinha calafrios só de pensar no que poderia vir a acontecer.
A partir daquele dia comecei a usar camisas, baby-doll e calcinhas para dormir, mesmo quando dormia na casa de minha avó, que um dia entrou no quarto em que eu dormia e me viu a dormir com uma camisa e de calcinhas. Ela não disse nada no momento, nem no dia seguinte. Só depois de alguns dias é que ela comentou o que tinha visto comigo, mas não me repreendeu, disse-me apenas para eu ter cuidado.
Comecei a usar calcinhas no meu dia a dia, inclusivamente para ir à escola. Eu e minha irmã estudava-mos na mesma escola e íamos juntos. Ela aprovou a ideia e estava muito contente, no intervalo ficávamos, com algumas meninas e uma das minhas primas, eu sentia-me como uma delas ali no meio.
Uma tarde chuvosa, eu a minha irmã e mais duas amigas nossas estávamos no quarto a brincar, quando chegou a minha prima. Enquanto fui beber água elas ficaram a combinar algo. Quando regressei ao quarto elas trancaram a porta e perguntaram se eu queria me transformar numa menina. Adorei a ideia mas tinha medo, e só aceitei porque não consegui arranjar desculpa, eu não conseguia negar nada para a minha irmã.
Mas fiz as minhas exigências: queria que fosse muito rápido e que elas guardassem segredo.
Feito o acordo, começaram a sessão de transformação. Nessa altura da minha vida eu tinha mais ou menos 9 anos.
A minha prima disse que eu ia ser a menina mais bonita do bairro dentro de alguns instantes.
Ela vestiram-me um sutiã, com enchimento de meias, uma saia interior bem rodada, um vestido de festa de cetim amarelo, com um cinto que fechava em laço nas costas, collants brancos e sapatos da cor do vestido.
Eu sabia que era uma roupa feita pela minha avó para minha irmã levar a uma festa de casamento.
Depois das roupas, começou a sessão de maquilhagem, colocaram-me base, corrigiram um pouco as minhas sobrancelhas, sombra nas pálpebras, rímel, batom com sabor a cereja, um jeito no cabelo e me colocaram-me uma tiara amarela.
Apenas me recusei a que me pintassem as unhas.
Tudo terminado, colocaram-me na frente do espelho e perguntaram-me como eu estava.
Eu não conseguia acreditar no que via! Se a minha irmã não estivesse ali do lado, eu jurava que era ela que estava na frente do espelho. Fiquei tão feliz que perdi a fala!. Finalmente eu tinha realizado o meu sonho.
Já não tinha pressa para que aquilo terminasse, eu estava transformada numa menina de verdade, o fato de sentir aquele vestido roçando as minhas pernas, deixava-me louco.
Disseram que me iam levar a dar uma volta pela casa para que a minha mãe e tia me vissem como Daniela. Lutei, implorei, mas a insistência foi enorme e acabei por ceder aos caprichos daquelas dominadoras de menino indefeso.
A minha irmã foi à frente e disse à minha mãe e tia que estavam na cozinha a tomar um café que estava lá em casa uma nova menina, e perguntou se elas a queriam conhecer. Ambas disseram que sim e de seguida, eu acompanhado pelas restantes meninas entrei na cozinha.
A minha mãe ficou em choque quando me viu e a minha tia não conseguiu dizer nada. Ficaram boquiabertas! De repente começaram na gargalhada, e eu já estava arrependido de ter aceito aquilo, com medo das consequências.
A minha mãe disse para eu me aproximar delas para me verem melhor. Ao chegar perto, ela perguntou como se chamava aquela menina linda e todas as meninas em coro responderam:
- Daniela. Ela disse que era um lindo nome e que eu estava muito linda e arrematou:
- Muito bem vinda à nossa casa Daniela!
Logo de seguida eu ia retirar-me para o quarto para trocar de roupa, quando a minha mãe disse para ficarmos para o lanche, e que eu seria a convidada de honra.
A minha tia só me elogiava, disse para minha mãe que ela tinha duas filhas lindas.
Comovido, eu abracei-a e à minha mãe e beijei ambas. Elas notaram que eu estava a tremer e realmente eu estava. Perguntaram porque eu assim, e eu disse que tinha medo do castigo. Elas riram e a minha mãe disse para eu não me preocupar, pois não ia haver castigo nenhum, não podiam castigar uma menina linda. Mais calmo, sentei-me à mesa para o lanche juntamente com as meninas.
Terminado o lanche, subimos para o quarto para eu me trocar, as amigas da minha irmã foram embora e a minha prima e irmã ajudaram-me na troca.
Depois de me tirar a roupa, a minha irmã sugeriu que eu ficasse como Daniela o resto da tarde, para poder-mos brincar com as bonecas no quarto. Aceitei, e ela deu-me um vestido de malha florido com desenhos de margaridas e flores do campo, uma graça, que eu nem sei de quem era, mas que ficou muito bem em mim. Já estava de calcinhas, sutiã e ainda com a maquiagem, de modo que foi só colocar o vestido e passamos o resto da tarde a brincar com as bonecas dela.
A minha tia e prima ficaram para o jantar pois a chuva não passava e o meu pai só devia chegar bem mais tarde. Levaram-me para jantar como Daniela que, segundo a minha tia, estava mais bonita ainda com aquele vestido. Terminado o jantar, eu e as meninas limpamos a cozinha. Pouco depois a minha tia foi embora e eu e a minha irmã fomos para o quarto fazer os trabalhos da escola. Tirei o vestido a maquiagem e coloquei a camisa de dormir e estava a estudar, quando a minha mãe pediu licença e entrou no quarto. Dizendo que precisava de conversar um pouco com as filhas dela. Eu senti uma sensação tão boa quando a minha mãe me chamou de filha. Ea ficou surpresa quando me viu de camisa e de calcinhas, e disse que eu estava muito bonita.
Agradeci os elogios mas disse que estava muito preocupado com o que o meu pai ia dizer quando soubesse de tudo aquilo. Qual seria sua reação?
Passada a fase de surpresas, a minha mãe começou a conversar sobre os acontecimentos do dia. Ela disse que não era comum os meninos como eu andarem vestidos como meninas, e queria saber o que tinha acontecido. Eu disse que tinha sido ideia das meninas, e a minha irmã concordou.
A minha irmã contou à nossa mãe tudo o que sabia a respeito de mim e da Daniela, desde o dia em que eu tinha provado o vestido na casa da avó, até que, já há algum tempo, tenho estado a dormir usando camisas dela.
Disse também que eu ia por vezes para a escola com calcinhas.
A nossa mãe ficou espantada!
- Querem dizer que até a vossa avó participa dessa história e eu fui deixada de fora? Acho que ires para escola como Daniela pode te trazer alguns problemas. Então é por isso que notei que ultimamente tenho lavado e passado mais calcinhas do que cuecas!
Eu concordei que levar para a escola as calcinhas era arriscado, muito embora nunca ninguém tenha notado nada. Ela pediu-me para que eu não ir mais para a escola com roupas da minha irmã a fim de evitar riscos desnecessários.
Ainda me disse que se eu quisesse de vez em quando vestir-me de Daniela dentro de casa até podia, mas que seria bom se eu me contivesse. Concordei com a minha mãe, dizendo que realmente não era correto o que eu estava a fazer, e disse que ia parar.
A Daniela tinha sido apenas uma curiosidade e ia ser esquecida. Terminada a conversa, fui para o duche, tirei a roupa da minha irmã quase a chorar, vesti o meu pijama e senti que ia sofrer muito, mas percebi que era melhor assim. A Daniela podia ficar escondida e quando eu estivesse sozinho em casa podia ser ela.
No dia seguinte após tomarmos o pequeno almoço, fomos para a escola. A nossa mãe deu-nos um beijo e olhou-me de cima a baixo, verificando se eu não tinha restos de maquiagem. Notou que eu estava triste, mas não disse nada. Depois de verificar que estava tudo em ordem, deixou nós sairmos em direção à escola.
Depois de ter escondido a Daniela, passaram-se quase seis meses, eu andava muito calado, todos notavam a minha tristeza, principalmente a minha irmã que era minha confidente e nem com ela eu me queria abrir. Sentia muita a falta da Daniela. Eu disse-lhe que ia cumprir a minha promessa e que para mim a Daniela tinha morrido. Um dia fui até a casa da nossa avó, pois ela reclamou dizendo que eu me tinha afastado dela.
Assim que cheguei, ela disse que tinha roupa nova para eu experimentar. Eu disse que não ia poder experimentar novamente as suas roupas porque tinha prometido à minha mãe deixar a Daniela esquecida. A minha avó entendeu e disse que não ia insistir. A minha prima ou irmã iriam provar as roupas.
Eu disse-lhe que apesar de toda aquela história ainda tinha muita vontade de aprender a costurar e cortar roupas e que se ela me quisesse ensinar eu ia adorar muito.
- Sem problemas, quando tu quiseres! Respondeu ela.
Entretanto chegou a minha irmã com a nossa prima.
A avó deu-lhe o vestido para ela experimentar. Realmente era uma peça maravilhosa em tons vermelhos com um cinto largo e uma saia bem rodada o decote era quadrado e as mangas eram armadas, num estilo "Barbie", lindo.
Eu sabia que nós tínhamos de ir a um casamento, nos próximos dias, de uma parente distante, e que a minha irmã seria a dama de honra dos noivos, achei que aquele vestido era para ela e realmente era.
Tive vontade de quebrar a minha promessa e de vestir aquela roupa quando vi a minha irmã com ele, mas consegui controlar-me e isso me fez ficar mais triste.
A minha mãe notou o meu comportamento arredio e a minha tristeza mas não comentou nada.
Uma noite quando eu me preparava para dormir, entrei para a casa de banho para me trocar e não ví o meu pijama no cabide. Coloquei o roupão e voltei para o quarto, achando que o tinha deixado lá. Quando entrei no quarto, ví em cima da minha cama, uma camisa de dormir em rosa de jérsey, cravada com aplicações de rendas, muito parecida com a que a minha irmã tinha e em cima tinha um bilhete dizendo o seguinte:
- “Queremos você de volta, seja bem vinda Daniela".
Não estava a entender tudo aquilo correctamente, o que se estava a passar, e chamei a minha mãe do quarto.
Elas estavam a conversar na sala mas vieram ter comigo ao quarto. Assim que ela entrou no quarto perguntei o que significava aquilo. Sorridente ela respondeu dizendo que ela e a minha irmã queriam a Daniela de volta porque eu andava muito triste e ela era bem mais alegre. Eu respondi que lhes tinha prometido que não ia mais usar roupas de menina e que estava a tentar cumprir a minha palavra.
A minha mãe disse que comprara aquela camisa especialmente para a Daniela e que gostaria de a ver ser usada, pois estava com muitas saudades da Daniela.
- Mas mãe, disseste que isto não era coisa de meninos! Respondi eu.
- Bem, se não quiseres mesmo voltar a ser a Daniela e quiseres continuar triste devolve-me a camisa! Acho que a minha intuição de mãe me diz que não vais querer fazer isso. Acertei? Respondeu ela.
Como a nossa mãe sabe destas coisas! E eu apenas lhe disse:
- Eu gostava de ser Daniela o tempo todo mas durante o tempo da escola sei que não posso, e em casa podes não gostar, e para evitar problemas deixei a Daniela adormecer. E ela respondeu:
- Se quiseres podes acordá-la, eu não te posso forçar a fazer isso, mas se é isso o que tu queres, ficas à vontade em casa.
- Mas porquê esta atenção toda, agora?
- Unicamente para tu acabares com essa tristeza com que andas, na verdade eu acho que tu te comportas bem melhor como Daniela, vocês as duas alegram muito este ambiente. E apontando para a minha irmã , continuou:
- Como é? Vais ou não vais dar-nos o prazer de vermos a Daniela de novo em ação?
Vencido pelos argumentos e com uma enorme vontade de me submeter aos caprichos delas, fui para a casa de banho, troquei-me e voltei triunfante. A Daniela estava a ressurgir e acho que para ficar. Já no quarto tirei o roupão e perguntei como estava.
- Linda! Disseram elas.
- Só te faltam as calcinhas. Disse a minha mãe e de seguida pegou noutro embrulho que tinha algumas calcinhas deu-mas e disse que dali em diante eu devia ter as minhas próprias roupas interiores se eu quisesse, pois não era correcto eu partilhar as roupas íntimas com a minha irmã. Emocionada peguei no embrulho, abracei-as e comecei a beijá-las em sinal de agradecimento. Acho que foi o dia mais importante da minha vida. Notei que minha irmã estava radiante.
De repente, quando eu mais tinha tentado esquecer a Daniela dentro de mim, tinha ganhado uma oportunidade para voltar a conviver com ela, nada mais poderia desejar.
Depois de me terem oferecido a camisa de dormir, vieram outras peças, mais baby-doll e outras roupas interiores.
A minha mãe fez algumas mudanças e o nosso quarto ficou com uma aparência mais feminina. Arranjou roupas de cama e outros artigos que embelezavam bastante o nosso quarto. E ela cumpriu a promessa da Daniela ter o seu próprio guarda roupa.
A minha irmã tinha muita roupa que repartiu comigo. As minhas roupas normais foram para um canto do armário enquanto que as da Daniela ficaram bem visíveis, sinal que ela tinha vindo mesmo para ficar. Não tinha a menor ideia de como isto ia terminar, mas era tudo o que eu queria.
Quando chegou o dia do casamento da minha parente, logo de manhã cedo a minha mãe começou a organizar tudo para que nada ficasse para trás. A minha tia tinha vindo ajudar a minha irmã, já que ela e uma outra menina eram as damas de honra dos noivos. Disseram-me para eu fosse tomar banho enquanto aprontavam a minha roupa. Depois do banho fui ao quarto para trocar de roupa e a minha mãe trouxe um vestido igualzinho ao que minha irmã tinha provado na casa da minha avó.
Sem entender nada perguntei o que era aquilo, porque a dama de honra era a minha irmã e não eu.
A minha mãe respondeu que a Margarida e a Daniela seriam as damas de honra, tudo tinha sido combinado em segredo para minha surpresa.
- Mãe mas eu não posso ir como Daniela ao casamento, o que as pessoas vão pensar de mim? Respondi eu, mas no fundo era aquilo mesmo que eu mais queria. Ela respondeu que eu não me preocupasse muito com nada disso, porque fora a noiva quem pedira. A minha tia tinha-lhe contado que eu e a minha irmã éramos idênticas quando eu me transformava em Daniela e ela queria que fossem as damas de honra do casamento dela fossem gémeas. E que as pessoas que iam à festa mal nos conheciam e não se iam aperceber de nada.
Quando a minha irmã entrou no quarto, toda arranjada, parecia uma verdadeira princesa.
Começaram a vestir-me, umas calcinhas brancas, collants, um saiote para dar armação ao vestido e de seguida colocaram-me o vestido. A minha tia começou a maquilhar-me, espalhou a base no meu rosto, sombra nos olhos, acertou as sobrancelhas, rímel e um batom rosado, verniz nas unhas da mesma cor, umas bijuterias, uns brincos de mola quase iguais aos da minha irmã e sapatos da cor do vestido, uma tiara branca no cabelo e em menos de uma hora eu já estava igualzinha à Margarida. Todo o mundo, inclusive o meu pai, que nos viu disse que não conseguia nos distinguir.
Não notei no meu pai nenhuma atitude muito diferente, estava até contente comigo. Eu quiz saber a opinião da minha mão a respeito daquele seu comportamento para com a Daniela e ela disse que o tinha convencido de que era apenas um comportamento passageiro e que depressa tudo voltaria ao normal. Ele não se importou, ou se estava incomodado, disfarçou muito bem.
Eu estava tão feliz como Daniela que me esqueci de tudo o que me pudesse aborrecer e depois de tudo pronto fomos para a festa.
Fomos a sensação da festa, quase ofuscávamos os noivos que deviam ser o centro dos acontecimentos.
A nossa semelhança e a forma como estávamos arranjadas, chamou a atenção de todo o mundo e mesmo que eu quisesse contar a verdade ninguém ia acreditar que eu era um rapaz.
Terminada a festa voltamos para casa, já era noite cerrada, apenas tirei a roupa que tinha usado, coloquei a minha camisa de dormir e fui para a cama. A minha mãe entrou no quarto, abraçou-me e disse que estava muito contente comigo, que eu me tinha comportado muito bem como Daniela. Perguntou se eu queria tirar a maquilhagem e eu disse que não, que deixava para o dia seguinte.
Por volta das nove horas da manhã ela veio nos acordar para o pequeno almoço. O meu pai estava a sair e disse que não voltava para o almoço. Reparei que a minha mãe estava triste, e eu senti que algo entre eles não estava bem. Perguntei-lhe se era por causa do meu comportamento, e ela respondeu:
- Não! Já há algum tempo ele anda a comportar-se assim. Ele e eu já não convivemos bem há muito tempo.
Fiquei preocupada e quando estávamos a tomar o pequeno almoço pedi para ela me contar tudo a respeito do seu relacionamento com o pai. Prometeu que depois do pequeno almoço me contaria tudo. Terminado o pequeno almoço fomos para o quarto para trocar de roupa, ela pediu para que eu continuasse como Daniela e escolheu um vestido para eu usar, retocou a minha pintura e disse que eu estava linda.
- Gosto muito mais de ti, assim. Disse ela.
Eu pedi para ela me contar o que se estava a passar entre o meu pai e ela. Começou por dizer que tinha descoberto que o meu pai tinha outra mulher e que ele, depois do trabalho, ia ter com ela, por isso demorava sempre a chegar a casa. O casamento corria mal e já estavam a pensar numa separação.
Fiquei apavorada, não queria nem pensar na separação dos dois, porque deveria ser muito difícil para todos nós, mas a minha mãe tranquilizou-me dizendo que talvez fosse melhor assim. Disse ainda que o nosso pai sempre fora muito mulherengo, mesmo depois do casamento, e que ela já estava cansada de levar aquela vida.
Realmente o nosso pai sempre fora muito ausente da casa. Eu passava dias sem o ver, mas sempre acreditara que era por causa do seu trabalho. A minha mãe ainda que garantia que naquele momento ele devia estar na casa da sua amante e de repente começou a chorar.
Eu abracei-me a ela e tentei consolá-la dizendo:
- Que pena, ontem foi um dia tão bonito e hoje uma tristeza!
- A vida é assim mesmo, um dia estamos alegres e outro dia ficamos tristes.
Entretanto chegou a minha tia, que vinha nos convidar para nos reunir-mos na casa da minha avó.
As duas começaram a conversar e o assunto era o meu pai, eu tinha medo das consequências, pois sabia que se o casamento deles terminasse as coisas iam ser bem mais difíceis para todos nós.
O almoço decorreu em clima de velório, todos tinham pena da minha mãe e achavam que estava na hora de ela se decidir, mas também que ninguém se devia intrometer, ela devia tomar as decisões sozinha e depois, aí sim se pudessem, todos ajudavam.
A minha avó disse que a casa dela era grande e ela morava sozinha, que nós podíamos mudar para lá, enfim todos queriam ajudar mas só depois de a minha mãe decidir.
Os dias seguinte passaram sem novidades, voltei a usar calcinhas para ir à escola. Tinha sempre muito cuidado não ser apanhada e depois das aulas transformava-me em Daniela, almoçava e ia aprender algumas coisas de corte e costura com a minha avó.
O meu pai continuava ausente como antes, ouvíamos eles discutirem, várias vezes e eu e a minha irmã vivíamos aterrorizadas temendo que pudesse acontecer o pior.
Um dia, a nossa mãe a chorar muito, informou-nos que ele tinha saído de casa com as suas coisa e aparentemente ele não ia voltar para casa e nós começamos a chorar também.
Ela abraçou-nos e disse par não ficarmos tristes, e que seria melhor assim, que em pouco tempo tudo se resolveria e voltaria ao normal. O que nos deixou triste era que o nosso pai nem sequer se despediu da gente.
Passou-se mais uns tempos, e próximo do fim do ano, a separação dos nossos pais resolvia-se nos tribunais. Ele tinha um bom ordenado e nossa mãe disse que íamos ficar com uma pensão, não seria o mesmo conforto, mas também não passaríamos necessidades.
Fomos morar com a minha avó para entregar a casa que era alugada e a minha mãe foi procurar trabalho.
Ela tinha sido bancária enquanto não tinha filhas, e depois de alguma procura, finalmente conseguiu um lugar de secretária numa empresa de exportação. Tudo mudou nas nossas vidas, exceto meu o comportamento.
Eu estava a assumir aos poucos, mas em definitivo a Daniela. Graças à dedicação da minha mãe e da Margarida, comecei a comportar-me com uma menina de verdade na maneira de sentar, de andar cruzar as pernas, gesticular, já me pintava sozinha, tinha o meu estojo próprio. O meu cabelo ganhou um corte mais feminino. O Daniel só aparecia durante o horário da escola, no resto do dia a Daniela reinava em absoluto.
Todas as pessoas que viviam mais perto de mim já se tinham acostumado com a presença da Daniela, não sei se era por pena, mas todo mundo nos ajudava e ninguém, pelo menos na minha presença comentava sobre a transformação Daniel/Daniela, era como se eu tivesse nascido mulher. Sentia muita a falta do meu pai, mas acho que não o queria de volta.
Tinha alguns problemas na escola mas nunca reagi às provocações e procurava ter um comportamento exemplar, para não chamar a atenção da direção. Eu sempre tinha tido poucos amigos rapazes, não gostava muito das brincadeiras de criança, como jogar à bola, pular muros, lançar papagaios, etc, preferia brinquedos mais delicados, próprios das meninas, tal como pular a macaca, brincar às escondidas, às casinhas, identificava-me muito mais com elas.
O tempo passou. Com os meus 13 anos, eu sentia-me mais e mais Daniela.
Estava a aprender costura muito bem com a minha avó, que só me elogiava e já me dava algum dinheiro pelo meus trabalho. Ela tinha arranjado mais fregueses e a nossa vida estava a entrar nos eixos novamente.
O tribunal deu o direito ao meu pai de ficar connosco aos fins de semana, mas só a minha irmã é que ia, eu recusava-me, preferia ficar com a nossa mãe. Ela já estava a namorar de novo um rapaz de nome Alexandre, era até bem simpático, trabalhava com ela no escritório, mas não se queriam envolver em demasia.
Quando estava para completar os meus 14 anos estava tão envolvida com as tarefas da costura que já estava a aliviar a carga de trabalho da minha avó, e ela já estava a começar a ter problemas de saúde devido à sua idade.
Na véspera do meu aniversário, pedi à minha mãe o único presente que eu queria, era que ela me deixasse furar as orelhas. Já estava cansada de usar brincos de pressão e gostava de usar brincos sempre. Depois dela pensar um pouco, disse que não via problema algum, que só ia completar o meu aspecto de menina, desde que eu não fosse a escola com eles. No dia do meu aniversário que é em Julho, eu já estava de férias, a minha mãe chamou-me e disse que se eu quisesse ela fazia os furos nas orelhas.
Disse que queria sim e fui ao quarto buscar um par de brincos que a minha irmã me tinha emprestado.
Quando voltei ela fez os furos com uma agulha aquecida, doeu mas valeu a pena. Entreguei-lhe os brincos para ela mos colocar e ela disse que eu não ia usar aqueles da minha irmã. Abriu a sua bolsa e tirou uma caixinha embrulhada num bonito papel de presente, bem feminino, e deu-mos como presente de aniversário. Curiosa, abri e quase desmaiei. Era um belíssimo par de brincos com pingentes em rubi. Que sonho! Que presente lindo!
Emocionada abracei-me a ela agradecida com o presente e retribuí com um beijo. Ela colocou-me os brincos e disse que estavam muito bonitos. Realmente, olhei-me ao espelho e gostei muito. Ela disse que eu tinha de ter as minhas próprias jóias e bijuterias, e em seguida disse para eu começar a arranjar-me para sairmos.
Depois do banho fui para o quarto arranjar-me. A minha mãe deu-me um lindo vestido vermelho com a saia em quase rodada e com um decote quadrado. Disse que o tinha comprado especialmente para que eu o usasse à noite, pois combinava perfeitamente com as jóias que eu ia usar. Me colocou um colar de ouro com um crucifixo com incrustações em rubi, completou o jogo com o par de brincos, disse que era a jóia que ela mais gostava e que era para dar muita sorte à Daniela, disse que eu tinha de fazer bom uso dela. Olhei-me ao espelho e vi que realmente era muito bonito.
O que eu não sabia era que tinha uma festa surpresa para mim. Ganhei um bolo enorme com um par de velas, com rosas a formar o 14 e com os dizeres: "Feliz aniversário Daniela" por cima. Era demais para mim! Ninguém fez comentário algum sobre o fato de eu ser menino, parece que todos, inclusive os pais das amigas da minha irmã que estavam presente acharem perfeitamente normal eu me portar como Daniela.
Com aquela idade eu já estava a começar a ter problemas com a minha sexualidade, pois por baixo daquelas roupas lindas, esta a surgir, com todo o vigor, o Daniel.
Eu comentava com a minha mãe a minha transformação e ela dizia que era normal pois eu era um menino. Eu recusava-me a aceitar, perguntei se não havia um jeito de me transformar em Daniela para sempre, pois no meu íntimo eu já não tinha mais dúvidas, queria ser apenas Daniela, disse que se pudesse tomaria alguns remédios para ser menina para sempre.
Ela respondeu que só seria possível se eu fosse a um médico e ele me receitasse hormonas femininas, ai sim eu teria seios e um corpo de menina, mas eu ainda era muito nova para fazer isso. Talvez o tempo se encarregasse de consertar tudo. Se quando eu fosse maior de idade e decidisse ser mulher, o caminho podia ser esse, mas que no momento não era possível, a única coisa a ser feita era pintar-me para parecer uma menina.
Eu não me conformava. Eu estava a sentir-me prisioneira num corpo de menino, eu queria ter aquela pele sedosa da minha irmã, a fala suave e doce, não ter aquele monte de pelos que me obrigava a depilar-me de vez em quando. Prometi a mim mesma que quando completasse 21 anos a primeira coisa que ia fazer era procurar um médico, tomar remédios para ser mulher para sempre!
E nesse clima, passou-se o tempo. Comecei a ficar meio sozinha, pois as minhas primas e irmã já tinham namorados e eu fiquei sem companhia para sair. Preferia ficar com a minha mãe.
De vez em quando saímos as duas, quando ela não saia com seu namorado, íamos a uma sorveteria ou a uma esplanada, éramos miradas por alguns rapazes, mas tudo ficava só nisso. Um dia o namorado da minha irmã confundindo-nos deu-me um beijo, desfeita a confusão, ele ficou meio sem graça, mas já tinha acontecido. Desculpei-me, mas confesso que gostei de ser beijada por ele. Acho que dali para a frente daria mais atenção aos olhares que me mandavam. Uma vez a minha mãe tocou nesse assunto, e perguntou-me se eu me interessava mais por meninas ou meninos, porque quando saíamos juntas ela notava que alguns rapazes me olhavam.
Eu disse que ainda não me tinha decidido, não sabia como lidar com isso, mas que tinha gostado do beijo dado por engano pelo namorado da Margarida.
Trocava muitas ideias com a minha mãe, estava sempre a querer saber a opinião dela e um dia sem mais nem menos ele confidenciou-me que quando estava grávida, sempre desejara ter uma menina, e que tinha ficado contente quando descobriu que iria ter gémeos, pensou que poderiam ser duas meninas.
Durante o parto, disse que a minha irmã nasceu primeiro e ela estava confiante que eu também seria menina mas adorou quando percebeu que eu era menino. Disse que estava feliz com o casal perfeito que Deus tinha dado a ela.
Começou então a confessar-me que algumas vezes, quando eu tinha uns dois ou três anos, ela me vestia igual à minha irmã e que já nessa época eu ficava igualzinha a ela, mas que jamais pensara em transformar-me em menina, disse ainda que apenas o fazia movida pela curiosidade, porque todo mundo dizia que nós éramos muito parecidas.
Disse que quando eu tinha uns 4 anos, eu tinha rasgado uma roupa novinha que ela tinha comprado para mim e que tinha ido buscar o vestido da Margarida para tentar vestir. Tinha achado muito engraçado mas foi obrigada a dar-me umas palmadas para eu me acalmar. Eu não me lembrava disso mas cada dia ficava mais convicta que desde muito cedo eu queria ser menina. Hoje ela preferiria muito mais que eu fosse menina de verdade, mas que do jeito que estava, era muito bom, pois podia conversar comigo sem receios, ela considerava-me menina também.
Adorava sair com ela pois quando estava-mos juntas íamos ao shopping, ao cinema, e para completar a minha feminilidade ia com ela ao banheiro das mulheres, coisa que eu adoro, não mal intencionada, mas porque sinto que ela me respeita como se eu fosse mulher. Nas lojas eu experimento roupas, calçados, roupas interiores, as vendedoras tratam-me como se eu fosse realmente uma menina. Algumas sabem que eu não sou, mas em respeito à minha mãe, tratam-me como tal.
Já tinha eu os meus 15 anos feitos quando fomos convidadas por uns tios que moravam no interior, numa quinta de criação de gado, para passar parte das férias de verão.
Eu e a minha irmã juntamos as nossas coisas e fomos.
A quinta era de tamanho médio e meu tio era caseiro e a minha tia cozinheira.
Os proprietários moravam na capital e raramente lá estavam. O meu tio cuidava de quase tudo. A casa principal da quinta era muito bonita e grande, tinha vários quartos e os meus tios moravam na parte inferior que era destinada aos caseiros. O apartamento era grande, tinham dois quartos e outras dependências, era muito confortável. Eles tinham duas filhas, uma de 16 anos, Mizé, e outra de 13, Edna.
Nós chegamos no início da semana e no sábado haveria uma festa dos santos populares. Todos os anos os habitantes das redondezas reuniam-se em torno de uma pequena igreja nas para comemorar e festejar, montavam quermesses, barracas de bebidas e tudo o mais que lhes proporcionava algum divertimento, e era mesmo hábito celebrarem-se alguns casamentos saloios.
Naquele, que eu lá estive, tinham sido escolhidos para organizadores de algumas atividades das festas a minha prima, a Mizé e um rapaz que morava nas proximidades chamado Sérgio. Era um rapaz de uns dezoito anos, magro, atlético, bem simpático.
Durante aqueles dias dos preparativos, ele ia com frequência a casa dos meus tios. Quando lá chegamos, ele estava por lá e fomos apresentadas como as primas gémeas da cidade. A minha prima ocultou o fato de eu ser um menino. Notei que ele ficou impressionado com a nossa semelhança, já que estávamos com roupas, cabelos, acessórios e sapatos iguais. Eu não sei porquê mas senti uma pontada quando olhei para os seus olhos, acho que me impressionei com alguma coisa que notei nele. Ele também ficou a encarar-me. Mas creio que foi só uma impressão daquele momento.
As minhas primas tinham programado bastantes atividades para nós e ele disponibilizou-se para ajudar no que fosse preciso. A minha tia indicou-nos o quarto em que íamos ficar. A minha irmã ficava com as meninas e eu ia para uma espécie de quarto de hóspedes na casa principal. Guardamos as nossas coisas e já estava doida para me livrar daquelas roupas da viagem. Vesti um calções bem justos e uma malha de alças e já mais à vontade, fui ter com eles, oferecendo-me para ajudar nos preparativos da festa. Quando apareci na sala onde eles estavam, notei que o rapaz me devorava com os olhos. A minha prima que também observava, começou a dar risadas.
Sem entender nada, o Sérgio perguntou para ela porque estava rindo, e ela perguntou-me se lhe podia contar da minha diferença.
Encolhi os ombros e ela disse-lhe a ele que eu não era uma menina, mas sim menino, mas que gostava muito de parecer menina.
- Não acredito! Disse ele com um olhar de espanto, não querendo acreditar no que ouvia.
Eu, já acostumada com o espanto das pessoas quando sabiam da minha diferença, nem liguei muito e respondi que era a mais pura verdade e comecei a contar-lhe algumas coisas a respeito da minha vida.
Já refeito do susto, o rapaz continuava com um olhar incrédulo, dizendo que não era possível, que eu e a minha irmã éramos idênticas, que não fazia sentido. Meio decepcionado, ele retirou-se dizendo que tinha de voltar ao trabalho e que depois passaria de volta.
Finalmente chegou o sábado, a semana decorreu sem novidades, exceto pela correria com os preparativos da festa.
Arranjei um vestido de noiva que uma moradora do local emprestou à minha prima. Era uma peça muito bonita, bem simples, mas ideal para aquelas ocasiões. A minha tia pediu para que eu fizer um vestido saloio para a minha prima Edna. Aproveitei, e já que a minha tia tinha outros tecidos de sobras e também fiz um vestido saloio para mim. A minha irmã não quis, dizendo que ia com uma roupa qualquer.
A festa decorreu sem grandes sobressaltos.
Eu adorei estar vestida de camponesa saloia, os rapazes do local não me conheciam e convidavam-me para dançar. Nunca tinha dançado com rapazes, mas a minha prima disse que eu podia dançar sem receio, porque eles não sabiam de nada e eu estava muito feminina, ninguém ia reparar em nada. Tomei uns copos de sangria e fui dançar, mas sem entender porquê, eu não tirava os olhos do Sérgio.
Aquilo já estava a incomodar-me, eu nunca tinha sentido nada por rapazes, mas com ele estava a acontecera algo de diferente. Quando eu o via sentia o meu corpo estremecer, alguma coisa mexia comigo, mas eu procurava controlar-me, como que me recusando a aceitar alguma coisa que eu não sabia ao certo o que era.
Terminado o casamento saloio e as danças populares, eu fiquei sentada numa mesa com a minha irmã. A minha prima e ele foram trocar de roupa. E logo de seguida reapareceram, juntamente com o namorado da minha prima, que também me foi apresentado. Também ele não sabia que eu não era menina. Quando se sentaram à mesa, os nossos olhares cruzaram-se novamente e eu já estava bastante receosa das minhas reações, eu não conseguia tirar os olhos dele, parecia hipnotizada.
Começamos a conversar e fui acalmando e relaxando, bebendo alguns copos de sangria, comendo pipocas, e de vez enquanto ia dançar com a minha irmã.
Terminada a festa, voltamos para casa, e ele ia dormir lá na casa da quinta. A minha tia disse que o Sérgio teria que dormir lá em cima, junto comigo, e perguntou se eu me importava, eu encolhi os ombros concordando e ele também. A minha tia disse que não haveria problema já que na realidade éramos dois meninos.
Ao fim da noite fomos para o nosso quarto. Eu fui tomar banho, coloquei um baby-doll, o meu roupão de banho e fiquei sentada na cama enquanto ele se trocava no banheiro também. Quando ele entrou, ficamos conversando por um bom tempo, e ele disse que ficou impressionado com minha beleza, que não acreditava que eu era menino, disse que tinha de ver para acreditar.
- Queres verificar? Perguntei eu e, antes que ele pudesse responder, tirei o roupão e abaixei as minhas calcinhas e mostrei-lhe o meu sexo.
Sem dizer nada, ele estendeu-se na cama e disse que ia dormir.
Eu deitei-me a seu lado e puxei para cima os lençóis cobrindo os nossos corpos.
Tentei dormir e comecei a aninhar-me. Virei-me de costas e encostei-me a ele.
Senti que ele não se afastava de mim e que ajudava o meu corpo a ficar encaixado no seu.
Senti mesmo que ele me abraçava e se pressionava contra mim, e que começou a ficar sexualmente excitado.
Eu fiquei quieta e tentava apreciar aquele calor que sentia vindo dele. Mas o meu lado de curiosa falou mais alto e comecei a pressionar-me contra o seu sexo.
Ele cada vez estava mais excitado, de repente senti-o tirar o pénis para fora e baixar-me as calcinhas por baixo do baby-doll. Deixei-o encostar o pénis e fui pressionando cada vez mais. O pénis dele babava-se muito e quando dei por mim senti-o penetrar-me, primeiro um pouco a medo, talvez a ver qual a minha reação, mas depois quando percebeu que podia avançar começou num vai vem excitado até gozar dentro. Senti um prazer como nunca tinha sentido e acabámos por adormecer com ele dentro de mim.
Na manhã seguinte sem falarmos nada sobre o que tinha acontecido ele abraçou-me e beijou-me durante longos momentos.
Fiquei completamente apaixonada por ele e foi aí que olhei bem fundo nos seus olhos e o pedi em namoro. Fiquei com tanto medo de ele não aceitar, mas os olhos dele brilharam, deu um beijo e aceitou. Foi o dia mais feliz de minha vida.
Depois fomos nos vestir e agimos como se nada se tivesse passado. Descemos e fomos tomar o pequeno almoço com o resto da minha família.