Os textos ficam aqui por uma semana, a partir do sábado depois das 12 ou 13 h. Os textos dos que possuem blogs ou sites podem também ser buscados pelos links a seguir: INÁCIO VALE - MAGDA MELO - PE. NELITO DORNELAS - MARCELO BARROS- PE. GEOVANE - - LEONARDO BOFF - DOM WALMOR - DOM FONTINELE - VATICAN NEWS - DOM OTACÍLIO
“Por isso, vos digo: O Reino de Deus vos será tirado e entregue a um povo que produzirá frutos”.
A cena do evangelho deste domingo desenrola-se ainda no templo de Jerusalém (Mt 21, 33-43).
Os interlocutores são as autoridades irritadas que interpelam Jesus: “Com que autoridade”, havia ele expulso do pátio do templo os cambistas e os vendedores de pombas, bois e ovelhas?
Sua resposta foi propor aos anciãos do povo e aos sumos sacerdotes, as mais altas, autoridades políticas e religiosas do povo judeu, mais uma parábola:
“...certo proprietário plantou uma vinha, pôs uma cerca em volta, fez nela um lagar para esmagar as uvas e construiu uma torre de guarda” (Mt 21, 33-42).
Todos ali sentiram-se imediatamente remetidos à célebre passagem do profeta Isaías em que Deus se apresenta como aquele que plantou uma vinha numa encosta fértil, construiu uma torre de vigia e um lagar e dela cuidou com todo carinho. Dela esperava uvas de verdade, mas ela produziu uvas selvagens, esperava frutos de justiça e eis injustiça, esperava obras de bondade – e eis iniquidades (Is. 5, 1-7).
Jesus prosseguiu com a parábola dizendo que o proprietário, com tudo pronto, arrendou sua vinha e viajou para o estrangeiro, “por um tempo considerável”, segundo o evangelho de Lucas (Lc. 20, 9-19).
Nos tempos de Jesus, aumentara pela região da Galileia o número de latifundiários que compravam terras, largavam-nas nas mãos de arrendatários que plantavam trigo e uvas que tinham mercado certo para vender para as legiões romanas, estacionadas no porto de Cesaréia ou na beira do lago, para os funcionários do império ou a corte do rei Herodes. Eram proprietários absenteístas, muitos viviam no estrangeiro e só mandavam seus criados no tempo da colheita para cobrar o aluguel da terra.
Em tempos de colheitas ruins, havia cá e lá, revoltas desses arrendatários porque não tinham como pagar a renda ao proprietário.
Jesus parte desse tipo de situação bem conhecida, para narrar a sua parábola:
“Quando chegou o tempo da colheita, o proprietário mandou seus empregados aos vinhateiros para receber seus frutos. Os vinhateiros, porém, agarraram os empregados, espancaram a um, mataram o outro e ao terceiro apedrejaram.
O proprietário mandou de novo outros empregados, em maior número do que os primeiros. Mas eles os trataram da mesma forma. Finalmente o proprietário enviou-lhes o seu filho pensando:
‘Ao meu filho, eles vão respeitar’.
Os vinhateiros, porém, ao verem o filho, disseram entre si:
‘Este é o herdeiro. Vinde, vamos matá-lo e tomar posse de sua herança’.
Então, agarraram o filho, jogaram-no para fora da vinha e o mataram.
Pois bem, quando o dono da vinha voltar, o que fará com esses vinhateiros?”
Os sacerdotes e os anciãos do povo responderam:
‘Com certeza, mandará matar de modo violento esses perversos e arrendará a vinha a outros vinhateiros que lhe entregarão o fruto no tempo certo’”.
Jesus evoca a passagem do salmo que diz que pedra que fora rejeitada pelo arquiteto, tornou-se a pedra angular da construção, para arrematar assim a parábola;
“Por isso eu vos digo, o Reino de Deus vos será tirado e será entregue a um povo que produzirá frutos”.
Temos em nossas comunidades, fieis e dirigentes que produzem frutos de justiça, misericórdia, compaixão e solidariedade?
Vamos ter eleições neste domingo. Muitos de nós estamos desencantados com o que vem acontecendo no campo político. Ouvi de várias pessoas: “Ah, nem vou votar”, sobretudo entre as que estão com mais de 70 anos e para as quais o voto não é obrigatório.
Esta é, porém, é uma razão a mais para irmos às urnas e escolher bons candidatos para o legislativo estadual, para a Câmara, Senador e para o governo do estado e da federação. Vamos escolher mandatários que produzam frutos de justiça e cuidem realmente das necessidades do povo, respeitando as leis, a Constituição e o resultado das urnas.
No dia 04, celebramos São Francisco de Assis, amigo dos pobres e da natureza e, na segunda-feira, dia 05 festejamos o querido santo preto, São Benedito.
São Francisco, São Benedito e a Virgem Mãe Aparecida, rogai por nós e abençoai nossas famílias e o nosso Brasil.
XXVII Domingo Comum: Mt 21, 33- 43.
Neste domingo, o evangelho traz a história, comumente chamada de "parábola dos vinhateiros assassinos".
Neste domingo, o evangelho traz a história, comumente chamada de "parábola dos vinhateiros assassinos".
Em 1981, época da ditadura militar-empresarial, em São Geraldo do Araguaia, pequena cidade às margens do rio, no sul do Pará, a polícia tinha aprisionado Francisco Guriou e Aristides Camio, dois padres franceses, que trabalhavam na Comissão Pastoral da Terra e junto com eles, alguns moradores daquela localidade.
No final daquela tarde, as pessoas viram baixar do céu um helicóptero e, dele, descer o temido Coronel Curió, figura que simbolizava a violência policial a favor do latifúndio. Ele mandou abrir a Igreja, tocar o sino e reunir a população.
Como se fosse ministro da Igreja, o Coronel coordenou o culto. Leu essa parábola dos vinhateiros assassinos e interpretou: “Ao prender padres e lavradores, estamos cumprindo o que, nessa parábola, Jesus disse que é o modo de Deus agir. Ele está do lado dos proprietários e castiga lavradores que querem apoderar-se da terra que Deus deu aos fazendeiros ricos”. ”. Ele torturou o texto bíblico para extrair o contrário do que o texto quer afirmar.
Qualquer pessoa de bom senso rejeita esse modo grosseiro e fundamentalista de interpretar a parábola. De fato, não é honesto, nem justo comparar Deus com um senhor, proprietário de terras e de escravos. De acordo com o próprio texto, o senhor dessa história não é um capitalista que mora na cidade e tem terra no campo. Conforme a parábola, pessoalmente, ele planta a vinha, ele mesmo a rodeia com uma cerca e constrói a torre para protegê-la dos ladrões.
A história retrata a situação social e econômica da época de Jesus. A Palestina na época estava colonizada pelo império romano e, por isso, dividida em grandes latifúndios e os proprietários eram, em geral, estrangeiros ricos. Assim, era compreensível que os lavradores locais sentissem ódio e revolta contra os proprietários, usurpadores da terra que Deus tinha dado ao seu povo.
Pela legislação judaica antiga, se o proprietário da terra morresse ou desaparecesse e não tivesse herdeiros, a terra tornava-se automática e legalmente propriedade dos que nela trabalham. Isso explica porque, nessa parábola contada por Jesus, os lavradores, pensando que o filho tinha herdado a terra (portanto, o pai tinha morrido), decidem matar o filho. Se o filho morresse, eles poderiam ficar legalmente como proprietários. Provavelmente, Jesus colheu essa história de um fato ocorrido na época. Parece contar essa história para mostrar que a violência não resolve os problemas da justiça.
Na Bíblia, a vinha representava o povo de Deus já vinha do profeta Isaías: “Meu amigo tinha uma vinha, ele mesmo a plantou, cercou com uma cerca” (Is 5, 1 ss).
No primeiro testamento, a vinha representava o povo de Deus. Jesus mudou a alegoria de Isaías e do salmo 80. Agora, a imagem da vinha refere-se ao reinado divino no mundo. A vinha de Deus é o projeto de um mundo organizado, conforme o plano divino de fazer aliança com toda a humanidade e com a Mãe-Terra, na base da paz e da justiça.
Nos anos 80 do primeiro século da era cristã, as comunidades nas quais nasceu o evangelho de Mateus retomaram a imagem da vinha e fizeram dela uma alegoria sobre a responsabilidade que os chefes religiosos do Judaísmo tiveram na condenação que Jesus sofreu por parte do Império Romano e na sua morte na cruz.
Conforme esse evangelho, os dirigentes do templo que se centram no religioso seriam como lavradores que mataram os enviados. O proprietário ama a vinha. Jeremias já havia dito: “Desde que os pais de vocês saíram do Egito até hoje, enviei os meus servos, os profetas. Mas, vocês não quiseram escutá-los”(Jr 7, 25- 26).
Essa parábola acusa os religiosos de se apossarem da vinha de Deus, como se fosse propriedade deles e não do Pai. O evangelho denuncia: eles provocam a morte do Cristo, não mais no seu corpo físico, mas no corpo social dos pobres e pequeninos. “O que fizestes a um desses pequeninos, foi a mim que o fizestes” (Mt 25, 33...).
É fundamental libertar a fé cristã de uma sacralidade que legitima a indiferença social mascarada de religiosidade. Se os cultos não ajudam as pessoas a serem mais humanas e mais famintas e sedentas de justiça, não são evangélicos e sim hipócritas. Se, nas paróquias e dioceses, a eucaristia é celebrada como se fosse manifestação de poder sacral e mantém estilo de cerimônia medieval nada têm a ver com a ceia que Jesus nos mandou fazer em sua memória. O que ele fez foi doar a vida por todos e todas, para que tivessem vida em abundância.
Ainda hoje, muitos ministros de Igreja fazem o que aqueles vinhateiros da parábola fizeram ao se apossar da vinha do Senhor. E Jesus conclui a parábola dizendo, não que a vinha será destruída, mas que será tirada desses maus administradores e será dada a outros que possam torná-la fecunda.
Que, nesse dia de eleições e Dia de São Francisco de Assis, o evangelho desse dia ressoe para nós como um apelo a votarmos nos candidatos e candidatas que possam cuidar do povo de Deus, da Natureza, que é sagrada e tem muitos direitos, e do Brasil como vinha amada de Deus. Principalmente, ao votar para Presidente da República, assim como para o Congresso e os governos estaduais, tenhamos claro que estamos votando não apenas em nome de pessoas e sim em um projeto para o país e, como cristãos e cristãs, devemos votar pela Democracia, soberania nacional e justiça ecossocial.
Quem é dono de uma propriedade, de um campo, é natural que ali existam plantações. Elas dependem de atenção e cuidado, de intenso trabalho e dedicação. Assim é o Brasil, um vasto campo para ser cultivado, um espaço onde jogamos todo tipo de semente, inclusive, da Palavra de Deus. O momento é de pensar na identidade de quem lança a semente, seja um missionário ou um político.
Uma vinha bem cuidada produz muito fruto. O descuido não significa infertilidade, mas dificulta muito o progresso e os objetivos de quem é dono. Temos um país com muitas oportunidades, com uma potencialidade infinita. Mas existe uma grande dissonância entre a seriedade de quem governa e aquilo que deve ser administrado. O domínio da corrupção impede a abundância de frutos bons.
O profeta Isaías aponta a existência da vinha de um amigo seu (cf. Is 5,1-2). O dono esperava a produção de bons frutos, mas aconteceu o contrário, e acabou ficando decepcionado. Certamente faltou quem usasse os insumos necessários e o cuidado exigido. Esta é a imagem de um Brasil fecundo, mas ainda com razoável produção. O que está faltando é a presença de honestos administradores.
As eleições pelo país são, como que, “a hora da verdade”, hora da escolha e do exercício das atitudes de total responsabilidade, principalmente por ter ciência de que o nosso voto tem profundas consequências na vida da Nação e de cada eleitor. São mais quatro anos de gestão, em que seremos cuidados pelos eleitos, e com poder adquirido com a decisão de cada um de nós ao votar.
O mundo é um jardim frutífero sonhado por Deus, mas tem passado por momentos de catástrofes naturais, improdutividade, por negligência e egoísmo pela mão humana. É uma vinha muito mal cuidada, porque os vinhateiros não conseguiram entender o nível de sua responsabilidade. Vemos que poucos administram pensando na coletividade e se deixam levar por interesses excludentes.
A vinha é de Deus e somos um país de fé. O que fazemos nas eleições é escolher os agentes colaboradores da população. Eles devem ser pessoas de vida ilibada, honestas e bem intencionadas, com marca visível de equilíbrio no cuidado da administração pública, para que os frutos produzidos sejam de uvas boas, de bem comum e espaço de oportunidades para todos os brasileiros.
Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba.
Nos últimos dias, tenho recebido muitas mensagens. Algumas chegam em resposta aos meus escritos; outras, aos posicionamentos que assumo, às atividades das quais participo e às reflexões que compartilho. São pessoas de diferentes lugares, histórias e compreensões da realidade. Algumas concordam comigo; outras discordam. Há quem pergunte, quem questione, quem desabafe e também quem simplesmente queira conversar.
Procuro responder. Nem sempre consigo fazê-lo na rapidez que gostaria, mas considero importante não transformar diferenças em muros. Talvez este seja um dos grandes desafios do nosso tempo: continuar capazes de conversar, mesmo quando não pensamos da mesma maneira.
Às vésperas das eleições, sinto ainda mais a necessidade de escrever.
No próximo domingo, 4 de outubro, milhões de brasileiras e brasileiros irão às urnas para escolher representantes para a Presidência da República, governos estaduais, Senado, Câmara dos Deputados e Assembleias Legislativas ou Câmara Distrital. É um gesto que dura poucos minutos diante da urna, mas cujas consequências atravessam anos da vida de uma sociedade.
Por isso, não consigo compreender o voto como um ato isolado.
Votar é assumir responsabilidade.
E essa responsabilidade começa antes de chegarmos à seção eleitoral. Começa quando buscamos conhecer quem são as pessoas que pretendem nos representar, suas trajetórias públicas, seus compromissos, suas propostas e a coerência entre aquilo que dizem e aquilo que fazem.
Num tempo em que recebemos uma quantidade imensa de informações pelo celular e pelas redes sociais, existe ainda outra responsabilidade: não permitir que alguém pense por nós.
Uma mensagem repetida milhares de vezes não se torna verdadeira por causa da repetição. Um vídeo curto não conta necessariamente toda uma história. Uma frase retirada de contexto pode transformar-se rapidamente em instrumento de manipulação.
A própria Justiça Eleitoral tem insistido na importância de verificar informações e recorrer a fontes confiáveis diante da circulação de conteúdos falsos, manipulados ou descontextualizados.
Precisamos recuperar algo profundamente humano: a capacidade de perguntar, refletir, discernir e decidir conscientemente.
Para mim, política não pode ser reduzida à disputa eleitoral. Ela está presente quando discutimos saúde, educação, moradia, trabalho, segurança, meio ambiente, direitos, orçamento público e tantas outras questões que atingem concretamente a vida das pessoas.
Está presente quando uma família consegue atendimento digno em um serviço público — e também quando não consegue.
Está presente quando uma criança encontra uma escola que a acolhe; quando uma pessoa idosa necessita de cuidado; quando jovens procuram perspectivas para o futuro; quando trabalhadores lutam por condições dignas; quando mulheres enfrentam a violência; quando povos originários e comunidades tradicionais reivindicam respeito; quando alguém tem fome; quando a natureza é protegida ou destruída.
Por isso, a política não deveria nos afastar da vida. Ela deveria nos comprometer ainda mais com a vida.
Também me preocupa quando a eleição transforma familiares, amigos, comunidades e até pessoas de fé em adversários irreconciliáveis. Podemos discordar profundamente sem retirar do outro sua dignidade. Democracia não significa ausência de divergências. Ao contrário: ela exige que aprendamos a conviver com elas dentro das regras comuns e do respeito às pessoas.
Isso não significa neutralidade diante da injustiça, da violência ou da mentira. Significa compreender que defender aquilo em que acreditamos não nos autoriza a desumanizar quem pensa diferente.
Minha formação cristã também me leva a uma pergunta que considero inevitável: onde estão os mais vulneráveis em nossas escolhas?
Não pretendo dizer a ninguém em quem votar. Essa decisão pertence à consciência de cada pessoa. Mas acredito que todos podemos nos perguntar: quais consequências determinada proposta terá para quem mais precisa? Que sociedade estamos ajudando a construir? Nossas escolhas favorecem a dignidade humana, o cuidado com a Casa Comum, a justiça, a paz e o bem comum?
São perguntas que não cabem em slogans.
E talvez seja exatamente disso que este momento esteja precisando: menos slogans e mais consciência; menos agressividade e mais argumentos; menos encaminhamentos automáticos e mais leitura; menos culto a personalidades e mais compromisso com princípios e propostas.
No domingo, entraremos sozinhos diante da urna. Ninguém poderá apertar as teclas por nós.
Mas não estaremos escolhendo apenas para nós.
Nosso voto alcança quem conhecemos e quem nunca conheceremos. Alcança crianças que ainda não votam, pessoas que dependem das políticas públicas, trabalhadores, famílias, comunidades inteiras e as futuras gerações.
Depois, as urnas serão fechadas.
A democracia, porém, continuará aberta.
Continuará precisando de participação, acompanhamento, cobrança, diálogo, organização social e compromisso cidadão. Quem vence uma eleição não recebe um cheque em branco. Quem perde não deixa de fazer parte da sociedade. E quem vota não encerra sua responsabilidade quando aperta a tecla “confirma”.
Talvez esta seja uma das reflexões que mais desejo compartilhar neste momento:
o voto passa; a responsabilidade permanece.
Que cada pessoa faça sua escolha com liberdade e consciência. Que procure informações, confronte propostas, examine trajetórias e não entregue a ninguém o direito de pensar em seu lugar.
E que, depois das eleições, independentemente dos resultados, sejamos capazes de continuar nos encontrando, dialogando e trabalhando.
Porque governos passam.
Mandatos terminam.
Eleições se sucedem.
Mas o cuidado com a vida, com a dignidade humana, com a democracia e com o bem comum precisa continuar.
Em quem votar nas eleições de 2026? Esta pergunta deve estar preocupando muita gente, a menos de uma semana para o 1.º turno das eleições. O ideal seria que ninguém precisasse tentar convencer ninguém a votar em um candidato “x” ou “y”.
Seria bom que bastasse apenas dizer “vote consciente”, “não venda seu voto, pois voto não tem preço, tem consequência”. Vote em candidato/a com história de luta pelo bem comum. No entanto, na realidade, isso não basta.
Se vivêssemos em uma sociedade justa, ética, solidária, com responsabilidade socioambiental e geracional, uma sociedade de justiça, paz e respeito entre as pessoas e em convivência respeitosa com todos os seres vivos da Criação, com igualdade de oportunidades para todos e todas, as pessoas, via de regra, teriam acesso às principais informações que lhes garantiriam optar pelos melhores candidatos/as.
Entretanto, vivemos numa sociedade capitalista que reproduz diariamente a brutal desigualdade socioeconômica, com ideologia dominante, meios de comunicação controlados por grandes empresários e big techs que inundam mentes e formam opinião sem crítica. Assim, cria-se uma cortina de fumaça multiplicada por uma montanha de fake news que embaçam o horizonte e que, por exemplo, nas eleições de 2018, levaram a maioria do eleitorado a eleger o pior presidente da história do Brasil – um fascista da extrema-direita que, com política de morte pelo não enfrentamento correto da Covid-19, por zombar de quem estava morrendo asfixiado sem oxigênio, por ter atrasado a compra de vacina, levou a óbito mais de 720 mil pessoas, entre as quais, ao menos, 400 mil poderiam ter sido salvas. Um “homem de bem” que disseminou armas e apoiou devastadores ambientais, “passando a boiada” sobre os territórios de povos e comunidades tradicionais.
Bispos da Igreja Católica, da CNBB, alertam que o discernimento sobre em quem votar precisa levar em conta os princípios e critérios assegurados na Doutrina Social da Igreja, que apregoa respeito à dignidade humana, compromisso com a ética, defesa da causa dos pobres e dos direitos humanos, o bem comum e a proteção à Natureza, que é sagrada e tem muitos direitos.
O Deus da Bíblia ouviu o clamor das pessoas escravizadas no Egito e desceu para caminhar junto com o seu povo, rumo à terra prometida e à libertação. Jesus Cristo não ficou em cima do muro. Posicionou-se, firmemente, ao lado das pessoas empobrecidas, marginalizadas e excluídas. Em outras palavras, podemos intuir que, hoje, Jesus votaria em candidatos/as da esquerda.
Feliz quem aprende com a história. Ao olharmos para a nossa história, observamos que, para além do que os candidatos e candidatas falam, o que faz a diferença é o que fazem e o que deixam de fazer. A história de atuação dos candidatos eleitos demonstra que políticos de partidos de direita (e, pior, de extrema-direita) nunca defendem direitos do povo trabalhador e camponês, e nem defendem direitos da Natureza - que, repito, é sagrada e tem muitos direitos.
Políticos de direita e de extrema-direita defendem apenas regalias para uma minoria já privilegiada na sociedade capitalista. Pensam que, apenas, com repressão irão resolver problemas de segurança pública e que só o mercado e o empenho individual levarão as pessoas a melhorarem de vida. São contra tudo o que beneficia os pobres e contribui para a sua emancipação. Quais são os partidos de direita e de extrema-direita? Existem vários: PL, NOVO, PP, Republicanos, União, PRD e outros.
A história demonstra que são os políticos de partidos de esquerda os que se dedicam a aprovar leis e criar políticas públicas, que defendem os direitos dos pobres e da Natureza. Logo, quem é da classe trabalhadora, camponesa e até da classe média, se quiser colocar no poder alguém que, de fato, represente o povo, deve votar em candidatos do espectro político da esquerda. E quais são os partidos de esquerda ou de centro-esquerda? Há vários: UP, PSTU, PSOL, PT, PCdB, PCB, PSB, REDE, PDT e outros.
Entrará para a história como cúmplice quem se omitir ou ficar em cima do muro nesta eleição, na qual dois projetos diametralmente opostos estão em baila. De um lado, sob a liderança de Lula, um projeto que defende a Democracia, a soberania, políticas socioambientais, direitos trabalhistas, previdenciários e humanos. Do outro lado, sob a liderança de Flávio Bolsonaro, um projeto que entrega o país e o povo para os ditames da idolatria do mercado, para a subserviência aos EUA, para a tirania do colonialismo, com o aniquilamento das instituições que garantem a democracia.
Comparando os dois candidatos a presidente com real chance de serem eleitos, Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), é óbvio que, com Lula, estará assegurado o caminho para garantirmos o regime democrático, a luta por direitos do povo e da Natureza e a luta para que, de fato, o Brasil continue a ser um Estado laico, capaz de assegurar a liberdade religiosa. O outro candidato tem evidentes relações com milicianos, com a corrupção em muitos casos, e já declarou inúmeras vezes que pretende colocar o Brasil, de joelhos, diante dos Estados Unidos.
Em muitos países, a tentativa de implementação de governos ditatoriais e de tendência fascista tem sido característica básica da extrema-direita. O Brasil não pode cair nesta vala, que trará a amputação da Democracia e cortes brutais em direitos trabalhistas, previdenciários, humanos e ambientais, conquistados nas últimas décadas, com muita luta, suor e sangue. Que, nessa hora grave, na qual devemos votar no Presidente da República, assim como para o governo dos Estados, deputados e deputadas estaduais, a Câmara Federal e 2/ 3 do Senado, a espiritualidade de todas as religiões e os diversos caminhos de fé nos guiem para escolher e votar em candidatos e candidatas que, de fato, tenham compromisso com a justiça ecossocial e a Paz. Que o Amor Divino nos ilumine e conduza nesse caminho.
1 Frei e padre da Ordem dos carmelitas; doutor em Educação pela FAE/UFMG; licenciado e bacharel em Filosofia pela UFPR; bacharel em Teologia pelo ITESP/SP; mestre em Exegese Bíblica pelo Pontifício Instituto Bíblico, em Roma, Itália; assessor da CPT, CEBI e Ocupações Urbanas; autor de livros e artigos. E-mail: gilvanderlm@gmail.com – www.gilvander.org.br – www.freigilvander.blogspot.com.br – Canal no You Tube: https://www.youtube.com/@freigilvander – No Instagram: @gilvanderluismoreira – Facebook: Gilvander Moreira III – No https://www.tiktok.com/@frei.gilvander.moreira
Esta será a eleição mais importante desde 1989 (primeira eleição direta para presidente após o fim da ditadura): a escolha é entre a continuidade da democracia ou a volta das políticas do governo Bolsonaro e o estabelecimento progressivo de um regime ditatorial.
Eleger Flávio Bolsonaro será retomar a destruição realizada por aquele governo: o descaso com a saúde pública (com 700 mil mortes na Pandemia da COVID-19), a redução dos recursos para a educação pública, a destruição do meio ambiente, a devastação da Amazônia, o congelamento do salário-mínimo, o aumento do desemprego, a privatização da Petrobras, a entrega das riquezas do Brasil (minérios, terras raras) aos Estados Unidos de Donald Trump, a submissão do nosso país aos interesses de um governo estrangeiro. O governo Trump está apoiando o candidato Flávio Bolsonaro, de olho nas promessas que ele fez de subserviência àquele país. A família Bolsonaro atua junto ao governo Trump para impor tarifas (tarifaço) às exportações e outras sanções ao Brasil (inclusive ameaçando o PIX) como forma de pressionar o governo Lula a ceder às exigências dos EUA. É uma verdadeira traição à pátria. Se Flávio se tornar presidente, nosso país voltará a ser uma espécie de colônia, desta vez submissa ao “imperador” Trump.
No governo Bolsonaro, houve ataques sistemáticos à liberdade de imprensa e a jornalistas, especialmente mulheres, toda vez que publicavam matéria desfavorável ao governo. Foi montado um “gabinete do ódio” dentro do governo estimulando versões falsas (fake news) e organizando ataques digitais a pessoas ou grupos adversários do bolsonarismo. Em outras palavras, vivia-se um clima de ameaça, de ódio, para quem pensava diferente.
Flávio Bolsonaro é conhecido, desde o tempo de deputado estadual, por suas práticas corruptas: uso das “rachadinhas” no seu gabinete (os funcionários doavam parte de seu salário para o deputado), compra de vários imóveis com dinheiro vivo, compra de uma mansão de 6 milhões de reais em Brasília, relação muito próxima com o dono do banco Master, Daniel Vorcaro, ao qual pediu 134 milhões de reais (e recebeu pelo menos 70 milhões). Flávio tentou negar, mas depois teve de reconhecer a mensagem de áudio que enviou a Vorcaro. E até hoje não prestou contas do uso deste dinheiro, que é, em parte, público. Sabe-se que foi enviado para uma conta no Texas (EUA), pertencente a um advogado de seu irmão, Eduardo Bolsonaro. Além do mais, tem forte relação com as milícias: empregou parentes de miliciano, elogiou e condecorou matador na prisão, entre outras atividades suspeitas.
O governo Lula passou os quatro últimos anos reconstruindo as políticas que haviam sido arrasadas por Bolsonaro:
Saúde: retomou o investimento na saúde (o SUS), restabeleceu o programa nacional de vacinação pública que tinha sido desprezado no governo Bolsonaro. Relançou o Programa Farmácia Popular.
Educação: aumentou os recursos para a educação, investiu nas universidades, criou novos Institutos Federais.
Restabeleceu o aumento real do salário-mínimo (aumento acima da inflação) que tinha sido interrompido no governo Bolsonaro,
Promoveu a geração de empregos, inclusive formais, de modo que a taxa de desemprego chegou a seu nível mais baixo desde 2012.
Revalorizou o Programa Bolsa-Família e também o Minha Casa, Minha Vida, e conseguiu reduzir a fome nas famílias mais pobres (o Brasil saiu do Mapa da Fome).
Defendeu o direito das pessoas de terem sua própria opinião, sem receio de serem perseguidas, como se deve numa democracia.
Frente às ingerências dos Estados Unidos em nossa disputa eleitoral, o governo Lula tem defendido a soberania do nosso país, afirmando nossos direitos enquanto nação livre e independente.
Lula nunca pediu dinheiro a Daniel Vorcaro. Foi no seu governo que o Banco Central fechou o banco Master e interrompeu suas fraudes. No seu governo, a Polícia Federal pôde agir com autonomia, sem interferências.
Esta não é uma eleição comum: é uma escolha entre democracia ou regime ditatorial. Frente aos riscos que representaria um novo governo “Bolsonaro”, temos de eleger o candidato presidencial comprometido com a democracia e com a soberania do Brasil: Lula. E votar em deputados/as, senadores/as e governadores/as defensores da democracia e da justiça social.
Brasil, 20 de setembro de 2026
Véspera do início da primavera
MNFP – Movimento Nacional Fé e Política
Não tenho a quem protestar. A Deus, não posso, porque, embora o nome dele seja sempre muito usado, sei que não tem nenhuma culpa nessa história. Reclamar à classe política não adianta. Quem vai me ouvir? Eu iria parecer padre tradicional que briga porque os fieis não vêm à missa, mas diz isso, justamente, aos poucos que estão lá para ouvir suas queixas.
O meu protesto é que eleição significa escolha. Eleger é escolher. Quando eu era jovem, a eleição era para escolher entre candidatos possíveis. A primeira eleição da qual participei aos 18 anos, em 1962, era para escolher ao governo de Pernambuco, ou o usineiro João Cleofas, candidato das elites, ou Miguel Arraes, acusado de ser socialista, como se isso fosse crime. (E os padres diziam: vote em João Cleofas, porque Arraes é comunista e comunista é contra Deus). No entanto, ambos eram civilizados e pessoas que entravam no jogo democrático.
Mais tarde, várias vezes, para presidente, para governador, ou para o poder legislativo, tive de escolher entre dois nomes ruins. E tinha de votar no menos pior.
Agora, nessas eleições de 4 de outubro de 2026, não se trata mais de escolher entre candidatos, nem entre partidos. O que está em jogo não é mais uma escolha entre Lula e Serra, ou entre Lula e Fernando Henrique Cardoso, como foi em outras eleições. Nem é mais uma escolha entre partidos, de forma que alguém diga: não voto no PT e voto no PSDB.
De fato, essa eleição continua tendo o ritual de quaisquer eleições, mas, na realidade, o que temos de votar é em projeto de país. Se queremos salvar a pobre e maltratada democracia brasileira que ainda sobrevive, ou se aceitamos que o Brasil volte aos tempos da Ditadura Militar, dessa vez, sem precisar de golpe armado e sim através do nosso voto. E infelizmente, grande parte da elite brasileira e das mais importantes redes de comunicação, como a Globo e a Band, assim como os grandes jornais do país, estão todos unidos, como sempre foram, contra os interesses do povo e contra a justiça ecossocial e a Paz.
O nosso voto vai definir se continuamos um país independente ou se queremos depender dos Estados Unidos que já domina 14 países do nosso continente e quase só falta o Brasil. Flávio Bolsonaro significa isso.
O problema é esse: nessa eleição, o povo vota em nomes, mas o que está em jogo são dois projetos de Brasil e de mundo. Quem vota em Lula não vota apenas em Lula, vota na Democracia e na independência do Brasil como país soberano. Vota nos interesses das classes mais pobres.
Qualquer um dos outros candidatos apoia que o Estado de Israel mate palestinos, mulheres e crianças aos montões. São favoráveis ao que o Império dos Estados Unidos continue impondo um bloqueio ao povo cubano que impede as pessoas terem acesso até a uma aspirina, se ela tiver de vir de fora. E esse crime internacional dura mais de 60 anos.
Não se diz que nessa eleição brasileira está em jogo se você é favorável a que, na noite do 3 de janeiro desse ano, Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, tenha invadido militarmente a Venezuela, assassinado 41 pessoas, destruído a casa presidencial e sequestrado o presidente do país e sua esposa, só para se apossar dos poços de petróleo, que a Venezuela possui.
Quem é do bem e quer o bem, mesmo que não goste de Lula, (eu gosto), mesmo que ache que não é um bom candidato, sabe que a alternativa é muito pior... E isso repete-se em vários Estados. Em São Paulo, não se trata de escolher apenas entre Haddad e Tarcisio, ou no Paraná entre Requião Filho e Sérgio Moro, ou na Bahia, entre ACM Neto, ou Jerônimo Rodrigues. Trata-se de defender a Democracia e a possibilidade de maior justiça social, a partir da defesa das classes trabalhadoras.
Essa mesma realidade ocorre quando pensamos em quem votar para o Senado, a Câmara Federal e as assembleias legislativas estaduais.
Tomara que você que está lendo essas linhas escolha a justiça, a paz, o direito da natureza continuar viva como natureza e a igualdade entre homens e mulheres, assim como igualdade de raça e de gênero. Por favor, não vote agora, de modo que amanhã venha a chorar, quando não tiver mais jeito. Dizem que o Buda ensinou ao mundo a plena consciência do ser e dizia: “O futuro não existe. O amanhã pertence às pessoas que sabem viver o hoje e se preparam, hoje, para o amanhã.”
Clemente Romano teria sido um colaborador do apóstolo Paulo e, que, segundo Irineu de Lion foi o terceiro bispo de Roma. Escreveu uma carta aos coríntios, na qual afirma ser a justiça, a verdade, a unidade e a caridade os princípios fundamentais da vida cristã. A salvação exige aplicação, zelo e observância das Escrituras, fé em Jesus Cristo e no Evangelho, testemunho de vida e imitação dos santos.
Esta é a porta da justiça aberta para a vida, como está escrito: ‘Abri-me as portas da justiça. Entrarei por elas para proclamar o Senhor, os justos entrarão por elas’. Felizes são todos os que entram por ela e dirigem seu caminho na santidade e na justiça cumprindo todas as coisas sem perturbação (48). O amor conduz à justiça, à graça e ao Inefável. É no amor que o Senhor atrai para si os que o praticam (49).
Inácio de Antioquia que foi o segundo bispo de Antioquia, perseguido, aprisionado, enviado a Roma e estraçalhado pelas feras, nos tempos do imperador Trajano, escreve uma carta aos Efésios.
De fato, existem algumas pessoas que dolosamente costumam levar o nome de Cristo, mas agem de modo diferente e indigno de Deus; é preciso que eviteis essas pessoas como se fossem feras selvagens. Com efeito, são cães raivosos que mordem sorrateiramente. Atentos às suas mordidas, pois são difíceis de curar (7). Os maus armam ciladas sorrateiras. Os cristãos necessitam perceber os artifícios enganosos do príncipe desse mundo (6). A sabedoria, o discernimento e a fé são caminhos para evitar os enganos e engodos. Os maus se infiltram nas comunidades, no meio das autoridades e no poder para dividir, para impedir a unidade e a coesão em torno do Evangelho, da verdade e da justiça. Dividir para imperar já era um princípio romano.
O princípio de todos os males é o amor ao dinheiro. Sabendo, portanto, que nada trouxemos ao mundo e que nada podemos levar dele, armemo-nos com as armas da justiça e ensinemos primeiro a nós mesmos a caminhar conforme o mandamento do Senhor (4).
Hermas escreveu a obra O Pastor, nos tempos em que seu irmão, Pio, era bispo de Roma, por volta dos anos 150. Comentando o sexto mandamento, escreve:
Ele me disse: ‘No primeiro mandamento, eu te ordenei guardar a fé, o temor e a continência’. Eu respondi: ‘Sim, Senhor’. Ele continuou: ‘Agora te explicarei as forças dele, para que conheças o poder e a eficácia que elas possuem. Suas forças são de dois tipos e estão relacionadas com o justo e com o injusto. Tem confiança no justo, mas não confies no injusto. De fato, o justo segue caminho reto, ao passo que o injusto segue caminho tortuoso (35).
Hermas instrui seus leitores e ouvintes sobre os imperativos éticos de distinguir os dois caminhos e não confiar nos injustos. Jesus adverte igualmente sobre os dois caminhos e a necessidade de se optar pelo caminho da justiça (Mt 6,24; 5,20). Não há como ser cristão e não discernir o comportamento na vida pessoal, familiar, profissional e política.
Todo cristão deve praticar o bem e abster-se de praticar o mal. Se se abstém de praticar o mal, faz um grande bem. Os vícios são coisas que os servos de Deus devem deixar de praticar: roubo, mentira, fraude, falso testemunho, avareza, desejos maus, enganos, arrogância e vícios semelhantes (38).
Barnabé em sua carta fala das dificuldades de dar testemunho correto, no meio de um mundo antagônico. Os auxiliares da nossa fé são o temor e a perseverança, e nossos companheiros de luta são a paciência e o autocontrole (2). A fé trava uma batalha constante contra os inimigos e opositores que pretendem romper com a unidade e a justiça. O trabalho da fé se manifesta na resistência a estruturas políticas injustas e perversas.
Didakê, conhecida como Doutrina dos Apóstolos exorta sobre a porta de entrada de todos os males na comunidade cristã. Alguns males que entram quase imperceptivelmente são a adivinhação, a mentira, a mania de grandeza, o ciúme, a astrologia e outros dessa natureza que depois se transformam na violência, fornicação, homicídios, roubos, avidez pelo dinheiro, fama, cobiça e blasfêmia (3).
A exortação carrega muita sabedoria e experiência de vida, pois a fé, que aparentemente não é atingida por coisas pequenas, quando menos esperamos já está amarrada pelos grandes vícios.
Teófilo de Antioquia afirma que há um único caminho da fé para Deus: viver segundo a justiça. Para que a justiça aconteça, precisa que a fé e o temor de Deus entrem, antes, no coração e na mente. Assim como nenhum doente pode curar-se antes de ir ao médico, ninguém pode ver a Deus sem antes crer em seu coração. Quem antes pode atravessar o mar, se antes não confia na embarcação e no piloto? Qual doente pode se curar se não confia no médico? Qual arte ou ciência pode alguém aprender, se antes não se entrega e se confia ao mestre? Portanto, se o lavrador crê na terra, o viajante no navio, o doente no médico, por que tu não queres confiar-te a Deus, do qual recebeste tantos dons?(7-8).
A fé está ligada à ação. Aquele que crê no bem pratica-o, aquele que crê no mal, não apenas o pratica, mas perverte o bem.
Pesquisa do Prof. Dr. Fernando Altemeyer Junior, assistente doutor do departamento de Ciências Sociais da PUC-SP. Email: fajr@pucsp.br
Superfície: 674.843 quilômetros quadrados. Faz fronteiras com a Espanha, Bélgica, Alemanha, Andorra, Itália, Luxemburgo, Mônaco e Suíça. Taxa de fecundidade é de 1,9 filhos por mulher. A expectativa de vida é de 80,16 anos.
Atualmente são 68,6 milhões de habitantes, dos quais 44.590.000 católicos, ou seja, 65% da população, segundo as estatísticas recentes, após forte laicização. Capital: Paris. Há 30 mil franceses com mais de cem anos de idade. Expectativa de vida é de 83 anos. Mais de 22% da população tem 65 anos ou mais.
Há 99 circunscrições eclesiásticas, sendo 24 arquidioceses ou sedes metropolitanas, 69 dioceses, uma prelazia territorial, um ordinariato militar, um ordinariato para os fieis de ritos orientais e três eparquias (dos ritos maronita, ucraniano e armênio). O episcopado está organizado na Conferência Episcopal Francesa contando 186 bispos sendo SETE cardeais arcebispos (um nascido na Espanha), um núncio apostólico, 26 arcebispos na ativa, 22 arcebispos eméritos, e 130 bispos diocesanos sendo 76 na ativa e 54 eméritos, sem contar dois bispos cismáticos excomungados pertencentes à Fraternidade Pio X: Hanapier e Poisninet de Sivry, S.S.P.X. O atual prelado da Opus Dei, Fernando Ocáriz Braña é francês. O arcebispo do Principado de Mônaco também é francês. Um padre foi indicado ao episcopado para a diocese de Rennes, mas renunciou antes de sua sagração, Monsenhor Ivan Brient. Há um cardeal francês que atua na Argélia. Dado relevante é a presença e atuação de uma religiosa francesa Nathalie Becquart, Xavière, Subsecretaria do Sínodo dos bispos, na Cúria Romana.
Pesquisa recente, após os escândalos de pedofilia no clero francês, mostraram que apenas três milhões de fiéis (ou 5,5% da população adulta) frequentam a missa pelo menos uma vez por mês, formando o núcleo do catolicismo engajado no país. Diante da pergunta: "você pessoalmente acredita em Deus?", a maioria de 56% dos franceses respondeu que não e 44% respondeu que sim, na pesquisa Ifop-Fiducial encomendada pela Sud Radio, em abril de 2023. A maioria dos entrevistados respondeu crer em pesquisas anteriores: 55% disseram ser crentes em 2004 e 56% em 2011. A faixa etária de 18 a 24 anos é a que menos acredita em Deus atualmente (36% contra 64% que não acreditam nele). Segundo a pesquisa Odoxa sobre “Religiões crenças e esperança”, 62 % entre os jovens entre 25 a 34 anos dizem crer em Deus. São 59 % entre os jovens entre 18 e 24 anos. Os jovens são mais numerosos entre os que creem na vida depois da morte (53 % entre quem tem menos de 35 anos).
A organização pastoral se faz por meio de 15.406 paróquias, 16.479 centros de atendimento pastoral. Ministros do povo de Deus: 18.207 sacerdotes (13.562 padres do clero secular e 4.645 membros do clero religioso ou regular), 2.538 diáconos permanentes, 1.384 membros de institutos seculares, 1.273 missionários leigos, 2.905 irmãos, 662 seminaristas maiores, 33.040 religiosas consagradas, 53.698 catequistas. Os irmãos protestantes, anglicanos, batistas, e pentecostais são 2%, ateus ou sem filiação religiosa 12%, muçulmanos, 8%, judeus 1%, ortodoxos 2%. A evangelização inicia-se na metade do século dois em Lyon. No ano 250 já existiam 250 bispos nas terras da Gália. Na noite de terror da Revolução francesa dezenas de clérigos, religiosas e três bispos foram assassinados. Houve grave cisão na Igreja católica na França logo após a Revolução Francesa, quando os bispos constitucionais aceitaram jurar lealdade à Constituição Civil do Clero (aprovada em 24/08/1790), sendo eleitos pelo Estado Frances, atuando como funcionários públicos, subordinando a igreja ao governo revolucionário. Romperam explicitamente com a unidade com o bispo de Roma. Os que não assinaram tal submissão foram perseguidos, presos ou mortos. Tal situação seguirá até a assinatura da concordata de 1801 entre o Papa Pio VII e Napoleão I da França. Houve 102 bispos constitucionais separados da comunhão com o bispo de Roma. Os bispos mortos em 02 de setembro de 1792 acabaram sendo beatificados pelo papa Pio XI em 1926: Jean-Maria du Lau d´Alemans, arcebispo de Arles; e os bispos irmãos: François-Joseph de la Rochefoucauld-Bayers, da diocese de Beauvais e Pierre-Louis de la Rochefoucauld-Bayers, da diocese de Saintes. Outro fato dramático na história eclesiástica francesa informa que em Paris, em 03/12/1857, o padre Louis Verge matou a punhaladas, na igreja de Santa Madalena, durante a missa, o arcebispo parisiense, Mons. August Sibour. O martírio de quatro padres franceses mortos por ódio à fé pelos rebeldes da Comuna de Paris em 1871 foi reconhecido pelo papa Francisco. Os novos mártires são padre vicentino Henry Planchat e os padres Ladislao Radigue, Policarpo Tuffier, Marcellino Rouchouze e Frézal Tardieu, fuzilados em 26 de maio. Foram beatificados em 22 de abril de 2023. Sete monges trapistas franceses foram sequestrados em março de 1996 e assassinados durante a guerra civil na Argélia. Eles escolheram permanecer junto à comunidade muçulmana local por amor e paz, sendo beatificados pela Igreja Católica em 2018. Os sete monges franceses martirizados na África: Christian de Chergé: prior e líder espiritual do mosteiro, conhecido por seu testamento marcado pelo perdão. Irmão Luc (Luc Dochier): Médico que atendia diariamente centenas de pessoas da região no dispensário local. Padre Christophe (Christophe Lebreton): Subprior e mestre de noviços. Padre Bruno (Bruno Lemarchand). Padre Célestin (Célestin Ringeard). Padre Michel (Michel Fleury). Irmão Paul (Paul Favre-Miville). A história do massacre inspirou o aclamado filme francês Homens e Deuses (Des hommes et des dieux), de 2010, dirigido por Xavier Beauvois. A França possui ao menos 1376 santos e beatos no Martirologio Romano, sendo 656 mártires. Há 720 franceses declarados santos não martirizados, como exemplo de vida cristã, entre as quais Thérèse de Lisieux, Santo Hilário de Poitiers entre centenas de confessores.
Os atuais cardeais franceses vivos são SETE purpurados (quatro eleitores e três não eleitores). O papa São João Paulo II visitou o país em sete ocasiões: junho de 1980, agosto de 1983, outubro de 1986, outubro de 1988, setembro de 1996, agosto de 1997 e uma derradeira visita em agosto de 2004. O papa Bento XVI esteve na França em setembro de 2008. Papa Francisco esteve em 25/11/2014 em Estrasburgo, no Parlamento Europeu. Ocorreu outra visita do papa Francisco em Marselha em 22/09/2023. O Papa Leão XIV tem visita apostólica agendada entre os dias 25 e 28 de setembro de 2026. A viagem incluirá uma passagem oficial pela capital, Paris, Lourdes, Metz e visita à sede da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). É coincidência feliz dizer que o grande santo francês do século XX, Charles de Foucauld nasceu em Estrasburgo, na França, no dia 15 de setembro de 1858.
Padroeiros: Nossa Senhora da Assunção, Nossa Senhora da Salette, Nossa Senhora de Lourdes, São Miguel Arcanjo, São Denis, São Rémi, Santa Genoveva, São Luís IX, Santa Joana d´Arc e Santa Thérèse de Lisieux.
Quatro vacantes: diocese de Langres; diocese de Saint-Ettienne; diocese de Soissones-Laon-Saint-Quentin e a eparquia de Notre-Dame du Liban, de Paris, do rito maronita.
Foram criados 343 cardeais franceses desde o ano 988, e dezesseis cardeais foram eleitos bispos de Roma como papas católicos. Há sete cardeais vivos, sendo quatro eleitores e três não eleitores. Há lista imensa de anti-papas e pseudo-cardeais de origem francesa. O total de cardeais na história de todos os países é 2803 purpurados e destes temos 343 franceses. Há um cardeal espanhol atuando na França, François-Xavier Cardeal Bustillo, O.F.M. Conv., bispo de Ajaccio, França. Um dos cardeais franceses atua na Argélia, Jean-Paul Cardeal Vesco, O.P., Arcebispo de Alger, Argélia.
SETE cardeais franceses vivos:
1. Dominique François Joseph Mamberti, Prefeito da Signatura Apostólica, Cúria Romana, cardeal eleitor com 74,44 anos. Criado cardeal em 14/02/2015 pelo papa Francisco. Nascido em Marrakesh, Marrocos (franco-marroquino) em 07/03/1952.
2. Jean-Marc Aveline – Arcebispo Metropolitano de Marselha, França. Nascido em 26/12/1958 em Sidi Bel Abbès, diocese de Oran, na Argélia. Eleitor com 67,63 anos. Criado em 27/08/2022 pelo papa Francisco.
3. Jean-Pierre Bernard Ricard, Arcebispo emérito de Bordeaux (-Bazas), cardeal não eleitor com 81,89 anos. Criado cardeal em 24/03/2006 pelo papa Bento XVI. Nascido em 26/09/1944.
4. Paul Joseph Jean Poupard, Presidente Emérito do Pontifício Conselho para a Cultura, Cúria Romana, cardeal não eleitor com 95,96 anos. Criado cardeal em 25/05/1985 pelo papa São João Paulo II. Nascido em 30/08/1930.
5. Philippe Xavier Christian Ignace Marie Barbarin, Arcebispo emérito de Lyon, cardeal eleitor com 75,83 anos. Criado cardeal em 21/10/2003 pelo papa São João Paulo II.
6. Christophe Louis Yves Georges Pierre, Núncio Apostólico emérito para os Estados Unidos da América - USA. Francês com 80,54 anos. Nascido em Rennes, França em 30/01/1946. Criado pelo papa Francisco em 30/09/2023. Cardeal diácono.
7. 10/03/1962, Jean-Paul VESCO, O.P., Arcebispo de Alger (Argélia), continente africano. Membro da ordem Dominicana – Ordem dos Frades Pregadores. Lema episcopal: Je veux vivre et donner envie de vivre. Nascido em Lyon, na França em 10/03/1962. Primeiramente estudou Direito trabalhando como advogado em Lyon por sete anos. Entra na Ordem dominicana em 1995. Fez votos perpétuos em 14/09/1996. Após a formação teológica, foi ordenado presbítero em 24/06/2001, na cidade de Lyon. Estudou na Escola Bíblica e Arqueológica Francesa de Jerusalém, mudando para Tlemcen, diocese de Oran, Argélia, com o fito de restabelecer um ramo dominicano seis anos após o assassinato de Pierre Claverie O.P., bispo de Oran. Em 2005 foi nomeado vigário geral da diocese de Oran. Em dezembro de 2010, Vasco foi eleito prior provincial dos dominicanos na França e deixou a Argélia para estabelecer-se em Paris. Ordenado presbítero na Igreja de São Ferdinando des Ternes, Paris, em 24/06/2001. Ordenado bispo na Catedral Santa Maria em Oran, Argelia, em 25/01/2013 pelas mãos do Cardeal Philippe Xavier Christian Ignace Marie Barbarin, arcebispo de Lyon, França. Transferido para arcebispo de Argel, em 27/12/2022. Presbítero há 23,3 anos. Bispo há 11,7 anos. Cardeal presbítero do título de S. Cuore di Gesù agonizzante a Vitinia. TERCEIRO cardeal criado para a Igreja da Argélia em toda história da Igreja (todos nascidos na França). São 343 cardeais nascidos na França em toda história da Igreja (SETE vivos atualmente). SEXAGESIMO cardeal da ordem dominicana em toda história da Igreja. A Ordem dos Pregadores foi fundada em Tolouse em 1215 e aprovada em 22/12/1216 pelo papa Honório III. Estão presentes em 80 países vivendo em 529 conventos com 5.503 membros. Atualmente há 43 bispos dominicanos vivos no mundo (um no Brasil). Os falecidos somam 1899 bispos em todo o planeta (treze do Brasil). A arquidiocese argelina foi erigida em 10/08/1838 e elevada em 25/07/1866. Possui 54.900 quilômetros quadrados de extensão territorial. São 4.000 católicos (0,0003% da pop.). Trabalham na igreja particular: um cardeal arcebispo, um arcebispo emérito, 35 presbíteros, 32 irmãos religiosos e 55 irmãs de votos da vida religiosa consagrada. Há nove paróquias (Anuário Pontifício 2023). Criado por Francisco em 07/12/2024. Idade atual: 64,43 anos. Criado por Francisco em 07/12/2024. O total de cardeais criados a partir do ano 404 até 07/12/2024 perfaz o número de 2.803 purpurados sendo 64 oriundos do continente africano.
Houve dezesseis papas franceses na história da Igreja Católica
1. Papa Silvestre II, Gerbert ou Gilberto de Aurillac, O.S.B. †, 999 +1003, Bispo de Roma, Itália. Primeiro papa francês. Criado cardeal em 998.
2. Papa St. Leão IX - Bruno Egisheim-Dagsburg †, 1049+1054, Bispo de Roma, Itália. Francês.
3. Papa Nicolau II - Gérard de Bourgogne †, 1059 +1061, Bispo de Roma, Itália. Francês.
4. Papa Urbano II – Otão ou Eudes de Lagery, O.S.B. †, 1088 +1099, Bispo de Roma, Itália. Francês.
5. Papa Calixto II - Guy de Bourgogne †, 1119 +1124, Bispo de Roma, Itália. Francês.
6. Papa Clemente IV - Gui Foucois †, 1265 +1268, Bispo de Roma, Itália. Francês.
7. Papa Beato Inocencio V - Pierre de Tarentaise, O.P. †, 1276, Bispo de Roma, Itália. Francês.
8. Papa Urbano IV - Jacques Pantaléon †, 1261 +1264, Bispo de Roma, Itália. Francês.
9. Papa Martinho IV - Simon de Brion †, 1281 +1285, Bispo de Roma, Itália. Francês.
10. Papa Clemente V - Bertrand de Got †, 1305 +1314, Bispo de Roma, Itália. Francês.
11. Papa João XXII - Jacques d’Euse †, 1316 +1334, Bispo de Roma, Itália. Francês.
12. Papa Bento XII - Jacques Fournier, O. Cist. †, 1334 +1342, Bispo de Roma, Itália. Francês.
13. Papa Clemente VI - Pierre Roger, O.S.B. †, 1342 +1352, Bispo de Roma, Itália. Francês.
14. Papa Inocencio VI - Étienne Aubert †, 1352 +1362, Bispo de Roma, Itália. Francês.
15. Papa Beato Urbano V - Guillaume Grimoard, O.S.B. †, 1362 +1370, Bispo de Roma, Itália. Francês.
16. Papa Gregório XI - Pierre Roger de Beaufort †, 1370-1378, Bispo de Roma, Itália. Último papa francês.
Bispos presentes ao Concílio Vaticano I de 08/12/1869 a 20/10/1870 foram 78 prelados.
Bispos presentes ao Concílio Vaticano II de 1962 a 1965 foram 127 prelados da França. Todos falecidos.
Fontes da pesquisa:
http://www.catholic-hierarchy.org/country
http://cardinals.fiu.edu/1873-2019-country.htm
http://www.globalreligiousfutures.org/countries/
https://www.pewforum.org/data/
https://www.catholicworldreport.com/2023/05/30/saints-by-the-numbers-france/
https://ihu.unisinos.br/categorias/174-noticias-2010/572827-testamento-do-padre-christian-de-cherge