Espero que já tenham recebido o Boletim das Fraternidades 131 e que tenham lido, re-lido e utilizado principalmente o excelente texto do Pe. Celso Pedro da Silva, sobre o Apóstolo Paulo, para aprofundar a vida e a mensagem do grande apóstolo missionário, em sintonia com o que as comunidades estão fazendo no mundo todo.
Neste Boletim, o irmão encontrará o artigo que o Pe. Günther apresentou na Assembléia Internacional de 2006, no Brasil. A pedido do Conselho Internacional, também a Equipe de Coordenação Nacional, que se reuniu em outubro passado, meditou sobre o texto, cuja reflexão o irmão encontrará nesta edição, assim como a proposta do Conselho Internacional. Caminhos para viver em Fraternidade. A Equipe de Coordenação propõe que as fraternidades locais e regionais possam ler e refletir em conjunto, em seus encontros. E, solicitamos que enviem os resultados de suas reflexões e contribuições para a redação do Boletim, assim estaremos contribuindo para a Fraternidade, que se encontra em diferentes países.
Graças às contribuições para o Boletim das Fraternidades, em 2008, - veja a prestação de contas deste ano - conseguimos editar quatro números, mas pedimos generosamente que as regiões enviem as colaborações e avaliações dos encontros regionais para que a Fraternidade, no Brasil, possa ir pouco a pouco mostrando o seu rosto, e colaborando com a espiritualidade do padre diocesano.
Nesta edição você, ainda, poderá ler as noticias do encontro da Região Norte e do Pe. Maurício da Silva Jardim, Missionário em Moçambique. Não se esqueça de olhar as indicações bibliográficas e a agenda.
Esperamos nos encontrar no Retiro, em janeiro de 2009, que será no Seminário em Brasília.
Desejamos aos amigos e irmãos da Fraternidade uma boa leitura.
1. RE-LEITURA DO DIRETÓRIO
Pe. Günther Lendbrald
“Re-inventar com a força do Espírito em nossas culturas e Igrejas
o testemunho de Ir. Carlos”.
Mariano me pediu para fazer uma releitura do nosso diretório. Desde o início eu me fiz as seguintes perguntas: (1) Re-leitura quer dizer o quê? (2) A re-leitura serve para quê? (3) A re-leitura se dirige a quem? (4) Como fazer esta re-leitura?
1. O que quer dizer re-leitura do nosso diretório?
Por que não revisão ou avaliação? Existe uma diferença entre re-visão, avaliação e re-leitura? Seria correto dizer: Uma re-leitura deve apontar omissões, esclarecer formulações duvidosas, fornecer interpretações mais aprofundadas? A revisão se faz para mudar, modificar o diretório? A re-leitura se faz para perceber se a vida das fraternidades ainda está em consonância com o diretório, ou vice-versa, se o diretório é capaz de inspirar a vida das fraternidades? A re-leitura é do diretório ou da Fraternidade? Por fim: Re-leitura seria simplesmente ler de novo, depois de algum tempo e com carinho o nosso diretório para lembrar toda a riqueza que esse texto contém?
2. A re-leitura do nosso diretório serve para quê?
Li e reli o nosso diretório. Só posso dizer que a meu ver, o diretório está muito bem feito e eu posso facilmente identificar-me com sua proposta, porque é isso que quero viver, mas na prática nem sempre eu consigo. As fraternidades nem sempre estão conseguindo viver o que o diretório propõe. O nosso diretório, elaborado e aprovado em 1976, na Assembléia de Montefiolo, começa com a história dos ossos secos do profeta Ezequiel (Ez.37,5). Esta história é significativa, porque nos chama atenção de que sempre somos tentados a acomodar-nos. Será que os nossos ossos secaram? Mas mesmo que estejam mortos, o Espírito pode reavivar e reanimar os ossos secos. Sempre precisamos de um novo sopro do Espírito. Como fazer para comunicar o Espírito, para re-animar? Como suscitar o Espírito? O Espírito sopra onde quer. Ele soprou muito forte no início da Fraternidade. Por isso é bom voltar às fontes, recordar as nossas origens, ter a coragem de converter-se, ter a vontade de ser novamente autêntico.
Mas, me parece que uma re-leitura tem outro motivo que se impõe. Depois de 30 anos de Montefiolo o mundo mudou, não é mais o mesmo, a história caminhou, vivemos em um novo contexto, com novos parâmetros da Igreja e do mundo. Precisamos atualizar a nossa espiritualidade, captar e nos conscientizar dos novos desafios e descobrir como viver o carisma do Ir. Carlos e da Fraternidade, hoje, num tempo e num espaço geográfico mudado. A re-leitura poderia ser uma contribuição para ajudar a Fraternidade a ser fiel ao seu carisma, mas que, ao mesmo tempo, ajude para ter a liberdade e a coragem de trilhar novos caminhos.
• Como fazer para que o diretório ajude a ser sopro do Espírito?
3. A re-leitura se dirige a quem? Dirige-se aos presbíteros da fraternidade.
Quem somos nós?
Mesmo pertencendo à Fraternidade, optamos por continuar presbíteros diocesanos, inseridos no presbitério. Não nos consideramos presbíteros religiosos ou pertencentes a um instituto secular. Encontramo-nos inseridos numa diocese e numa estrutura eclesiástica, que estamos carregando e mantendo. Na maioria das vezes trabalhamos em paróquias. Porque somos cada vez um número menor, temos paróquias cada vez maiores e muitos se sentem sobrecarregados. Somos uma raça em extinção? Como presbíteros seculares nós vivemos no mundo. Experimentamos que este mundo é um mundo cada vez mais secularizado. E este mundo marcou a nossa fé. A nossa fé não é mais a fé pura de uma criança e nem mais a fé que aprendemos no seminário, no tempo da nossa formação.
• Como viver a fé num mundo secularizado?
Para a maioria do povo somos considerados apenas “sacerdotes”. Presbítero serve para celebrar missa. O seu lugar é a sacristia. O Concílio Vaticano II diz que o Povo de Deus e também nós presbíteros participamos das três missões (múnera) de Cristo, da sua missão profética, sacerdotal e pastoral/régia. Como presbíteros somos Profetas, Sacerdotes e Reis/Pastores. A pergunta é: exercemos as três missões que recebemos na nossa ordenação ou sentimo-nos apenas sacerdotes, ministros do sagrado, ligados ao culto? É tarefa do presbítero coordenar a comunidade, descobrir as várias vocações e ministérios que o Espírito nela suscitar e zelar para que o Povo de Deus cumpra a sua missão.
• Qual a imagem que temos de nós mesmos? Qual a nossa identidade?
Mesmo sendo presbíteros diocesanos, nos consideramos presbíteros da Fraternidade Sacerdotal Jesus Caritas. Temos uma espiritualidade própria. Tentando descrever a nossa espiritualidade poderíamos dizer: Queremos seguir Jesus Cristo como presbíteros diocesanos. Mas como seguir Jesus Cristo? É possível seguir Jesus Cristo de mil maneiras. Entre as muitas possibilidades nós escolhemos seguir Jesus Cristo à maneira de Ir. Carlos e da Fraternidade. Ele se tornou o nosso guia. Por que escolhemos este caminho e não um outro? Aí nós tocamos no mistério do nosso chamado. Creio que foi o Espírito de Deus que nos fez descobrir e gostar de Ir. Carlos, conhecer os irmãos da Fraternidade Sacerdotal, sentir-nos parte da grande família espiritual do Ir. Carlos. Algo nos cativou; o testemunho de uma vida autêntica, na pobreza e no abandono, os caminhos novos na Igreja, a convivência fraterna, o desejo de levar uma vida contemplativa. Formou-se em nós uma espiritualidade. Começamos a cultivá-la, nos sentimos acolhidos e em sintonia com outros que seguiram o mesmo caminho. Identificamo-nos. Optamos e nos engajamos. Descobrimos a nossa espiritualidade. Ir. Carlos e a Fraternidade Sacerdotal se tornaram inspiração de nossa vida e nos motivaram e ajudaram no seguimento de Jesus Cristo.
• Como foi o meu caminho para a Fraternidade Sacerdotal Jesus Caritas?
4. Como fazer a re-leitura?
Fazê-la em mutirão. A re-leitura não pode ser feita apenas por uma pessoa. O “vieux frère” disse: “A Fraternidade é a vida dos padres”. Como é a vida dos padres? A vida dos padres deveria ser o ponto de partida e, ao mesmo tempo, o ponto de chegada. O ponto de partida, porque aí tocamos a realidade de cada um de nós. O ponto de chegada, porque com a re-leitura pretendemos re-animar e dar impulsos para ajudar os membros da Fraternidade na vivência e no testemunho do Evangelho de Jesus Cristo em vista do povo. Penso que a re-leitura deveria ser um apanhado daquilo que as fraternidades pensam e vivem. Para conhecer a vida dos presbíteros é preciso, como ponto de partida, um esforço de ver, numa atitude contemplativa. Quais as experiências, as alegrias, as dificuldades, os desafios e as perguntas que os presbíteros se fazem, onde eles percebem o novo? Um segundo passo poderia ser uma partilha daquilo que vimos com a participação de todos. Para conhecer o carisma da Fraternidade devemos (1) conhecer e meditar sempre de novo a vida e o testemunho do Ir. Carlos (2) conhecer e contemplar a vida dos presbíteros que pertencem à Fraternidade. É uma tarefa permanente. Como fazer isto? Como fazer para captar toda esta riqueza vivida?
• Temos duas opções: Ou deixar o diretório do jeito como está e apenas fazer comentários novos (uma espécie de regimento interno) ou reformular o diretório. Esta será a primeira opção fundamental, da qual depende todo o resto.
O NOSSO DIRETÓRIO
A minha re-leitura é do Diretório de Montefiolo, não do Estatuto Canônico.
• Como entender o relacionamento entre Diretório e Estatutos?
1. NOME
Fraternidade Sacerdotal Jesus Caritas
Nas línguas portuguesa e espanhola existe uma diferença entre: sacerdote e presbítero. Sacerdos = dono do sagrado, ligado ao culto, à liturgia. Presbyteros = Pessoa de certa idade, maturidade, principalmente na fé, membro de um Senado (Presbyterorum Ordinis 7).
Nas línguas inglesa, francesa e alemã só existe o termo priest, prêtre, Priester que vem do grego presbyteros.
Jesus não se considerou e nem foi considerado por ninguém como sacerdote. Ele era do povo (leigo) tido como profeta. Ele não veio de uma família sacerdotal, ele não pertencia à tribo dos sacerdotes, nunca ofereceu sacrifícios no templo de Jerusalém. Ao contrário ele questionou a prática dos sacerdotes, vivia em conflito crescente com eles, e foram os sacerdotes e o sumo sacerdote que abriram o processo para condenar Jesus à morte. Igualmente os primeiros discípulos nunca foram considerados sacerdotes, mas apóstolos, profetas, evangelistas, pastores e doutores (1Coríntios 12, 29 e Efésios 4, 11). Mesmo na carta aos Hebreus que atribui somente a Jesus o título “sumo sacerdote”, os responsáveis pela comunidade são chamados apenas “dirigentes” (Hebreus 13, 7 e 17).
• Existem fraternidades nas quais participam pastores, leigos, mulheres. Eles poderão ser considerados membros? Quem pode ser membro da Fraternidade?
2. ESPÍRITO E FINALIDADE
Por causa de Jesus e do Evangelho
Jesus. Que Jesus? Quem é Jesus para nós?
• JESUS DE NAZARÉ. A grande inspiração do Ir. Carlos foi Nazaré; a vida de Jesus em Nazaré. Ir. Carlos meditou e tentou viver os trinta anos da vida oculta de Jesus. Ele descobriu um Jesus encarnado. Um Jesus que desceu (com seus pais) para Nazaré que lhes era submisso (Lucas 2, 51). Um Jesus não separado e distante, mas próximo e no meio do povo, um Jesus trabalhador, operário, um Jesus humano, solidário e misericordioso, capaz de sentir com o povo. Um Jesus de Nazaré, não de Jerusalém, da periferia, não do centro. De Nazaré pode sair algo de bom? (João 1, 46). Jesus se identificou com os mais abandonados e desprezados.
• JESUS SALVADOR. Seu nome “Deus salva”. “Eu vim para que tenham a vida e a tenham em abundância” (João 10, 10). Jesus veio para salvar principalmente os pecadores. “Não vim chamar os justos, mas os pecadores” (Lucas 5, 32). Quem são os pecadores, hoje? Ir. Carlos quis ser salvador com Jesus.
• JESUS PROFETA. Para o povo Jesus era considerado um profeta. Antes de falar, o profeta precisa ouvir. Deus fala tanto ao sacerdote como ao profeta. O sacerdote pertence à hierarquia. O profeta é do povo. O profeta derruba o poder, ele recria, recupera e reintegra a comunidade.
• JESUS SERVO DE IAHWEH. João Batista apresenta Jesus como Cordeiro de Deus, “ebed Iahweh”, servo sofredor, descrito no 4º cântico de Isaías (Isaías 52, 13-53, 1-12). O servo se torna “goël”. Isto é, ele paga as dívidas para e em favor de um outro, para por em liberdade e redimir aqueles que estão oprimidos e escravizados. João diz que o Cordeiro de Deus carrega e tira o pecado do mundo (João 1, 29).
• JESUS EUCARISTIA. Jesus veio a este mundo para revelar o Pai e para torná-lo presente. Ele é o sacramento do Pai. “Quem me vê, vê o Pai” (João 14, 9). Ele afirmou: “Meu alimento é fazer a vontade daquele que me enviou e realizar a sua obra” (João 4, 34). Ele tornou o Pai presente no seu anúncio, na sua bondade e misericórdia e na entrega de sua vida pelos irmãos. Sua vida foi uma vida de louvor, de entrega e de agradecimento ao Pai. Ele nos pediu. “Fazei isto em memória de mim”. Eucaristia quer dizer exatamente tudo isso: recuperar e atualizar a prática de Jesus, pela presença, agradecimento, louvor e entrega da vida. A eucaristia é a maneira que Jesus escolheu para estar e continuar presente no meio de nós. A eucaristia é a maneira de ser de Jesus. A eucaristia é Jesus sinal, realidade e realização do amor de Deus, começo do Reino, de um novo futuro.
• JESUS CARITAS
É a síntese de quem é Jesus
• Como os presbíteros da Fraternidade estão vivendo e experimentando o seguimento de Jesus de Nazaré? => Exemplos.
Evangelho
Ir. Carlos quis gritar o Evangelho com a vida. O evangelho em primeiro lugar é para ser vivido. Para isto Ir. Carlos estudou e meditou o Evangelho. Ele recomenda: “Ler e re-ler sem cessar o santo evangelho, para ter sempre diante do espírito os atos, as palavras, os pensamentos de Jesus a fim de pensar, falar, agir como Jesus. Voltemos ao evangelho; se não vivermos o evangelho Jesus não vive em nós”. Um exercício para poder gritar o evangelho com a vida é praticar a leitura orante. Além disso, quem ama a Palavra de Deus terá vontade de estudá-la, cada vez mais. Sempre nós lemos o evangelho com os óculos que temos nos nossos olhos. Isto quer dizer que lemos o evangelho a partir do lugar social e do nosso engajamento e apenas descobriremos nele o que já está no nosso horizonte. Por isso para descobrir toda a riqueza da palavra de Deus é necessário ler o evangelho, também em mutirão, junto com os irmãos e colocar-se a par do que a exegese descobriu. Levar em conta a dimensão histórica de Jesus. O conteúdo do evangelho de Jesus, a sua boa nova é o anúncio do Reino de Deus que está próximo, às portas.
• Que lugar ocupa a meditação, a partilha e o estudo da Palavra de Deus em nossa vida e nas nossas fraternidades? => Exemplos.
Para sermos irmãos de todos, de todas as pessoas.
SER IRMÃO DE TODOS significa acolher cada pessoa que vem ao meu encontro com amor, alegria e delicadeza, ver em cada pessoa um irmão, uma irmã, acolher de maneira especial aqueles que Jesus considera seus irmãos e irmãs e com os quais ele se identifica (Mateus 25, 31).
• Os pobres e os excluídos.
• As vítimas e os injustiçados.
• Os doentes.
• As mulheres, as crianças, os idosos.
• Os “diferentes”, os “outros” que não se enquadram e nos incomodam (presidiários, hippies, gays).
• Os “diferentes”, os “outros” por sua religião e cultura (estrangeiros, os muçulmanos).
• Como é o envolvimento dos presbíteros da Fraternidade com esses grupos de pessoas? => Exemplos
• Para sabermos se somos irmãos, isto não depende da nossa avaliação. Quem vai dizer-me se eu sou irmão, não sou eu mesmo, mas o outro.
• Como viver a fraternidade universal? Construir a fraternidade, a solidariedade no mundo não é apenas um esforço individual, mas implica em uma luta para mudar estruturas injustas, que impedem a vivência da fraternidade universal. É a dimensão política da nossa fé.
• Em que a Fraternidade me ajudou e ajuda para ser fraterno e para construir a fraternidade? => Exemplos.
Abandonando-nos ao Pai
Abandonar-se ao Pai não como escravo, mas como parceiro. Ele desperta o meu ouvido para que eu ouça como discípulo (Isaías 50, 4). Abandonar-se ao Pai é a resposta total ao seu amor gratuito. Abandonar-se ao Pai quer dizer não mais viver para si mesmo, mas para ele. “Se o grão de trigo caído na terra não morrer fica só, mas se morrer produzirá muito fruto” (João 12, 24). Abandonar-se ao Pai significa não mais ter medo dos inimigos do Reino, principalmente não ter mais medo do último inimigo a ser vencido, a morte. Quem venceu o medo e na medida em que o venceu, tornou-se uma pessoa livre.
3. VIVER NAS ENCRUZILHADAS DO MUNDO E DA IGREJA
Nosso mundo – os desafios
• Olhamos o mundo a partir do lugar social em que vivemos. Já nos acostumamos dividir o mundo no eixo norte – sul. Aí o critério é o ponto de vista econômico. O rico norte hábil e esperto e o pobre sul agüentando e sem reação. Mas existe um outro eixo percebido com menos clareza. O eixo ocidente – oriente. O ocidente que sempre se sentiu superior em tudo agora é desafiado pelo oriente. São desafiadas a sua religião, a sua cultura e mesmo a sua economia (China). A acusação que o oriente faz: “O ocidente é decadente nos seus costumes, promíscuo na sua moral sexual, apóstata de sua religião, politicamente imperialista”. A resposta do ocidente: “O oriente é fundamentalista, terrorista, agressivo, intolerante, violento e cheio de ressentimento”.
Nosso mundo – marcado pela economia
• Quem provavelmente sempre tentou dominar o mundo foi o dinheiro. Esse ídolo que quer ser Deus tem nome, ele se chama “Mamon”, satanás. O capitalismo só mudou de nome, economia de mercado, neo-liberalismo, mas continua a ser o mesmo velho capitalismo. O consumo determina mais e mais a vida dos homens e a sua convivência. Ele gera as diferenças sociais, gera os excluídos e os pobres e vive à custa deles. O capital acumulado na mão de poucos, não controlado pela sociedade, chegou a subjugar e a escravizar a vida de muitos, tanto no âmbito da vida privada como da vida pública. O capitalismo nunca conseguiu resolver a questão do trabalho e a questão dos recursos. Ele gera os desempregados e a destruição da natureza.
Nossa cultura
Já que o tema da Assembléia é “Re-inventar com a força do Espírito em nossas culturas e Igrejas o testemunho de Ir. Carlos”, este item merece destaque.
• Uma cultura migratória e multicultural
Principalmente nos países da Europa e dos Estados Unidos, mas, mais e mais, em todos os países do mundo existe o fenômeno da imigração. Os imigrantes, grupos expressivos e cada vez maiores, em número, trazem consigo a sua língua, sua religião, sua cultura. Por causa dos seus costumes e sua maneira de vida diferente, eles interferem na cultura dos países de imigração e na convivência com as pessoas desses países. Quem quer viver o grande desafio da fraternidade universal precisa aprender dialogar, compreender, conviver, para evitar, o quanto mais, possíveis choques.
• Uma cultura urbana
No Brasil em 1960 80% da população vivia no campo. Em 2006, 80% da população estava vivendo na cidade. A cidade é atraente, pluralista, ela oferece muitas possibilidades, ela estimula as pessoas a tomarem decisões, ela torna a pessoa autônoma. Ao mesmo tempo ela é responsável pelo anonimato e pela a-nomia da convivência entre pessoas. Não existe mais controle social. Na cidade as pessoas se sentem livres, mas também isoladas.
• Uma cultura violenta
O Brasil hoje é um país violento. Violência na família, violência na escola, violência no trânsito, violência em roubos, assaltos, criminalidade crescente na cidade, violência contra a mulher, desrespeito aos direitos humanos, tráfico de drogas, violência contra o meio ambiente e a natureza.
A teoria de René Girard diz que no coração humano está enraizado o que ele chama “o desejo mimético”. Este desejo mimético cria rivalidade, exclusão, violência, guerra e destruição. A superação do conflito se dá, quando todos se unem ao redor de um bode expiatório, para jogar nele toda a culpa. Descarregando sobre esta vítima toda a violência, acontece a união. Todas as culturas, e os sistemas sociais obedeceriam, segundo Girard, a estas tendências. No entanto o ser humano não pode ser reduzido a mero desejo mimético. Existe a possibilidade de superar esta tendência. A mensagem bíblica, o evangelho vivido no seguimento de Jesus, vítima inocente, abre o caminho para a paz.
• Uma cultura liberal e tolerante
Todo ser humano tem um anseio de ser livre, viver sem fronteiras. A humanidade conquistou e defende como valor à liberdade da pessoa humana, liberdade de religião, de imprensa, de manifestar a sua opinião, de ir e vir. O desafio é entender que liberdade não quer dizer fazer tudo o que eu quero. Livre é quem é capaz de aceitar limites. Sem liberdade não há convivência.
• Uma cultura científica e tecnológica
A sociedade em que vivemos é uma sociedade altamente marcada pela ciência e tecnologia. As descobertas e invenções tornaram a vida bastante agradável, a comunicação em todas as áreas da vida, desde rádio, TV, telefone, celular, computador, carros. As pesquisas, na área da saúde, os remédios e muitas outras coisas conseguiram, de um lado, elevar bastante a qualidade de vida, mas por outro lado a tornaram mais complicada. A ciência e a tecnologia reclamam uma ética. Vivemos mais e mais num mundo que nós humanos construímos. Esse mundo dita as normas da nossa convivência. Ao passo que a natureza, o mundo que Deus criou, está cada vez mais distante e menos respeitada.
• Uma cultura que ainda precisa aprender a ser ecológica
No nosso planeta vivem, atualmente, mais de seis bilhões de pessoas. Todos querem alimentar-se, vestir-se, ter casa, ter terra. Estamos saqueando o nosso planeta terra. Somos responsáveis pelo clima alterado, pelos alimentos envenenados. Precisamos aprender a distribuir com justiça entre todos os recursos disponíveis, o petróleo, a água, o ar, as matas.
• Uma sociedade que quer ser democrática
A fé cristã tem uma dimensão política. A política é a arte de possibilitar a convivência entre pessoas, grupos e povos. No entanto, cada vez mais a política é considerada como uma luta pelo poder. E cada vez menos o poder é exercido em favor do bem comum. Na vida pública existem muitos interesses particulares. A política é dominada pela economia neoliberal e globalizada que reclama um estado mínimo.
• Uma sociedade que precisa aprender ser justa e defender os direitos humanos
Não apenas na convivência internacional, mas, mais e mais, na convivência nacional, aparece o abismo entre as elites e as massas. Os salários dos executivos e dos homens públicos (deputados, juízes) cada vez mais altos, privilégios cada vez maiores. Por outro lado o desemprego, a perda dos direitos conquistados pelos trabalhadores, a falta de possibilidades iguais para a educação, para a saúde. O tráfego de seres humanos, de mulheres para a prostituição, de crianças para retirada de órgãos. É urgente reivindicar e lutar pela igualdade de todos diante da lei.
• O que significa para nós presbíteros da fraternidade viver nas encruzilhadas do mundo?
Nossa Igreja – Povo de Deus
• O papa João XXIII, ao convocar o Concílio Vaticano II, quis abrir as janelas da Igreja, sentiu a necessidade do aggiornamento para reconciliar a Igreja com o mundo moderno. Parecia acontecer uma primavera. O mundo estava esperançoso e tinha uma expectativa diante da Igreja. O Espírito Santo soprou forte. O Concílio produziu documentos excelentes. O documento Gaudium et Spes reafirma que a finalidade da Igreja não está nela mesma, mas que ela, como sinal do Reino de Deus, tem a missão de transformar o mundo.
• Na América Latina o continente mais católico do mundo, os bispos querendo aplicar o Concílio ao continente, aprovaram os documentos de Medellín. O tempo pós-conciliar na América Latina foi um tempo de uma Igreja profética, viva e aberta. Floresceram as Comunidades Eclesiais de Base, a Teologia de Libertação, a valorização dos leigos e os novos ministérios. Na 3ª. Conferência Episcopal Latino-Americana, em Puebla a Igreja fez a opção pelos pobres. Muitos cristãos se engajaram e lutaram por igualdade e justiça social. Depois do Concílio na Igreja da América Latina houve um tempo de profetas. Foram calados. Muitos cristãos mártires pagaram com a sua vida. A cúpula da Igreja estava temerosa. Começou a volta à grande disciplina. A Teologia da Libertação sofreu duras críticas. Em vez das comunidades eclesiais de base, expressão do sopro do Espírito Santo na América Latina, afirmaram-se os movimentos eclesiais importados. Muitos costumes, considerados já superados, voltaram a ser introduzidos na Igreja, voltou o fundamentalismo e o clericalismo. Porque a cúpula da Igreja não entendeu os sinais dos tempos e brecou a possibilidade de ordenar os “viri probati”, e pela falta crônica de presbíteros, e pela ausência da Igreja católica no processo muito rápido de urbanização, avançaram na América Latina as Igrejas crentes e pentecostais que hoje ocupam aproximadamente 20% da população.
• Na Europa se assiste a uma crise interna da Igreja, a agonia do cristianismo popular. A Igreja não consegue mais manter suas estruturas. Igrejas estão sendo fechadas e vendidas, paróquias desativadas. As pessoas se tornaram indiferentes. A Igreja e a fé simplesmente são ignoradas. Para muitos é possível viver sem Deus e sem Igreja.
• A missão. O concílio afirma: A Igreja peregrina é por sua natureza missionária (AG 2). Mas como entender a missão? Apesar da boa vontade e de um enorme trabalho de levar, junto com a missão religiosa, o desenvolvimento social, muitos povos e grupos étnicos sentem a missão como colonização e como agressão a sua identidade religiosa e como dominação cultural.
Ir. Carlos era missionário. No entanto ele foi capaz de escrever: “Anunciar Jesus aos Tuaregues é coisa que não acredito que Jesus queira, nem de mim nem de qualquer outro. Seria o modo de retardar e não de apressar sua conversão” (Carta a Mons. Guerin, 6 de março de 1908). Ele não estava preocupado em batizar um número, cada vez maior, de pessoas ou convertê-las para sua religião. A sua concepção de missão foi uma missão por inserção. Antes de iniciar o anúncio explícito da palavra, ele quis aprender dos outros. Ele estudou a língua, os costumes, tentou tornar-se amigo, ser aceito pelos tuaregues. Ele estava preocupado como melhorar a agricultura e a criação do rebanho, como melhorar a qualidade de vida. Quis gritar o evangelho pelo testemunho e pelo exemplo. Foi um apostolado de bondade, de amizade e de carinho para com todos por causa do seu amor para com Jesus e a sua religião. Ele quis ser missionário puramente pela presença. Ele quis gritar o evangelho com a vida. Ele sonhou com missionários leigos, famílias cristãs, inseridas no meio dos tuaregues, exercendo a sua profissão, ensinando como melhorar a vida. Ir. Carlos está na origem das pequenas fraternidades e das comunidades eclesiais de base.
• O que significa para nós presbíteros da Fraternidade estar nas encruzilhadas da Igreja?
• Como entender missão?
4. NO ESPÍRITO DO IRMÃO CARLOS
Para entender a vida de Ir. Carlos é importante levar em consideração a influência que o Islã exerceu sobre ele. Durante a expedição a Marrocos, ele ainda incrédulo, fica impressionado com a fé dos muçulmanos e não esconde sua admiração. Logo depois de sua ordenação ele vai para Argélia e vive até a sua morte no meio dos muçulmanos. O seu projeto era missionário.
A busca do Absoluto de Deus
Contra o monoteísmo, hoje, existe uma suspeita e um questionamento e até uma acusação de gerar intolerância e fanatismo. Este questionamento é uma reação provocada por grupos fundamentalistas, sejam eles judeus, cristãos ou muçulmanos que, em nome do Deus de sua fé, praticam atos de violência porque não podem admitir outras opiniões.
Mas a questão é: Em que Deus nós acreditamos. O Deus dos judeus é um Deus libertador. “Eu sou Iahweh, teu Deus, que te fez sair da terra do Egito, da casa da escravidão. Não terás outros deuses diante de mim” (Êxodo 20, 1). Parece que Deus tem um adversário e existe uma luta entre Iahweh e os falsos deuses. Iahweh está lutando contra o mal. O Deus dos cristãos é Trindade, é comunidade, é amor, Deus não é Deus sem as criaturas, o homem está no centro de Trindade. Deus escolhe um povo, inicia uma história e constantemente intervém na história desse povo; o Deus dos cristãos se relaciona constantemente e está presente na história, ele é transcendente, mas também imanente. O Deus dos cristãos não é um Deus inacessível, solidão, não é pura transcendência.
A fé no “Absoluto de Deus” necessariamente leva a intolerância? A fé no absoluto de Deus não poderia ajudar muito para dar à vida um rumo certo, sair da indiferença e do tédio de uma vida sem sentido?
Ter Deus como Absoluto quer dizer amar a Deus. O shemá Israel de Deuteronômio 6.4, repetido no Evangelho de Marcos (e paralelos), ensina amar. “Amarás o Senhor teu Deus de todo o coração, de toda a alma, de todo o entendimento e com todas as tuas forças. Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Marcos 12, 29ss). Deus se torna meu Absoluto se ele é experimentado na sua glória e maravilha, face a face, sem mediações, Deus, ele mesmo, não uma representação sua, um sinal ou símbolo seu.
Ir. Carlos quando ainda descrente, ficou impressionado ao ver como os muçulmanos praticavam a sua fé. Depois de sua conversão Ir. Carlos escreve: “Quando comecei a acreditar que existia um Deus, compreendi que não poderia viver senão para ele”. Para Ir. Carlos Deus se tornou absoluto. A fé transformou a sua vida letárgica e sem rumo numa vida cheia de sentido, de perspectivas e de esperança. Começou a aventura da dança com o parceiro invisível. Ir. Carlos nunca se tornou fanático ou intolerante, ao contrário a fé no Absoluto de Deus, e no seu filho Jesus Cristo, o tornou muito humano, um homem de amor.
• Como nós presbíteros da Fraternidade podemos promover o diálogo ecumênico e inter-religioso?
A Fraternidade Universal – Amor solidário
O sonho de Ir. Carlos era ser irmão de todos. Esse sonho não era uma abstração, mas algo muito concreto. Amor universal é ir até os mais afastados e esquecidos, não deixar ninguém sozinho. O caminho para ser irmão de todos é tratar com amizade e fraternidade cada pessoa que cruza o meu caminho, seja quem for. No fim da minha vida eu poderei afirmar que tratei todos como irmãos eu fui irmão de todos. A fraternidade universal se constrói no dia a dia, na acolhida de todos, seja quem for que venha ao meu encontro. O centro já não sou mais eu, mas o outro. Além disso, o caminho para construir a fraternidade universal passa por estruturas e organizações como a educação para a solidariedade, a amizade. Um caminho para se viver a fraternidade universal é viver em pequenas fraternidades. Estas pequenas fraternidades, através do seu testemunho de vida, podem tornar-se um sinal da fraternidade universal.
Os Conselhos evangélicos
Em vez de falar em votos preferimos a expressão “conselhos evangélicos” porque o próprio evangelho recomenda este estilo de vida. Viver segundo os conselhos evangélicos significa superar o eu, vencer o desejo de poder, de ter e do prazer, ir ao encontro do outro. Só será capaz quem quer amar. É o próprio Espírito Santo que suscita o desejo e a vontade de querer viver assim. Os que vivem os conselhos evangélicos são chamados “bem-aventurados” e se tornam pessoas inteiramente livres. Eles não sentem falta de nada.
1. Viver como pobre
Discernem-se três estágios: viver para os pobres, viver com eles e viver como eles. O motivo porque viver como pobre não pode ser o desprezo pelas coisas, mas é antes de tudo uma questão de amor e de solidariedade. Ir. Carlos: “Eu não quero viajar pela vida na primeira classe, enquanto Jesus viajou na terceira. Eu não posso amar assim. Como depressa será pobre quem te ama de todo coração porque não agüentará ser mais rico do que o amado”. Mas, viver como pobre não significa apenas se desfazer dos bens materiais. A pobreza espiritual é mais do que isso. Significa tornar o coração totalmente vazio. Deus então pode tomar conta dele e enchê-lo com seu amor. Um coração pobre assim será capaz de amar a todos.
2. Viver como solteiro por causa do Reino dos Céus
Ser solteiro não por desprezo ao casamento, nem por causa de Jesus, mas por uma causa: o Reino. Quem se faz eunuco, aceita ser impotente. Ele quer superar a exclusividade no relacionamento para com as pessoas. Nem todos são capazes de compreender esta palavra, mas só aquele a quem é concedido. Quem tiver capacidade para compreender, compreenda (Mateus 19, 11ss).
3. Ser obediente.
Ir. Carlos: “A obediência é o último, o mais alto e o mais perfeito grau do amor, aquele amor em que alguém deixa de existir pessoalmente, em que a gente se aniquila, em que se morre como Jesus morreu sobre a cruz”. Deus quer o aniquilamento de uma pessoa? Creio que não. Mas na obediência eu por mim mesmo, porque quero, abro mão dos meus desejos, idéias, planos e objetivos, do meu eu. Porque quero fazer a vontade do Pai. “Meu alimento é fazer a vontade daquele que me enviou” (João 4, 34).
5. NOSSOS CAMINHOS – OS MEIOS DA FRATERNIDADE
A Fraternidade – o dia mensal da fraternidade
A Fraternidade Sacerdotal Jesus Caritas só existe nas pequenas fraternidades locais. Sem encontrar-se nas pequenas fraternidades não há Fraternidade. Lá acontece o desafio de viver o evangelho na prática, no dia a dia. O encontro com a pessoa do irmão me enriquece, me corrige, me amadurece e é necessário para eu encontrar a minha identidade. A fraternidade é um grupo de irmãos e de amigos. Irmãos não se escolhem, se recebem. Amigos e a amizade é um dom e é uma tarefa, que é possível construir e cultivar.
• “A fraternidade é uma verdadeira comunidade de Igreja”. Esta afirmação feita no diretório é teologicamente correta? Um grupo apenas de presbíteros pode ser considerado uma comunidade de Igreja?
Em busca de uma Oração Contemplativa
Ser contemplativo não depende de nós. É um dom de Deus que nos motiva e desperta em nós o desejo pela oração. Ser contemplativo é olhar com os olhos de Deus. Quem se sente atraído para uma vida contemplativa saiba que tem diante de si um caminho árduo. Para “Subir ao monte Carmelo” ele tem que ser capaz de agüentar e de vencer “A noite escura”. Para isto ele precisa aprender autodomínio, perseverança e fidelidade. Os medíocres não chegam. Na medida em que alguém percorre o caminho da contemplação tornar-se-á uma pessoa livre, integrada, em paz consigo mesmo, com os outros e com toda a criação. Tudo isso é possível porque ele se sente em paz com Deus, se sente amado pelo Pai. O contemplativo encontrou o centro de sua vida em Deus. Ele não procura mais realizar seus projetos pessoais, mas se pergunta como realizar a vontade de Deus. Ele vive e tem um só desejo: “Pai, que eles te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro” (João 17, 3). Conhecer a Deus em sua glória muda por completo a vida do contemplativo, sua maneira de olhar, de viver e de agir. O seu alimento de agora em diante será fazer a vontade do Pai.
• Todos são chamados para uma vida contemplativa?
A Oração (Adoração) Eucarística diária
Nas fraternidades se perguntou e se pergunta o sentido da oração eucarística. Nossa compreensão da eucaristia é dinâmica e não estática. Eucaristia é celebração, é ação. Adorar a hóstia consagrada tem sentido? É apenas uma devoção ou algo a mais? Surgiu também a pergunta: Nós queremos adorar a eucaristia ou adorar Deus diante da eucaristia?
• Celebrar eucaristia quer dizer: sentar-nos ao redor de uma mesa em memória de Jesus Cristo – fazei isto em memória de mim – para comer juntos, para partilhar o pão e o vinho e a nossa vida. A partilha cria comunhão. A comunhão torna Jesus presente entre nós. “Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, ali estou eu no meio deles” (Mateus 18, 20). A presença de Jesus Cristo traz a paz, vida nova, redenção e reconciliação. São os frutos e os dons dados pelo Pai em resposta à vida de Jesus no seu amor até o fim. Estes dons nos fortalecem nos unificam, nos animam, para agora por nossa vez, juntos como um só corpo, seguir o exemplo de Jesus e agir como ele agiu no seu amor até o fim. Amar até o fim é entregar a vida por (em substituição a, em vez de, agir como goël) seus amigos (João 15, 13). Eucaristia é fazer a experiência de que agindo como Jesus, nós somos agraciados pelo Pai. Seus dons nos enriquecem e tornam presente o Reino de Deus. Eucaristia é resposta e reconhecimento ao Pai. É desejo de que ele seja santificado e vontade de agradecê-lo, entregando e devolvendo-lhe a nossa vida com Jesus e como Jesus.
• Adorar a eucaristia ou diante da eucaristia supõe a fé e a convicção, de que no Pão consagrado Jesus está presente diante de mim. Sua presença é uma presença dinâmica, não estática. Jesus está presente em pessoa, em espírito. Adorar a eucaristia quer dizer contemplar sempre de novo Jesus Cristo, sua vida vivida, seu nascimento, sua infância, seu batismo, sua vida pública, seu ensinamento, seu caminho para Jerusalém, sua paixão morte e ressurreição. Na adoração silenciosa e demorada permanecendo diante de Jesus na hóstia consagrada, nos expondo a ele, experimentamos que a adoração prolongada e fiel da eucaristia transforma, mesmo que imperceptível, a pessoa que adora na pessoa do adorado. Fazer a adoração diante da eucaristia é uma exigência no caminho da contemplação porque rezar diante da eucaristia é colocar-se na presença de Jesus Cristo. Ele é o caminho que me leva ao Pai.
O Dia mensal do deserto
É preciso retirar-se ao deserto porque lá está Deus. Abraão, Moisés, o povo de Deus durante quarenta anos fizeram a experiência do deserto. O deserto purifica, faz escutar, no silêncio, a voz do Senhor. João Batista vem do deserto. Jesus é impelido pelo Espírito para o deserto.
O deserto é o lugar da tentação, da prova, mas também da volta e da experiência e do reencontro com Deus. “Eis que eu mesmo a seduzirei conduzi-la-ei ao deserto e falar-lhe-ei ao coração” (Oséias 2, 16). A fidelidade ao dia do deserto é importante para o encontro com Deus vivo. É o lugar da escuta, é caminho da contemplação.
Os Meios pobres
“Jesus é o mestre do impossível”. Com esta afirmação Ir. Carlos não quer dizer que Jesus está acima das leis da natureza, mas que os caminhos de Jesus ultrapassam a nossa compreensão. “Meus pensamentos não são os vossos pensamentos, e vossos caminhos não são os meus caminhos” (Isaías 55, 8). Jesus prefere caminhos simples e pobres, diferentes da nossa imaginação. Ele envia os discípulos em missão, desprotegidos, sem bastão, sem alforje, nem pão, nem dinheiro e sem duas túnicas. Só quem se despoja dos meios humanos pode experimentar a ajuda de Deus.
A Revisão de vida
A revisão de vida é como que o sacramento de uma fraternidade. Sem revisão de vida não há fraternidade verdadeira. Se uma fraternidade não consegue avançar na revisão de vida, isto é um sinal de que ainda não chegou a ser fraternidade verdadeira. Esta pressupõe transparência entre os irmãos. A falta de transparência vem da desconfiança e do medo diante dos outros. No amor não há mais medo. A revisão de vida só funciona na medida da confiança que há entre os irmãos. Só é possível expor a sua vida diante dos outros quando os irmãos sentem que são aceitos do jeito como são. Revisão de vida não pode ser cobrança do outro. A revisão de vida é um processo, só é possível depois de um período de convivência quando os irmãos perderam a desconfiança e o medo um diante do outro.
O Mês de Nazaré
O mês de Nazaré, de duração não menos do que 30 dias, é experimentado como tempo forte e como graça. Além do retiro, ele prepara para ser fiel: à oração, diante da eucaristia, à revisão de vida e ao dia mensal do deserto. A participação é em vista do engajamento na Fraternidade.
O Engajamento
Nas fraternidades já foi discutido o sentido de um engajamento. Os presbíteros ordenados ainda têm necessidade de fazer um engajamento? Sim, porque na ordenação se tornaram presbíteros diocesanos, mas não já, e ao mesmo tempo membros da Fraternidade Sacerdotal Jesus Caritas. Ser membro da Fraternidade pede um engajamento. Sem compromisso não existe fraternidade, não existe estabilidade e caminhada. Quem quer pertencer a uma fraternidade precisa manifestar o seu desejo, mas também os membros de uma fraternidade precisam manifestar a sua disposição de acolher um novo irmão. O engajamento é um pacto mútuo, uma aliança. Para tornar-se membro é necessário percorrer um caminho. Uma vez que Jesus estava convicto “Ele tomou resolutamente o caminho para Jerusalém” (Lucas 9, 1).
Discernimos vários estágios:
• Um tempo de descoberta. Alguém descobre a Fraternidade, se empolga, se informa.
• Um tempo para conhecê-la. A melhor maneira para conhecer a fraternidade é participar.
• O mês de Nazaré prepara para optar.
• O compromisso com a Fraternidade é a promessa de viver segundo o espírito do diretório.
• Mas no concreto será o engajamento a uma fraternidade local.
Nossa identidade de presbíteros da Fraternidade – O nosso estilo de vida
1. Viver no mundo, “au coeur des masses”, não se esconder atrás da instituição eclesiástica.
2. Fazer suas as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos os que sofrem (GS 1).
3. Ter feito a opção pelos pobres e solidarizar-se com eles.
4. Traduzir e assumir esta opção no trabalho pastoral.
5. Renunciar aos privilégios.
6. Viver em tudo a simplicidade, na maneira de comer, de vestir, de morar.
7. Não apenas celebrar eucaristia, mas vivenciá-la na entrega diária da vida a Deus e aos irmãos.
8. Partilhar e repartir o pão eucarístico e o pão de cada dia.
9. Ser irmão, ser fraterno e acolher com amor e amizade os que vêm ao nosso encontro.
10. Ter tempo para Deus. Ser generoso na oração, na leitura da palavra de Deus. Oferecer ao Pai os melhores momentos do dia.
11. Almejar uma vida contemplativa.
12. Gritar o evangelho com a vida.
13. Dar testemunho da fé numa atitude missionária.
14. Trabalhar para que a fraternidade universal aconteça.
15. Tornar-se criança diante de Deus, ter um coração de criança.
• A Fraternidade e viver em fraternidade nos ajudam a encontrar o nosso estilo de vida? Como?
• Como fazer para que os meios não se tornem leis a cumprir, mas convites que nos ajudam na vida espiritual? Como podemos ajudar-nos mutuamente na fidelidade aos meios? A revisão de vida poderia ser um caminho?
6. COM UM MÍNIMO DE ESTRUTURAS
• Quando fui Responsável Geral fui muitas vezes perguntado onde está a sede da Fraternidade. Seria pertinente refletir sobre a necessidade da Fraternidade ter uma sede própria ou a sede mudaria de acordo com o endereço do Responsável Geral em exercício?
• Ao longo da história da Fraternidade foram produzidos muitos documentos, correspondências, cartas oficiais, boletins, atas das assembléias e de reuniões, fotografias e vídeos etc. Seria oportuno aprofundar a questão se seria necessário ter um local, uma sala para arquivar todo este material? Quem cuidaria de tudo isto? Seria válido discutir o mesmo assunto para arquivar documentos em nível regional?
• No diretório, números 60 a 65 são mencionados “Encontros” e “Correspondência”. A meu ver, estes itens seriam mais “meios” do que “estruturas”. Ao passo que a definição do que consideramos uma “Região” que é uma estrutura da Fraternidade, se encontra no item “os responsáveis e suas funções”. Igualmente o que é dito a respeito da “Assembléia Geral” números 88 a 90 e das “Finanças” números 91 e 92, deveria constar no item “Estruturas” e não no item “Responsáveis”.
• Que tal se criar um site da Fraternidade na Internet?
• Até agora as Fraternidades Européias e dos Estados Unidos com grande generosidade arcaram com as despesas da equipe internacional. Cada região consegue o suficiente para custear as suas despesas?
7. OS RESPONSÁVEIS E SUAS FUNÇÕES
• Parece-me que existem de fato “responsáveis continentais”, pelo menos na Europa. São mencionados apenas no estatuto, não no diretório.
2. CAMINHO PARA VIVER EM FRATERNIDADE
Omaha, fevereiro de 2008.
OBJETIVOS:
1. Uma formação para novos membros e novas comunidades.
2. Uma ajuda para rever as comunidades existentes.
ESQUEMA GERAL (Retomamos o esquema geral de 1976)
1. Objetivo e espírito da Fraternidade.
2. Viver o Evangelho e seguir a Cristo como sacerdote.
- Ser irmãos no ministério: o sacramento da fraternidade; a fraternidade como escola de comunhão para a vida da Igreja.
- Animar, impulsionar, apelar.
3. O contexto atual: discernir os sinais dos tempos; ver o "kairos" da situação atual.
- A globalização favorece a comunicação e a migração, a presença de refugiados de culturas e religiões diferentes; a prioridade dada à economia e às finanças; a desigualdade crescente e a exclusão dos empobrecidos.
- A presença do Islã em muitas das nossas sociedades: o tema da tolerância, a presença dos símbolos religiosos no espaço público, a lei islâmica, as perseguições às minorias cristãs.
- A crescente presença da incredulidade e dos valores seculares, indiferença e esoterismo.
- Uma evolução nas relações Igreja-mundo. Espera-se uma atitude profética da Igreja; uma presença pastoral frente aos refugiados e dos imigrantes; dar voz aos sem-voz e aos excluídos.
- A identidade do sacerdote diocesano.
4. O espírito do Irmão Carlos
- A oração de abandono: confiança, ação de graças, amor em primeiro lugar, confiança em Deus estar disposto a...
- O amor infinito de Deus.
- A contemplação em meio à vida ativa.
- Um espírito missionário que se traduz em uma vida evangélica, na atenção aos marginalizados, por aproximar as pessoas de Deus.
- E por último: estar disponível.
- Ser irmão das pessoas respeitando-as, pela solidariedade, considerando-os irmãos em Cristo.
- Irmão Carlos foi um sacerdote diocesano.
5. Os meios da fraternidade
- A Fraternidade: o sacramento da fraternidade.
- A Eucaristia
- A adoração
- A leitura da Bíblia
- A revisão de vida
- A meditação.
6. Viver em fraternidade
- O mês de Nazaré
- O compromisso
- Ser responsável
- A fraternidade universal
- A família espiritual
- A fraternidade no presbitério
- Um mínimo de estrutura.
3. REUNIÃO DA COORDENAÇÃO NACIONAL
Os membros da coordenação nacional da Fraternidade Sacerdotal Jesus Caritas se reuniram, conforme previsto, em Mairiporã, na Casa de Oração Maria de Nazaré, das Cônegas de Santo Agostinho, nos dias 21, 22 e 23 de outubro de 2008. Chegamos no dia 20, à noite, e terminamos no dia 23, ao meio-dia. Participaram do encontro os Padres Paulo Wafflard, do Centro-Oeste, Antônio Carlos de Souza Gomes (Carlinhos), do Norte, Sílvio Guterres Dutra, do Sul, José João da Silva, das finanças, Freddy Goven, do Mês de Nazaré, José Bizon, do Boletim e eu, Celso Pedro da Silva, responsável nacional. Recebemos a visita do Pe. Teodósio, da fraternidade de São Paulo e do Pe. Lealdo, da fraternidade de São Miguel Paulista. Não puderam comparecer os Padres Eliésio dos Santos, do Nordeste, Edivaldo Pereira dos Santos, do Sudeste e Hideraldo Veríssimo Vieira, do Leste, os quais, evidentemente, fizeram falta!
Tratamos basicamente de três assuntos: A situação da Fraternidade no Brasil e sua expansão, as características de um padre da Fraternidade, e questões práticas.
A situação da Fraternidade no Brasil
Agradecemos a Deus pelos padres que são membros comprometidos e por todos os que se esforçam para participar dos retiros anuais e dos retiros regionais que vêm acontecendo e, sobretudo, pelo Dia de Fraternidade. É notável o esforço que se faz para vencer distâncias. Apesar da dispersão há, entre nós, uns 200 padres que se sentem de alguma forma ligados à espiritualidade do Irmão Carlos. Temos consciência de que não somos movimento de massa e que, no espírito do Irmão Carlos, queremos continuar silenciosos e discretos. No entanto, queremos também marcar presença, sempre no mesmo espírito, não com multidões, mas como o fermento na massa, com uma presença significativa, silenciosa e gratuita que expressa a amizade no Espírito.
Pensamos que seria bom termos, ao menos, de um a três irmãos em cada capital, uma vez que 80% da população atual é urbana. Não temos presença nos Estados do Rio Grande do Norte, Pernambuco, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Tocantins, Amapá, Roraima, Acre. Presença organizada existe no Rio Grande do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Mato Grosso, Goiás, Distrito Federal, Bahia, Ceará, Maranhão, Pará e Amazonas.
Já iniciamos uma modesta difusão entre os seminaristas. Por duas vezes, alguns seminaristas do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina se reuniram para um retiro em Florianópolis, sob o patrocínio do nosso irmão Wilmar, reitor da Casa de Formação de Joinville. Pensamos que seria bom convidar alguns para o próximo retiro em Brasília e, com eles, organizar depois um retiro em Alagoinhas, Taizé, para um grupo maior. A presença dos seminaristas supõe a colaboração financeira dos irmãos padres.
Características de um padre da Fraternidade
Trocamos idéias livremente sobre alguns aspectos das intuições do Irmão Carlos em nossa vida de padre seculares. Queremos ser plenamente padres seculares encardinados em nossas dioceses, sem nos separarmos dos colegas do presbitério. Não queremos ser um grupo à parte nem parecer um instituto de religiosos. Se temos que nos distinguir em alguma coisa, seja no serviço prestado com diligência e entusiasmo, silenciosamente, sempre a partir do último lugar. Para isso, os meios da Fraternidade continuam sendo de suma importância. Destacamos o dia de deserto, um tanto quanto abandonado, que é preciso agendar, e a revisão de vida, que não pode deixar de ser feita. Conversamos longamente sobre a revisão de vida, falando espontaneamente de nossa vida pessoal. A revisão precisa ser feita e com seriedade. É importante que seja preparada no dia de deserto ou na adoração. Revisão improvisada não funciona, e sem revisão, o dia de fraternidade acaba se tornando um encontro para “fofocas”. Fraternidade significa que vivemos num grupo de partilha e nos deixamos avaliar. Na fraternidade a vida pode ser tratada como ela é. Precisamos de ajuda para nos posicionarmos como fracos, não aceitando nenhum tipo de poder.
O ultimo lugar – Como padres seculares não podemos escolher nosso lugar de trabalho, por isso, Nazaré e o último lugar é onde nós estamos. Esse lugar pode ser aquele onde as tarefas são mais difíceis e que ninguém quis assumir. Fazer bem tudo o que se tem que fazer, aceitar o que ninguém quer e permanecer em silêncio. Não aceitar meios poderosos para o trabalho pastoral e não querer aparecer.
Os pobres – Deve ser característica nossa a amizade gratuita e desinteressada com pessoas pobres. Devemos ser capazes de dizer quais são os nomes dos nossos amigos pobres.
Questões práticas
Lemos e refletimos o texto do Günther, de revisão do diretório, que ele elaborou ainda a pedido de Mariano Puga, para a Assembléia Geral de 2006, no Brasil. Decidimos publicá-lo no Boletim para que todos possam se beneficiar desse texto. Marcamos datas, vimos a possibilidade de reeditar o Fermento na Massa do Padre Voillaume e de traduzir para o português os dois filmes da Trapa de Tre Fontane feitos por ocasião da beatificação do Padre de Foucauld.
Edição dos DVD da Beatificação do Irmão Carlos – O texto está em francês, com orações e cânticos em diversas línguas. O filme pode ser legendado, o que é mais barato. Se for dublado sai mais caro, mas é melhor para quem tem dificuldade de ler rapidamente as legendas. O texto francês seria traduzido. As outras línguas seriam legendadas, como está no original. Todos gostaram dos filmes e acreditam que seja uma excelente apresentação da espiritualidade do Irmão Carlos. Vamos precisar de algum dinheiro para isso. Já contamos com uma ajuda de dois mil reais do Freddy. Faltam ainda...
Retiro para os seminaristas – Será em Taizé, Alagoinhas, Bahia, nos dias 21,22 e 23 de julho de 2009. Há 40 quartos simples, individuais, a 35 reais a diária, hoje. 30 seminaristas e 10 padres da Fraternidade seria um bom número de participantes. Gostaríamos de contar com a presença do Edson, Anchieta e Gildo, além de Celso, Bizon, José João, Wilmar e mais três que quiserem se apresentar. É para estudantes de 3º e 4º anos de teologia.
Encontro da Coordenação Nacional - com representantes dos demais países da América Latina – Será em Mairiporã, de 26 a 29 de outubro de 2009.
Publicações – Sobre a reedição do livro de René Voillaume, Fermento na Massa, Pe. Danilo, diretor das Edições Loyola vai entrar em contato com as edições du Cerf na França e verificar os direitos autorais para depois apresentar o nosso pedido de publicação ao Conselho Editorial. Atenção, que existe uma obra de frei Beto com o título O fermento da massa, das Vozes, sobre o 4º encontro inter-eclesial das Comunidades de Base, em Itaici, abril de 1981.
Quanto ao opúsculo “Meios para uma espiritualidade presbiteral”, que é uma edição especial do Boletim das Fraternidades, podemos comprar o estoque da editora de 339 exemplares ao custo de R$ 2,00 (dois reais) cada (Na loja está R$ 5,10, cinco reais e dez centavos). É possível também fazer uma nova edição atualizada pelo mesmo preço, ficando mil exemplares por conta da Fraternidade.
O Folder elaborado pelos irmãos de Marília, SP será revisto e reeditado.
Não é preciso dizer que tivemos cada dia nossa hora de adoração e a celebração da Eucaristia, num ambiente muito amigo e fraterno, facilitado pelas irmãs Marta, Helena e pela senhora Lurdinha.
Pe. Celso Pedro da Silva
4. NOTÍCIAS
4.1. Comunicar-se é preciso...
Curioso, como sou, vou aos poucos descobrindo o universo juvenil moçambicano. Partilho com vocês minha participação num encontro paroquial da Pastoral da Juventude com jovens coordenadores dos grupos das comunidades. Para conhecer um pouco de sua realidade, dividi-os em pequenos grupos com a seguinte questão: O que o jovem pensa, vê, ouve, cheira, fala, faz, sente e por onde anda?
Com olhar sereno, jeito tímido e voz suave disseram que o jovem do norte de Moçambique pensa em prolongar sua vida juvenil e continuar no grupo. Eles vêem jovens sem estudar e sem participar da comunidade. Ouvem coisas boas e ruins, cheiram a novidade da Palavra de Deus. Falam da falta de livros, da preocupação com a salvação e de não se casarem catolicamente. Fazem adultérios, divórcio e caridade. Sentem dificuldades de acesso à escola, de perseverança na comunidade e andam por caminhos de tentações.
É complexo definir o que é juventude neste país de rosto jovem com sessenta por cento da população com menos de vinte cinco anos de idade. Aqui crianças e adultos, na minha visão, participam dos encontros de jovens. Identificam-se como jovens, embora já com filhos e com vida independente.
Andam em grupos, procuram trabalho e lazer. Encontro-os indo para escola, à mesquita, à Igreja e caminhando pelas ruas empoeiradas. Paro nas esquinas para criar comunicação, ouvindo suas dúvidas sobre o mundo da América Latina de que apenas ouviram falar. Gostam de futebol, mas não conseguem comprar uma bola. Estão desconectados das informações do que acontece no mundo e na política local.
Embora a problemática de acesso ao ensino de qualidade, ao sistema de saúde falido, à contaminação do vírus HIV, o desemprego, não lhes falta comunicação pessoal e a alegria expressa em largos sorrisos. Valorizam a simples presença. Falam pouco e observam muito. Escondem uma sabedoria na relação com o tempo. Vivem longe da lógica de que “tempo é dinheiro”. O tempo está a serviço da vida e da felicidade. São donos do tempo. Passam horas partilhando vidas e contemplando o mundo ao redor. Comunicam, sem palavras, que crêem em Deus, comunidade de amor.
Antes de sair do Brasil alimentei-me da novidade dita no documento Evangelização da Juventude: “É preciso aprender a ler, na juventude, as sementes ocultas do Verbo (nº. 80), aprendendo a ver um Deus que é real dentro do jovem no seu modo juvenil de ser, isto é, considerar o jovem como lugar teológico, considerando que Deus nos fala pelo jovem (nº. 81)”. Estas reflexões ficaram vivas no coração. Lembro disso e também aplico no meu encontro com a juventude africana. Sempre repito em voz baixa: Eles são uma realidade teológica que é preciso apreender a ler e desvelar. Este novo olhar tem me ajudado a criar comunicação e superar pré-conceitos do meu imaginário juvenil.
Estou em comunhão com todos/as que estão celebrando o Dia Nacional da Juventude. Aqui, em terras africanas, sinto-me entrando no túnel do tempo, longe do mundo das comunicações virtuais. Aqui ainda se pauta a necessidade de construir latrinas e casas de banho no centro de formação paroquial. Outra novidade é o curso de datilografia que quatro lideranças da paróquia estão fazendo. A comunicação é sempre pessoal e talvez seja ainda a forma mais eficaz de criar verdadeiras relações.
Na verdade, tenho pouco a dizer. Proponho-me a escutar mais para desvelar este mistério de Deus que se esconde na juventude no seu modo de ser, agir e comunicar-se.
Pe.Maurício da Silva Jardim
Missionário em Moçambique
4.2. Retiro Regional do Centro Oeste
14 a 17 de julho de 2008.
Local: Itaberaí-GO
Nós lemos vários capítulos do livro: Espiritualidade para nosso tempo com Carlos de Foucauld, do Edson Damian, Edições Paulinas - São Paulo 2007.
1. Foram boas as partilhas sobre o Deserto e a Oração do Abandono.
2. Um dos participantes achou bom estes retiros menores no mês de julho, os retiros nacionais já tem um maior número de participantes.
3. Outro participante começou a participar com desconfiança, hoje a desconfiança desapareceu.
4. A Fraternidade precisa rejuvenescer, acolher mais jovens.
5. Os momentos de silêncio foram ótimos.
Toda manhã em silêncio, inclusive durante o café da manhã.
O silêncio favoreceu um clima excelente.
A partilha se fazia no período da tarde. Muita confiança entre nós permitiu-nos descobrirmos a nós mesmos.
6. Era preciso de mais colaboração para melhorar as celebrações.
7. Sentimos a falta dos ausentes que, talvez, não colocaram este retiro como uma prioridade e preferiram assumir outros compromissos.
É bom refletir este ponto: o povo percebe quando a gente volta de um retiro.
É pelo povo que fazemos retiro. É direito do povo ter um pastor renovado interiormente por meio de um bom retiro.
8. Tivemos um momento de reflexão sobre a conjuntura que foi excelente.
9. Fazia frio, mas a comida e o ambiente aqueceram os corações.
10. Foi feita a proposta de mudar o local do retiro preferindo a chácara da Diocese, onde acontecem os meses de Nazaré.
Pe. Paulo Wafflard
5. UM LIVRO UM AMIGO
BERTOLINI, SSP, Pe. José, Conheça o Apóstolo Paulo, Paulus, São Paulo, 2008.
COTHENET, Édouard, Paulo, Apóstolo e Escritor, Paulinas, São Paulo, 1999.
CROSSAN, J. Dominic e REED, L. JONATHAN, Em busca de Paulo, Como o Apóstolo de Jesus opôs o Reino de Deus ao Império Romano. São Paulo, Paulinas, 2007.
GRENZER, Matthias, Trajetória do Apóstolo Paulo, Paulinas, São Paulo, 2008.
FABRIS, Rinaldo, Paulo, Apóstolo dos Gentios, Paulinas, São Paulo 2001.
HAWTHORNE, Gerald F, MARTIN, Ralph P e REID, Daniel G. (orgs.), Dicionário de Paulo e Suas Cartas. Paulus, Loyola e Vida Nova, São Paulo, 2008.
HORSLEY, Richard A., Paulo e o Império, religião e poder na sociedade imperial romana, Paulus, São Paulo, 2004.
MESTERS, OCarm, Carlos, Paulo Apóstolo um trabalhador que anuncia o Evangelho, 10ª Edição, Paulus, São Paulo, 2008.
O’CONNOR, J. Murphy, A Antropologia Pastoral de Paulo. 2ª. Edição, Paulus, São Paulo, 2007.
_________ Paulo de Tarso, História de um Apóstolo, Paulus e Loyola, São Paulo, 2007.
_________ Jesus e Paulo, Vidas Paralelas, Paulinas, São Paulo, 2008.
QUESNEL, Michel, Paulo e as Origens do Cristianismo, Paulinas, São Paulo, 2004.
6. AGENDA
Retiro Anual
06 a 13 de janeiro de 2009
Seminário Nossa Senhora de Fátima
QI 17 – Área Especial – Lago Sul, CEP 71645-200
Brasília, DF
Fones: (61) 3253-9304 e (61) 3253-9306.
Site: www.smabfatima.com.br
Diária R$ 30,00 (trinta reais), valor a ser corrigido na época.
Levar roupa de cama e de banho.
Resp. Pe. Celso Pedro da Silva
Mês de Nazaré
Janeiro de 2010
Resp. Pe. Freddy Goven e Equipe
7. PRESTAÇÃO DE CONTAS
Despesas em Geral da Fraternidade Sacerdotal Jesus Caritas - 2008
Histórico
Entradas
Saldo anterior 4.780,41
Contribuições de janeiro a nov. 5.518,62
SAÍDAS
Contribuição para o Conselho Internacional 500,00
Postagem dos Boletins 1.797,63
Retiro 280,00
Ajuda de custo 150,00
Diárias do Encontro Nacional 735,00
Impressão Gráfica dos Boletins 3.134,33
Papelaria 75,66
Xerox 274,50
Direitos Autorais 1.070,00
Despesas Bancárias 260,75
Total Parcial Entradas: 11.369,03 Saídas: 7.207,87 Saldo 4.161,16