Moral Estranha
Moral é a regra da boa conduta e, portanto, da distinção entre o bem e o mal. Funda-se na observação da lei de Deus. Estranho. De o verbo estranhar, achar extraordinário, oposto aos costumes, ao hábito. Achar diferente do que seria natural esperar-se. Fora do comum, desusado, anormal. Misterioso, enigmático.
Muitas palavras, ao longo do tempo, perderam o seu significado original. Há, para esse mister, os estudos da etimologia e da semântica. Sócrates, na Antiguidade dizia que, antes de começarmos uma discussão, deveríamos bem definir os termos a serem utilizados, pois esse procedimento evitaria os costumeiros "ruídos" na comunicação. Em se tratando das palavras de Cristo, há duas ressalvas: 1.ª) os apóstolos escreveram os Evangelhos muito tempo depois da morte de Cristo; 2.ª) os problemas de tradução de uma língua para outra.
O texto evangélico está posto nos seguintes termos: “Se alguém vem a mim, e não odeia seu pai e sua mãe, sua mulher e seus filhos, seus irmãos e suas irmãs, e mesmo sua própria vida, não pode ser meu discípulo. E todo aquele que não carrega sua cruz e não me segue, não pode ser meu discípulo. Assim, todo aquele que dentre vós não renuncia a tudo o que tem, não pode ser meu discípulo”. (Lucas, 14, 25 a 27 e 33) “Aquele que ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim, não é digno de mim; aquele que ama seu filho ou sua filha mais do que a mim não é digno de mim”. (Mateus, 10, 37)
Algumas explicações:
Odiar. Em latim, grego e hebreu, a palavra odiar não significa odiar como entendemos hoje, mas amar menos, não amar tanto quanto, igual a outro.
Deixar pai e mãe não significa abandoná-los, mas ter em mente que a vida futura tem mais importância do que as relações de parentesco.
Renunciar ao pai, à mãe e aos irmãos não é abandoná-los, mas aceitar cada qual tal qual é, sem querer que eles passem a pensar pela nossa cabeça.
“Deixar os mortos enterrar os mortos”. Jesus não recomendou ao aprendiz deixasse “aos cadáveres o cuidado de enterrar os cadáveres”, e sim conferisse “aos mortos o cuidado de enterrar os seus mortos”. Há, em verdade, grande diferença. O cadáver é carne sem vida, enquanto um morto é alguém que se ausenta da vida.
"Não vim trazer a paz, mas a espada". Toda a ideia nova gera oposição. O "novo", quando fundamentado na lógica e na razão, fere interesses pessoais. Isso acontece na Ciência, na Filosofia e, também, na Religião. Por isso a importância da nova ideia é proporcional à resistência encontrada. Pois, se julgada sem consequência, deixá-la-iam passar, mas, como sentem-se ameaçados, fazem de tudo para dificultar a sua propagação.
Nesta reflexão, percebemos que o termo odiar que dizer amar menos e deixar pai e mãe não é lançá-los à própria sorte, mas adquirir condições de aceitá-los tais quais são como gostaríamos que nos aceitassem como somos. (http://sbgespiritismo.blogspot.com/2011/08/estranha-moral.html)
Quem Ama o Pai e a Mãe mais do que a Mim não é Digno de Mim
No Evangelho segundo Mateus (10:37), Jesus afirma que aquele que ama pai, mãe ou filhos mais do que a Ele “não é digno” de segui-Lo. Esse trecho faz parte do capítulo 10, conhecido como o “discurso missionário”, no qual Jesus envia os doze apóstolos para anunciar que o Reino dos Céus está próximo, concedendo-lhes autoridade para curar os enfermos e ensinar a Boa-Nova. Ao mesmo tempo, adverte-os de que enfrentariam perseguições, incompreensões e sofrimentos, recomendando-lhes confiança na Providência Divina.
Pouco antes desse versículo, Jesus declara: “Não penseis que vim trazer paz à Terra; não vim trazer paz, mas espada” e “vim pôr em dissensão o homem contra seu pai, a filha contra sua mãe”. Essas palavras, de forte impacto, não significam desprezo ou rejeição à família. A ideia central do ensinamento é que Deus deve ocupar o primeiro lugar na vida moral e espiritual do discípulo.
Essa proposta aparece também nos Evangelhos de Lucas e de João. Os três evangelistas apresentam a mesma essência: a prioridade do seguimento do Cristo acima dos interesses puramente terrenos. Há, porém, diferenças de linguagem e de ênfase. Mateus adota uma expressão mais equilibrada; Lucas utiliza uma forma mais radical, ao falar em “aborrecer pai e mãe”; já João destaca o desapego da própria vida e dos interesses do mundo.
Em O Evangelho segundo o Espiritismo, a interpretação segue a mesma linha geral: os vínculos espirituais e a fidelidade à lei divina estão acima dos interesses materiais e dos laços exclusivamente terrenos. Contudo, o Espiritismo não ensina o abandono da família, mas a harmonização entre os deveres familiares e o progresso moral do espírito.
Pode-se compreender, portanto, que “deixar pai e mãe” não significa abandoná-los, mas reconhecer que a vida espiritual e futura possui valor mais elevado do que os interesses imediatos da existência material. Da mesma forma, renunciar ao pai, à mãe ou aos irmãos não implica afastamento afetivo, mas a capacidade de aceitá-los como são, sem exigir que pensem da mesma maneira que nós.
Assim, o sentido principal do texto evangélico é que o verdadeiro discipulado exige prioridade espiritual, coragem moral e fidelidade à consciência. Amar a Deus acima de tudo não diminui o amor pela família; ao contrário, orienta esse amor de maneira mais elevada, equilibrada e responsável.
Moral Estranha
1. Introdução
O objetivo deste estudo é refletir sobre algumas frases evangélicas, tais como, “odiar pai e mãe”, “deixar os mortos enterrar os mortos”, que causam estranheza e desconforto aos nossos olhos e ouvidos.
2. Conceito
Moral - Da raiz latina mores = costumes, conduta, comportamento, modo de agir. É o conjunto sistemático de normas que orientam o homem para a realização do seu fim (essência).
A moral é a regra da boa conduta e, portanto, da distinção entre o bem e o mal. Funda-se na observação da lei de Deus. O homem se conduz bem quando faz tudo tendo em vista o bem e para o bem de todos, porque então tende a Deus. (Pergunta 629 de O Livro dos Espíritos)
Estranho. De o verbo estranhar, achar extraordinário, oposto aos costumes, ao hábito. Achar diferente do que seria natural esperar-se. Fora do comum, desusado, anormal. Misterioso, enigmático.
3. O Problema do Significado das Palavras
Etimologia – ciência que investiga as origens próximas e remotas das palavras e sua evolução histórica – e semântica – estudo das mudanças que no espaço e no tempo, experimenta a significação das palavras consideradas como sinais das idéias – são os dois termos que usamos para apreender o real significado de uma palavra.
As contradições nos debates são muitas vezes fruto das diferentes interpretações que a mesma palavra oferece. Nesse sentido, Sócrates, filósofo grego da Antigüidade, orientava-nos para bem definir o termo antes de começarmos a discutir. Adquirindo o hábito de enunciar a terminologia correta, pouparemos o tempo que o grupo gasta na compreensão do seu significado.
Exemplos: 1) a palavra Philosophia, com ph, difere substancialmente da mesma palavra escrita sem o ph. A philosophia dos gregos que, enquanto palavra grega, é um caminho, caminho sobre o qual estamos a caminho. Quer dizer, há sempre uma procura renovada do arche, da ratio, do ti estin. Sem o ph pode significar simplesmente uma maneira de viver. 2) Na época de Sócrates, falava-se do daimon (Espírito protetor); hoje, entendido como demônio.
Com relação à doutrina evangélica, especifiquemos duas dificuldades: 1.ª) os apóstolos escreveram os Evangelhos muito tempo depois da morte de Cristo; 2.ª) os problemas de tradução de uma língua para outra.
Em vista do exposto, convém nos valermos das orientações dadas pelos Espíritos benfeitores, a fim de lançarmos um pouco de luz nas trevas de nossa ignorância.
4. Odiar Pai e Mãe
4.1. O Texto Evangélico
“Se alguém vem a mim, e não odeia seu pai e sua mãe, sua mulher e seus filhos, seus irmãos e suas irmãs, e mesmo sua própria vida, não pode ser meu discípulo. E todo aquele que não carrega sua cruz e não me segue, não pode ser meu discípulo. Assim, todo aquele que dentre vós não renuncia a tudo o que tem, não pode ser meu discípulo”. (Lucas, 14, 25 a 27 e 33)
“Aquele que ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim, não é digno de mim; aquele que ama seu filho ou sua filha mais do que a mim não é digno de mim”. (Mateus, 10, 37)
4.2. O Significado da Palavra Odiar
Non odit em latim, kai ou misei em grego, não quer dizer odiar mas amar menos. O que exprime o verbo grego misein, o verbo hebreu, do qual deve ter se servido Jesus, o diz ainda melhor; não significa somente odiar, mas amar menos, não amar tanto quanto, igual a um outro. No dialeto siríaco, do qual se diz que Jesus usava mais freqüentemente, essa significação é ainda mais acentuada. A palavra odiar se refere, portanto, ao sentido de ódio como o entendemos na atualidade. E mesmo que quiséssemos traduzir por odiar, iríamos de encontro ao caráter e a personalidade de Jesus. De duas uma: ou a palavra foi escrita de forma indevida, ou a tradução não pode captar o seu verdadeiro significado. De qualquer forma, tomá-la como amar menos faz mais sentido e dá uma conotação mais racional ao nosso modo de pensar.
4.3. Deixar Pai e Mãe
Quando Jesus nos chama para o seu apostolado e pede-nos para deixarmos pai e mãe, isso não significa que devemos abandoná-los ao sabor da sorte, o que implicaria em falta de caridade, virtude constantemente pregada por Ele mesmo. O que se depreende daí é que devemos nos preocupar com a vida futura, a vida religiosa. Esta tem para nós mais importância do que os nossos parentes e amigos. Quantas não são as pessoas que não podem freqüentar uma religião porque um dos seus familiares não o permite? Quantas pessoas não vão às escondidas ao um Centro Espírita? E por que não proclamam abertamente a sua religião? Simplesmente para não perturbar o ambiente doméstico.
O Espírito Emmanuel nos alerta: “renunciar por amor ao Cristo é perder as esperanças da Terra, conquistando as do Céu”. Ele nos diz: “Se os pais são incompreensíveis, se a companheira é ingrata, se os irmãos parecem cruéis, é preciso renunciar à alegria de tê-los melhores ou perfeitos, a fim de trabalhar no aperfeiçoamento com Jesus. Acaso, não encontras compreensão no lar? Os amigos e irmão são indiferentes e rudes? Permanece ao lado deles, mesmo assim, esperando para mais tarde o júbilo de encontrar os que se afinam perfeitamente contigo”. (Xavier, 1973, cap. 154)
5. Deixar os Mortos Enterrar os Mortos
5.1. O Texto Evangélico
“Ele disse a um outro: Segui-me; e ele lhe respondeu: Senhor, permiti-me ir antes enterrar meu pai. Jesus lhe respondeu: Deixai aos mortos o cuidado de enterrar seus mortos, mas por vós ide anunciar o reino de Deus”. (Lucas, 9, 59 e 60)
5.2. O Significado de Deixar os Mortos Enterrar os Mortos
Nas circunstâncias em que foram ditas, essas palavras não exprimem uma censura àquele que considera um dever de piedade filial ir enterrar o seu pai; elas encerram um sentido mais profundo, um sentido espiritual.
“A vida espiritual, com efeito, é a verdadeira vida; é a vida normal do Espírito; sua existência terrestre não é senão transitória e passageira; é uma espécie de morte comparada ao esplendor e à atividade da vida espiritual. O corpo não é senão uma veste grosseira que reveste momentaneamente o Espírito, verdadeira cadeia que o prende à gleba da Terra, e da qual se sente feliz de estar livre. O respeito que se tem pelos mortos não se prende à matéria, mas, pela lembrança, ao Espírito ausente; é análogo àquele que se tem pelos objetos que lhe pertenceram, que tocou, e que aqueles que o amam guardam como relíquias”. (Kardec, 1984, p. 277)
5.3. Acorda e Ajuda
O Espírito Emmanuel, comentando o texto evangélico, diz-nos que Jesus não recomendou ao aprendiz deixasse “aos cadáveres o cuidado de enterrar os cadáveres”, e sim conferisse “aos mortos o cuidado de enterrar os seus mortos”. Há, em verdade, grande diferença. O cadáver é carne sem vida, enquanto um morto é alguém que se ausenta da vida. Nesta lição ele fala dos trânsfugas da evolução, dos que mergulham em sepulcros de ouro, de vício, de amargura e de ilusão, os verdadeiros mortos para os atributos da evolução espiritual. Conclui dizendo: “se encontrares algum cadáver, dá-lhe a bênção da sepultura, na relação das tuas obras de caridade, mas, em se tratando da jornada espiritual, deixa sempre “aos mortos o cuidado de enterrar os seus mortos””. (Xavier, s.d.p., cap. 143)
6. Não Vim Trazer a Paz, mas a Divisão
6.1. O Texto Evangélico
A paz e a espada representam um ensinamento transmitido por Jesus. Mateus, no cap. X, vv. 34 a 36, narra essa passagem evangélica nos seguintes termos: "Não penseis que eu vim trazer paz sobre a Terra; eu não vim trazer a paz, mas a espada; porque eu vim separar o homem de seu pai, a filha de sua mãe e a nora de sua sogra; e o homem terá por inimigos os de sua casa". Lucas, no cap. XII, vv. 49 a 53, trata do mesmo assunto, acrescentando que Jesus viera lançar fogo sobre a Terra e tinha pressa que ele se acendesse.
6.2. O Significado de Paz e Espada
Paz - do lat. pax, pacis - é a tranqüilidade da ordem. É a aspiração fundamental de cada homem e de toda a humanidade, a ponto de seu conceito quase ser confundido com o de felicidade. Espada - do gr. spáthe, pelo lat. spatha - é a arma branca, formada de uma lâmina comprida e pontiaguda, de um ou dois gumes. Símbolo do Estado Militar e de sua virtude. Relacionada com a balança, significa justiça: separa o bem do mal, julga o culpado.
6.3. A Interpretação Simbólica da Paz e da Espada
O ensinamento da paz e da espada, como tantos outros ensinamentos trazidos por Jesus, possui conteúdo alegórico. A interpretação do referido trecho varia de seita para seita. A espada do Cristo, que era de fraternidade, passa a ser instrumento de violência e opressão nas mãos dos propagadores de determinadas seitas. Os próprios cristãos, de perseguidos, passam a ser perseguidores. Não é, pois, de se estranhar que as guerras religiosas destruíram mais do que as guerras políticas.
Toda a idéia nova gera oposição. Eis a correta interpretação dessa passagem evangélica. O "novo", quando fundamentado na lógica e na razão, fere interesses pessoais. Isso acontece na Ciência, na Filosofia e, também, na Religião. Por isso a importância da nova idéia é proporcional à resistência encontrada. Pois, se julgada sem conseqüência, deixá-la-iam passar, mas, como sentem-se ameaçados, fazem de tudo para dificultar a sua propagação.
O Espiritismo, à semelhança do Socratismo e do Cristianismo, traz um novo paradigma para a humanidade, e pode ser interpretado como uma nova espada. Não será aceita sem lutas, controvérsias e oposições. Sua pujança não está nas disputas sangrentas, mas na modificação interior que proporciona a cada um de seus adeptos. A questão da espada será muito mais uma guerra de cada um contra si mesmo e contra todo o mal, fazendo com que possamos ser "promotores da paz".
7. Conclusão
Nesta reflexão percebemos que o termo odiar quer dizer amar menos e deixar pai e mãe não é lançá-los à própria sorte, mas adquirir condições de aceitá-los tais quais são como gostaríamos que nos aceitassem como somos.
8. Bibliografia Consultada
KARDEC, A. O Evangelho Segundo o Espiritismo. 39. ed. São Paulo: IDE, 1984.
KARDEC, A. O Livro dos Espíritos. 8. ed. São Paulo: Feesp, 1995.
XAVIER, F. C. Fonte Viva, pelo Espírito Emmanuel. Rio de Janeiro: FEB, [s.d.p.]
XAVIER, F. C. Caminho, Verdade e Vida, pelo Espírito Emmanuel. 6. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1973.
São Paulo, 12/05/2004.
(https://sites.google.com/view/palestraespirita/estranha-moral?authuser=0)
Consciência (Moral)
Ao longo do tempo, porém, a lei escrita teve mais peso do que a lei moral. Os fariseus, por exemplo, quiseram aplicar a lei de forma objetiva e calculada. Jesus Cristo, ao contrário, procurou combater a moral exterior. Em Lucas 11, 33 a 35, ele diz: “E ninguém, acendendo uma candeia, a põe em oculto, nem debaixo do alqueire, mas no velador, para que os que entram vejam a luz. A candeia do corpo é o olho. Sendo, pois, o teu olho simples, também todo o teu corpo será luminoso; mas, se for mau, também o teu corpo será tenebroso. Vê, pois, que a luz que em ti há não sejam trevas”. (http://sbgespiritismo.blogspot.com/2012/03/consciencia-moral.html)
Faculdades Morais e Intelectuais
Faculdade é uma potência inata da alma. Exemplo: a potência de sentir (a sensibilidade); a potência de pensar (inteligência). Moral é o conjunto das obrigações ou das proibições que a impomos a nós mesmos; concerne ao bem-estar de outras pessoas e nossa responsabilidade para com elas. Intelectual. Que pertence à inteligência, que está na inteligência. Inteligência. Faculdade que tem o espírito de resolver um problema, de compreender o complexo, o novo. (http://sbgespiritismo.blogspot.com/2019/05/faculdades-morais-e-intelectuais.html)
Ética e Moral
Ética — do grego ethos significa comportamento; Moral — do latim mores, costumes. Embora utilizamos os dois termos para expressarmos as noções do bem e do mal, convém fazermos uma distinção: a Moral é normativa, enquanto a Ética é especulativa. A Moral, referindo-se aos costumes dos povos nas diversas épocas, é mais abrangente; a Ética, procurando o nexo entre os meios e os fins dos referidos costumes, é mais específica. Pode-se dizer, que a Ética é a ciência da Moral. (http://sbgfilosofia.blogspot.com/2008/06/etica-e-moral.html)
Moral
A moral não tem necessidade de um porvir. O presente lhe basta. Por quê? O valor de uma ação não depende de seus efeitos esperados, mas simplesmente da regra à qual se submete. Se nos fosse anunciado o fim do mundo, em nada abalaria a nossa moral, pois para ela tanto faz estar neste mundo como em outros. (http://sbgfilosofia.blogspot.com/2011/10/moral.html)
Moral. Concernente ao bem-estar de outras pessoas e nossa responsabilidade para com elas. Problemas e preceitos morais referem-se a ações que podem ser maléficas ou benéficas para outrem. (1)
Moralidade. Sistema de preceitos morais. Sin. morais, código moral. Para ser viável, um código moral deve ser coercitivo (negativo) em alguns aspectos e permissivo (ou positivo) em outros. Isto é, deve equilibrar ônus e recompensas. Tipicamente, as moralidades religiosas pospõem recompensas e punições à vida após a morte, ao passo que as moralidades humanistas as procuram ou as encaram em vida. Em todo grupo social há um código moral dominante - muito embora ele seja algumas vezes transgredido por certos indivíduos. A ética pode ser definida como o estudo de problemas, preceitos e códigos morais. (1)
Moral (morale). O conjunto dos nossos deveres; em outras palavras, das obrigações ou das proibições que impomos a nós mesmos, independentemente de qualquer recompensa ou sanção esperada, e até de toda esperança.
Imaginemos que nos anunciem o fim do mundo, certo, inevitável, para amanhã de manhã. A política, que necessita de um porvir, não sobreviveria ao anúncio. E a moral? Ela permaneceria, no essencial, inalterada. O fim do mundo, mesmo inevitável a curtíssimo prazo, não autorizaria ninguém a debochar dos enfermos, a caluniar, a violar, a torturar, a assassinar, em suma, a ser egoísta ou malvado. Não necessita de esperança. A vontade lhe basta. "Uma ação realizada por dever não tira seu valor do objetivo a ser alcançado por ela, mas da máxima segundo a qual é decidida", ressalta Kant. Seu valor não depende dos seus efeitos esperados, mas apenas da regra à qual se submete, independentemente de qualquer inclinação, de qualquer cálculo egoísta, enfim "sem levar em conta nenhum dos objetos da faculdade de desejar" e "fazendo-se abstração dos fins que podem ser alcançados por tal ação" (Fundamentos..., I)... É por isso que a moral é desesperada, pelo menos em certo sentido, e desesperadora talvez. "Ela não tem a menor necessidade da religião", insiste Kant, nem de um fim ou objetivo qualquer: "ela se basta a si própria" (A religião nos limites da simples razão, Prefácio).
A moral é livre, como diria Rousseau ("a obediência à lei prescrita para si mesmo é liberdade"), ou autônoma, como diria Kant (porque o indivíduo está submetido unicamente à "sua legislação própria e, no entanto, universal").
Essa moral é mesmo universal? Nunca completamente, sem dúvida: todos sabem que existem morais diferentes, que variam de acordo com os lugares e as épocas. Mas ela é universalizável sem contradição e, aliás, cada vez mais universal, de fato.
De onde vem essa moral? De Deus? Não é impossível: ele pode ter colocado em nós, como queria Rousseau, "a imortal e celeste voz" da consciência, que prevaleceria, ou deveria prevalecer, sobre qualquer outra consideração, ainda que fosse esta a da nossa salvação ou da sua própria glória... Mas e se não há Deus? Nesse caso, devemos pensar que a moral é nada mais que humana, que é simplesmente um produto da história, o conjunto das normas que a humanidade, ao longo dos séculos, reteve, selecionou, valorizou. Por que essas? Sem dúvida porque elas eram favoráveis à sobrevivência e ao desenvolvimento da espécie (é o que chamo de moral segundo Darwin), aos interesses da sociedade (é a moral segundo Durkheim), às exigências da razão (é a moral segundo Kant), enfim às recomendações do amor (é a moral segundo Jesus ou Spinosa). (2)
Moral. deriva de mos, "costume", do mesmo modo ética vem de ___, sendo por essa razão que "ética" e "moral" são empregadas às vezes indistintamente. O termo "moral" costuma ter uma significação mas ampla que o vocábulo "ética".
Kant distinguiu entre moralidade e legalidade. Hegel diferenciou a moralidade subjetiva (Moralität) da moralidade enquanto moralidade objetiva (Sittlichkeit). Traduz-se por vezes Moralität por "moralidade" e Sittlichkeit por "eticidade". De fato, enquanto a Moralität consiste no cumprimento do dever por um ato de vontade, a Sittlichkeit é a obediência à lei moral enquanto fixada pelas normas, leis e costumes da sociedade, que representa por sua vez o espírito objetivo ou uma das formas deste.
O termo "moral" foi usado muitas vezes como adjetivo quando aplicado a uma pessoa determinada, da qual se diz então que "é moral". Isso evocou vários problemas: 1) em que consiste ser moral? 2) É possível ser moral? 3) Deve-se ser moral? Este último problema foi debatido na forma de "se se deve (ou não) fazer o que é justo (enquanto moralmente justo)". A resposta parece óbvia: deve-se ser moral ou fazer o (moralmente) justo. Contudo, tão logo se procura encontrar uma razão que explique por que se deve ser moral, surge toda espécie dificuldades. Trata-se de dificuldades inerentes ao "fundamento da moralidade", de que tratamos em diversos verbetes de temática ética (verbetes com bem; boa vontade; boas razões; dever; deôntico; ética etc.). (3)
(1) BUNGE, M. Dicionário de Filosofia. Tradução de Gita K. Guinsburg. São Paulo: Perspectivas, 2002. (Coleção Big Bang)
(2) COMTE-SPONVILLE, André. Dicionário Filosófico. Tradução de Eduardo Brandão. São Paulo: Martins Fontes, 2003.
(3) MORA, J. Ferrater. Dicionário de Filosofia. São Paulo: Loyola, 2004.
"Nunca deixe seu senso moral impedir você de fazer o que é certo." (Isaac Asimov, Fundação (1951)
"A moral é uma, os pecados são diferentes." (Machado de Assis)
"Primeiro vem o estômago, depois a moral." (Bertolt Brecht)
"O que finalmente eu mais sei sobre a moral e as obrigações do homem devo ao futebol..." (Albert Camus)
"A moral consiste em fazer prevalecer os instintos simpáticos sobre os impulsos egoístas." (Auguste Comte)
"A personalidade criadora deve pensar e julgar por si mesma, porque o progresso moral da sociedade depende exclusivamente da sua independência." (Albert Einstein)
"Onde me devo abster da moral, deixo de ter poder." (Johann Goethe)
"Moral é o que te faz sentir bem depois de tê-lo feito, e imoral o que te faz sentir mal." (Ernest Hemingway)
"A moral, propriamente dita, não é a doutrina que nos ensina como sermos felizes, mas como devemos tornar-nos dignos da felicidade." (Immanuel Kant)
"Os nossos inimigos contribuem mais do que se pensa para o nosso aperfeiçoamento moral. Eles são os historiadores dos nossos erros, vícios e imperfeições." (Marquês de Maricá)
"Não há fenômenos morais, mas apenas uma interpretação moral de fenômenos..." (Friedrich Nietzsche)
"A consciência é o melhor livro de moral e o que menos se consulta." (Blaise Pascal)
"Para a política o homem é um meio; para a moral é um fim. A revolução do futuro será o triunfo da moral sobre a política." (Ernest Renan)
"Os homens hão-de aprender que a política não é a moral e que se ocupa apenas do que é oportuno." (Henry David Thoreau)
"Uma coletânea de pensamentos é uma farmácia moral onde se encontram remédios para todos os males." (Voltaire)
Paz do Mundo e Paz do Cristo
“A paz vos deixo, a minha paz vos dou; não vô-la dou como o mundo a dá.” — Jesus. (João, 14:27.)
É indispensável não confundir a paz do mundo com a paz do Cristo.
A calma do plano inferior pode não passar de estacionamento.
A serenidade das esferas mais altas significa trabalho divino, a caminho da Luz Imortal.
O mundo consegue proporcionar muitos acordos e arranjos nesse terreno, mas somente o Senhor pode outorgar ao espírito a paz verdadeira.
Nos círculos da carne, a paz das nações costuma representar o silêncio provisório das baionetas; a dos abastados inconscientes é a preguiça improdutiva e incapaz; a dos que se revoltam, no quadro de lutas necessárias, é a manifestação do desespero doentio; a dos ociosos sistemáticos é a fuga ao trabalho; a dos arbitrários é a satisfação dos próprios caprichos; a dos vaidosos é o aplauso da ignorância; a dos vingativos é a destruição dos adversários; a dos maus é a vitória da crueldade; a dos negociantes sagazes é a exploração inferior; a dos que se agarram às sensações de baixo teor é a viciação dos sentidos; a dos comilões é o repasto opulento do estômago, embora haja fome espiritual no coração.
Há muitos ímpios, caluniadores, criminosos e indiferentes que desfrutam a paz do mundo. Sentem-se triunfantes, venturosos e dominadores no século. A ignorância endinheirada, a vaidade bem vestida e a preguiça inteligente sempre dirão que seguem muito bem.
Não te esqueças, contudo, de que a paz do mundo pode ser, muitas vezes, o sono enfermiço da alma. Busca, desse modo, aquela paz do Senhor, paz que excede o entendimento, por nascida e cultivada, portas a dentro do espírito, no campo da consciência e no santuário do coração. (XAVIER, Francisco Cândido. Vinha de Luz, pelo Espírito Emmanuel. FEB,capítulo 105)
A Espada Simbólica
“Não cuideis que vim trazer a paz à Terra; não vim trazer a paz, mas a espada.” — Jesus. (Mateus, capítulo 10, versículo 34.)
Inúmeros leitores do Evangelho perturbam-se ante essas afirmativas do Mestre Divino, porquanto o conceito de paz, entre os homens, desde muitos séculos foi visceralmente viciado. Na expressão comum, ter paz significa haver atingido garantias exteriores, dentro das quais possa o corpo vegetar sem cuidados, rodeando-se o homem de servidores, apodrecendo na ociosidade e ausentando-se dos movimentos da vida.
Jesus não poderia endossar tranquilidade desse jaez, e, em contraposição ao falso princípio estabelecido no mundo, trouxe consigo a luta regeneradora, a espada simbólica do conhecimento interior pela revelação divina, a fim de que o homem inicie a batalha do aperfeiçoamento em si mesmo. O Mestre veio instalar o combate da redenção sobre a Terra. Desde o seu ensinamento primeiro, foi formada a frente da batalha sem sangue, destinada à iluminação do caminho humano. E Ele mesmo foi o primeiro a inaugurar o testemunho pelos sacrifícios supremos.
Há quase vinte séculos vive a Terra sob esses impulsos renovadores, e ai daqueles que dormem, estranhos ao processo santificante!
Buscar a mentirosa paz da ociosidade é desviar-se da luz, fugindo à vida e precipitando a morte. No entanto, Jesus é também chamado o Príncipe da Paz.
Sim, na verdade o Cristo trouxe ao mundo a espada renovadora da guerra contra o mal, constituindo em si mesmo a divina fonte de repouso aos corações que se unem ao seu amor; esses, nas mais perigosas situações da Terra, encontram, nele, a serenidade inalterável. É que Jesus começou o combate de salvação para a Humanidade, representando, ao mesmo tempo, o sustentáculo da paz sublime para todos os homens bons e sinceros. (XAVIER, Francisco Cândido. Caminho, Verdade e Vida, pelo Espírito Emmanuel. FEB, capítulo 104)
1 E, chamando os seus doze discípulos, deu-lhes poder sobre os espíritos imundos, para os expulsarem, e para curarem toda a enfermidade e todo o mal.
2 Ora, os nomes dos doze apóstolos são estes: O primeiro, Simão, chamado Pedro, e André, seu irmão; Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão;
3 Filipe e Bartolomeu; Tomé e Mateus, o publicano; Tiago, filho de Alfeu, e Lebeu, apelidado Tadeu;
4 Simão, o Cananita, e Judas Iscariotes, aquele que o traiu.
5 Jesus enviou estes doze, e lhes ordenou, dizendo: Não ireis pelo caminho dos gentios, nem entrareis em cidade de samaritanos;
6 Mas ide antes às ovelhas perdidas da casa de Israel;
7 E, indo, pregai, dizendo: É chegado o reino dos céus.
8 Curai os enfermos, limpai os leprosos, ressuscitai os mortos, expulsai os demônios; de graça recebestes, de graça dai.
9 Não possuais ouro, nem prata, nem cobre, em vossos cintos,
10 Nem alforjes para o caminho, nem duas túnicas, nem sandálias, nem cajado; porque digno é o operário do seu alimento.
11 E, em qualquer cidade ou aldeia em que entrardes, procurai saber quem nela seja digno, e hospedai-vos aí, até que vos retireis.
12 E, quando entrardes nalguma casa, saudai-a;
13 E, se a casa for digna, desça sobre ela a vossa paz; mas, se não for digna, torne para vós a vossa paz.
14 E, se ninguém vos receber, nem escutar as vossas palavras, saindo daquela casa ou cidade, sacudi o pó dos vossos pés.
15 Em verdade vos digo que, no dia do juízo, haverá menos rigor para o país de Sodoma e Gomorra do que para aquela cidade.
16 Eis que vos envio como ovelhas ao meio de lobos; portanto, sede prudentes como as serpentes e inofensivos como as pombas.
17 Acautelai-vos, porém, dos homens; porque eles vos entregarão aos sinédrios, e vos açoitarão nas suas sinagogas;
18 E sereis até conduzidos à presença dos governadores, e dos reis, por causa de mim, para lhes servir de testemunho a eles, e aos gentios.
19 Mas, quando vos entregarem, não vos dê cuidado como, ou o que haveis de falar, porque naquela mesma hora vos será ministrado o que haveis de dizer.
20 Porque não sois vós quem falará, mas o Espírito de vosso Pai é que fala em vós.
21 E o irmão entregará à morte o irmão, e o pai o filho; e os filhos se levantarão contra os pais, e os matarão.
22 E odiados de todos sereis por causa do meu nome; mas aquele que perseverar até ao fim, esse será salvo.
23 Quando pois vos perseguirem nesta cidade, fugi para outra; porque em verdade vos digo que não acabareis de percorrer as cidades de Israel sem que venha o Filho do homem.
24 Não é o discípulo mais do que o mestre, nem o servo mais do que o seu senhor.
25 Basta ao discípulo ser como seu mestre, e ao servo como seu senhor. Se chamaram Belzebu ao pai de família, quanto mais aos seus domésticos?
26 Portanto, não os temais; porque nada há encoberto que não haja de revelar-se, nem oculto que não haja de saber-se.
27 O que vos digo em trevas dizei-o em luz; e o que escutais ao ouvido pregai-o sobre os telhados.
28 E não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma; temei antes aquele que pode fazer perecer no inferno a alma e o corpo.
29 Não se vendem dois passarinhos por um asse? E nenhum deles cairá em terra sem a vontade de vosso Pai.
30 E até mesmo os cabelos da vossa cabeça estão todos contados.
31 Não temais, pois; mais valeis vós do que muitos passarinhos.
32 Portanto, qualquer que me confessar diante dos homens, eu o confessarei diante de meu Pai, que está nos céus.
33 Mas qualquer que me negar diante dos homens, eu o negarei também diante de meu Pai, que está nos céus.
34 Não cuideis que vim trazer a paz à terra; não vim trazer paz, mas espada;
35 Porque eu vim pôr em dissensão o homem contra seu pai, e a filha contra sua mãe, e a nora contra sua sogra;
36 E assim os inimigos do homem serão os seus familiares.
37 Quem ama o pai ou a mãe mais do que a mim não é digno de mim; e quem ama o filho ou a filha mais do que a mim não é digno de mim.
38 E quem não toma a sua cruz, e não segue após mim, não é digno de mim.
39 Quem achar a sua vida perdê-la-á; e quem perder a sua vida, por amor de mim, achá-la-á.
40 Quem vos recebe, a mim me recebe; e quem me recebe a mim, recebe aquele que me enviou.
41 Quem recebe um profeta em qualidade de profeta, receberá galardão de profeta; e quem recebe um justo na qualidade de justo, receberá galardão de justo.
42 E qualquer que tiver dado só que seja um copo de água fria a um destes pequenos, em nome de discípulo, em verdade vos digo que de modo algum perderá o seu galardão.
Mateus 10, também conhecido como "discurso missionário", é uma instrução fundamental onde Jesus envia seus doze apóstolos, delegando autoridade para curar e pregar que o Reino dos Céus está próximo. Ele enfatiza a confiança na providência divina, alerta sobre perseguições, exige exclusividade no discipulado e estabelece que acolher o missionário é acolher o próprio Cristo. [1, 2, 3, 4, 5]
Principais Pontos do Discurso (Mateus 10):
O Envio e a Autoridade: Jesus escolhe os doze, concedendo poder para expulsar espíritos imundos e curar enfermidades, como continuação de sua própria missão.
A Missão Específica: Inicialmente, os apóstolos são enviados apenas às "ovelhas perdidas da casa de Israel" para anunciar a proximidade do Reino dos Céus.
Instruções de Desapego: Os discípulos não devem levar provisões materiais, confiando inteiramente na hospitalidade e na providência divina.
Perseguições e Coragem: Jesus alerta que os enviará como "ovelhas para o meio de lobos", prevendo perseguições, mas prometendo a assistência do Espírito Santo.
Identificação com Cristo: O discurso conclui com a promessa de que quem acolhe os missionários acolhe o próprio Jesus e o Pai.
“Quem ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim não é digno de mim; quem ama seu filho ou sua filha mais do que a mim não é digno de mim.”
Resumo do significado: Jesus ensina que o compromisso com Ele deve estar acima de qualquer outro relacionamento, até mesmo os mais importantes como família. Não significa desprezar a família, mas colocar Deus em primeiro lugar na vida.
O versículo de Mateus 10:37 faz parte de um discurso maior de Jesus aos doze apóstolos, conhecido como o “discurso missionário”, em Evangelho de Mateus capítulo 10. Nesse capítulo, Jesus prepara os discípulos para a missão de anunciar o Reino de Deus e os alerta de que essa missão traria oposição, perseguições e conflitos.
O contexto imediato
Pouco antes desse versículo, Jesus declara:
“Não penseis que vim trazer paz à terra; não vim trazer paz, mas espada.” (Mateus 10:34)
A “espada” aqui não é entendida como violência física, mas como divisão causada pela escolha de seguir Cristo. A mensagem de Jesus provocaria decisões profundas: alguns aceitariam, outros rejeitariam. Isso poderia criar tensões até dentro das famílias.
Em seguida, Jesus afirma:
“Porque eu vim pôr em dissensão o homem contra seu pai, a filha contra sua mãe...” (Mateus 10:35)
Então chega ao versículo 37:
“Quem ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim não é digno de mim...”
Ou seja, Jesus está dizendo que o discipulado exige prioridade absoluta. Em épocas de perseguição, muitos discípulos precisariam escolher entre permanecer fiéis a Cristo ou ceder à pressão familiar e social.
O significado da expressão “não é digno de mim”
Na linguagem bíblica, “ser digno” significa estar disposto a assumir o compromisso verdadeiro do discipulado. Jesus não está proibindo o amor familiar — afinal, o próprio Evangelho ensina honra aos pais e amor ao próximo — mas afirma que nenhum vínculo humano deve ocupar o lugar central que pertence a Deus.
O contexto histórico
No século I, a família era a principal estrutura social e religiosa da sociedade judaica. Romper com tradições familiares por causa da fé em Jesus podia significar:
rejeição da comunidade;
perda de apoio econômico;
conflitos domésticos;
exclusão religiosa.
Por isso, a fala de Jesus tinha um peso muito forte para os ouvintes originais.
Continuação do ensinamento
Nos versículos seguintes, Jesus aprofunda essa ideia:
“Quem não toma a sua cruz e vem após mim não é digno de mim.” (Mateus 10:38)
A imagem da cruz simboliza renúncia, sofrimento e entrega total. O discípulo deve estar disposto a perder prestígio, segurança e até relacionamentos por fidelidade ao Evangelho.
Interpretação geral
A tradição cristã costuma entender esse trecho como um chamado à hierarquia correta dos amores:
Deus em primeiro lugar;
depois família, bens e interesses pessoais.
A ideia não é abandonar ou desprezar os familiares, mas amar a Deus de tal forma que todos os outros amores sejam orientados por esse compromisso maior.
Esse tema aparece também em outros textos do Novo Testamento, especialmente em Evangelho de Lucas 14:26 e Evangelho de João 12:25.
Embora os três evangelhos apresentem a mesma ideia central — a prioridade absoluta do seguimento de Cristo — há diferenças importantes de linguagem, intensidade e enfoque entre Evangelho de Mateus, Evangelho de Lucas e Evangelho de João.
1. Mateus: “amar mais do que a mim”
Mateus 10:37 diz:
“Quem ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim não é digno de mim...”
Aqui, o foco é comparativo. Jesus não condena o amor familiar; Ele afirma que o amor por Deus deve estar acima de todos os outros afetos.
Mateus escreve para uma comunidade muito ligada à tradição judaica e costuma apresentar Jesus como o Mestre que interpreta corretamente a Lei. Por isso, sua formulação é equilibrada e pastoral.
A ênfase é:
prioridade espiritual;
fidelidade ao discipulado;
dignidade do seguidor de Cristo.
2. Lucas: linguagem mais radical
Lucas 14:26 afirma:
“Se alguém vem a mim e não aborrece pai, mãe, mulher, filhos, irmãos, irmãs e até a própria vida, não pode ser meu discípulo.”
À primeira vista, parece muito mais duro. Mas o verbo “aborrecer” é um semitismo — uma forma de expressão hebraica usada para indicar preferência menor, não ódio literal.
Um exemplo semelhante aparece no Antigo Testamento quando se diz que Jacó “amava Raquel e odiava Lia”; o sentido é que amava menos Lia.
Lucas enfatiza:
o custo do discipulado;
a renúncia total;
a radicalidade da decisão.
O Evangelho de Lucas frequentemente destaca desprendimento, sacrifício e inversão de valores sociais.
3. João: conservar ou perder a vida
João 12:25 diz:
“Quem ama a sua vida perdê-la-á; e quem odeia a sua vida neste mundo preservá-la-á para a vida eterna.”
João muda o foco da família para a própria vida. A oposição está entre:
apego ao mundo presente;
vida eterna em Deus.
O estilo joanino é mais simbólico e espiritual. Em vez de enfatizar relações familiares, João trabalha contrastes profundos:
luz e trevas;
vida e morte;
mundo e eternidade.
A ideia central é:
desapego do ego e da autoconservação;
entrega total a Cristo.
Comparando os três
Mateus: Prioridade de Cristo sobre a família (1) / Moderada e pastoral (2)
Lucas: Radicalidade do discipulado (1) / Forte e provocativa (2)
João: Desapego da própria vida e do mundo (1) / Simbólica e espiritual (2)
(1) Ênfase principal
(2) Linguagem
Em comum
Os três concordam em um ponto essencial: seguir Jesus exige uma transformação profunda da escala de valores. O discípulo não pode colocar:
família,
segurança,
interesses pessoais,
ou a própria vida
acima do compromisso com Deus.
Cada evangelista, porém, adapta essa mensagem ao perfil de sua comunidade e ao estilo teológico do seu evangelho.
Em O Evangelho segundo o Espiritismo, esse ensinamento aparece principalmente no capítulo “Honrai a vosso pai e a vossa mãe”, onde Kardec procura conciliar as palavras duras de Jesus com a ideia espírita de amor, progresso moral e reencarnação.
Para muitos leitores, a interpretação pode soar estranha porque o texto evangélico parece, à primeira vista, contrariar o valor da família. O Espiritismo tenta resolver essa tensão dizendo que Jesus não pregava desprezo aos pais ou rompimento afetivo, mas a supremacia da lei divina sobre os interesses materiais e os vínculos puramente terrenos.
Como o Espiritismo interpreta
A leitura espírita geralmente segue esta linha:
a verdadeira família é espiritual, não apenas biológica;
os laços de sangue são temporários;
os laços do espírito são permanentes;
seguir a verdade e a evolução moral pode gerar incompreensão familiar;
amar a Deus acima de tudo não significa abandonar deveres familiares.
Kardec interpreta as expressões fortes de Jesus (“aborrecer pai e mãe”, por exemplo) como figuras de linguagem orientais, destinadas a enfatizar prioridade e não ódio literal.
O ponto que causa estranhamento
Alguns leitores acham problemática a ideia de relativizar os laços familiares em nome de uma missão espiritual. Dependendo da forma como isso é apresentado, pode parecer:
frieza afetiva;
superioridade religiosa;
justificativa para afastamentos familiares.
Mas, no conjunto da ética espírita, isso não deveria acontecer, porque o próprio Espiritismo insiste em:
caridade;
respeito;
paciência;
dever filial;
reconciliação entre os espíritos.
Ou seja, a interpretação oficial espírita não defende negligenciar pais, filhos ou cônjuges.
O problema das interpretações práticas
A dificuldade muitas vezes não está no texto em si, mas em certas leituras exageradas feitas por pessoas ou grupos religiosos. Isso ocorre não apenas no Espiritismo, mas em várias tradições cristãs:
alguns entendem “Deus acima da família” como ruptura total;
outros entendem como prioridade ética e espiritual sem abandono afetivo.
No contexto espírita, a interpretação mais coerente é:
nenhum amor humano deve impedir o progresso moral e espiritual, mas o progresso espiritual verdadeiro aumenta — e não diminui — a capacidade de amar a família.
Comparando com o contexto histórico de Jesus
Quando Jesus falou isso, os discípulos enfrentavam perseguições reais. Em alguns casos, seguir o movimento cristão significava ser rejeitado pela própria família. Portanto, o ensinamento tinha um contexto concreto de fidelidade em meio à pressão social.
O Espiritismo tenta universalizar esse princípio:
a consciência espiritual deve prevalecer sobre convenções sociais;
porém sem destruir os deveres morais familiares.
Assim, do ponto de vista doutrinário espírita, a moral não pretende ser “anti-família”, embora certas formulações possam parecer severas ou desconfortáveis ao leitor moderno.
No Evangelho de Mateus 10:37, Jesus afirma que quem ama pai, mãe ou filhos mais do que a Ele “não é digno” de segui-Lo. A frase faz parte do discurso missionário dirigido aos apóstolos, quando Jesus os prepara para perseguições e conflitos que surgiriam por causa da nova fé.
O ensinamento não significa desprezo à família. No contexto bíblico, Jesus continua valorizando o amor filial e o respeito aos pais. A ideia central é que Deus deve ocupar o primeiro lugar na vida moral e espiritual do discípulo.
Os evangelistas apresentam essa mensagem de formas diferentes. Mateus usa linguagem mais equilibrada; em Evangelho de Lucas, a expressão é mais radical (“aborrecer pai e mãe”), enquanto Evangelho de João enfatiza o desapego da própria vida e dos interesses do mundo.
No O Evangelho segundo o Espiritismo, a interpretação segue a mesma linha geral: os vínculos espirituais e a fidelidade à lei divina estão acima dos interesses materiais e dos laços puramente terrenos. Contudo, o Espiritismo não ensina abandono da família, mas conciliação entre dever familiar e progresso moral.
Assim, o sentido principal do texto é que o verdadeiro discipulado exige prioridade espiritual, coragem e fidelidade à consciência. Amar a Deus acima de tudo não deveria diminuir o amor pela família, mas orientar esse amor de forma mais elevada e responsável.
Fonte
ChatGPT (maio de 2026)