Meios de montagem sintéticos

Meios de montagem sintéticos ou  meios de montagem de resinas sintéticas para diversas aplicações em microscopia, histologia e citologia, muitas vezes citados na literatura e no comércio especializado como “bálsamo do Canadá sintético”, dada sua relação com a resina natural clássica bálsamo do Canadá, ou bálsamo de abeto (Abies balsamea), tem em grande parte substituído meios de montagem a base de resinas naturais. Os ingredientes são mais consistentes em qualidade e geralmente mais fáceis de serem obtidos. Também podem ser feitas em meio aquoso e os índices de refração ajustados para corresponder ao vidro. A desvantagem destes meios é que muitos são patenteados e/ou propriedades das empresas fabricantes e os componentes não são identificados.



DPX e BPS


O meio de montagem DPX (Distrene Plasticiser Xylene: distrene (um poliestireno), plastificante e xileno) para histologia é uma mistura de distrene (é um nome comercial para o poliestireno produzido pela Distrene Company), um plastificante (historicamente fosfato de tricresila, quando de seu surgimento em 1939, e mais recentemente, 1941, dibutilftalato, “butil, ftalato, estireno” - Butylphthalate Plasticised Styrene, de onde a sigla BPS), o qual os autores consideraram mais efetivo que o fosfato de tricresila como plastificante para tal aplicação, dissolvido em mistura de tolueno-xileno, apresentando índice de refração n20/D 1.52 e viscosidade 1200-1800 mPa.s(20 °C).


O poliestireno é um plástico comum utilizado para fazer copos de espuma (“isopor”), material de embalagem, talheres de plástico, etc. Por si só, o poliestireno não é elástica o suficiente e requer um plastificante para torná-lo utilizável como um meio de montagem.


Este meio de montagem de resina sintética incolor encontra-se agora disponível para aplicações de microscopia eletrônica, e tem substituído a mistura bálsamo do Canadá natural e xileno.


Este meio de montagem preserva colorações e seca rapidamente, podendo ser retirado seus excessos da preparação após corte em torno da lamínula com uma lâmina de barbear, estilete ou bisturi, sendo delicadamente levantado a partir do vidro, destacando-se como uma película plástica. Possuem a vantagem de interagirem com colorações lipofílicas (corantes solventes em gorduras).


Não é recomendado para utilização com seções grossas (por exemplo, nitrato de celulose) onde existe o perigo de retração do material de montagem após a secagem.


Kirkpatrick e Lendrum especificaram um poliestireno em particular para DPX, Distrene-80, que tem um peso molecular de cerca de 80.000. Devido às mudanças comerciais na fabricação e distribuição, eles especificaram Natural Styron 686E da Dow Chemical Company. O mesmo produto foi vendido no Reino Unido pelo nome Styron 27/66-7 (1972) e, por um distribuidor diferente, poliestireno SA99/W Crystal(1977). Quando DPX é recomendado na literatura das práticas, BPS podem ser fornecido como pouca distinção nas características.


Para fazer qualquer uma das três variações de DPX/BPS, misture o plastificante e o xileno juntos, e em seguida, adicione o poliestireno. Misturar periodicamente até que esteja completamente dissolvido e de viscosidade consistente. Ajustar a viscosidade, se necessário, através da adição de xileno, para tornar mais fino ou por evaporação do xileno para tornar mais espesso. As concentrações de poliestireno e um plastificante variar um pouco em fórmulas dadas por vários autores.


 

Formulações


DPX, segundo Kirkpatrick e Lendrum (1939)


Poliestireno 10 g

Xileno 80 mL

Fosfato de tricresila 15 mL


Distirene-80 MW de peso molecular de 80.000 foi especificado.



BPS, segundo  Kirkpatrick e Lendrum (1941)


Poliestireno 20 g

Xileno 70 mL

Dibutilftalato 10 mL


Distirene-80 MW de peso molecular de 80.000 foi especificado.



BPS, recomendação de Lendrum (1972, 1977)


Poliestireno 24 g

Xileno 80 mL

Dibutilftalato 8 mL


Natural Styron 686E, da Dow Chemical, também conhecido como Polystyrene SA99/W Crystal e Styron 27/66-7, foram recomendados como utilizáveis.


Este autor já produziu formulações de “bálsamo do Canadá sintético” com cacos de poliestireno, como caixas de CD e fitas K7 incolor, assim como placas de Petri descartáveis, bem lavadas e secas, no lugar da resina nova em pellets, especialmente na formulação de de Lendrum. A dissolução não apresenta grande diferença de tempo para ocorrer entre matéria-prima nova e reciclada.


Nos últimos anos, tem crescido a disponibilidade do chamado “poliestireno de alta transparência”, que deve apresentar resultados óticos ainda melhores que as resinas tradicionais, pois rivaliza para certas espessuras com o acrílico.


Pellets de resina de poliestireno, - turkish.alibaba.com



Propriedades


Propriedades físicas típicas destas formulações BPS são:


Viscosidade 80-90 cPas

Índice de Refração 1,52

Densidade (a 25ºC) 1,005 – 1,020g/cm³

Aspecto: Liquido Viscoso Incolor



Acrílico


Especialmente sob os nomes comerciais de Lucite, Plexiglass e Perspex, poli(metacrilato de metila), popularmente conhecido como acrílico, trata-se de um plástico de uso muito amplo, de móveis e objetos de decoração a janelas de aviões e visores de veículos e robôs submarinos. O autor Gray intencionalmente não recomendou metacrilato como meio de montagem, mas um produto comercial deste tipo é comumente usado (Entellan), sendo que outras marcas são Erv Mounth e Eukitt.


Especialmente no caso do Entellan, a formulação destina-se a uso como meio de montagem para sistemas lâmina-lamínula e é especialmente adequado para instrumentos de montagem automatizados comerciais que operam com lamínulas. Sua viscosidade varia entre 500 e 600 mPas. Esta estreita faixa de viscosidade melhora e acelera a aplicação, uma vez que nem a taxa de gotejamento (derrame) nem o volume necessitam de ser repostos após a primeira execução, devido inclusive ao desenho de sua embalagem. Sendo certificado, pode ser usado para fins de diagnóstico clínico.


Para uma substituição de material comprado já formulado, simplesmente dissolva aparas de metacrilato de metilo em tolueno (ou xileno) até se obter a viscosidade desejada. Pode ser espessada pela evaporação do solvente ou tornada mais fina por adição de mais solvente. Deve ser utilizado polimetil metacrilato liso, transparente. Evite produtos coloridos ou opacos, pois estes contêm aditivos que podem interferir com o deslizamento. Citações em literatura técnica de proporções para servir de guia na formulação encontram-se nas faixas de 45% de resina de acrílico para 55% de xileno.


Propriedades


Propriedades físicas típicas destas formulações acrílicas são:


Ponto de ebulição: 137 - 143 °C (1013 hPa)

Densidade: 0.95 g/cm3 (20 °C)

Limite de explosão: 1.1 - 8.0 %(V) (xileno)

Ponto de fulgor: 23 °C

Temperatura de ignição: >250 °C

Pressão de vapor: <8 hPa (20 °C)



Piccolyte


Resinas Piccolyte são resinas de politerpeno e são relacionadas ao limoneno e óleo de cedro as quais são terpenos derivados de cascas de citrinos ou espécies de cedro e utilizados como agentes de clareamento.


Piccolyte 115 - chem.nlm.nih.gov



Resinas de politerpeno, são resinas termoplásticas ou líquidos viscosos a partir da polimerização de terebentina; utilizado em tintas, esmaltes e plastificantes de borracha, e para curarem concreto e impregnar papel.


Formulações


Piccolyte (Wicks, Carruthers e Ritchey)


Piccolyte 60 g

Xileno 40 mL


A resinas Piccolyte WW-85, WW-100, S-85 e S-100 foram recomendados.



Outras resinas


Algumas outras resinas também têm sido recomendados para uso em meios de montagem sintéticos, mas às vezes é difícil ter certeza de que o composto é adequado. Um desses materiais é "resina de cumarona", um polímero de benzofurano. Fora isso, pouca informação é dada no que se refere ao peso molecular, ou seja, a que um polímero de benzofurano e indeno se destina. Numa fórmula específica, a resina sob o nome comercial de Clarité or Nevillite I, sugere uma solução a 60% da resina em xileno (Groat). Acetato de polivinilo também tem sido sugerido. Nenhuma dessas resinas ganharam popularidade como matéria prima para meios de montagem.


Outras marcas existentes atualmente e citadas na literatura a seu tempo estão: Caeday, Depex, Lustrex, Lustron, Styrax, Pleurax, Lurifax, Clarite e Hyrax.


Existem atualmente bastões de resina fundível, que não contém solventes,solúveis em tolueno para remoção, similares as polialfaolefinas amorfas (“colas a quente” em bastão, aplicáveis com “pistolas” de aquecimento elétrico), mas com qualidades ópticas quando frias compatíveis com a aplicação em microscopia.


MELTMOUNT™ QUICK-STICK™, um tipo de meio de meio de montagem aplicável a quente. - proscitech.com



Apresentam fusão, por exemplo a 65°C, sendo aplicadas sobre a lâmina aquecida, por exemplo, por meio de uma chapa de aquecimento elétrica de temperatura adequada. Apresentam, também, índices de refração e certas características adequadas a determinadas aplicações, e substituem respectivamente determinados meios de montagem.


Publicações técnicas tem apresentado o uso de vernizes sintéticos, como do tipo “vitral”, para montagens de artrópode, como insetos, em microscopia ótica destes espécimes.


Para certas aplicações, como selante de certas montagens, o esmalte de unhas incolor (“verniz”) tem sido aplicado com sucesso (segundo Dioni).


Índices de refração


Índices de refração das diversas resinas usadas como meio de montagem (segundo “Mange & Maurer” e “Ravikumar, Surekha e Thavarajah):

Bálsamo do Canadá 1,538

Cover bond 1,53

DPX (DePeX - Distrene 80) 1,52

Entellan 1,49 a 1,500

Eukitt 1,54

Histoclad 1,54

Histomount   1,49 a 1,50

Lakeside 1,54

Meio de montagem neutro de Gurr 1,51

Permount 1,526

Permout 1,567

Pro-texx 1,495

Technicon Resin 1,62

Uv-inert 1,517

XAM 1,52



Meios de montagem especiais


Meios de montagem à base de água, definidos como géis para fluorescências (“fluoro gel”), formulados a partir do agente antidesbotamento 1, 4-diazobiciclo-(2,2,2)-octano (DABCO™) são adequados para preservar a fluorescência de esfregaços de tecidos e células. Esta fórmula única impede o foto-branqueamento (ou fotodecomosição, fotodecaimento, a ação de radiação, especialmente ultravioleta) rápido de corantes fluorescentes FITC, vermelho Texas, AMCA, Alexa fluoro 488, Alexa fluoro 594, corantes Cy, e tetrametil rodamina e Redox. A fluorescência é mantida durante o armazenamento prolongado a 4 ° C em ambiente escuro.



Referências


Cargille Mounting Media - Cargille MeltmountTM for Microscopy and Optical Coupling - www.cargille.com


Culling, C.F.A., Alison, R.T. and Barr, W.T. (1985); Cellular Pathology Technique, 4th ed. pp. 150. Philadelphia, Pennsylvania, USA.


Dioni W. About microscopy and chemistry of nail polish. Micscape Magazine, Microscopy UK front page Article library August 2002 Edition; 2002.


Drury, R.A.B. and Wallington, E.A., (1980); Carleton's histological technique Ed. 5; Oxford University Press, Oxford, UK.


FLUORO-GEL WITH DABCO™ - proscitech.com


Franziska Huber & Fernanda Helena dos Reis; Técnica Alternativa para Montagem de Insetos em Lâminas Permanentes para Visualização em Microscopia Óptica; EntomoBrasilis ISSN 1983-0572 - Publicação do Projeto Entomologistas do Brasil


GILL, G. & PLOWDEN, K.- Laboratory Cytopathology: Techniques for Specimen Preparation. Baltimore, Md, Johns Hopkins University Press, 1984.


Gray, Peter. (1954); The Microtomist's Formulary and Guide. pp. 640-641.; Originally published by:– The Blakiston Co.; Republished by:– Robert E. Krieger Publishing Co.


Groat (1939); Anatomical record v. 74, pp. 1.; Butterworths, London, UK.


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Geneva, NY, USA


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Lendrum, A.C., Slidders, W. and Fraser, D.S., (1972); Renal hyalin: A study of amyloidosis and diabetic fibrinous vasculosis with new staining methods; Journal of Clinical Pathology, v. 25, pp. 373-396. UK.


M.A. Mange, H. Maurer; Heavy Minerals in Colour; Springer Science & Business Media, 2012. - books.google.com.br


Marcel Locquin, Maurice Langeron; Handbook of Microscopy; Butterworth-Heinemann, 2013. - books.google.com.br


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Shamala Ravikumar, R Surekha, Rooban Thavarajah; Mounting media: An overview; REVIEW ARTICLE; Journal of Dr. NTR University of Health Sciences, 2014, Volume 3, Issue 5, Page 1-8. - www.jdrntruhs.org


Wicks, L.F., Carruthers, C and Ritchey, M.G., (1946); The Piccolyte Resins as Microscopic Mounting Media; Stain Technology. v. 21, pp. 121-126. Geneva, NY, USA



Publicações técnicas


BALSAMO DO CANADA (SINTETICO) - www.metaquimica.com


CHEMICALS mountants  - www.taab.co.uk (Informações de Segurança) - Nos nossos arquivos: Chemicals mountants - drive.google.com


DPX Mountant for histology - www.sigmaaldrich.com


DPX Mountants - www.emsdiasum.com


Entellan® Novo - www.merckmillipore.com

Piccolyte® S115 - Polyterpene Resin - www.connellbros.com.cn


Synthetic Resin Mountants - stainsfile.info


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