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“Se me amais, guardareis os meus mandamentos e eu rogarei ao Pai e Ele vos dará outro Defensor para que permaneça sempre convosco” (Jo 14, 15-21).
Na próxima semana, já celebraremos a solenidade da Ascenção do Senhor. Este é o sexto e último domingo do tempo pascal.
Nos três primeiros, fomos brindados com o testemunho das mulheres, as primeiras anunciadoras da Ressureição (Jo 20, 1-18); depois, com o encontro por duas vezes, de Jesus com os discípulos trancados num mesmo lugar, por medo dos judeus (Jo 20, 19-39), e ainda com o encontro à beira do lago na Galileia, onde tudo havia começado. Ali, Jesus partilhou com eles pão e peixe, depois de uma nova pesca abundante (Jo 21, 1-19).
Nos dois domingos que se seguiram, Jesus voltou a repetir para os discípulos: “Não se perturbe o vosso coração” e avisou que iria preparar para eles uma morada na casa do seu Pai e que viria, então, busca-los, para que, “lá, onde eu estiver, estejais vós também” (Jo 14, 1-14)
Tivemos, em seguida, o domingo do Bom Pastor (Jo 10, 1-11) e, agora, o da promessa do Espírito: “eu rogarei ao Pai e Ele vos dará outro Defensor”, o Espírito Consolador, o Advogado, o que acode, na dor, no desamparo, na necessidade (Jo 14, 15-210.
Jesus completa sua fala com uma promessa:
“Não vos deixareis órfãos. Eu virei a vós” (14, 18).
No alto da cruz, cumpriu essa promessa, antes de partir, ao dirigir-se a Maria e a João, o discípulo mais jovem do grupo dos doze. Podemos recordar esse momento:
“Junto à cruz de Jesus, estavam sua mãe, a irmã de sua mãe, Maria de Cléofas e Maria Madalena.
Jesus vendo a mãe e ao lado o discípulo predileto, diz à mãe:
‘Mulher, eis aí o teu filho’.
Depois diz ao discípulo:
‘Aí está a tua mãe’” (Jo 19, 25-27).
Este Dia das Mães, é dia de gratidão para com nossas mães, de prece por todas as mães, as vivas e falecidas, de fraterna solidariedade com as mães, que levam sozinhas a labuta do lar, por serem viúvas, solteiras, abandonadas pelo pai de seus filhos ou as valentes que além de seus próprios filhos, adotaram e criaram com o mesmo carinho, crianças de outras mães.
Somos convocados nesse dia a uma séria revisão das relações em nossas famílias.
Acabou, praticamente, aquela tradicional divisão de tarefas na casa: o homem saia para “trabalhar” e “sustentar a família” e mulher se encarregava das tarefas domésticas e do cuidado com as crianças. E quando se perguntava a uma mulher nessa condição, a resposta era que era “do lar” e “não trabalhava”! Era como se toda a trabalheira que começava antes de o sol raiar e só terminava tarde da noite, em cuidar das crianças e do marido, da limpeza da casa e do quintal, de cozinhar, lavar a roupa, consertar e passar, ficar a noite toda acordada, com um filho ou filha com febre e tocar o dia seguinte, como se tudo nada fosse, ou pior, que não fosse nada mais do que obrigação e que nem um reconhecimento merecesse.
Esse mundo praticamente não existe mais: o marido sai para trabalhar e a mulher também. Só que precisa sair antes, correndo, para deixar a criança na creche.
É hora, nesse Dia das Mães, além da gratidão e de uma homenagem, dividir todas as tarefas domésticas entre o homem e a mulher, de fazer juntos a faxina geral da semana, de arriscar a fazer o almoço do domingo, sem queimar o feijão, de acompanhar a mulher ou substitui-la na compra semanal no supermercado, de levar as crianças para passear no sábado e no domingo e não sumir para a pescaria ou o futebol.
Os filhos e filhas, além de darem um beijo e um abraço nesse Dia das Mães, podem arrumar suas próprias camas, ajudar na limpeza da casa e lavar a louça depois do café, do almoço e da janta. As mães não precisam nem devem ficar sempre extenuadas arrumando a bagunça da casa e limpando banheiros e cozinha.
Somos convidados a reinventar nossas relações dentro de casa, no trabalho, na sociedade tendo como guia e modelo o que nos traz Jesus nessa última conversa com seus discípulos antes de sua paixão, morte e ressurreição, modelo baseado no amor e reciprocidade que presidem as relações entre o Filho, o Pai e o Espírito:
“Quem acolheu meus mandamentos e os observa, esse me ama.
Ora, quem me ama, será amado por meu Pai e eu o amarei e me manifestarei a ele” (15, 21).
UM FELIZ DIA DAS MÃES, COM NOSSO CARINHO, PRECES E GRATIDÃO.
Houve uma época em que não se aceitava a existência histórica do matriarcado por insuficiência de dados. As pesquisas arqueológicas, os estudos da psicologia do profundo e outros confirmaram o fato de que realmente existiu, há 20 anos, uma fase matriarcal da humanidade.
Primeiramente, foi identificada na bacia do Mediterrâneo e depois em quase todas as partes do mundo. Descobriram-se figuras femininas da divindade, as grandes mães de mil seios, simbolizando a fecundidade da mulher.
Essas sociedades eram profundamente ecológicas, integradas na natureza, pacíficas e inclusivas de todos.
Mas os tempos mudaram e com eles as relações entre homens e mulheres. Provavelmente o desenvolvimento de instrumentos e de tecnologias mais efetivas no domínio da natureza e na consecução dos alimentos, exigindo mais força física, permitiram aos homens, ganharem, lentamente, mais proeminência. Eles se valeram destas vantagens e elaboraram estratégias para desbancarem o matriarcado. Introduziram o domínio do homem sobre a mulher e a ocupação deles de todos os espaços públicos.
Deu-se uma verdadeira luta dos sexos, luta de gênero que não terminou ainda, pois continua até os dias de hoje. Exemplifiquemos.
É emblemática a forma como foi retrabalhado o pecado de Adão e Eva. Nele se revela todo esforço de desmonte do matriarcado por parte do patriarcado. Essa visão foi aprofundada a partir de 1986 quando se criou a Internationale Akademie HAGIA, dedicada à pesquisa crítica e às experiências do matriarcado. A fundadora Heide Göttner-Abendroht resumiu as pesquisas em dois volumes Das Matriarcat I e II (Stuttgart 1988 e 1991).
Para a nossa reflexão é fundamental os estudos multidisiplinares de duas eruditas teólogas feministas, Riane Eisler (Sex Myth and Poilitics of the Body: New Paths to Power and Love, Harper San Francisco 1955) e Françoise Gange (Les dieux menteurs, Paris, Editions Indigo-Côtes Femmes, 1997). Elas, de forma refinada, usando a linguística, o estruturalismo e outras ciências afins, mostraram que ao atual relato patriarcal subjaz um relato matriarcal anterior. Ele foi apagado e reescrito para justificar o poder patriarcal sobre a mulher. Seguiremos sua argumentação.
Os ritos e símbolos sagrados do matriarcado são diabolizados e retro-projetados às origens na forma de um relato primordial e divino.
O atual relato do pecado das origens coloca em xeque quatro símbolos fundamentais da religião das grandes deusas-mães.
O primeiro símbolo a ser atacado foi a própria mulher (Livro do Gênesis 3,16) que na cultura matriarcal era dotada do sexo sagrado, gerador de vida. Como tal ela simbolizava a Grande-Mãe, a Suprema Divindade.
Em segundo lugar, desconstrui-se o símbolo da serpente, considerado o atributo principal da Deusa-Mãe. Ela representava a sabedoria divina que se renovava sempre como a pele da serpente.
Em terceiro lugar, desfigurou-se a árvore da vida, sempre tida como um dos símbolos principais da vida. Ligando o céu com a Terra, a árvore continuamente renova a vida, como fruto melhor da divindade e do universo. O Gênesis 3,6 reconhece explicitamente que “a árvore era boa para se comer, uma alegria para os olhos e desejável para se agir com sabedoria”. Mas sobre ela cai o interdito, nem se pode tocá-la, pode produzir a morte.
Em quarto lugar, destruiu-se a relação homem-mulher que originariamente constituía o coração da experiência do sagrado. A sexualidade era sagrada pois possibilitava o acesso ao êxtase e ao saber místico.
O atual relato do pecado das origens inverteu totalmente o sentido profundo e verdadeiro desses símbolos. Dessacralizou-os, diabolizou-os e os transformou de bênção em maldição.
A mulher será eternamente maldita, feita um ser inferior: “o homem a dominará” (Gen 3,16). O poder da mulher de dar a vida foi transformado numa maldição: “multiplicarei o sofrimento da gravidez” (Gn 3,16). Como se depreende, a inversão foi total e com consequências altamente negativas para o imaginário posterior, controlado pelos homens.
A serpente é maldita (Gn 3,14) e feita símbolo do demônio tentador. O símbolo principal da mulher foi transformado em seu inimigo fidagal: “porei inimizade entre ti e a mulher” Gn 3,15).
A árvore da vida e da sabedoria, na atual leitura patriarcal, vem sob o signo do interdito (Gn. 3,3). Antes, na cultura matriarcal, comer da árvore da vida era se imbuir de sabedoria. Agora comer dela significa um perigo mortal anunciado por Deus mesmo: “não comais do fruto da árvore do meio do jardim, sequer a tocais, do contrário morrereis (Gn 3,3).
O amor sagrado entre o homem e a mulher vem distorcido: “entre dores darás à luz os filhos; a paixão arrastar-te-á para o marido e ele te dominará” (Gn 3,16).
A partir de então se tornou impossível uma leitura positiva da sexualidade, do corpo e da feminilidade. Aqui está a justificativa histórico-social do crime do feminicídio no Brasil e no mundo. Segundo a ONU: 140 mulheres são vítimas de feminicídio por dia no mundo. Na América Latina e Caribe,11, no Brasil 4 diárias.
"Jesus deixa de lado o moralismo e o legalismo, procurando sempre a vida. Não é que Ele veio acabar com a Lei ou torná-la banal, mas nos fazer entender que não é a lei pela lei, e sim o amor pelo amor, a lei a serviço do amor (Mc 2, 27). Isso significa que não é porque uma pessoa tem uma tatuagem que não entrará no céu, mas que isso vai depender de como ela tratou o próximo e ajudou na construção do Reino de Deus", escreve Alvim Aran, filósofo e irmão formado pelo Seminário Provincial Sagrado Coração de Jesus, em Diamantina/MG.
Outrora, falamos sobre líderes religiosos midiáticos que evangelizam por meio das redes sociais, não deveria haver problema nisso. Os meios de comunicação estão aí para auxiliar na difusão do Evangelho, assim como Paulo utilizou os caminhos dos soldados romanos para difundir as palavras de Jesus em seu tempo. Hoje, em nosso tempo, utilizamos os meios que temos, a tecnologia é um desses meios.
Mas então, onde vemos o erro? Ora, não raro aparecem gurus que usam as redes sociais para defender a sã doutrina e Jesus Cristo; no entanto, parece que querem defender mais os seus preconceitos do que, de fato, aquilo que Cristo ensinou durante os quase três anos de catequese. O que falam reflete preconceitos pessoais. Quando é apenas uma pessoa falando, não tem tanta força; no entanto, quando isso se eleva a um grupo, acaba por se criar uma corrente que não é tão boa.
Quando uma pessoa diz, por exemplo, que não gosta de tatuagens em um círculo pequeno, não há tanta relevância. Mas, quando essa mesma pessoa utiliza uma rede social para falar isso, alcança mais pessoas, e uma bolha que antes parecia pequena cresce e se difunde como fermento na massa, tanto para o bem quanto para o mal.
Com isso, aparecem novas pessoas que antes estavam escondidas e ganham força para expressar suas ideias, criando e fomentando uma moral de rebanho, utilizando o nome de Jesus e as Sagradas Escrituras fora de contexto para defender seus próprios pensamentos. Tudo isso advém de um único líder religioso que utilizou a rede social para reunir esse grupo; e esse grupo, junto aos seus, utiliza isso como forma de ataque aos outros que não compartilham de suas ideias.
Mas onde estão as ideias de Jesus e onde não estão? É fácil pegar um microfone e dizer que Jesus é contra isso ou aquilo, mas é de fato Jesus quem é contra, ou são os nossos preconceitos disfarçados de vontade de Deus? Jesus nunca pregou o legalismo e o moralismo (Mt 23, 27 - 28); muito pelo contrário, foi um revolucionário, nadando contra a corrente em um tempo em que era preciso seguir 613 leis para ir ao céu, leis que, às vezes, matavam nossos irmãos e irmãs como em Mc 2, 23 – 28; Mc 3, 1 – 6; Mc 7, 1 – 13; Lc 13, 10 – 17, etc.
Jesus deixa de lado o moralismo e o legalismo, procurando sempre a vida. Não é que Ele veio acabar com a Lei ou torná-la banal, mas nos fazer entender que não é a lei pela lei, e sim o amor pelo amor, a lei a serviço do amor (Mc 2, 27). Isso significa que não é porque uma pessoa tem uma tatuagem que não entrará no céu, mas que isso vai depender de como ela tratou o próximo e ajudou na construção do Reino de Deus.
Talvez não tenhamos entendido isso. Tornamo-nos fiscais do céu; queremos definir como uma pessoa deve ou não se portar, como se fôssemos pedágios do sagrado, voltando ao farisaísmo antigo, esquecendo de acolher o outro e somente julgando. Quando ligamos nossas redes sociais, vemos isso: um grupo que acredita em uma suposta imagem de modéstia antiquada, como se fosse o próprio Deus quem a instituísse, quando, na verdade, não passa de vaidade humana (Ecl 1, 2).
Uma teologia que se torna antropologia. Isso significa que tudo o que falamos sobre Deus diz mais a respeito de nós mesmos do que propriamente de Deus. Olhemos para Jesus e seus exemplos: todas as vezes que se referia ao Pai, falava com a linguagem do amor, chamando-O até de Abba (Mc 14, 36; Mt 7, 11); e, nas vezes em que falou de forma mais dura, usando o nome do Pai, foi sobretudo para denunciar a hipocrisia religiosa, o legalismo e a falta de amor (Jo 2, 13 – 17).
Corremos o risco de cair nesse mesmo farisaísmo por não conhecermos Jesus, ou melhor, por conhecermos apenas aquilo que é o íntimo de muitos exteriorizado em preconceitos, acreditando ser vontade divina. E líderes religiosos que deveriam auxiliar o povo, ensinando e pregando o amor que Jesus anunciou, cultivam cada vez mais o moralismo e o legalismo como se fossem vontade de Deus. Com isso, criam uma bolha extremamente preconceituosa, que se apresenta como Evangelho de Jesus Cristo. Por isso, Ele mesmo alertou: “cuidado com o fermento dos fariseus” (Mt 16, 6). Mas parece que nos esquecemos disso.
Assim, damos voz a pessoas que instrumentalizam o nome de Deus para legitimar suas próprias ideologias e disseminam ódio, encontrando grupos que pensam do mesmo modo e ganham força para espalhar diversos tipos de ideias como se fosse o próprio Deus falando.
Referências
[1] ARAN, Alvim. A fé em Jesus ou no espetáculo dos sinais? Instituto Humanitas Unisinos - IHU, 2025. Disponível aqui. Acesso em: 5 maio 2026.
[2] KONINGS, Johan. A Bíblia, sua origem e leitura. 8° ed. Petropólis: Vozes, 2014.
[3] BÍBLIA DE JERUSALÉM. São Paulo: Paulus, 2002.
Na sociedade moderna, não é raro que as pessoas alcancem uma idade avançada. A expectativa de vida aumentou consideravelmente nos últimos cem anos. Atualmente, vivemos o dobro de anos que os nossos antepassados do século XIX. Com isso, aproveitamos mais a vida, mas o envelhecimento também tem o seu outro lado. A partir dos quarenta anos, mais ou menos, as funções biológicas do nosso corpo começam a diminuir. Isso não significa, necessariamente, doença. Não podemos impedir o processo de envelhecimento. Tudo isso faz parte da vida.
A população brasileira encontra-se num vertiginoso processo de envelhecimento, o que traz consequências para vários campos da vida social. O processo de envelhecimento é intrínseco à vida. É uma jornada natural que se desenrola ao longo dos dias. Apesar de ser um fenômeno natural, sua manifestação não é homogênea. A maneira como envelhecemos é moldada pelas múltiplas interações que estabelecemos com os ambientes sociais e físicos ao longo da vida. A idade avança e, com ela, aparece a maturidade. Com isso, é mister a criação de novas etapas e a redefinição de direitos e obrigações, exigindo uma reformulação da imagem da pessoa idosa. A velhice pode ser considerada um patrimônio comum da humanidade, até porque ela não subtrai nenhum direito.
O fenômeno do etarismo é próprio das sociedades capitalistas, que se estruturam de forma a excluir as pessoas idosas, negando-lhes a dignidade nessa bonita fase da vida. O estereótipo de que a idade é um empecilho para o exercício de determinadas atividades causa sofrimento ao idoso, com o consequente afastamento do convívio social em face dessa cruel discriminação. A conduta discriminatória que caracteriza o etarismo, entendido como intolerância contra pessoas em idade avançada, deve ser combatida com todas as forças. Essa discriminação pode se manifestar de diversas formas. O idoso entra num processo de solidão dilacerante, que contribui para a perda da autoestima. Também pode haver dificuldade na participação em determinadas atividades sociais e comunitárias.
A percepção sobre o envelhecimento varia de uma cultura para outra. Nas culturas mais antigas, como a grega, por exemplo, a velhice era vista como expressão e símbolo de sabedoria. Os anciãos desempenhavam papéis importantes como conselheiros e líderes, sendo reverenciados por sua experiência. Com o desenvolvimento do capitalismo e do processo de industrialização, a juventude adquiriu centralidade como sinônimo de produtividade e inovação, enquanto a velhice foi associada à decadência e à incapacidade. A mídia teve um papel importante na disseminação desse estereótipo, influenciando a percepção social e gerando preconceitos que afetam profundamente a forma como os idosos são tratados. A discriminação pela idade pode acarretar consequências graves para a saúde, como, por exemplo, a redução da expectativa de vida e o desenvolvimento de depressão, doenças cardíacas e problemas cognitivos. Destarte, já se percebe que o etarismo, ou preconceito contra a pessoa idosa, é de uma violência monstruosa.
O etarismo está presente em todas as instituições políticas, religiosas e sociais. Na política, um candidato, para tirar votos de um concorrente, alegou que ele já estava idoso e não tinha mais condições de concorrer a uma eleição. Como essa realidade se manifesta na Igreja? A Igreja é uma instituição que também sofre os influxos da sociedade; aquilo que repercute na sociedade também se manifesta na Igreja, como é o caso do preconceito contra religiosos idosos. No universo bíblico, o idoso goza de muita veneração. Dentro da comunidade, o ancião é símbolo de sabedoria e experiência. A velhice é uma bênção de Deus, como possibilidade do cumprimento pleno e fecundo dos objetivos da vida. Destarte, a fragilidade física própria da pessoa idosa não significa impedimento para o exercício da lucidez. A cultura atual é baseada em títulos e papéis; as pessoas são descartadas quando esses títulos já não existem mais.
É muito triste saber que, na Igreja, em determinadas situações, clérigos são descartados por causa da idade. Numa comunidade monástica, um irmão mais jovem tratava o irmão mais idoso não pelo nome, mas como “aquele velho”, numa total falta de humanidade. Não se pode generalizar essa situação, mas também não se pode negar a sua existência. É comum escutar na Igreja a expressão: “você já está velho”, como se a idade fosse um empecilho para o exercício de uma atividade pastoral. Hoje, valorizam-se muito os clérigos jovens, como se eles fossem a salvação da Igreja. A idade não é um impedimento para se fazer missão, a não ser que o missionário esteja acometido por alguma enfermidade. Irmã Conceição foi fazer missão no Timor-Leste com quase oitenta anos de idade. É necessário que a Igreja rompa com esse preconceito contra a pessoa idosa.
Pe. Waldemir Santana
Arquidiocese da Paraíba
Na visão bíblica, o genuíno amor é descrito com as marcas profundas da paciência e da bondade. Quem ama de verdade não é orgulhoso, nem invejoso, vanglorioso, inconveniente, egoísta e não se irrita com facilidade (cf. ICor 13). Amar é praticar os Mandamentos do Senhor, impulsionados por ele mesmo, através do Espírito Santo, recebido no Batismo e reafirmado no Sacramento da Confirmação.
Importa hoje dar razão da nossa esperança, fundamentada no amor ao próximo, especialmente aos mais necessitados. Essa é uma atitude dissonante em relação à cultura do individualismo, que não é capaz de partilhar o que é acumulado. Não é possível amar com o coração petrificado e incapaz de dar passos de despojamento e valorizar a pessoa do outro, objeto para a prática do amor.
No ambiente vivido pelos primeiros cristãos, quando ainda não existia o espírito totalmente consumista de exclusão, a prática do amor fraterno era muito mais consistente. No livro dos Atos dos Apóstolos são citadas comunidades que experimentavam o verdadeiro amor, onde tudo era partilhado, podendo atender as necessidades das pessoas menos favorecidos, evitando exclusão (cf. At 4,32-37).
Há um desafio espantoso ao falar de excelência do amor em um país profundamente mergulhado nas atitudes de desamor. Amar é dar vida para o outro e não causar morte alheia. Morte em todos os sentidos, porque tudo que tira a possibilidade da defesa de uma vida saudável, acaba contribuindo para a morte. Isto está subjacente na destruição da natureza, que foi criada para dar condição de vida.
Não é caminho correto e nem saudável ir na contramão da vontade de Deus. Aliás, essa atitude passa a ser uma auto afronta, contra o amor projetado na criação. Existe um crescente adoecimento da sociedade em relação ao amor. Parece até um contra senso diante do bonito avanço da tecnologia, que não favorece a fraternidade. Pelo contrário, torna as pessoas mais desumanas e carentes de amor.
Amar não é uma simples confiança, mas adesão de vida, de autêntico compromisso com o outro. Foi o que fez Jesus, porque conseguiu amar até quando pendurado numa cruz, ao dizer: “Pai, perdoa-lhes! Eles não sabem o que fazem!” (Lc 23,34). Aí está a excelência do amor, caminho de sofrimento e paixão, que não tem medida, nem limite e chega à doação total de vida.
Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba.
“Leão não hesita em denunciar quem usa o poder para oprimir e matar”
Nesse tempo de guerras que ceifam dezenas de milhares de vidas, em sua maioria vítimas civis, o Papa levanta sua voz para dizer ao mundo que não tem medo de anunciar o Evangelho da paz. Pastor por vocação confirmada por sua eleição, ele tem sido a principal voz de alcance mundial a condenar as operações militares dos EUA, da Rússia e de Israel, que, alegando razões de segurança nacional, provocam terríveis destruições entre as populações alvo de seus mísseis, drones e bombardeiros.
Com prudência e sabedoria, mas sem perder a firmeza, Leão XIV se coloca contra essa violência apontando caminhos para que o mundo busque a paz com justiça. Suas palavras são diretas: “Eu continuo a falar com força contra a guerra, buscando promover a paz, promovendo o diálogo e o multilateralismo com os Estados para encontrar soluções aos problemas. Muitas pessoas estão sofrendo hoje, muitos inocentes foram mortos e acredito que alguém deve se levantar e dizer que há um caminho melhor”.
Retomando, com vigor, a expressão com que inaugurou seu pontificado – “uma paz desarmada e dasarmante” – Leão não hesita em denunciar quem usa o poder para oprimir e matar. Contra essa tirania, invoca o Evangelho que anuncia uma paz que é fruto do amor e da justiça, que privilegia o bem comum, que traz a possibilidade de vida para todos, sobretudo para as populações mais vulneráveis. Paz que precisa ser construída artesanalmente na medida em que os poderosos se tornem servidores dos fracos
Essa atitude de Leão XIV incomoda quem submete a religião a interesses militares, econômicos ou políticos, revestindo-os com uma aura de sacralidade, alegando que a guerra pode ser “justa” quando feita em defesa da fé. Foi o que aconteceu há poucos dias, quando comandantes militares do Pentágono chamaram o Núncio Apostólico – representante do Papa nos EUA – para que ele convencesse o Papa a mudar sua atitude. Mas essa pressão governamental teve efeito contrário: mostrou que, longe de basear-se numa opinião pessoal, a atitude de Leão XIV representa a atitude da Igreja Católica Romana como tal.
O espantoso é que ainda hoje haja quem se diga católico e justifique a guerra como justa, apoiando-se em algum trecho do Primeiro Testamento, como fazem certas Igrejas Evangélicas. Essa interpretação literal das Escrituras foi rejeitada por Pio XII, em 1943, rejeição reforçada pela Constituição Dogmática Dei Verbum do Concílio Vaticano II, que recomenda submeter o texto bíblico ao estudo hermenêutico para ser corretamente interpretado. Por isso, quem invoca a Palavra de Deus para justificar a guerra comete blasfêmia. Daí o inusitado confronto entre o Papa e o atual presidente estadunidense, quebrando a praxe da Santa Sé, de não mencionar quem é repreendido.
Neste momento, Leão XIV assume a liderança moral internacional, como uma voz de humanidade, solidariedade e fraternidade entre as religiões, uma voz de diálogo e respeito pelas pessoas — especialmente as mais vulneráveis — e de cooperação multilateral entre as nações. E nós, leigas e leigos católicos, estreitamos nossa união a esse Papa que representa hoje a voz de quem teve sua voz calada pelos poderosos deste mundo.
6º Domingo da Páscoa – Jo 14, 15-21
Neste 6° domingo da Páscoa, o evangelho lido pelas comunidades continua as palavras carinhosas que, conforme o quarto evangelho, na última ceia, Jesus deu aos discípulos e discípulas.
Durante a ceia, Jesus percebe que todo o grupo está com muito medo. Para aqueles homens e mulheres, vindos da Galileia, o ambiente urbano de Jerusalém era muito tenso. Especialmente, na semana da Páscoa, a cidade era tomada por soldados romanos e pela guarda judaica do templo. Mais ainda para o grupo galileu, que acompanhava o profeta Jesus de Nazaré, mal visto pelos religiosos do templo, pelos saduceus que dominavam o sinédrio e pelos governadores da Judeia e da Galileia. Quem fosse visto junto com Jesus seria considerado cúmplice de subversão e, por isso, perseguido e, talvez até morto.
No texto do evangelho que lemos no domingo passado, Jesus recomenda que não se deixem dominar pelo medo e garante que virá acompanhá-los no caminho pascal (Jo 14, 1 – 12). E conclui: “- Tudo o que pedirem ao Pai em meu nome, ele o fará” (Jo 14, 13).
Agora, nesse trecho que ouvimos hoje, Jesus pede que a aliança seja recíproca. Como se dissesse: - Se tudo o que vocês pedem, o Pai lhes dá e o que eu lhes peço vem do meu Pai, então façam o que lhes peço (14, 15).
Nas nossas relações afetivas, fazemos o mesmo. Quando gostamos de alguém, nossa alegria é fazer o que a pessoa gosta. Quem ama procura saber o gosto da pessoa amada para fazer o que ela gosta.
Jesus tem com os discípulos e discípulas uma relação assim. Eu faço o que vocês me pedem. Então, façam também o que lhes peço.
Principalmente, naquela hora em que iria deixá-los, o que Jesus pede é que guardem a sua Palavra. Como em Caná, o vinho melhor tinha sido guardado para o final (2, 10). Como a amiga Maria de Betânia, irmã de Lázaro, tinha guardado um perfume caríssimo, para preparar a sepultura dele (12, 7). A palavra de Jesus é como o vinho melhor e o perfume precioso que os discípulos e discípulas são encarregados de guardar, não para si mesmos e sim para as outras pessoas.
As traduções falam em “guardar os mandamentos”, mas o termo grego significa mais encargo, tarefa a cumprir, orientação do que norma. O contexto é que Jesus, sabendo que iria partir, confia às pessoas mais próximas aquilo que ele considera como sendo mais importante como herança sua: o seu amor e o seu testemunho - orientação para a vida.
Ele fala em vir a nós, por meio da experiência de amor. Um amor de predileção. Uma espécie de apaixonamento comunitário, mas apaixonamento, ou seja amor de paixão e de intensidade no qual entra todo o ser e não apenas o pensamento ou a ação. Será que acolhemos essa Palavra e aceitamos inserir Jesus Ressuscitado, cuja presença reconhecemos em toda experiência profunda que fazemos de amor?
É isso que, antes de partir, Jesus pede e propõe. Faz essa recomendação amorosa ao grupo mais íntimo. Cria uma impressionante atmosfera de carinho, totalmente oposta a cerimônias litúrgicas oficiais, belas, mas solenes e frias.
Ao escutar, hoje, essas palavras, podemos, agora, sentir-nos naquela sala e acolher para nós essas palavras de Jesus. Compreendemos que, na raiz da nossa vida, está uma relação de amor. E esse amor é energia. É força para libertar-nos do medo. Naquele momento da ceia, Jesus garantiu que levaria consigo, os seus amigos e amigas, no caminho da Páscoa. No entanto, eles continuavam com medo. Por isso, Jesus diz:
“- Não vou deixar vocês órfãos e órfãs. De fato, vou para o Pai e eu e o Pai daremos a vocês um outro protetor e defensor do grupo”.
Na linguagem comum, o termo grego paráclito significa advogado e Jesus usa esse termo, ao falar de tribunal e defesa jurídica (15, 26- 27). Mas, o Paráclito é como outro modo de continuar a presença de Jesus no grupo. Agora será uma presença permanente (ficará para sempre convosco). Presença no coração da comunidade e no mais íntimo de cada um e cada uma. Essa presença íntima em nós, Jesus chama de Espírito da Verdade. Em grego, o termo pneuma é neutro. Traduz o hebraico ruah (feminino) que, no início, designava todo o universo, como para nós é a Mãe Terra e, com a evolução da língua, passou a significar sopro, ventania.
A partir da Páscoa, a presença de Jesus junto a nós não ocorre mais em sua forma histórica (Paulo escreveu: Se alguém o conheceu assim, de fato, agora não o conhece mais do mesmo modo – 2 Cor 5, 14 ss). Jesus não aparece mais em seu corpo histórico.
A partir da ressurreição, o Cristo ressuscitado é o Cristo em forma de comunidade, afirmava o teólogo alemão Dietrich Bonhoeffer. Além disso, o evangelho de João afirma que essa presença realiza-se pelo Espírito, através do universo, da natureza (ruah), na qual manifesta-se a energia do amor divino.
O documento final do Sínodo para a Amazônia em 2019 e a exortação pós-sinodal Querida Amazônia, do saudoso Papa Francisco, afirmavam que a missão cristã começa pela escuta do outro e que é preciso valorizar e aprender das espiritualidades indígenas e afrodescendentes. Muitas vezes isso ainda é vivido como método de inculturação da fé, ou seja, escutamos e valorizamos as tradições indígenas e negras, para saber como melhor transmitir a essas culturas a fé cristã. Hoje, o desafio é mais amplo.
É necessário que valorizemos as tradições espirituais indígenas e afrodescendentes, por si mesmas. Precisamos descobrir o Espírito presente nelas e o que, através delas, o Espírito diz, hoje, às Igrejas e ao mundo. As pessoas que seguem as tradições xamânicas ou afrodescendentes creem no Espírito presente nas águas, na mãe Terra, nas plantas e nos animais. Como cristãos, Jesus chama-nos a acolher o Espírito, presente no universo e a descobrir nele o Amor Divino que cuida de nós como mãe carinhosa.
Na espiritualidade de algumas Igrejas orientais, o Espírito Santo é associado à figura da Mãe. Assim aparece em ícones siríacos da Idade Média. Neste ano em que celebramos esse 6º domingo da Páscoa no dia que a sociedade dedica às mães, vamos agradecer ao Amor Divino as graças que recebemos através de nossas mães e vamos ver em cada mãe a imagem do Espírito de Deus, do qual a Bíblia começa dizendo que pairava sobre as águas como uma ave mãe choca o ninho do universo.
Neste 10 de maio de 2026 celebramos 40 anos do martírio do padre Josimo Tavares, que no seu Testamento Espiritual, alguns dias antes de ser assassinado, escreveu: “Se eu me calar, quem os defenderá? Quem lutará a seu favor? Eu pelo menos nada tenho a perder. Não tenho mulher, filhos e nem riqueza sequer, ninguém chorará por mim. Só tenho pena de uma pessoa: de minha mãe Olinda, “mãe da Esperança”, que só tem a mim e mais ninguém por ela. Pobre. Viúva. Mas vocês ficam aí e cuidarão dela. Nem o medo me detém. É hora de assumir. Morro por uma justa causa.”
Como Jesus, Josimo doou a vida até o fim para que os posseiros e camponeses conquistassem a terra e fossem livres da escravidão que é ser expropriado do acesso à terra para cultivar e viver com dignidade.
Hoje somos chamados a fazer essa experiência de reconhecer o Espírito-Mãe, presente em nossas relações de amizade e na dedicação dos companheiros e companheiras à caminhada dos grupos e comunidades.
Nesse momento especial, somos chamados e chamadas a contemplar o amor divino nas expressões espirituais dos povos originários. No culto aos antepassados, na relação com os Encantados, nas manifestações dos Orixás, assim como nas forças da natureza tão agredida, o Espírito Santo vem a nós como em novo Pentecostes. Ele revela-nos a presença do Ressuscitado que quer ressuscitar a nós e ao mundo com ele. Preparemo-nos para esse novo Pentecostes. Cantemos com o saudoso Reginaldo Veloso:
Salmo 104(103) – H2 3,B Mel. H2,p. 43
Quando tu, Senhor, teu Espírito envias,
todo mundo renasce, é grande alegria! (bis)
1. Ó minh’alma, bendize ao Senhor:
“Ó Deus grande em poder e amor,
o esplendor de tua glória reluz
e o céu é teu manto de luz”.
2. Firme e sólida a terra fundaste,
com o azul do oceano a enfeitaste!
E rebentam tuas fontes nos vales,
correm as águas e cantam as aves.
3. Lá do alto tu regas os campos,
cresce a relva e os viventes se fartam.
De tuas obras a terra encheste,
todas belas e sábias fizeste.
4. Que se sumam da terra os perversos
e minh’alma te entoe os seus versos!
Glória ao Pai e ao Filho, no Amor,
ao Deus vivo eterno louvor!
Para você cantar:
https://youtu.be/Ro0AywnpKM4?si=6JTN2TQr7L1nHnFQ
Mãe é presença que permanece. Mesmo quando o mundo silencia, o coração de uma mãe continua rezando, cuidando, esperando e amando.
Ser mãe não é apenas gerar uma vida. É aprender diariamente a amar além dos próprios limites. É sentir alegria nas conquistas dos filhos e carregar, muitas vezes em silêncio, parte de suas dores e desafios.
Há mães de muitas formas:
as que geraram no ventre,
as que geraram no coração,
as que acolheram, educaram,
protegeram e fizeram da vida
um espaço de cuidado e amor.
A Palavra de Deus nos mostra a beleza e a força da maternidade. O profeta Isaías nos recorda:
“Como uma mãe que acaricia o filho, assim eu vos consolarei.” (Is 66,13)
E no livro dos Provérbios encontramos:
“Seus filhos se levantam e a chamam bem-aventurada.” (Pr 31,28)»
Mãe é colo nos dias difíceis, força quando tudo parece faltar, esperança quando os caminhos se tornam incertos. É mão que sustenta, palavra que encoraja e oração que nunca desiste.
Neste Dia das Mães, celebramos mulheres que, mesmo cansadas, continuam espalhando amor, fé e cuidado. Mulheres que enfrentam desafios, superam medos, vencem batalhas silenciosas e seguem acreditando na vida.
Recordamos também as mães que sofrem, as que vivem a dor da ausência, as que lutam diariamente pela sobrevivência de suas famílias, as mães solos, as avós que exercem maternidade e tantas mulheres que fazem da própria vida um testemunho de amor.
Que Deus fortaleça todas as mães com saúde, serenidade e esperança.
E que Maria, mãe de Jesus, mulher de fé e coragem, continue inspirando cada mãe em sua missão de amar e cuidar da vida.
Feliz Dia das Mães!
Com paz, amor e a proteção de Maria.
Abraços com ternura.
Neste domingo, 10 de maio, completam-se 40 anos em que soubemos da notícia: Mataram Josimo. Estávamos preparando o 6º Encontro intereclesial de CEBs que seria em Trindade, GO e nós, do secretariado nacional da Comissão Pastoral da Terra, estávamos muito preocupados com a situação no Bico do Papagaio. Apesar de que a ditadura tinha se encerrado um ano antes, naquela região, a repressão social e política era muito violenta. Padre Josimo Tavares, amigo e companheiro, tinha sido ameaçado. Repetidas vezes, latifundiários da região tinham avisado: você vai morrer.
Alguns dias antes de ser assassinado, Josimo escreveu: “Se eu me calar, quem os defenderá? Quem lutará a seu favor? Eu pelo menos nada tenho a perder. Não tenho mulher, filhos e nem riqueza sequer, ninguém chorará por mim. Só tenho pena de uma pessoa: de minha mãe Olinda, “mãe da Esperança”, que só tem a mim e mais ninguém por ela. Pobre. Viúva. Mas vocês ficam aí e cuidarão dela. Nem o medo me detém. É hora de assumir. Morro por uma justa causa.”
Como Jesus, Josimo doou a vida até o fim, para que os posseiros e camponeses conquistassem a terra e fossem livres da escravidão, que é ser expropriado do acesso à terra para cultivar e viver com dignidade.
Mártir é um termo grego e significa testemunha. Nas religiões, é o título das pessoas que arriscam a vida e sofrem perseguições por causa da fé. No entanto, desde antigamente, consideram-se mártires todas as pessoas que sofrem perseguições pela justiça e pela realização da paz ecossocial, que a tradição judaico-cristã considera “projeto divino para o mundo”. Conforme o evangelho, Jesus afirmou: “Bem-aventuradas as pessoas que sofrem perseguições por causa da justiça, (se creem em Deus ou não, se pertencem a uma Igreja ou não), porque delas é o reino dos céus” (Mt 5, 10).
No Brasil atual, defender o projeto da Justiça e lutar pela Vida ainda significa correr riscos e enfrentar a morte. No Brasil e em toda América Latina, há mais de 50 anos, milhares de pessoas, homens e mulheres, sofreram torturas e muitas foram assassinadas, por estarem inseridas na caminhada de libertação de nossos povos.
Desde os tempos antigos, também merecem o nome de mártires as pessoas que sofrem perseguições e sobrevivem. Em 1986, no 6º Encontro nacional das comunidades eclesiais de base, em Trindade, GO, as comunidades afirmaram: “Nós queremos nossos mártires vivos e não mortos”. Nesses tempos de martírio, todas as pessoas que trabalham pela justiça e pela libertação do povo têm de tomar cuidado e se proteger, sem com isso desistir, ou diminuir a intensidade da sua entrega.
Quem é cristão não pode deixar de ligar essas mortes violentas que acontecem cada dia ao martírio de Jesus. As Igrejas afirmam que, em cada eucaristia, atualizam a doação de Jesus em sua cruz. No entanto, quem, realmente, está vivendo agora a paixão e seguindo os passos de Jesus no seu testemunho de dar a vida pelos outros e outras, nem sempre são religiosos, religiosas, ou pessoas que fazem isso por causa da fé.
Mesmo sem nenhuma vinculação com fé religiosa, muita gente dedica a sua vida pelas causas da justiça e da libertação, mesmo sabendo que corre riscos. Quando as comunidades de base afirmam: “Nós queremos nossos mártires vivos”, estão gritando que precisamos de uma Igreja, toda ela martirial, ou seja, testemunha da justiça e da libertação no mundo.
Infelizmente, quarenta anos depois do martírio de Josimo, a maioria do clero, da hierarquia e de muitos grupos católicos e evangélicos tem, como modelo de fé, frades que juntam multidões para rezar terço e padres ou pastores, ricos que fazem shows na televisão.
Mesmo em nossas paróquias e comunidades, não são muitas as pessoas que ligam o que dizem de Deus e a luta pela justiça que Jesus proclamou como bem-aventurança. Talvez por isso, muitas pessoas que se dedicam à solidariedade e ao compromisso com a justiça e libertação prefiram nem falar de Deus. Vivem nas periferias urbanas, na luta das mulheres, na causa dos povos indígenas e na defesa das águas.
A esses pequenos grupos de resistência profética, tanto os ligados à caminhada eclesial, como outros, Dom Helder Camara chamava de “minorias abraâmicas”, porque precisam assumir como vocação ser minorias, mas com a fé de Abraão, isso é, esperar contra toda esperança e arriscar-se a ensaiar a novidade de um outro mundo possível.
Neste tempo no qual celebramos a Páscoa de Jesus, agradeçamos ao Amor Divino sua presença nos irmãos e irmãs que, nas comunidades de fé, mantêm-se fiéis à profecia do Evangelho, em uma vida de doação e entrega às causas do povo mais empobrecido, não como se fosse acréscimo externo, ou apêndice da sua fé e devoção a Deus, mas ao contrário, como núcleo fundamental de sua espiritualidade no seguimento de Jesus.
A caminhada da Igreja de base e sua inserção nas lutas de libertação nos ensinam que o martírio não é apenas uma forma de morrer, mas, principalmente, modo de viver. Todos e todas nós somos chamados e chamadas a sermos testemunhas de que esse mundo tem remédio e apesar de todas as forças do mal, seguiremos na caminhada pascal de entrega da vida e consagração ao trabalho pela Paz, Justiça e comunhão com a Mãe-Terra e com todo o universo.
(norte-americano/peruano batizado com o nome de Robert Francis Prevost Martinez).
Dados organizados pelo Prof. Dr. Fernando Altemeyer Junior
assistente doutor do departamento de Ciências Sociais da PUC-SP.
Atualização em 07/05/2026.
O bispo Robert Francis Prevost assume como 267º. bispo de Roma em 18/05/2025, domingo. Fora eleito pelo conclave do colégio cardinalício em 08 de maio de 2025, no segundo dia do conclave, no quarto escrutínio. Atualmente tem 70,64 anos. Nascido em Chicago, Illinois, USA, em 14/09/1955, festa de Santa Cruz. Ele é norte-americano e peruano em dupla nacionalidade. Leão XIV é Sumo pontífice da Igreja Universal, Patriarca do Ocidente, Primaz da Itália, arcebispo e metropolita da Província Romana. Seu lema episcopal: In Illo uno unum. No Cristo uno, unidade. O atual papa Leão XIV foi ordenado presbítero há 43,86 anos, sendo sagrado bispo há 11,40 anos e criado cardeal por 1,6 ano. Eleito papa há um ano. Como bispo de Roma nomeou 142 bispos para todo o planeta até 07/05/2026. No mundo temos 5.794 bispos católicos vivos. Visitou Iznik - antiga Niceia, na atual Turquia, de 27 de novembro a dois de dezembro de 2025, ao celebrar os 1700 do primeiro concilio ecumênico, e presença em Beirute, no Líbano. Visita ao Principado de Mônaco (28/03/2026), presença marcante em quatro países africanos: Argélia, Camarões, Angola e Guiné Equatorial (de 13 a 23 de abril de 2026). Viagem para Espanha marcada para 06 a 12 de junho de 2026. Cogitadas visitas apostólicas para França, Peru, Argentina, Uruguai, EUA e Haiti.
Um homem tímido movido pela Graça de Deus
Robert (Leão XIV) é esse homem-ponte que une povos de dois hemisférios e duas culturas: nasce nos EUA e vive amorosamente sua missão eclesial por duas décadas no Peru. Assumidamente filho de migrantes sendo multicultural e poliglota, decide ser ele mesmo um missionário-migrante, como foi seu pai espiritual da Ordem, o peregrino pensador, filosofo e teólogo Santo Agostinho, nascido em Tagaste, estudante em Madaura, Cartago e convertido em Milão, por influencia de Ambrósio, sendo nomeado bispo de Hipona. Há grande similitude entre Robert Prevost e Santo Agostinho, ambos marcados pela graça infinita de Deus, que encontra o coração inquieto que o busca. Robert terá em sua mãe, Mildred, um modelo de vida santa e Santo Agostinho teve sua amada mãe, Santa Monica. Agostinho começa por buscas teóricas e termina entregue ao amor infinito de Deus. Robert começa pelos estudos na matemática e entrega seu coração aquecido ao amado povo peruano de Chiclayo, onde Robert pode tocar e ser tocado pela graça divina encarnada nas pessoas, na cultura, na religião popular e nas comunidades de fé. Prevost assume ser bispo-peregrino na Igreja toda ela peregrina (peregrinus episcopus in ecclesia peregrina). O pequenino Bob se tornou Leo, com o coração em chamas. Movido pelo amor convida a todos e todas para a unidade plural. Somos convidados pelo bispo de Roma a viver a Igreja peregrina na história viva e provisória onde se manifesta a presença da graça amorosa de Deus. Fora do amor, não há salvação! Amor que emerge da aldeia de Nazaré ou da província de Chiclayo. Essa é a beleza antiga e nova, escondida no mais intimo de nossos corações. O papa Leão assim se pronuncia em Argel, em abril de 2026: “... venho com grande alegria à Argélia, pois esta é também a terra do meu pai espiritual, Santo Agostinho, que desejou ensinar tanto ao mundo, sobretudo através da busca da verdade, da busca de Deus, reconhecendo a dignidade de cada ser humano e a importância de construir a paz. Procurar Deus é também reconhecer a sua imagem em cada criatura, nos seus filhos, em cada homem e mulher criados à imagem e semelhança de Deus. Para nós, isto significa que é muito importante aprender a viver juntos, respeitando a dignidade de cada pessoa humana. Há outro valor que vós quisestes incluir neste belíssimo centro: exatamente com um lugar de oração, a mesquita, existe também um centro de estudos. Como é importante que o ser humano desenvolva a capacidade intelectual que Deus lhe concedeu, para que possamos descobrir quão grandiosa é a criação, quão grandioso é o que Deus nos deixou em toda a criação e, especialmente, no ser humano!”.
Programa do papa Leão XIV: Seguir a Doutrina social da Igreja. Defender a paz e caminhar ao lado dos pobres. Documento inicial do pontificado: Dilexi te. Em breve a primeira Encíclica Social.
Discursos, homilias e textos desde 08/05/2025 até 30/04/2026 véspera do primeiro ano de pontificado:
O atual papa Leão XIV pronunciou 270 discursos e 80 homilias.
Escreveu uma exortação apostólica Dilexi Te, em 04/10/2025.
Vinte e três cartas,
Sete cartas apostólicas, com destaque para a Carta Apostólica "In unitate fidei", publicada em 23 de novembro de 2025, sobre a Confissão e o Credo de Niceia.
52 mensagens pontifícias,
5 motu próprios.
Consistório de todos os cardeais em 7 e 8 de janeiro de 2026. Nova data convocada para junho de 2026.
Acolheu TRES milhões de peregrinos em 49 audiências gerais,
Ofertou três bênçãos Urbi et Orbi (9 de maio de 2025, 25 de dezembro de 2025 e na Páscoa de 2026),
Rezou 56 Ângelus e Regina Caeli das janelas do Vaticano bem como em Angola em 19 de abril.
Concluiu o Ano Santo Jubilar da Esperança, inaugurado pelo papa Francisco e ele está encerrando as Portas Santas e, participando ecumenicamente das celebrações pelos 1700 anos de Niceia. Em breve deve ser publicada (15 de maio de 2026?) a primeira Encíclica de seu pontificado, com eventual título de Magnifica Humanitas, celebrativa de 135 anos da Rerum Novarum, do papa Leão XIII, a ser publicada em 15 de maio de 2026.
Ecumenismo e diálogo inter-religioso tem sido uma pedra de toque do papa agostiniano: Leão XIV encontrou-se com líderes ecumênicos em maio de 2025 e em julho de 2025 em Castel Gandolfo. Paradigmático e pleno de comunhão foi o encontro com Sua Graça Sarah Mullaly, arcebispa de Canterbury, primeira mulher em 1400 anos como 106º. líder da Igreja da Inglaterra e líder da comunhão anglicana mundial, com 85 milhões de fieis, recebida no Vaticano em 27 de abril de 2026.
Medidas iniciais: Atuar em forma sinodal e colegial com todas as igrejas. Incentivar o ecumenismo. Férias e dia de descanso em Castel Gandolfo. Uso frequente do latim, italiano, inglês e espanhol nas liturgias solenes. Fez a benção Urbi et Orbi em dez idiomas. Constante empenho de unidade das igrejas e das religiões mundiais. Defesa dos migrantes contra a xenofobia reinante no mundo. Já fez mudanças em cargos estratégicos da Curia: novo prefeito da Casa Pontifica Mons. Petar Rajic; novo coordenador de relações internacionais na Secretaria de Estado arcebispo Paolo Rudelli e alguns novos assessores de uma nova geração. Foi mantida a presença de mulheres em altos cargos de Governo, por exemplo Raffaela Petrini, no Governorato da Cidade Estado. Confirmou a extinção do grupo integrista Sodalício, do Peru.
Expectativas de paz e fraternidade: Leão XIV falou firme em defesa do povo palestino massacrado por bombardeios e bloqueio de alimentos pelo exército de Israel. O papa segue clamando por paz na guerra USA-IRÃ a tempo e contratempo, com firmeza permanente em favor do multilateralismo e da diplomacia.
• Entre os anos de 1592 a 19/10/2025 foram canonizados 1.972 santos por 28 pontífices romanos desde o papa Clemente VIII até o atual papa Leão XIV, em 179 cerimônias públicas, sendo 840 homens, 268 mulheres e 864 sem identificação (por conta de martírios coletivos). São 1.474 mártires e 498 confessores.
Viagens internas na Itália de Leão XIV:
1. Visita em 10/05/2025 ao santuário Nossa Senhora do Bom Conselho, em Genazzano.
2. Visita a Assis para encontro dos bispos italianos e visita ao tumulo de São Francisco em 20/11/2025, vindo de helicóptero às 8h30 locais ao Estádio Migaghelli, em Assis, e seguiu de carro até a Basílica de São Francisco. Ali, rezou diante do túmulo do “Poverello”, na cripta. Em seguida, se dirigiu à Basílica de Santa Maria dos Anjos, onde discursou aos bispos da Conferenza_episcopale_italiana, no encerramento da Assembleia Geral. Na sequência, foi de helicóptero para Montefalco, uma pequena cidade da província de Perugia, que pela primeira vez recebeu a visita de um Papa. A finalidade era visitar o antigo mosteiro agostiniano de Santa Clara da Cruz, cujas origens remontam ao século XIII. A comunidade monástica segue a regra de Santo Agostinho desde 10 de junho de 1290 e que hoje conta 13 religiosas. O Pontífice conversou com as religiosas, celebrou a missa e, por fim, almoçou “em família”.
3. Agendada visita em 08 de Maio (Pompeia/Nápoles): Celebração do primeiro aniversário de eleição ao pontificado, no Santuário de Pompeia e visita a Nápoles.
4. 23/05/2026 (Acerra): Visita pastoral.
5. 20/06/2026 (Pavia e Sant´Angelo Lodigiano): Visita à cidade onde repousam os restos mortais de Santo Agostinho.
6. 04/07/2026 (Lampedusa): Visita à ilha, símbolo da tragédia migratória.
7. 6/08/2026 (Assis): Comemorações do 800º aniversário da morte de São Francisco.
8. 22/08/2026 (Rimini): Participação no Encontro de Amizade entre os Povos.
VIAGENS internacionais
1. Turquia, em Niceia, atual cidade de Iznik, de 27 a 30 novembro de 2025.
2. Líbano, de 30 de novembro a 02 de dezembro.
3. Argélia, em terras de Santo Agostinho
4. Camarões
5. Angola
6. Guinea Equatorial de 11 a 23 de abril de 2026.
7. Espanha de 6 a 12 de junho de 2026.
8. Marcada visita em Lourdes e Paris para setembro de 2026.
• Peru, Uruguai e Argentina – sem data.
• USA e Haiti, talvez em 2027?
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Hoy es difícil ubicarnos en este nuestro mundo tan desordeno, violento y sin sentido. ¿Dónde está el camino, dónde está la salvación? Las informaciones y las mentiras nos inundan y terminan dispersándonos, confundiéndonos, ahogándonos. Pasamos a ser las presas de quienes nos informan, porque la mayoría de los comunicadores tienen en su mente, consciente o inconscientemente, las orientaciones de un sistema que beneficia sólo a unos pocos. Este sistema se llama capitalismo neoliberal.
¿Cómo salir de esta maldición? El sabio nos contesta: “El camino está primero en ti mismo” y va dibujando una espiral: “La espiral es uno de los símbolos más antiguo y duradero. Representa el viaje que debemos emprender para conocernos, amar de verdad y ser felices”. Sigamos esta sabiduría ancestral.
Tenemos que centrarnos primero en nosotros, no porque somos el centro del mundo, sino que somos el punto de partida para deslumbrar el camino, emprender la marcha y progresar. Conoceremos a los demás y el mundo si nos conocemos bien a nosotros mismos: Esa es la base para construirnos, organizar nuestra vida y ordenar nuestras relaciones con los demás, la naturaleza y la divinidad que todo lo habita.
Los científicos nos dicen que somos “polvo de estrellas” porque, nos explican, todo el universo es una sola unidad de vida, de amor y de destino. No vamos hacia la destrucción, sino hacia la máxima expresión de este universo en marcha hacia un futuro mejor a pesar o en medio de las catástofes y la maldad. Los historiadores nos dicen que la vida, el amor y la belleza siempre han resurgido de las multiples destrucciones de nuestro planeta tierra: Nuestro destino es progresar y crecer. Los shamanes nos dicen que “somos una parcela de la divinidad”. La Biblia nos lo confirma: “Y creó Dios al ser humano; a imagen de él lo creó; varón y mujer lo creó”. Todos tenemos capacidades divinas, es decir, más grandes que nuestra materialidad, más allá de nuestras limitaciones, más fuertes que nuestra maldad. Entonces confiemos en nostros mismos, tengamos fe en nosotros mismos y continuemos el viaje.
La segunda etapa es que, si creemos en nosotros mismos, vamos a creer en los demás porque son un espejo nuestro y nuestros iguales. La sabiduría de los afros nos da la clave de cómo relacionarnos con los demás, según el principio del ‘ubuntu: “Soy yo si eres tú y si somos nosotros”. Nos confirman el camino: Primero mirarnos a nosotros mismos, luego mirar a los demás individual y colectivamente. Si somos una sola unidad, no podemos caminar ni crecer ‘sin’ ellos, peor ‘contra’ ellos, sino ‘con’ ellos. La solución está en conformar comunidades de vida, de fe y de actividad, ‘juntos pero no revueltos’. La dimensión colectiva es indispensable; es difícil, pero no imposible. Consiste en una construcción de relaciones favorables a uno y a los demás, relaciones diferenciadas y amorosas. ¡Sin la comunidad, “no hay paraíso”!: Eso es el gran desafío. La familia es la primera comunidad y la educación, en particular la educación escolar, deben enseñarnos a vivir en comunidad, creando comunidades cada vez más amplias.
Muchas veces no logramos la dimensión comunitaria de la familia, de la vecindad ni de la ‘famosa’ comunidad nacional porque usamos mal dos herramientas a nuestra disposición: el poder y el dinero. A este propósito recordaré lo que me dijo mi padre cuando se me ordenó de sacerdote: “Pedrito, ¡cuídate del poder y del dinero porque nos corrompen!” No es que el poder y el dinero sean malos en sí, sino es cómo los utilizamos: ¿Para compartirlos o acumularlos ¿para dominar o para servir? ¿para nosotros individual y egoístamente o para los demás y la comunidad? Jesús de Nazaret decía: “¡Con ese maldito dinero, háganse amigos!” ‘Hacernos amigos será la segunda clave de nuestro viaje.
Tercera etapa: Profundicemos en la dimensión espiritual. Comencemos diciendo que la vida espiritual es un proceso… como son procesos también las religiones. Actualmente las religiones tienen dificultades para evolucionar y cambiar. Su reacción es conservar lo que han acumulado a lo largo de los siglos sin modificarlo… por eso se van muriendo. Recordemos el canto: “En cosas que se mueren puse el corazón. ¡En cosas que se mueren me voy muriendo yo!” Renovaremos o superaremos las religiones volviendo a sus raíces: las espiritualidades. Es la gran búsqueda de estos tiempos. Regresar al corazón de las religiones para redireccionar nuestro camino espiritual. De esta manera iremos encontrando a un Dios vivo en nosotros mismos, un Dios cercano en la naturaleza, un Dios compañero en los demás, un Dios trascendente en el cosmos… pero siempre un “Dios-con-nosotros”, tal como es el sentido del segundo nombre de Jesús, ‘Enmanuel’.
Ahora tal vez nos preguntamos dónde encontrar fortalezas para no desanimarnos ni detenernos en este viaje. Les diré mi opinión personal, nacida de mi origen campesina pobre, fortalecida en el encuentro de Jesús de Nazaret, madurada en una opción de vida de 50 años. Mi ‘secreto’ es: “La fuerza de los pobres”. Con el paso de los años, descubrí la sabiduría de mis padres y del medio campesino donde crecí. Luego me llamó la atención ‘la opción de Jesús por la pobreza y por los pobres y sus causas’. Finalmente, me lo confirmaron la compañía, la amistad y la tenacidad de los pobres latinoamericanos… de los cuáles trate de no soltarles la mano ni el corazón.
El primer libro que leí cuando llegué a Guayaquil hace exactamente 50 años, fue el del ‘padre de la teología de la liberación’, Gustavo Gutiérrez -que han reeditado en Lima, Perú, el año pasado- “La fuerza de los pobres”. Era una recopilación de las conferencias que daba sobre las Comunidades Eclesiales de Base: su manera de leer la Biblia, entender la Iglesia, vivir la oración, los sacramentos y la religiosidad popular, unir fe y vida, contemplación y acción, comunión eclesial y compromiso político, etc. Sí, puedo afirmar que los pobres me cambiaron la vida.
Allí está un itinerario de vida plena, comenzando por tu corazón, creyendo en ti, agarrando el corazón de los pobres para vivir de verdad y cambiar esta sociedad de desgracias programadas: “Habrás ganado” la batalla de la vida y de la fraternidad. ¡Buen viaje y adelante! ... Vas a salir muy bien.
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CEBs Ecuador 50 años Riobamba.
Pedro Pierre, abril de 2026.
CONTENIDO
Introducción: 50 años de caminata.
AYER: Testimonio de que ‘somos Iglesia’
Origen: Revivir las primeras Comunidades cristianas.
Identidad: Somos una Iglesia completa.
Proceso: Acompañar la liberación de los pobres.
HOY: Somos testimonio de que ‘otra manera de ser Iglesia es posible’
Francisco y León 14: “Las CEBs están en el centro de la Iglesia y la sociedad”.
Las CEBs somos “un ejemplo de Iglesia sinodal” (Documento final del México, 2021).
Isaías: ‘Los pobres salvarán el mundo’
MAÑANA: Testimonio de Comunidades al servicio del Reino
Pablo 6°: “El Reino es lo único absoluto”.
Misión: Ser colectivamente la ‘Buena Nueva’ de Jesús: Fraternidad y justicia sin fronteras.
Esperanza segura: Nuevas maneras de seguir a Jesús.
Conclusión: “Caminar con los 2 pies: El de la Comunidad y el de la Organización popular”
INTRODUCCIÓN: 50 años de caminata.
En este año 2025 celebramos los 50 años de las CEBs del Ecuador. Para ayudarnos a evaluar este proceso, hemos tomado como lema: “Las CEBs sinodales y liberadoras seguimos a monseñor Leonidas Proaño”. Que este lema nos ayude a profundizar nuestros compromisos, mirando ayer, hoy y mañana.
1ª parte
AYER: LAS CEBs SOMOS TESTIMONIO DE QUE ‘SOMOS IGLESIA’
A. ORIGEN: REVIVIR LAS PRIMERAS COMUNIDADES CRISTIANAS.
El origen de la CEBs está en los primeros cristianos que se unieron en Comunidades para seguir el camino del Reino abierto por Jesús de Nazaret. A lo largo de los siglos Jesús sigue llamando obreros para su Reino. Hoy nos toca a nosotros: Jesús nos llama personalmente para seguirlo en comunidad. En América Latina, los pobres se unieron en Comunidades Eclesiales de Base, que comenzaron en Brasil.
Las CEBs nacieron en la calle con el despertar de los pobres de América Latina
Este despertar social latinoamericano se dio en los años 1950. Surgieron en todo el continente Organizaciones sociales, políticas, guerrilleras… El triunfo de la revolución cubana en1959 fue un hito de este despertar de América Latina.
En todas partes los cristianos se integraron en estas organizaciones sociales, políticas y guerrilleras. Pero descubrieron que necesitaban una formación cristiana más profunda tanto en la Biblia como en los Documentos eclesiales.
Recordemos a nuestros héroes y mártires
Héroes son quienes abrieron un camino de dignidad, fraternidad y compromiso.
Mártires son quienes llevaron su compromiso hasta ser eliminado por este compromiso.
Nombremos algunos de nuestros obispos mártires:
. Monseñor Osar Romero de El Salvador en 1980.
Alejandro Labaca e Inés Sarango, Orellana.
. Monseñor Gerardo Valencia de Colombia en 1972.
. Monseñor Enrique Angelelli de Argentina en 1976.
. Monseñor Luis Dalle de Perú en 1982.
. Monseñor Alejandro Labaca de Ecuador en 1987: “No fueron los indígenas (de la Amazonía) que lo asesinaron, sino los dueños de las petroleras” según monseñor Alberto Luna de Cuenca (Ecuador);
. Monseñor Juan Gerardi de Guatemala en 1998.
También se celebra a 2 sacerdotes guerrilleros: el sacerdote Camilo Torres, muerto en la guerrilla colombiana el 15 de febrero de 1966, y el sacerdote de origen española Gaspar García Lavian muerto en la guerrilla nicaragua en 1976.
. … sin olvidar decenas de religiosas asesinadas junto a más de un centenar de sacerdotes y miles de cristianas y cristianos que se reunían en las CEBs.
Ellos nos muestran la necesidad de un compromiso social y político hasta las últimas consecuencias.
B. IDENTIDAD: SOMOS UNA IGLESIA COMPLETA, HERMANA DE LA PARROQUIA
Nuestra Iglesia tiene distintos niveles de expresión: Además de la parroquia, la diócesis y la Iglesia católica toda, también están las CEBs que, en el siglo pasado, fueron reconocido como espacio completo de Iglesia.
En el Concilio Vaticano 2° (1962-65) hace referencia a las CEBs (sin nombrarlas), como ‘espacio comunitario donde se hace presente Cristo’.
Al final del Concilio, se dio el ‘Pacto de las Catacumbas’: Unos 40 obispos de América Latina, que se llamaban “Iglesia de los pobres”, se comprometieron a “vivir pobremente y a trabajar a la liberación de los pobres… mediante las CEBs”.
En 1968 se dio el bautismo de las CEBs en Medellín, Colombia
Fue durante esta 2ª reunión de los obispos latinoamericanos que invitaron a que se multipliquen las CEBs.
Las definieron con el “primero y fundamental núcleo eclesial, célula inicial de estructuración eclesial, factor primordial de promoción humana y desarrollo”.
Las demás reuniones episcopales latinoamericanas confirmaron las CEBs.
Uno de los frutos de las CEBs fue la elección de un obispo latinoamericano como en 2013 en la persona de monseñor Jorge Bergoglio, que tomó el nombre del papa Francisco.
Una novedad particularmente importante para las CEBs se dio en la Asamblea Eclesial de México en 2021.
El mismo papa Francisco sugirió que la 5ª reunión episcopal latinoamericana se llamara “Asamblea Eclesial de América Latina’ y que incluyera sacerdotes, religiosas y seglares.
En esta reunión se declaró que las CEBs eran “un ejemplo de sinodalidad”.
Después de conocer el Documento final afirmó: “¡Es un laboratorio concreto de la sinodalidad!”
Relación CEBs-Jerarquía: Autonomía con comunión
Las CEBs no somos un movimiento cristiano más; somos una Iglesia completa igual que la parroquia y la diócesis. En Ecuador la opción por las CEBs se dio en una reunión de los obispos en 1980, con el documento “Opciones Pastorales”.
Con el paso de los años muchos párrocos y obispos dejaron de apoyar a las CEBs y hasta las persiguieron. Poro no por eso las CEBs dejaron de existir; continuaron sus reuniones por tenían una articulación nacional y continental.
Por estos motivos, nos reconocimos Iglesia completa “autonomía con comunión” con las parroquias y las diócesis que nos ignoran o nos rechazan.
C. PROCESO DE LAS CEBs: ACOMPAÑAR LA LIBERACIÓN DE LOS POBRES.
Los pobres buscamos una liberación de la pobreza cuyo origen es el actual sistema capitalista neoliberal. Todo eso es un proceso que hay que implementar progresivamente.
Las CEBs comenzamos como Asambleas cristianas donde profundizamos nuestra fe relacionándola con la vida y la realidad.
Pasamos a ser CEBs cuando integramos Organizaciones populares.
El gran desafío actual es lograr cambios estructurales, hasta sustituir el capitalismo, incidiendo en las elecciones locales y nacionales, e integrando movimientos políticos.
Otro desafío es articularnos con otras religiones (protestantes, episcopaliana (anglicana…) y las cosmovisiones indígenas y negras.
2ª parte: HOY, LAS CEBs
SOMOS TESTIMONIO DE QUE “OTRA MANERA DE SER IGLESIA ES POSIBLE”
UNOS 3 OBISPOS LATINOAMERICANOS CARACTERIZARON LAS CEBs de la manera siguiente:
Monseñor Gonzalo López, expulsado de Sucumbíos en 2010: “Las CEBs son la Iglesia en el barrio y el barrio en la Iglesia”.
Monseñor Enrique Angelelli, de Argentina, asesinado en 1976: “Las CEBs tienen un oído en el Pueblo y otro en el Evangelio”.
Monseñor Leonidas Proaño nos orientaba diciendo: “Las CEBs caminan con los 2 pies: el de la Comunidad y el de la Organización popular”.
Esa es nuestra identidad: Unión de la fe con la vida, de la oración con la acción, del altar con la calle, de la religión con la política.
Actualmente hay 2 documentos que nos pueden guiar de manera muy clara. Se trata del Documento que final de la Asamblea Eclesial de México y la última carta del papa Francisco que publicó el papa León 14.
A. LAS CEBs SOMOS “UN EJEMPLO DE IGLESIA SINODAL” (Documento final del México 2021).
He aquí el Contenido del Documento final de las Asamblea Eclesial de América Latina y El Caribe. Sigue el método clásico de la Iglesia de los Pobres de América Latina.
Presentación: La Asamblea Eclesial, una experiencia inédita
Parte I. Signos de los tiempos que nos interpelan y alientan
Aspectos significativos de la realidad de nuestros pueblos
Aspectos relevantes de nuestra Iglesia
Parte II. Una iglesia sinodal y misionera al servicio de la vida plena
La Asamblea Eclesial en el espíritu de Aparecida
El desborde evangelizador del Pueblo de Dios en clave sinodal
Parte III. Desborde creativo en nuevos caminos a recorrer
Una Iglesia evangelizada y evangelizadora en perspectiva misionera
Propuestas pastorales y Líneas de acción
Dimensión comunicativa y misionera
Dimensión profética y formativa
Dimensión espiritual, litúrgica y sacramental
Dimensión sinodal y participativa
Dimensión socio-transformadora
Dimensión ecológica
Oración a Nuestra Señora de Guadalupe
B. FRANCISCO Y LEÓN 14: ‘LAS CEBs ESTÁN EN EL CENTRO DE LA IGLESIA Y LA SOCIEDAD”.
Es la Carta del papa Francisco que publicó el papa León 14 con el título: “Te he amado” (Apocalipsis 3,9) - El amor hacia los pobres”. Es un documento muy importante. Ningún papa había dicho esto: “Los pobres en el centro de la Iglesia y de la sociedad”. No habrá un mundo feliz mientras se margina y explota a los pobres.
Quién es pobre y quién es rico
Somos pobres cuando compartimos, no explotamos a nadie y sí vivimos en Comunidades.
Somos ricos cuando acumulamos, explotamos y vivimos aislados de los demás.
El sentido de la Bienaventuranzas
“¡Felices los pobres porque de ustedes es el Reino de Dios!”: Estos pobres son los que no tienen satisfechos sus derechos básicos.
“¡Felices los que tienen el espíritu de los pobres, porque de ellos es el Reino de Dios!”. Estos son los que, están algo acomodados, optan por vivir sencillamente y en solidaridad con los pobres.
Se trata de los pobres, no ‘del pobre’, porque sólo, aislado no se puede ser felices. Sólo juntos y en comunidades podemos ser felices.
Siguen en Lucas las ‘malaventuranzas’: “¡Pobres de ustedes, los ricos, porque ya tienen su consuelo!” … Es lo decía un empleado: “¡Pobrecito mi patrón que cree que el pobre soy yo!”
La Biblia es la historia de los pobres…
… pero de los pobres que luchan por liberarse de su pobreza y
Que hacen, en esta dinámica, hacen la experiencia de un Dios cercano, amigo, compañero y liberador con los pobres.
Los papas Francisco y León 14 nos invitan a 4 opciones:
Opción por una vida sencilla, con una pobreza digna.
Opción por ser solidarios entre pobres y enfrentar juntos las dificultades para superarlas.
Opción por ser el Pueblo de los pobres que lucha por cambiar una sociedad que vive de la explotación y muerte de los pobres.
Opción por celebrar juntos los avances del Reino de Dios entre nosotros, porque los pobres organizados son los artesanos de su presencia y de su construcción entre nosotros y en nuestro mundo.
Confirmémonos en la opción por los pobres, por sus causas, por su manera de pensar, actuar y creer.
C. LA PROFECÍA DEL ‘SIERVO SUFRIENTE’ de Isaías (53,12-53,12): ‘Los pobres salvarán el mundo’.
Esta profecía tiene 3 dimensiones:
En su tiempo, Isaías hablaba de los judíos que había sido exiliado en Babilonia para ser “luz de las naciones” y “salvadores de multitudes”.
Luego se aplicó esta profecía a Jesús de Nazaret: “Soy el camino, la verdad y la vida”.
Actualmente esta profecía del “Servidor sufriente y salvador” se aplica a la Iglesia de los pobres de América Latina, tal como lo decía en los años 1940 un famoso escritor francés que acaba de visitar Brasil: “Los pobres salvaron al mundo. La sociedad actual los persigue sin lograr destruirlos. Pero la ingeniosa tenacidad de los pobres tendrá razón, tarde o temprano, de su ferocidad”. (ver libro ‘Esto es otro cantar’ de este servidor).
Hoy nosotros, las CEBs, somos el ‘Siervo sufriente’ llamado a transformar la Iglesia para que estemos al servicio de la liberación de los pobres.
3ª parte: MAÑANA:
NUEVAS COMUNIDADES SERÁN TESTIMONIO VIVO AL SERVICIO DEL REINO
A. LA AFIRMACIÓN RADICAL DEL PAPA PABLO 6°: “EL REINO ES LO ÚNICO ABSOLUTO”.
El papa Pablo 6° terminó el Concilio que había comenzado el papa Juan 23
Podemos recalcar 2 aspectos importantes que nos dejó el Concilio:
Por una parte, proclamó que la Iglesia quería ‘pobre y servidora’.
Por otra parte, insistió en que conozcamos más profundamente al Jesús histórico y su misión al servicio del Reino.
Su Carta encíclica ‘El anuncio del Evangelio’ (1975) es muy importante: Nos dice que:
“El Reino es lo único absoluto; el resto es relativo” (8): Todo debe estar al servicio del Reino que es fraternidad y justicia en nombre de Dios padre y madre.
“La Iglesia está comprometida con la liberación de millones de los pobres” (30) y
“las CEBs que son una esperanza para la Iglesia” (58).
Eso no es más que la realización de la palabra de Jesús: “Busquen primero el Reino de Dios; el resto vendrá por añadidura” (Mateo 6, 33).
B. MISIÓN: SER COLECTIVAMENTE LA ‘BUENA NUEVA’ DE JESÚS (Lucas 4,16): Fraternidad y justicia sin fronteras.
La misión de las CEBs es colaborar a la construcción del Reino de Dios. Esa tarea se lleva a cabo mediante 3 características principales:
Siendo Comunidades firmes
No hay fe ni Reino sin Comunidades que se guían con el método ‘Ver la realidad, iluminarla con la Palabra de Dios y los Documentos eclesiales, actuar y celebrar’.
La articulación es imprescindible: Al nivel local y nacional mediate la articulación de asesores, las reuniones InterCEBs (urbanas, campesinas, indígenas -Iglesias vivas- y afros), la Asambleas de Pueblo de Dios (años 1990, interreligiones: cristiana, episcopaliana (anglicana), indígena, negra, …).
Monseñor Gonzalo López, obispo de Sucumbíos.
Teniendo un compromiso liberador por las causas de los pobres
Esa es nuestra espiritualidad: “Asumir y aceptar la causa de los pobres como si fuera nuestra
causa, la causa misma de Cristo” (Puebla, Mensaje 3).
Primer compromiso: la fraternidad interna, a imagen de las primeras Comunidades: “Eran una sola alma”.
Segundo compromiso: la integración en Organizaciones populares y Movimientos políticos, donde somos “sal, luz y fermento”.
Tercer compromiso: Juntar oración y acción, fe y política.
Realizando celebraciones creativas
No olvidarnos de las celebraciones humanas… (comidas, fiestas…).
Rezar juntos, mantener una religiosidad liberadora, celebrar la Semana santa entre seglares… con símbolos, textos bíblicos y no bíblicos, sociodramas, danzas…
Organizar oraciones participativas (ecuménicas, incluyendo cultos indígenas y ritos negros…)
Así seremos la ‘Buena Nueva’ de Jesús entre los pobres y con los pobres.
C. ESPERANZA SEGURA: Nuevas maneras de seguir a Jesús.
Jesús vino para el Reino de Dios; pero bajo la imposición del emperador romano Constantino (siglo 4) apareció la religión cristiana y la Iglesia católica… que se olvidó del Reino, de los pobres y del compromiso socio-político liberador.
Jesús vino para hacer acontecer el Reino de Dios: Marcos 1,14. – “El Reino es lo único absoluto” (Pablo 6°, 1975). – El Reino es fraternidad y justicia en nombre de Dios padre y madre
¿Ha querido Jesús una Iglesia para continuar la expansión del Reino?
Las primeras Comunidades eran sinodales, sin jerarquía; cambiaron con el emperador Constantino.
Más bien Jesús vino para iniciar un Movimiento para el Reino.
Nuevas maneras de seguir a Jesús para volver al proyecto de Jesús
En Europa
Movimientos de Acción Católica: ACO, JOC, JEC, JAC… (Bélgica)
Comunidades de los Hermanos/as de Carlos de Foucauld (Francia)
Equipos Docentes (1942)
Grupos de Jesús (España, con Antonio Pagola) …
América Latina
CEBs (Brasil, 1955) y Teología de la Liberación, Gustavo Gutiérrez (Perú, 1972)
Equipos Docentes (Perú)
JOC (Brasil)
Grupos Juan 23 en su inicio (Perú)
CELAM (Consejo Episcopal Latinoamericano): 1955 (Río de Janeiro, Brasil), 1968 (Medellín, Colombia), 1979 (Puebla, México), 1992 (Sto. Domingo, República Dominicana), 2007 (Aparecida, Brasil), 2021 (Asamblea Eclesial, Puebla, México).
Proyecto Iglesia sinodal del papa Francico: Una Iglesia en manos de los seglares al servicio del Reino, como una ‘camino compartido’.
Las CEBs juveniles
En el Encuentro continental de las CEBs en 2020, en Guayaquil, tuvo lugar la 1ª Reunión latinoamericana de CEBs juveniles… que siguen su curso actualmente.
Ellas tienen otra dinámica, otra visión de la Iglesia, sin mayor institucionalidad ni normas obsoletas.
Las Comunidades de mañana será más creativas basadas en las espiritualidades, en particular indígenas y afros.
CONCLUSIÓN
PONGÁMONOS UNAS PRIORIDADES
Optar por la solidaridad con las víctimas, con sus causas, su fe y sus sueños.
“Caminar con los 2 pies: El de la fe y el de la Organización popular” tanto sociales como políticas.
Profundizar el compromiso político, partiendo de la cosmovisiones indígenas y negras.
Saber celebrar regularmente la vida, los acontecimientos, los grupos, el Reino…
Crear nuevas Comunidades cristianas con compromisos por los derechos humanos, de la mujer, de la naturaleza, de la minería a gran escala… que nos articulamos.
“¡DEL NUEVO MILENIO LAS CEBs SOMOS LA BUENA NOTICIA!”