Porque o Design Inteligente é um Criacionismo

Uma demonstração lógica simples.


Neste artigo apresentamos uma demonstração em poucos passos de porque as afirmações do chamado Design Inteligente é um Criacionismo apenas com nuances menos bíblicas e não fixistas nas espécies.


O que é o Design Inteligente

 
O chamado Design Inteligente é uma relativamente nova corrente entre determinados teístas com conceituação de uma divindade interferente nos processos biológicos.[1]
 
Em outras palavras, é um conjunto de afirmações de que determinadas estruturas bioquímicas são tão complexas, e integradas em suas partes*, que seriam impossíveis de existir sem a ação integradora de um designer, necessariamente sobrenatural, que também necessariamente tem de projetar e construir tais estruturas nos seres vivos, com os exemplos mais destacados do flagelo bacteriano** e do olho dos seres vivos***.[2][3]
 
Tal conjunto de afirmações, a despeito de seu conteúdo e solidez, busca responder de maneira contrária às afirmações da teoria da evolução das espécies já em questões levantadas por Darwin:
 
Se pudesse ser demonstrada a existência de qualquer órgão complexo que não pudesse em absoluto ter sido formado por modificações numerosas, sucessivas e ligeiras, minha teoria cairia por completo. Mas que tipo de sistema biológico poderia ter não sido formado por modificações numerosas, sucessivas e ligeiras?[6] 




Refutações

 
Neste artigo, nem vamos nos dedicar a citar as extensas refutações aos inúmeros argumentos dos defensores de tais proposições, desde uma abordagem pela não necessidade de sistemas plenamente integrados e funcionais, como em Orr[7][8], Pigluiucci[9] (ver nosso artigo sobre o tema) e Pennock[10], e em numerosos artigos (de divulgação) de Kenneth Chang[11], Laurie Goodstein (em que destaca que os promonentes do Design Inteligente NÃO opõe-se totalmente às afirmações da teoria da evolução)[12] e as questões legais no ensino de Biologia nos EUA[13][14],  assim como da obviedade que o olho não se apresenta entre os seres vivos de forma “completa” (como se isso existisse em biologia) entre os diversos filos dos seres vivos, como vemos nós, em relação aos nossos, olhos dos moluscos.
 

As Bases

 
As bases da argumentação do design inteligente estão no chamado argumento do relojoeiro de Paley, de William Pailey, teólogo britânico, lançado em 1831[1] e diversas argumentações teleológicas ao longo da história da chamada Filosofia Natural, antes do nascimento da moderna ciência. Determinadas afirmações de mesmo cunho, quanto as polimerizações das moléculas da bioquímica, foram mais tarde feitas pelo físico Hoyle, e hoje até tratadas como uma falácia específica sobre o tema.
 
Outras questões e abordagens filosóficas sobre o design inteligente, como Hume e a questão teleológica e as afirmações teleológicas sob a moderna Filosofia da Ciência foram já tratados em nosso artigo Falácia da Poça D’Água.
 

A Demonstração

 
Aqui nos dedicaremos a apresentar em passos simples que o dito Design Inteligente, é na verdade, uma forma de Criacionismo sutil, e até oculta, mas ainda sim um Criacionismo.
 
  1. Existem estruturas na natureza que não podem se originar e processos evolutivos ou bioquímicos naturais, pois sua complexidade ou integração entre as partes não o permite.
  2. Logo, existe uma entidade, digamos uma civilização extraterrestre que atuou em momentos da história da vida propiciando a existência de tais estruturas. 
  3. Esta civilização, sendo fruto de um processo evolutivo completamente natural, de todas as suas estruturas, por si permite o processo evolutivo completamente natural.
  4. Se esta civilização também é fruto em alguma de suas estruturas, de um design inteligente superior, e o tem de ser, pelos mesmo argumentos de (1.), poderia ser fruto do design inteligente de uma civilização ainda superior.
  5. Repetindo-se os passos 3 e 4, chegamos a conclusão ou que existe o processo evolutivo em algum lugar do universo, e  partir daí propagando a “construção da vida” pelo restante do universo, ou caímos numa sequência infinita de civilizações, o que se mostra absurdo. Logo, necessariamente, caímos numa “causa primeira”, aos moldes de Aquino e Aristóteles, a qual origina as estruturas vivas que consequentemente produzirão outras, seja em qual nível for de design entre as civilizações acima apresentadas.
 
Pelo demonstrado, pelo design inteligente, o processo evolutivo ocorre, mas necessariamente possui uma divindade sobrenatural que o coordena, logo, o universo, a natureza, é incapaz de produzir suas estruturas vivas. Logo, em algum momento da história do universo, uma entidade, e vimos que tem de ser uma divindade, logo num ato de criação, e dentro da sutil argumentação dos defensores do design inteligente, preferencialmente a divindade judaico-cristã.[1]
 
Um vídeo, bastante didático e divertido, com esta mesma argumentação:
 
 

Notas

 
*Neste ponto, devemos destacar a conceituação do autor destacado em Design Inteligente Behe, do que seja complexidade irredutível[2], a afirmação que há estruturas biológicas que não poderiam ter evoluído de um estado mais simples, mesmo a própria célula, unidade fundamental dos seres vivos, que é composta de centenas de máquinas moleculares complexas (como se não existisse inúmeras graduações de complexidade entre as células na natureza, desde as mais simples bactérias até os complexos protozoários). Afirma-se que sem tais estruturas, a célula não funcionaria (como se entre as células, não tivessemos, por exemplo, células sem membrana nuclear como as bactérias ou semmitocôndrias, como também as bactérias), daí, num salto lógico afirma-se que a célula é irredutivelmente complexa, ou seja, que não pode ter evoluído de um estado mais simples, porque não funcionaria nesta onfiguraçao mais simples, e a seleção natural só poderia optar por características que já estivessem em funcionamento.
 
**Sendo que deve-se observar que até o mecanismo do “flagelo” se encontra sem diversas partes em várias bactérias, como na causadora da peste bubônica (Yersinia pestis), sendo que o flagelo dessa bactéria não “roda”, portanto não é usado como motor.[4]
 
***Este ponto tratamos pelo ponto de vista da construção das estruturas no artigo Olho e A Redutibilidade de Sua Complexidade. As questões bioquímicas da visão, já presentes mesmo nos seres unicelulares, e presentes evidentemente em cada célula responsável pela visão neste artigo, são tratadas por autores até no aspecto do número de gerações necessárias para sua evolução.[5] 
 

Referências

Obs: Ao ser realizada a transferência dos artigos do Google Knol para o Anottum, houve a perda das referências deste artigo. Assim que possível, sua referenciação será recuperada e aprimorada. Contando com sua compreensão, grato.

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