Alcino Lagares Côrtes Costa*
As organizações políticas e as religiões _ que anunciam ter, por princípio, a paz e, por fim, o bem da humanidade _ foram historicamente geradoras de discriminação, preconceito, ódio e violência entre as pessoas, e de guerras entre os povos.
Todas as guerras são movidas por interesses materiais, mascarados por “razões” ideológicas e religiosas que alimentam as mentes de poderosos líderes que insistem em manter a humanidade com medo de si mesma.
Em momentos estressantes, a razão foi substituída por fanatismo político e fundamentalismo religioso em busca de poder (misturando economia, política e religião).
Ora, por ser universal, logo maior do que as religiões, a espiritualidade nos permite intuir uma verdade universal: por ter a capacidade, o ser humano tem a responsabilidade de transformar o mundo ao seu redor em um lugar melhor.
Morihei Ueshiba (1883-1969), filósofo japonês, fundou o Aikidô (com significado de “Caminho da Harmonia”), uma arte marcial “sui generis”, uma vez que não inclui competição, não objetiva derrotar quem quer que seja e, sim, compreender que toda violência parte de uma pessoa desequilibrada. Referindo-se à espiritualidade que pode fazer de todos os seres humanos uma família, ele afirmou: “podemos transformar este lugar num paraíso terrestre”.
Mas, escreveu Platão: “tais homens, tais Estados”!
A transformação deve começar no próprio indivíduo. Melhorar como indivíduo significa permitir que aflorem virtudes como empatia, honestidade, responsabilidade e altruísmo.
Esses atributos não apenas enriquecem nossas próprias vidas: eles criam um impacto positivo onde quer que estejamos. Um pequeno gesto de solidariedade pode ressoar profundamente, tornando o ambiente ao nosso redor mais acolhedor e harmonioso. Além disso, quando nos esforçamos para nos tornarmos pessoas melhores do que somos presentemente, contribuímos para um ciclo de transformação coletiva.
Quando agimos motivados pelo medo de uma punição (seja ela por imposição de “leis de Estado” ou por “mandamentos religiosos”), nos mostramos diferentes da pessoa que somos quando ninguém nos está olhando. O temor de um castigo, no máximo pode fazer de nós pessoas “prudentes”, nunca pessoas “justas”. Somente o nosso empenho na elevação consciencial poderá nos tornar dignos do nome que carregamos: “seres humanos”!
É por meio dessa mudança interior que conseguiremos compreender e respeitar as diferenças existentes entre as pessoas.
Agindo com dignidade, não apenas nos honramos, como também inspiramos outros a fazerem o mesmo, criando um legado de bondade e justiça que transcende normas, modelos econômicos, regimes, formas e sistemas de Governos.
A jornada de transformação começa sempre no interior, onde mora o verdadeiro significado da nossa humanidade. Portanto, é essencial que cada “ser humano” olhe para dentro de si e se pergunte: “Estou sendo digno do nome que levo?” Essa reflexão, acompanhada de ações genuínas, é que realmente pode transformar o mundo.
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*coronel QOR e conselheiro da Academia de Letras dos Militares Mineiros “Capitão-Médico João Guimarães Rosa”. E-mail: cellagares@yahoo.com.br