182 - Um rapaz diferente
Sempre me senti com um rapaz diferente de todos os outros. Eu era pequeno, magro e delicado.
Muito menor na altura quanto e no físico do que os meus colegas da escola. Eu era mais parecido com as raparigas.
Quando eu tinha 14 anos, e quanto todos os outros rapazes já tinham começando a ficar musculosos e com pelos nos corpos eu não via o mesmo a acontecer comigo.
O meu corpo manteve-se franzino, de cintura fina e sem pelos. Até mesmo a minha voz não mudou grandemente, e continuei a ter um tom leve e delicado.
Creio que nem é preciso dizer que sendo aquele menino mais delicado comecei a ser alvo de gozo e bulling por parte dos outros rapazes.
Mariquinhas, menina, princesa e outros nomes piores já faziam parte do meu dia a dia. Tudo isso quando não eram gestos obscenos.
Morria de medo daquilo tudo, porém nada de grave aconteceu, eles ficavam apenas naquele tipo de brincadeira sem nunca acontecer qualquer agressão ou algo grave.
Mas a minha história real só começou quando a minha família mudou de cidade. O meu pai arranjou um emprego novo nutra cidade bem longe, e decidiu que nos iríamos mudar.
A minha mãe e a minha irmã ficaram bem tristes, iam abandonar toda a vida que tinham criado para começar de novo.
A minha irmã tinha 17 anos e era uma adolescente rebelde. Eu e ela mal nos falávamos mas eu sentia que ela tinha algo contra mim.
Talvez por eu ser assim meio feminino enquanto que ela era o oposto do feminino. Ela só usava roupas unissexo ou masculinas e tinha um estilo entre o gótico e o motard.
De vez em quando ela provocava-me perguntando se a minha primeira menstruação já tinha aparecido, se eu já tinha vestido roupas de meninas ou se eu já tinha um namorado e coisas assim. Sempre que ela fazia aqueles comentários eu revirava os olhos e cruzava os braços o que fazia ela dar uma risada.
Nunca respondi ou fiz algo que a pudesse incomodar, por saber que aquilo eram apenas provocações dele, e também com medo de ela poder fazer algo contra mim, na realidade ela era bem mais forte que eu.
Contrariamente à minha mãe e irmã eu fiquei feliz com a notícia da mudança. Senti que ia ter uma nova hipótese numa nova cidade e quem sabe pela primeira vez ia conseguir fazer amigos ou ir para uma escola onde não implicassem comigo.
Pedi muito durante a mudança para que isso acontecesse.
Chegados à nossa nova casa ficamos todos deslumbrados. Era quase três vezes do tamanho da nossa antiga. O meu pai disse que era uma das casas da empresa e que nós íamos morar ali sem pagar renda de aluguer, um dos benefícios que a empresa oferecia.
Pela primeira vez eu is ter um quarto para mim. Na casa antiga tinha que dormir no quarto da minha irmã, e isso sempre tinha sido bem desconfortável para mim.
A minha irmã subiu a correr as escadas a gritar que ia escolher primeiro e eu ficava com o que sobrasse. Assim que ela subiu a escada abriu a primeira porta e a rir disse que aquele era perfeito para mim, continuou pelo corredor fora e entrou noutro quarto.
Fiquei meio sem perceber e subi as escadas a pensar no motivo. Quando abri a porta encontro um quarto com as paredes rosadas e com uma decoração bem feminina. Deve ter sido o quarto de uma filha da família que lá esteve antes.
O meu coração acelerou muito nesse momento. As decorações eram de bom gosto, com borboletas em tons de pastel misturando rosas e azul bebé. Os armários eram de madeira e bem grandes. Fui à casa de banho privada do quarto e fiquei de boca aberta, parecia ter sido tudo feito á medida. Havia um espelho do chão ao teto, abri os armários e vi que ainda tinham alguns produtos femininos, perfumes, cremes e outras coisinhas assim. Pensei que talvez a dona de tudo aquilo tivesse deixado tudo para trás, provavelmente eram pessoas ricas e deviam ter comprado tudo de novo para a casa nova e deixado aquilo para trás. Encontrei um ferro de desfrisar os cabelos, um depilador elétrico e outros utensílios dentro dos armários da casa de banho.
Quando saí da casa de banho comecei a abrir o guarda roupa, imaginando que talvez tivessem deixado algumas roupas. Abri uma das portas e ... nada. Bem, acho que deixar roupas para trás talvez fosse demais. Fui abrindo gavetas uma a uma e o resultado era o mesmo, todas vazias. Abri outra porta do armário, a mais à direita e vi uma blusa por cima das gavetas, fui abrindo as gavetas e todas estavam cheias, pijamas, saias, blusas, calcinhas, meias e outras coisas. Olhei para trás rapidamente para ver se alguém tinha visto e felizmente ninguém viu. Fechei a porta do guarda roupa com o coração acelerado e deitei-me na cama. Não sabia bem o que estava a acontecer comigo naquele momento mas fiquei com um sentimento misto de euforia e ansiedade.
Fui buscar as minhas malas e retirei as minhas roupas, colocando-as no armário vazio e arrumei as malas na parte superior.
Ouvi batidas na porta do quarto e a voz da minha mãe a chamar-me para o jantar. Ela entrou no quarto e ficou a sorrir.
- Vais ficar neste quarto, Dadinho? Haha, pensei que a tua irmã iria ficar neste.
- A sério mãe? Até parece que a Luísa ia ficar neste quarto.
Demos uma risada depois do comentário, e ela disse:
- Depois se quiseres mudamos um pouco, pintamos as paredes e essas coisas. Ainda temos que nos instalar.
- Tudo bem mãe. Disse eu, mas uma parte de mim queria que o quarto ficasse exatamente daquele jeito.
No jantar conversamos sobre as novidades, coisas da nova cidade, sobre a casa, planos para o futuro, a escola onde íamos ficar, etc.
Na parte da escola estava um pouco receoso, imaginava o que me esperava, e pedia para ao menos eu ter uma turma sem os rapazes provocadores.
- E então? Gostaram dos quartos? Perguntou o meu pai animado. Era uma novidade, a primeira vez que íamos ter quartos separados.
- Ai pai! Tu nem imaginas … A Luísa disse num tom de gozo … - O Dadinho encontrou um quarto perfeito para ele, não é Didi?
- Menina, pára de provocar o teu irmão. Repreendeu logo a minha mãe.
- Ah é filho? Gostaste do quarto, é?
- Sim ... é ... bem espaçoso. Tentei responder tentando não dar grande importância ao assunto.
- Ah, que bom que gostaste. Tive que estar umas horas ocupado ao telefone, a resolver uns problemas do trabalho e acabei por não ter a oportunidade para ver os quartos, amanhã vou dar uma olhada lá em cima.
O quarto dos meus pais era no andar de baixo.
A Luísa olhava-me do outro lado da mesa com um sorriso no rosto, sabia que amanhã eu teria que lidar com o fato do meu pai ver que eu tinha ficado no quarto feminino.
- E o teu filha, é bom também?
- É óptimo, pai! Respondeu a Luísa com um sorriso amarelo
Depois de tudo aquilo, terminamos o jantar e eu subi para o quarto, ouvi a minha mãe a gritar lá de baixo para eu não me deitar muito tarde que no dia seguinte de manhã íamos fazer uma visita à escola nova.
Entrei no quarto e deitei-me na cama, era um sentimento diferente ter um quarto só para mim que eu estava a adorar.
Até que a Luísa abriu a porta e no tom de gozo de sempre soltou uma risadinha e disse:
- Boa noite irmãzinha!
Rapidamente fechou a porta, e eu consegui ouvir as risadas pelo corredor enquanto ela se dirigia ao seu quarto.
Resolvi tomar um banho antes de me deitar, entrei na casa de banho e curioso fui ver todos os produtos que estavam no armário. Eram bastantes coisas, perfume, hidratantes, produtos para o cabelo e para a pele, algumas maquilhagens e até verniz para as unhas.
Fiquei a pensar se eu podia usar algumas daquelas coisas, ou se ia ter problemas.
Por fim acabei corajosamente por escolher um hidratante corporal, que devo dizer tinha um cheiro maravilhoso.
Sai do banho todo nu, sempre quisera fazer isso, e abri as porta do guarda roupas onde tinha colocado as minhas roupas, e por algum motivo encostei essas portas e abri as outra, onde estavam as roupas femininas.
Senti o meu coração a disparar naquela hora, olhei para trás para ver se havia alguém no quarto e como não vi ninguém continuei.
Fui abrindo as gavetas e desta vez, agora com calma, olhei para as peças, uma a uma e vi tudo com atenção.
Sempre tinha sabido que eu era um pouco diferente dos outros rapazes, invejava um pouco as meninas por elas poderem usar roupas coloridas e delicadas. Mas não imaginava que eu ia ficar tão tentado por experimentar aquelas roupas, como fiquei.
Abri a gaveta das roupas íntimas, e naquele momento pensei que as meninas eram umas sortudas. As calcinhas tinham várias cores, diversos formatos e detalhes.
Peguei em cada uma sentindo-as na mão e admirando todas. Pensei nas cuecas que eu usava, todas sem graça, sempre pretas, cinzentas ou brancas. Muito diferentes das calcinhas, algumas com estampados tipo borboletas, corações, flores. Além dos detalhes em renda que me deixaram apaixonado.
Por fim optei por umas calcinhas cor de rosa, um tanto pequenas com rendas laterais e um laço na parte frontal. Não as vesti de imediato, estava um pouco nervoso, coloquei as calcinhas na cama e disse para mim mesmo que ia vestir quando tivesse escolhido tudo. Fiquei a olhar para as blusas, saias, vestidos, jardineiras, etc. A minha vontade era tirar tudo aquilo das gavetas e experimentar tudo aquilo. Mas fiquei com medo de alguém entrar no quarto e me apanharem.
Como era tarde, hora de dormir, olhei para os pijamas e acabei por escolher uma camisa de noite. Também em cor de rosa, um pouco mais clara que as calcinhas e com alças. Coloquei contra o corpo vi que era um tanto curta no comprimento, ficando bem acima do joelho. Ia ficar com as minhas pernas todas de fora.
Por fim, encontrei um sutiã que fazia conjunto com as calcinhas, e embora eu não tivesse peitos fiquei tentado a experimentar para ver como era. Sentia uma certa inveja da minha irmã quando a via de manhã a colocar um sutiã para ir para a escola.
Com tudo decidido estava na hora de me vestir para ver como ficava. Primeiro peguei nas calcinhas, sentia o meu coração bem acelerado. Estava na hora da verdade pensava para comigo mesmo. Coloquei uma perna e depois a outra e puxei para cima, sentindo aquele tecido leve e delicado subindo pelo meu corpo sem pelos.
Fiquei em transe naquele momento, e quando as calcinhas encaixaram na minha cintura senti uma sensação super gostosa. As calcinhas ficavam bem enfiadas nas minhas nádegas e apertavam bastante o meu pauzinho por serem bem pequenas na parte da frente.
Olhei-me no espelho e adorei o resultado, eu tinha ficado lindo de calcinhas.
Depois peguei no sutiã. Já conhecia a técnica de o colocar virado para trás para colocar os encaixes e depois virar a parte dos seios para a frente, sempre tinha visto a minha irmã a fazer aquilo e devo dizer que o consegui com maestria, depois passei os meus braços e ajustei as alças .
Era a primeira vez que estava a vestir um sutiã e estava a adorar. Ele tinha uma copa com um pequeno enchimento o que provocava a impressão de eu ter uns pequenos seios de uma menina moça. Por fim coloquei a camisa de dormir e fui olhar-me ao espelho.
Fiquei de boca aberta com o resultado, eu estava bem feminina. Alguém que me visse talvez acabasse por confundir o meu género.
Quando eu ouvi alguém a bater à porta do quarto corri para a cama e cobri-me com os lençóis.
Era a minha mãe.
Para meu desespero ela entrou no quarto e sentou-se na cama bem próxima de mim. O meu coração estava praticamente a sair pela boca com medo de ela poder puxar a coberta e ver o seu filhinho de camisa, sutiã e calcinhas. Acho que não consegui disfarçar a minha cara de desespero pois a minha mãe perguntou:
- Está tudo bem filho?
Respondi rapidamente
- Sim, sim tudo bem mãe!
Ela olhou-me meio desconfiada, mas não mostrou desconfiança.
Disse ainda que com o tempo a gente ia mudar o quarto para ele ficar mais de menino.
Disse-lhe para ela não se preocupar com aquilo e que eu até tinha gostado do quarto tal como ele estava.
Ela deu uma risadinha, acho que no fundo ela sabia como eu era ... Mãe é mãe não é?
Ela levantou-se e saiu do quarto dizendo-me para eu dormir que amanhã ia ser um novo dia. Quase que podia jurar que ela disse: Boa noite filha. Mas talvez eu tivesse imaginado ouvir coisas.
Pensando que o campo estava deserto levantei-me e fui de novo abrir o armário pensando em experimentar mais alguma daquelas roupas, e comecei a escolher algumas delas colocando-as por cima da minha cama.
Quando a porta se abriu rapidamente eu virei-me e dei de caras com a Luísa:
- Eduardo tu sabe se ... Meu deus ... O que é isto Dadinho? HahahahaH …