136 - E de repente "Teresa"
Capítulo 6
Acordei cedo. O sol recém-nascido batia nas cortinas rosadas do meu quarto. Percebi com alivio que estava sozinho na cama e no quarto. Pensei comigo, será que foi tudo um sonho estranho?
Não precisei muito para descobrir que não tinha sido sonho. Foi só levantar as cobertas e ver que eu tinha passado a noite de camisola e calcinhas. Uma camisola branca, toda rendada, solta sobre o corpo. Tipo baby-doll. Curta, deixava ver a calcinhas. A mesma calcinhas do dia anterior. Uma roupa bonita e confortável para dormir.
Fiquei a pensar no que fazer. Será que devia fugir antes dele acordar? Fui até a porta do apartamento ainda de camisola e calcinhas. Estava trancada, claro. Nenhuma chave à vista. Esperança parva a minha. E também, como ia fugir vestido daquele jeito?
Voltei para ir à casa de banho. Sentei-me na sanita para fazer um xixi. Baixei a calcinhas e percebi que tinha um pouco de sangue no fundo dela. Senti-me muito mal, envergonhado, arrependido. Lembrei de tudo que fiz... Ai, ai, ai...
Não tinha mais como voltar atrás. Depois daquele beijo eu tinha dado o meu rabinho de todas as formas e posições imagináveis para aquele homem. Eu tinha chupado o pau dele até ele gozar na minha boca. Eu tinha até engolido a esperma dele por vontade própria! E eu não podia mais esquecer de como tinha gostado. Como era gostosa a sensação de ter aquele pau enorme dentro de mim. Mas a verdade é que agora estava muito arrependido de tudo isso. Eu nunca tinha tido nenhuma experiência homossexual antes, e subitamente tinha vivido uma noite selvagem como menina de um homem mais velho.
Resolvi tomar banho. Sempre gostei de começar o dia com um banho revigorante. Tirei as calcinhas e a camisola e olhei-me no espelho ... O corpo era de homem, mas estava diferente. Estava todo liso e suave da depilação de ontem, sem um pelo no corpo. Olhei o meu rosto e vi as sobrancelhas desenhadas, finas, que davam um toque diferente ao rosto, um toque subtilmente feminino. O cabelo, embora todo despenteado, também estava diferente com o corte que a Marlene tinha feito. Olhei para as minhas unhas pintadas de rosa, pés e mãos. Eu estava cheio de marcas da Teresa. No corpo, e também na alma.
Debaixo do chuveiro lembrei-me de novo da noite anterior. E que noite fora aquela! Por deus, como eu tinha feito tudo aquilo? Perguntava-me eu. Que loucura fora aquela? O que está a acontecer comigo? Como é que eu vou sair desta?
Saí do banho e fui vestir-me. E confuso ou não, arrependido ou feliz, não tinha alternativa. Só tinha roupas de mulher para usar. Então aproveitei que estava sem pressa e que ele ainda estava a dormir para explorar melhor o armário. Se eu tinha que usar roupas de menina, que fossem bem bonitas. Encontrei um conjunto de calcinhas e sutiã que me pareceu irresistível. Abri as roupas sobre a cama e não resisti. Eu simplesmente tinha que vestir aquele conjunto! Tinha que sentir como era usar aquela roupa linda e me ver com ela. A calcinhas eram uma tanga de lycra toda florida e com rendas nas laterais. O sutiã, um modelo com aro e copa, do mesmo tecido. Escondi o meu pauzinho como a dona Marlene me ensinou, e vesti as calcinhas por cima. Coloquei o sutiã e os postiços para encher as copas. Era tudo tão lindo, lindo, lindo! A calcinhas eram baixinhas, pequenas, femininas ao máximo. Eu sentia-me a Teresa mais uma vez. E qualquer arrependimento da noite passada sumiu como por encanto ao vestir aquela calcinhas e aquele sutiã.
O que eu visto por cima? Pensei? Havia um monte de opções no armário. Encontrei um macaquinho que combinava, era todo florido, leve, com rendas no decote do busto e na barra das pernas. Vesti, serviu. Gostei. O macaquinho parecia um vestido muito curto - salientava as pernas depiladas, empinava a bundinha e mostrava a frente lisa. Olhei-me no espelho e gostei. Achei que estava bonitinha. Sexy, quem sabe. Será que ele ia gostar? “Nossa, que coisa maluca, eu estou aqui a pensar se um homem vai gostar de mim! Quem te viu e quem te vê, hein Teresinha?” Até eu já me chamava de Teresa. Não me reconhecia mais!
Passei um baton leve. Rosa pálido. Havia tantos na mesa do quarto! Provei vários perfumes até encontrar um que me pareceu feminino e refrescante. Kenzo Flowers. Mas não me senti capaz de ir adiante na maquiagem. A Dona Marlene tinha que me dar mais aulas, pensei.
Preparei um café para nós os dois. Ele levantou-se pelas sete e meia. Encontrou-me na cozinha. Abraçou-me por trás como das outras vezes e falou:
- Como está a minha lindinha? Estou a ver que já descobriu outras belas roupas no armário! Tu tens bom gosto, Teresa! Estás bonita!
Fiquei lisonjeada. O jeito carinhoso dele me tratar tinha um efeito louco em mim, despertava uma vontade irresistível de ser fêmea. Derreti-me no abraço dele como uma gatinha. Virei-me e dei um beijinho nos lábios dele.
- Bom dia, meu gostoso! Fiz café para nós, tu queres? Dormiste bem?
- Maravilhosamente, como há muito tempo. Arrasaste-me, tiraste tudo de mim! Tu estavas muito gostosa ontem, Teresa!
- Ai... Não acredito que vou dizer isto... Mas eu adorei também! Tu fizeste-me gozar como nunca antes! Eu não sabia que era tão gostoso! Eu dormi como uma pedra, satisfeita como nunca!
- Eu disse que tu ias gostar de ser a minha menina, não disse?
- Só me preocupei um pouquinho agora pela manhã, pois tinha um pouco de sangue na minha calcinhas.
- É mesmo?
Ele olhou preocupado.
- Está a doer? Eu aleijei-te? Na próxima vez vou ser mais cuidadoso, fazer mais devagar. Mas é que tu estavas tão sexy ...
- Não te preocupes, já não dói nada. Estou boa.
- Faz o seguinte, colocas um penso absorvente para não sujar as calcinhas, o que achas?
Pareceu boa ideia. Voltei à casa de banho e coloquei o penso absorvente na calcinhas. Prendi o meu pauzinho para trás de novo. Para minha surpresa a sensação do absorvente na calcinhas era gostosa, de algum modo lembrava um pau sempre roçando no meu rabinho. Gostei.
Tomamos o café juntos. Ao final, ele disse:
- Teresa, combinei com a Tati para ela vir aqui ensinar-te algumas coisas. Ela já deve estar a chegar. Vai passar o dia todo com você.
- Tati? Quem é a Tati?
Voltei a sentir vergonha, era mais uma pessoa que ia me ver daquele jeito.
- Não sei se eu quero! Podes cancelar? Deixa-me sozinha! Eu não quero que ninguém me veja assim!
- Assim como, minha linda? Esta é a tua nova vida, esta és tu daqui para frente, tens que te acostumar! Mas não te preocupes. A Tati é uma trans, ela vai te entender como mais ninguém. Ela tem um canal de dicas de maquiagem no Youtube, e eu contratei-a para te ensinar maquiagem e todas as outras coisas que uma menina como tu precisa saber.
Sentimentos confusos. Vergonha, medo. Mas ao mesmo tempo eu queria aprender a pintar-me. As dicas da dona Marlene não tinham sido suficientes para eu ter confiança e fazer a minha pintura sozinha.
Ele esperou que a Tati chegasse para ir trabalhar e deixou-nos trancadas em casa.
A Tati era um amor. Muito extrovertida, divertida, faladora! Não parava quieta um minuto sequer. Ela veio de calças jeans coladas ao corpo e blusinha florida solta. A alça do sutiã vermelho aparecia num dos ombros. Parecia muito menina. E agia normalmente como menina. Gostei demais dela!
- Teresinha, meu amor, vamos lá? Começamos pela maquiagem, está bem?
Ficamos acho que horas na maquiagem. Fizemos e refizemos a minha maquiagem umas tantas vezes, maquiagem para o dia, maquiagem para a noite. Truques para disfarçar os traços masculinos. Comecei a perceber um pouco mais, mas mesmo depois de todo o treino ainda era muito desajeitada para aplicar os produtos. Faltava-me alguma delicadeza nos movimentos. Para passar o delineador era uma dificuldade, desenhar os lábios com o lápis também. Mas ela garantiu que era questão de prática. Com o tempo, fazendo todos os dia, ia ganhar o jeito.
Depois deu-me uma aula de moda. Que roupa combinava com qual, roupas para o dia e para a noite, como utilizar as roupas para salientar as curvas que queria, como as usar elas para disfarçar o que não se quer mostrar, as vantagens e desvantagens dos diferentes tipos de sutiã. Apresentou-me uma roupa que eu ainda não conhecia, e que era uma benção para “mulheres especiais”, como ela nos chamava, o body modelador. Tinha uns 3 ou 4 na gaveta, e realmente eram maravilhosos. Afinavam a cintura, salientavam o busto e prendiam o pauzinho firme para trás como nenhumas calcinhas conseguiam. E ainda eram lindos, cheios de detalhes e rendas. Adorei!
Outra aula foi usar sapatos e sandálias de salto. Como eu era desajeitada! Até o salto de 3 cm eu conseguia andar bem, mas quando colocava os saltos verdadeiramente altos quase caía a cada passo. Andei muito de um lado para outro para me acostumar. E ela de olho, orientando:
- Teresinha, pisa com a ponta do pé!
- Teresinha, pisa com mais suavidade, assim vais quebrar o salto! Um pé na frente do outro, entendes?
- Mexe mais esse rabinho, garota, estás com o corpo muito duro! Rebola, menina, rebola!
Ela era muito engraçada, fazia tudo ficar divertido.
A certa altura a Tati perguntou:-me
- Teresinha, meu amor, como é que chegas-te a este ponto da vida sem saber estas coisas todas?
Eu resolvi abrir-me com ela. E contei-lhe tudo. Contei que há apenas dois dias era um homem comum como qualquer outro, e nunca tinha sequer vestido uma calcinhas. Contei como tinha vindo parar ali. Contei até que estava presa. Mas também contei como me derretia cada vez que ele me abraçava, como eram deliciosos os beijos, como foi maravilhosa a minha iniciação sexual, e como estava a gostar de me vestir daquele jeito e de me sentir mulher.
- Teresinha, que loucura!! Estou admirada, nem sei o que dizer! Se tu não me contasses eu nunca imaginaria! Tu aí tão linda, a gostar de fazer a maquiagem, experimentar roupas! E há apenas dois dias tu eras um sapinho feio? Uau! Sério??
- Sério. Mas tu achas mesmo que eu estou linda?
- Olha, estás melhor que muitas que já vi. Claro, tens muito para melhorar, mas tens um potencial enorme! Se estás a gostar como parece, vai fundo!
- Ai, Tati, não sei, são tantas as dúvidas... estou muito dividida. É tudo muito novo, eu tenho vergonha de me verem vestida assim, não sei como agir. No início disto eu só queria fugir, mas agora já aconteceu tanta coisa em tão pouco tempo... eu já nem sei. Quando estou com ele é como estar no céu, eu me desfaço naqueles beijos. Mas como vai ser minha vida?
- Meu amor, olha só: tu já tens o que muita mulher de verdade sonha ter, um homem que te deseja e te faz sentir amada! Um homem que te vira do avesso na cama e te faz dormir satisfeita! Estás a pensar que isso é pouco? Muitas dariam tudo para ter isso!
Era um bom argumento. E eu pensei também, eu não tinha nada fora dali. Não tinha casa, não tinha namorada. Meu emprego não era nada que fizesse tanta diferença assim. Bom, eu também não tinha escolha, estava presa.
Depois de conhecer melhor a história Tati resolveu me dar dicas mais “quentes”. Como fazer a higiene para o sexo anal. Como enlouquecer um homem com uma mamada. Como aliviar a dor da penetração com gel e cremes estimuladores. As melhores posições para dar e ter prazer. Nunca tinha visto alguém falar dessas coisas com tanta naturalidade. Ela deixou-me confortável para fazer muitas perguntas, o que foi ótimo.
O dia passou rápido e divertido. Pelas 4 horas ele chegou do trabalho e a Tati foi embora. Nos despedimos com beijinhos uma na outra, e ela deu-me o seu telefone para eu ligar se precisasse tirar dúvidas, outras dicas, ou simplesmente conversar. Gostei. Senti que com ela eu podia me abrir sobre qualquer coisa. Seria muito bom ter uma amiga nesta nova vida.
Estava ansiosa para contar para ele tudo que tinha acontecido no dia. Tudo que Tati me ensinou. Ele me ouvia, rindo, satisfeito. Falou:
- Minha linda Teresinha, nem nos meus sonhos eu imaginava que te ias adaptar tão rápido! Isto é tão bom! Fico imensamente feliz de te ver assim animada!
A noite prometia! Depois de um dia tão gostoso, tão feminino, eu ardia por dentro de desejo pelo meu homem. E já estava louca para colocar algumas das novas dicas da Tati em prática!
FIM