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P. Ademir Guedes Azevedo, cp.
Há uma palavra que atravessa os séculos e continua a ressoar com a mesma força com que saiu dos lábios de Jesus: «Não tenhais medo». Três vezes o Evangelho deste domingo repete esse apelo, como se quisesse gravá-lo no mais íntimo do coração dos discípulos. E não é por acaso. Desde o início do cristianismo, seguir Jesus significou enfrentar resistências, incompreensões e perseguições. O próprio Senhor viveu sob o ódio do mundo. Ainda assim, caminhou firme, sustentado por três irmãs inseparáveis: a fé, a esperança e a caridade. São elas que dão vigor, coragem e parresia aos que desejam permanecer fiéis.
O medo, quando domina, paralisa. Ele sufoca os sonhos, diminui a força interior, distorce a realidade e nos convence de que não somos capazes. Por isso o Evangelho é Boa Notícia: ele irrompe dentro da história humana para reorientá-la, para lembrar que a última palavra não pertence às trevas, mas à vitória de Cristo. A segunda leitura (Rm 5,12-15) confirma: a Graça de Deus se derramou em abundância sobre todos. Há, sim, forças que ameaçam e desfiguram a beleza original da criação; mas há também uma ação divina constante, fiel, silenciosa e sempre a nosso favor. Por isso o medo não pode triunfar.
Durante muito tempo, o ser humano temeu sobretudo as ameaças externas: tempestades, guerras, catástrofes. Hoje, porém, uma nova forma de ameaça se impõe - mais sutil, mais íntima, mais devastadora: a autoexploração. Vivemos numa sociedade que idolatra o desempenho. O sujeito moderno se cobra, se vigia, se exige, se esgota. Trabalha demais, dorme pouco, ama menos. O outro deixa de ser alteridade e passa a ser obstáculo ou concorrente. A vida se transforma numa corrida sem linha de chegada. E, mesmo quando alcança o que desejava, o sujeito não descansa. Permanece inquieto, vazio, com medo de não ser suficiente.
Esse cenário produz uma epidemia silenciosa: depressão, ansiedade, pânico, aceleração constante. A alma se torna um campo de batalha. E o medo - medo de falhar, de perder, de não corresponder - torna-se companheiro diário.
É justamente neste mundo ferido e acelerado que a voz de Jesus ressoa com ainda mais força: «Não tenhais medo!»
Não tenhais medo de reencontrar o centro da vida, de viver sem competir, sem esmagar o outro, sem transformar a existência numa maratona de resultados. Não tenhais medo: a vida pertence a Deus, não ao nosso ego inquieto. Não tenhais medo: o mundo não tem poder de sufocar os sonhos que Deus plantou em nós. Não tenhais medo: o Senhor da vida caminha ao nosso lado, não o tirano interior que exige perfeição.
Jesus nos convida a olhar para a cruz. Ali está o verdadeiro sucesso: não o que nasce da competição, mas o que brota da entrega. A cruz revela que a vida se realiza quando se faz dom, não quando se busca desempenho. Por isso, quanto mais tentamos provar nosso valor, mais nos frustramos; quanto mais corremos atrás de resultados, mais nos sentimos vazios.
A oração da coleta deste domingo nos recorda: «Nunca cessais de conduzir os que firmais solidamente no vosso amor». A verdadeira solidez não nasce de nossos projetos humanos - frágeis, instáveis, passageiros -, mas da confiança radical em Deus, que não falha, não abandona, não desiste.
Por isso, hoje, Jesus repete a cada um de nós: Não tenhais medo. Não tenhais medo de ser quem sois diante de Deus. Não tenhais medo de descansar n’Ele. Não tenhais medo de viver com leveza, com verdade, com liberdade. Não tenhais medo de deixar que Ele conduza.
XII Domingo Comum - Mt 10, 26-33
O refrão dessa música pastoral do padre Zezinho pode ser um bom modo para entrarmos na compreensão da proposta desse evangelho. Trata-se da continuação do discurso que Mateus coloca na boca de Jesus, como palavras de envio dos discípulos e discípulas em missão. Em poucos versos, três vezes, Jesus insiste em dizer: “Não tenham medo”(v.26, 28 e 31). Que importância essa exortação pode ter para nós, quando, por vários motivos, temos razões sérias para ter medo?
A primeira constatação é que Jesus adverte ao seu grupo e a nós, de que a missão de testemunhar e anunciar o projeto divino para o mundo implica em conflitos, perseguições, sofrimentos e riscos. Jesus tinha mandado os discípulos e discípulas irem, em dupla, para curar as pessoas doentes, libertar quem está preso por energias negativas (“espírito mau”) e testemunhar que o projeto libertador de Deus já vai realizar-se e Por que essa notícia provoca tanta oposição e conflito?
Na América Latina, nos últimos 60 anos, temos convivido com o martírio de muitos irmãos e irmãs - há quem calcule em 30 mil pessoas - assassinadas por serem testemunhas do projeto divino na caminhada das comunidades do campo e da cidade, na defesa dos povos indígenas e da mãe Terra, na luta pela reforma agrária, pelos direitos humanos e da natureza.
A comunidade de Mateus escreveu essas palavras de Jesus nos anos 80 do século I a era cristã, quando já tinha meditado sobre a violência sofrida por Jesus em sua paixão. As primeiras perseguições do Império contra os cristãos já tinham ocorrido. O Judaísmo rabínico já tinha rompido com a Igreja cristã. Ser discípulo ou discípula de Jesus tinha se tornado mais conflitivo e perigoso.
Jesus adverte: “eu envio vocês como ovelhas para o meio de lobos”. Parece loucura um pastor mandar ovelhas para o meio de lobos. De fato, na época e até hoje, há sacerdotes, intelectuais (doutores da lei), como também governantes e poderosos – que deveriam ser cuidadores da comunidade humana (pastores) e, na realidade, comportam-se como lobos que perseguem e, quando podem, matam as pessoas que, em nome do Amor Divino, tentam construir um mundo novo justo e solidário.
Na época em que a comunidade de Mateus escreveu esse evangelho, as cristãs e cristãos só entravam nas sedes do poder religioso (sinagogas) e do poder político (palácios), arrastados como réus. Hoje, não é mais assim. Há religiosos que conquistam o poder ou agradam aos poderosos para terem benefícios. E, na maioria das vezes, fazem isso em nome de Jesus. No entanto, este advertiu aos discípulos e discípulas que, se forem fieis à missão, serão sempre incompreendidos e perseguidos.
Jesus deixou claro: devem resistir às perseguições. Principalmente, é fundamental que não deixem de ser ovelhas. Não podem comportar-se como lobos que perseguem, ou, simplesmente, aproveitam-se dos irmãos e irmãs, isso é, usam-nos em benefício próprio.
Como resistir? Nada de barganha com o poder político para conseguir dinheiro para projetos religiosos. Infelizmente, desde os tempos da colônia, na América Latina e em todo o mundo, não poucos bispos, padres e pastores sempre fizeram e continuam a fazer isso. Bispos, padres e pastores colaboraram com a colonização. Nos tempos de ditaduras militares, apoiaram a repressão e atualmente muitos apoiam políticos de extrema-direita, fascistas, que impõem políticas de morte para o povo e para a Natureza, que é sagrada e tem direitos.
Aos discípulos e discípulas que vão em missão, Jesus pede resistência e oposição não violenta. Devem ter a sabedoria da serpente. No mito de Adão e Eva, a serpente é considerada o mais astuto dos animais da terra, capaz de seduzir o homem e a mulher que, ingênuos, deixaram-se enganar. (Gn 3,1). Para enfrentar os lobos é preciso ser mais sábio do que eles. Precisamos conhecer o bem e o mal, sem deixar-nos corromper, contaminar pelo poder, que esse tipo de sabedoria pode dar. Nesse caso, a simplicidade e integridade das pombas é importante.
Essas duas qualidades, capacidade de discernir e simplicidade, são fundamentais para testemunhar o projeto divino no mundo. A missão deve ser isso: testemunhar a possibilidade da paz e da justiça e enfrentar, corajosamente e com a força do nosso testemunho, aos que se comportam como lobos. Não se consegue fazer uma coisa sem a outra e a força vem do Espírito Santo.
A muitos pastores, é preciso advertir: Não adianta querer cuidar das ovelhas, sem enfrentar os lobos. Isso foi assim desde os tempos do Êxodo. Moisés e Míriam precisaram conduzir o povo para a liberdade e, para isso, tiveram de enfrentar o faraó. Esse foi o problema da religião judaica depois do cativeiro da Babilônia: aceitou cooperar com os impérios opressores para ter liberdade de culto. Mas, aí só tinham sacerdotes. O salmo lamenta: “Não há mais profetas e ninguém sabe até quando” (Sl 74, 9).
No discurso da montanha, Jesus proclamou:
“Felizes as pessoas perseguidas por causa da justiça, porque delas é o reino dos céus. Felizes sois quando vos insultarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo mal contra vós, por minha causa. Alegrai-vos e exultai, porque grande é a vossa recompensa nos céus. Assim, com efeito, perseguiram os profetas que vieram antes de vós”. (5,10-12).
As Igrejas precisam aprofundar a dimensão política da sua espiritualidade e da sua teologia. Sem isso, só resta a religião tradicional e cultual, que Jesus denunciou. É preciso a coragem de testemunhar a presença divina no mundo. Jesus adverte de que esse enfrentamento provocará divisões até dentro de casa, oposições dentro das próprias famílias. A casa, que deve ser lugar da paz, acaba por tornar-se lugar do ódio. Isso será assim até o fim dos tempos. A última palavra desse evangelho pode ser mal interpretada: “De quem der testemunho de mim diante dos poderosos, eu também darei testemunho dele ou dela diante do Pai e a quem me renegar, renegarei diante do Pai”.
Na parábola do juízo final, no mesmo Evangelho de Mateus, Jesus diz: “Vinde benditos do meu Pai porque tive fome e me destes de comer, tive sede e me destes de beber”... e dirá aos que não o reconheceram nos mais pobres: “não vos conheço”...
Tanto em uma passagem, quanto na outra, Jesus usa o estilo dos apocalipses, que ainda falam de julgamento, céu e inferno. Hoje, falar bem de Jesus é denunciar a religião do mal e da violência. É colocar a fé e o culto a serviço do amor, da justiça ecossocial e da libertação dos oprimidos.
Em tempo: O remédio que combate medo é compromisso com os movimentos sociais e participação nas lutas coletivas por direitos. Na segunda luta, o medo se torna menor e vai se esvaindo com a participação nas lutas por direitos. Quem já se tornou militante na luta dos movimentos populares não tem mais medo de lutar.
A canção do padre Zezinho lembra: “Tende medo somente do medo. A verdade vos libertará, libertará...”.
Estas duas palavras, na dimensão da vida cristã, são como provas que dimensionam a fé numa perspectiva de perseverança e de crescimento espiritual. Não são vistas como expressão de derrota, mas de empenho no caminho da maturidade pessoal. É importante lembrar Jesus, quando teve que enfrentar grandes perseguições para defender valores e crenças fundamentais para a vida.
O Evangelho fala do problema da injúria e da perseguição, mas são realidades consideradas dentro da dimensão das bem-aventurança do Reino. Basta olhar para a citação: “Bem-aventurados sois vós quando vos injuriarem e perseguirem” (Mt 5,11). Jesus foi perseguido, sinal de que, quem segue seus passos, pode passar pelo mesmo caminho, conforme as palavras do Evangelho (Jo 15,20).
O sofrimento faz parte da condição humana, dos limites de cada pessoa. Fisicamente, temos nossas vulnerabilidades, doenças, insegurança, medo etc. Para Jesus Cristo, os justos são perseguidos e isto é fato evidente numa sociedade pautada pela via da injustiça, da corrupção e da desonestidade. A lógica das práticas escusas seduz as pessoas para agirem também da mesma forma.
Os ímpios, injustos e maldosos perseguem os justos, porque são incomodados nas suas trapaças. A palavra proferida por Jesus, no contexto dessa realidade, é: “não tenhais medo” (Mt 10,26) de dizer a verdade e agir com justiça. O cenário político é reflexo de uma triste realidade, porque ali transparece uma cultura totalmente maquiada por práticas injustas, que prejudicam a coletividade.
Confiamos no triunfo da justiça divina, porque Deus não vai enganar a quem age com autenticidade. Os fundamentos do Reino do Pai estão na justiça, porque ela é fonte para todas as demais virtudes evangélicas. A bíblia diz que Jesus Cristo é o justo (IJo 2,1), imagem de uma nova humanidade, de superação das injustiças praticadas na história da salvação, que começou com a desobediência de Adão.
Para Jesus, o justo não pode ter medo e receio de enfrentar as peripécias daqueles que agem de forma desonesta, maldosa, e nem deixar de anunciar a Palavra que liberta. As perseguições são caminhos de purificação e de renovação, e faz a gente estar muito mais próximo de Deus. Isto significa, que o justo não está imune dos desafios da vida, mas consciente de que pode fazer o bem.
Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba.
Essa copa do mundo é uma das maiores que já existiu. São 48 seleções que corresponde um aumento de 32 equipes das edições anteriores. Três países estão sediando essa copa: EUA, Canadá e México. Todo evento esportivo é sempre um grande espetáculo que praticamente mexe com o mundo inteiro. Por trás da bola rolando no gramado, estão interesses de todo tipo. Não se pode negar que há uma geopolítica por trás desse evento. Há interesses políticos, econômicos, pessoais, de financiadores etc. A copa de 2026 tem que ser pensada para além do espetáculo que mexe com as paixões das pessoas.
O maior evento futebolístico do planeta está sendo realizado num país nitidamente genocida, que invade países soberanos, sequestra presidente, financia limpeza étnica, os EUA. O maior acontecimento esportivo nunca deveria acontecer num país com toda essa carga de perversidade nas costas. A hipocrisia é o tempero máximo dessa copa. A Fifa que é uma entidade corrompida nada fez para evitar que essa copa acontecesse nesse país beligerante que comete crime contra a humanidade. O maior cego é aquele que não quer ver. Trump está usando essa copa como arma político para sair do índice de reprovação do seu governo.
O futebol é um dos grandes produtos esportivos da história da humanidade. O esporte cresce como uma prática recreativa que ao longo do tempo passará a ser uma atividade empresarial que move bilhões de pessoas através do globo compartilhando símbolos, ritos e características que unem os fãs da modalidade ao redor do mundo. Poucas experiências apaixonam e comovem tanto a humanidade quanto o futebol. Ele rompe a barreira do esporte, do jogo, da prática recreativa e torna-se a vida de milhões de pessoas.
O futebol é uma religião. Não é exagero fazer essa afirmação. O futebol tem suas catedrais que são os grandes estádios, hoje em alguns lugares chamados de arenas, mas também possui seus ritos, símbolos, tem seus ídolos e é transmitido de geração em geração. O futebol floresce nos campos frios dos países do norte, como também no chão de barro do sul global. Aqui está a expressão mais eloquente de uma forma de comunicação. No centro dessa carga cultural está a copa do mundo que faz da união dos povos a celebração máxima do esporte. Bilhões de fiéis dessa religião grudam os olhos na televisão para verem os seus ídolos. Destarte a copa move o planeta inteiro, capta a atenção da humanidade de forma surpreendente e é, talvez o maior espetáculo da terra.
Como entender o esporte como espetáculo? Para entender o esporte como espetáculo se faz necessário entender a obra de Guy Debord, “Sociedade do Espetáculo”. Debord, faz uma crítica a existência de uma sociedade espetacularizada voltada ao consumo e a lógica capitalista em que o espetáculo assume as rédeas da relação social entre as pessoas. O futebol dentro da cultura de mercado se utiliza dos mecanismos próprios do sistema capitalista, como por exemplo os meios de comunicação de massa para dar sustentação ao status quo. A relação entre os interesses capitalistas e os meios de comunicação de massa são fundamentais para o processo de espetacularização da copa do mundo. Aqui no Brasil a chamada rede globo que é verdadeiramente um lixo, tinha ou tem um programa esportivo denominado, “esporte espetacular”. A mercantilização no campo do esporte é um fato inconteste, percebido a partir da comercialização desse espetáculo.
A espetacularização do esporte atende aos pretensos interesses das empresas de comunicação e das ligas esportivas, como também dos comitês internacionais envolvidos com o esporte, de modo particular a FiFa. O espetáculo esportivo é transformado em uma atividade empresarial e de expansão de mercados consumidores. A maioria dos clubes de futebol tem um dono, grande parte são empresários ou mesmo jogador de futebol, como Ronaldo denominado fenômeno que era dono do cruzeiro e de um time na Espanha.
A copa de 2026, será conhecida como a copa do “APARTHEID”. O que aconteceu com a delegação do Senegal, do Irã e dos outros países africanos que foram revistados de forma vexatória e humilhante contradiz com o princípio de isonomia do esporte. O que aconteceu com um jogador do Iraque que passou sete horas no aeroporto sendo interrogado, é a expressão de que essa copa foi transformada em uma vitrine da supremacia branca e racista dos EUA. Seleções de países que estão em conflito com americanos foram tratados como animais de forma agressiva. Tudo isso é expressão de uma cultura que cultua a violência. Eles não revistaram as seleções europeias da mesma forma. A cor da pele foi determinante para esse show de horrores patrocinado pelo obtuso e pedófilo Donald Trump. Nesta copa por tudo o que aconteceu com os africanos e outras delegações, deveríamos fazer a mesma coisa que fez Eduardo Galeano, autor do belíssimo livro “As veias abertas da América Latina”, quando a copa do mundo começou, ele colocou a seguinte placa na porta do seu quarto:”fechado para copa do mundo”, e só retirava quando a copa acabava. Na sua compreensão o futebol enquanto atividade empresarial serve como meio de se distanciar do mundo, com todas às suas vicissitudes econômicas, políticas e sociais. Em suma, o futebol serve para mascarar as injustiças cometidas pelo capitalismo. Essa copa será lembrada não pelo que aconteceu no campo, mas pelo que se revelou fora. Copa não é só questão de futebol, mas é também de política. Ela está servindo como vitrine para Trump exibir suas políticas belicosas.
A copa é do mundo e não dos EUA. Trump viola o direito internacional do esporte ao dar tratamento diferente para todos que participam deste evento mundial, onde as regras são para todos. O que nos enoja é saber que no Brasil ainda tem gente que apoia a política deste canalha presidente americano. O presidente da FIFA, Gianni Infantino de forma cínica e desprovido de escrúpulos aceita todas as arbitrariedades que os americanos fizeram com as delegações africanas, dizendo que não se mete em questão de política migratória. Tanto os EUA e o presidente da Fifa são o espelho dos valores que dominam a sociedade americana racista, colonialista e genocida. A Fifa tem obsessão pelo lucro, por isso, não importa o tratamento dado aos africanos e outros, pois, o lucro da copa justifica qualquer humilhação. Esses dois personagens sórdidos que estão acomunados em torno de interesses escusos estão mostrando nesta copa suas verdadeiras faces. Trump oferece a Fifa um mercado grandioso, e o presidente da Fifa oferece a Trump o “PRÊMIO FIFA DA PAZ”. Esses dois vigaristas apodreceram esta copa. Como disse José Luis Pérez, esta copa é para “ad maiorem gloriam Trump”.
O famoso ditado diz que: “das coisas que menos importam, o futebol é a mais importante delas”. O ditado faz sentido, pois, nesse tempo de copa parece que a racionalidade é colocada entre parêntesis para se exteriorizar a paixão pelo festivo. Quem sabe que a copa do mundo volte a ser a celebração de nossa humanidade compartilhada onde se transcende as fronteiras políticas e religiosas. Esses eventos revelam quem somos e os valores que afirmamos.
Pe Waldemir Santana
Arquidiocese da Paraíba
Me preocupa muito que os brasileiros estejam enfeitiçados e cegados pela Copa do Mundo, torcendo pelo hexacampeonato, enquanto aqui em nossa terra tupiniquim, o Congresso Nacional está perto de aprovar mais uma lei da ultra direita fascista contra a juventude e contrar a ordem democrática e a justiça social. Mais opressão e terror.
A nova lei de rebaixamento penal já aprovada na Comissão de Constituição e Justiça propondo a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos. Segue para a etapa de tramitação em comissão especial e logo em seguida votação no plenário. Possivelmente em julho quando todos estão ainda dopados e manipulados pela mídia e fake news. Foi assim na copa de 1970. Cantava-se: Brasil, ame-o ou deixe-o. Gritava-se: Esse é um país que vai prá frente. Enquanto isso na Rua Tutóia se matava e se torturavam pessoas, inclusive alunos e professores/as da PUC-SP.
Hoje, novamente, em nome da segurança Nacional, travestida de paz, a ultradireita, quer aprovada mais prisão, mais medo e sobretudo maior uso dos aparelhos de Estado ao encarcerar e calar jovens pobres, negros, indígenas e periféricos. Alguns dizem que esta é a cartilha de Bukele em El Salvador. Teríamos a BUKELIZAÇAO da América Latina contra a juventude. O povo das classes populares e mesmo da classe média segue calado como um sapo esmagado pelo pé do boi. Tangido e marcado com o mesmo ferro em brasa dos senhores escravocratas.
Voltamos às velhas práticas da ditadura e dos 350 anos da escravidão. Em lugar de crer na juventude, a ultra direita quer calar, pisar e prender. Até quando tamanha cegueira moral? De onde vai irromper o clamor pela justiça e pela paz? Onde estão os pastores e as igrejas para enfrentar tal aberração jurídica. Será que pretendem prender crianças e migrantes adolescentes e jovens como o faz o ICE dos USA.
Tenho saudades de profetas e bispos que conheci e amei como dom José Ivo Lorscheiter e dom Luciano Pedro Mendes de Almeida, que enfrentaram os poderosos com a força do Evangelho. Precisamos da coragem e da palavra audaciosa de novos PAULO EVARISTO ARNS. Oxalá Deus envie novos profetas. URGENTEMENTE. Senhor ADONAI, escuta a minha prece. Allah, mostre sua força e misericordia. Espírito de Deus, faz os ossos secos da juventude pisada despertar e mostrar sua força e garra! ACORDA juventude. Acorda Brasil. Basta de fascismos.