O argumento do relojoeiro de Paley

Uma análise do famoso argumento teísta e criacionista

Neste artigo, trataremos em mais detalhes do argumento de Paley, suas críticas e reuniremos casos em que a Biologia mostra o quanto suas premissas são falsas se aplicadas a argumentação por design inteligente na natureza.

Introdução

 
O argumento do relojoeiro de Paley, também chamado de argumento do desígnio, é um conhecido argumento teísta, criacionista e citado pelos defensores do chamado Design Inteligente, de natureza teleológica (de que os organismos vivos e suas estruturas possuem um fim em si, planejado e determinado por uma inteligência ou desígnio superior aos fenômenos naturais e que tal conjunto de características expresso em ações é evidente). Primeiramente desenvolvido por seu autor como um argumento em prol de uma divindade aos moldes judaico-cristão-islâmicos (e por um deus cristão em sua origem mais exata), posteriormente passou a ser um argumento frequente em determinadas correntes religiosas e pseudocientíficas.

                                                                                       (www.dkimages.com

O autor



“O mundo me intriga. Não posso imaginar que este relógio exista e não haja relojoeiro.”
                                                                                                           William Paley
 

O teólogo inglês nasceu em Peterborough (59 Km a noroeste de Northampton) em julho de 1743 e faleceu em 25 de maio de 1805 em Lincoln.[1]

Para uma biografia bastante completa, recomendamos a Wikipédia em inglês.

 

O argumento




Capa da edição Oxford
 
Seu texto:
 
In crossing a heath, suppose I pitched my foot against a stone, and were asked how the stone came to be there; I might possibly answer, that, for anything I knew to the contrary, it had lain there forever: nor would it perhaps be very easy to show the absurdity of this answer. But suppose I had found a watch upon the ground, and it should be inquired how the watch happened to be in that place; I should hardly think of the answer I had before given, that for anything I knew, the watch might have always been there. (…) There must have existed, at some time, and at some place or other, an artificer or artificers, who formed [the watch] for the purpose which we find it actually to answer; who comprehended its construction, and designed its use. (…) Every indication of contrivance, every manifestation of design, which existed in the watch, exists in the works of nature; with the difference, on the side of nature, of being greater or more, and that in a degree which exceeds all computation.
– William Paley, Natural Theology (1802)[2][3][4]
 
Ou mais exatamente: Natural Theology – or Evidences of the Existence and Attributes of the Deity Collected from the Appearances of Nature (Teologia Natural – ou Evidências da Existência e dos Atributos da Divindade Reunidos a partir dos Fenômenos da Natureza).
 
Uma tradução minha:
 
Ao atravessar uma várzea, suponha que tope com meu pé contra uma pedra, e pergunte-me como a pedra veio parar ali; eu poderia possivelmente responder, que, por qualquer coisa eu soubesse do contrário, que ela haveria de ter estado ali desde sempre: nem seria talvez seria muito fácil mostrar um absurdo nesta resposta. Mas suponha que tivesse achado um relógio no chão, e fosse inquerir como o relógio foi aparecer naquele lugar; eu pensaria que dificilmente seria pela resposta dada antes, que para qualquer coisa que eu saiba, o relógio poderia ter estado sempre ali. (…) Deve ter existido, em algum momento, e em algum lugar outro, um artífice ou artífices, os quais produziu(ram) [o relógio] para o propósito o qual nós encontramos atualmente para responder; quem compreendeu sua construção, e projetou seu uso. (…) Cada indicação de engenho na invenção, cada manifestação de projeto, as quais existem no relógio, existe nos trabalhos da natureza; com a diferença, para o lado da natureza, de ser maior e mais , num grau que excede a todas as estimativas.
 

Histórico e determinadas questões

 
A “analogia do relojoeiro” já encontra raízes no tempo de Cícero, e aplicava-se a todo o universo, ou à natureza como um todo. Voltaire e Descartes utilizaram-se desta analogia.[21]
 
“Assombra-me o universo e eu crer procuro em vão, que haja um relógio e um relojoeiro não.”
                                                                                                                                    VOLTAIRE
 
É de se destacar que o argumento de Paley foi retomado por Richard Owen (1804 – 1892), que não só afirmava que a divindade cristã criara a vida, mas que seu projeto refletia abenevolência divina. Owen queria inclusive descobrir os mecanismos naturais da criação. Satisfez-se por fim com uma idéia da Biologia de então que determinados arquétipos básicos[5] (os criacionistas de determinadas correntes retomam a idéia na conceituação debaramins[6], formas básicas a partir das quais, por exemplo, desenvolveram-se todos os felinos, mas jamais os cães, ou as focas, ou qualquer carnívoro). Tais arquétipos que constituem todos os indivíduos uniriam as espécies através de certos modelos eternos. Tais arquétipos seriam um design (um projeto) na e da mente da divindade, através das quais resultariam formas mais elaboradas e variadas. É de se observar que esta afirmação já inclui uma conceituação evolucionista para as formas de vida e simultaneamente, resolve muitos problemas com a descrição do mito do dilúvio universal bíblico, pois já se havia há muito percebido que as formas de vida do planeta não caberiam numa arca tal como a descrita no texto bíblico.
 

Críticas ao argumento

 
No artigo Falácia de Hoyle já fizemos algumas críticas ao argumento de Paley, especialmente o poderoso argumento do desígnio, de Hume, que a princípio, o teria refutado ou seriamente abalado como sólido e concludente, desde sua publicação na sua obra Diálogos sobre a religião natural, escritos entre 1750 e 1755, mas apenas publicados em 1779, postumamente. A insistência posterior de pensadores, e em destaque determinados naturalistas e teólogos, como Paley, do século XIX, fazendo com que diversas argumentações teleológicas florescessem neste período, só pode ser explicada pela influência de uma visão de mundo, mesmo de cientistas, romântica e de contemplação, apesar de serem tais homens os primeiros a reconhecer uma argumentação conclusiva.[7]
 
Aqui, acrescentaremos pormenores de outros argumentos:
 

A LIMITAÇÃO DA INFORMAÇÃO DISPONÍVEL



Um objeto transporta uma quantidade de informação muito limitada dele mesmo. Se nós somos perceptivos, nós podemos poder deduzir uma determinada quantidade de uma quantidade da informação própria de um objeto. A continuar com o argumento da analogia do relógio de Paley; quando o Dr. Watson* pede para Sherlock Holmes* para examinar um relógio, Holmes é hábil em deduzir que o relógio foi feito para Watson por seu pai, de que passou ao irmão mais velho de Watson, que seria de hábitos desajeitados, sendo um alcoólatra que teve períodos alternados de pobreza e de prosperidade, e que teria morrido. Estas, entretanto, são as marcas que estão deixadas no objeto depois que sua manufatura, e não referem-se ao fabricante do objeto**.[8]
 
Notas:
 
* Personagens da imortal obra de Arthur Conan Doyle, que era um fascinado por lógica aplicada, a ponto de tentar uma vaga com suporte nesta área para a Royal Society.
 
**Aqui devemos observar que similarmente cientistas dos mais variados campos científicos não fazem afirmação sobre a origem mais íntima e profunda dos objetos de seus campos. Assim, os Biólogos tratam na Teoria da Evolução apenas das modificações dos seres vivos a partir de ancestrais ou mesmo de um primeiro organismo; Bioquímicos procuram desenvolver teorizações sobre a origem das primeiras moléculas da vida e como se agruparam neste primeiro, ou primeiros organismos mais simples; Químicos apenas fundamentam suas afirmações sobre as modificações das substâncias, incluindo as minerais em moléculas que possam ser da Bioquímica mais primitiva; Geólogos não tratam de como a matéria que se formou a Terra originou-se em estrelas de geração anterior ao Sol, que é tema para os Astrofísicos; mesmo Físicos e Cosmólogos apenas tratam da matéria e mesmo do universo em sua composição e evolução no tempo, a partir de um instante tratado como inicial, não de uma origem a partir do “nada”, ou como o grande cosmólogo brasileiro Mário Novello afirma, na forma de um “mito de criação científico”[9], numa distorção do que sejam as afirmações sobre o Big Bang.
 
Existem teorizações de interface entre estes diversos campos científicos, mas mantem-se o tratamento a tais objetos dentro de modelos científicos confiáveis e limitados, e apenas com conclusões coerentes sobre premissas que sejam até o momento as mais sólidas.
 

CONSEQUÊNCIAS DE UMA ANALOGIA INADEQUADA



Qual informação pode ser captada de um relógio propriamente dito (e não a analogia de Paley)? Tome-se, por exemplo, um relógio de pulso. O relógio é da marca, por exemplo, Omega, de onde sua fabricação é suiça (se legítimo). O cristal é feito de safira, mas é claro, e não marcado com as características cristalográficas da gema natural, então é provavelmente sintético. As horas são marcadas por marcações finas, e os minutos, por marcações planas. Existe um calendário, o qual deve ser ajustado manualmente quando o mês é mais curto que 31 dias. A pulseira é preta e a caixa dourada. As costas do mecanismo tem a gravação de uma cidade, com as palavras “DeVille” e “Quartz” gravadas sobre ela. A parte traseira da caixa é presa por quatro parafusos que possuem aproximadamente um ou dois milímetros de diâmetro.

Eu sei que o relógio presumivelmente foi feito na Suiça. Que o mecanismo é a quartzo, e entretanto, requer uma bateria. Que os parafusos foram colocados por alguém que pode ter usado uma lupa de joalheiro e que possuia um grau de destreza suficiente para ser hábil de trabalhar com pequenos objetos. Eu não posso, entretanto, afirmar que o joalheioro que montou o relógio foi o seu designer, assim como nem posso afirmar que as peças individuais foram feitas pelo mesmo joalheiro, ou mesmo pelo mesmo fabricante. Devido ao mecanismo a quartzo ser uma peça de eletrônica epode ter sido feito por uma companhia diferente especializada em eletrônica. Ele pode ter sido fabricado, por exemplo, pela Siemens, ou pela Nippon Electric Corporation, e fornecido à Omega. Eu não posso afirmar que a gravação nas costas do relógio tenha sido estampada por uma máquina, ou gravada nas costas do relógio pelo jopalheiro que fechou-a com parafusos, nem posso afirmar que foi gravada individualmente após a caixa ter sido feita. As partes individuais podem ter sido feitas por diferentes pessoas, e então montadas por um relojoeiro final (aliás, assim, exatamente os relógios e muitas máquinas complexas são geralmente feitos).[8]

Observação: Aqui devemos destacar que da mesma maneira que a análise partiu da fabricação de um relógio da marca Omega, esta análise não poderia ser aplicada com as mesmas conclusões (ou seja, o leque de conclusões possíveis se amplicaria) caso estivessemos tratando de também um relógio Rolex, ou Tissot, etc. Assim, a existência de um ser vivo de determinado designer não implicaria em outros serem de projeto do mesmo, e assim, indefinidamente por todos os seres vivos.
 
Poderia, em qualquer objeto real, haver uma separação do designer e o artesão. Tal questão,aplicada à religião levaria a uma variação do gnosticismo em que uma entidade projetou o mundo, e outra, subordinada ao primeira, realmente o fez. Poderia poderia haver uma multiplicidade de designers e fabricantes. O relógio pode ter um designer para o movimento de quartzo, e um designer que integra o movimento em todo o mecanismo de engrenagens e outras coisas que compõem o relógio. Isso levaria ao politeísmo em que uma entidade é responsável pela criação de uma parte do mundo, e outra, ou várias outras, responsáveis pela concepção e criação de outras. Também não é necessário que o criador do mecanismo global esteja presente. Ele podia estar morto (e tal poderia ser inclusive relacionado à uma hipotética civilização que desenvolveu todos os seres vivos da Terra, ou seu ser vivo inicial), e outros poderiam estar seguindo suas instruções, sob a forma de esquemas ou diagramas.Nada disso leva a uma conclusão por uma unicidade do projetista original do relógio.
 

COMPARANDO RACIOCÍNIOS

 

Francis Collins, geneticista estadunidense[10], faz uma analogia similar, um argumento em paralelo, e mostra que tal conclusão lógica por um designer pode ser precipitada[11]:

    1. Um relógio de pulso é complexo.
    2. Um relógio de pulso teve um planejador inteligente.
    3. A vida é complexa.
    4. Portanto, a vida também teve um planejador inteligente.

    Cita que no entanto, o fato de dois objetos partilharem uma característica (no caso, complexidade) não significa que compartilhem todas. Apresenta para demonstrar tal, o argumento paralelo a seguir:

    1. A corrente elétrica na minha casa é formada por um fluxo de elétrons.
    2. A corrente elétrica vem da empresa de energia elétrica.
    3. Relâmpagos são formados por um fluxo de elétrons.
    4. Portanto, os relâmpagos vêm da empresa de energia elétrica.

 

CONCLUSÃO APRESSADA POR UMA DIVINDADE ÚNICA PELA SIMILARIDADE DOS SERES VIVOS

 
Paley apresenta a unidade de Deus a partir da similaridade de “todos os grandes animais terrestres”, ele convenientemente ignora duas coisas: as muitas diferenças entre as várias espécies (ou alguém em sã consciência compararia superficialmente as similaridades de uma girafa com um corcodilo do Nilo?), e a preponderância numérica de espécies não-mamíferas (existem muitos répteis de algum porte, assim como muitas aves, e tais não podem ser comparados novamente, de maneira superficial, com os diversos mamíferos). Ele também, muito convenientemente, ignora o domínio geográfico do ambiente marinho. As diferenças, aceitando o raciocínio de Paley, poderia ser facilmente explicado por postular uma criação politeísta em que uma entidade criaria mamíferos, outra os miríades de insetos, outra a vida marinha, e assim por diante. A criação, mesmo que ocorrente, em outras palavras, não pode ser usada para provar a unicidade de uma divindade.
 
 

A “BONDADE” COMO ARGUMENTO PELO TELEOLÓGICO

 
Quando Paley afirma a bondade da divindade em função da natureza benéfica da distribuição das formas de vida em espécies, ele tem uma coisa que existe, atribui um valor, e então projeta o valor de volta para o criador do objeto. Este primeiro raciocínio assume que as modalidades da natureza são benéficas, mas isso não é necessariamente o caso. O parto, nas fêmeas humanas, por exemplo, seria mais fácil se o arranjo da pelve e do canal de parto foram diferentes, dentre uma das inúmeras argumentações contra o Design Inteligente do humano.Também não é o limitado grau de rotação do ombro benéfica, ou a disposição das articulações e tendões. O calcâneo, ou calcanhar, por exemplo, podem ser objecto de lágrimas minuto que ao longo do tempo se transformar em um estímulo, ou saliência óssea que causa dor.
 
patela  (antigamente conhecida como rótula), em outro exemplo, se encaixa vagamente sobre o conjunto, onde o fêmur (osso da coxa) e a tíbia (osso da “canela”) se encontram. Ela está presa por ligamentos e tendões que podem puxar pedaços de cartilagem da patela fora.O resultado, chamado de condromalácia, ou “joelho de corredor”, é uma condição dolorosa que pode inibir a flexão do joelho. Paley tomou alguma coisa, a disposição dos órgãos, o desenvolvimento do olho, e atribuiu a ela o valor de “bom”. Uma pessoa que vem do lado oposto do argumento poderia ter o mesmo argumento, as relações inadequadas de pelve e do canal de nascimento, a deficiência do olho, ou a sua tendência para o astigmatismo, a degeneração da mácula, presbiopia, e outras coisas, e percebendo a sua inadequação, dar-lhe o rótulo de “mau”. Paley teve suas percepções e avaliações do mundo existente e atribuiu-lhes à divindade.

 

Uma discussão profunda e detalhada da questão em um quadro muito mais amplo na história dos argumentos teleológicos pode ser vista na Enciclopédia de Filosofia da Universidade Stanford.[12]
 
 

As relações com o Design Inteligente

 
O argumento do relojoeiro de Paley guarda íntima relação, e com adaptações com o chamado argumento da “complexidade irredutível”, como o expresso nas obras de Michael Behe, como Darwin’s Black Box: The Biochemical Challenge to Evolution (A Caixa Preta de Darwin)[13]:
 
    “Com irredutivelmente complexo quero referir-me a um sistema único composto
     por várias partes bem ajustadas, interagindo, que contribuem para a função básica, em
     que a remoção de qualquer uma das partes faz com que o sistema efectivamente
     deixe de funcionar”.
 
Por este raciocínio, se existe uma peça do relógio (ou conjunto de peças) que não pode ter sido, a primeira análise, constituida por um processo natural, consequentemente existe umdesigner desta peça ou conjunto de peças.
 

Casos anômalos da biologia

Ou casos em que o design não se mostra tão inteligente.
 

Coelhos coprófagos



O processo evolutivo levou os coelhos a serem coprófagos.[14] O coelho não digere a celulose dos vegetais, porém essa digestão ocorre no intestino do coelho, numa região denominada ceco. Essa estrutura fica entre o intestino delgado e o grosso e é homóloga ao apêndice humano e tem o fundo cego.[15] O coelho absorve muito pouco do alimento ingerido, uma vez que este é composto de muita celulose, substância que ele não consegue digerir e nem absorver.[16] No ceco existem os microrganismos responsáveis pela digestão desse material celulósico, uma vez que estes produzem a enzima celulase. Além disso vitaminas serão produzidas por bactérias do ceco. Um problema que os coelhos enfrentam é que não há absorção destes nutrientes no intestino grosso (onde passa o alimento totalmente digerido) e sim no delgado (onde ele passa primeiramente parcialmente digerido). O comportamento de comer fezes então surgiu, permitindo que estas fezes digeridas passem pelo intestino delgado novamente que é o local onde ocorrerá absorção dos nutrientes.[17]
 
Se o coelho é fruto de um design, por que ele não tem o sistema digestivo numa operação única onde os alimentos passam na ordem correta? Esta é uma situação embaraçosa para os defensores do design inteligente, visto que a prática da cecotrofagia é uma desvantagem, já que é preciso duas fases para que terminem a digestão. (Colaboração de Cassio Braga)
 

A excreção dos caracóis



Os caracóis defecam sobre a própria “cabeça” (na verdade, a parte de seu corpo que sai da concha), devido a sua concha, no sentido da espiral que o abriga, não possuir saída possível distante de seu “pé”.

O argumento da banana e o irônico argumento do pequi


Os defensores do design inteligente usam a argumentação de que a banana, um alimento tão perfeito ao consumo humano, não só em conteúdo mas também em sua apresentação, disponibilidade, facilidade de colheita e até na remoção de uma casca, tem de ser fruto de umdesign inteligente (como se não o fosse adequada para a imensa maioria dos primatas, em exato acordo com a teoria da evolução) e desprezando que a atual forma da banana é fruto de seu aperfeiçoamento pelo humano, até se chegar na sua atual variedade ótima (e extremamente variável, em mais uma prova do não fixismo das espécies no tempo e da geração de diversidade a partir de uma espécie inicial).[18]


                                                                                Banana selvagem (Wikipedia). 

Aqui relacionamos um vídeo com a argumentação criacionista típica sobre a “perfeição” da banana:
 
 
Em resposta, os evolucionistas brasileiros usam o “argumento do pequi”, exatamente pelo seu excelente sabor mas interior extremamente espinhoso.[19]


                                                            O pequi e seus espinhos (www.centraldocerrado.org.br)

Certa vez, ao enfrentar uma defensora do “argumento da banana”, que afirmava: “It fits in your hand, it fits in your mouth” (ela cabe na nua mão, ela cabe na sua boca), Matt Dillahunty, daAtheist Experience, respondeu: “It fits in your butt. do you think that was the intended purpose?” (Ela cabe em seu traseiro. Você pensa que este era o propósito pretendido?). O argumento é até grosseiro, mas expressa exatamente que a adequação a qualquer medida do corpo humano que nos seja útil permite a mesma argumentação para o que não seja adequado.
 
 
 

Conclusão

 
Concluímos, que sem considerar uma argumentação mais filosófica, uma argumentação dedesign baseada sobre o argumento de Paley não possui evidências na natureza, e a própria teleologia proposta pelo argumento de Paley não se sustenta.
Finalmente, fiquem com um texto que descobri e muito admiro:
 
“Qual o propósito do Universo? Que propósito? O Universo é só um sistema físico. Apenas organismos vivos têm propósitos. Este propósito é existir e a existência tem sentido apenas se for uma jornada sem fim.” Margarete Geller(Lightman & Brawer, 1992)[20]


Referências

Obs: Ao ser realizada a transferência dos artigos do Google Knol para o Anottum, houve a perda das referências deste artigo. Assim que possível, sua referenciação será recuperada e aprimorada. Contando com sua compreensão, grato.

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