29/03/2026
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AS LEITURAS DESTA PÁGINA E DO MÊS TODO
BÊNÇÃO DOS RAMOS
ANO A
Mateus 21,1-11
LEITURAS DA MISSA
1ª Leitura: Isaías 50, 4-7
Salmo Responsorial 21(22) R- Meu Deus, meu Deus, por que me abandonastes?
2ª Leitura: Filipenses 2,6-11
EVANGELHO
Mateus 26,14-27,66 (Paixão do Senhor)
(Por favor, veja o texto usando o link da CNBB mencionado acima) Mt 21,1-11
Jesus entra na cidade de Jerusalém. O que seria uma simples caravana de galileus peregrinando a Jerusalém para a celebração da Páscoa, se transformou em uma entrada alegre e festiva.
Não é uma entrada triunfal, mas uma entrada reveladora. Ela revela quem é Jesus! Ele é o filho de Davi. Ele é o Bendito que vem em nome do Senhor! Ele é o rei Messias! Jesus é recebido com rei messiânico!
E Jesus aceita essa aclamação, mas salienta no seu modo de agir e se comportar que é um rei pacífico. Ele não se apresenta com um aparato militar, não é acompanhado de cortesãos, não se cerca de serviçais. Ele vem montado num jumentinho e se apresenta desarmado e humilde. Ele não vem para conquistar pelas armas, mas deseja conquistar os corações. Nesse sentido ele é rei, e é isso que a entrada em Jerusalém revela de Jesus.
Os ramos que levamos para a celebração de hoje possam exprimir que fomos conquistados por Jesus.
Hoje também nós entramos no mistério do Senhor crucificado, morto, sepultado e ressuscitado. Entrar no mistério do Senhor consiste em padecermos com Ele para com Ele ressuscitar. É passar da morte para a vida, do pecado para a graça, do homem velho para o homem novo em comunhão com Jesus Cristo.
Ouvimos o relato da Paixão e morte de Jesus não como simples recordação. Não se trata somente de um relato. Trata-se de entrar com Jesus nos eventos da sua paixão, morte e ressurreição. A liturgia de hoje nos põe diante da seguinte alternativa: “Hosana ao Filho de Davi” ou “Crucifica-o”. São dois evangelhos: no início da procissão de ramos o povo aclamou: “hosana ao Filho de Davi”; no relato da paixão vemos a multidão pedir: “Crucifica-o”.
Cabe a nós escolhermos com que atitude nós queremos entrar na história da Paixão de Cristo: com a atitude do povo que aclamou hosana, com o gesto do Cirineu que se coloca ao lado de Jesus para ajuda-lo a carregar a cruz, com o pranto da mulheres que choram por Jesus, com a fé do centurião que bate no peito, com o arrependimento do bom ladrão, com a fidelidade de Maria que permanece ao pé da cruz? Ou podemos entrar no mistério da Paixão do Senhor com o gesto da traição de Judas e de Pedro, com a omissão de Pilatos que lavou as mãos, com a curiosidade dos que olham tudo de longe, com o escárnio e a zombaria dos que torturam Jesus, com o insulto do malfeitor crucificado ao lado e que desafia Jesus a se salvar?
Como você deseja entrar no mistério da Paixão e Morte do Senhor?
A Paixão de Jesus não é um relato do passado. Jesus continua na prisão, continua atado à coluna, sendo torturado e ofendido, está ainda sofrendo processo injusto, sendo preterido ao criminoso; Jesus continua no sepulcro lacrado por uma pesada pedra, porque naqueles que continuam sofrendo, Jesus continua sofrendo. Enquanto durar o sofrimento da humanidade, principalmente dos mais pobres, enquanto subsistir a dor e o pecado no mundo, Jesus está ainda misteriosamente no sepulcro; não ressuscitou ainda totalmente. Mais uma vez somos colocados diante da pergunta: como você vai entrar no mistério da Paixão de Jesus que continua sofrendo e morrendo nos sofredores deste mundo?
Toda a nossa vida deve ser, em certo sentido, uma semana santa. Como vamos vivê-la?
Possamos viver a grande semana da santa da vida com Jesus, como Jesus, e como tantos outros bons Cirineus, como Maria, como o Centurião Romano, como o bom ladrão!
Domingo Ramos - Mt 26,14-27,66 - Ano A - 29-03-26
Is 50,4-7; Sl 22; Fl 2,6-11; Mt 26,14-27,66;
Tomé
A liturgia deste último domingo da Quaresma convida-nos a contemplar esse Deus que, por amor, desceu ao nosso encontro, partilhou a nossa humanidade, fez-Se servo dos homens, deixou-Se matar para que o egoísmo e o pecado fossem vencidos. A cruz (que a liturgia deste domingo coloca no horizonte próximo de Jesus) apresenta-nos a lição suprema, o último passo desse caminho de vida nova que, em Jesus, Deus nos propõe: a doação da vida por amor.
A primeira leitura apresenta-nos um profeta anónimo, chamado por Deus a testemunhar no meio das nações a Palavra da salvação. Apesar do sofrimento e da perseguição, o profeta confiou em Deus e concretizou, com teimosa fidelidade, os projetos de Deus. Os primeiros cristãos viram neste "servo" a figura de Jesus.
A segunda leitura apresenta-nos o exemplo de Cristo. Ele prescindiu do orgulho e da arrogância, para escolher a obediência ao Pai e o serviço aos homens, até ao dom da vida. É esse mesmo caminho de vida que a Palavra de Deus nos propõe.
O Evangelho convida-nos a contemplar a paixão e morte de Jesus: é o momento supremo de uma vida feita dom e serviço, a fim de libertar os homens de tudo aquilo que gera egoísmo e escravidão. Na cruz, revela-se o amor de Deus - esse amor que não guarda nada para si, mas que se faz dom total.
LEITURA I - Is 50,4-7
AMBIENTE
No livro do Deutero-Isaías (Is 40-55), encontramos quatro poemas que se destacam do resto do texto (cf. Is 42,1-9; 49,1-13; 50,4-11; 52,13-53,12). Apresentam-nos uma figura enigmática de um "servo de Jahwéh", que recebeu de Deus uma missão. Essa missão tem a ver com a Palavra de Deus e tem carácter universal; concretiza-se no sofrimento, na dor e no abandono incondicional à Palavra e aos projetos de Deus. Apesar de a missão terminar num aparente insucesso, a dor do profeta não foi em vão: ela tem um valor expiatório e redentor; do seu sofrimento resulta o perdão para o pecado do Povo. Deus aprecia o sacrifício do profeta e recompensá-lo-á, elevando-o à vista de todos, fazendo-o triunfar dos seus detratores e adversários.
Quem é este profeta? É Jeremias, o paradigma do profeta que sofre por causa da Palavra? É o próprio Deutero-Isaías, chamado a dar testemunho da Palavra no ambiente hostil do Exílio? É um profeta desconhecido? É uma figura coletiva, que representa o Povo exilado, humilhado, esmagado, mas que continua a dar testemunho de Deus, no meio das outras nações? É uma figura representativa, que une a recordação de personagens históricas (patriarcas, Moisés, David, profetas) com figuras míticas, de forma a representar o Povo de Deus na sua totalidade? Não sabemos; no entanto, a figura apresentada nesses poemas vai receber uma outra iluminação à luz de Jesus Cristo, da sua vida, do seu destino. O texto que nos é proposto é parte do terceiro cântico do "servo de Jahwéh".
LEITURA II - Fil 2,6-11
AMBIENTE
A cidade de Filipos era uma cidade próspera, com uma população constituída maioritariamente por veteranos romanos do exército. Organizada à maneira de Roma, estava fora da jurisdição dos governantes das províncias locais e dependia diretamente do imperador; gozava, por isso, dos mesmos privilégios das cidades de Itália. A comunidade cristã, fundada por Paulo, era uma comunidade entusiasta, generosa, comprometida, sempre atenta às necessidades de Paulo e do resto da Igreja (como no caso da coleta em favor da Igreja de Jerusalém - cf. 2 Cor 8,1-5), por quem Paulo nutria um afeto especial. Apesar destes sinais positivos, não era, no entanto, uma comunidade perfeita... O desprendimento, a humildade e a simplicidade não eram valores demasiado apreciados entre os altivos patrícios que compunham a comunidade.
É neste enquadramento que podemos situar o texto que esta leitura nos apresenta. Paulo convida os Filipenses a encarnar os valores que marcaram a trajetória existencial de Cristo; para isso, utiliza um hino pré-paulino, recitado nas celebrações litúrgicas cristãs: nesse hino, ele expõe aos cristãos de Filipos o exemplo de Cristo.
EVANGELHO - Mt 26,14 - 27,66
AMBIENTE
O Evangelho segundo Mateus começa por apresentar Jesus (cf. Mt 1,1-4,22). Descreve, depois, o anúncio central de Jesus: nas suas palavras e nos seus gestos, Jesus anuncia esse mundo novo a que Ele chama "o Reino dos céus" (cf. Mt 4,23-9,35). Do anúncio do "Reino" nasce a comunidade dos discípulos - isto é, nasce um grupo que assimila as propostas de Jesus (cf. Mt 9,36-12,50). Os discípulos são a "comunidade do Reino": instruídos por Jesus, formados na mentalidade do "Reino", os discípulos recebem a missão de testemunhar o "Reino", após a partida de Jesus (cf. Mt 13,1-17,27). Na parte final do seu Evangelho, Mateus descreve a ruptura final de Jesus com o judaísmo (cf. Mt 18,1-25,46) e o final do caminho de Jesus: a paixão, morte e ressurreição (cf. Mt 26,1-28,15).
A leitura que hoje nos é proposta é o relato da paixão de Jesus. Descreve como o anúncio do Reino choca com a mentalidade da opressão e, portanto, conduz à cruz e à morte; no entanto, não podemos dissociar os acontecimentos da paixão daqueles que celebraremos no próximo domingo: a ressurreição é a prova de que Jesus veio de Deus e tinha um mandato do Pai para tornar realidade no mundo o "Reino dos céus".
Estamos tão familiarizados com a cruz do Calvário que ela já não nos causa mais impacto. O hábito domestica e diminui tudo. Por isso, é bom recordar alguns aspectos do Crucificado que foram esquecidos.
Comecemos por dizer que Jesus não morreu de morte natural. Sua morte não foi o fim esperado de sua vida biológica. Jesus foi morto violentamente. Tampouco morreu vítima de um acaso ou acidente, mas sim executado após um julgamento conduzido pelas forças religiosas e civis mais influentes daquela sociedade.
Sua morte foi consequência da reação que provocou com suas ações livres, fraternas e solidárias para com os membros mais pobres e abandonados daquela sociedade.
Isso significa que o Evangelho não pode ser vivido impunemente. O Reino de Deus, um reino de fraternidade, liberdade e justiça, não pode ser construído sem provocar rejeição e perseguição por parte daqueles que não têm interesse em qualquer mudança. A solidariedade com os indefesos é impossível sem sofrer a reação dos poderosos.
Seu compromisso em criar uma sociedade mais justa e humana era tão concreto e sério que até mesmo sua vida estava em risco. E, no entanto, Jesus não era um guerrilheiro, nem um líder político, nem um fanático religioso. Ele era um homem em quem o amor insondável de Deus pela humanidade se materializava e se tornava real.
É por isso que agora sabemos quais forças se sentem ameaçadas quando o amor verdadeiro penetra uma sociedade, e como reagem violentamente, tentando suprimir e sufocar as ações daqueles que buscam uma fraternidade mais justa e livre.
A mensagem do amor será rejeitada em sua essência por qualquer religião em que Deus não seja o Pai daqueles que sofrem - José Antonio Pagola
O Evangelho será sempre perseguido por aqueles que colocam a segurança e a ordem acima da fraternidade e da justiça (farisaísmo). O Reino de Deus será sempre impedido por qualquer força política que se considere de poder absoluto (Pilatos). A mensagem de amor será rejeitada em sua essência por qualquer religião em que Deus não seja o Pai daqueles que sofrem (sacerdotes judeus).
Seguir Jesus sempre leva à cruz; significa estar disposto a suportar conflitos, controvérsias, perseguições e até mesmo a morte. Mas a sua ressurreição revela que uma vida vivida na cruz, até o fim no espírito de Jesus, só tem a ressurreição como recompensa.
“Quando Jesus entrou em Jerusalém, a cidade inteira se agitou e diziam: ’Quem é este homem?’”
A primeira coisa que o Evangelho nos diz é que Jesus foi um buscador de alternativas.
Ele não foi conivente e nem compactuou com a estrutura social-política-religiosa de seu tempo, que era profundamente desumanizadora. Sonhou novas possibilidades de vida e novas relações entre as pessoas. Por isso, ao anunciar o Reino, transgrediu a situação vigente e, a partir das periferias, foi despertando uma alentadora esperança nos corações dos mais pobres e excluídos, vítimas de um mundo fechado.
Com sua entrada em Jerusalém, Jesus quis recuperar a cidade como lugar do encontro e da comunhão, como espaço da paz e da solidariedade... desalojando aqueles que se fechavam a qualquer tentativa de mudança. Por isso, seu gesto provocativo e escandaloso de entrar na cidade montado num jumentinho, símbolo da simplicidade e do despojamento de qualquer pretensão de poder e força, causou violenta reação naqueles que se beneficiavam da estrutura política e religiosa da cidade.
Ele não foi conivente e nem compactuou com a estrutura social-política-religiosa de seu tempo, que era profundamente desumanizadora – Adroaldo Palaoro
A Campanha da Fraternidade deste ano tem como tema - Fraternidade e moradia -, e como lema – “Ele veio morar entre nós”. Jesus fez sua morada nas terras excluídas da Galileia e sonhava também fazer morada na cidade de Jerusalém.
Vale destacar uma constante nos Evangelhos: a casa como lugar preferencial da ação de Jesus e da missão dos seus discípulos. Jesus, como um inspirado mestre, revelou um “novo ensinamento”, não em lugares fechados e controlados, mas em espaços abertos, nos campos, à beira do lago de Genezaré, nos caminhos poeirentos, nas casas...; Ele se dirigiu aos lugares onde homens e mulheres realizavam suas atividades comuns, no simples ambiente do trabalho cotidiano e, de maneira privilegiada, nas casas, começando pela sua própria, em Cafarnaum, onde fora residir.
Jesus, como itinerante, deu início a um “movimento de casas”. De fato, a casa acabou sendo o espaço alternativo que melhor correspondia à atuação do Mestre, enquanto ponto de partida e de chegada de sua missão itinerante. Foi a partir das casas que Jesus exerceu, à margem do que estava estabelecido, sua autoridade em favor da vida, sem depender de instituições e funções previamente normatizadas.
Assim, através de uma rede eficiente, ampliada e centrada no Mestre e com funções complementárias, seus seguidores, a partir das casas, prolongarão o mesmo ministério de Jesus: “viver em saída”, deslocar-se em direção aos excluídos, revelar a presença do Pai na simplicidade do cotidiano das pessoas, etc.
Neste sentido, a casa cumpriu uma função vital para a expansão da causa do Reino de Deus. Em outras palavras, a causa de Jesus (Reino) encontrou nas casas seu lugar natural.
Jesus quis também levar para a Cidade Santa o “movimento de vida” iniciado nas casas, nas estradas da Galileia; Ele subiu a Jerusalém anunciando a chegada do Reino de Deus que deveria manifestar-se ali, mas de uma forma diferente: espaço aberto para todas as gentes, com uma nova estrutura humana aberta ao senhorio de Deus.
Jesus, Filho de Davi, precisava subir à cidade de seu antepassado Davi, não para conquistá-la militarmente e reinar, a partir dela, sobre o mundo, mas para instaurar ali outro Reinado, fundado precisamente nos pobres e expulsos dos reinos da terra. Para Jesus, Jerusalém como um conglomerado de casas abertas, deveria ser entendida como centro da nova humanidade messiânica, capital do Reino dos excluídos da velha história humana.
Por isso, Ele entrou em Jerusalém rodeado do povo, das pessoas simples. Este povo escravo e oprimido o aclamou porque viu em n’Ele uma luz de esperança, de vida, de libertação. Escutaram suas palavras e viram seus feitos durante alguns anos. Escutaram palavras de vida, de justiça, de amor, de misericórdia, de paz...
Viram seus gestos de cura dos enfermos, de defesa dos fracos, de dar alimento aos famintos, de reabilitar os desprezados, de acolher os marginalizados, de enfrentamento dos opressores...
Jesus, Filho de Davi, precisava subir à cidade de seu antepassado Davi, não para conquistá-la militarmente e reinar, a partir dela, sobre o mundo, mas para instaurar ali outro Reinado, fundado precisamente nos pobres e expulsos dos reinos da terra – Adroaldo Palaoro
Jesus quer continuar anunciando e realizando na cidade de Jerusalém aquilo que fizera na região excluída da Galileia; quer também humanizar esta cidade para que ela seja sol de justiça e paz para todos os povos.
A espiritualidade da presença cristã no meio urbano convida a descobrir e indicar as presenças reais do Deus que “in-habita” em pessoas, casas, bairros, povos, cidades e metrópoles. “O coração dos povos é o santuário de Deus”. Trata-se de “passear com o Absoluto pelas ruas da cidade” (Michelstaeder)
O Deus presente nas cidades é um Deus que nos chama e interpela a partir do reverso da história, a partir dos lugares ocultos, dos “outros-espaços” de nossas cidades.
A primitiva comunidade dos seguidores e seguidoras de Jesus não começa formando uma nova religião instituída, nem se preocupou com construções de templos ou com organizações hierarquizadas; ela se apresenta como uma federação de casas abertas, a partir dos pobres e para os pobres, criando redes de comunicação e de vida fraterna, casas-família, impulsionadas pelo testemunho e presença do Espírito do mesmo Jesus. “Todos os que abraçavam a fé viviam unidos e possuíam tudo em comum... partiam o pão pelas casas e tomavam a refeição com alegria e simplicidade de coração” (At. 2,44-46).
A cidade que Deus quer: uma praça acolhedora, casas abertas e mesas para todos.
A praça é de todos e todos podem circular livremente, criar relações e convivência, com a experiência de ser aceito e reconhecido como humano.
A casa deve ser escola de encontro e fraternidade. A comunicação (comum união) se celebra entre suas paredes que, em seguida, se expande para além de seus limites, despertando uma sensibilidade solidária.
A casa prepara para a vida, pois é ali que os fundamentos de uma personalidade vão se solidificando.
O Deus presente nas cidades é um Deus que nos chama e interpela a partir do reverso da história, a partir dos lugares ocultos, dos “outros-espaços” de nossas cidades – Adroaldo Palaoro
A mesa é lugar de hospitalidade e partilha, de aceitação e de encontro, lugar de chegada e entrada da pluralidade e diversidade como a Nova Jerusalém.
“Entrar na nossa Jerusalém” é comprometer-nos com uma cidade mais humana e humanizadora; a cidade que sonhamos e que queremos: a Cidade Nova. E o(a) seguidor(a) de Jesus tem em quem se inspirar.
A cidade moderna, globalizada pela tecnologia fria e sem alma, amordaçada pela funcionalidade e pela utilidade, com uma política submetida ao mercado, à produção e consumo, cidade estendida e sem muros de contorno, com horizonte atrofiado..., está cada vez mais distante da cidade sonhada por Jesus, cada vez mais refratária aos valores do Reino.
É a paixão pelo Reino que deve nos mobilizar para levar adiante a missão de Jesus nos grandes centros, a ir aos lugares onde há mais necessidade e ali realizar obras duradouras de maior proveito e fruto.
O(a) discípulo(a) missionário(a) não é aquele(a) que, por medo, se distancia de sua cidade, mas é aquele(a) que, movido(a) por uma radical paixão, desce ao coração da realidade em que se encontra, aí se encarna e aí revela os traços da velada presença do Inefável; a cidade já não é percebida como ameaça ou como objeto de domínio, mas como dom pelo qual Deus mesmo se faz encontrar. A cidade não é lugar da exploração e da depredação, mas é o lugar da receptividade, da oferenda e do diálogo inspirador.
No Domingo de Ramos, portanto, temos duas procissões: a procissão de Pilatos que representava o poder, a dominação e a violência do império que dominava o mundo; e a procissão de Jesus que representava uma visão alternativa, aquela do Reino de Deus, centrada na comunhão, no serviço, no espírito solidário...
Frente a estas duas paixões e duas procissões, somos convidados a propor algumas perguntas fundamentais que devem ressoar neste domingo de Ramos, na Semana Santa e, em definitiva, na vida: a quem seguimos? Quem é o “senhor” que comanda o nosso coração? Em que valores nos inspiramos? Em que procissão estamos? Em que procissão queremos estar?...
No Domingo de Ramos, portanto, temos duas procissões: a procissão de Pilatos que representava o poder, a dominação e a violência do império que dominava o mundo; e a procissão de Jesus que representava uma visão alternativa, aquela do Reino de Deus, centrada na comunhão, no serviço, no espírito solidário – Adroaldo Palaoro
Para meditar na oração:
É preciso, em primeiro lugar, abrir espaço na própria casa interior, para que o Senhor circule com liberdade, levando luz e inspiração para sua vida (“desce depressa, pois eu preciso ficar em sua casa”).
- A partir do interior, cristificar a própria casa-lar: lugar de encontro, de hospitalidade, de relações sadias...
- Sua casa é luz para a cidade onde você habita?
- A cidade que você aspira, que sonha e que quer é a Nova Jerusalém? Espaço de beleza, de harmonia humana?
- Que atitudes você vai propiciar em suas relações interpessoais para favorecer a presença do Reino de Deus?
- Como você vai acompanhar Jesus durante as celebrações desta Semana Santa?
Hoje iniciamos a Semana Santa numa situação particular. Não haverá grandes celebrações ao longo de todo o mundo, por causa da pandemia que está afetando toda a humanidade. A leitura de Ramos é o evangelho de Mateus 21,1-11. Normalmente é lido numa praça, na rua, num espaço público para logo peregrinar até a Igreja, e fazendo memória deste momento a comunidade toda caminha em procissão, louvando o Senhor e acompanhando-o com palmas de oliveiras.
Momentos de alegria, de paz, de louvor, da presença simples de Jesus que está no meio do povo. Jesus chega à cidade Santa com seus discípulos e discípulas e junto com os grandes grupos de peregrinos que iam a Jerusalém para celebrar a Páscoa. Jesus chega a Jerusalém montado num jumentinho, entra de forma pacífica e não como costumavam a fazer os grandes conquistadores, cheios de glória e poder. O poder de Jesus é a simplicidade, a paz, a alegria e a vida das pessoas. A imagem da entrada de Jesus narrada pelo evangelista está carregada de humildade, de modéstia, de paz, de harmonia.
“Este jumentinho é símbolo da vida campesina e pacífica, animal do pobre; é conhecida sua resistência na lida do cotidiano do campo: carrega peso, lavra a terra, suporta longas viagens... Não é animal para a guerra e nem para alimentar a vaidade daqueles que querem demonstrar seu poder diante dos outros. Jesus se serve de um jumentinho para dizer que não quer se impor pelas armas e pela força; seu senhorio é diferente, retomando as tradições campesinas de seu povo.”
Jesus acolhe o sentir do povo que o reconhece como o Messias que estavam aguardando. Eles estendem os mantos para que então Jesus pudesse montar com dignidade e entrar assim na cidade. Na sua própria pessoa Jesus comunica a Boa Nova da Salvação. A novidade do Evangelho manifesta-se novamente nele, na vida e na alegria que o acompanha e convida-nos uma vez mais a recebê-lo.
Esta Semana Santa será celebrada nas nossas casas, com as ruas de grandes cidades quase desertas, uma população restringida a seu lar, a sua casa. E este momento único na nossa história pode transformar-se numa ocasião privilegiada para aproximar-nos de Jesus, do seu sentir como pediu o Papa Francisco na imponente oração na Praça São Pedro.
Como proclamou o Papa Francisco: “A tempestade – hoje, o coronavírus – desmascara nossa vulnerabilidade e deixa descobertas essas falsas e supérfluas seguranças com as quais havíamos construído nossas agendas, nossos projetos, rotinas e prioridades”. A tempestade “desvela todas as intenções de encaixotar e esquecer o que nutre a alma de nossos povos” e, com elas, “caiu a maquiagem desses estereótipos com os quais disfarçávamos nossos egos sempre pretensiosos de querer aparentar, e deixou desvelado, mais uma vez, essa bendita pertença comum da qual não podemos, nem queremos nos evadir; esse pertencimento de irmãos”.
Durante a missa deste domingo foi lida a Paixão de Jesus narrada no evangelho de Mateus. Depois de ter celebrado a Páscoa com seus discípulos, dirigem-se ao monte Getsemani onde Jesus se afasta um pouco para rezar. Pede-lhes que eles também rezem, mas o sono é mais forte neles e não conseguem permanecer despertos.
Aparece Judas com uma multidão armada de espadas e paus de parte dos sumos sacerdotes para prendê-lo. Assim Jesus é levado diante de Caifás onde estavam reunidos os doutores da Lei que procuravam um falso testemunho para condená-lo à morte. Depois de ser atado, Jesus é levado diante de Pilatos, o governador, para que ele o condene à morte.
Pilatos sabe que está enviando para a morte uma pessoa que foi trazida por inveja de parte dos sumos sacerdotes. Depois de ver que não consegue nada no diálogo com os sumos sacerdotes, e “poderia haver uma revolta”, Pilatos manda trazer água, lavou as mãos diante da multidão” e diz: “Eu não sou responsável pelo sangue desse homem”. Jesus é assim flagelado, ultrajado e crucificado.
“Desde o meio-dia até às três horas da tarde houve escuridão sobre toda a terra. Pelas três horas da tarde Jesus deu um forte grito: “Eli, Eli, lamá sabactâni?”, isto é: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?”
“Houve escuridão sobre a terra”. Perguntamo-nos: é a mesma escuridão que aconteceu para os discípulos quando estavam na barca e foram pegos pela tormenta enquanto Jesus dormia? Como disse o papa Francisco, “Desde algumas semanas parece que tudo se escureceu. Densas nuvens cobriram nossas praças, ruas e cidades; foram se adonando de nossas vidas fazendo de tudo um silêncio que ensurdece e um vazio desolador que paralisa tudo por onde passa: se palpita no ar, se sente nos gestos, se diz nos olhares”.
Hoje contemplamos Jesus Crucificado e nele somos chamados e chamadas a colocar nossa confiança, nossa vida e a vida de todas as pessoas que queremos, de tantas pessoas que dia a dia entregam sua vida como Jesus para salvar os que se aproximam para serem atendidos. Em Jesus Crucificado está nossa verdadeira liberdade.
Recebemos uma vez mais as palavras do Papa Francisco, que nos convida a olhar a âncora que é a cruz. “Temos um leme: na cruz dele fomos resgatados. Temos esperança: em sua cruz, fomos curados e abraçados, para que ninguém ou nada nos separe do seu amor redentor”. Peçamos ao Senhor que no “meio do isolamento em que estamos sofrendo a falta de afetos e encontros, experimentando a falta de tantas coisas, saibamos “ouvir mais uma vez o anúncio que nos salva: ele ressuscitou e vive ao nosso lado”. Texto completo: Francisco protagoniza uma impactante oração pelo fim da pandemia em uma vazia e chuvosa praça São Pedro.
Uma meta a longo prazo
nos exige esforço
duro e prolongado.
Mas um cálculo
nos dá a confiança de que vale a pena.
talvez a cruz
seja somente um investimento.
Por amor a outra pessoa,
sacrificamos com gosto
tempo, força e dinheiro.
A cruz se chama
solidariedade com o outro
que sinto de algum modo
parte de mim mesmo.
Um golpe repentino,
pode fulminar-nos em um instante,
e nossa existência
fica ferida sem remédio.
Perde-se a saúde,
um ser querido, ou a estima pública.
Arranca-se um galho verde,
uma parte viva do eu.
Quando esta mutilação
encontra seu repouso,
a cruz se chama aceitação
Existe a cruz livre
a que escolho
aquela da qual não fujo.
Mas uma vez nela pregado
já não posso descer quando quero.
Entregam-se os projetos aos cravos
a fantasia aos espinhos
o nome aos rumores
os lábios ao vinagre
e os bens à partilha.
Aqui a cruz se chama
fidelidade ao amor no amor,
que é canto e fortaleza
ressuscitando pela ferida.
Benjamin González Buelta
Introdução
Jesus termina a viagem e chega a Jerusalém, onde se darão os acontecimentos mais importantes da sua vida. Ao entrar na cidade, ele realiza três gestos simbólicos que revelam sua identidade messiânica:
1. Entra montado num jumentinho que, conforme as profecias, era a característica do rei justo, pobre e desarmado (Mt 21,1-11; Zc 9,9-10).
2. Entra no Templo, expulsa os vendedores e denuncia a hipocrisia do comércio dos animais para os sacrifícios (Mt 21,12-17).
3. Amaldiçoa a figueira para expressar sua crítica contra o povo de Israel, por ele não ter produzido frutos de justiça (Mt 21,18-22). Quando Jesus entra em Jerusalém, a cidade fica agitada e se pergunta: “Quem é este?” (Mt 21,10). A multidão respondia: “É o profeta Jesus de Nazaré, da Galileia” (Mt 21,11).
A palavra usada por Mateus para descrever a reação da cidade era usada também para descrever os tremores de terra. Esta reação da cidade e da multidão nos dá uma chave para entender o que estava acontecendo nas comunidades para as quais Mateus escrevia o seu evangelho. Os fariseus e os chefes da sinagoga se agitavam, reagiam contra os seguidores de Jesus e se recusavam a aceitá-lo como Messias. No entanto, a multidão, as pessoas simples o identificavam como o profeta anunciado por Moisés (Dt 18,15.18), em total continuidade com a história e as esperanças de Israel.
Comentando o texto
1. Mateus 21,1-5: O messias pobre e desarmado
A cena da entrada de Jesus em Jerusalém revela a sua identidade como Messias pobre e desarmado. Jesus mesmo toma as providências para entrar na cidade montado num jumentinho, o transporte dos pobres daquela época. Ao narrar este episódio, Mateus se inspira na tradição profética. Para dar à cena o sentido do cumprimento da profecia, ele cita literalmente o texto de Zacarias 9,9: “Dizei à Filha de Sião: eis que o teu rei vem a ti. Ele é manso e está montado num jumento, num jumentinho, cria de um animal de carga!”
2. Mateus 21,6-7: Acolher Jesus tal como ele se revela e se apresenta
Os discípulos são encarregados de preparar o animal para a entrada de Jesus na cidade. Eles vão e fazem exatamente como Jesus mandou. Por trás desta narração tem um recado para as comunidades: verdadeiro discípulo é aquele que aceita Jesus do jeito que ele é e quer ser, e não do jeito que elas gostariam que ele fosse. Se Jesus se fez Messias pobre e desarmado, não podem fazer dele um messias glorioso e poderoso.
3. Mateus 21,8-9: Eles queriam um grande rei
A multidão reage entusiasmada, estendendo seus mantos no chão para Jesus passar, e grita: “Hosana ao Filho de Davi !” Eles reconhecem em Jesus o Messias, o descendente do rei Davi. “Eles queriam um grande rei, que fosse forte e dominador!” Jesus não apreciava muito este título de “Filho de Davi” e chegou a questioná-lo (Mt 22,41-46). Pelo seu jeito de entrar na cidade sentado num jumentinho, ele estava dizendo que a sua maneira de ser rei era diferente.
4. Mateus 21,10-11: Quem é este?
A entrada de Jesus em Jerusalém questiona a população da cidade. Ela fica abalada, agitada e se pergunta: “Afinal, quem é este que a multidão acolhe como rei messiânico? Por que ele vem como um pobre?”
Alargando o texto
1. As várias imagens de Messias
A causa do desencontro entre Jesus e o povo tinha a ver com a esperança messiânica. Havia entre os judeus uma grande variedade de expectativas. De acordo com as diferentes interpretações das profecias, havia gente que esperava um Messias Rei (Mt 27,11). Outros, um Messias Santo ou Sacerdote (Mc 1,24). Outros, um Messias Guerrilheiro subversivo (Lc 23,5; Mc 15,6; 13,6-8). Outros, um Messias Doutor (Jo 4,25). Outros, um Messias Juiz (Lc 3,5-9; Mc 1,8). Outros, um Messias Profeta (Mt 21,11). Ao que parece, ninguém esperava o Messias Servo, anunciado pelo profeta Isaías (Is 42,1; 49,3; 52,13). Eles não se lembraram de valorizar a esperança messiânica como serviço do povo de Deus à humanidade. Cada um, conforme os seus próprios interesses e conforme a sua classe social, aguardava o Messias, livrinho na mão, querendo encaixá-lo na sua própria esperança. Por isso, o título Messias, dependendo da pessoa ou da posição social, podia significar coisas bem diferentes. Havia muita mistura de ideias!
2. Os ramos na festa da entrada de Jesus
Hoje, celebramos a entrada de Jesus em Jerusalém com ramos. A origem desta aclamação vem da Festa das Tendas, que era realizada no outono, depois da colheita (Dt 16,13; Lv 23,34). Ela lembrava o tempo em que o povo israelita fazia sua caminhada pelo deserto (Lv 23,43), morando em tendas. Por isso, durante uma semana, eles recolhiam ramagens e formavam tendas por toda parte (Ne 8,14-17). O povo agitava os ramos e dizia: “Bendito o que vem em nome do Senhor” . E os sacerdotes respondiam: “Da casa de Javé nós vos abençoamos” (Sl 118,25-27). A Festa das Tendas era um momento de alegria e de louvor, que mantinha a identidade do povo e lhe dava resistência.
Tradução Francisco O. Lara, João Bosco Lara e José J. Lara.
A celebração deste domingo, que abre a Semana Santa, tem dois momentos fortes: a procissão de entrada, com a benção dos ramos (o Rei entra em sua cidade, aclamado pelo povo); e o relato da Paixão (o Rei sai da cidade, debaixo de injúrias e impropérios, sendo posto na cruz). O Rei de Israel é um Rei.
Referências bíblicas
Evangelho (proclamado no exterior da igreja): Entrada messiânica (Mateus 21,1-11)
Missa da Paixão: 1ª leitura: Não desviei o rosto dos ultrajes... Porque sei que não serei humilhado. (Isaías 50,4-7)
Salmo: Sl. 21(22) - R/ Meu Deus, meu Deus, por que me abandonastes?
2ª leitura: Humilhou-se a si mesmo... Por isso Deus o exaltou... (Filipenses 2,6-11)
Evangelho: Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo (Mateus 26,14-27,66)
A tomada do poder
A Paixão-Ressurreição de Jesus é a sua exaltação, sua elevação acima de tudo, sua tomada de posse do Reino. O 4º evangelho investe na imagem de Jesus «levantado da terra», na cruz, que se torna assim o trono da glória. Os outros evangelistas mostram a entrada triunfante de Jesus em Jerusalém.
Esta cena dá o sentido dos acontecimentos que se seguirão, fosse qual fosse o seu conteúdo histórico. Não está aí para nos mostrar a versatilidade da multidão, que num dia aclama e no outro condena. Não. O que ela nos quer dizer é que Jesus veio «tomar o poder», que ele é o Messias filho de Davi que era esperado e que as antigas promessas vão ser cumpridas.
Temos, pois, de superpor, temos de ler em impressão sobreposta as profecias do Reino de Deus por meio do «ungido», do Cristo, na cena dos ramos, da elevação na cruz, da Ressurreição e também do anúncio da volta do Cristo, a recapitulação final.
Obediência à Palavra
Temos o hábito de considerar o Cristo como a Palavra. De fato, as Escrituras o mostram como quem as profere como quem instrui. Mas Jesus mesmo, recebendo e acolhendo a Palavra, esta imagem nos é menos familiar. E, no entanto, ele cumpre ativa e voluntariamente as Escrituras, decifrando na Palavra o que deve ele ser e fazer.
Particularmente nas profecias do Servo, em Isaías, capítulos 42, 49, 50 (a 1ª leitura), 52 e 53. Ver também (1º domingo da Quaresma) como Jesus fez suas as palavras do Deuteronômio. A Epístola aos Hebreus retoma este tema da obediência de Cristo, primeiro em 5,7-9 e, sobretudo, em 10,7, que cita o Salmo 40,7-9: «Eis-me aqui – no rolo do livro está escrito a meu respeito – eu vim, ó Deus, para fazer tua vontade».
Por ter-se deixado instruir por Deus, por ter recebido a Palavra, é que Cristo pode tomar a palavra; mas, então, sua palavra é a Palavra de Deus. Em João, Jesus diz que não cumpre a sua vontade, mas a vontade daquele que o enviou; que as suas obras não são suas, mas do Pai; e que as suas palavras, ele não as diz de si mesmo, mas são as palavras de quem o enviou. Daí a primeira frase de nossa primeira leitura: «Deus me deu língua de discípulo (...)», ou seja, de quem se deixa instruir. Jesus “fez-se obediente até a morte, e morte de Cruz”.
Face de luz e face de trevas
Esta obediência de Jesus tem algo de luminoso. Se, com efeito, tudo o que ele faz e o que diz não é dele, mas do Pai, então, através dele o Pai se torna visível e acessível. Deus está bem aí, entre nós. Este Jesus é a sua imagem perfeita e, a justo título, é chamado de «o Filho».
Se ser Pai significa tão somente dar-se a si mesmo em alimento, a fim de que os filhos vivam; fazer-se desaparecer (deixar-se ir, passar), a fim de deixar lugar aos outros; não se subtrair à maldade e à loucura, «não proteger a sua face dos ultrajes»...
Então, o Filho, Imagem perfeita, exata, deve passar pela cruz, pois que os homens estão por todo o tempo erguendo cruzes pelas quais, ao crucificarem os seus irmãos, estão crucificando o próprio Deus. Resumindo, ser Filho consiste em despojar-se de si mesmo, porque o Pai se despojou (2ª leitura). Mas isto passa por uma libertação.
Quero dizer que Jesus teve de superar a sua vontade de viver, o seu desejo de não sofrer, para escolher e querer aquela atitude. O que não acontece por si mesmo. Ele teve de se ajustar a isso. E o Getsêmani mostra que para ele não foi tão mais fácil do que para nós.
Das trevas à luz
Na hora das trevas, só há uma coisa a fazer: «conservar o rosto impassível como pedra» (1ª leitura), quer dizer, «receber os golpes», deixar-se rolar como um seixo, num silêncio «mineral» («Jesus se calava»). Mas por trás desta espécie de passividade inabalável, uma certeza: «sei que não serei confundido».
O segredo confiado por Deus a este a quem «abriu-lhe os ouvidos» a fim de que se «deixasse instruir como um discípulo», é que, fazendo-se por sua Paixão semelhante a Deus, tornou-se realmente em tudo semelhante a Ele e, encontrando-O ali onde Ele está, recebeu o Nome que está acima de todo nome.
(O TEXTO ORIGINAL EM ESPANHOL ESTÁ APÓS ESTA TRADUÇÃO)
Domingo de Ramos da Paixão do Senhor
Evangelho da procissão e da entrada solene: Mateus 21:1-11
Jesus se aproxima de Jerusalém, a cidade de Davi, a cidade messiânica, onde o Templo se ergue e onde residem as autoridades judaicas; em uma época de grandes multidões devido à aproximação da Páscoa. Jesus para ao pé do Monte das Oliveiras, na vila de Betfagé, que fica a leste da cidade santa; e dali envia dois de seus discípulos para buscarem um jumento e seu filhote na casa de um homem em uma vila vizinha e trazê-los a ele.
Mateus então destaca que tudo isso está cumprindo as profecias, ou seja, tudo está acontecendo de acordo com o plano de Deus. A introdução da passagem é retirada de Isaías 62:11 (“diga à filha de Sião”); enquanto o restante é uma citação literal de Zacarias 9:9: “Alegra-te muito, filha de Sião! Exulta, filha de Jerusalém! Eis que o teu rei vem a ti, justo e vitorioso, humilde e montado num jumento, num jumentinho, cria de jumenta.”
No cerne da passagem profética está a expressão “paciente, manso” (πραῢς), que se refere a uma atitude pacífica e não violenta. Em Mateus, encontramos essa expressão na bem-aventurança de Mt 5:4 (“Bem-aventurados os mansos , porque herdarão a terra”) e na autoapresentação de Jesus em Mt 11:29 (“Tomem sobre vocês o meu jugo e aprendam de mim, pois sou manso e humilde de coração, e vocês encontrarão descanso para as suas almas”). Essa atitude de mansidão no Messias contrasta fortemente com a entrada solene de reis e figuras poderosas nas cidades, onde exibiam sua força e poder.
Os discípulos, obedecendo à palavra de Jesus, trouxeram-lhe o jumento, vestiram-no com capas e Jesus, montado nesse animal, entrou em Jerusalém.
O gesto do povo de estender seus mantos na estrada é uma forma de honrá-lo como rei. Quando chegam à descida para Jerusalém e a cidade santa surge à vista, a multidão à frente e os seguidores atrás começam a gritar: "Hosana ao Filho de Davi! Bendito o que vem em nome do Senhor! Hosana nas alturas!"
A aclamação “Hosana ao Filho de Davi” é um grito de júbilo, onde “Hosana” significa “Salva-nos agora” e torna-se uma expressão claramente messiânica, pois menciona Davi, de cuja linhagem o Messias deveria surgir, segundo a esperança do povo de Israel. O grito “Bendito o que vem em nome do Senhor” nos lembra o Salmo 118:25-26: “Salva-nos, Senhor, e concede-nos prosperidade. Bendito o que vem em nome do Senhor! Nós te bendizemos desde a casa do Senhor”. Portanto, as aclamações louvam a Deus por cumprir sua promessa de enviar um rei Messias, um descendente de Davi.
A frase final (Hosana nas alturas!) seria um convite àqueles que vivem no céu, na morada de Deus — nas alturas — para se unirem ao louvor. Essa entrada de Jesus agita toda a cidade e desperta a questão sobre a identidade de Jesus: "Quem é este?". E a resposta, atribuída à própria multidão, o identifica como "o profeta Jesus de Nazaré da Galileia", sem maiores detalhes. Para A. Rodríguez Carmona, "aqui, profeta é equivalente a Messias, visto que o judaísmo da época esperava que o espírito da profecia, extinto desde Malaquias, reaparecesse com a chegada do Messias". Para P. Bonnard, poderia se referir ao profeta escatológico anunciado em Deuteronômio 18:18.
LEITURAS PARA A MISSA:
Primeira leitura (Is 50:4-7):
Este fragmento corresponde ao terceiro dos quatro poemas conhecidos como os "cânticos do servo" devido à sua referência a uma figura a quem Deus chama de seu "servo" ( ebed ). Essa figura é relevante porque a profecia de Isaías atribui a graça do resgate do cativeiro babilônico não apenas à misericórdia de Deus, mas também à obra de um mediador, o servo sofredor , que é representado como uma vítima expiatória pelos crimes do povo e que obtém o perdão para Israel em virtude de seu sacrifício.
Na passagem do cântico que lemos hoje, o servo é apresentado como um discípulo fiel do Senhor, vítima da maldade humana. Sua língua fala o que o Senhor lhe diz, seu ensinamento busca consolar os aflitos (50:4). Ele aceita sua missão sem resistência, conhece as dificuldades que ela acarreta, mas não desiste porque depositou toda a sua confiança no Senhor .
Segunda Lectura (Flp 2,6-11):
Este hino representa uma das expressões mais antigas e genuínas da fé cristã, rica em reflexões cristológicas e com valiosas contribuições doutrinais. A expressão com que se inicia a primeira parte, " tendo a forma de Deus " (2:6a), já implica uma profunda percepção da relação única e exclusiva de Jesus com Deus; e embora ainda não contenha explicitamente a ideia de pré-existência, fornece bases para reflexão nessa direção. Em seguida, ao descrever o processo kenótico , ou o processo de esvaziamento/humilhação de Jesus , revela uma compreensão unificada das escolhas fundamentais que ele fez ao longo de sua vida terrena. Essa auto-humilhação de Jesus consiste na rejeição de toda ambição e orgulho, e na adoção de uma atitude mansa e humilde (cf. Mt 11:29; Is 42:2-3; 53:7-9). O ápice dessa humilhação é tornar-se " obediente até a morte " (8b). onde ' até a morte ' tem um significado qualificativo, e não temporal, pois se refere a uma obediência que não cede a nenhum sacrifício pessoal, nem mesmo o da própria vida. Em suma , podemos dizer que toda a experiência de Jesus é interpretada tendo como pano de fundo a experiência de Adão e, especialmente, o quarto cântico do Servo Sofredor (Isaías 52:13-53:12). Diferentemente de Adão, que aspirava ser como Deus e, portanto, perdeu sua dignidade, Jesus, sendo de natureza divina, não reivindicou seu privilégio de igualdade com Deus, mas assumiu a condição de Servo Sofredor, dando a sua vida como expressão de sua total fidelidade ao Pai.
O movimento de exaltação que se segue culmina na dádiva do nome feita por Deus a Jesus; e este nome de Senhor (Ku,rioj) inclui o senhorio universal que o Antigo Testamento reconhecia em Javé e, portanto, os atos de adoração e confissão que todas as criaturas, incluindo as celestiais, oferecem a Jesus são justificados e até mesmo exigidos.
Evangelho: A Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus 1
Mateus nos oferece um relato da Paixão com ênfase nos aspectos eclesiais e doutrinais; é o relato de uma assembleia de fiéis. Mateus se preocupa menos que Marcos com detalhes específicos, mas nunca perde a oportunidade de enfatizar o cumprimento das Escrituras. Quando a Igreja primitiva refletiu sobre a Paixão, contemplou-a através das Escrituras, que revelam seu significado. Sabia que existe uma perfeita correspondência entre o plano de Deus, prefigurado no Antigo Testamento, e os eventos aparentemente desconcertantes da Semana Santa. Essa correspondência havia sido revelada pelo próprio Jesus, que, antes que esses eventos ocorressem, demonstrou, por meio de palavras e ações, que os conhecia perfeitamente. Além disso, mostra o povo de Israel seguindo seus líderes. A narrativa contribui para a formação de uma compreensão cristã do mistério através da participação na fé da Igreja.
Mateus apresenta a Paixão como uma conclusão lógica da vida de Jesus . A contradição e a cruz são temas recorrentes na vida de Jesus: em seu nascimento (cf. Mt 2,1-23), em seus discípulos que continuariam a carregar sua cruz (cf. Mt 10,38), em suas ações quando foi rejeitado (cf. Mt 11-12); e até mesmo a morte de João Batista sugere seu próprio destino (cf. Mt 14,1-12). A intenção de Mateus é dupla: apresentar Jesus como o Filho de Deus, obediente à vontade do Pai até a morte; e retratar vividamente as diversas atitudes das pessoas em relação à Paixão e morte de Cristo.
A narrativa começa com a trama das autoridades judaicas e a colaboração de Judas. Mas é Jesus quem toma a decisão que desencadeia a tragédia; ele é o protagonista por causa de sua fidelidade. No relato da prisão de Jesus, Mateus se preocupa em fornecer explicações . E o que ele nos conta aqui tem especial importância porque é o ímpeto inicial da Paixão: os princípios que guiam o comportamento de Jesus no momento de sua prisão iluminam todo o mistério .
➢ Mateus nos mostra que Jesus escolhe, com pleno conhecimento dos fatos e com total liberdade, o caminho da humilhação, porque o reconhece como o caminho que corresponde ao desígnio de Deus.
➢ Jesus se recusa a opor violência com violência, porque essa atitude, longe de salvar os homens, os aprisiona em um círculo infernal (cf. 26,52).
Jesus também se recusa a recorrer a uma intervenção milagrosa do poder divino: ele não duvida que possa obter tal intervenção do Pai (cf. 26,53), mas sabe muito bem que esse não é o caminho que o levará à meta. Chegou a hora em que "é preciso que se cumpram as Escrituras".
Quatro grupos giram em torno de Jesus: os Doze, as mulheres, o Sinédrio e as pessoas responsáveis por seu destino. A Paixão segundo Mateus destaca:
a. A inocência de Jesus proclamada por Judas, pela esposa de Pilatos e pelo próprio Pilatos. b. O silêncio de Jesus.
c. Elementos específicos de Mateus: o suicídio de Judas, o sonho da esposa de Pilatos, os fenômenos extraordinários na morte de Jesus, os guardas do túmulo.
Algumas reflexões
No Domingo de Ramos, celebramos a entrada de Jesus em Jerusalém, onde sofreria sua paixão e morte na cruz. É, portanto, a porta de entrada para a Semana Santa, e a liturgia deste dia nos convida a entrar nela com Jesus . Ao entrar em Jerusalém, Jesus é aclamado como rei, como o Filho de Davi em seu esplendor; contudo, ele aparece como "um rei manso, montado num jumento", como profetizou o profeta Zacarias (cf. Zc 9,9). Ele não é, portanto, um rei dominador que ostenta seu poder, mas um rei manso, humilde, pacífico e pacificador . Este é o significado dos ramos de oliveira, que nos lembram a paz que Cristo nos traz e que só pode existir quando Cristo reina em nossos corações, em nossos lares e em nossa sociedade.
Também é chamado de " Domingo da Paixão " porque lemos a Paixão do Senhor e, dessa forma, nos preparamos para toda a semana, antecipando os acontecimentos, descobrindo seu profundo significado e inspirando a atitude espiritual correspondente . Na tradição inaciana, trata-se de saber o que devemos pedir ao Senhor ao meditar sobre a Paixão, e a liturgia nos levou a fazer este pedido na oração do último domingo: "Senhor nosso Deus, nós vos suplicamos que a vossa graça nos conceda participar generosamente daquele amor que levou o vosso Filho a entregar-se à morte pela salvação do mundo ."
No entanto, os liturgistas desaconselham separar demasiado os dois momentos desta celebração. Assim, para A. Nocent, a ponte entre os dois momentos reside no significado da procissão: "Nesta procissão devemos ver muito mais do que uma mera imitação e recordação, a ascensão do povo de Deus, a nossa própria ascensão com Jesus rumo ao sacrifício. Além disso, enquanto a procissão nos recorda o triunfo de Cristo em Jerusalém, também nos conduz agora ao sacrifício da cruz, presente no sacrifício da Missa, que está prestes a ser oferecido . " ²
A primeira leitura nos convida a escutar , a atitude de um discípulo, mas também inclui a aceitação dos acontecimentos. O servo não apenas fala e escuta, mas também sofre sem fugir, confiando na ajuda do Senhor. É, portanto, um claro convite a nos envolvermos com a paixão de Jesus prefigurada nos sofrimentos do servo.
A segunda leitura também apresenta a jornada de Jesus, sua humildade e obediência até a morte, como um modelo a ser imitado. Mais especificamente, convida-nos a envolver nossa vontade, pensamentos e sentimentos na Paixão de Jesus. A extrema pobreza e o profundo amor de Jesus manifestados aqui devem ser a força motriz por trás de nossa entrega ao Senhor em pobreza de espírito e por amor.
Em relação à leitura da Paixão segundo São Mateus , considero interessante uma advertência feita pelo Cardeal C.M. Martini antes de comentar essa narrativa, observando que olhar para o Senhor crucificado para obter conhecimento de nós mesmos é mais fácil e natural do que olhar para Ele para obter conhecimento d'Ele.3 Apesar dessa dificuldade, nosso olhar deve buscar esse duplo objetivo, seguindo o conselho de São Leão Magno: “Aquele que verdadeiramente venera a Paixão do Senhor deve contemplar Jesus crucificado de tal maneira, com os olhos do coração, que reconheça a sua própria carne na carne de Jesus” (Sermão 15 sobre a Paixão do Senhor, 3-4: PL 54,366-367).
Se quisermos obter conhecimento de nós mesmos como discípulos de Jesus, podemos seguir os passos de Pedro, analisando suas reações e atitudes diante da Paixão do Senhor. Meditando sobre Pedro diante da Paixão de Jesus, aprenderemos a confessar nossos medos diante da cruz, a curar nossa presunção que ignora nossas próprias limitações, a reconhecer nossas fraquezas e infidelidades e a chorar amargamente por elas .
A outra opção é fixar os nossos olhos em Jesus, contemplá-lo e deixar-nos desafiar e transformar pelo seu exemplo de humildade e entrega ao Pai . Na oração da Coleta de hoje, pedimos: “Deus todo-poderoso e eterno, que mostrastes à humanidade o exemplo de humildade do nosso Salvador, que se encarnou e morreu na cruz, concedei-nos receber os ensinamentos da sua Paixão, para que um dia possamos participar da sua gloriosa ressurreição.”
Ao meditarmos sobre a Paixão de Jesus, podemos reter duas atitudes fundamentais : sua docilidade filial à vontade do Pai e sua solidariedade fraterna . Reconhecemos sua docilidade filial na aceitação da Paixão e da morte por Jesus como obediência à vontade do Pai, algo que Mateus destaca com suas referências ao cumprimento das Escrituras. E, de modo especial, a cena no Jardim do Getsêmani é um claro testemunho da luta de Jesus para colocar a vontade do Pai acima da angústia natural da morte iminente.
A solidariedade fraterna , em consonância com a primeira leitura, manifesta-se na instituição da Eucaristia, onde Jesus antecipa e revela o significado da sua paixão e morte como dom e oferta da sua vida para a salvação de toda a humanidade. Ele morre por nós. Os silêncios de Jesus, a sua recusa em defender-se, a sua passividade face à agressão humana são impressionantes. Igualmente impressionante é a sua aceitação do fracasso, pois as mesmas pessoas a quem ensinou e por quem deu a vida exigiram a libertação de Barrabás e a crucificação de Jesus. E, uma vez crucificado, sentiu o abandono do Pai naquele momento tão dramático. Sobre este assunto, o Papa Francisco disse em sua homilia de 2 de abril de 2023: “Este abandono é o preço que Ele pagou por mim. Ele se fez um com cada um de nós ao extremo, para estar conosco até o fim. Ele experimentou o abandono para não nos deixar reféns da desolação e para estar ao nosso lado para sempre. Ele fez isso por você, por mim, para que, quando você, eu ou qualquer pessoa se encontrar entre a cruz e a espada, perdido num beco sem saída, mergulhado no abismo do abandono, absorvido pelo turbilhão de tantos ‘porquês’ sem resposta, possamos ter esperança. Ele, por você, por mim. Não é o fim, porque Jesus esteve lá e está com você agora. Ele, que sofreu o afastamento do abandono para acolher em seu amor todos os nossos afastamentos. Para que cada um de nós possa dizer: em minhas quedas — todos nós já caímos tantas vezes — em minha desolação, quando me sinto traído ou traí outros, quando me sinto abandonado ou abandonei outros, Lembremo-nos de que Ele foi abandonado, traído e rejeitado. E é aí que O encontramos. Quando me sinto perdido e à deriva, quando não consigo seguir em frente, Ele está comigo; em meus muitos "porquês" sem resposta, Ele está presente.
Em suma , trata-se de apropriar-se, de certo modo, deste mistério da Paixão do Senhor, encontrando seu significado profundo e, a partir daí, relacionando-o às nossas vidas presentes. Portanto, peçamos ao Senhor que o mistério da Cruz nos ajude a descobrir o significado de nossas próprias cruzes e nos dê forças para perseverar em segui-Lo. Peçamos também a aceitação filial de nossos sofrimentos e a força para oferecê-los pelo bem dos outros. Mas, acima de tudo, peçamos que o mistério da Cruz nos ensine a verdade sobre o amor e nos dê forças para amar verdadeiramente a Deus e aos nossos irmãos e irmãs. O Papa Francisco também disse a este respeito: “Irmãos e irmãs, esse amor, todo por nós, ao extremo, o amor de Jesus, é capaz de transformar nossos corações de pedra em corações de carne. É um amor de piedade, de ternura, de compaixão. Este é o estilo de Deus: proximidade, compaixão e ternura. Este é Deus. Cristo, abandonado, nos move a buscá-lo e amá-lo nos abandonados. Porque neles não há apenas pessoas necessitadas, mas Ele está lá, Jesus, abandonado, Aquele que nos salvou descendo às profundezas da nossa condição humana. Ele está com cada um deles, abandonado até a morte.”
PARA ORAÇÃO (RESSONÂNCIAS DO EVANGELHO EM UMA ORAÇÃO):
Questões
Senhor, Deus e homem perfeito, Mestre
Ouvimos atentamente as respostas a tantas perguntas feitas.
Quando o amor foi derramado sem reservas.
O traidor perguntou o preço da entrega…
Pela vida de Deus aqui na terra
Sua família perguntou onde preparar o jantar…
Do memorial que conduz à vida eterna
Você perguntou aos seus amigos se eles topariam ficar acordados a noite toda…
A fragilidade da carne embalava as consciências para o sono.
Seus compatriotas perguntaram, e o opressor perguntou…
E foi no momento em que seu silêncio foi ouvido.
Eles perguntaram à ralé, ao povo sem pátria…
Quem merecia a liberdade… e o assassino a conquistou.
E a sentença foi selada, e a condenação foi pronunciada.
Nunca mais a solidão será nossa companheira na dor.
Deus responde mais do que nunca, Ele está tão perto! Amém.
1 Extraímos o que é próprio de Mateus do artigo de A. Vanhoye, "As diversas perspectivas dos quatro relatos evangélicos da Paixão", cuja versão digital pode ser encontrada em clerus.org .
2 A. Nocent, Celebrando Jesus Cristo III. Quaresma , 195.
3 Cf. CM Martini, As Narrativas da Paixão , San Pablo, Bogotá 1995, 12.
4 É precisamente isso que C.M. Martini faz em sua primeira meditação sobre a Paixão segundo São Mateus; cf. As Narrativas da Paixão , San Pablo, Bogotá 1995, 15-29. Mas observemos que essa jornada de Pedro só se encontra na leitura longa, pois na versão curta Pedro e os discípulos já desapareceram de cena.
DOMINGO DE RAMOS EN LA PASIÓN DEL SEÑOR
Evangelio de la procesión y entrada solemne: Mateo 21, 1-11
Jesús se acerca a Jerusalén que es la ciudad de David, la ciudad mesiánica, dónde está el Templo y dónde residen las autoridades judías; en un tiempo de mucha asistencia de gente dada la proximidad de la fiesta de Pascua. Jesús se detiene al pie del Monte de los Olivos, en el poblado de Betfagé, que está justo frente a la ciudad santa hacia el este; y desde allí manda a dos de sus discípulos a buscar una burra atada junto con su cría en la casa de una persona de un pueblo vecino para que se lo traigan.
A continuación, Mateo señala que con todo esto se están cumpliendo las profecías, es decir, que todo esto sucede según el plan de Dios. La introducción de la cita está tomada de Is 62,11 (“digan a la hija de Sión”); mientras que el resto es una cita literal de Zac 9,9: “¡Alégrate mucho, hija de Sión! ¡Grita de júbilo, hija de Jerusalén! Mira que tu Rey viene hacia ti; él es justo y victorioso, es humilde y está montado sobre un asno, sobre la cría de un asna.”
En el centro de la cita profética está la expresión “ paciente, manso” (πραῢς), que hace referencia a una actitud pacífica, no violenta; y que en Mateo encontramos en la bienaventuranza de Mt 5,4 (“Felices los pacientes, porque recibirán la tierra en herencia”) y en la presentación que Jesús hace sí mismo en Mt 11,29 (“Carguen sobre ustedes mi yugo y aprendan de mí, porque soy paciente y humilde de corazón, y así encontrarán alivio”). Esta actitud de mansedumbre del Mesías está en claro contraste al ingreso solemne de los reyes y poderosos a las ciudades donde hacían una demostración de fuerza y poder.
Los discípulos, obedeciendo a la palabra de Jesús, le llevan la burra, le ponen unos mantos encima y Jesús montado sobre este animal ingresa a Jerusalén.
El gesto de la gente de poner sus mantos sobre el camino es una forma de honrarlo como rey. Cuando llegan a la bajada hacia Jerusalén y ya tienen a la vista la ciudad santa, la multitud que iba delante y los seguidores por atrás comienzan a gritar: «¡Hosanna al Hijo de David; bendito el que viene en nombre del Señor; hosanna en las alturas!».
La aclamación “Hosanna al hijo de David”, es un grito de júbilo donde “Hosanna” significa “Sálvanos ya” y pasa a ser una expresión claramente mesiánica porque menciona a David, de cuya descendencia iba a surgir el Mesías según la esperanza del Pueblo de Israel. El grito de “Bendito el que viene en el nombre del Señor” nos recuerda al Salmo 118,25-26: “Sálvanos, Señor, asegúranos la prosperidad. ¡Bendito el que viene en nombre del Señor! Nosotros los bendecimos desde la Casa del Señor”. Por tanto, las aclamaciones alaban a Dios por cumplir su promesa de enviar un rey Mesías, un descendiente de David.
La frase final (¡Hosanna en las alturas (ὑψίστοις)!) sería una invitación a los que viven en el cielo, en la morada de Dios – en las alturas – para que se unan a la alabanza. Este ingreso de Jesús alborota toda la ciudad y despierta el interrogante sobre la persona de Jesús: “¿Quién es este?”. Y la respuesta, atribuida a la misma multitud, lo confiesa como “el profeta, Jesús de Nazareth de Galilea”, sin mayores precisiones. Para A. Rodríguez Carmona “aquí profeta equivale a Mesías, pues el judaísmo de la época esperaba que el espíritu de profecía, que se había extinguido desde Malaquías, reaparecería con la llegada del Mesías”. Para P. Bonnard podría referirse al profeta escatológico anunciado en Dt 18,18.
LECTURAS DE LA MISA:
Primera lectura (Is 50,4-7):
Este fragmento corresponde al tercero de los cuatro poemas que son conocidos como los "cánticos del siervo" por su referencia a un personaje a quien Dios llama como su “siervo” (ebed). Esta figura es relevante por cuanto la profecía de Isaías atribuye la gracia del rescate de la cautividad babilónica no sólo a la misericordia de Dios sino también a la obra de un mediador, el siervo sufriente, que es representado como una víctima expiatoria por los crímenes del pueblo y que obtiene el perdón para Israel en virtud de su sacrificio.
En el fragmento del cántico que leemos hoy el siervo es presentado como fiel discípulo del Señor, víctima de la maldad de los hombres. Su lengua pronuncia lo que el Señor le indica, su enseñanza procura consolar al abatido (50,4). Acepta su misión sin resistencia, conoce las dificultades que entraña, pero no se da por vencido pues tiene puesta toda su confianza en el Señor.
Segunda Lectura (Flp 2,6-11):
Este himno representa una de las más antiguas y genuinas expresiones de la fe cristiana, rica en intuiciones cristológicas y con valiosos aportes doctrinales. La expresión con que inicia la primera parte: ‘existiendo en condición de Dios’ (2,6a) supone ya una percepción profunda de las relaciones únicas y exclusivas de Jesús con Dios; y aunque no contiene explícitamente todavía la idea de preexistencia, da pie para una reflexión en esta dirección. Luego, al describir el proceso kenótico o de vaciamiento/abajamiento de Jesús, revela una comprensión unitaria de las opciones fundamentales realizadas por Él a lo largo de su vida terrenal. Esta autohumillación de Jesús consiste en el rechazo de toda ambición y orgullo; y en la adopción de una actitud mansa y humilde (cf. Mt 11,29; Is 42,2-3; 53,7-9). El culmen de esta humillación es hacerse ‘obediente hasta la muerte’ (8b); donde el ‘hasta la muerte’ tiene un sentido calificativo más que temporal pues se trata de una obediencia que no cede ante ningún sacrificio personal, incluso el de la propia vida. En breve, podemos decir que toda la vivencia de Jesús es leída sobre el trasfondo de la experiencia de Adán y, muy especialmente, del cuarto cántico del siervo de Yavé (Is 52,13- 53,12). Al contrario de Adán, quien pretendió ser como Dios y así perdió su dignidad, Jesús, siendo de condición divina, no ha hecho valer su privilegio de igualdad con Dios, sino que ha asumido la condición propia del Siervo Sufriente, dando su vida como expresión de su fidelidad total al Padre.
El movimiento de exaltación que le sigue tiene su cumbre en la donación del nombre hecha por Dios a Jesús; y este nombre de Señor (Ku,rioj) comprende el señorío universal que el AT reconocía a Yavé y, por tanto, los actos de adoración y confesión que le brindan a Jesús todas las criaturas, incluidas las celestiales, son justificados y hasta exigidos.
Evangelio: Pasión de Nuestro Señor Jesucristo según san Mateo1
Mateo nos ofrece un relato un relato de la Pasión con acentuaciones en lo eclesial y doctrinal, es el relato de una asamblea de creyentes. Mateo se interesa menos que Marcos en los detalles concretos, pero no pierde nunca la ocasión para insistir en el cumplimiento de las Escrituras. Cuando la Iglesia primitiva consideraba la Pasión, la contemplaba a través de la Escritura, que le revela su sentido. Sabía que existe una correspondencia perfecta entre el designio de Dios, prefigurado en el Antiguo Testamento, y los sucesos, a primera vista desconcertantes, de la semana santa. Tal correspondencia había sido revelada por Jesús mismo, quien antes del cumplimiento de estas cosas demostró, con palabras y hechos, que las conocía perfectamente. Por otra parte, muestra el extravío del pueblo de Israel tras sus dirigentes. La narración contribuye a la formación de una intelección cristiana del misterio, por medio de una participación en la fe de la Iglesia.
La pasión es presentada por Mateo como un final lógico de la vida de Jesús. Sobre toda la vida de Jesús se proyecta la contradicción y la cruz: en su nacimiento (cf. Mt 2,1-23), en sus discípulos que continuarán cargando su cruz (cf. Mt 10,38), en su actuación cuando es rechazado (cf. Mt 11-12); y hasta la muerte de Juan Bautista sugiere su misma suerte (cf. Mt 14,1-12). La intencionalidad de Mateo es doble: presentar a Jesús como el Hijo de Dios obediente a la voluntad del Padre hasta la muerte; y catalogar en vivo las diversas actitudes de la gente ante la pasión y muerte de Cristo.
El relato se inicia con el complot de las autoridades judías y la cooperación de Judas. Pero será Jesús quien tome la decisión que pone en marcha la tragedia; él es el protagonista por su fidelidad. En la narración del arresto de Jesús Mateo se preocupa por dar explicaciones. Y lo que él nos dice aquí tiene una importancia especial por el hecho de que se trata del impulso inicial de la Pasión: los principios que guían el comportamiento de Jesús en el momento del arresto iluminan el conjunto del misterio.
➢ Mateo nos muestra que Jesús elige, con pleno conocimiento de causa y con plena libertad, el camino de la humillación, porque lo reconoce como el camino que corresponde al designio de Dios.
➢ Jesús rehúsa oponerse a la violencia con la violencia, porque esta actitud, lejos de salvar a los hombres, los encierra en un círculo infernal (cf. 26,52).
➢ Jesús rehúsa también recurrir a una intervención milagrosa del poder divino: no duda de que puede obtener del Padre una intervención de este género (cf. 26,53), pero sabe bien que no es ésta la vía que conducirá al objetivo. Ha llegado la hora en que deben "cumplirse las Escrituras".
En torno a Jesús se mueven cuatro grupos: los Doce, las mujeres, el Sanedrín y el pueblo responsable de su suerte. En la pasión según Mateo se destaca:
a. La inocencia de Jesús proclamada por Judas, la mujer de Pilato y el mismo Pilato. b. El silencio de Jesús.
c. Lo propio de Mateo: el suicidio de Judas, el sueño de la mujer de Pilato, los fenómenos extraordinarios al morir Jesús, los guardias del sepulcro.
Algunas reflexiones
El domingo de ramos celebramos la entrada de Jesús en Jerusalén donde va a sufrir su pasión y su muerte en cruz. Es, por tanto, la puerta de la Semana Santa y la liturgia de este día nos invita a entrar con Jesús en la misma. En su ingreso a Jerusalén Jesús es aclamado como rey, como el hijo de David en su esplendor; pero aparece como "un rey manso, montado en un asna" como lo había profetizado el profeta Zacarías (cf. Zac 9,9). No es, por tanto, un rey prepotente que hace alarde de su poder; sino un rey manso, humilde, pacífico y pacificador. De aquí toman sentido los ramos de olivo que recuerdan la paz que nos trae Cristo y que sólo puede darse cuando Cristo reina en nuestros corazones, en nuestra casa, en nuestra sociedad.
Se lo llama también "domingo de Pasión" por cuanto leemos la Pasión del Señor y, de este modo, nos ponemos en clima para toda esta semana anticipando los hechos para descubrir su sentido profundo e inspirarnos la actitud espiritual correspondiente. Se trata, al estilo ignaciano, de saber lo que tenemos que pedir al Señor al meditar en la pasión, y que la liturgia nos lo hizo pedir en la oración colecta del domingo pasado: “Señor y Dios nuestro, te rogamos que tu gracia nos conceda participar generosamente de aquel amor que llevó a tu Hijo a entregarse a la muerte por la salvación del mundo”.
Ahora bien, los liturgistas aconsejan no separar demasiado los dos momentos de esta celebración. Así, para A. Nocent el puente entre los dos momentos está en el sentido de la procesión: "En esta procesión debemos ver mucho más que un remedo y un recuerdo, la subida del pueblo de Dios, nuestra propia subida con Jesús hacia el sacrificio. Además, mientras la procesión nos recuerda el triunfo de Cristo en Jerusalén, nos lleva también ahora hacia el sacrificio de la cruz, hecho presente en el sacrificio de la misa, que va a ofrecerse"2.
La primera lectura nos invita a la escucha, actitud propia del discípulo, pero incluye también la aceptación de los acontecimientos. El siervo no sólo habla y escucha, sino que también padece sin huir, confiando en la ayuda del Señor. Es una clara invitación, por tanto, a involucrarse con la pasión de Jesús prefigurada en los sufrimientos del siervo.
También la segunda lectura nos presenta el camino de Jesús, su abajamiento y su obediencia hasta la muerte, como modelo a imitar. Más puntualmente nos invita a involucrarnos con nuestro querer, pensar y sentir en la pasión de Jesús. La extrema pobreza y el extremo amor de Jesús manifestado aquí deben ser el motor de nuestra entrega al Señor en pobreza de espíritu y por amor.
En cuanto a la lectura de la Pasión según San Mateo, me parece interesante una advertencia que hace el Cardenal C. M. Martini antes de comentar esta narración señalando que mirar al Señor crucificado para obtener conocimiento de nosotros mismos nos resulta más fácil y natural que mirarlo para obtener conocimiento de Él3. No obstante esta dificultad, hay que nuestra mirada debe buscar este doble objetivo siguiendo el consejo de San León Magno: “El que en verdad venera la pasión del Señor debe contemplar de tal manera, con los ojos de su corazón, a Jesús crucificado, que reconozca su propia carne en la carne de Jesús” (Sermón 15 sobre la pasión del Señor, 3-4: PL 54,366-367).
Si queremos obtener conocimiento de nosotros mismos en cuanto discípulos de Jesús podemos seguir las huellas de Pedro, analizando sus reacciones y sus actitudes ante la Pasión del Señor. Meditando sobre Pedro ante la Pasión de Jesús aprenderemos a confesar nuestros miedos ante la cruz, a sanar nuestra presunción que desconoce los propios límites, a reconocer nuestras fragilidades e infidelidades y a llorar amargamente por ellas4.
La otra opción es fijar nuestros ojos en Jesús para contemplarlo y dejarse cuestionar y transformar por su ejemplo de humildad y de entrega al Padre. En la oración colecta de este día pedimos: “Dios todopoderoso y eterno, tú mostraste a los hombres el ejemplo de humildad de nuestro Salvador, que se encarnó y murió en la cruz; concédenos recibir las enseñanzas de su Pasión, para poder participar un día de su gloriosa resurrección”.
Meditando sobre la pasión de Jesús podemos retener dos actitudes fundamentales suyas: su docilidad filial a la voluntad del Padre y su solidaridad fraterna. Su docilidad filial la reconocemos en la aceptación por parte de Jesús de su pasión y muerte como obediencia a la Voluntad del Padre que nos la resalta Mateo con las referencias al cumplimiento de las Escrituras. Y de modo especial, la escena del huerto de Getsemaní es un claro testimonio de la lucha de Jesús por anteponer la Voluntad del Padre a la natural angustia ante la muerte cercana.
La solidaridad fraterna, en consonancia con la primera lectura, queda de manifiesto en la institución de la Eucaristía donde Jesús anticipa y revela el sentido su pasión y su muerte como donación y entrega de su vida por la salvación de todos los hombres. Muere por nosotros. Son muy llamativos los silencios de Jesús, su negativa a defenderse, su pasividad ante la agresividad de los hombres. También lo es su aceptación de su fracaso, pues el mismo pueblo a quien enseñó y por quien da la vida pide la liberación de Barrabás y la crucifixión de Jesús. Y una vez crucificado llegar a sentir el abandono del Padre en ese momento tan dramático. Sobre esto dijo el Papa Francisco en su homilía del 2 de abril de 2023: “Este abandono es el precio que pagó por mí. Se hizo solidario con cada uno de nosotros hasta el extremo, para estar con nosotros hasta las últimas consecuencias. Experimentó el abandono para no dejarnos rehenes de la desolación y estar a nuestro lado para siempre. Lo hizo por ti, por mí, para que cuando tú, yo, o cualquiera se vea entre la espada y la pared, perdido en un callejón sin salida, sumido en el abismo del abandono, absorbido por el torbellino de los tantos “por qué” sin respuesta, pueda tener una esperanza. Él, por ti, por mí. No es el final, porque Jesús ha estado allí y está ahora contigo. Él, que sufrió el alejamiento del abandono para acoger en su amor todos nuestros distanciamientos. Para que cada uno de nosotros pueda decir: en mis caídas ―todos hemos caído tantas veces―, en mi desolación, cuando me siento traicionado o he traicionado a los demás, cuando me siento descartado o he descartado a los demás, cuando me siento abandonado o he abandonado a los demás, pensemos que Él fue abandonado, traicionado, descartado. Y ahí lo encontramos a Él. Cuando me siento errado y perdido, cuando ya no puedo más, Él está conmigo, en mis tantos “por qué” sin respuesta, Él está ahí”.
En conclusión, se trata de apropiarse, en cierto modo, de este misterio de la pasión del Señor, de encontrarle su sentido profundo y desde allí vincularlo a nuestra vida presente. Por eso, pidamos al Señor que el misterio de la cruz nos ayude a descubrir el sentido de nuestras cruces y nos de la fuerza para perseverar en su seguimiento. Pidamos también la aceptación filial de nuestros sufrimientos y el poder ofrecerlos por el bien de los demás. Pero, por encima de todo, pidamos que el misterio de la cruz nos enseñe la verdad sobre el amor y nos comunique la fuerza para poder amar de verdad a Dios y los hermanos. Al respecto decía también el Papa Francisco: “Hermanos y hermanas, un amor así, todo para nosotros, hasta el extremo, el amor de Jesús, es capaz de transformar nuestros corazones de piedra en corazones de carne. Es un amor de piedad, de ternura, de compasión. Este es el estilo de Dios: cercanía, compasión y ternura. Así es Dios. Cristo abandonado nos mueve a buscarlo y amarlo en los abandonados. Porque en ellos no sólo hay personas necesitadas, sino que está Él, Jesús abandonado, Aquel que nos salvó descendiendo hasta lo más profundo de nuestra condición humana. Está con cada uno de ellos, abandonados hasta la muerte.”
PARA LA ORACIÓN (RESONANCIAS DEL EVANGELIO EN UNA ORANTE):
Preguntas
Señor, Dios y hombre perfecto, Maestro
Escuchamos las respuestas a tantas preguntas hechas
Cuando el Amor se derramó sin reservas
Preguntó el traidor, el precio de la entrega…
Por la vida de Dios aquí en la tierra
Preguntaron los tuyos dónde preparar la cena…
Del Memorial que lleva a la vida eterna
Preguntaste a los amigos si se quedarían en vela…
La carne débil adormeció las conciencias
Preguntaron tus paisanos y preguntó el opresor…
Y fue el instante en que tu silencio se oyó
Preguntaron a la chusma, al pueblo sin Patria…
Quién merecía la libertad… y el asesino la ganaba
Y se selló la sentencia, y se pronunció la condena
Nunca más la soledad será en el dolor, nuestra compañera
Dios más que nunca responde, está tan cerca! Amén.
1 Extraemos lo propio de Mateo del artículo de A. Vanhoye, "Las diversas perspectivas de los cuatro relatos evangélicos de la Pasión", cuya versión digital se encuentra en clerus.org.
2 A. Nocent, Celebrar a Jesucristo III. Cuaresma, 195.
3 Cf. C. M. Martini, Las Narraciones de la Pasión, San Pablo, Bogotá 1995, 12.
4 Esto es justamente lo que hace C. M. Martini en su primera meditación sobre la pasión según san Mateo; cf. Las Narraciones de la Pasión, San Pablo, Bogotá 1995, 15-29. Pero notemos que este camino de Pedro sólo lo encontramos en la lectura larga, pues en la versión breve Pedro y los discípulos ya han desaparecido de escena.