Pe. José de Anchieta Moura Lima – Lima Duarte/MG
Irmão de todos, responsável nacional da FSJC
“Seguir Jesus é imitar Jesus em tudo, partilhar a sua vida como o faziam a Santíssima Virgem, São José, os apóstolos, isto é, por um lado, conformar como eles a nossa alma à d’Ele, convertendo o mais possível a nossa alma à sua alma infinitamente perfeita; por outro lado, conformar como eles a nossa vida exterior à d’Ele, partilhando como eles fizeram, a sua pobreza, a sua humilhação, os seus trabalhos, os seus cansaços, enfim tudo o que foi a parte visível de sua vida...Na dúvida de fazer ou não alguma coisa, perguntar-se o que teria feito Jesus em nosso lugar e fazê-lo. Não imitar tal ou tal santo, mais só a Jesus.”
PREZADOS IRMÃOS E IRMÃS DE NOSSAS FRATERNIDADES
Com alegria apresentamos nosso segundo número do Boletim das Fraternidades do ano de 2026.
Nesta edição publicamos vários textos serão uteis para reflexão nos nossos dias de deserto e leitura nos encontros nas fraternidades locais, incluímos em primeira mão, um texto inédito sobre o retiro de ordenação do Ir Carlos de Foucauld.
Deus seja louvado pela Casa da Fraternidade Jesus Cáritas, que, nesses últimos cinco anos, que foi coordenada pelo Carlos Roberto e pelos demais irmãos e irmãs que ajudaram nos eventos e nos vários encontros e formação, será fechada neste final de ano.
Neste final de setembro, eu como responsável nacional e Andrés como delegado do Brasil, participaremos da IVª assembleia panamericana em São Paulo, com a eleição do novo responsável panamericano.
Para o retiro no início de janeiro de 2027, tudo já está encaminhado, local, programação e pregador, faça logo sua inscrição pelo link na carta-convite no final deste boletim, temos lá todas as informações. Reserve logo as passagens para Campina Grande ou João Pessoa/PB.
Somos gratos por todos os colaboradores na realização de mais esta edição. Desejo uma ótima leitura, com nosso abraço fraterno, até nos encontrarmos juntos em fraternidade no retiro anual, se Deus assim nos permitir!
ESPIRITUALIDADE DE SÃO CARLOS DE FOUCAULD
INTRODUÇÃO
No dia 9 de junho, a diocese de Viviers celebra o centenário da ordenação sacerdotal de Charles de Foucauld, na capela do Grande Seminário.
Nesta ocasião, convidamos você a acompanhá-lo, passo a passo, na última etapa de sua preparação para o sacerdócio em Notre-Dame des Neiges e naqueles três dias de 8, 9 e 10 de junho de 1901, que ele viveu, de certa forma, entre Notre-Dame des Neiges e Viviers, numa jornada de grande intensidade espiritual.
Para este relato, vamos nos ater a alguns textos ou testemunhos pouco conhecidos, que nos permitem vislumbrar os sentimentos e perspectivas de Charles de Foucauld no dia em que lhe foi dada a oportunidade de se tornar padre.
No dia 29 de maio, 15 dias antes de sua ordenação, seu diretor espiritual, Padre Huvelin, escreveu-lhe: “Pense apenas nisto, meu filho: oferecer-se, entregar-se com um dom completo e absoluto. Deixe que o Espírito Santo escreva em seu coração os pensamentos e sentimentos d’Aquele que quer viver em você, falar e ensinar através de você, dar-se através de você... Reflita sobre a Missão que parece ter recebido”.
Foi sem dúvida com esse espírito que Charles de Foucauld viveu esta última etapa de sua preparação para o sacerdócio: oferecer-se inteiramente, ao acolhimento do Espírito, à Missão.
1º TEXTO
1- O RETIRO PREPARATÓRIO
Desde 29 de setembro de 1900, ele havia retornado à Trapa Notre-Dame des Neiges. Em 9 de maio de 1901, iniciou um retiro de 30 dias para se preparar para sua ordenação, marcada para 9 de junho. Durante esses trinta dias, ele meditou sucessivamente, em uma longa leitura contínua, sobre os Atos dos Apóstolos, as Epístolas, o Livro do Apocalipse, o Cântico dos Cânticos e os Evangelhos. Enquanto meditava, copiava — em latim — em seu diário de retiro as passagens que mais lhe tocavam. Foi assim que nada menos que 121 passagens dos Atos dos Apóstolos, das Epístolas e do Livro do Apocalipse, 48 versículos do Cântico dos Cânticos e 48 versículos dos Evangelhos foram encontrados nesse diário. Um verdadeiro retiro bíblico...
Durante esse retiro, ele faz uma "dedicação" que manifesta seu desejo de entrega total a Deus e à humanidade. Ele expressa isso por meio de duas citações do Evangelho, que utiliza como epígrafes para as duas partes de seu texto:
1) In manus tuas comendo spiritum meum.
Em suas mãos entrego meu espírito.
2) Ignem mittere in terram. Salvare quod perierat.
Lançar fogo sobre a terra. Salvar o que foi perdido.
E ele conclui essas notas de retiro com “comentários sobre a eleição anterior” (o seu primeiro chamado à vocação). Comentários que têm a precisão de um plano de campanha cuidadosamente elaborado e que testemunham a paixão que o move. Um texto que revela a alma profunda do Padre de Foucauld. Ele se pergunta quando terá que colocar em prática seu plano de partir e "fazer a obra de Jesus", um plano que ele quer ter certeza de que realmente corresponde à vontade de Deus para ele.
Quando? Eis a resposta que ele dá a essa pergunta:
“Maria se levantou e saiu às pressas”: Quando alguém está cheio de Jesus, está cheio de Caridade... Então, assim que eu estiver razoavelmente preparado, e quando, com o Espírito Santo soprando, meu diretor me disser: “vá”.
1. Uma vez que, Jesus, a Caridade, o Coração de Jesus, quer que eu parta sem demora, “cum festinatione” (com pressa),
Assim que eu estiver pronto,
Assim que o Espírito Santo me inspirar,
Assim que meu diretor me enviar.
Daí resulta que meu dever é preparar-me “cum festinatione” (às pressas), de modo que uma das três condições que dependem de mim seja cumprida o mais breve possível.
2. Em que consiste a preparação? Em crescer em amor, conhecimento e maturidade.
Para adquirir:
Mais amor: observância fiel da minha regra; fazer tudo com a maior perfeição possível, perfeição nos atos diários; acima de tudo: oração, humildade, amor ao próximo;
Mais ciência: dedicar-se ao estudo em todo o tempo não exigido pelo exercício das funções, pela caridade ou por outros deveres imperativos:
Mais maturidade: a maturidade será dada diretamente por Deus, ou virá naturalmente como resultado da ciência e, principalmente, do amor.
3. É necessário algum preparo externo? Ou seja, alguma providência externa a ser tomada? Há três coisas que precisam ser feitas em breve:
Para me informar sobre os lugares nas regiões fronteiriças de Marrocos onde existem sacerdotes;
Aprender árabe (especialmente a partir dos Santos Evangelhos):
Informar ao Monsenhor dos meus planos, pedindo-lhe que os considere diante de Jesus e que faça, neste assunto, o que ele acreditar ser mais agradável ao Sagrado Coração de Jesus. Não peço nada: apresento-lhe os meus pensamentos, desejando apenas uma coisa: que ele faça, neste assunto e em todas as coisas, o que mais agrada ao Sagrado Coração de Jesus, assim como eu pedirei a Deus especialmente por ele em cada Missa que eu celebrar, da primeira à última. Se ele acredita ser agradável a Jesus que me ajude na execução deste plano, ele sabe melhor do que eu os meios para fazê-lo: permissão para usar o hábito de um Irmãozinho do Sagrado Coração de Jesus; para seguir as suas constituições com os companheiros em sua diocese, servatis servandis (com os ajustes necessários); para pedir a Roma as faculdades necessárias para meu estabelecimento em Marrocos e nas regiões fronteiriças do Norte da África.
Além dessas três coisas, não há nenhuma preparação ou ação externa a ser tomada neste momento: não se trata de algo que possa ser realizado por meios e planos humanos; é o sopro do Espírito Santo que deve ser seguido com simplicidade de coração e com o zelo e a fidelidade do amor: “Naquele tempo, o Espírito Santo vos ensinará o que deveis dizer”.
Não seria melhor ir primeiro à Terra Santa? Não. Uma única alma é mais preciosa do que toda a Terra Santa e todas as criaturas irracionais juntas. Devemos ir não para onde a terra é mais sagrada, mas para onde as almas são mais necessitadas. Na Terra Santa, há uma grande abundância de sacerdotes e religiosos, e poucas almas para ganhar; em Marrocos e nas regiões vizinhas, há uma extrema escassez de sacerdotes e religiosos, e um número muito grande de almas para salvar... Lá, terra; aqui, almas. Lá, abundância de sacerdotes; aqui, escassez.
Não seria toda esta eleição (escolha) uma consequência e uma tentação do amor-próprio e do orgulho? Não. Pois o seu efeito nesta vida não será consolo nem honra, mas muitas provações e humilhações: "Ou vocês serão desprezados, ou eu serei glorificado; de qualquer forma vocês serão..."
Qual é a prova de que essas duas eleições (a do diaconato e a do sacerdócio) expressam a vontade de Deus?
Estas duas palavras de Jesus: “Sigam-me” e “Quando derem um almoço ou um jantar, não convidem seus amigos, seus irmãos, seus parentes ou vizinhos ricos… quando oferecerem um banquete, convidem, em vez disso, os pobres, os aleijados, os coxos e os cegos” (Lc 14,12-13).
Seul avec Dieu: Retraites à Notre-Dame des Neiges
(Nouvelle Cité, pages 81-83).
Charles de Foucauld cita o texto de Lucas 14,12-13 como a segunda palavra de Jesus. Ele revisitará e comentará essa passagem diversas vezes, relacionando a Eucaristia aos pobres.
2º TEXTO
2 - SÁBADO, 8 DE JUNHO, UM DIA ANTES DA ORDENAÇÃO
A partir de Notre-Dame des Neiges
Charles de Foucauld e o padre Augustin Martin, que seriam ordenados sacerdotes no dia seguinte em Viviers, acompanhados pelo abade de Notre-Dame des Neiges, pegaram o trem de La Bastide para chegar a Nîmes e de lá, ainda de trem, voltaram para Viviers.
Naquela mesma noite de sábado, em Viviers...
Em Viviers, Charles de Foucauld hospedou-se no Seminário Maior.
Em uma entrevista publicada no semanário diocesano “Terre Vivaroise” em 28 de novembro de 1966, o bispo Jauffrès, que em 1917 foi o primeiro biógrafo de Charles de Foucauld, compartilhou suas lembranças do que lhe fora dito na véspera de sua ordenação:
Tendo ingressado no Grande Seminário de Viviers no início de outubro de 1901, não compareci pessoalmente à ordenação do Padre, que ocorrera quatro meses antes, em junho daquele mesmo ano. Mas encontrei alguns colegas do Seminário que estavam presentes naquela celebração e tinham visto o futuro eremita naquela ocasião.
Lembro-me muito bem de que um deles, o padre Augustin Riou, que viria a falecer como arcipreste (vigário forâneo) de Vernoux, após ter vivenciado os campos de deportação, nos contou sobre a memória indelével que guardava da recreação noturna que antecedia a celebração. Questionamos o padre Riou sobre sua vida na África, o que pretendia fazer, como fora como soldado e como explorador. Mas ele, como que perdido em um sonho, estava muito acima de tais perguntas. Ele só conseguia repetir estas palavras: ‘E pensar que amanhã, eu o terei aqui, bem aqui, em minhas mãos!’
Segundo a tradição que se preservou, Charles de Foucauld passou a noite anterior à sua ordenação em adoração na tribuna da Capela do Grande Seminário.
3º TEXTO
3 - DOMINGO, 9 DE JUNHO
A celebração de ordenação
Na manhã seguinte, domingo da Solenidade do Santíssimo Sacramento, dia de Corpus Christi, foi ordenado sacerdote na capela do Grande Seminário pelo Bispo Montéty, um bispo missionário emérito, na presença do Bispo Bonnet, a quem recorria regularmente para garantir a realização das grandes celebrações, como as ordenações, que seu estado de saúde o impedia de celebrar pessoalmente.
O periódico “The Religious Weekly” de 14 de junho publicou a lista de ordenandos daquele dia. Curiosamente, Charles de Foucauld é mencionado nessa lista, sob o nome de religioso trapista: “na religião, Irmão Albéric, do mosteiro de Notre-Dame des Neiges”, embora ele não fosse trapista há mais de 4 anos - desde fevereiro de 1897 - e já tivesse sido incorporado ao clero da diocese de Viviers, desde sua ordenação ao subdiaconato em 22 de dezembro do ano anterior.
A irmã de Charles de Foucauld, Marie de Blic, não compareceu à ordenação do irmão, assim como sua prima, Marie de Bondy, que ocupava um lugar tão significativo, fraternal e até maternal, na vida de Charles de Foucauld. Por sua vez, no momento em que a ordenação ocorreu em Viviers, Marie de Blic estava em Notre-Dame des Neiges, onde havia chegado naquela mesma manhã, conforme informara ao Abade.
...Chegarei a La Bastide no domingo às 4h03, passando por Nîmes; assim poderei assistir à primeira missa do meu irmão. Será muito bom revê-lo, especialmente nesta ocasião; e agradeço-lhe antecipadamente, Reverendo Padre, pela gentileza de me receber durante os três dias que pretendo passar em Notre-Dame des Neiges.
A refeição no bispado
Após a celebração, o Bispo Bonnet reuniu em torno de sua mesa o Bispo Montéty, o Abade de Notre-Dame des Neiges, o Padre de Foucauld, o Padre Augustin Martin e vários outros clérigos. Estes últimos observavam com suspeita aquele asceta austero cuja reputação havia chegado até eles: como ele se comportaria? O Padre Augustin, também um tanto alerta, relatou mais tarde: “O Padre de Foucauld estava muito relaxado, sem se destacar em nada; ele se serviu um pouco de tudo, de todos os pratos”.
Vésperas na catedral
Naquela tarde, no dia de Corpus Christi, a tradicional procissão do Santíssimo Sacramento deveria ocorrer pelas ruas da cidade. O mau tempo a tornou impossível, conforme relatado por La Semaine Religieuse:
Apesar das mais legítimas esperanças e da perfeita boa vontade nos preparativos, o mau tempo, que subitamente se transformou em tempestade, impediu a realização da procissão do Santíssimo Sacramento no domingo. Houve profundo pesar entre todos, pois a cerimónia é particularmente popular e sempre de grande esplendor. Não obstante, o ofício pontifício das Vésperas foi celebrado com grande solenidade, realçada pela presença do Bispo Montéty, que presidiu, do Bispo Bonnet, que assistiu na ala paroquial, e do Abade de Notre-Dame des Neiges, que viera assistir à ordenação da manhã. No final das Vésperas, a procissão realizou-se no interior da Catedral, composta pela Escola Coral, pelo Seminário Maior, por membros do clero e pelos venerados prelados presentes. O espetáculo não deixou de ser edificante e grandioso, e quando, momentos antes da bênção, o belo hino: “Coração de Jesus, doce esperança da França!” irrompeu sob as altas abóbadas, repetido por toda a assembleia.
A celebração, esplendidamente acompanhada pelo grandioso órgão, criou uma sensação palpável de fé e oração nas almas das pessoas. Mantemos a esperança de que a procissão do Sagrado Coração no próximo domingo, sob o belo céu do hemisfério sul, recupere todo o esplendor que condiz com nossas grandes celebrações religiosas.
Charles de Foucauld participou, obrigatoriamente, juntamente com o Abade de Notre-Dame des Neiges, desta celebração em honra da Eucaristia.
Retorno a Notre-Dame des Neiges
Dom Martin e o Padre de Foucauld retornaram a Notre-Dame des Neiges naquela mesma noite, mais precisamente na madrugada de domingo para segunda-feira, em um trem que os trouxe de volta de Viviers para La Bastide, via Nîmes, pelo mesmo trajeto da ida.
Ao chegar ao mosteiro, conforme havia planejado e anunciado à sua irmã, Charles de Foucauld dirigiu-se diretamente à igreja, aos pés do Santíssimo Sacramento.
4º TEXTO
4 - SEGUNDA-FEIRA, 10 DE JUNHO.
PRIMEIRA MISSA DE CHARLES DE FOUCAULD.
Eis o relato do Irmão Agostinho em suas “Memórias”:
Na hora marcada, o novo sacerdote subiu ao altar sagrado; seus coroinhas eram o Padre Frédéric e o Padre Germain, a quem chamava de seus pais adotivos. Madame de Blic estava na capela de São Bernardo e, através da grade que dava para o coro, podia ver o sacerdote oficiando. Quanto aos monges e irmãos, todos aqueles cujos deveres não os mantinham em outro lugar naquele momento estavam na igreja, felizes por assistir à primeira missa de seu Padre Albéric, para obter a indulgência plenária a ela associada e para poder receber sua bênção depois.
Após um ato de agradecimento de quarenta e cinco minutos ou uma hora, Charles de Foucauld finalmente se reencontraria com sua irmã, conforme havia planejado meticulosamente, em um bilhete repleto de afeto e atenção fraternal, que ele lhe escrevera antes de descer para Viviers e que ela encontraria ao chegar como uma mensagem de boas-vindas:
Minha querida, obrigado por vir. Sua chegada me comove profundamente. Chegarei no domingo à noite/segunda-feira de manhã, por volta da meia-noite ou uma hora; certifique-se de não me esperar, mas sim de ir para a cama bem cedo, como os monges trapistas que se deitam às oito horas. Ao chegar, irei direto para a igreja, aos pés do Santíssimo Sacramento, a quem devo minha primeira visita; e permanecerei em silêncio e adoração até o dia seguinte, após minha primeira Missa. Você não poderá falar comigo antes da primeira Missa, mas depois, compensaremos isso, minha querida; a Missa comunitária é cantada às 18h30, diante do Santíssimo Sacramento exposto: serei ordenado diácono lá.” Assim que a Missa Solene terminar, irei à sacristia para vestir a casula e retornarei ao mesmo altar onde a Missa Solene foi celebrada para dizer minha primeira Missa. Darei a Sagrada Comunhão a vocês através de uma das grades da pequena capela onde vocês estarão. Após a ação de graças pela minha primeira Missa (três quartos de hora ou uma hora depois), irei ter uma boa sessão espírita com vocês. Esperem por mim em seus quartos nesse horário; certifiquem-se de tomar um bom café da manhã após receberem a Comunhão. Tenham certeza de que a chegada de vocês aqui é uma verdadeira alegria para toda a comunidade, que, cheia de ilusões a meu respeito, me ama mil vezes mais do que mereço, e especialmente para o bom Abade, que irá a Viviers, apesar de seus outros compromissos, expressamente para me acompanhar.
Bem-vinda, minha querida, e obrigada por ter vindo. Eu te beijo como te amo: com todo o meu coração no Coração de Jesus.
+ Padre Marie Albéric
5º TEXTO
5- TRÊS MESES DEPOIS... UMA CARTA DO BISPO BONNET DE VIVIERS, QUE SERVE COMO CARTA DE NOMEAÇÃO.
Durante seu retiro em preparação para a ordenação, como mencionado acima, Charles de Foucauld pretendia informar o Bispo sobre seus planos, "pedindo-lhe que os considerasse diante de Jesus e que fizesse, neste assunto, o que acreditasse ser mais agradável ao Coração de Jesus... Não peço nada: apresento-lhe meus pensamentos, desejando apenas uma coisa: que faça, neste assunto e em todas as coisas, o que mais agrada ao Sagrado Coração de Jesus."
Charles de Foucauld, com seu modo singular de viver a obediência ativa, foi capaz de ajudar seu bispo a discernir que isso era, de fato, o que mais agradava ao Coração de Jesus. Isso levou o Bispo Bonnet a escrever a seguinte carta admirável ao Bispo Livinhac, Superior Geral dos Padres Brancos: datada de 5 de setembro de 1901, apenas três meses após a ordenação de 9 de junho:
Ao Bispo Livinhac, Superior Geral dos Padres Brancos
Abadia de Nossa Senhora das Neves, 5 de setembro de 1901
Recomendo à sua amável consideração o humilde e santo sacerdote que deseja oferecer-lhe a sua ajuda e suplica que o aceite.
O padre de Foucauld é um distinto ex-oficial que abandonou sua carreira para se dedicar mais plenamente a Deus no sacerdócio. Eu o ordenei sacerdote; ele é meu súdito, e considero uma grande bênção para minha diocese ter tido, por um tempo, um sacerdote de tanto mérito e caráter. Se uma vocação antiga e urgente não o chamasse a se dedicar à conversão de muçulmanos, eu ficaria feliz em lhe dar uma posição em meu ministério.
O padre de Foucauld mal deixou o mosteiro trapista de Notre-Dame des Neiges, onde leva uma vida mais austera e mais devotada às coisas de Deus do que os próprios trapistas. Aqui, ele adquiriu a reputação de santo, e nossos sacerdotes buscam como uma grande graça a felicidade de se aproximarem dele por alguns instantes.
Tudo isso demonstrará, Monsenhor, o quanto considero este sacerdote que vem até vós e o quanto eu ficaria grato em recebê-lo com grande gentileza.
Aceite, Monsenhor, a homenagem da minha respeitosa e fraterna devoção a Nosso Senhor.
† JM Frédéric, Bispo de Viviers
Foi assim que o padre Charles de Foucauld se tornou “um padre livre da diocese de Viviers”. (Trechos do Boletim Diocesano - IGREJA DE VIVIERS N° 12 de 8 de junho de 2001)
6º TEXTO
MINISTRO DE UM BANQUETE DIVINO A SER OFERECIDO AOS POBRES. (DOS ESCRITOS DE CHARLES DE FOUCAULD)
Em setembro de 1898, numa meditação sobre o evangelho do filho pródigo, Charles de Foucauld evoca o convite “imediato” para o “banquete divino” que Jesus lhe dirigiu, no próprio dia da sua conversão, na igreja de Santo Agostinho: “E a que banquete divino, tão diferente daquele do pai do filho pródigo, me convidas de imediato...” (Meditação 382, sobre Lc 15, 11-32) (A Imitação do Amado - Cidade Nova, p. 79).
Em junho de 1901, durante seu retiro para a ordenação ao sacerdócio, ele citou explicitamente o texto de Lucas 14,12-13:
“Qual é a prova de que estas duas eleições (os retiros para o diaconato e o sacerdócio) expressam a vontade de Deus? Estas duas palavras de Jesus: ‘Segue-me’ e ‘Quando deres um almoço ou um jantar, não convides teus amigos, teus irmãos, teus parentes ou vizinhos ricos... Quando ofereceres um banquete, convida antes os pobres, os aleijados, os coxos, os cegos’" (Retiros A SÓS COM DEUS em Nossa Senhora das Neves e no Saara, p. 83).
Após se tornar sacerdote, ele quis levar o convite para o banquete eucarístico “aos pobres”. Assim, depois de sua ordenação, de 1901 a 1909, ele se referia repetidamente a esse mesmo texto de Lucas para testemunhar a perspectiva eucarística e missionária de seu “ministério”:
17 de julho de 1901: Carta ao padre Jérôme, monge do mosteiro trapista de Staouēli:
É impossível para mim praticar o preceito da caridade fraternal sem dedicar minha vida a fazer todo o bem que puder por esses irmãos de Jesus que não têm nada porque não têm Jesus. Se eu estivesse no lugar desses muçulmanos infelizes, que não conhecem nem JESUS, nem o seu SAGRADO CORAÇÃO, nem MARIA, nossa mãe, nem a Sagrada Eucaristia, nem o seio da Santa Igreja, nem os Santos Evangelhos, nem nada do que constitui toda a nossa felicidade aqui na terra e toda a nossa esperança no céu; e se eu conhecesse a minha triste condição, oh, como eu desejaria que tudo fosse feito para me tirar dela!
O que eu quero para mim, devo fazer pelos outros: ‘Faça aos outros o que você gostaria que fizessem a você’, e devo fazê-lo pelos mais negligenciados, pelos mais abandonados, ir às ovelhas mais perdidas, oferecer meu banquete, meu divino banquete, não aos meus irmãos, nem aos meus vizinhos ricos (ricos no conhecimento de tudo o que essas almas infelizes desconhecem), mas a esses cegos, esses mendigos, esses aleijados, mil vezes mais dignos de compaixão do que aqueles que sofrem apenas em seus corpos. E não creio que possa lhes fazer maior bem do que trazer-lhes, como Maria na casa de João, na Visitação, JESUS, o bem dos bens, o supremo santificador, JESUS, que estará sempre presente entre eles no Tabernáculo, e espero que no ostensório, JESUS, oferecendo-se a cada dia no Santo Altar pela sua conversão; JESUS, abençoando-os a cada dia na Salvação: esta é a maior das bênçãos, nosso tudo, JESUS: e ao mesmo tempo, permanecendo em silencio, queremos dar a conhecer a esses irmãos ignorantes, não por palavras, mas por exemplo e sobretudo por caridade universal, o que é a nossa religião, o que é o espírito cristão, o que é o CORAÇÃO DE JESUS.” (Carta ao Padre Jerônimo datada de Nossa Senhora das Neves, 17 de julho de 1901, cinco semanas após sua ordenação. Charles de Foucauld-Cartas aos meus irmãos de La Trappe, pp. 239-241).
Final de 1901, da “Fraternidade do Sagrado Coração de Jesus, Beni-Abbès”: Carta a Gabriel Tourdes.
Ordenado sacerdote em junho passado, senti-me imediatamente chamado a ir ao encontro das ovelhas perdidas, das almas mais perdidas, mais abandonadas e negligenciadas, a fim de cumprir para com elas este dever de amor, o supremo mandamento de Jesus: “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei”, pois “nisto todos conhecerão que sois meus discípulos”. Sabendo por experiência que nenhum povo está mais abandonado do que os muçulmanos de Marrocos, da região de Touat e do sul da Argélia (há treze sacerdotes para uma diocese sete ou oito vezes maior que a...).
Na França (e com pelo menos 12 a 15 milhões de habitantes), pedi e recebi permissão para ir a Beni-Abbès, uma pequena cidade no sul da Argélia, na fronteira com Marrocos, e viver lá como um monge solitário e enclausurado, esforçando-me para me santificar e conduzir outras almas a Jesus, não por meio de palavras ou pregações, mas por meio da bondade, da oração, da penitência, do exemplo de vida evangélica e, sobretudo, pela presença do Santíssimo Sacramento.” (Charles de Foucauld, Cartas a um Amigo do Ensino Médio, Nouvelle Cité 1982, p. 159)
8 de abril de 1905: Carta ao Abade Caron.
Como sacerdote livre da Diocese de Viviers, meus recentes retiros para o diaconato e o sacerdócio me mostraram que esta vida de Nazaré, minha vocação, deve ser vivida não na amada Terra Santa, mas entre as almas mais doentes, as mais perdidas e abandonadas: este banquete divino, do qual eu me tornava ministro, deve ser apresentado não a irmãos, parentes ou vizinhos ricos, mas aos mais aleijados, aos mais cegos, aos mais pobres, às almas mais abandonadas, àqueles que mais precisam de sacerdotes. Em minha juventude, viajei pela Argélia e Marrocos: em Marrocos, tão grande quanto a França, com dez milhões de habitantes, não havia um único sacerdote; no Saara argelino, sete ou oito vezes maior que a França e mais populoso do que se pensava anteriormente, havia apenas uma dúzia de missionários.” Não me parecendo um povo mais abandonado do que este, solicitei e obtive do Reverendíssimo Prefeito Apostólico do Saara permissão para me estabelecer no Saara argelino e ali viver, em solidão, reclusão e silêncio, em trabalho manual e santa pobreza, sozinho ou com alguns sacerdotes ou leigos, irmãos em Jesus, em perpétua adoração do Santíssimo Sacramento exposto, se o bom Deus conceder a alguns irmãos, uma vida o mais próxima possível da vida oculta do amado Jesus em Nazaré.” (Carta V, em XXV Cartas Inéditas, Bonne Presse, pp. 13-14)
3 de dezembro de 1905: Carta a um amigo sacerdote, o Abade Veyras, da diocese de Nîmes, a quem gostaria de ver juntar-se a ele no Saara.
Faze, caríssimo irmão, o que JESUS te inspira a fazer, como eu te escrevo hoje, para conformar-te à Sua Vontade, fazendo tudo o que estiver ao meu alcance pelas almas destes povos abandonados… Socorrer-lhes é, de fato, ir em busca das “ovelhas mais perdidas”, das almas “mais doentes”, é, de fato, oferecer este banquete divino da Verdade e a Sagrada Eucaristia, não aos nossos irmãos ricos, nem aos nossos vizinhos, nem aos nossos amigos, mas “aos coxos, aos mendigos, aos cegos”, aos mais cegos de todos… (Positio Documento n.º 89, p. 351)
6 de março de 1909: Carta para Madame Madeleine de Bondy, esposa de Forbin:
Rezem um pouco pelo meu velho primo Charles e pelos pobres infiéis da África. Foram os dois ditados, ‘Ame o seu próximo como a si mesmo’ e ‘convide para a sua refeição não os seus vizinhos, mas os pobres, os cegos e os aleijados’, que me conduziram a essas pessoas cegas e espiritualmente abandonadas. Rezem também por aquelas almas ‘por quem Cristo morreu’, que Ele redimiu a um preço tão alto. (Carta inédita)
11 de março de 1909: Carta ao Monsenhor Caron:
Venho suplicar-te que sejas obreiro nesta obra de retorno ao Evangelho, [...] que sejas obreiro nesta basílica espiritual destinada a reavivar a virtude do Jesus adolescente no mundo cristão, a aumentar o fervor por Jesus na Sagrada Eucaristia e a levar o Evangelho, a Sagrada Eucaristia, os exemplos do Jesus adolescente, o seu conhecimento e o seu amor às suas ovelhas mais perdidas, aos pobres, aos coxos, aos cegos espirituais, para que também eles, ‘por quem Cristo morreu, redimido a um preço tão alto’, possam entrar na basílica, ir ao encontro do Jesus adolescente, praticar as suas virtudes, recebê-lo na Sagrada Eucaristia e amá-lo e louvá-lo eternamente.” (Carta XXII, em XXV Cartas Inéditas, Bonne Presse, p. 65)
Pe. Waldemir Santana, Arquidiocese da Paraíba/PB
A oração não deve ser vista apenas como um “fazer” (um conjunto de ações ou rituais), mas sim como uma dimensão que se desdobra na própria existência do cristão. Ela é descrita como um presente do Espírito Santo que permite responder à comunicação divina e repousar na presença de Deus.
O retiro é definido como uma “parada” necessária para observar a vida. No entanto, parar nem sempre é fácil. Para isso, o silêncio é o instrumento fundamental que ajuda a identificar a voz de Deus em meio a uma sociedade repleta de ruídos e outras vozes. No processo do retiro (que é a construção de um caminho), os papéis são divididos da seguinte forma:
Espírito Santo: O ator principal.
Retirante: Quem contracena com o Espírito.
Pregador: Atua apenas como um figurante que facilita o processo.
A oração cristã precisa partir da vida real, com todas as suas implicações, alegrias, tristezas e problemas. Tentar rezar deixando as dificuldades da vida “do lado de fora” não é uma atitude humana nem cristã.
A vida do cristão e do sacerdote está inserida em três níveis de enquadramento:
Nacional (a realidade do país).
Eclesial (a vida da Igreja).
Espiritual.
O retiro funciona como um espaço de diálogo em três direções: com o Senhor da história, com os irmãos (a realidade) e consigo mesmo (escutando o que emerge do próprio coração).
A Crise dos Presbíteros (Sacerdotes): Prefere-se o termo presbítero a sacerdote, por ser a designação mais correta e alinhada com as diretrizes do Concílio Vaticano II. A crise enfrentada pelos presbíteros não é puramente individual. Embora se manifeste em âmbito pessoal por meio de sofrimento, adoecimento e até casos extremos de suicídio, ela possui uma forte raiz estrutural. Questiona-se: são os padres que estão doentes ou é a instituição que adoece os padres? Essa crise decorre de um desgaste emocional contínuo que afeta diretamente a identidade do presbítero e o papel que ele desempenha na comunidade. Uma das principais chaves para entender a crise atual é a transformação do presbítero. Muitas vezes, ele deixa de ser um pastor para se tornar um mero gestor de serviços religiosos (focado em realizar batizados, casamentos, formaturas e funerais). Ao assumir essa postura gerencial, o presbítero deixa de acompanhar de perto os processos reais de crescimento na fé e a vida da comunidade. De acordo com o teólogo José María Castillo, recorda-se que “uma religião que se burocratiza acaba perdendo a sua capacidade de transformar vidas”.
Quanto às transferências sem diálogo o relatório aponta uma prática eclesial nociva: a transferência sistemática e unilateral de presbíteros entre paróquias sem que haja um processo real de escuta e diálogo. Quando as transferências ocorrem de forma impositiva e despersonalizada, o presbítero é reduzido a uma “peça intercambiável” dentro da engrenagem eclesial. Isso gera um profundo desgaste emocional e a perda do sentimento de pertença e valor humano do sacerdote.
A Fragilidade da Fraternidade Sacerdotal. A fraternidade entre os presbíteros é apontada como quase inexistente. Há uma crítica de que, em vez de agirem como pastores que cuidam das pessoas em suas comunidades, muitos se tornam apenas "funcionários" do sagrado. A verdadeira fraternidade deveria ser aquela em que os irmãos partilham a vida, acolhem uns aos outros em suas casas e caminham juntos, mas o distanciamento prevalece. A falta de comunhão abre espaço para o individualismo patológico, silêncios incômodos e relações superficiais. As relações muitas vezes não são maduras ou evangelizadoras, mas sim infantilizadas, o que impede o crescimento mútuo. Citando o teólogo Karl Rahner, a palestra destaca que uma Igreja que não vive a comunhão internamente perde a credibilidade ao pregar o Evangelho da fraternidade.
A comunhão não deve ser uma via de mão única; ela precisa ir e voltar entre o bispo e os padres. O padre é um colaborador da missão, e não um escravo ou uma peça a ser consumida pela engrenagem de uma máquina diocesana. O sacerdote corre o risco de virar um funcionário focado apenas em cumprir horários e celebrar sacramentos, deixando de lado o cuidado humano (como visitas a doentes e presença na comunidade).
O isolamento gera solidão, ausência de vínculos afetivos profundos e uma deterioração emocional que fragiliza o presbítero. Diante desse cenário, muitos buscam refúgio no álcool ou enfrentam quadros de depressão e ansiedade. A instituição muitas vezes não consegue salvar o padre a tempo, só intervindo quando a situação já se tornou extrema e irreversível.
O Valor da Crise e a Necessidade de Mudança. Questiona-se se o modelo de padre como centro absoluto da comunidade está se esgotando e se a Igreja se tornou uma instituição distante, com linguagem hermética e estruturas pouco compreensíveis para o mundo atual. A crise não deve ser vista apenas como algo negativo, mas como um elemento constitutivo da existência humana, necessário para dar passos de qualidade e produzir uma nova atmosfera de vida. Quando compreendida em sua dimensão existencial, a crise funciona como um processo de purificação e limpeza interior, permitindo o surgimento de uma nova pessoa.
Toda crise traz dor e dramaticidade porque gera uma sensação de desordem e “convulsão”. Destaca-se que a palavra critério tem origem na palavra crise. O critério é a medida pela qual se pode julgar, distinguir e separar o autêntico do inautêntico, o positivo do negativo, o bom do ruim. Citando o filósofo Jean-Paul Sartre, é lembrado que "o ser humano está condenado a se decidir". Não é possível passar pela vida sem tomar decisões, e as escolhas que evitamos hoje serão cobradas amanhã.
A crise não deve ser vista meramente como uma tragédia existencial, mas como um momento crítico de questionamento da própria vivência. Sob a ótica da antropologia, a crise é extremamente rica. Ela é descrita como uma "recuperação" ou “regurgitação da vida”. Uma analogia da crise com o cão africano, que come rapidamente e, ao retornar ao ninho para alimentar suas crias, regurgita o alimento. Da mesma forma, a crise é a vida se regurgitando e se transformando. Embora a crise perturbe a normalidade e o isolamento de certas possibilidades de crescimento, ela é necessária. Para superá-la, exige-se capacidade de decisão, purificação e compreensão.
As crises são processos normais do desenvolvimento humano: No nascimento, a criança passa por uma crise ao deixar o útero materno (acolhedor e cálido) para ingressar em um mundo de amplas possibilidades. Na adolescência, ocorre a transição de uma fase para outra, também marcada por crises. Na morte, a passagem desta vida para “outra vida” também se configura como uma crise. Portanto, a existência humana é descrita como uma "crise eterna", cabendo ao sujeito aprender a administrá-la.
De acordo com o filósofo Martin Heidegger recuperou um conceito de Platão: “Todas as grandes coisas acontecem no turbilhão”. Isso significa que as transformações importantes e as “coisas grandes” surgem em situações de desarmonia e caos para, somente depois, darem forma ao “cosmos” (a ordem).
A Crise no Contexto do Clero e o Fracasso. É mencionado que, especialmente entre os anos de 2017 e 2024, houve um número expressivo de padres que “desistiram da vida” devido às crises pelas quais passavam. Embora se trabalhe muito visando o sucesso, não se pode descartar o fracasso. É preciso fazer uma análise espiritual dessa realidade. Na linha de Jacques Lacan, a psicanálise não visa incentivar o “narcisismo” ou o deslumbramento com o sucesso (comum entre alguns clérigos que se deslumbram com pequenas conquistas ao cantar, pregar ou aglomerar pessoas). A experiência analítica busca arrancar esse invólucro narcisista para colocar o sujeito diante do seu próprio desejo. A psicanálise não apoia o ideal moderno de "alto desempenho", mas sim “elogia o fracasso”.
O fracasso na psicanálise. A análise trabalha sobre as “sobras”, os resíduos e as causas perdidas para tratar o fracasso. Segundo Lacan, o fracasso não é uma falha, mas o próprio funcionamento do inconsciente, sendo uma realidade saudável na vida humana.
A Vida como uma “Colcha de Emoções”.
A caminhada humana assemelha-se a “uma queda do cavalo e um encontro na terra”, exigindo encarar a dor e a realidade de frente. O ser humano é definido como um "receptáculo de emoções" (saudade, culpa, interrogação, desespero, ansiedade, arrependimento, esperança, alegria, solidão). A vida de cada um é tecida pela dor, que pode ressoar em harmonia dentro de nós, mas que também traz consigo a tendência ao oposto dessa harmonia.
A Atitude de Entrega e a Oração do Abandono. A busca de Charles de Foucauld por uma união íntima com Deus culmina em uma das dimensões mais conhecidas de sua espiritualidade: a Oração do Abandono. Essa prece não nasce de um conformismo passivo, mas sim de uma confiança extrema e sem limites no amor do Pai.
Para Foucauld, abandonar-se significa colocar a própria vontade inteiramente nas mãos de Deus, sem nada pretender em troca, a não ser que a vontade divina se realize e se materialize em sua vida. Ele compreendia que, quando o ser humano se esvazia de si e de seus controles, abre espaço para a ação d’Aquele que opera além das previsões humanas.
Deus como o Senhor do Impossível. Um dos lemas que guiavam a fé e a vivência de Charles de Foucauld era a certeza de que "Deus é o Senhor do impossível". Ele costumava repetir essa expressão para recordar a si mesmo e aos outros que a lógica divina supera qualquer limitação humana ou aparente beco sem saída. A partir dessa convicção, o abandono à vontade de Deus deixa de ser um risco e passa a ser a única escolha segura. Onde as capacidades humanas encontram seus limites e declaram a impossibilidade, a fé de Foucauld enxergava o terreno propício para a manifestação da graça e da providência divina.
A Capacidade de Realizar o Inacreditável. Essa entrega absoluta e a confiança no “Senhor do impossível” geravam em Charles de Foucauld uma força interior extraordinária. A certeza de estar sob o amparo e a condução de Deus o tornava capaz de enfrentar realidades extremamente adversas e de realizar ações que, aos olhos do mundo, pareciam completamente inviáveis.
Viver no deserto, fazer-se irmão dos mais distantes, manter-se em constante adoração na mais profunda solidão e acolher a todos sem distinção eram frutos dessa fé audaciosa. Ao se abandonar nas mãos do Pai, ele descobria que as limitações pessoais e as barreiras geográficas ou culturais se dissipavam, permitindo que o amor de Deus agisse através de sua vida.
O Abandono em Deus e a Coragem. O abandono em Deus gera coragem. Essa força surge porque a criatura percebe que não está sozinha e que é o próprio Deus quem age para alcançar objetivos que ela mesma não conseguiria sequer compreender.
Frutos do abandono: Entregar-se com confiança nas mãos do Pai produz frutos abundantes e traz a certeza de que o trabalho não é em vão, mesmo que os resultados não venham imediatamente.
O prêmio do abandono: A recompensa por se abandonar a Deus é infinitamente superior a qualquer esforço ou empenho humano.
“Tudo o que fizeres em mim, eu te agradeço”.
Embora pareça uma fuga de si mesmo, essa frase representa a expressão mais verdadeira de fé, dependência e entrega absoluta a Deus. O abandono se fundamenta na certeza de estar com Ele, amparado por Seu amor paterno, o qual nenhum amor humano pode se igualar.
A Oração, a Eucaristia e a Vida no Deserto. A prática de permanecer longos períodos em oração diante da Eucaristia, contemplando a Sua Palavra em silêncio, gera um profundo estado de segurança, alegria e simplicidade.
A Oração do Abandono: É a expressão mais viva e concreta da caridade e da dedicação aos outros. Ela capacita o ser humano a compartilhar as situações mais difíceis, abandonando-se a Deus e deixando de lado as falsas seguranças e a solidariedade meramente humana (que muitas vezes esconde uma mentalidade distante dos valores evangélicos).
Remédio contra a distração: A oração no deserto funciona como um remédio contra a dispersão e a ausência de si mesmo. Ela cria a capacidade de ler, dentro de nós e na história cotidiana, os sinais da presença de Deus.
O Deserto Interior e a Oração. Mesmo que não vivamos em um deserto geográfico (como o Saara ou as dunas de Jenipabu), somos chamados a viver o deserto na cidade. O deserto geográfico se volta, então, para o nosso interior.
Necessidade de espaço. Existe uma urgência em criar espaços na alma para o recolhimento, a reflexão, a meditação e a contemplação — práticas que nunca devem ser deixadas de lado.
Uma oração de fé. A oração no deserto não é fácil e não se baseia em sentimentos. Ela exige uma fé pura e nua, que nos faz aceitar a presença de Deus em seu constante e imprevisível “aparecer e desaparecer”. Mesmo quando Deus parece ausente em meio às dificuldades da vida, essa ausência é apenas uma forma misteriosa de sua presença, que ora se esconde, ora se revela.
Em suma, a Oração do Abandono é a resposta mais adequada e madura para todos aqueles que desejam viver de verdade a partir da fé.
Poema de — Robert Prevost (Leão XIV)
Irmãos, irmãs...
Falo com vocês, sobretudo
com aqueles que já não creem,
não esperam, não oram,
porque pensam que Deus se foi.
Aos que estão fartos dos escândalos,
do poder mal-usado, do silêncio de uma Igreja
que às vezes parece mais palácio do que casa.
Eu também fiquei com raiva de Deus.
Eu também vi pessoas boas morrerem,
crianças sofrerem, avós chorarem sem remédio.
E sim... houve dias em que rezei e senti apenas o eco.
Mas depois descobri algo: Deus não grita, Deus sussurra.
E às vezes sussurra da lama, da dor,
de uma avó que te dá de comer sem ter nada.
Eu não venho lhes oferecer uma fé perfeita.
Venho dizer-lhes que a fé é uma caminhada com
pedras, poças e abraços inesperados.
Não te peço que acredite em tudo.
Peço que não feche a porta.
Que dê uma oportunidade ao Deus
que te espera sem te julgar.
Sou apenas um padre que viu Deus no sorriso
de uma mulher que perdeu o filho...
e, mesmo assim, cozinhava para os outros.
Isso me mudou.
Então, se você está despedaçado,
se não crê, se está cansado das mentiras...
venha assim mesmo.
Com sua raiva, sua dúvida, sua mochila suja.
Aqui ninguém vai te pedir cartão VIP.
Porque esta Igreja, enquanto eu respirar,
será casa para os que não têm casa,
e descanso para os que estão esgotados.
Deus não precisa de soldados.
Precisa de irmãos.
E você, sim, você...
é um deles.
(Enviado por J. L. Vázquez Borau, 7 de junho de 2026)
Pe. João Paulo da Silva –
Arquidiocese de Mariana/MG
Sou o Pe. João Paulo da Silva, do clero da Arquidiocese de Mariana (MG). Nasci em 13 de novembro de 1980 e fui ordenado sacerdote em 15 de outubro de 2011.
Desde o período do Seminário, sempre fui apaixonado pela missão, vivendo experiências missionárias em outras dioceses de Minas Gerais e, inclusive, uma experiência de um ano em Santarém, no Pará.
Logo após a ordenação, com um ano e meio de sacerdócio, fui para Porto Velho, onde permaneci por cinco anos: três anos como pároco da Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, auxiliando também na equipe de formadores do Seminário de Porto Velho, e dois anos como vigário paroquial em Machadinho D’Oeste.
Depois, retornei para Mariana, minha Arquidiocese de origem, onde permaneci por seis anos. Agora, estou novamente em missão na Arquidiocese de Porto Velho, há dois anos e cinco meses, na Paróquia São José, em Monte Negro/RO.
É uma alegria poder partilhar um pouco da minha história. Gostaria de ser melhor, mas, dentro das minhas limitações, vou procurando dar o melhor de mim.
Por intercessão de São Charles de Foucauld, Deus abençoe a todos!
Pe. Carlos Roberto dos Santos – Casa da Fraternidade Diocese de Goiás/GO
Comunico aos irmãos e irmãs da Fraternidade Sacerdotal Jesus Caritas no Brasil a deliberação da última Assembleia da Associação Jesus Caritas (AJC), que aconteceu no dia 14 de julho de 2026 nas dependências da Casa Paroquial Santa Rita de Cassia no Bairro do Pari, em São Paulo, sobre o futuro da Casa da Fraternidade, sediada na Diocese de Goiás, no antigo Mosteiro da Anunciação.
Como coordenador da Casa desde sua inauguração no início de 2022 até este ano de 2026, expus aos irmãos as alegrias e os problemas da entidade jurídica AJC e da Casa da Fraternidade.
Em primeiro lugar, foi uma grande alegria estar aqui na Casa durante este tempo, vivendo esta bela experiência de Nazaré, como dizia Gunther. Além de um “longo tempo sabático”, foi uma experiencia de pobreza e abandono na vontade do Pai, seguindo as intuições espirituais e os passos de nosso “Vieux Frère Carlos de Foucauld”. Também ouso afirmar que, nestes cinco anos, a Casa da Fraternidade cumpriu seu objetivo de irradiar a espiritualidade de Nazaré, inspirada na vida e no testemunho do Irmão Carlos de Foucauld. O trabalho aqui desenvolvido sempre aconteceu com poucos recursos, na pobreza e na simplicidade do apostolado da bondade, com aqueles que aqui vieram fazer retiro, passar um tempo de descanso ou mesmo em passeio; e, também, no acolhimento e vivência com as pessoas que moram nas redondezas e que participam das missas, cursos bíblicos, encontros festivos e outras celebrações comunitárias.
Na sequência, apresentei aos irmãos a insustentabilidade do projeto “Casa da Fraternidade” devido à constante falta de recursos humanos e financeiros. Humanos, porque não houve muito interesse dos irmãos da Fraternidade tanto para morar na Casa como para participar dos diversos eventos de nossa espiritualidade aqui promovidos; financeiros, porque o que é arrecadado em cada mês é constantemente deficitário e em alguns momentos só pudemos saldar as dívidas porque tivemos ajuda da Fraternidade da Bélgica. Ao longo de cada ano fizemos diversos retiros espirituais, cursos e formação tanto para os membros da Fraternidade no Brasil como para o povo da região de Goiás, mas percebemos que há baixo interesse em utilizar este espaço.
Diante do exposto, os irmãos presentes na assembleia refletiram sobre o assunto. Várias sugestões foram propostas e pensadas, inclusive a possibilidade de manter a AJC como associação jurídica, para movimentação bancária da Fraternidade Nacional e fechar apenas a Casa da Fraternidade. No entanto, percebeu-se falta de condições para mantê-la, e, por isso, foi proposto a extinção da AJC e da Casa da Fraternidade. Posto em votação, esta proposta foi aprovada por unanimidade, mas o encerramento acontecerá de forma gradual para viabilizar a rescisão contratual dos dois funcionários, previstas uma para outubro e outra para dezembro de 2026, o encerramento da conta bancária, e, em seguida acontecerá até o final do ano a convocação de uma Assembleia Extraordinária para formalizar a extinção definitiva da Associação Jesus Caritas.
Eu, padre Carlos, que estive na Casa durante estes cinco anos, agradeço a Deus, à Fraternidade Sacerdotal Jesus Cáritas do Brasil, e também a Dom Jeová Elias, bispo de Goiás que sempre nos acompanhou, por me proporcionar viver esta bela experiência de oração e abandono na pobreza.
Obrigado, Senhor, agora uma nova página da vida se abre sob o sopro do Espírito, seguindo os passos do Irmão Carlos.
Frei Prof. Dr. Inácio José do Vale, PhD
Atualmente, 1 em cada 7 jovens no mundo vive com algum transtorno de saúde mental. O suicídio é a terceira principal causa de morte entre pessoas de 15 a 24 anos nas Américas.
Saúde mental é um estado de bem-estar mental que permite que as pessoas lidem com os momentos estressantes da vida, desenvolvam todas as suas habilidades, sejam capazes de aprender e trabalhar adequadamente e contribuam para a melhoria de sua comunidade. É uma parte fundamental da saúde e do bem-estar que sustenta nossas habilidades individuais e coletivas de tomar decisões, estabelecer relacionamentos e moldar o mundo em que vivemos. A saúde mental também é um direito humano fundamental. E um elemento essencial para o desenvolvimento pessoal, comunitário e socioeconômico.
Saúde mental é mais do que apenas a ausência de transtornos mentais. Ela ocorre em um processo complexo, que cada pessoa vivencia de uma maneira diferente, com graus variados de dificuldade e sofrimento, e resultados sociais e clínicos que podem ser muito diferentes.
As condições de saúde mental incluem transtornos mentais e deficiências psicossociais, bem como outros estados mentais associados a um alto nível de sofrimento, incapacidade funcional ou risco de comportamento autodestrutivo. Pessoas que sofrem com eles têm maior probabilidade de apresentar níveis mais baixos de bem-estar mental, embora isso não seja necessariamente sempre o caso.
Transtornos mentais e transtornos relacionados a substâncias psicoativas são altamente prevalentes em todo o mundo e são causas importantes de morbidade, incapacidade e mortalidade prematura. No entanto, os recursos alocados pelos países para lidar com esse fardo são insuficientes, distribuídos de forma desigual e, às vezes, usados de forma ineficiente. Juntos, esses fatores levaram a uma lacuna de tratamento que, em muitos países, ultrapassa 70%. O estigma, a exclusão social e a discriminação que cercam pessoas com transtornos mentais agravam a situação.
Os transtornos mentais, neurológicos e por uso de substâncias (TMNS) representam 14% da carga global de doenças. Entre 75% e 90% das pessoas com TMNS não recebem o tratamento necessário, embora existam tratamentos eficazes; isso representa a lacuna na saúde mental.
Programa de Ação para Superar as Lacunas em Saúde Mental (mhGAP) tem como objetivo atender às necessidades não satisfeitas de pessoas com problemas de saúde mental em serviços de saúde não especializados.
Problemas comuns de saúde mental podem ser gerenciados por meio da atenção primária. A integração da assistência à saúde mental é uma estratégia fundamental que os países devem incluir em seus programas de saúde mental.
Esta estratégia promove um novo modelo de saúde mental abrangente e integrada, acessível e de alta qualidade, baseado numa abordagem em rede aos serviços de saúde, facilitada pela coordenação e encaminhamento, monitorização e apoio a nível especializado. O bem-estar no individuo contém saúde física, mental, emocional, social e espiritual. Não há saúde sem saúde mental.
Por Diácono Amauri Dias de Moura, Arquidiocese de Belo Horizonte/MG
O resumo em seguida tem como base as Análises de Conjuntura Social e Eclesial da CNBB, de junho de 2026, feitas pelo Grupo de Análise de Conjuntura “Padre Thierry Linard” - CNBB e as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE) 2026-2032 e, buscando indicar propostas de ações pastorais concretas em linguagem simples, direta e acessível.
A análise da CNBB aponta um momento de profundas transformações no Brasil e no mundo, vejamos:
️ Conjuntura Social e Política
Crise Democrática e Institucional: O ambiente político atual é marcado pela perda de confiança nas instituições, polarização e pela ascensão do sentimento de antipolítica. Há uma sensação crescente de abandono e desigualdade entre a população.
Captura do Público pelo Privado: Episódios recentes mostram fragilidades no Estado (como na administração de emendas e recursos), revelando o risco de o orçamento público atender a interesses de grupos específicos em vez do bem comum.
Emergência de Novos Desafios: Transições climáticas, expansão do crime organizado, reconfiguração das forças políticas e as redes digitais impõem novos desafios sociais.
A Virada Tecnológica e a IA: Com o advento da Inteligência Artificial e a automação, a tecnologia não é neutra. Ela afeta o trabalho, a comunicação e as relações humanas. A encíclica Magnifica Humanitas do Papa Leão XIV reforça que a fé precisa propor uma ética clara centrada na dignidade humana diante da tecnocracia.
⛪ Conjuntura Eclesial e Fé-Política
A ação política do cristão deve ser guiada pela ética, busca pelo bem comum e combate às injustiças, sem interesses pessoais ou busca de privilégios.
A Igreja é chamada a acolher a virada do tempo e sair de si mesma, promovendo o diálogo e a inclusão pastoral.
Observa-se um certo e preocupam te silenciamento da Igreja, em relação às questões diversas que impactam a sociedade brasileira, o que tende a evidenciar a perda de um Profetismo e um posicionamento em cima do muro, que tende a favorecer discursos e ações eclesiais e sociais opostas à “Igreja em saída”, “pobre e dos pobres”.
2. Avaliação das Análises e das DGAE
Pertinência e Rigor: Os documentos da CNBB utilizam uma metodologia de observação sociológica e teológica coerente com a Doutrina Social da Igreja. Os dados e conceitos trazidos oferecem um diagnóstico realista do país, sem cair em viés estritamente partidário, mas focando na ética e no impacto sobre os mais vulneráveis.
Fundamentação Teológica: A articulação entre a análise social e o Magistério (destacando os apelos do Sínodo sobre a Sinodalidade e os ensinamentos papais) consolida uma base sólida para a ação da comunidade cristã católica no espaço público, na sociedade a partir das DGAEs.
3. Propostas de Ações Concretas para uma “Igreja em Saída”
Com base no Sínodo sobre a Sinodalidade, que nos convoca à Comunhão, Participação e Missão e no Objetivo Geral das DGAEs 2026-2032 - evangelizar como Igreja sinodal, em comunidades, e fiel à opção pelos pobres – destacam-se as seguintes ações práticas:
欄 A. Fortalecimento da Comunhão e Participação
1. Conselhos Pastorais Ativos e Formados: Garantir a formação de leigos e leigas para uma escuta qualificada nos Conselhos Pastorais e Administrativos Comunitários, Paroquiais e Diocesanos, superando o clericalismo e promovendo a corresponsabilidade decisória. Sendo promovidos os conselhos como reais espaços de deliberação e não só consultivos.
2. Criação de Espaços de Cidadania e Fé: Promover nas paróquias rodas de conversa e “Escolas de Fé e Cidadania” (nome mais aceito para o Fé e Política) e criação e ou fortalecimento das Pastorais Sociais, conforme cada realidade local, conscientizando a comunidade sobre o voto ético, fiscalização de políticas públicas e combate à manipulação de informações nas redes sociais e cuidado da vida, em especial dos pobres e da criação.
B. Missão e Inclusão nas Periferias Sociais e Digitais
3. Presença Transparente e Missionária: Realizar visitas missionárias regulares e reforçar projetos de cooperação entre dioceses/paróquias (como o projeto Igrejas Irmãs), priorizando as áreas mais vulneráveis.
4. Humanização da Cultura Digital: Criar ou qualificar a Pastoral da Comunicação (PASCOM) que não apenas “transmitam eventos”, mas usem os meios digitais para promover o diálogo, combater as Fake News bem como discursos de ódios e o desamparo social e conscientizar sobre o uso ético das novas tecnologias. Resgatando a unidade Fé-Vida. Ainda, o mundo e a cultural digital é uma realidade recorrente na vida das juventudes, que são a maioria neste ambiente e, portanto, um espaço em disputa por propostas destoantes como a democracia e a ditadura, uma igreja comprometida com a vida e uma igreja só de ritualismos.
5. Acolhida Diversificada: Estruturar e ou fortalecer localmente, ações pastorais e ou sociais, direcionadas aos grupos destacados pelas Diretrizes como jovens, mulheres, famílias em situação de vulnerabilidade, pessoas com deficiência e neurodivergentes, dentre outros. Tendo abertura e acolhida para a diversidade e a pluralidade de nossa sociedade, o que exige diálogo.
❓ Pergunta para dar o que pensar e fazer
Como em se considerando a realidade local da sua Comunidade, Paróquia e ou Diocese, tendo análises sociais e eclesiais, como efetivar ou avançar na implantação e ou implementação das propostas das DGAEs 2026-2032 (que também são respostas ao sínodo sobre a Sinodalidade)?
(06 a 13 de janeiro de 2027)
“Descer a Nazaré: do coração de Deus ao coração da humanidade”
(Pe. Marcos Antônio dos Santos, CRL)
Caro irmão e irmã das Fraternidades do Brasil! Paz e Bem!
Que a alegria do Bem-Amado Senhor Jesus seja nossa força!
Vimos lhe convidar a participar do Retiro Anual da Fraternidade Sacerdotal Jesus+Caritas, onde aprofundaremos a nossa espiritualidade e estreitaremos nossos laços fraternos.
Início: 06 de janeiro de 2027, quarta-feira, às 17h, com a Celebração Eucarística.
Término: 13 janeiro, quarta-feira, às 12h, com almoço.
Orientador: Pe. Marcos Antônio dos Santos, CRL
Local: CONVENTO SANTO ANTÔNIO
Bairro Ipuarana
LAGOA SECA/PB
Obs.: Quem chegar antes do dia, deve confirmar pelo telefone: (83) 3366-1204.
Levar: Ofício Divino das Comunidades e Bíblia, algo de sua região para a confraternização. Remédios de uso contínuo. Comunicar se tem restrição alimentar.
Favor enviar sua inscrição com seu nome, telefone e endereço completo;
até o dia 30 de novembro 2026, para o e-mail: fsjcbrasil@gmail.com ou pelo link:
https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSfdHHYIJDu3eYZoU2vRuN7r0mjKX1YlZKWC3JTM7I6C_93c5Q/viewform?usp=publish-editor.
Investimento: R$1.700,00 (Hum mil e setecentos reais) quartos individuais com ventilador e R$1.800,00 (Hum mil e oitocentos reais) quartos com ar-condicionado. Está incluso roupa de cama e banho, bem como as despesas com o pregador. O pagamento deve ser feito no início do retiro e enviado para o Pe. Josivan: (66) 8157-5304.
Convide também padres simpatizantes da Fraternidade, seminaristas teólogos, irmãos(as), consagrados(as) e leigos(as) ligados à espiritualidade de São Carlos de Foucauld.
Fraternalmente, no bem-amado Senhor Jesus!
Pe. José de Anchieta Moura Lima
Responsável Nacional
janchietamoura@hotmail.com / (32) 99917-4278
Entre os dias 2 e 28 de fevereiro de 2026, a pacata localidade rural de Rapel de Navidad, no Chile, transformou-se no cenário de uma “aventura espiritual” que transcendeu fronteiras. O Mês de Nazaré, pilar da Fraternidade Sacerdotal Iesus Caritas, reuniu pastores em busca do essencial, evocando a imagem do peregrino que, carregando apenas uma velha mochila e o sonho de fraternidade, sulca mares para encontrar a Deus no silêncio. Sob a condução do Padre Fernando Tapia, o encontro celebrou a união latino-americana, destacando-se a participação dos brasileiros Padre Domingo de Jesús e Padre Marcílio Norberto da Silva. A logística do evento revelou a beleza do serviço prático: o economato, inicialmente gerido por Juan Antonio González (que retornou à sua missão em Temuco), foi assumido pelo Padre Arturo Mansilla, que viajou desde Chiloé, no extremo sul chileno, até a zona central — um gesto de gratuidade que sintetiza o espírito de sacrifício da fraternidade.
A escolha deste solo rural para acolher líderes do Brasil e do Chile não foi meramente logística, mas profética. Ao optar pela simplicidade das periferias, a Fraternidade reforça sua identidade como “peregrina na esperança”. A diversidade de origens, contrastada com a unidade do propósito, demonstra que a missão sacerdotal não reside no prestígio das grandes metrópoles, mas na capacidade de ser presença em Nazaré. Este tempo de renovação preparou o espírito para mergulhar no legado místico de São Carlos de Foucauld, onde o deserto se torna o solo fértil para a voz do Evangelho.
No horizonte teológico de Foucauld, a eficácia do ministério moderno não se mede pelo ativismo, mas pela profundidade da adoração. Em Rapel de Navidad, a rotina foi um convite a “deter a vida agitada”. Durante a primeira semana, o grupo dedicou-se a forjar a fraternidade através da partilha das “Histórias Pessoais de Fé”. Longe de ser um exercício formal, este compartilhar de trajetórias de salvação criou uma comunhão profunda, onde cada sacerdote pôde reconhecer as maravilhas de Deus na vida do irmão. A adoração eucarística noturna, realizada em turnos, e o silêncio rigoroso transformaram a casa em um santuário vivo.
O Dia de Deserto, vivenciado nas sextas-feiras, encontrou nos cenários do Rio Rapel e no monte da cruz o testemunho geográfico da busca pelo rosto de Deus. Não era um isolamento vazio; os sacerdotes levavam consigo o mundo. Ao ofertório da Missa diária, eram trazidas as intenções dos enfermos, dos pobres e dos camponeses locais, garantindo que o “deserto” fosse um ato de solidariedade espiritual. Como ensinava o Irmão Carlos: “A hora melhor empregada de nossas vidas é aquela em que amamos mais a Jesus”. Esse mecanismo de purificação e fortalecimento permitiu que o silêncio deixasse de ser ausência para tornar-se o espaço onde a vida "grita o Evangelho".
A mística de Nazaré exige o suor do rosto. Diariamente, ao menos duas horas foram dedicadas ao trabalho manual — desde reparos estruturais e limpeza profunda das dependências até o asseio doméstico. Para o clero, essa prática é uma ferramenta estratégica de identificação com o povo. Ao assumir a vassoura ou o martelo, o sacerdote despe-se da autoridade puramente sacramental para abraçar a dignidade do trabalhador braçal, unindo-se aos “pequenos” da terra.
Essa inserção comunitária floresceu na participação ativa na “Piedade Popular”. Os sacerdotes não foram apenas celebrantes, mas peregrinos entre o povo, especialmente durante a festa de Nossa Senhora de Lourdes. A preparação coletiva das leituras aos sábados à noite transbordou em missas dominicais que irrigaram a fé de diversas comunidades. O grupo marcou presença na Paróquia de Navidad e nos Santuários de La Merced de Rapel, Imaculada de Lo Abarca e San Sebastián de Cartagena. Esse intercâmbio de fé e simplicidade atraiu a atenção de figuras exponenciais do clero chileno, validando a experiência como um sopro de vitalidade eclesial.
A autenticidade do retiro foi selada por gestos de profunda humanidade e irmandade institucional. Dom Cristian Contreras Villarroel, Bispo de Melipilla, visitou o grupo para presidir a Eucaristia. Mesmo enfrentando visíveis limitações por razões de saúde, o bispo protagonizou um momento de rara beleza cristã ao trazer e servir pessoalmente o alimento para o almoço fraterno. Esse gesto do pastor ferido cuidando de seus presbíteros é a manifestação máxima da gratuidade que sustenta a Igreja nas periferias.
A corrente de apoio seguiu com a visita do Padre Juan Carlos Farias, Reitor do Santuário de Pelequén, que enfrentou uma longa viagem para entregar provisões ao economato. Esses encontros não foram protocolares; foram bálsamos de fraternidade. A presença de um bispo que supera sua própria dor para estar com os seus e de um reitor que se torna providente para os irmãos demonstra que Nazaré é, acima de tudo, um lugar de cuidado mútuo. Essa rede de apoio preparou os corações para o encerramento de um ciclo e o início de outro, ainda mais austero.
O desfecho do Mês de Nazaré coincidiu estrategicamente com a Quarta-feira de Cinzas, estabelecendo uma ponte natural entre a renovação vivida e a penitência quaresmal. A celebração da imposição das cinzas foi o ápice da humildade, onde cada sacerdote, incluindo os brasileiros Domingo e Marcílio, reconheceu sua fragilidade diante do Criador. Foi o momento de abrir o caminho para as confissões sacramentais e para a projeção pastoral de “gritar o Evangelho com a própria vida”.
O cronista do encontro, Padre Hernán Vergara Jara, registrou em suas notas finais um profundo sentimento de gratidão. Em sua visão, o retiro transformou o “viajante solitário” em um missionário renovado, pronto para retornar às suas bases com o coração dilatado. A experiência em Rapel de Navidad deixa uma mensagem clara para a Fraternidade Iesus Caritas na América Latina: em um mundo escravo da pressa, “Deus criou o tempo, não o apuro”. Os valores de simplicidade e amizade aqui reafirmados são a esperança de uma Igreja que, como Jesus em Nazaré, sabe que a maior missão começa no silêncio e no trabalho humilde.
De 4 a 6 de maio, sob a coordenação do Pe. Andrés, responsável pela Região do Estado de São Paulo, reuniram-se, em Jundiaí/SP, na Casa de Encontros das Irmãs Agostinianas, 15 representantes das Fraternidades desse Estado: São Paulo, São José do Rio Preto, Marília, Campinas e Guarulhos, além de dois representantes de Santos, que desejam iniciar uma Fraternidade a pedido de Dom Joaquim Mol. Participaram também um representante das Fraternidades Leigas de São José do Rio Preto e o representante nacional.
No primeiro dia, após a apresentação dos participantes, Pedro Paulo Scandiuzzi apresentou alguns aspectos da vida de São Charles de Foucauld e nos enriqueceu com significativas informações.
No segundo dia, o nosso querido Pe. Celso Pedro da Silva aprofundou o tema “Meios para uma espiritualidade presbiteral”, a partir da reedição do livreto com esse mesmo título, realizada por ele e pelo Pe. José Bizon. Em seguida, o Pe. Paulo Crozera fez uma exposição sobre a Exortação Apostólica do Papa Leão XIV, Dilexi Te, favorecendo uma boa partilha entre todos.
No último dia, o Pe. José de Anchieta apresentou as notícias sobre a Assembleia de Buenos Aires (Argentina), na qual foi eleito como responsável internacional o nosso querido Pe. Carlos Roberto dos Santos. Igualmente, trouxe informações sobre a realidade das Fraternidades presentes nos diversos países.
Não faltou uma ótima confraternização, enriquecida com boas pizzas, vinho da Vinícola de Jundiaí e umas cervejinhas...
O encontro foi marcado por um clima extremamente fraterno e por momentos fecundos de espiritualidade. Pode-se dizer, com toda certeza, que essa experiência favoreceu uma vivência concreta do Tempo Pascal, pois, durante esses dias, tivemos o coração aquecido pela presença do Ressuscitado em nosso meio.
Informações – Pe. Paulo Crozera – Arquidiocese de Campinas/SP
Entre os dias 25 e 28 de maio de 2026, as Fraternidades do Regional Leste realizaram um retiro em Teófilo Otoni /MG, tendo como tema “Entre o fazer, o vazio e o esgotamento: a quem iremos, Senhor?”. A reflexão foi conduzida pelo Pe. Luiz Carlos Aguiar, que propôs aos participantes um olhar atento sobre o cansaço, o ritmo acelerado da vida contemporânea e a necessidade de recuperar o sentido da existência.
A partir de referências bíblicas e de autores contemporâneos, o retiro destacou que a sociedade atual vive uma profunda contradição: produz-se e exige-se cada vez mais, mas cresce também a experiência do cansaço e do esgotamento interior. O problema não está somente no excesso de atividades, mas, sobretudo, na perda do sentido: fazer muito sem saber o porquê e correr sem saber para onde.
Nesse contexto, a reflexão apresentou três personagens bíblicos — Marta e Maria, Nicodemos e o profeta Elias — como imagens de diferentes experiências humanas diante do ativismo, da busca pelo conhecimento e do esgotamento. Marta representa o risco de uma vida marcada pelo fazer, na qual a ação pode perder sua ligação com a presença e com o sentido. Maria, sentada aos pés de Jesus, recorda a importância da escuta, do silêncio e da presença diante de Deus.
A experiência de Nicodemos foi apresentada como símbolo daquele que possui conhecimento, mas continua inquieto interiormente. Diante de Jesus, ele é convidado não a acumular mais informações, mas a experimentar um novo nascimento, abrindo-se à transformação e a uma nova maneira de viver.
Já o profeta Elias revelou a dimensão mais profunda do esgotamento. Depois de uma grande vitória, o profeta entra em crise e experimenta a exaustão física, emocional e espiritual. A resposta de Deus chama a atenção: antes de exigir que Elias retome sua missão, Deus cuida dele, oferecendo-lhe alimento, água e descanso. Assim, o retiro ressaltou que Deus não se encontra apenas na nossa capacidade de realizar, mas também na nossa fragilidade e no nosso cansaço.
Ao final, as três figuras bíblicas foram relacionadas à experiência de cada pessoa: existe em nós uma Marta, que pode se perder no fazer; um Nicodemos, que pode se confundir no saber; e um Elias, que pode chegar ao esgotamento. A proposta do retiro foi, portanto, redescobrir o caminho de volta ao essencial: à presença, à fonte e a Cristo.
A pergunta que deu título ao encontro — “A quem iremos, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna” (Jo 6,68) — permaneceu como síntese da experiência. Mais do que uma pergunta teórica, ela foi apresentada como um verdadeiro grito existencial de quem, em meio ao cansaço e às incertezas, reconhece em Cristo a fonte da verdadeira vida.
O encontro proporcionou, assim, um importante momento de reflexão, espiritualidade e renovação, convidando os participantes a superar a lógica do ativismo e a redescobrir o valor da presença, do silêncio, do descanso e da relação profunda com Deus.
Informações – Pe. Luiz Carlos Aguiar – Arquidiocese de Belo Horizonte/MG
Nos dias 14 a 16 de julho, as Fraternidades do Nordeste realizaram seu encontro regional na Casa de Retiros São Vicente, em Fortaleza/CE. O encontro contou com a participação de 16 pessoas, provenientes dos estados do Ceará, Piauí, Paraíba e Pernambuco.
Durante os dias de convivência, os participantes refletiram sobre diferentes temas relacionados à missão da Igreja, à opção pelos pobres, à evangelização e à vida sacerdotal. Entre os assuntos abordados, esteve a encíclica Dilexit Nos, apresentada em sintonia com o magistério do Papa Francisco, especialmente no que se refere à presença de Cristo nos pobres e sofredores.
A reflexão destacou que “encontramos Cristo quando encontramos o pobre” e que os pobres devem ocupar um lugar central na vida e na missão da Igreja. Também foi ressaltado que o serviço aos pobres constitui um importante testemunho de santidade e uma expressão concreta do amor de Deus.
Outro momento do encontro foi dedicado à experiência espiritual e missionária de São Charles de Foucauld. Foram ressaltadas características fundamentais de sua espiritualidade, como a presença junto às pessoas, a escuta, a simplicidade, a amizade, a hospitalidade e o desejo de ser irmão de todos. Nesse contexto, destacou-se que a evangelização começa pela amizade e que a missão nasce de uma caridade vivida concretamente.
Também houve espaço para a reflexão sobre os desafios da evangelização no mundo digital, especialmente a partir das novas tecnologias e das mídias sociais. Os participantes refletiram sobre a necessidade de colocar a tecnologia a serviço da pessoa humana, sem perder de vista o compromisso ético e a importância de uma cultura do encontro.
Um dos temas que despertou particular atenção foi a crise na vida sacerdotal. Foram abordadas questões como o individualismo, a solidão, as relações superficiais, a burocratização da vida eclesial e as dificuldades na vivência da comunhão entre padres e bispos. A crise, porém, também foi apresentada como uma possibilidade de crescimento, maturidade, purificação e renovação da vida sacerdotal.
À luz de Charles de Foucauld, os participantes foram convidados a redescobrir a centralidade do Evangelho, da vida interior, do silêncio, da humildade, da adoração e da fraternidade universal. A experiência do encontro reforçou a importância de uma Igreja próxima das pessoas, especialmente dos pobres e daqueles que mais necessitam de acolhida.
Ao final, foram definidos alguns encaminhamentos para os próximos encontros.
O encontro foi, assim, uma oportunidade de formação, partilha, oração e fortalecimento dos laços fraternos, renovando o compromisso de viver o Evangelho no seguimento de Jesus e segundo o testemunho de São Charles de Foucauld.
Informações – Pe. Zacarias Souza Lima Neto – Diocese de Crateús/CE
O Conselho Nacional da Fraternidade Sacerdotal Jesus+Caritas Brasil reuniu-se em São Paulo, dos dias 13 a 15 de julho de 2026, na Paróquia Santa Rita de Cássia, no bairro Pari. O Encontro foi acolhido pelo nosso irmão Cônego Celso Pedro da Silva. A ele a nossa gratidão. No encontro foi tratado sobre o fechamento Associação Jesus Caritas, presidida pelo Pe. Carlos Roberto dos Santos com sede na Casa da Fraternidade, em Goiás/GO. A Assembleia da Associação foi hibrida, contando com a participação dos membros que estavam presentes bem como a de outros membros do conselho de forma on-line. O Encontro também avaliou o Retiro Anual de 2026, fez a organização do próximo, em 2027, em Lagoa Seca/PB, bem como o Mês de Nazaré 2026. Tivemos momentos de oração, adoração ao Santíssimo, missa e um dia de revisão de vida. Estiveram presentes o responsável nacional Pe. José de Anchieta, os membros da coordenação: Pe. Anderson, responsável pelo Boletim da Fraternidade; Pe. Almir José Ramos, segundo tesoureiro; Pe. Carlos Roberto dos Santos, responsável pelo Mês de Nazaré. De forma on-line, participaram do encontro: Pe. Loivo Aloísio Kochhann, responsável pelo regional Sul; Pe. Paulo Sérgio Mendonça Cutrim, responsável pelo regional Norte; Pe. Andréas Gonzalez Mejía, responsável pelo regional Sudeste; e Diác. Lindolpho Euqueres Ferreira Neto, responsável pelo regional Nordeste.
Caros irmãos da Fraternidade Sacerdotal Jesus+Cáritas,
Caminhamos com nosso Bem-amado em sua Páscoa aonde vimos, ouvimos e sentimos o triunfo do amor. Caminhando com Ele, tivemos a certeza de que a Páscoa não é um evento isolado, mas uma vida doada.
A Páscoa exige que nos retiremos das distrações para contemplar o Ressuscitado. Mas o deserto deixa de ser geográfico e passa a ser um espaço de escuta e renovação espiritual. Quando nos preparamos para receber o Espírito Santo em Pentecostes, continuamos percorrendo o deserto como silêncio interior, mas em meio à hiper conexão e à ansiedade da vida moderna, e não podemos deixar de ver ao nosso redor a dor e a morte de tantos inocentes, em muitos lugares do mundo, vítimas da ganância, da indiferença global, e da maldade humana. Em suas mensagens, tanto Papa Francisco como Papa Leão XIV condenaram veementemente estes conflitos armados, aos quais deram o nome claro e preciso de a “derrota para toda a humanidade”. É aí o lugar onde o fogo do Espírito nos impulsiona a sair das portas fechadas do medo e a habitar as periferias existenciais, forjando fraternidade onde há divisão. O Espírito que desceu sobre os apóstolos reunidos é o mesmo que hoje, com a mesma intensidade, sopra sobre cada um de nós curando nossas aridezes, aquecendo nossos corações frios e endireitando o que se tornou rígido em nosso ministério.
Em Pentecostes, não recebemos apenas um dom, mas a capacidade de compreender que orar é amar, e que amar é doar-se, gastar a nossa vida para gerar vida nova lá onde ela está apequenada ou diminuída. Sejamos dóceis e deixemo-nos mover pelo vento impetuoso do Espírito Santo, que não conhece barreiras, e nos convida a ser, como nosso irmão mais velho Charles de Foucauld, "irmãos universais" no coração do mundo.
A mística de Nazaré nos convida a silenciar o barulho digital e ideológico de nosso tempo, e viver a Ressurreição por meio de um abandono confiante, uma fidelidade na adoração eucarística e uma caridade fraterna. Não é preciso grandes feitos; o vento impetuoso do Espírito Santo atua em nós no silêncio e no anonimato de Nazaré. Que Ele queime em nós toda mediocridade, todo orgulho e todo medo, deixando apenas um desejo: viver o Evangelho na pequenez, na bondade e no silêncio. E nos capacite a amar tanto, que nos vendo, as pessoas possam dizer: “Se o servidor é assim, como não será o Mestre?”
Irmãos, deixemo-nos surpreender pelo Espírito Santo de Deus. A graça do encontro mensal na fraternidade local, com a alegria do encontro entre irmãos que fazem a revisão de vida e celebram juntos a eucaristia e a adoração eucarística é o lugar onde o Espírito age, suavizando corações para que nossos compromissos missionários nasçam da nossa proximidade com Jesus.
Sejamos sacerdotes com “cheiro de ovelhas”, apaixonados por Jesus e profundamente fraternos com aqueles que ele colocar em nossos caminhos.
Vem, Espírito Santo! Enchei os nossos corações!
Fraternalmente,
Pe. Carlos Roberto dos Santos
Responsável Internacional
Homenagem a Padre Aurelio Sanz Baeza, responsável internacional da Fraternidade Jesus Caritas entre 2012 a 2019
O padre Aurelio Sanz Baeza faleceu no dia 27 de agosto de 20263 no Hospital Santa Lucía, em Cartagena, onde estava internado. Sua morte deixou um profundo sentimento de perda entre os moradores da zona oeste de Cartagena, especialmente em Perín, cidade à qual ele tinha fortes laços por meio de seu trabalho pastoral e onde era uma figura muito querida e respeitada.
Sanz Baeza, sacerdote da Diocese de Cartagena, também foi nomeado em 2022 pelo Bispo José Manuel Lorca Planes como pároco de Santiago Apóstol de Cuesta Blanca, cargo que ocupou em paralelo com suas demais responsabilidades pastorais. A nomeação consta dos decretos diocesanos daquele ano.
Formada no espírito da Fraternidade Sacerdotal de Charles de Foucauld, a fraternidade defendia uma Igreja próxima, simples e comprometida com os marginalizados. Em entrevista concedida à Diocese de Málaga em 2016, explicou que os sacerdotes dessa fraternidade vivem seu carisma nas paróquias e em outros âmbitos da sociedade, esforçando-se para compartilhar as condições de vida dos mais pobres e praticando um "ministério pastoral de amizade".
Ele também desempenhou funções internacionais na Fraternidade Charles de Foucauld. Nessa entrevista, ele observou que seu trabalho consistia, entre outras coisas, em visitar e apoiar as fraternidades espalhadas por diferentes países e aprender em primeira mão sobre seus projetos e realidades. Esse compromisso com os mais vulneráveis também se refletiu em seu trabalho de cooperação internacional. Durante anos, ele esteve envolvido com a Fundação Tienda Asilo de San Pedro em Cartagena e com o projeto WEND BE NE DO, desenvolvido em Burkina Faso para auxiliar pessoas vivendo com HIV e pessoas com deficiência.
Outro incidente que Sanz compartilhou com a mídia foi quando, em janeiro de 2016, um ataque terrorista o surpreendeu em Istambul. O padre estava na cidade turca fazendo uma escala com outros trabalhadores humanitários da Fundação San Pedro Asylum and Shop antes de seguir para Ouagadougou, a capital do país africano.
A vereadora socialista e moradora de Galifa, Isabel Andreu, lembrou-se de Sanz como “um bom homem” e lamentou seu falecimento. Ela destacou especialmente seu compromisso com os mais vulneráveis e seu envolvimento no cotidiano das aldeias a oeste de Cartagena. Andreu também lembrou sua preocupação com os conflitos internacionais e, em particular, os constantes apelos do padre pela paz nos últimos anos, após os ataques de Israel a Gaza e à Cisjordânia.
“O dia 1º de setembro teria marcado 40 anos desde que ele foi nomeado pároco. Ele veio da paróquia de Santa Lucía. Sempre foi muito participativo e também morava aqui em Perín. Era membro da nossa comunidade”, recordou Bartolomé Gimeno, presidente da associação de moradores de Perín. “Ele era uma pessoa agradável para conversar, alguém que falava diretamente com as pessoas. Muito acessível. E, claro, era como um de nós no centro comunitário. As pessoas sempre o procuravam para tudo”, acrescentou.
Irmão Aurelio Sanz
Uma crônica apressada de uma despedida
Ao meio-dia da última sexta-feira, 27 de agosto de 2026, nosso irmão Aurelio partiu para a Casa do Pai no hospital Santa Lucía, em Cartagena (Múrcia). Seu corpo foi mantido na funerária La Estavesa, em Cartagena.
Pela manhã, visitei a funerária acompanhado por José Luis Muñoz (Irmão do Evangelho) para apresentar condolências aos seus três irmãos, cunhadas e sobrinhos, em meu nome e em nome de toda a Fraternidade Espanhola. A família e os amigos presentes fizeram uma oração emocionante e cheia de gratidão ao Senhor por sua vida exemplar e seu sacerdócio.
Uma hora antes da missa exequial, ele deixou a funerária rumo à sua paróquia de Nuestra Señora de la Piedad, no bairro de Perín (Cartagena), onde uma multidão de paroquianos e amigos o aguardava. O vigário da região, D. José Abellán, conduziu uma oração de boas-vindas comentando sobre a vida do pároco que acompanhou sua comunidade por quarenta anos.
A Eucaristia começou às 18h, presidida pelo bispo de Cartagena, Monsenhor José Manuel Lorca Planes, com quem cerca de trinta padres concelebraram, incluindo Antonio Sicilia Velasco e Mateo Clares Sevilla, de sua fraternidade; Aquilino Martínez Gallego e José Pérez Polo, da fraternidade de Valência; José Luis Muñoz (Irmão do Evangelho) e Manuel Pozo Oller, da fraternidade de Almería. A homilia é de uma doçura e proximidade que é comovente.
Os responsáveis pela liturgia exequial tiveram a delicadeza de confiar aos presentes da Fraternidade Sacerdotal alguns momentos da cerimônia: a imposição das vestes sacerdotais e da Palavra de Deus no caixão, a recitação da oração de Abandono, a aspersão de água benta nas orações finais, carregando a urna mortuária nos ombros.
A igreja paroquial e a praça adjacente estavam cheias de amigos para participar de uma cerimônia onde houve grande participação nas canções e leituras, na intervenção com o violoncelo de um de seus sobrinhos e com as palavras de gratidão do representante do bairro e do grupo tão conhecido em sua conta de e-mail de quintobe.
Praticamente todos os membros do Conselho Editorial do Boletim estavam presentes: Antonio Marco Santa, Diego Melendo, María del Carmen Picón, o já mencionado José Luis Muñoz e o diretor.
Muitas condolências foram recebidas dos irmãos da Fraternidade, por diversos meios. Todos nós pedimos na Eucaristia de sexta e sábado seu descanso eterno. Deixei isso conhecido à família, que o agradece de coração.
Um abraço especial para seus irmãos da Irmandade Murciana: Domingo Torá, José Marco, Mateo Clares e Antonio Sicilia. Muito incentivo! Confiamos sua vida ao amado e Senhor Jesus. Seu corpo coberto pela casula onde o coração e a cruz foram impressos é um sinal do que sua vida foi dada aos outros.
Suas cinzas aguardam a Ressurreição no cemitério paroquial de Nuestra Señora de la Piedad de Perin.
CONGAR, Yves. No coração da liturgia cristã. São Paulo: Paulus, 2025.
GUERRA, Gonçalo Miller. Charles de Foucauld: esvaindo em caridade. Braga: Editorial AO, 2025.
LEÃO XIV. Magnifica Humanitas: carta encíclica. Brasília: Edições CNBB, 2026.
LUBAC, Henri de. Paradoxo e mistério da Igreja. São Paulo: Paulus, 2025.
MOREIRA, Eduardo; VALIM, Rafael. A última chance: a denuncia da PGR e o futuro da democracia. São Paulo: Editora Contracorrente, 2025.
SANTOS, Marcos Antônio dos. Alcançados por Cristo: meditações sobre o dom da vocação presbiteral. Aparecida: Santuário, 2026.
SCANDIUZZI, Pedro Paulo. Charles de Foucauld: um novo olhar. São Paulo: Loyola, 2022.
ihu.unisinos.br
iesuscaritas.org
carlosdefoucauld.es
Data: 06 a 13 de janeiro de 2027
Convento Santo Antonio (OFM)
Sítio Ipuarana S/N - Zona Rural
Munícipio de Lagoa Seca – Campina Grande
Estado da Paraíba
CEP: 58117-000
Telefone: (83) 3366-1204 - Conta Comercial
E-mail: ipuaranaconvento@gmail.com
*Comumente conhecido como Convento Ipuarana.
Lagoa Seca é um município da Região Metropolitana de Campina Grande, Paraíba.
1. ITINERÁRIOS
Obs.: Todos os valores abaixo correspondem à pesquisa realizada no período de fevereiro de 2026.
1.1 Distância entre Terminal Rodoviário de João Pessoa a Campina Grande: 126 km / Horas: 2h a 2h30.
Valor da passagem de Ônibus: R$54,00 aprox.
1.2 Distância entre o Terminal Rodoviário de Campina Grande ao Convento Ipuarana, Lagoa Seca: 11km aprox.
Obs.: Não há transporte público do Terminal Rodoviário de Campina Grande para Lagoa Seca.
O valor do UBER: R$23,00 a R$30,00 aprox.
O valor do TÁXI: R$55,00 a R$70,00 aprox.
1.3 Distância entre o Aeroporto Presidente João Suassuna em Campina Grande-PB ao Convento Ipuarana: 17km aprox.
Valor UBER/TÁXI: R$55,00 a R$80,00 aprox.
Acesse estes link https://forms.gle/5BEMCx7J2e8HpaG46 e responda seus dados atualizados, par receber as edições 2025.
Dúvidas: jesuscaritasbrasil@gmail.com
com Diác. Amauri Dias de Moura
Responsável Nacional Pe. José de Anchieta Moura Lima
Pça Vigário Maia, 107 – Centro
CEP: 36.140 000 – Lima Duarte/MG
Cel.: (32) 3281 1236 e
(32) 99917-4278 (vivo)
E-mail: janchietamoura@hotmail.com
Diocese de Juiz de Fora
Responsável da Região Norte
Pe. Paulo Sergio Mendonça Cutrim
Rua Francisca Pires Sampaio, 10 – Centro
65.130-000 – Paço do Lumiar/MA
Tel. (98) 99145-4291 / 99153-2525
E-mail: pe.sergio@yahoo.com.br
Responsável da Região Nordeste
Irz. Diác. Lindolfo Euqueres Ferreira Neto.
Rua Químico José João de Miranda Freire, s/n,
Quadra 262, Lote 400, Alto do Mateus, João Pessoa/PB.
leuqueres@gmail.com
Responsável da Região Sul
Pe. Loivo Aloisio Kochhann
Rua Emilio Otto, 998 – Bairro Morro Santana
91.450-260 – Porto Alegre/RS
Tel.: (51) 99900-9905
E-mail: peloivo@yahoo.com.br
Responsável da Região Sudeste
Pe. Andréas Gonzalez Mejía
Rua Alberto Vetorazzo,137
CEP 15102-004 - São José do Rio Preto/SP
Tel.: (17) 99198-8292
andropus22@gmail.com
Responsável da Região Leste
Pe. Jaidson Martins Pereira
Praça Mons. Jorge Lopes de Oliveira, 220 – Centro
39.690-000 – Malacacheta/MG
TEL (33) 9995-1307
E-mail: jaidsonmartins@yahoo.com.br
Responsável da Região Centro-Oeste
Pe. José da Silva
Praça Barão do Rio Branco /Catedral
78.200-000 – Cáceres/MT
Tel. (65) 99625-8840
E-mail: cristotrabalhadorcac@diocesedecaceres.com.br
Retiro Anual: Pe. José de Anchieta Moura Lima
Mês de Nazaré: Pe. Carlos Roberto dos Santos
Rua Padre Felipe Leddet, Quadra 7, Lote 33
Setor São Vicente - Caixa Postal 5
CEP 76.600-000 – Goiás/GO
Cel.: (14) 99698 4661 (Vivo)
E-mail: pecarlosroberto@gmail.com
Publicações: Pe. José Bizon
Rua Afonso de Freitas, 704 – Paraíso
CEP 04.006-052 – São Paulo/SP
Tel.: (11) 3884-1544 e (11) 99910-2629 (TIM)
E-mail:dcj@casadareconciliacao.com.br; padrebizon@casadareconciliacao.com.br
Boletim da Fraternidade
Responsável: Pe. Anderson Messina Perini
Rua Felício Pedroso, 201 – Bairro Jardim Bom Pastor
CEP 09.051-330 – Santo André/SP
Cel. (WhatsApp) (14) 99683-9584
E-mail: anderson.m.perini@gmail.com
Boletim (Expedição): Diác. Amauri Dias de Moura
Rua Século, 16 – Conjunto Paulo VI
CEP 31.998-100 – Belo Horizonte/MG
Cel. (WhatsApp) (31) 99419-5907
E-mail: amauribh@gmai.com/jesuscaritasbrasil@gmail.com
Finanças: Pe. Josivan Calixto de Arruda
Av. São João, 440 – Bairro Primavera I - Centro
CEP: 78.850-000 – Primavera do Leste/MT
Cel. (WhatsApp) (66) 98157-5304
E-mail: arrudacalixto77@gmail.com
1. Fraternidade Sacerdotal Jesus Caritas - Internacional
Responsável: Pe. Carlos Roberto dos Santos
Rua Padre Felipe Leddet, Quadra 7, Lote 33
Setor São Vicente - Caixa Postal 5 - CEP 76.600-000 – Goiás/GO
Cel.: (14) 99698 4661 (vivo)
E-mail: pecarlosroberto@gmail.com
2. Fraternidade Sacerdotal Jesus Caritas - Brasil
Responsável: Pe. José de Anchieta Moura Lima
Pça Vigário Maia, 107 – Centro
CEP: 36.140 000 – Lima Duarte/MG
Cel.: (32) 3281 1236 e (32) 99917-4278 (vivo)
E-mail: janchietamoura@hotmail.com
2. Fraternidade Leiga Charles de Foucauld
Coordenador nacional: Renato José Bicudo
Rua Major Sertório, 321 apt. 264 - Consolação
CEP 01222-001 – São Paulo - SP
renatojbicudo@yahoo.com.br
3. Fraternidade Missionária Carlos de Foucauld
Responsável: Pe. Beto Mayer
Rua Tabatinguera, 75 - Sé - CEP 01.020-001 São Paulo - SP
Fone: (11) 3107-5710
e-mail: mayerbeto@gmail.com
4. Irmãozinhos da Divina Ternura
Responsáveis: Irmãozinhos João, Helder e Junior
Rua Genarino Firmino Battistelli, 100 – B. Industrial
85045-630 - Guarapuava – PR – Caixa Postal 241 - Fone: (42) 36242153
e-mail: santuariosstrindade@hotmail.com
5. Instituto Secular
Responsável: Maria Concilda Marques
Rua Nogueira Acioli, 1050 - Apartamento, 703 - Centro
60110-140 Fortaleza - CE
Fone: (85) 3226-4074 Fixo e (85) 996109546 Tim
e-mail: marcelocorima@yahoo.com.br
6. Sodalício Carlos de Foucauld
Responsável: Margareth Malfiet
Bélgica
e-mail: gretaporanga@yahoo.com.br
1 Extraído do Caderno: Celebração do Centenário da Ordenação Sacerdotal de Charles de Foucauld, no Grande Seminário de Viviers em 9 de junho de 1901 + Simpósio Histórico e Espiritual - Charles de Foucauld, Sacerdote. Viviers (Ardèche) 13 a 15 de julho de 2001.
2 Texto revisado com auxílio de IA
3 Fonte: Jesus Nicolau, jornalista de Cartagena, jornal “La verdade”. Disponível em: https://www.laverdad.es/murcia/cartagena/fallece-parroco-perin-sacerdote-cooperativista-aurelio-sanz-20260827145043-nt.html. Acesso em: 28.ago.2026.