75 - IRMÃ DA ANGELA
Alguns dias atrás, estava eu a ver um programa na TV, quando verifiquei que a situação de que estavam a falar no programa era idêntica a algo que me tinha acontecido há meia dúzia de anos atrás.
O programa tinha vários casais a participar e o apresentador submetia-os a uma espécie de gincana. Os maridos perdedores, tinham que assumir o papel das suas esposas por uma semana, iam ter que usar roupas femininas, pintura, ou seja tinham que viver como mulheres durante uma semana, sair à rua para fazer compras no supermercado, ir ao bancos, ir buscar os filhos à escola e tudo o mais que uma dona de casa faz no seu dia a dia, sempre acompanhados de perto pelas equipes da estação da TV promotora do evento que iam gravar tudo. O prémio era tentador, consistia numa grande quantia em dinheiro e num carro para o marido que melhor realizasse as tarefas e se apresentasse com a aparência mais feminina perante o júri.
Como eu disse, o programa fazia-me lembrar o que me tinha acontecido comigo quando eu tinha dezesseis anos.
A minha irmã Angela e eu estávamos a discutir o facto de a vida de um rapaz ser mais dura que a vida de uma rapariga. O meu único argumento era que as meninas tinham sempre mais facilidades que os meninos, que tinham sempre trabalhos mais fáceis, elas nunca tinham que pagar a conta quando saiam com rapazes.
A minha irmã que era dois anos mais velha que eu, argumentava que os meninos nunca tinham de fazer os trabalhos da casa em que moravam, as mães nunca lhes atribuíam a parte do serviço doméstico, que devia.
Ela trabalhava como uma garçonete e dizia que tinha de aguentar com fregueses bêbados que gostavam de dizer piadinhas parvas e que por vezes tinha de suportar beliscões no seu traseiro por parte de muitos engraçadinhos.
Ainda explicou que os rapazes não menstruavam, podiam chegar a casa mais tarde à noite, podiam ir a jogos, passear quando queriam e tudo o mais.
Apenas me deu a parte de levarem as raparigas ao cinema ou bares e cafés, e pagarem a conta, mas explicou que no fim elas também pagavam um preço razoável, quando deixavam os rapazes tomar certas liberdades.
Eu e ela estávamos envolvidos nessa discussão em que não era possível encontrar um vencedor na guerra interminável entre sexos, quando ela me lançou um desafio: propôs que eu tentasse passar um dia como menina.
Claro que não aceitei, tinha as minhas convicções machistas e acreditava que tinha razão, ela não se deu por vencida e achando que as mulheres eram as vencedoras da discussão, pegou em dois palitos, um grande e um pequeno e disse para apostarmos, se eu escolhesse o palito maior, estava encerrada a discussão e eu ganhava a aposta, se eu escolhesse o palito menor passaria o próximo fim de semana fazendo tudo o que ela fazia no seu dia a dia.
Fiquei indeciso, se eu ganhasse, tudo bem, mas e se perdesse, teria que me vestir de menina por dois dias. Percebendo a minha indecisão ela começou a provocar-me até que eu aceitei a aposta e olha! Perdi!
Tinha que passar um fim de semana como menina fazendo tudo o que minha irmã fazia, inclusive ir trabalhar no restaurante.
Usar as roupas dela até que não devia ser problema, nós éramos do mesmo tamanho, o difícil era aguentar as reações dos meus amigos se alguém me visse ou viesse a ficar a saber, propus uma segunda oportunidade, mas ela permaneceu irredutível, e começou a exigir que eu cumprisse a minha parte na aposta. Vencido e completamente sem argumentos preparei-me para pagar a aposta.
Na sexta feira à tarde ela entrou no meu quarto e disse que já podíamos começar. Ainda tentei um último apelo para que ela desistisse, sem sucesso.
Iniciamos então a minha transformação. Eu tinha que tomar o papel da Angela.
Começamos pela depilação do meu corpo, cortei a barba, ela veio com os cremes depilatórios e eu disse que não estava no acordo eu ter que me depilar, ela disse que tinha de ser uma transformação completa senão não tinha graça e que os pelos iam crescer em poucos meses e tudo voltaria ao normal. Começou a passar aqueles cremes pelas minhas pernas, braços, axilas, no resto do meu corpo até não haver nenhum pelo visível.
Depois de eu tomar banho ela deu-me umas calcinhas de licra branca com rendas dizendo-me para eu a vestir. Deu-me um sutiã, ajudou-me a colocá-lo, encheu os bojos com bolas de algodão, até eu ficar com uns peitinhos bonitos. Em seguida deu-me um robe de seda e começou a cuidar das minhas unhas dos pés e das mãos, pintado-as com um verniz vermelho. Pediu-me para tirar o robe e me deu um vestido de malha tipo tubo preto e ajudou-me a vesti-lo. O contato com as calcinhas, com o sutiã e depois com o vestido confortou-me bastante, aquela peça de licra rendada comprimindo o meu sexo provocou-me uma sensação tão gostosa que eu comecei a ter uma erecção, nunca tina experimentado uma coisa igual. Depois de me vestir com aquelas roupas, ela sentou-me na sua mesinha penteadeira e começou a pintar a minha cara. Eu estava pasmado, não conseguia reagir, estava a deixar-me levar sem conseguir esboçar qualquer reação, pedi-lhe para não mexer nas sobrancelhas mas ela não ouvia, cantarolava uma canção. Continuou a fazer a minha maquilhagem, corrigiu as sobrancelhas, passou rímel, batom vermelho, eu já tinha o cabelo um comprido, de modo que bastou apenas umas escovadas para o deixar com uma aparência mais feminina, colocou-me uma tiara, eu também já tinha as orelhas furadas com brincos, mas ela me deu colocou um par de argolas grandes que colocou no lugar dos meus, deu-me umas sandálias vermelhas e disse:
- Pronto! Olhei-me no espelho e realmente estava com uma aparência bem bonita. A danadinha tinha me conseguido transformar numa menina, estava bem parecido com ela. Ela gastou ainda um bom tempo a ensinar-me a andar, sentar e gesticular como uma mulher e depois de algum treino, eu acho que já estava a conseguir.
Ela queria ainda ensinar-me a flirtar e a fazer alguns olhares provocadores como as raparigas mas eu disse que não ia fazer isso. Ela disse que tudo aquilo era importante porque eu ia trabalhar no restaurante como garçonete e tudo aquilo que ela estava a ensinar-me era útil e necessário.
Fiquei meio receoso no início com todas aquelas novidades, mas depois de alguns momentos estava a começar a gostar, quando andava sentia uma sensação adorável quando a barra do vestido roçava as minhas pernas, nunca tinha experimentado aquilo. Eram quase nove horas da noite quando fiquei completamente produzida, e a minha irmã convidou-me para irmos até uma sorveteria nas proximidades da nossa casa. Gelei! sair para a rua vestido daquele modo?
E se alguém me reconhecia? Ela respondeu que “Aposta é Aposta” e medisse para eu não me preocupar porque ela resolvia tudo. Resolvi confiar nela e depois de ela se arranjar saímos para a rua em direção à sorveteria. Devido ao medo de ser reconhecido, eu estava meio inseguro e consequentemente não conseguia acompanhar os passos dela, mas depois fui relaxando e chegamos à sorveteria sem problemas.
Depois de tomarmos um sorvete, voltamos para casa, felizmente ninguém me reconheceu ou sequer olhou para mim, e se reconheceu ignorou, mas a verdade é que eu estava a gostar da experiência, e o melhor ainda estava por vir.
Naquele fim de semana estávamos sozinhos em casa, os nossos pais estavam de fim de semana e só deveriam voltar no domingo.
Eu sempre achei que minha irmã tinha bom gosto para comprar e usar roupas, mas a coleção de lingerie de dormir dela era muito linda, ela tinha umas camisolas e uns baby-dolls muito lindos mesmo, por várias vezes tinha tido a oportunidade de ver essas peças a secar e admirava-as bastante. Mas nuca tinha fantasiado com elas, apenas imaginava uma rapariga dentro delas.
Quando chegou a hora de dormir ela apareceu com uma daquelas maravilhosas camisolas, fez-me tirar o vestido e colocá-la.
Era a primeira vez que ia dormir usando roupas de mulher e confesso que o contato com aquela roupa me excitou tanto que eu tive que me ir masturbar, tamanha era a excitação.
Na manhã seguinte começou o verdadeiro pagamento da aposta. Fui para a cozinha para tomar o meu pequeno almoço ainda de camisola, e a minha irmã já estava à minha espera. Tomamos café e depois ela deu-me uns calções curtos de licra bem pequenos, quase expondo as minhas nádegas, uma mini blusa e todos os apetrechos para limpar a casa.
Trabalhei duro, sob a sua supervisão que não deixou nenhum detalhe passar em branco.
No começo da tarde já estava tudo pronto e com o selo da sua aprovação. Disse que eu me tinha saído muito bem.
Enquanto descansávamos, ela perguntou que tal a experiência e eu respondi que nesse aspecto ela estava com razão, o trabalho da mulher em casa é mesmo muito duro. Ela disse que como desempenhei muito bem a primeira parte da aposta, se quisesse poderia desistir do restante.
Pensei bem e já estava quase a aceitar, mas a expectativa do desconhecido, de enfrentar novos desafios, fez com que eu resolvesse levar a aposta até o fim e disse à minha irmã que não ia desistir, já que tinha perdido ia pagar tudo. Notei um brilho no seu olhar, ela me abraçou e disse eu era o melhor irmão do mundo!
Estava quase na hora dela começar a trabalhar e comecei a produzir-me, ela deu-me uma mini saia de sarja branca, uma blusa rosa com bordados, o mesmo sutiã da noite anterior com enchimentos de algodão, uns collants brancos, umas calcinhas rendadas brancas e depois da maquilhagem fiquei pronto para enfrentar a segunda parte da aposta.
Chegamos ao restaurante, que por ser sábado já estava bastante cheio. Ela apresentou-me ao dono, o Sr. Joaquim como sendo irmã dela e disse que me trouxera para ajudar. Ele ficou agradecido e disse que podia começar logo e deu-me uma bandeja com cervejas e petiscos mandou-me levar até uma das mesas.
A minha irmã deu-me as últimas instruções de como uma garçonete procedia com os clientes do restaurante e de seguida desejou-me boa sorte.
Durante seis horas seguidas acho que andei mais dentro daquela restaurante do que em toda a minha vida, foi apenas e só uma correria contínua.
Conforme a minha irmã tinha comentado, senti na pele tudo o que ela passava ali, fui acariciado, beliscado, levei piropos, propostas, de vez em quando levantaram a minha saia para acariciar o meu traseiro, chamaram-me e às demais garçonetes de gostosas, de safadas, enfim, de tudo quanto é impropérios, próprios de um lugar como aquele, não sei como a minha irmã aguentava tudo aquilo.
Num determinado instante vi a minha irmã conversando com dois rapazes num canto do bar, mas não dei importância ao fato.
Terminado o nosso expediente eu estava exausto, devido aos afazeres domésticos e à correria no restaurante.
Quando nos preparávamos para ir embora o dono nos agradeceu, entregou um envelope com as gorjetas, e disse que se eu quisesse trabalhar lá seria bem vinda todos os fim de semana. Deus me livre! Pensei.
Chegamos a casa e eu só pensava num bom banho e em ir dormir, quando a minha irmã disse que nós íamos sair para beber um copo e dançar com uns amigos dela.
Eu disse que isso não estava no trato, mas ela insistiu dizendo que os dois amigos dela nos tinham convidado às duas (eram os tais que estavam a conversar com ela no restaurante). Eu argumentei que isso não fazia parte da nossa aposta, como é que eu sendo rapaz, ia dançar com outro rapaz?
Ela disse que era só um pouco de diversão para relaxar e não ia acontecer nada demais. Ela disse que eu estava me comportando muito bem como menina e era só continuar agindo daquela forma que daria tudo certo.
Novamente vencido pelos argumentos dela, e com aquela expectativa do desconhecido fui tomar banho enquanto ela me preparava outra roupa.
Ela deu-me um dos seus vestidos mais bonitos para eu usar, e depois de nos produzirmos, ouvimos uma buzina de carro no portão. Eram os rapazes que tinham vieram nos buscar.
Ela ficou com o rapaz que estava a conduzir que se chamava Luís, e eu fiquei com seu amigo, chamado Cláudio.
Levaram-nos para um restaurante, tomamos umas bebidas, jantamos e já estávamos de saída quando ela me pediu para a acompanhar ao banheiro. Pela primeira vez eu entrei num banheiro feminino, agindo naturalmente como menina, retocamos a maquiagem, eu confessei para minha irmã que estava com medo do rapaz descobrir que eu era menino e das consequências que isso podia ter. Ela disse que não me preocupasse, só íamos dançar um pouco, disse também que já tinha combinado com eles que o encontro não passaria disto.
Mais tranquilo fomos embora em direção a um salão de dança conhecido na cidade.
Dançamos bastante, e entre uma dança e outra o Cláudio tentou mordiscar o meu pescoço, tentou me beijar, de vez em quando acariciava o meu traseiro e roçava as minhas coxas, senti que ele estava a ter uma erecção. Lembrei a minha irmã que já era hora de irmos embora, ela concordou, saímos dali e paramos um local muito bonito próximo de uma praça, já era muito tarde e acho que os rapazes queriam algo mais, falavam de irmos para um motel, e terminarmos a noite lá.
Eu fiquei apavorado, mas minha irmã era dona absoluta da situação, não aceitou o convite, dizendo que estava cansada e que havia trabalhado muito e sugeriu que o convite ficava para um outro fim de semana próximo. Meio chateados os rapazes nos levaram de volta a casa, nos despedimos e entramos.
Deitei-me no sofá e fizemos um balanço da nossa guerra começada dias antes entre as diferenças de um homem e uma mulher e chegamos a conclusão que cada um tem razão nas suas convicções e se a mulher tem suas dificuldades, tem também as suas recompensas e com o homem também é a mesma coisa.
Terminada a aposta ela me deu um grande abraço, ela disse que eu me tinha saído muito bem como menina e que me preferia como irmã.
Ela ainda disse, para minha alegria, que me ia propor novas apostas dali para frente.
Eu disse que aceitava e estava pronto para as perder todas.
Dando algumas risadas fomos dormir.
Terminou o meu primeiro fim de semana como irmã da Angela, mas nesse dia eu ainda não sabia que ia repetir a experiência e que ia passar a gostar de ser a menina linda em que me transformei.