25/01/2026
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AS LEITURAS DESTA PÁGINA E DO MÊS TODO
1ª leitura: Isaías 8,2.3b-9,31
Salmo 26(27) R- O Senhor é minha luz e salvação.
2ª leitura: 1 Coríntios 1,10-13.17
Evangelho de Mateus 4,12-23
Ao saber que João tinha sido preso, Jesus voltou para a Galiléia. 13Deixou Nazaré e foi morar em Cafarnaum, que fica às margens do mar da Galiléia, 14no território de Zabulon e Neftali, para se cumprir o que foi dito pelo profeta Isaías: 15'Terra de Zabulon, terra de Neftali, caminho do mar, região do outro lado do rio Jordão, Galiléia dos pagãos! 16O povo que vivia nas trevas viu uma grande luz e para os que viviam na região escura da morte brilhou uma luz. 17Daí em diante Jesus começou a pregar dizendo: 'Convertei-vos, porque o Reino dos Céus está próximo. 18Quando Jesus andava à beira do mar da Galiléia, viu dois irmãos: Simão, chamado Pedro, e seu irmão André. Estavam lançando a rede ao mar, pois eram pescadores. 19Jesus disse a eles: 'Segui-me, e eu farei de vós pescadores de homens.' 20Eles, imediatamente deixaram as redes e o seguiram. 21Caminhando um pouco mais, Jesus viu outros dois irmãos: Tiago, filho de Zebedeu, e seu irmão João. Estavam na barca com seu pai Zebedeu consertando as redes. Jesus os chamou. 22Eles, imediatamente deixaram a barca e o pai, e o seguiram. 23Jesus andava por toda a Galiléia, ensinando em suas sinagogas, pregando o Evangelho do Reino e curando todo tipo de doença e enfermidade do povo. Palavra da Salvação.
Mt 4,12-23
O Evangelho de hoje nos mostra que Jesus cumpre o que tinha sido predito pelos profetas do AT: “O povo que vivia nas trevas viu uma grande luz; e para os que viviam na região escura da morte brilhou uma grande luz”.
Como brilhou essa grande luz? Como essa luz apareceu? Essa grande Luz é “Jesus que começou a pregar, dizendo: ‘Convertei-vos, porque o Reino dos Céus está próximo’”. Ele apareceu como a Grande Luz que ilumina “os que viviam na região escura da morte”.
Jesus se revela como Deus e homem. Deus, porque fala em nome de Deus, anunciando em todos os lugares: “Convertei-vos, porque o Reino dos Céus está próximo”. Ele se revela verdadeiro homem, cheio de compaixão para com todos os necessitados e doentes. O Evangelho de hoje nos diz: “Jesus andava por toda a Galileia... curando todo tipo de doença e enfermidade do povo”. Jesus revela o seu coração humano e o seu poder divino. Ele anuncia o Reino dos Céus e, mais importante ainda, o torna presente.
A confissão de que Jesus é verdadeiro homem e verdadeiro Deus é fundamental para a nossa fé. Devemos reconhecer que Jesus, verdadeiro Deus, veio na nossa carne, aceitando a nossa vida concreta, a nossa vida cotidiana, as nossas responsabilidades do dia-a-dia. Nós encontraremos Jesus nessa nossa carne porque Ele a assumiu. Não o encontraremos no mundo do sonho, da evasão. Não o encontraremos fora da nossa condição humana e cotidiana.
É exatamente o fato de Jesus ter se encarnado que nos faz encontrá-lo em nosso cotidiano. O nosso trabalho cotidiano, as nossas responsabilidades concretas (em suma: a nossa carne) não são apenas tarefas a serem cumpridas, mas podem ser o nosso apostolado, o nosso modo concreto de colaborar com a salvação do mundo e de dar glória a Deus, desde que encontremos Jesus no nosso cotidiano. Com a encarnação do Verbo, a nossa carne está repleta da presença de Jesus. É encontrando Jesus na carne que podemos consagrar a nossa carne como sacrifício agradável a Deus e transformá-la em apostolado.
O nascimento de Jesus como homem fez da nossa vida humana o caminho para encontrar Deus. O nascimento de Jesus transformou a nossa vida humana em apostolado. No nosso trabalho de hoje, nas nossas responsabilidades atuais, nas nossas tarefas assumidas procuremos reconhecer Jesus encarnado, que prega e que cura, que se imola e que salva.
“Deixou Nazaré e foi morar em Cafarnaum, que fica às margens do mar da Galileia…“. (Mt 4,13)
3ºDTComum - Mt 4,12-23 - Ano A – 25/01/26
É muito importante para Mateus deixar claro que Jesus começa sua missão longe de Jerusalém, do templo, das autoridades religiosas, desconectando o ministério d’Ele de toda instituição religiosa. Mas, ao mesmo tempo, quer deixar claro que a pregação de Jesus está em sintonia com a de João Batista, iniciando as duas com o mesmo apelo: “Convertei-vos, porque está próximo o Reino dos céus”.
O evangelista Mateus dedica um especial cuidado em descrever o cenário no qual Jesus vai fazer sua aparição pública. Apaga-se a voz do Batista e as pessoas começam a escutar a voz nova de Jesus. Desaparece a paisagem seca e sombria do deserto para dar lugar ao verdor e beleza da Galileia. Jesus abandona Nazaré e se desloca a Cafarnaum, à margem do lago de Genesaré. Tudo sugere o aparecimento de uma vida nova. Galileia é cruzamento de caminhos; Cafarnaum, uma cidade aberta ao mar. A partir daqui a salvação chegará a todos os povos.
Estamos, portanto, no início da vida pública de Jesus. O evangelho deste domingo nos apresenta cenas em um único relato: 1. A mensagem inicial de Jesus: “Convertei-vos, porque está próximo o reino dos céus”; 2. A eleição dos primeiros discípulos: “Segui-me, e eu farei de vós pescadores do humano”; 3. Breve prelúdio-resumo do que vai ser a missão de Jesus: “Ele percorria por toda a Galileia, ensinando em suas sinagogas, proclamando a Boa Notícia do Reino e curando todo tipo de doença e enfermidade do povo”. Com sua presença inspiradora, o anúncio da Boa Notícia e o compromisso em favor da vida, Jesus torna visível a realização do Reinado de Deus na terra.
Tudo começou nas periferias da Galileia, junto àqueles que viviam no mundo da exclusão: os pagãos, os perdidos, os extraviados e desgarrados, os enfermos, os necessitados… Sobre a terra há sombras de morte; reina a injustiça, a violência, a exploração…. A vida não pode crescer; há divisões e conflitos nas relações. Aqui não reina o Pai. No entanto, em meio às trevas, o povo começa a ver uma nova luz; entre as sombras da morte, começa a brilhar uma forte luz. Isso é sempre Jesus: uma Luz que brilha na escuridão do mundo.
Jesus sabia para quê e para quem estava no mundo: aliviar o sofrimento das pessoas, abrir um horizonte de sentido àqueles que estavam excluídos, despertar uma nova esperança para os marginalizados…Vida iluminada, inspirada e cheia de sentido.
É neste contexto “periférico” que Jesus começa sua pregação itinerante com um forte grito: “Convertei-vos, porque o reino de Deus está próximo”. “Convertei-vos”: esta é sua primeira palavra; é a hora da conversão; é preciso abrir-se à novidade do Reino de Deus; não permanecer sentados nas trevas, mas caminhar na luz. A expressão “meta-noeo” (de onde vem “metanoya” – conversão) significa originariamente “mudar de opinião”, “retificar”, “mudar de mentalidade”. Assim, o termo grego “metanoya” fala de “outro modo de conhecer” que não é o habitual (do ego).
Contrariamente às concepções habituais que aparecem nas pregações e nos catecismos, que atribuem a este termo conotações de mortificação, remorso ou culpa, o termo original grego aponta para algo mais profundo. Trata-se de um convite para sair da rotina mental, da inércia do já conhecido ou da prisão de nossos pensamentos, falsas visões, pré-juízos, petrificações legalistas e moralistas…; só assim seremos capazes de “ver de outra maneira”; isso nos permitirá captar precisamente a realidade do Reino, ou seja, aquilo que constitui o mais secreto da realidade e nosso núcleo mais profundo. Na verdade, conversão significa nos deixar conduzir por Aquela presença que nos habita, nos inspira e nos abre a uma vida nova.
Neste sentido, converter-nos implica esvaziar-nos do “ego”, deixar de viver girando em volta dele, como se tratasse de nossa identidade verdadeira, e começar a olhar a realidade – a nós mesmos, os outros, o mundo – a partir de quem realmente somos, em profunda sintonia com Aquele que tudo habita e tudo unifica.
Assim entendida, a conversão é a maneira original de ver e viver daquele que se inspiram na realidade do Reino, daqueles que tomam distância de seu ego, porque compreendem que identificar-se com ele é um engano que faz “perder a vida”, como diz o próprio Jesus.
No seu sentido mais inspirador, “metanoia” não significa mudanças de hábitos e atos, mas “troca de Senhor”; é preciso ter a coragem de nos perguntar: “quem é o senhor que comanda a nossa vida?” São os falsos senhores, nosso ego inflado, nossos ídolos…? Ou Aquele que nos habita e nos torna seres transparentes, descentrados, abertos ao novo, sintonizados com a realidade…
Depois do apelo à conversão, a segunda cena do evangelho deste domingo é a eleição dos primeiros discípulos: “Vinde e segui-me”. Desde o início de sua vida pública, Jesus quis incorporar colaboradores(as) na missão de construir o Reinado de Deus na terra. Para ajudá-lo nesta missão, Jesus chamou seus primeiros discípulos e continua nos convocando hoje, pois o reinado de Deus está inacabado, enquanto houver um ser humano bloqueado em sua vida e que necessita ser despertado para despertar o “melhor” em seu interior: “o Reino de Deus está dentro de vós” (Lc 17,21).
Jesus iniciou um movimento de vida, um movimento humanizador. Ele não estava preocupado em constituir uma nova religião, renovar o culto, apresentar uma doutrina mais rígida… Ele elegeu seus discípulos para que o acompanhassem em sua itinerância e lhe ajudassem na implantação e desenvolvimento de seu projeto. A partir desse momento, no movimento dos seguidores de Jesus, a vocação e a missão no Reino são inseparáveis. O diferencial desse movimento é que todos trabalhem em companhia-comunidade, em ajuda mútua, em equipe.
Naquele primeiro encontro com os discípulos à beira do mar, Jesus não propôs projetos abstratos: propôs encontros com pessoas, para que nesses encontros brotasse o mais profundo e nobre que existe em cada ser humano. É preciso “pescar o humano”, porque em cada um deles está a fonte das transformações, em cada um deles pulsa o futuro.
O final do evangelho de hoje é um resumo-antecipação das atividades de Jesus durante sua vida pública: ensinar e cuidar. Palavra e cura; ditos e atos. Seus ensinamentos explicam o mistério do Reino. As curas são antecipação e “sinais” do Reino. Ele passou a vida fazendo o bem e dizendo como se faz o bem. Como bom mestre, ensina a todos nós, seus discípulos e seguidores, a fazer o mesmo e fazer como Ele o fez.
Nossa missão é continuar a obra começada por Ele. É uma questão de atitudes e comportamentos identificados com as atitudes e comportamentos de Jesus. Nós devemos tornar presente o Reinado de Deus com nossa vida, sermos transparência da vida de Jesus, ou seja, cuidar e aliviar o sofrimento humano, sanear a vida, trabalhar por uma vida mais sadia, digna e ditosa para todos. Esta é a vida que Deus quer para todos. Nós hoje somos sua providência, seu amor e cuidado, sua presença em meio às pessoas.
Jesus continua nos convidando a trabalhar com Ele e como Ele, a viver como Ele, a ter os critérios e os valores d’Ele. Ele continua convocando pessoas que tem espírito de audácia, de energia, de criatividade, de luta, de participação, porque Deus não nos deu espírito de timidez, de covardia, de fuga… O encontro com Ele reacende as brasas da esperança, ainda latentes em nosso interior; seu modo de ser e agir alimenta as raízes de nossa existência…
Texto bíblico: Mt 4,12-23
Na oração: Jesus continua transitando pelos nossos montes e lagos, com uma proposta ousada de vida (Reino) e nos convocando para compartilhar com Ele desse mesmo projeto.
— A que me sinto chamado(a) hoje? Minha vivência cristã está centrada no seguimento e identificação com Jesus ou se reduz a algumas “práticas religiosas” estéreis e sem compromisso com a transformação da realidade?
— Como “pescar o humano” no seu contexto familiar, social e religioso, marcado por tanta intolerância, ódio e preconceito? Onde está a verdadeira identidade da vida cristã?
O primeiro escritor que recolheu a atuação e a mensagem de Jesus resumiu tudo dizendo que Jesus proclamava a “Boa Nova de Deus”. Mais tarde, os demais evangelistas utilizam o mesmo termo grego (euaggelion) e expressam a mesma convicção: no Deus anunciado por Jesus, as pessoas encontravam algo “novo” e “bom”.
Há ainda nesse Evangelho algo que possa ser lido, no meio da nossa sociedade indiferente e descrente, como algo novo e bom para o homem e a mulher dos nossos dias? Algo que se possa encontrar no Deus anunciado por Jesus e que não é fornecido facilmente pela ciência, pela técnica ou pelo progresso? Como é possível viver a fé em Deus nos nossos dias?
No Evangelho de Jesus, os crentes se encontraram com um Deus do qual sentem e vivem a vida como uma oferenda que tem sua origem no mistério último da realidade que é o Amor. Para mim, é bom não me sentir só e perdido na existência, nem nas mãos do destino ou do azar. Tenho Alguém em quem posso confiar e a quem posso agradecer a vida.
No Evangelho de Jesus, encontramo-nos com um Deus que, apesar da nossa falta de jeito, nos dá força para defender a nossa liberdade sem acabarmos por ser escravos de qualquer ídolo; para seguir aprendendo sempre formas novas e mais humanas de trabalhar e de disfrutar, de sofrer e de amar. Para mim, é bom poder contar com a força da minha pequena fé nesse Deus.
No Evangelho de Jesus, encontramo-nos com um Deus que desperta a nossa responsabilidade para não nos desentendermos dos outros. Não conseguiremos fazer grandes coisas, mas sabemos que podemos contribuir para uma vida mais digna e mais ditosa para todos pensando sobretudo nos mais necessitados e indefesos. Para mim, é bom acreditar num Deus que com frequência me pregunta o que faço pelos meus irmãos. Contribui para que viva com mais lucidez e dignidade.
No Evangelho de Jesus, encontramo-nos com um Deus que nos ajuda a vislumbrar que o mal, a injustiça e a morte não têm a última palavra. Um dia, tudo o que aqui não pôde ser, o que ficou a meio, os nossos maiores anseios e os nossos mais íntimos desejos alcançarão em Deus a sua plenitude. A mim faz-me bem viver e esperar a minha morte com esta confiança.
Cada um de nós deve decidir como quer viver e como quer morrer. Cada um deve escutar a sua própria verdade. Para mim, não é o mesmo acreditar em Deus que não acreditar nele. Para mim, faz bem realizar o caminho por este mundo sentindo-me acolhido, fortalecido, perdoado e salvo pelo Deus revelado em Jesus.
Tradução Francisco O. Lara, João Bosco Lara e José J. Lara.
1ª leitura: Na Galileia das nações, “o povo que andava na escuridão viu uma grande luz” (Is 8,23-9,3)
2ª leitura: “Sede concordes uns com os outros; não admitais divisões entre vós” (1Cor 1,10-13.17)
Evangelho: “Foi morar em Cafarnaum, para se cumprir o que foi dito pelo profeta Isaías” (Mt 4,12-23 ou 12-17)
A geografia não é destituída de significado
A prisão de João Batista parece ter sido um sinal para Jesus. Dali em diante, caberia a ele entrar em ação. Ele, de fato, substituiu desde então o Batista. O papel do precursor havia terminado. Mateus faz questão de precisar que João operava no deserto da Judeia, não muito distante, portanto, de Jerusalém, de onde, aliás, vinham-lhe os discípulos. Será que foi para recordar a entrada na terra prometida e a passagem milagrosa do rio (Josué 4) que o evangelista escreveu três vezes a palavra «Jordão» no capítulo que precede a nossa leitura? Tal insistência deve ter um sentido. Em todo caso, Jesus deixa a Judeia - herança de Davi, de quem é o descendente, e onde se encontra o centro do culto, Jerusalém e o seu templo - e retira-se para a Galileia. Lucas contenta-se com fazer notar o fato (4,14). Mas, para Mateus, tal deslocamento tem um significado. Cita Isaías 8,23 para nos fazer compreender que, se Jesus começa por aí a sua pregação do Reino, é porque a luz deve brotar das trevas, como escreve João em 1,4. Sabemos que, com sua população misturada e sua insignificância histórica, a Galileia gozava de má reputação. É, no entanto, nesta região que Mateus, Marcos e Lucas situam o essencial da atividade de Jesus. Para eles, Jesus só deixará a Galileia para ir até Jerusalém apenas uma vez: para morrer. João, ao contrário, menciona muitas viagens do Senhor até à Cidade Santa. Enquanto esperava, fixou-se em Cafarnaum. Foi morar ali, o que deixa supor que não era assim tão nômade como se supõe.
Os sem-direito
Aqui, podemos lembrar a escolha de Davi como o futuro rei de Israel; o menor e o último, que parecia não contar, foi o escolhido. O cenário é o mesmo para os territórios de Zabulon e Neftali, a Galileia periférica, região onde Israel se misturava com as nações. «Da Galileia não surge profeta», diziam os chefes dos sacerdotes e os fariseus, em João 7,52. Deus interveio aonde não se esperava. Os "sem-direito" é que receberam a sua visita; são eles o objeto da sua preferência, vendo-se encarregados da missão. Isto foi também o que se passou com Jacó e Esaú (Gênesis 27). Poderíamos citar muitos outros textos, particularmente com referência a José, vendido por seus irmãos, e a Moisés, que foi salvo das águas. A escolha de Pedro, Tiago e João, os primeiros discípulos, não foge a esta preferência de Deus, especialmente na versão de Lucas, na qual estes pescadores, desinteressados em ouvir o ensinamento de Jesus, consertavam as suas redes, enquanto o povo amontoava-se em volta dele. E Mateus, o publicano? Quem iria acreditar que Jesus fosse arcar com o peso de um personagem tão suspeito? A escolha de Deus não é uma recompensa pela boa conduta nem pela virtude, competência ou inteligência, mas reproduz o ato da criação, que parte do zero. E, aí, tudo recomeça. Podemos acrescentar a este dossiê a preferência de Jesus pelas crianças, despojadas e dependentes, e o conselho de nos tornarmos crianças. O que irá até à necessidade de renascer, conforme diz Jesus a Nicodemos, em João 3. Não vamos contar, portanto, com o nosso valor ou nossas qualidades, mas com a gratuidade do amor que nos faz ser. E para sermos imagens de Deus, para existirmos, portanto, vamos também nós até aos mais desprovidos de tudo, aos que não têm nenhum mérito.
O chamamento dos primeiros discípulos
Dali em diante, não se vê mais Jesus a sós, salvo vez ou outra, quando se ausenta para uma oração solitária. João Batista nunca havia pedido aos seus ouvintes para segui-lo: contentava-se com orientá-los para «aquele que viria depois dele». Jesus, ao contrário, pede-lhes que deixem tudo, pois, com ele, havia chegado o momento em que se cumpriram os tempos de espera e preparações. À luz deste chamado, aprendemos muitas coisas. Primeiro, que a ação de Deus não é nenhum constrangimento, mas que, ao contrário, exige a livre adesão: os chamamentos feitos por Cristo fizeram-se acompanhar de um «se queres», explícito ou subentendido. Aprendemos também, conforme uma velha fórmula, que Deus tem necessidade dos homens. O que Ele constrói conosco é uma Igreja, ou seja, uma comunhão. Assim, sem estes homens e mulheres que caminhavam com ele, o Cristo estaria privado do corpo. Compreendemos, enfim, que o chamamento de Cristo é um chamamento «até o fim». É uma atração exercida por Alguém que nos levará até a entrarmos em sua condição de Filho de Deus, até a nos tornarmos «participantes da sua natureza divina» (2 Pedro 1,4). O chamamento de Jesus convida-nos a segui-lo para onde ele for. Até à cruz, é claro, ou seja, até ao acolhimento das feridas que a vida nos inflige; mas não esqueçamos que a cruz não tem a última palavra e que se trata de atravessá-la, para irmos dar na vida e na alegria.
A resposta dos discípulos
Quer sigamos a Cristo ou não, conheceremos o sofrimento e a morte. O chamamento de Cristo é a promessa de atravessá-los e chegarmos à outra margem. Estes a quem Jesus chamou, na beira do lago, ainda não sabem. Mas deixam tudo para segui-lo. Deixam, diz o texto, as suas redes, o seu barco e o seu pai. A mãe não é mencionada (será em outro momento), mas impossível não pensar em Gênesis 2,24: «O homem deixará seu pai e sua mãe para se juntar à sua mulher». O chamado de Cristo tem algo de nupcial, o que se confirmará em outros textos, particularmente no Apocalipse. União na vida e na morte. Mas para a Vida. Lembremos também do ponto de partida de Abraão, ao deixar a Caldeia. Iniciava-se também aí uma história: das alianças. Pois, com Jesus, tem início a Aliança nova e definitiva. Por ela, deixando seu pai, seu barco e suas redes, Pedro, André, Tiago e João, o primeiro terço da lista dos Doze, são arrancados do seu passado. Poderia se dizer, da sua origem humana? Entram agora numa nova vida, numa nova criação: «É necessário nascer de novo», diz Jesus a Nicodemos (João 3,3). «Nascer do Espírito.» Desde então os discípulos são como o vento: não se sabe mais de onde vêm e ignora-se para onde vão. Eles próprios também o ignoram. O barco e as redes garantiam-lhes a subsistência e os punha em segurança. Pois ei-los agora sem apoio, a descoberto; na espera confiante de um alimento que ainda não conhecem (João 4,32).
O evangelho de hoje oferece-nos o dado que Jesus deixa Nazaré e vai morar em Cafarnaum, uma pequena aldeia de poucos habitantes, “que fica às margens do mar da Galileia”. Essa é a terra escolhida para iniciar sua pregação que Jesus começa dizendo: “Convertam-se, porque o Reino do Deus está próximo”.
Retoma assim as palavras que, no deserto de Judeia, João Batista aparece pregando e exortando o povo para que se prepare para receber “aquele que ia vir”.
Ele anunciava a necessidade da conversão porque “o Reino do Céu estava próximo” (Mt 3, 1-12).
Ao longo do tempo do Advento, fomos exortados a uma conversão: mudar a orientação de nossa vida e o caminho que devemos percorrer.
Para introduzir-nos mais no texto que nos é oferecido, podemos ler duas ou mais vezes este trecho do Evangelho que nos é oferecido hoje e deixar ressoar estas palavras. Possivelmente são expressões já escutadas e até sabidas, e isso, às vezes, impede que ecoem na nossa vida atual.
O chamado à conversão tem um motivo fundamental: o Reino de Deus “está perto”. Mas, onde? Durante sua pregação, Jesus oferece vários exemplos dessa proximidade do Reino de Deus.
Nas parábolas, compara-o com um grão de mostarda, que é bem pequeno e depois se torna uma árvore grande, ou com um comerciante, que procura pérolas preciosas e, “quando encontra uma pérola de grande valor, ele vai, vende todos os seus bens, e compra essa pérola" (Mt 13,46).
Numa homilia em Santa Marta, o papa Francisco disse que o Reino de Deus já existe na santidade escondida de todos os dias vivida por aquelas famílias que chegam ao fim do mês com apenas meio euro no bolso.
O Reino de Deus está perto de nós, ele está “no meio de nós”. Nasce continuamente no nosso redor e tem diferentes manifestações, situações, espaços, lugares. Não possui um espaço ou estilo definido. Não o percebemos se nossos sentidos não estão acostumados a reconhecer sua presença.
Ele já está em nós como uma vida que germina lentamente. O silêncio interior, a escuta da nossa interioridade, colabora e favorece para perceber sua presença. Leva-nos a uma conversão interior “porque é o próprio Deus que vem morar entre nós para nos livrar do egoísmo, do pecado e da corrupção” (Trecho do Angelus, do papa Francisco, do dia 6 de dezembro de 2016.
Tentemos s imaginar Jesus que caminha na beira da nossa vida, do nosso dia a dia. Nele se alternam abundantes pescas que trazem profundas alegrias e noites que “não pescamos nada”.
Por isso o primeiro convite que nos dirige Jesus, que caminha na beira da nossa vida hoje, é a converter-nos. Dessa maneira, teremos a capacidade de reconhecer sua presença, escutá-lo no silêncio, receber suas palavras.
Dessa forma, somos sensíveis para ouvir sua voz como Pedro, André, Tiago e João. Jesus se dirige hoje a cada um e a cada uma de nós e nos disse “Sigam-me, e eu farei de vocês pescadores de homens”.
Somos convidados a deixar que seu Espírito conduza nossa vida, transforme nossos costumes, nossas indiferenças diante de tanto sofrimento que há ao nosso redor. Somos convidados a ter sua sensibilidade, seu amor preferencial por todos/as aqueles/as que ficam na beira do mar sem ter sequer instrumentos para pescar. Os que estão às margens das cidades, na beira dos caminhos, e são sempre esse amor preferencial de Jesus. Não podemos permanecer insensíveis diante de tanto sofrimento, seja aquele que sabemos ou, ainda pior, aquele que nos é desconhecido.
Jesus convida-nos a quebrar a cultura da indiferença que nos rodeia. Em palestra proferida no Congresso Internacional de Ávila, o teólogo espanhol José Antonio Pagola convida-nos a “aprender a seguir Jesus a partir das vítimas”. E continua dizendo “a partir do sofrimento das vítimas, abrir espaço, em nossas vidas, aos marginalizados e excluídos, promover a solidariedade em nível mundial pensando nas necessidades dos últimos e deixando de lado o desenvolvimento do nosso bem-estar. (Texto completo: Jesus, misericórdia encarnada de Deus. Conferência de José Antonio Pagola)
Somos convidados durante esta semana a receber o chamado de Jesus à conversão para ter sua capacidade e ser assim pescadores de homens. Peçamos ao Espírito sua luz e sua força, que nos transforme e nos conduza pelos caminhos que nos fazem seguidores de Jesus.
(Confira com o original que esta logo após a tradução feita pelo google tradutor)
TERCEIRO DOMINGO DO TEMPO COMUM, ANO A
Primeira leitura (Is 8,23-9,3)
A causa da angústia e desolação que afligiam o povo — descritas aqui pelo profeta como trevas e escuridão — foi a segunda invasão assíria liderada por Tiglate-Pileser III, que ocupou os territórios das tribos do norte, Zebulom e Naftali (732 a.C., cf. 2 Reis 15:29). Os israelitas do norte foram submetidos ao domínio pagão, com toda a humilhação, perda de soberania e liberdade que isso acarretava. Nesse contexto, e em contraste, o tom de Isaías 9:1-3 é percebido mais claramente como uma proclamação de libertação, ilustrada como andar na luz, transbordando de alegria e júbilo .
Para o profeta Isaías, a humilhação, "a princípio", foi causada por Deus como castigo pelo pecado. Mas no futuro, "numa segunda vez", o próprio Deus intervirá para libertar o seu povo e mudar radicalmente a situação de opressão. A sua presença nessas terras será a fonte da luz e da alegria preditas .
Segunda leitura (1 Coríntios 1:10-14, 16-17)
São Paulo começa com uma exortação aos coríntios, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, para que vivam em unidade e não tenham divisões entre si . Especificamente, ele lhes pede unidade na fala , no pensamento e na opinião ou intenção .
Os versículos 11-12 narram os eventos específicos usando verbos no presente do indicativo (situação atual) e revelam a fonte da informação: Chloe. Listam quatro indivíduos em torno dos quais os coríntios se uniriam, voltando-se uns contra os outros: Paulo, Apolo, Cefas e Cristo . Tentativas foram feitas para identificar precisamente esses grupos, mas tudo permanece hipotético . Sabemos por Atos 18: 24-19 que Apolo era um judeu de origem alexandrina, um homem eloquente e versado nas Escrituras; que pregou em Corinto na ausência de Paulo (1 Coríntios 3:6) e que estava com ele em Éfeso quando Paulo escreveu esta carta (1 Coríntios 16:12). Cefas era o nome aramaico de Pedro e é mencionado várias vezes em 1 Coríntios (3:22; 9:5; 15:5), indicando que era conhecido em Corinto, embora não possamos confirmar sua presença lá. Este grupo pode ter uma tendência judaizante se levarmos em conta a atitude de Pedro em Antioquia e seu conflito com Paulo, conforme relatado em Gálatas 2:11-14.
A descrição que Paulo faz das divisões (" Quero dizer que cada um afirma: 'Eu sou de Paulo, eu de Apolo, eu de Cefas, eu de Cristo '") sugere que elas se baseiam nas posições pessoais dos coríntios, sem, aparentemente, qualquer responsabilidade por parte daqueles que são mencionados.
Em 1 Coríntios 1:13-16, Paulo apresenta sua rejeição inicial a essa atitude entre os coríntios, levando a questão ao nível cristológico: em Cristo não pode haver divisão (cf. 12:13); além disso, Cristo foi crucificado por eles e eles foram batizados em Seu nome, não em nome dos apóstolos. Para dar um exemplo claro do absurdo dessa atitude, Paulo aplica a si mesmo ensinamentos exclusivos de Cristo que constituem o querigma (cf. 1 Coríntios 15:3-5), como ser crucificado pelos outros ou ser batizado em Seu nome. Disso se conclui que, para Paulo , essas divisões, além de afetarem a unidade da comunidade, atingem o próprio âmago da fé cristã . Portanto, não se trata de uma questão menor. Paulo reconhece aqui a formação de partidos ou facções dentro da comunidade coríntia, mas não diz nada explicitamente sobre a razão dessa divisão. À medida que o argumento se desenvolve, surgem certas frases que sugerem que os coríntios estavam comparando os vários apóstolos de uma perspectiva puramente humana, tornando a verdade do evangelho dependente da eloquência do pregador. Nesse sentido, Paulo seria o principal alvo dessa crítica, pois era considerado pouco eloquente em seus discursos. Isso explica por que Paulo imediatamente muda o foco para seu próprio ministério como evangelista (1:17). Assim, ao final dessa introdução, ele já insinua, ao contrastá-los, dois temas que abordará mais tarde: a " eloquência humana " e a " cruz de Cristo ". Em outras palavras, Paulo sustenta que a proclamação do evangelho não pode se basear na lógica humana, mas sim na lógica da Cruz .
Evangelho (Mt 4:12-23)
O Evangelho de hoje começa por nos dizer que, após a prisão de João Batista, Jesus se mudou de Nazaré para a Galileia, mais precisamente para a cidade de Cafarnaum, na região de Zebulom e Naftali . Esta indicação geográfica marca o fim da missão do Batista e, com ela, o culminar de uma etapa na história da salvação, com o surgimento de algo novo que terá início com a pregação e as ações de Jesus. Mas esta novidade não é absoluta, pois Mateus nos diz imediatamente que, com esta mudança geográfica, Jesus cumpre o que o profeta Isaías predisse e que ouvimos na primeira leitura de hoje: a promessa da presença luminosa de Deus nesta região, que trará libertação e alegria, se cumpre na pessoa de Jesus . Ele é apresentado por Mateus como a "grande luz" para aqueles que estavam em trevas e escuridão; e através desta viagem, o plano de Deus se realiza.
Em Mateus 28:16-20, a Galileia é mencionada novamente . Ali, Jesus ressuscitado reúne os discípulos e os envia a todas as nações (v. 19). A "Galileia das nações", em um nível histórico salvífico, torna-se um símbolo da universalidade da mensagem do Evangelho . Devemos também observar que a Galileia era um território "periférico" em relação ao centro da nação judaica, que é a Judeia e sua capital.
Jerusalém. É por isso que Mateus precisa "justificar" essa escolha de Jesus, apresentando-a como o cumprimento da profecia de Isaías, ou seja, como a vontade de Deus. Portanto, não é coincidência que o início do ministério de Jesus seja na Galileia; e o início do ministério dos discípulos também seja na Galileia, e desta vez não apenas para Israel, mas para todas as nações.
Em seguida, Jesus dedica suas primeiras palavras ao anúncio (kerygma) da vinda do Reino: "A partir daquele momento, Jesus começou a proclamar: Arrependam-se, porque o Reino dos Céus está próximo" (Mt 4,17).
O querigma em Mateus é expresso com o imperativo "arrependei-vos" ( metanoeite ), que é seguido pela motivação da proximidade do reino dos céus. É a mesma pregação de João Batista (cf. Mateus 3:2), mas agora estamos em um estágio diferente.
O termo "conversão" (metanoia) é um conceito que engloba tudo o que Jesus deseja da humanidade; resume tudo o que devemos fazer diante da vinda do Reino de Deus às nossas vidas. Essa conversão interior, ou mudança de mentalidade, se traduzirá em seguir a Jesus.
A colocação de " arrependei-vos " no imperativo, no início da frase, pode sugerir que, na relação entre fé e obras, entre compromisso ético e graça, entre imperativo moral e modo indicativo, Mateus enfatiza o imperativo. Mas, se considerarmos a partícula gar ( porque ), fica claro que o imperativo ( "arrependei-vos ") é exigido pelo indicativo ( " o reino está próximo "). Portanto, a proximidade do Reino dos Céus é o fator determinante. Não é o comportamento humano que determina a vinda do Reino, mas sim a sua proximidade ou vinda que exige uma resposta da humanidade: é o querigma que chama a atenção para uma mudança radical de vida por parte dos ouvintes. Além disso, não se trata de irmos ao Reino de Deus, mas de o Reino vir até nós, como pedimos na Oração do Senhor (cf. Mt 6,10). Lembremo-nos desta petição da Oração do Senhor, pois ela liga a vinda do Reino até nós ao cumprimento da vontade de Deus .
Segue-se a criação do discipulado (Mt 4,18-22), indicando que a chegada do Reino é essencialmente comunitária; isto é, refere-se a um povo específico a quem se destina e que é chamado a acolhê-lo e a torná-lo visível . Uma vez que o Reino de Deus é comunhão com Deus na comunidade de pessoas que se uniram a Jesus , a primeira ação de Jesus, após anunciá-lo, é formar a comunidade dos seus discípulos. Rabi Aguirre expressa isto claramente : “Se Deus intervém na história com um projeto para a humanidade, esta transformação tem de começar num ponto específico do tempo e do espaço. O Reino de Deus não se identifica simplesmente com um povo em particular, mas implica a dinâmica de encarnar-se num povo específico. A responsabilidade de Israel no Antigo Testamento e da Igreja no Novo Testamento é acolher o Reino de Deus e tornar visível a transformação humanizadora que a aceitação desta soberania de Deus implica.”
O chamado de Jesus para preparar a vinda do Reino foi dirigido a todos, mas muito em breve ele escolheu um grupo de discípulos a quem instruiu de maneira especial e com os quais começou a formar a comunidade que foi chamada de "Igreja" (os chamados ou convocados).
Nessa cena, Jesus permanece a figura dominante. Demonstrando liberdade de movimento, ele escolhe as "margens do Mar da Galileia" como cenário para estabelecer sua comunidade, em clara oposição ao judaísmo da Judeia. A escolha dessas fronteiras implicava universalidade, mas não menos audácia e escândalo: como alguém poderia imaginar que o Messias começaria sua missão em território pagão!
Este primeiro grupo de discípulos, no qual Pedro desempenha um papel especial, é chamado a ser “sal da terra e luz do mundo” (Mt 5,13-16), “fermento na massa” (Mt 13,33). Eles estão orientados para o Reino, e neles devemos ver os primeiros sinais da presença do Reino. Como Israel no Antigo Testamento, eles têm a vocação de oferecer ao mundo o modelo de uma comunidade diferente.
Os elementos constituintes do chamado formam um padrão que pode ser resumido da seguinte maneira: 1) A situação do chamado, 2) O chamado, 3) O que o acompanha. A situação ou circunstância do chamado (4:18, 21a) é junto ao Mar da Galileia, enquanto os apóstolos realizavam seu trabalho habitual, pois eram pescadores. Os detalhes que temos na passagem são escassos. São-nos mencionados seus nomes, seu parentesco entre si (filhos e irmãos) e sua profissão (pescadores). É um tanto surpreendente que Jesus chame quatro pescadores para segui-lo, deixando suas redes para trás, sem considerar seu preparo psicológico, visto que este é o primeiro encontro deles. Essa aparente falta de lógica literária por parte do evangelista seria justificada por sua intenção de enfatizar a iniciativa de Jesus no chamado. Jesus os vê trabalhando e os chama. Nada parece pressupor ou preparar esse chamado. É puramente um dom da graça. Como diz J. Bartolomé 4 : “Para segui-lo era preciso ser convidado; não se tornava discípulo quem queria, mas quem era desejado: ser discípulo é uma dádiva, e não uma ordem”.
O chamado de Jesus (4:19, 21b) inclui o "ver" ( eiden ) e as palavras: "Venham , sigam-me, e eu os farei pescadores de homens". O ver de Jesus é "eletivo"; é o Messias quem vê. Um caso semelhante é encontrado em Mateus 9:9 (o chamado de Mateus). As palavras não são um convite, mas um pedido incondicional. Aqui temos a impressão de que Jesus reivindica autoridade suprema; que ele não age como os profetas, os sábios ou os rabinos. O costume da época era que o discípulo escolhesse o mestre. Jesus, ao contrário, afirma sua vontade e autoridade como se estivesse no lugar de Deus.
A maneira do chamado é uma palavra pessoal de Jesus; e seu conteúdo é uma ordem para segui-lo, para estar ligado à sua Pessoa, visto que ele lhes diz “vinde após mim ” ( deute opiso mou ), sem outra especificação além de um horizonte missionário difuso: “e eu vos farei pescadores de homens”. Como observa A. Castaño, “ele usa uma metáfora que corresponde ao papel desempenhado pelos primeiros quatro discípulos, o que também aponta para a sua futura missão: ir por todo o mundo e fazer discípulos de todas as nações (cf. 28,19) ” . 5
A resposta dos discípulos (4:20, 22) é de seguimento ( akolouzeō ), surpreendendo-nos com a sua prontidão e lembrando a de Abrão (cf. Gn 12:1-4). Aqui também, a natureza pessoal das suas ações é enfatizada, como afirma o Evangelho: “ eles o seguiram ”. Antes desse seguimento, houve um poderoso ato de desapego, ao deixarem para trás o que tinham nas mãos: as redes, o barco, o seu pai.
Em resumo, Mt 4:18-22 nos apresenta o modelo de resposta ao anúncio do Reino feito por Jesus.
Como conclusão e resumo da atividade de Jesus, Mateus nos diz que: "Jesus percorria toda a Galileia, ensinando nas sinagogas, proclamando o evangelho do Reino e curando todas as doenças e enfermidades entre o povo" (4:23).
A atividade de Jesus pode ser resumida em três verbos: ensinar ( didaskō ), proclamar ( kerissō ) o evangelho do Reino e curar ( zerapeuō ) doenças e enfermidades. Observe que o termo euangelion (boas novas, evangelho) aparece pela primeira vez em Mateus e está intimamente ligado ao Reino de Deus; portanto, o anúncio da chegada do Reino é a boa nova, e o conteúdo da boa nova é o Reino . E as curas que Jesus realiza são sinais visíveis da chegada deste Reino de Deus, que implica a erradicação do mal que aflige a humanidade.
Este versículo, além de ser um "resumo" da atividade de Jesus, encerra a seção por meio de inclusão, pois retoma o tema do Reino de Deus presente em 4:17.
Algumas reflexões:
O objetivo das leituras destes primeiros domingos do ano é proporcionar uma introdução inicial ao mistério de Jesus . Assim como no domingo passado João Batista o confessou como o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, neste domingo Jesus é apresentado como Deus presente no meio do seu povo com a missão de iluminar aqueles que vivem nas trevas . A relação entre a primeira leitura e a primeira parte do Evangelho de hoje nos guia nessa direção. A promessa do profeta Isaías de que Deus libertaria o seu povo da escravidão e das trevas se cumpre na pessoa de Jesus. A mensagem central, portanto, é que com Jesus o Reino de Deus se torna presente entre a humanidade. E onde Deus reina, há liberdade, luz, alegria e consolação .
A imagem da LUZ é poderosa neste domingo, e também é poderosa em nossas vidas. Todos precisamos de luz para ver, caminhar, escolher nosso caminho e alcançar nossos objetivos; enquanto a escuridão nos paralisa com o medo que provoca.
No Evangelho de hoje, uma luz está oculta: a de João Batista, que foi apenas a testemunha da Luz (cf. Jo 1,7-8). Este ocultamento da testemunha é o sinal da verdadeira Luz que se revelará. Jesus é a Luz de Deus "em pessoa" e, portanto, ilumina sobretudo por aquilo que Ele é: o Filho de Deus. Onde Ele está presente, as trevas dissipam-se e a obscuridade desaparece. Tudo se transforma, tudo se ilumina. De modo especial, Jesus ilumina-nos com as suas palavras e ações, isto é, com a Luz da Verdade e da Caridade. É uma luz que brota do amor; por isso, é uma Luz calorosa, que ilumina e inspira o amor; que convida à renúncia e ao discipulado; que nos pede que deixemos para trás todas as outras luzes e nos guiemos apenas pela Luz da Sua Presença. Ao iniciarmos a caminhada, seguindo Jesus e obedecendo à sua Palavra, toda a nossa escuridão dissipa-se e a sua Luz preenche-nos.
Porque Ele é a Luz do amor, a Luz do fogo, Ele acende outras luzes para que, por sua vez, elas brilhem. Não uma, mas muitas, aos pares, para que ardam juntas e a luz da caridade se espalhe. Cristo é a luz das nações, e a Igreja é como a lua, sem luz própria, chamada a refletir a luz do Sol, de Cristo. ("Cientes do vasto horizonte que a fé lhes abria, os cristãos chamavam Cristo de verdadeiro sol, 'cujos raios dão vida'", Lumen Fidei, n. 1).
Jesus torna presente o Reino de Deus, o Reino da Luz. Ele o aproxima de nós, a ponto de poder iluminar toda a nossa existência… se o permitirmos, se não o rejeitarmos, se nos deixarmos iluminar. “A fé sabe que Deus se fez muito próximo de nós, que Cristo se deu a nós como um grande dom que nos transforma interiormente, que habita em nós e, assim, nos dá a luz que ilumina o início e o fim da vida, todo o percurso da humanidade” ( Lumen Fidei, n. 20).
Nossa resposta a essa amorosa iniciativa do Senhor é deixar-nos iluminar por sua LUZ a ponto de nos tornarmos "luminosos"; e então, sim, nos tornaremos testemunhas de sua LUZ perante o mundo, alcançando até mesmo as periferias onde reinam as trevas.
Hoje celebramos a sétima edição do Domingo da Palavra de Deus sob o tema: “Que a palavra de Cristo habite em vós” (Col 3,16). Comentando esta frase, o Bispo R. Fisichella afirma: “O que recebemos do Apóstolo não é meramente um convite moral, mas a indicação de um novo modo de vida. Paulo não pede que a Palavra seja apenas ouvida ou estudada: ele quer que ela ‘habite’, isto é, que se instale permanentemente, molde os nossos pensamentos, guie os nossos desejos e torne o testemunho dos discípulos credível. A Palavra de Cristo permanece o critério seguro que unifica e torna fecunda a vida da comunidade cristã [...]. Cada cristão e cada comunidade devem recuperar a primazia da Palavra de Deus. A escuta sincera e profunda da Palavra é um caminho fundamental para o encontro da humanidade com Deus. Quando se dá espaço à Palavra, cada pessoa descobre que a Palavra de Deus habita em seu coração, como uma semente que, a seu tempo, germina e dá fruto. De fato, todos somos convidados a nos alimentar com o pão nosso de cada dia da Palavra, para que possamos, então, proclamá-la aos nossos irmãos e irmãs, pois a proclamação brota da abundância do coração, segundo o que diz o Evangelho: “A boca fala do que está cheio o coração” (Mt 12,34; Lc 6,45).
Ligando o Evangelho de hoje ao Domingo da Palavra de Deus, o Papa Francisco disse: “ A Palavra é para todos, a Palavra chama à conversão, a Palavra faz arautos. A Palavra de Deus é para todos … Na Galileia dos gentios, a caminho do mar, além do Jordão, onde Jesus foi pregar, havia — como aponta o texto — um povo envolto em trevas: estrangeiros, pagãos, mulheres e homens de diversas regiões e culturas (cf. Mt 4,15-16). Agora eles também podem ver a luz. E assim Jesus “amplia os limites”: a Palavra de Deus, que cura e ergue, não se destina apenas aos justos de Israel, mas a todos; quer alcançar os que estão longe, quer curar os doentes, quer salvar os pecadores, quer reunir as ovelhas perdidas e levantar os de coração cansado e sobrecarregado. Jesus, em suma, “vai mais longe” para nos dizer que a misericórdia de Deus é para todos […]
A Palavra de Deus, dirigida a todos, nos chama à conversão… como uma espada, a Palavra penetra nossas vidas, permitindo-nos discernir os sentimentos e pensamentos de nossos corações, isto é, ver onde reside a luz da bondade e onde, ao contrário, se aprofunda a escuridão dos vícios e pecados que devem ser combatidos. Quando a Palavra entra em nós, transforma nossos corações e mentes; ela nos muda, levando-nos a orientar nossas vidas para o Senhor. Este é o convite de Jesus: Deus se aproximou de você, então tome consciência de sua presença, abra espaço para a sua Palavra, e você mudará a perspectiva de sua vida. Eu gostaria também de dizer assim: coloque sua vida sob a Palavra de Deus. Este é o caminho que a Igreja nos mostra; todos nós, inclusive os pastores da Igreja, estamos sob a autoridade da Palavra de Deus. Não sob nossos próprios gostos, tendências e preferências, mas sob a única Palavra de Deus que nos molda, nos converte e nos chama a estar unidos na única Igreja de Cristo. Então, irmãos e irmãs, podemos nos perguntar: De onde vem a direção da minha vida, de onde ela se orienta? Das muitas palavras que ouço, das ideologias ou da Palavra de Deus que me guia e me purifica? E quais aspectos de mim mesmo precisam de mudança e conversão? […]
A Palavra de Deus, que se dirige a todos e chama à conversão, faz arautos. De fato, Jesus passou pelo Mar da Galileia e chamou Simão e André, dois irmãos pescadores. Convidou-os com a sua Palavra a segui-lo, dizendo-lhes que os tornaria “pescadores de homens” (Mt 4,19). Não mais apenas especialistas em barcos, redes e peixes, mas especialistas em buscar os outros. E assim como eles aprenderam a ir mais longe da costa e lançar as redes em alto-mar para navegar e pescar, também eles se tornariam apóstolos capazes de navegar no mar aberto do mundo, indo ao encontro de seus irmãos e irmãs e proclamando a alegria do Evangelho. Este é o dinamismo da Palavra: ela nos atrai para a “rede” do amor do Pai e nos torna apóstolos que sentem o desejo irreprimível de levar todos os que encontram para o barco do Reino. E isso não é proselitismo, porque é a Palavra de Deus que chama, não as nossas próprias palavras.
Portanto, consideremos que hoje também nos é dirigido o convite para sermos pescadores de homens; sintamo-nos chamados pelo próprio Jesus a proclamar a sua Palavra, a testemunhá-la nas situações de cada dia, a vivê-la com justiça e caridade, chamados a “dar-lhe carne”, tocando a carne daqueles que sofrem. Esta é a nossa missão: tornarmo-nos buscadores dos perdidos, daqueles que se sentem oprimidos e desanimados, não para lhes trazer nós mesmos, mas a consolação da Palavra, o impetuoso anúncio de Deus que transforma vidas, para levar a alegria de saber que Ele é Pai e se dirige a cada um de nós, para levar a beleza de dizer: “Irmão, irmã, Deus se aproximou de você, escute-o e na sua Palavra encontrará um dom maravilhoso!” (Homilia de 22 de janeiro de 2023).
PARA ORAÇÃO (RESSONÂNCIAS DO EVANGELHO EM UMA ORAÇÃO):
Criado para a Tua Glória
Senhor
Abra meus ouvidos
E que o seu chamado ressoe na parte mais profunda do seu ser.
Ilumine o caminho adiante.
Sua missão está integrada a estes tempos.
E que a identidade seja construída no Amor.
Em oração e silêncio
Sem rede
Segurem nossas mãos e nossos pés.
Precisamos avançar urgentemente em direção ao objetivo.
Preservemos a fé e nos libertemos.
Sustentados por vinho e pão.
Em sua segurança e em sua paz.
Deixamos para trás
A casa da família e a aldeia de outrora.
Nós estabelecemos nossa moradia.
Em mares desconhecidos e ventos ferozes
Seguimos os passos do mensageiro.
Na Terra, olhando para o céu.
Você nos deu
Um nome único e eterno
Para cada um, escolhido e sonhado
Façam de nós seus seguidores, completamente despidos de amarras.
Criados para a Glória
Do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.
1 Cf. H. Lona, "Grupos e Tendências na Comunidade Coríntia", Estudios Proyecto 11 (1993) 83-123. A respeito disso, J. Dupont afirma: "As alusões de Paulo às divisões na Igreja de Corinto não nos permitem reconstruir com precisão a situação real da comunidade. Em vez de descrever a situação, Paulo está interessado em suas premissas subjacentes: a atitude de espírito que está na raiz dessas divisões. O que é problemático em Corinto é justamente o fato de que, ao aderirem a diferentes pregadores, eles podem se opor uns aos outros", "Reflexões de São Paulo para uma Igreja Dividida", Revista Bíblica 2007 /3-4, 177.
2 Cf. JM Díaz Rodelas, Primeira carta ao Corinthians (Verbo Divino; Estella 2003) 61.
3 Cf. R. Aguirre, Do movimento de Jesus à Igreja Cristã, 57-58.
4 J. J. Bartolomé, O discipulado de Jesus em Marcos , EstBib 51 (1993) 519.
5 “Discipulado e missão no Evangelho de Mateus”, Bogotá, CELAM 2006, 39.
TERCER DOMINGO DURANTE EL AÑO CICLO "A"
Primera lectura (Is 8,23-9,3)
El motivo de la situación de angustia y desolación que afligía al pueblo - y que viene descrita aquí por el profeta como oscuridad y tiniebla - es la segunda invasión de los asirios conducida por Tiglatpileser III, quienes ocuparon los territorios de las tribus del Norte, Zabulón y Neftalí (año 732 a.C., cf. 2Re 15,29). Los israelitas del Norte quedaron sometidos al dominio de los paganos con todo lo que esto implica de humillación, pérdida de soberanía y libertad. En este contexto, y por contraste, se percibe mejor el tono de Is 9,1-3 como anuncio de liberación ilustrado como caminar en la luz, rebosantes de alegría y de gozo.
Para el profeta Isaías la humillación, "en un primer tiempo", fue causada por Dios como castigo por el pecado. Pero en el futuro, "en un segundo momento", Dios mismo intervendrá para liberar a su pueblo y cambiar radicalmente la situación de opresión. Su presencia en esas tierras será el motivo de la luz y del gozo anunciado.
Segunda lectura (1Cor 1,10-14.16-17)
San Pablo comienza con una exhortación a los corintios en nombre de nuestro Señor Jesucristo para que vivan en la unidad y no haya divisiones entre ellos. En concreto les pide unidad en el hablar, en el pensamiento y en la opinión o intención.
Los vv. 11-12 narran los hechos concretos con verbos al indicativo presente (situación actual); y revelan la fuente de la información: los de Cloe. Enumera cuatro personas detrás de las cuales se enrolarían los corintios enfrentándose entre sí: Pablo, Apolo, Cefas, Cristo. Se ha intentado identificar con precisión estos grupos pero todo queda en hipótesis1. De Apolo sabemos por He 18,24-19,1 que era un judío de origen alejandrino, hombre elocuente y versado en las Escrituras; que predicó en Corinto en ausencia de Pablo (1 Cor 3,6) y que se encontraba con él en Éfeso cuando escribió esta carta (1 Cor 16,12). Cefas era el nombre arameo de Pedro y viene citado otras veces en 1 Cor (3,22; 9,5; 15,5) indicando que era conocido en Corinto, aunque no podemos afirmar su presencia allí. Este grupo podría ser de tendencia judaizante si tenemos en cuenta la actitud de Pedro en Antioquía y su conflicto con Pablo que relata Gal 2,11-14.
La descripción de las divisiones que hace Pablo ("Me refiero a que cada uno afirma: "Yo soy de Pablo, yo de Apolo, yo de Cefas, yo de Cristo") permite suponer que las mismas se basan en posturas personales de los corintios sin que, al parecer, hubiera alguna responsabilidad por parte de los nombrados.
En 1,13-16 Pablo hace un primer rechazo de esta actitud de los corintios llevando el tema al nivel cristológico: en Cristo no puede haber división (cf. 12,13); y, además, Cristo fue crucificado por ellos y en Su nombre fueron bautizados; y no en el de los apóstoles. Para dar un claro ejemplo de lo absurdo de esta actitud Pablo se aplica a sí mismo predicaciones exclusivas de Cristo que conforman el kerigma (cf. 1Cor 15, 3-5), como el hecho de ser crucificado por los demás o ser bautizados en su nombre. De aquí se deduce que para Pablo estas divisiones, además de afectar a la unidad de la comunidad, tocan el núcleo mismo de la fe cristiana2. No se trata, por tanto, de un tema menor. Pablo constata aquí el hecho de la formación de partidos o facciones en la comunidad de Corinto; pero nada dice explícitamente del motivo de esta división. Con el correr de la argumentación emergen algunas frases que inducen a pensar que los corintios hacían comparaciones entre los diversos apóstoles desde un punto de vista meramente humano y hacían depender la verdad del evangelio de la elocuencia del predicador. En este sentido Pablo llevaría la peor parte pues se lo consideraba falto de elocuencia en su hablar. Esto explica por qué Pablo lleva enseguida el tema al campo personal, a su propio ministerio de evangelizador (1,17). Así, al final de este exordio insinúa ya, contraponiéndolos, dos temas que tratará a continuación: la ‘elocuencia humana’ y la ‘cruz de Cristo’. En otras palabras, Pablo sostiene que el anuncio del evangelio no se puede fundamentar en la lógica humana sino en la lógica de la Cruz.
Evangelio (Mt 4,12-23)
El evangelio de hoy comienza indicándonos que, tras el arresto de Juan Bautista, Jesús se traslada de Nazareth a Galilea, más precisamente en la ciudad de Cafarnaún, en los confines de Zabulón y Neftalí. Con esta indicación geográfica se señala el fin de la misión del Bautista y, con ello, la culminación de una etapa de la historia de la salvación con el surgimiento de algo nuevo que comenzará con la predicación y la acción de Jesús. Pero esta novedad no es absoluta por cuanto enseguida Mateo nos dice que con este desplazamiento geográfico Jesús está cumpliendo lo anunciado por el profeta Isaías y que hemos escuchado en la primera lectura de hoy: la promesa de una presencia luminosa de Dios en esta región que traerá la liberación y la alegría se está cumpliendo en la persona de Jesús. Él es presentado por Mateo como la "gran luz" para los que se hallaban en la oscuridad y las tinieblas; y mediante este desplazamiento se está cumpliendo el plan de Dios.
En Mt 28,16-20 se menciona de nuevo a Galilea. Allí Jesús resucitado reúne a los discípulos y los envía a todas las naciones (v.19). La "Galilea de las naciones" a nivel histórico salvífico llega a ser un símbolo de la universalidad del mensaje evangélico. Notemos también que Galilea era un territorio de "periferia" con respecto al centro de la nación judía, que es Judea y con su capital
Jerusalén. Por eso Mateo tiene que "justificar" esta opción de Jesús presentándola como cumplimiento de la profecía de Isaías, es decir como voluntad de Dios. No es entonces casual que el comienzo del ministerio de Jesús sea en Galilea; y el comienzo del ministerio de los discípulos sea también en Galilea, y esta vez no es sólo para Israel sino para todas las naciones.
A continuación, Jesús dedica sus primeras palabras al anuncio (kerygma) de la venida del Reino: "A partir de ese momento, Jesús comenzó a proclamar: Conviértanse, porque el Reino de los Cielos está cerca" (Mt 4,17).
El kerygma en Mt se expresa con un imperativo "conviértanse" (metanoeite) al cual sigue como motivación la cercanía del reino de los cielos. Es la misma predicación de Juan el Bautista (cf. Mt 3,2), pero estamos ya en una etapa distinta.
El término "conversión" (metanoia) es un concepto que sintetiza todo cuanto Jesús quiere del hombre, resume todo lo que el hombre debe hacer ante la venida del Reino de Dios a su vida. Esta conversión interior o cambio de mentalidad, se traducirá luego en el seguimiento de Jesús.
La colocación del "conviértanse" en imperativo al comienzo de la frase puede hacer pensar que, en la relación entre fe y obras, entre compromiso ético y gracia, entre imperativo moral e indicativo, Mateo subraya el imperativo. Pero si atendemos a la partícula gar (porque) es claro que el imperativo (conviértanse) está requerido por el indicativo (el reino está cerca). Por lo tanto, la cercanía del Reino de los cielos es lo determinante. No es el comportamiento del hombre lo que determina la venida del Reino, sino que es su cercanía o venida la que exige la respuesta del hombre: es el kerygma el que reclama un cambio radical de vida por parte de los oyentes. Además, no se trata de ir nosotros al Reino de Dios, sino de que el Reino venga a nosotros, como lo pedimos en el Padrenuestro (cf. Mt 6,10). Recordemos esta petición del Padrenuestro pues vincula la venida del Reino a nosotros con el cumplimiento de la voluntad de Dios.
Sigue luego la creación del discipulado (Mt 4,18-22), con lo cual se indica que la llegada del Reino es esencialmente comunitaria, es decir, está referido a un pueblo concreto a quien va destinado y que está llamado a aceptarlo y hacerlo visible. Por cuanto el Reino de Dios es la comunión con Dios en la comunidad de los hombres que se han unido a Jesús, la primera acción de Jesús después de anunciarlo es conformar la comunidad de sus discípulos. Lo expresa con claridad R. Aguirre3: “Si Dios interviene en la historia con un proyecto de humanidad, por algún punto concreto del tiempo y del espacio tiene que comenzar esta transformación. El Reino de Dios no se identifica simplemente con ningún pueblo concreto, pero sí conlleva la dinámica de encarnarse en uno determinado. La responsabilidad de Israel en el Antiguo Testamento y de la Iglesia en el Nuevo Testamento es aceptar el Reinado de Dios y visibilizar la transformación humanizante que supone la aceptación de esta soberanía de Dios”.
El llamado de Jesús a prepararse para la irrupción del Reino fue dirigido a todos, pero muy pronto eligió un grupo de discípulos a los cuales instruyó de una manera especial y con los cuales comenzó a formar la comunidad que se llamó “Iglesia” (los llamados o convocados).
En esta escena, Jesús sigue siendo la figura dominante. Mostrando libertad de movimiento, elige las “orillas del mar de Galilea” como escenario para constituir su comunidad, en patente oposición al judaísmo de Judea. Elegir aquellas fronteras implicaba universalidad, pero no menos una gran audacia y escándalo: ¡Cómo imaginar que el Mesías comenzara su misión en tierra pagana!
Este primer grupo de discípulos, en el que Pedro tiene un papel especial, está llamado a ser “sal de la tierra y luz del mundo” (Mt 5, 13-16), “levadura en la masa” (Mt 13, 33). Está orientado hacia el Reino y en ellos se deben ver los primeros rasgos del Reino que se va haciendo presente. Tiene, como Israel en el Antiguo Testamento, la vocación de ofrecer al mundo el modelo de una comunidad diferente.
Los elementos constitutivos del llamado forman un esquema que se puede resumir de la siguiente manera: 1) La situación del llamado, 2) La llamada, 3) El seguimiento. La situación o circunstancia de la llamada (4,18.21a) es junto al lago de Galilea mientras los apóstoles estaban realizando su tarea habitual, por cuanto eran pescadores. Los datos que tenemos en el pasaje son escasos. Se dice cómo se llaman, su relación de parentesco (hijos y hermanos); y su oficio (pescadores). Sorprende un poco que Jesús llame a cuatro pescadores para que lo sigan abandonando las redes sin tener en cuenta la menor preparación psicológica de los mismos ya que es el primer encuentro que tienen. Esta cierta falta de lógica literaria por parte del evangelista estaría justificada por su intención de acentuar la iniciativa de Jesús en el llamado. Jesús los ve trabajando y los llama. Nada parece presuponer esta llamada ni prepararla. Es por pura gratuidad. Como dice J. Bartolomé4: "Para seguirle era preciso ser invitado; no se convertía en discípulo quien quería, sino quien era querido: ser discípulo es un don antes que una orden".
La llamada (4,19.21b) por parte de Jesús incluye el “ver” (eiden) y las palabras: "vengan detrás de mí y yo los haré pescadores de hombres". El ver de Jesús es “electivo”, es el Mesías el que ve. Un caso similar se encuentra en Mt 9,9 (la vocación de Mateo). Las palabras no son una invitación sino un pedido incondicional. Aquí tenemos la impresión de que Jesús reivindica una suprema autoridad; que no actúa al modo de los profetas, ni de los maestros sapienciales o de los rabinos. La costumbre de la época era que el discípulo eligiese al maestro. Jesús, por el contrario, hace valer su voluntad y autoridad como si estuviera en el lugar de Dios.
La modalidad de la llamada es una palabra personal de Jesús; y el contenido de la misma es una orden de seguirlo, de vincularse a su Persona ya que les dice "vengan detrás de mí" (deute opiso mou), sin otra precisión que un difuso horizonte misionero: "y los haré pescadores de hombres". Como nota A. Castaño “utiliza una metáfora que responde al oficio desempeñado por los cuatro primeros discípulos, lo que apunta también hacia la misión futura de los mismos: ir por todo el mundo para hacer discípulos a los pueblos (cf. 28,19)”5.
El seguimiento (akolouzeō) es la respuesta de los discípulos (4,20.22), que nos sorprende por su prontitud y nos recuerda la de Abram (cf. Gn 12,1-4). También aquí se acentúa el carácter personal por cuanto dice el evangelio que "lo siguieron". Previo al seguimiento hubo un gesto fuerte de desprendimiento pues dejaron lo que tenían entre manos: las redes, la barca, el padre.
En síntesis, Mt 4,18-22 nos presenta el modelo de la respuesta al anuncio del Reino por parte de Jesús.
Como conclusión y a modo de síntesis de la actividad de Jesús, Mateo nos dice que: "Jesús recorría toda la Galilea, enseñando en las sinagogas, proclamando el evangelio del Reino y curando todas las enfermedades y dolencias de la gente" (4,23).
La actividad de Jesús se sintetiza con tres verbos: enseñar (didáskō), proclamar (kerissō) el evangelio del Reino y curar (zerapeúō) enfermedades y dolencias. Notemos que por primera vez aparece el término euangelion (buena noticia, evangelio)en Mateo y en estrecha relación con el Reino de Dios; por tanto el anuncio de la llegada del Reino es la buena noticia y el contenido de la buena noticia es el Reino. Y las curaciones que realiza Jesús son signos visibles de la llegada de este Reinado de Dios que implica la supresión del mal que afecta a los hombres.
Este versículo, además ser un "sumario" de la actividad de Jesús, cierra la sección a modo de inclusión pues retoma el tema del Reino de Dios presente en 4,17.
Algunas reflexiones:
El objetivo de las lecturas de estos primeros domingos durante el año es una presentación inicial del misterio de Jesús. Así como el domingo pasado Juan Bautista lo confesaba como el Cordero de Dios que quita el pecado del mundo, en este domingo Jesús es presentado como Dios presente en medio de su pueblo con la misión de iluminar a los que viven en la oscuridad. La relación entre la primera lectura y la primera parte del evangelio de hoy nos orientan en este sentido. La promesa del profeta Isaías de que Dios libraría a su pueblo de la esclavitud y de la oscuridad se cumple en la persona de Jesús. El mensaje central sería entonces que con Jesús se hace presente el reinado de Dios entre los hombres. Y donde Dios reina hay libertad, luz, alegría, consolación.
La imagen de la LUZ es fuerte este domingo y lo es también en nuestras vidas. Todos necesitamos de la luz, para ver, para caminar, para elegir el camino y llegar a la meta; mientras que la oscuridad nos paraliza por el miedo que nos provoca.
En el evangelio de hoy hay una luz que se oculta, la de Juan Bautista, quien era sólo el testigo de la Luz (cf. Jn 1,7-8). Este ocultamiento del testigo es la señal para que la verdadera Luz se manifieste. Jesús es la LUZ de Dios “en persona” y, por eso, ilumina ante todo por lo que Él Es: el Hijo de Dios. Dónde Él se hace presente se disipan las tinieblas y desaparece la oscuridad. Todo cambia, todo se ilumina. De modo especial Jesús nos ilumina con sus palabras y con sus acciones, esto es, con la Luz de la Verdad y de la Caridad. Se trata de una luz que brota del amor, por eso es una Luz cálida, que ilumina y enamora; que invita a la renuncia y al seguimiento; que pide dejar toda otra luz para dejarse guiar sólo por la Luz de su Presencia. Al ponernos en camino, en seguimiento de Jesús y en obediencia a su Palabra, se disipan todas nuestras tinieblas y nos invade su Luz
Por ser Luz de amor, Luz de fuego, enciende otras luces para que a su vez iluminen. No una, sino muchas, de a dos, para que ardan juntas y la luz de la caridad se difunda. Cristo es la luz de las naciones y la Iglesia es como la luna, sin luz propia, llamada a reflejar la luz del Sol, de Cristo. ("Conscientes del vasto horizonte que la fe les abría, los cristianos llamaron a Cristo el verdadero sol, «cuyos rayos dan la vida»”, Lumen Fidei nº 1).
Jesús hace presente el Reino de Dios, el Reino de la Luz. Nos lo hace cercano, al punto de poder iluminar toda nuestra existencia…si se lo permitimos, si no la rechazamos, si nos dejamos iluminar. "La fe sabe que Dios se ha hecho muy cercano a nosotros, que Cristo se nos ha dado como un gran don que nos transforma interiormente, que habita en nosotros, y así nos da la luz que ilumina el origen y el final de la vida, el arco completo del camino humano" (Lumen Fidei nº 20).
Nuestra respuesta a esta iniciativa amorosa del Señor es dejarnos iluminar por su LUZ al punto de hacernos “luminosos”; y entonces sí, nos volveremos testigos de su LUZ ante el mundo, llegando hasta las periferias donde reina la oscuridad.
Hoy celebramos la VII edición del Domingo de la Palabra de Dios bajo el lema: “La palabra de Cristo habite en ustedes” (Col 3,16). Comentando esta frase dice Mons. R. Fisichella: “Lo que hemos recibido del Apóstol no es una mera invitación moral, sino la indicación de una forma nueva de existencia. Pablo no pide que la Palabra sea solo escuchada o estudiada: él quiere que ella “habite”, es decir, que tome residencia estable, plasme los pensamientos, oriente los deseos y haga creíble el testimonio de los discípulos. La Palabra de Cristo permanece como criterio seguro que unifica y vuelve fecunda la vida de la comunidad cristiana […]. Todo cristiano y toda comunidad deberán recuperar el primado de la Palabra de Dios. Su escucha sincera y profunda es una vía fundamental para que el hombre encuentre a Dios. Cuando se deja espacio a la Palabra, cada uno descubre que el Verbo de Dios habita su corazón, como semilla que a su tiempo germina y da fruto. Todos, de hecho, estamos invitados a nutrirnos del pan cotidiano de la Palabra, para luego anunciarla a los hermanos, pues el anuncio surge de la abundancia del corazón, según la frase evangélica: “La boca habla de lo que está lleno el corazón” (Mt 12,34; Lc 6,45)”.
Vinculando el evangelio de hoy con el Domingo de la Palabra de Dio el Papa Francisco decía: “la Palabra es para todos, la Palabra llama a la conversión, la Palabra hace anunciadores. La Palabra de Dios es para todos… En la Galilea de las naciones, en el camino del mar, más allá del Jordán, donde Jesús fue a predicar, se hallaba —señala el texto— un pueblo sumido en las tinieblas: extranjeros, paganos, mujeres y hombres de diversas regiones y culturas (cf. Mt 4,15-16). Ahora ellos también pueden ver la luz. Y así Jesús “ensancha las fronteras”: la Palabra de Dios, que sana y levanta, no está destinada sólo a los justos de Israel, sino a todos; quiere llegar a los lejanos, quiere sanar a los enfermos, quiere salvar a los pecadores, quiere reunir a las ovejas perdidas y levantar a los que tienen el corazón cansado y agobiado. Jesús, en definitiva, “va más allá” para decirnos que la misericordia de Dios es para todos […]
La Palabra de Dios, que se dirige a todos, llama a la conversión … como una espada, la Palabra penetra en la vida, haciéndonos discernir los sentimientos y pensamientos del corazón, es decir, haciéndonos ver cuál es la luz del bien a la que hay que dar cabida y dónde en cambio se adensan las tinieblas de los vicios y pecados que hay que combatir. La Palabra, cuando entra en nosotros, transforma nuestro corazón y nuestra mente; nos cambia, nos lleva a orientar nuestra vida hacia el Señor. Esta es la invitación de Jesús: Dios se ha hecho cercano a ti, así que toma conciencia de su presencia, hazle lugar a su Palabra y cambiarás la perspectiva de tu vida. Quisiera decirlo también de este modo: pon tu vida bajo la Palabra de Dios. Este es el camino que nos muestra la Iglesia; todos, incluso los pastores de la Iglesia, estamos bajo la autoridad de la Palabra de Dios. No bajo nuestros propios gustos, tendencias y preferencias, sino bajo la única Palabra de Dios que nos moldea, nos convierte y nos pide estar unidos en la única Iglesia de Cristo. Así pues, hermanos y hermanas, podemos preguntarnos: ¿dónde encuentra dirección mi vida, de dónde saca su orientación?, ¿de las muchas palabras que oigo, de las ideologías, o de la Palabra de Dios que me guía y purifica? Y, ¿cuáles son los aspectos en mí que requieren cambio y conversión? […]
La Palabra de Dios, que se dirige a todos y llama a la conversión, hace anunciadores. En efecto, Jesús pasó por la orilla del mar de Galilea y llamó a Simón y Andrés, dos hermanos que eran pescadores. Los invitó con su Palabra a seguirlo, diciéndoles que los haría «pescadores de hombres» (Mt 4,19). Ya no sólo expertos en barcas, redes y peces, sino expertos en buscar a los demás. Y así como para la navegación y la pesca habían aprendido a alejarse de la orilla y a echar las redes mar adentro, del mismo modo se convertirán en apóstoles capaces de navegar por el mar abierto del mundo, de salir al encuentro de sus hermanos y de proclamar la alegría del Evangelio. Este es el dinamismo de la Palabra: nos atrae hacia la “red” del amor del Padre y nos convierte en apóstoles que sienten el deseo irreprimible de hacer subir a la barca del Reino a todos los que encuentran. Y esto no es proselitismo, porque quien llama es la Palabra de Dios, no nuestra palabra.
Por eso, consideremos que también hoy a nosotros se dirige la invitación a ser pescadores de hombres; sintámonos llamados por Jesús mismo a anunciar su Palabra, a testimoniarla en las situaciones de cada día, a vivirla en la justicia y la caridad, llamados a “darle carne” acariciando la carne de los que sufren. Esta es nuestra misión: convertirnos en buscadores del que está perdido, de quien se siente oprimido y desanimado, no para llevarles a nosotros mismos, sino el consuelo de la Palabra, el anuncio impetuoso de Dios que transforma la vida, para llevar la alegría de saber que Él es Padre y se dirige a cada uno, llevar la belleza de decir: “¡Hermano, hermana, Dios se ha hecho cercano a ti, escúchalo y en su Palabra encontrarás un don maravilloso!”” (Homilía del 22 de enero de 2023).
PARA LA ORACIÓN (RESONANCIAS DEL EVANGELIO EN UNA ORANTE):
Creados para tu Gloria
Señor
Abre mis oídos
Y resuene tu llamado en lo más profundo
Ilumine el sendero a seguir
Tu misión se integre a estos tiempos
Y se haga identidad en el Amor
En la oración y el silencio
Ninguna red
Sujete nuestras manos y nuestros pies
Urge avanzar hacia la meta
Conservar la fe y donarnos libres
Sostenidos por el vino y el pan
En tu seguridad y en tu paz
Atrás dejamos
La casa paterna y el pueblo de antaño
Establecemos nuestra morada
En nuevos mares y vientos bravos
Seguimos los pasos del mensajero
Sobre la tierra y viendo el cielo
Nos diste
Un nombre único y eterno
Para cada uno, elegido y soñado
Haznos tuyos seguidores, despojados
Creados para la Gloria
Del Padre del Hijo y del Espíritu Santo. Amén
1 Cf. H. Lona, "Grupos y tendencias en la comunidad de Corinto", Estudios Proyecto 11 (1993) 83-123. Al respecto dice J. Dupont: "Las alusiones que Pablo hace a las divisiones de la Iglesia de Corinto no permite reconstruir con precisión la real situación de la comunidad. Más que describir la situación, Pablo se interesa por sus presupuestos: la actitud de espíritu que se encuentra en el origen de estas divisiones. Lo que inquieta en Corinto es el hecho mismo de que, por adherirse a predicadores diferentes, se puedan oponer unos a otros", "Reflexiones de San Pablo para una iglesia dividida", Revista Bíblica 2007 /3-4, 177.
2 Cf. J. M. Díaz Rodelas, Primera carta a los corintios (Verbo Divino; Estella 2003) 61.
3 Cf. R. Aguirre, Del movimiento de Jesús a la Iglesia cristiana, 57-58.
4J. J. Bartolomé, El discipulado de Jesús en Marcos, EstBib 51 (1993) 519.
5“Discipulado y misión en el Evangelio de Mateo”, Bogotá, CELAM 2006, 39.