28/12/2025
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AS LEITURAS DESTA PÁGINA E DO MÊS TODO
1ª Leitura: Eclesiástico 3,3-7.14-17a
Salmo 127(128)R-Felizes os que temem o Senhor e trilham seus caminhos!
2ª Leitura: Colossenses 3,12-21
Evangelho de Mateus 2,13-15.19-23
Proclamação do evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus – 13Depois que os magos partiram, o anjo do Senhor apareceu em sonho a José e lhe disse: “Levanta-te, pega o menino e sua mãe e foge para o Egito! Fica lá até que eu te avise! Porque Herodes vai procurar o menino para matá-lo”. 14José levantou-se de noite, pegou o menino e sua mãe e partiu para o Egito. 15Ali ficou até a morte de Herodes, para se cumprir o que o Senhor havia dito pelo profeta: “Do Egito chamei o meu filho”. 19Quando Herodes morreu, o anjo do Senhor apareceu em sonho a José, no Egito, 20e lhe disse: “Levanta-te, pega o menino e sua mãe e volta para a terra de Israel, pois aqueles que procuravam matar o menino já estão mortos”. 21José levantou-se, pegou o menino e sua mãe e entrou na terra de Israel. 22Mas, quando soube que Arquelau reinava na Judeia, no lugar de seu pai, Herodes, teve medo de ir para lá. Por isso, depois de receber um aviso em sonho, José retirou-se para a região da Galileia 23e foi morar numa cidade chamada Nazaré. Isso aconteceu para se cumprir o que foi dito pelos profetas: “Ele será chamado nazareno”. – Palavra da salvação
Mt 2,13-15.19-23
Todos nós estamos ligados necessariamente a uma família. Nela nós encontramos as raízes de nossa existência e nossa formação como pessoa humana. Ser pessoa humana é ser de outros. Somos como um tecido de fios de muitas outras vidas. Somos provenientes de homem e de mulher, ambos tecidos de duas outras famílias. São duas correntes da humanidade que se uniram, e, num dado momento, se uniram e geraram uma nova vida. Portanto, estar ligado a uma família, dela receber a existência é algo próprio de nossa condição humana.
A festa de hoje é também celebração do Natal. Ao se encarnar o Filho de Deus quis viver em uma família humana. Ele teve uma família. Isto para nós parece banal. Quem é que não está ligado a uma família? Não existe nada mais natural e normal do que este fato.
O que nos causa admiração e espanto é que o Filho de Deus teve uma família. Deus levou a sério a encarnação. Assumiu todas as consequências de seu ato: tornou-se homem como nós e não apenas a aparência humana: se fez carne. Ele tornou-se verdadeiro homem sem deixar de ser Deus.
O Filho de Deus não se contenta apenas em entrar na história humana através de uma família, mas também participou de todo o processo de crescimento e amadurecimento dentro da família.
Como qualquer um de nós, Jesus aprendeu na família a arte de ser homem e de responder aos problemas de seu meio. É na família que Jesus se relaciona com o mundo e com os homens, e, a partir dela, foi ampliando seu círculo até dimensões mais vastas.
No evangelho ouvimos que Jesus “crescia, ficava forte e cheio de sabedoria; e a graça de Deus estava sobre ele”. Muitos, às vezes, se escandalizam com esta afirmação, pois pensam que Jesus devia saber tudo desde criança. Sob o pretexto de que Cristo é Deus, muitos acham que Jesus devia saber tudo sobre o mundo, sobre seu destino e sobre os acontecimentos futuros. Assim ele não poderia em absoluto ter adquirido nada pela educação.
Esta concepção esquece de confessar a verdadeira humanidade de Jesus. A perfeição do conhecimento para uma pessoa humana não consiste em saber tudo. O conhecimento divino de Jesus não consiste num conhecimento enciclopédico universal, mas no conhecimento sem escuridão de dúvidas da vontade do Pai. Tal conhecimento da vontade do Pai se deu num processo humano de discernimento, descoberta e fidelidade. Jesus não era um computador universal, mas um homem historicamente situado e limitado, que aprendeu, desde a infância, a colocar seu crescente saber humano totalmente a serviço da vontade divina.
Festa da Sagrada Família de Nazaré - Mt 2,13-15.19-23 – Ano A – 28-12-25
“Levanta-te, pega o menino e sua mãe e foge para o Egito!” (Mt 2,13)
O relato evangélico indicado para a festa da Sagrada Família é como o espelho de nossa história violenta, que avança sobre cadáveres de crianças sacrificadas, de inocentes fugitivos, de homens e mulheres errantes, perseguidos, em busca de uma pátria. Nossa história do “falso natal” avança sobre o Natal verdadeiro que continua acontecendo nos caminhos dos fugitivos e dos clandestinos deste mundo.
O alarme diante da notícia do nascimento do “rei dos judeus” encaixa perfeitamente no contexto de mentiras e complôs, de terrores e furores dos últimos anos do rei Herodes.
Jesus, já na sua infância, se fez presente no lugar onde se encontravam aqueles que não tinham “lugar”, os “deslocados”, os socialmente rejeitados e que serão, mais tarde, a razão de seu amor e do seu cuidado. Porque fez a experiência da exclusão (exílio) é que Jesus irá desencadear, com sua vida e missão, um movimento de inclusão.
A perseguição e o exílio logo no início de sua vida revelam o realismo da Encarnação. Ao entrar na nossa história, o Filho de Deus esvaziou-se de sua glória e assumiu nossa condição humana, com todas as consequências: pobreza e impotência, perseguições e ameaças de morte por parte dos poderosos de turno.
Jesus nasceu num mundo hostil. Ele foi perseguido pelos “donos do poder” desde o início de sua vida.
O não reconhecimento d’Ele por Herodes e por Jerusalém antecipa sua rejeição, sua condenação e sua morte na Cidade Santa, no lugar onde Ele encontrará a maior hostilidade.
O paralelismo entre Jesus e Moisés, de um lado, e entre Herodes e Faraó, de outro, é claro.
Há também um paralelismo entre Jesus e o povo de Israel: Jesus revive na sua própria história a travessia do seu povo, chamado por Deus do Egito. “Do Egito chamei meu filho” (Os. 11,1).
Nessa escola de perseguição cresceu o Messias, compartilhando assim a sorte dos hebreus oprimidos no Egito; crescendo nela pode entender e interpretar nossa história por dentro. Entre fugitivos e perseguidos, cresceu Jesus, nas fronteiras da desumanização; ali vai sendo gestada a história da nova humanidade.
Se a história da Encarnação começa lá “embaixo”, na periferia, quer dizer que a fé em Deus implica prestar atenção e voltar a cabeça em direção aos “últimos”, aos que vivem “deslocados”. É por esse caminho que podemos chegar à descoberta e à experiência de Deus; é também por este caminho que podemos chegar ao conhecimento de nós mesmos e nos fazermos mais “humanos” e “solidários”. No momento em que o Verbo de Deus assume um rosto, todo ser humano chega à plenitude de sua realização: entra em comunhão com o Infinito e recebe uma dignidade infinita.
O relato do exílio interpela a nossa liberdade e a nossa fé. Jesus continua batendo à porta e pedindo hospitalidade na ponta dos pés. São rostos desfigurados pela fome e pobreza, rostos aterrorizados pela violência diária, rostos angustiados de menores carentes, rostos humilhados e ofendidos na sua dignidade... Podemos fechar-Lhe a porta e condená-Lo ao exílio, que é uma atitude gravíssima na relação com Deus.
Aqui se condena uma criança. Se não entendermos essa lição, nada mais conseguiremos entender. Nesta nossa ignorância e insensibilidade a respeito do presente divino que é a Criança de Belém, estão as raízes de nossas maiores desgraças, injustiças, violências...
E Deus não pode abençoar uma sociedade que não sabe valorizar e proteger suas crianças...
O Evangelho de hoje termina com três indicações geográficas, que são como que a espinha dorsal da narrativa. Antes de tudo, o anjo diz a José que deve retornar à terra de Israel: é a pátria mais genérica de Jesus e da revelação bíblica. Depois José é advertido em sonho para ficar no território da Galileia.
Enfim, de modo mais específico, ele vai morar “numa cidade chamada Nazaré”.
Nazaré está no traçado do retorno-êxodo de Jesus do Egito.
Com a terra de Israel Jesus revive a experiência do Êxodo; com a Galileia dos gentios Jesus abre a salvação aos mais pobres e excluídos; mas, em Nazaré Ele encontra o ambiente favorável à sua humanização. Um povoado insignificante que se torna o ponto de partida do caminho de Jesus, uma vida oculta e corriqueira que é celebrada pelos profetas.
Podemos dizer que Nazaré é, em certo sentido, a “mística do cotidiano”, das horas, dos meses, dos anos escondidos, da vida tranquila, provinciana, não-escrita, de Jesus.
Essa atenção à simplicidade do cotidiano, à natureza da Galileia, à mensagem que Deus esconde no interior das pessoas, nas coisas, nas horas…, é uma constante na pregação de Jesus. Nazaré é o sinal da epifania de Deus nas pequenas coisas, é o sinal da palavra divina escondida nas vestes humildes da vida simples e familiar, é o sinal da presença graciosa de Deus em nossas casas.
Às vezes, as imagens da Sagrada Família nos fazem entendê-la de uma maneira fria, solene e distante. No entanto, não devemos esquecer que Jesus teve uma família e nela viveu muitas das experiências que nós vivemos nas nossas: alegrias e tristezas, dramas e conquistas, perdas e encontros...
A família continua sendo o espaço humanizador privilegiado para o desenvolvimento de cada pessoa, não só durante os anos da infância e da juventude, mas durante todas as etapas de nossa vida.
O ser humano só pode crescer em humanidade através de suas relações sadias com os outros. A família é a atmosfera insubstituível e o lugar de referência para que essas relações profundamente humanas sejam amadurecidas. Seja como casal, como filho, como irmão, como pai ou mãe, como avós..., em cada uma dessas situações a qualidade da relação os fará aproximar da plenitude humana, quando todo encontro com o outro é vivido para destravar e ativar suas ricas possibilidades e sua capacidade de amar.
O espaço familiar des-vela o humano que em todos habita.
Inspirada no lar em Nazaré, cada família se transforma num espaço privilegiado para viver as experiências mais básicas da fé cristã: a confiança num Deus Bom, amigo do ser humano; a atração por um estilo de vida cristificado; a descoberta do projeto de Deus de construir um mundo mais digno, justo e amável para todos; ambiente inspirador para o despertar da criatividade e do espírito de busca; a internalização dos valores do evangelho, etc...
Num lar onde se vive o seguimento de Jesus com fé simples, mas com grande paixão, cresce uma família sempre acolhedora, sensível ao sofrimento dos mais necessitados, que aprende a partilhar e a comprometer-se por um mundo mais humano. Uma família que não se encerra só nos seus interesses, mas que vive aberta à família humana.
A experiência e vivência familiar, portanto, vem responder a uma demanda própria deste momento pós-moderno e se revela capaz de restituir ao ser humano de hoje a espessura de humanidade e os valores que lhe são próprios. O clima familiar não só mobiliza a pessoa em sua integralidade (corporal, afetivo, cognitiva, volitiva...), mas a acompanha para um sentido sapiencial da vida e que a faz saboreá-la como descoberta, como oportunidade, como dom.
A espiritualidade familiar, centralizada em cada um de seus membros, visa mobilizá-los em todas as suas dimensões, promove distensão, paz e alegria, propõe um caminho de plena humanização, forma para a abertura aos outros e para a doação por amor, impele, em suma, a criar as condições para que todos atinjam a maturidade e se realizem como seres humanos.
Para meditar na oração:
Contemplar seu espaço familiar: é ambiente instigante, provocativo, inspirador... onde todos se sentem livres para expressar sua identidade e originalidade? Ali educa-se para viver uma consciência moral responsável, sadia, coerente com a fé cristã? Ou favorece um estilo de vida superficial, consumista, sem metas nem ideais, sem critérios e valores evangélicos?
Em que dimensões você sente que sua família pode e deve crescer mais, tendo como referência a Família de Nazaré?
Os textos bíblicos deste domingo:
1ª Leitura (Eclo 3,3-7.14-17a) A família patriarcal, a tribo ou o clã, onde os filhos casados viviam com os velhos pais, é diferente da família nuclear (pai-mãe-filho ou mesmo apenas mãe ou pai e filhos) de hoje. Mesmo assim, os conselhos dados para aquele tempo ainda servem para hoje.
2ª Leitura (Cl 3,12-21) A Carta aos Colossenses dá conselhos dirigidos a cada membro da família, para o bom relacionamento de uns com os outros. Devem servir para hoje.
3ª L. Evangelho (Mt 2,13-15.19-23) O Evangelho fala das dificuldades da família modelo. É uma família pobre e perseguida, mas é família e é modelo.
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HOMILIA
A Realidade
A família hoje e no passado, mesmo recente, tem algumas diferenças, não? Antes da expansão da televisão, do telefone celular e do consumo de drogas, o ambiente familiar era outra coisa.
E se pensarmos na época dos avós, dos bisavós ou bem antes ainda, quando meios de comunicação à distância não havia, não havia transporte motorizado, a produção era apenas agrícola e artesanal, não havia indústrias nem forte comércio? A grande maioria da população morava na zona rural, cada família no seu pedaço de terra, quase totalmente isolada.
A Palavra
A família patriarcal, a tribo ou clã, onde os filhos casados viviam junto dos velhos pais, é diferente da família nuclear (pai e/ou mãe e filho) de hoje. Mesmo assim, os conselhos da Primeira e da Segunda Leitura, dados para um tempo já passado, ainda podem servir para hoje. Carinho e atenção para com aqueles de quem tanto dependemos um dia, nunca são demais.
No Evangelho, temos o episódio exclusivo de Mateus, da fuga da Sagrada Família para o Egito. A família de Jesus é uma família de migrantes, como foi a comunidade que nos deu este Evangelho. Quando os revoltosos tomaram o poder em Jerusalém, os cristãos saíram da cidade, da Judéia e da própria Palestina. Só depois da destruição de Jerusalém, depois de tudo terminado, voltaram, agora para a Galileia.
No Evangelho de cristãos judeus não poderiam faltar alusões às Escrituras Sagradas do povo escolhido. A todo passo de Jesus é lembrada uma passagem da Escritura que nele se realiza. Ele é o Messias anunciado pela Lei e os Profetas.
As dificuldades e incertezas da vida de migrantes mostram que o caminho de Deus é este mesmo. Como a Sagrada Família, nossa comunidade também realiza o projeto de Deus no meio de todos os problemas vividos.
O Mistério
A Eucaristia começou numa refeição familiar. A ceia da Páscoa se fazia por família, um grupo suficiente apenas para comer a carne de um cordeiro de um ano. A memória da libertação do Egito era feita com a participação do filho mais novo e do pai.
Jesus é o cordeiro sacrificado. Sua morte nos liberta da cobiça. A partilha do pão e do vinho pretende fazer da humanidade uma só família, em torno da mesma mesa.
O período do Natal nos leva a meditar sobre a sagrada Família de Nazaré, exemplo para todas as famílias cristãs. Cristo quis entrar em nossa história pela porta da família, para resgatá-la dos estragos que o pecado original deixou também nela e santificá-la.
Papa São João Paulo II disse que ela é o grande “patrimônio da humanidade”, o “santuário da vida” que Deus preparou para a vida ser protegida desde a gestação da mãe até a morte natural. Ela é também “a Igreja doméstica”, onde Deus é amado e adorado em primeiro lugar, onde se reza e ensina os filhos a rezarem.
Família
A família é a célula vital da sociedade. Se ela for destruída, como Deus a criou, a sociedade se destruirá. Ela tem uma missão social inerente à sua vocação, que consiste no testemunho da beleza do lar. Por isso, Jesus quis ter uma família. Quando São José pensou em abandonar Maria, no silêncio discreto, sem entender a sua gravidez, o Anjo do Senhor logo o consolou: “José, filho de Davi, não temas receber Maria por esposa, pois o que nela foi concebido vem do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo de seus pecados” (Mt 1,21).
Jesus quis ter um pai terreno, adotado, legal diante do seu povo. Foi uma adoção às avessas, pois, em vez de o pai adotar um filho, foi o Filho quem adotou um pai, porque queria uma família. E nela Ele viveu por 30 anos, trabalhou com mãos humanas, foi obediente e submisso a seus pais, a quem Ele mesmo deu a vida. Que exemplo para os filhos!
A Família de Nazaré é um exemplo para todos nós, sobretudo hoje, em que a família é ameaçada de muitas maneiras, atacada pelo demônio de muitas formas. Ela sofre numerosas pressões, sobretudo dos meios de comunicação social que objetivam destruir ou deformar o amor conjugal. Nunca, como hoje, os preceitos bíblicos precisam nortear os casais.
A família de Nazaré é uma escola de santidade, onde os pais e Jesus fazem a vontade de Deus, vivem para Deus; esta é a principal lição que nos deixam. Os Papas sempre apontaram a Família de Nazaré como o modelo das virtudes domésticas. Destacaram o amor puro, santo e fiel, a dedicação que levava aos maiores sacrifícios. Logo, ela precisa fugir para o Egito, escapando da morte do assassino Herodes.
José e Maria como exemplo
Hoje, também há muitos Herodes modernos querendo destruir esta que é a mais importante obra de Deus. José e Maria não se cansam no serviço ao Menino que eles sabiam que viriam ao mundo com uma missão que nenhum homem poderia realizar.
Que admirável a submissão de Jesus, o Filho de Deus, a José e a Maria! Seus pais, por sua vez, acatavam as ordens divinas sem nada questionar, fosse para fugir para o Egito, fosse para ir a Jerusalém visitar o Templo, fosse na humildade da carpintaria de Nazaré. Levavam um vida pobre e simples, satisfeitos com o pouco que tinham, confiantes na Providência Divina que não deixava nada faltar.
O exemplo de Maria e de José deve ensinar os pais a educar os filhos na vida cristã, numa fé autêntica, no amor aos Mandamentos da Igreja, numa esmerada formação moral e cívica, dando-lhes amor, tratando-os com carinho e correção adequada, sem humilhá-los nem exasperá-los.
É obrigação dos pais ajudar os filhos a salvar suas almas num contexto atual, onde tudo conspira contra as virtudes da pureza, caridade, humildade, paciência, bondade e verdade. Hoje, as reproduções artísticas de toda a espécie, os filmes, as novelas e, agora, também os sites pornográficos na internet levam a todo tipo de pecado que os pais precisam evitar para os filhos.
A dedicação de José e de Maria ao Menino Jesus ensina os pais, hoje, a zelar pela educação dos filho, pois é no seio da família que os filhos aprendem os bons costumes. São João Paulo II pedia que a família cristã, como a de Nazaré, espalhesse a “cultura da vida’ contra a cultura da morte. Que a família cristã desse combate corajoso contra o aborto, a eutanásia, a pornografia, o nudismo, a ideologia de gênero, a manipulação de embriões e tudo mais que destrói a vida, pois a família é o santuário sagrado da vida.
Festa da Sagrada Família
A Festa da Sagrada Família, que a Igreja celebra no domingo após o Natal, deixa claro que a família é sagrada. Para nós cristãos ela não é somente uma realidade cultural, social e antropológica; ela é, acima de tudo, uma realidade teológica, isto é, ela pertence ao plano de Deus para a humanidade. Desde a criação, o Senhor pensou a humanidade como homem e mulher (cf. Gn 1,27) e determinou que o homem não estivesse sozinho (cf. Gn 2,18); desde o princípio, a primeira palavra do homem foi uma declaração de amor à mulher: “Esta sim, é osso de meus ossos e carne de minha carne” (Gn 2,23).
Jamais será lícito a um cristão aceitar um conceito de família diferente daquele que a Palavra de Deus nos apresenta. Trata-se, aqui, de fidelidade à Palavra de Deus. E num tema decisivo para a humanidade, destruir e desvirtuar a família é colocar em perigo a própria humanidade!.Por falta de uma família cristã, vemos nossos jovens sem religião, descristianizados.
Enfim, a Sagrada Família de Nazaré nos ensina a viver o que disse São Paulo: “Irmãos, vós sois amados por Deus, sois seus santos eleitos: revesti-vos de sincera misericórdia, humildade, mansidão e paciência, suportando-vos uns aos outros e perdoando-vos mutuamente, se um tiver queixa contra o outro. Que a paz de Cristo reine em vossos corações, à qual fostes chamados como membros de um só corpo. Que a palavra de Cristo habite em vós. Tudo que fizerdes, seja feito em nome do Senhor Jesus Cristo. Por meio dele daí graças a Deus Pai”. (Col 3,12-17)
Que intercedam por nós a Virgem Maria e seu esposo, São José! Que tenha misericórdia de nós o Cristo Jesus, feito obediente a seus pais no coração da casa de Nazaré.
Tempo do Natal - 5º dia da Oitava do Natal - 28 Dezembro 2025
Dehonianos
Lectio
Primeira leitura: 1João 2, 3-11
O caminho para conhecer a Deus e permanecer nele é, pela negativa, «não pecar» (cf 1 Jo 1, 5-2,2) e, pela positiva, guardar os mandamentos, especialmente o do amor a Deus ( vv. 3-6) e aos irmãos 8vv. 8-11). O conhecimento de Deus comporta, pois, exigências de vida, ao contrário da gnose, filosofia religiosa popular do tempo de Jesus, que apenas exigia a libertação do mundo visível. Opondo-se a essa doutrina, que excluía o pecado e a existência de qualquer moral, João afirma que o verdadeiro conhecimento de Deus deve ser autenticado pela observância dos mandamentos. De facto, quem guardar a «sua palavra» (v. 5) experimenta o amor de Deus e mora nele, porque vive como Jesus viveu, e tem dentro de si uma realidade interior que o impele a imitar a Cristo, cujo exemplo de vida é precisamente o amor (v. 6).
Este mandamento do amor é novo e antigo: «novo», porque gera vida nova e deve sempre redescobrir-se; «antigo», porque foi ensinado desde o início do anúncio cristão. O verdadeiro critério de discernimento do espírito de Deus é o amor fraterno, porque ninguém pode estar na luz de Deus e odiar o próprio irmão.
Evangelho: Lucas 2, 22-35
mãe: «Este menino está aqui para queda e ressurgimento de muitos em Israel e para ser sinal de contradição; 35*uma espada trespassará a tua alma. Assim hão-de revelar-se os pensamentos de muitos corações.»
A apresentação de Jesus no templo tem como horizonte teológico o quadro da antiga aliança que dá lugar à nova aliança, pelo reconhecimento do menino Jesus como o Messias sofredor, o Salvador universal dos povos. A narrativa está cheia de referências bíblicas (cf. Ml 3; 2 Sam 6; Is 49, 6), e compõe-se de duas partes: a apresentação da cena (vv. 22-24) e a profecia de Simeão (vv. 25-35).
Maria e José, obedientes à lei hebraica, entram no templo como membros simples e pobres do povo de Deus, para oferecerem o primogénito ao Senhor e para purificação da mãe (cf. Ex 13, 2-16; Lv 12, 1-8). A oferta do Menino revelam confiança e abandono em Deus, antecipação da verdadeira oferta do Filho ao Pai, que se realizará no Calvário. O centro da cena é a profecia de Simeão, homem justo e piedoso que esperava a consolação de Israel (cf. v. 25). Guiado pelo Espírito, vai ao templo e, reconhecendo em Jesus o Messias esperado, saúda-o festivamente e faz uma confissão de fé: realizaram-se as antigas profecias; ele viu o Salvador, a glória de Israel, a luz e salvação de todos os povos. Mas essa luz terá o reflexo do sofrimento, porque Jesus há-de ser «sinal de contradição» (v. 34) e a própria Mãe será envolvida o destino de sofrimento do Filho (v. 35).
A contemplação do encontro de Simeão com o Menino Jesus, deixa-nos entrever a alegria imensa de quem vê realizar-se um desejo antigo, próprio e de todo o povo. Simeão contempla e recebe nos braços o Messias de Israel, Aquele que traz consolação, salvação, luz e glória a Israel.
As palavras «impelido pelo Espírito, veio ao templo» podem trazer inspiração para a nossa vida. Simeão é um homem dócil ao Espírito Santo e, por isso, pode ter a alegria de encontrar o Messias, tomá-lo nos braços e bendizer a Deus. Homem justo e temente a Deus, observava, não os mandamentos, mas também as inspirações de Deus. Estava atento à voz do Espírito para, em todas as circunstâncias, fazer a vontade de Deus. Assim caminhava na luz, para conhecer a Jesus, como ensina S. João. Coube-lhe a honra de oferecer a Deus aquele menino. Fê-lo certamente com o arrebate que notamos no seu hino. Mas estava ainda longe de compreender plenamente o alcance do seu gesto.
Escreve o Pe. Dehon: «Enquanto que o velho Simeão o oferece assim, Deus não vê nas mãos do sacerdote senão o Coração do seu Filho, que se oferece a si mesmo, este Coração animado de uma generosidade infinita, este Coração tão grande pelo amor, que é pequeno fisicamente. O santo ancião não compreende toda a excelência deste dom que ele faz a Deus da parte dos homens; adivinha-o um pouco, entrevê-o profeticamente. O Coração de Jesus compreende todo o valor desta oferenda, é ao mesmo tempo o doador e o dom, o Sacerdote e a oblação» (OSP 3, p. 218).
Cristo entregava-se para glória e alegria do Pai e para salvação da humanidade. Amar a exemplo de Cristo, significa entregar-se, esquecer-nos de nós mesmos, procurar os interesses dos outros até ao sacrifício dos próprios interesses. A atitude evangélica de quem se coloca na verdade é o dom de si mesmo a Deus e aos irmãos. A vida cristã é amor que se dá a todos com generosidade.
O fundamento deste amor é a própria Trindade, a comunhão que une o Pai e o Filho.
Isto faz-nos compreender que o amor cristão não se limita à comunidade cristã, em que cada um de nós vive, porque o amor fundado sobre o amor do Pai e vivido em plenitude entre os irmãos na fé é um elemento de dinamismo apostólico. Com quanto maior profundidade se viver a fé e o amor, mais nos sentimos impelidos ao testemunho. Onde reinar esse amor recíproco, os discípulos tornam-se sinal histórico e concreto de Deus-Amor no mundo.
Oratio
Senhor Jesus, a tua vida escondida, e confundida com a da gente comum, é para nós um exemplo de simplicidade e de pobreza. Como qualquer primogénito do teu povo, quiseste ser apresentado ao templo e oferecido a Deus, para cumprires a Lei. Fizeste-te reconhecer como Salvador universal por Simeão, um homem justo e aberto à novidade do Espírito. É aos simples e aos humildes que Te costumas revelar, e não aos sábios e orgulhosos.
Nós Te pedimos que, apesar da nossa miséria e da nossa incapacidade em nos darmos conta da passagem do teu Espírito na nossa vida, nos dês a graça de Te reconhecermos como nossa luz e como luz do mundo.
Nós Te louvamos e bendizemos, com o velho Simeão, pela realização das tuas promessas. Ajuda-nos a viver tudo quanto nos ensinaste, especialmente o amor fraterno. E que toda a nossa vida seja oblação ao Pai, em favor da humanidade, pela qual Tu próprio Te ofereceste. Amen.
Contemplatio
Simeão, homem justo e temente a Deus, esperava a consolação de Israel. O Espírito Santo, que estava nele, tinha-lhe dito que não morreria sem ver o Cristo do Senhor. Ele esperava, era a sua vida, e a sua confiança era inabalável.
Mas será que eu peço e espero o reino de Nosso Senhor? Quão depressa fico sem coragem! Uma decepção, uma oração aparentemente infrutífera, uma demora da Providência, e deixo-me abater. Rezar, esperar, ter confiança, isto é a vida cristã.
É um dia de alegria para Simeão. Naquele dia, os seus pressentimentos realizam-se. Vem ao Templo, encontra uma criança com a sua mãe. É o redentor! O vidente compreendeu- o.
E quando recebe Jesus nos seus trémulos braços, não consegue conter as lágrimas: «Agora posso morrer, diz, vi a salvação...» A terra já não tem encanto para ele. Os seus olhos já não se interessariam por mais nada. Viu o Senhor, irá esperá-lo no silêncio dos limbos.
Oh! Porque é que não sei esperar e perseverar na oração? Alegrias profundas viriam recompensar-me e encorajar-me.
Como Simeão é belo quando, com os olhos banhados de lágrimas, ergue com os seus trémulos braços o menino Jesus para o céu, cantando o seu Nunc dimittis! Viu o Senhor, é ter vivido muito, é viver muito ainda. «Agora, diz, podeis, Senhor, deixar ir em paz o vosso servo... O túmulo não me assusta, certo como estou de já não estar muito tempo separado de vós... Permiti que vá anunciar aos vossos santos que já não têm muito tempo que esperar por vós, porque os meus olhos viram a salvação que preparastes para os povos, a luz que deve iluminar as nações e a glória de Israel vosso povo» (Leão Dehon, OSP 3, p. 126).
Na continuidade da oitava do Natal, a Igreja celebra neste domingo a festa da Sagrada Família. Por estarmos vivenciando o “ano A” do ciclo litúrgico, o texto evangélico é retirado de Mateus, especificamente da parte introdutória que convencionalmente chamamos de “evangelho da infância”, correspondente aos dois primeiros capítulos, os quais funcionam como introdução e síntese de todo o seu Evangelho, como acontece também com o Evangelho de Lucas. O trecho lido hoje – Mt 2,13-15.19-23 – contém dois episódios, bastante conexos entre si: a fuga de José, Jesus e sua mãe para o Egito (vv. 13-15), e o respectivo retorno dos três (vv. 19-23). Como se vê, a liturgia preferiu saltar alguns versículos entre os dois episódios (vv. 16-18), correspondentes ao relato da matança dos inocentes a mando de Herodes, o que foi o motivo da fuga de José com o menino e a mãe para o Egito.
De todos os evangelistas, Mateus é aquele que mais recorre ao Antigo Testamento para construir a sua “história de Jesus”, empregando, inclusive, os métodos de interpretação usados pelos rabinos do seu tempo, embora com uma finalidade diferente. Os rabinos ligados ao judaísmo oficial usavam passagens do Antigo Testamento para negar que Jesus fosse o Messias e Filho de Deus. Mateus, por sua vez, buscava passagens para confirmar e afirmar Jesus como o Messias, procurando constantemente colocá-lo em paralelo com os principais personagens da história de Israel, principalmente com Moisés. Insiste em apresentar Jesus como o messias anunciado e prometido pelos profetas. Isso acontece em todo o seu Evangelho, mas com mais intensidade no “evangelho da infância” (cc. 1 – 2). O trecho lido hoje é uma clara demonstração disso.
A principal motivação para o evangelista fazer isso foi a realidade e a composição das suas comunidades, formadas predominantemente por cristãos que tinham saído do judaísmo e necessitavam de provas escriturísticas de que Jesus era mesmo o Messias esperado e Filho de Deus. Na época da redação do Evangelho, essas comunidades também viviam um período muito difícil, perseguidas pelo império romano e o judaísmo oficial. Para fortalecê-las, o evangelista apresenta Jesus sendo perseguido desde os seus primeiros dias de vida, como mostra o evangelho de hoje, um aspecto que Lucas não enfatiza em seu relato da infância.
Feita a introdução contextualizada, olhemos para o texto: “Depois que os magos partiram, o Anjo do Senhor apareceu em sonho a José e lhe disse” (v. 13a). Temos novamente a figura do Anjo que aparece em sonho a José; o mesmo tinha acontecido quando ele descobriu a gravidez de Maria e pensava abandoná-la em segredo (cf. Mt 1,19). A expressão “Anjo do Senhor” é uma forma suavizada para falar de Deus mesmo. Como a mentalidade hebraica concebia Deus como alguém muito distante e o ser humano incapaz de comunicar-se com ele, usava-se a imagem de um ser intermediário, como um anjo. Já o sonho, na mentalidade bíblica, e sobretudo em Mateus, significa a disposição interior para compreender a vontade de Deus e colocá-la em prática. O evangelista aproveita a ocasião também para fazer um paralelo entre o esposo de Maria e o patriarca José, o penúltimo filho de Jacó, habilidoso em sonhar e interpretar sonhos (cf. Gn 37; 40 – 41), de acordo com o livro do Gênesis, o qual também salvou a vida dos descendentes de Israel, levando-os para o Egito numa época de carestia.
Através do anjo, o Senhor dá uma ordem a José: “Levanta-te, pega o menino e sua mãe e foge para o Egito! Fica lá até que eu te avise! Porque Herodes vai procurar o menino para matá-lo” (v. 13b). A primeira informação evidenciada aqui é a proteção constante de Deus na vida de Jesus, sendo também uma antecipação do seu ministério como oposição ao poder estabelecido. O evangelista está alertando que, desde o início, Jesus e seu projeto libertador são insuportáveis para todo e qualquer sistema de dominação sustentado pelo uso da força e poderio econômico, causas diretas das principais injustiças. É nítida aqui também a intenção do evangelista de comparar Jesus com Moisés: ambos, quando ainda eram crianças, foram alvos da fúria de governantes violentos e injustos; o que Herodes faz é semelhante ao que o faraó do Egito fez na época de Moisés, ordenando que todos os meninos hebreus fossem mortos (cf. Ex 1,22 = Mt 2,16). É claro que, além da continuidade, o principal objetivo do evangelista ao comparar Jesus com os personagens do Antigo Testamento é demonstrar a sua superioridade. Isso será feito no decorrer de todo o Evangelho, e teremos a oportunidade de perceber isso ao longo do ano litúrgico.
Ao longo de todo o seu “evangelho da infância”, Mateus apresenta José como exemplo de abertura e obediência à vontade de Deus, constituindo-o como modelo antecipado de discípulo. Por isso, à recomendação do anjo, temos a imediata resposta de José: “José levantou-se de noite, pegou o menino e sua mãe, e partiu para o Egito” (v. 14). Os verbos “levantar-se”, “pegar (o mesmo que ‘tomar consigo’)” e “partir/entrar”, que formam um refrão neste texto (vv. 13-14.20-21), tanto como ordem do anjo quanto como execução da parte de José, conforme indica o narrador, são aqui uma síntese do discipulado de Jesus, e fazem deste trecho um verdadeiro tratado missionário. Mesmo sem dizer uma única palavra, José é aqui apresentado como autêntico e fiel discípulo missionário: o seu agir é todo conforme a Palavra de Deus. Na recomendação do anjo e no cumprimento por José é delineado também um ordenamento para a comunidade: Jesus, o menino, está sempre no centro: José – o menino – a mãe. José e a mãe, cujo nome não vem aqui mencionado, são aqui as imagens do antigo Israel que converge para Jesus, e também a imagem da comunidade cristã que será construída no decorrer do Evangelho. Eles só se inserem na história da salvação em função de Jesus. Logo, no centro de uma comunidade não pode estar outro senão Jesus Cristo.
Para a conclusão do primeiro episódio, o evangelista insere uma citação do profeta Oséias (Os 11,1): “Ali ficou até a morte de Herodes, para se cumprir o que o Senhor havia dito pelo profeta: ‘Do Egito chamei o meu Filho’” (15). A morte de Herodes é o evento demarcatório de que o perigo diminuiu, pelo menos por enquanto, pois a sequência do texto mostrará o contrário. Na maioria das citações explícitas dos profetas, Mateus diz apenas “para se cumprir o que disse o profeta”; em algumas, nas mais importantes, como essa, ele diz “para se cumprir o que o Senhor havia dito pelo profeta”; assim, ele coloca as palavras na boca de Deus, para demonstrar que quem chamou Jesus de Filho foi próprio Deus. O Filho ao qual Oséias se refere é povo de Israel, recordando o êxodo. Aplicada a Jesus, a citação antecipa a confissão da sua filiação divina para a comunidade de Mateus. O evangelista afirma aqui a messianidade de Jesus como Filho de Deus, o que será reafirmado no decorrer do Evangelho, especialmente na cena do batismo (Mt 3,17) e na confissão de Pedro (Mt 16,16).
Tendo omitido os versículos da “matança dos inocentes” (vv. 16-18), o texto continua com o dado da morte de Herodes e uma nova aparição do Anjo do Senhor a José (v. 19), com uma nova ordem: “Levanta-te, pega o menino e sua mãe, e volta para a terra de Israel; pois aqueles que procuravam matar o menino já estão mortos” (v. 20). A ordem para voltarem à terra de Israel, saindo do Egito, alude à ordem de Deus a Moisés, quando estava refugiado em Madiã: “Vai, volta ao Egito, porque aqueles que queriam te matar estão mortos” (Ex 4,19). Embora no texto de Mateus o movimento seja o contrário, ou seja, é do Egito que devem partir, o objetivo é atualizar a experiência do êxodo. Mesmo sendo José o executor das determinações de Deus por meio do anjo, é Jesus o motivo de tudo. Assim, o evangelista o apresenta como o libertador definitivo, não apenas de Israel, mas de toda a humanidade. Aqui, temos também um elemento novo: antes, era apenas Herodes quem queria matar Jesus recém-nascido (v. 13); agora, o evangelista diz “aqueles que procuravam matar”. Portanto, é uma antecipação do complô final formado pelos poderes político e religioso de Jerusalém, que levará Jesus à cruz.
Novamente, José fez a vontade de Deus. O evangelista não se cansa de repetir que tudo o que José faz é conforme o dizer de Deus: “José levantou-se, pegou o menino e sua mãe, e entrou na terra de Israel” (v. 21). A entrada na terra de Israel é a realização parcial do novo êxodo, o qual será consumado com a ressurreição. Como o poder dominante usa de todos os métodos para se perpetuar, a morte de um tirano não significa melhora na vida do povo. É um poder que passa de pai para filho com os mesmos métodos. Por isso, mesmo após a morte de Herodes Jesus corria perigo: “Mas quando soube que Arquelau reinava na Judeia, no lugar de seu pai Herodes, teve medo de ir lá. Por isso, depois de receber um aviso em sonho, José retirou-se para a região da Galileia” (v. 22). Novamente, Deus intervém em favor de Jesus e da comunidade reunida em seu redor, prefigurada por José e Maria. Deus protege, mas o ser humano participa da contínua libertação. Em momento algum o evangelista diz que Deus os transportou de um lugar para outro. Apenas iluminou com a Palavra. A iniciativa de partir de um lugar para outro foi sempre de José, ou seja, do agente humano. É assim também que deve fazer a comunidade cristã: à luz da Palavra, tomar iniciativas de libertação; não repetindo as práticas do opressor, mas criando e propondo alternativas de vida. A ida dos três para a desprezada região da Galileia é uma prova disso. É de lá que o Reino será, posteriormente, anunciado e iniciado por Jesus (cf. Mt 4,14).
Toda a história dramática até aqui apresentada teve como objetivo principal levar Jesus para Nazaré, ou seja, para as margens: “E foi morar numa cidade chamada Nazaré. Isso aconteceu para se cumprir o que foi dito pelos profetas: ‘Ele será chamado Nazareno’” (v. 23). Ora, toda a Galileia era discriminada pela elite de Israel, sobretudo pela pouca ortodoxia do seu povo. Inclusive, era chamada de “Galileia dos pagãos” (cf. Mt 4,15). E parece que Nazaré era a pior das cidades que havia lá. Na verdade, Nazaré era apenas uma aldeia de menos de quinhentos habitantes; seu nome não é citado uma única vez no Antigo Testamento. O evangelista se arriscou até a usar uma profecia “inexistente”, para explicar a ida de Jesus para lá. Nenhum texto do Antigo Testamento fala de um “nazareno”; já foram feitas várias explicações para esta referência, mas nenhuma convincente. A maior prova da má fama de Nazaré na época de Jesus é dada pelo evangelista João: “De Nazaré pode sair coisa boa?” (Jo 1,46). No entanto, foi lá que Deus escolheu para dar início ao seu Reino. Assim, o evangelista conclui o seu “evangelho da infância”, delineando a missão de Jesus e a sua identificação com tudo o que é marginalizado e descartado. Para Mateus, portanto, é das margens que brota a libertação de toda opressão e injustiça. Os centros de poder são sempre ameaça à liberdade, à justiça e, consequentemente, ao Reino de Deus.
Pe. Francisco Cornelio Freire Rodrigues – Diocese de Mossoró-RN
(SE DESEJAR, CONFIRA ESTA TRADUÇÃO FEITA PELO TRADUTOR GOOGLE COM O ORIGINAL, LOGO EM SEGUIDA À TRADUÇÃO)
FESTA DA SAGRADA FAMÍLIA DE JESUS, MARIA E JOSÉ – CICLO A
Primeira Leitura (Eclesiástico 3,3-7.14-17):
O texto de Eclesiástico que lemos neste domingo é uma meditação sobre o quarto mandamento do Decálogo (Êx 20,12): "Honra teu pai e tua mãe, para que tenhas longa vida na terra que o Senhor teu Deus te dá".
A intenção do autor é explicar o que significa "honrar" os pais e qual a recompensa divina que advém disso. A palavra "honrar" na Bíblia significa reconhecer a importância e a autoridade de alguém; é usada principalmente em relação a Deus e, em seguida, a tudo o que está sob o Seu domínio. As figuras paterna e materna merecem honra, respeito e reverência devido à sua relação análoga com Deus. Elas transmitem a vida, cuja fonte última é o próprio Deus. Além disso, honrar pai e mãe é, em certo sentido, também honrar a Deus, conforme estabelecido pelo quarto mandamento.
Por essa mesma razão, quem honra seu pai expia seus pecados, encontrará alegria em seus filhos, será ouvido em sua oração e terá uma vida longa. E quem respeita sua mãe acumula um tesouro, como nos diz a leitura de hoje do Eclesiástico. O caminho descendente também é válido, pois "quem teme ao Senhor honra seu pai e trata como seus senhores aqueles que lhe deram a vida".
A analogia entre a relação com os pais e com Deus também aparece no aspecto negativo, já que "quem abandona seu pai é como um blasfemo e quem irrita sua mãe é amaldiçoado pelo Senhor".
Segunda Leitura (Col 3:12-21):
Este texto faz parte da seção "parenética" ou exortativa da Carta aos Colossenses. Após desenvolver o que constitui o "ser" cristão, segue-se naturalmente o que constitui o "agir" cristão. Portanto, é importante destacar a motivação teológica das ações dos cristãos refletida neste texto . Primeiro, há a consciência de sermos escolhidos por Deus, o Deus santo que nos convida a uma vida de santidade que necessariamente inclui sentimentos e atitudes de benevolência para com os outros. Segundo, há a motivação de termos sido perdoados pelo Senhor para o perdão fraterno. Depois, há o recebimento do dom do amor e da paz que advém da vida em comunhão, em unidade. Finalmente, habitado pela palavra de Cristo, o coração se enche de sabedoria para praticar a correção fraterna.
Os versículos finais desta passagem podem ser classificados dentro de um gênero literário bem definido chamado " código familiar " ou " tabela de deveres familiares ". Trata-se de um modelo literário no qual os deveres dos membros da família são listados em ordem, seguidos de alguma motivação. Instruções específicas são dadas a cada membro da unidade familiar. À esposa é pedido que demonstre respeito e submissão ao marido, e ao marido é pedido que ame a esposa e não torne a vida dela miserável. O filho é instruído a obedecer aos pais porque isso agrada ao Senhor; e os pais são instruídos a não exasperar (irritar) os filhos para que não se desanimem.
Evangelho (Mt 2,13-15.19-23):
Em Mateus 2:13-15, lemos sobre a fuga da Sagrada Família para o Egito diante da ameaça de morte de Herodes. A razão subjacente a essa reação violenta e irracional ao nascimento de Jesus foi o medo de perder o poder.
O que surpreende é que tudo isso se desenrola de acordo com o plano de Deus, conforme registrado nas Escrituras, como evidenciado pela citação de Oséias 11:1: “Do Egito chamei o meu filho”. No profeta, esse texto se referia ao êxodo como a graça salvadora de Javé, o Pai, em favor do seu povo — seus filhos . Aqui, aplica-se claramente a Jesus, o Filho. Dessa forma, Mateus estabelece um paralelo claro entre o destino do povo de Israel e o de Jesus, indicando que a história de Jesus se repete.
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Israel, com quem Jesus compartilha a experiência do êxodo. A respeito disso, U. Luz 1 diz : “A ideia mateana é que a salvação acontece novamente. O leitor familiarizado com a Bíblia sente que a ação de Deus em seu Filho tem um caráter fundamental, conecta-se com as experiências básicas de Israel e as reencena.”
Como LH Rivas² bem observa , a viagem para o Egito foi tudo menos romântica. Foi uma fuga noturna, deixando tudo para trás e arriscando os inúmeros perigos de viajar naquela época. O mesmo se aplica à sua estadia no Egito, um país estrangeiro com língua, costumes e religião diferentes. Nada disso deve ter sido fácil para a Sagrada Família. A fé de Maria e José certamente foi testada nessas circunstâncias adversas. Mas eles não pensaram em si mesmos, e sim na vida de Jesus, a quem foi confiada a proteção.
Mateus 2:19-23 narra que, após a morte de Herodes, o anjo do Senhor ordenou à Sagrada Família que retornasse a Israel. O local de retorno deveria ter sido Belém, na Judeia; contudo, diante da renovada perseguição, eles acabaram se estabelecendo em Nazaré, na Galileia.
O cumprimento desta subunidade, "ele será chamado Nazareno", não é definitivamente identificável (veja as várias opções na Bíblia de Jerusalém, nota em Mateus 2:23). Mesmo a fórmula introdutória não é a usual. O que é certo é que, por meio desta referência, Mateus busca explicar a origem galileia de Jesus e harmonizá-la com o messianismo davídico ligado a Belém.
As viagens da Sagrada Família (para o Egito e de volta) coincidem com o itinerário dos patriarcas Abraão e Jacó. Dessa forma, Jesus é apresentado como revivendo as migrações do povo de Israel ao longo da história.
Encontramos uma família perseguida por um tirano. José e Maria são plenamente obedientes à Palavra de Deus. Herodes trama o mal, querendo matar Jesus, mas Deus, como Senhor da história, antecipa os planos cruéis do tirano e salva a vida do Menino. A Sagrada Família é salva por sua fidelidade à Palavra de Deus revelada pelo anjo do Senhor.
De uma perspectiva cristológica , Jesus é apresentado como o novo Moisés, embora superior a Moisés. E de uma perspectiva eclesiológica , ele também é uma prefiguração do novo Israel. O filho de Israel tornou-se o Filho, Jesus.
Algumas reflexões:
A Festa da Sagrada Família é sempre celebrada no domingo seguinte ao Natal e é como uma extensão desse mistério. Através de sua Encarnação, Deus santificou a humanidade, redimiu-a. Mas não a humanidade considerada individualmente, e sim a humanidade com seus laços mais profundos e vitais. E é aqui que entra a realidade da família, com todo o direito, iluminada de forma prioritária pela Luz da Fé, como afirma a Lumen Fidei n.º 1. O versículo 52 afirma: “A primeira esfera que a fé ilumina na cidade dos homens é a família. Penso sobretudo no matrimônio, como união estável entre homem e mulher: nasce do seu amor, sinal e presença do amor de Deus, do reconhecimento e aceitação da bondade da diferenciação sexual, que permite aos cônjuges tornarem-se uma só carne (cf. Gn 2,24) e gerar nova vida, manifestação da bondade, sabedoria e plano amoroso do Criador. Fundamentados nesse amor, homem e mulher podem prometer um ao outro amor mútuo com um gesto que compromete toda a sua vida e evoca tantos aspectos da fé. Prometer amor eterno é possível quando se descobre um plano que transcende os próprios projetos, que nos sustenta e nos permite entregar todo o nosso futuro ao amado. A fé, além disso, ajuda-nos a apreender em toda a sua plenitude a geração de filhos, que traz profundidade e riqueza, porque nos faz reconhecer nela o amor criador que nos dá e nos confia o mistério de uma nova pessoa.”
Pois “a salvação da humanidade consiste na redenção da intimidade dos homens com Deus, dos homens uns com os outros e do homem e da mulher” 3. Além disso, “nosso Deus e Senhor se apresenta e se explica com a imagem dos laços familiares. Assim, o amor familiar é um belo reflexo da Trindade. Também a própria porta pela qual Jesus Cristo, o Senhor, se revela e nos oferece a todos a sua salvação, é uma família concreta, formada por Maria, José e o próprio Jesus” 4 .
Em resumo, Jesus nasceu, cresceu e viveu com sua família, e por isso a chamamos de Sagrada Família. E através dela, podemos iluminar a vida de todas as famílias.
À luz do Evangelho de hoje, a Sagrada Família pode ajudar as famílias em crise devido à sua situação econômica a manterem a esperança e a confiança em Deus; ou, mais precisamente, as famílias forçadas a migrar, com toda a insegurança e desolação que isso acarreta. O Papa Francisco disse em sua "Mensagem para o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado de 2014": "Jesus, Maria e José experimentaram o que significa deixar sua terra natal e ser migrantes: ameaçados pelo poder de Herodes, foram obrigados a fugir e refugiar-se no Egito (cf. Mt 2,13-14). Mas o coração materno de Maria e o coração atento de José, Guardião da Sagrada Família, sempre conservaram a confiança de que Deus jamais os abandonaria. Por sua intercessão, que essa mesma certeza permaneça sempre firme no coração do migrante e do refugiado."
Nestes tempos, tudo o que se disser em favor da família parecerá insuficiente. Os numerosos documentos sobre este assunto que surgiram tanto dos Papas quanto dos dicastérios romanos nos últimos tempos servem de exemplo. A situação atual da família desempenhou inclusive um papel significativo na renovação desta festa litúrgica, como nos lembra A. Nocent . <sup> 5 </sup>
Uma opção para a homilia seria denunciar a crise que a família enfrenta, tanto cultural quanto juridicamente. Mas talvez fosse melhor, seguindo os passos da Sagrada Família, apresentar as virtudes do matrimônio e da família cristã como um caminho para a santidade. O Papa Leão XIV disse o seguinte em sua homilia de 1º de junho de 2025:
“Nas últimas décadas, recebemos um sinal que nos enche de alegria e, ao mesmo tempo, nos convida à reflexão: refiro-me ao fato de que alguns casais foram proclamados beatos e santos, não separadamente, mas juntos, como um casal. Penso em Luís e Zélia Martin, pais de Santa Teresa de Lisieux; e lembro-me também dos Beatos Luís e Maria Beltrame Quattrocchi, cuja vida familiar se desenrolou em Roma no século passado. E não nos esqueçamos da família polonesa Ulma, pais e filhos unidos no amor e no martírio. Eu disse que é um sinal que nos faz refletir. Sim, ao propor casais santos como testemunhas exemplares, a Igreja nos diz que o mundo de hoje precisa da aliança matrimonial para conhecer e acolher o amor de Deus e para vencer, com seu poder que une e reconcilia, as forças que destroem os relacionamentos e as sociedades.”
Portanto, com o coração cheio de gratidão e esperança, digo a vocês, esposos: o matrimônio não é um ideal, mas o modelo do verdadeiro amor entre homem e mulher: amor total, fiel e fecundo (cf. São Paulo VI, Carta Encíclica Humanae vitae , 9). Este amor, ao torná-los “uma só carne”, permite que vocês deem vida, à imagem de Deus.
O exemplo da Sagrada Família de Nazaré pode ser traduzido em algo muito prático, como propôs o Papa Francisco em sua mensagem do Angelus de 29 de dezembro de 2019: “Maria, José, Jesus: a Sagrada Família de Nazaré representa uma resposta coletiva à vontade do Pai. Os três membros desta família ajudaram-se mutuamente a descobrir o plano de Deus. Rezaram, trabalharam, comunicaram. E eu pergunto-me: em sua família, vocês sabem comunicar-se, ou são como aqueles jovens à mesa, cada um com um celular, conversando? Naquela mesa, parece haver um silêncio como se estivessem na Missa… Mas eles não estão se comunicando uns com os outros. Devemos retomar o diálogo na família: pais, mães, filhos, avós e irmãos devem se comunicar uns com os outros… Esta é uma tarefa que deve ser assumida hoje, precisamente na Festa da Sagrada Família. Que a Sagrada Família seja um modelo para as nossas famílias, para que pais e filhos se apoiem mutuamente na fidelidade ao Evangelho, fundamento da santidade da família. Confiemos em nós mesmos.” “A Maria.” “Rainha da Família”, oremos por todas as famílias do mundo, especialmente aquelas que estão sofrendo ou em perigo, e invoquemos sua proteção maternal sobre elas.”
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PARA ORAÇÃO (RESSONÂNCIAS DO EVANGELHO EM UMA ORAÇÃO): Sagrada Família (Maria falou…)
Meu filho, eu te aconchego em meus braços.
Observo você com admiração e ternura.
Seu pai saiu às pressas.
Vamos procurar alguns troncos,
Para aquecer esta casa.
É um refúgio temporário, deixe-me explicar.
Seus olhinhos me encaram sem parar.
Você pode fechá-las quando ele chegar.
Assim, você poderá descansar quentinho e aconchegante,
Eu te enrolei nessas fraldas
Para te manter aquecido
Alguns mágicos que vieram
Eles queriam dizer olá.
Eles deixaram presentes e puderam refletir.
Isso nos deixou felizes, nós três.
Eu vi seu doce sorrisinho quando os ouvi conversando.
Quando eles partiram, ouviram-se rumores.
Ameaças de outros homens
Eles têm medo de um bebê recém-nascido.
O medo os levará à violência.
Mas agora ele dorme em paz.
Nada vai nos acontecer.
Partiremos para outras terras.
Seu pai nos guiará,
Ele sabe bem quem o guia.
E você encontrará um bom lugar.
Estaremos lá por um tempo, você vai crescer.
E vocês aprenderão conosco.
Orar dia após dia,
Podemos te ensinar.
A alegria reinará em cada despertar.
E mesmo que as sombras retornem
A escuridão não entrará.
Você terá a família
Plano do Pai dos Céus
Pela humanidade,
Trabalho, paz e harmonia
Aberto aos pobres e simples.
Sem maior luxo do que o homem criado por Deus
Um rei oculto com um nome encantador.
Ele reunirá o seu rebanho e o conduzirá.
Meu coração estremece
Quando eu te ouço chorar…
Acalma-te, filho da minha alma, o amanhecer está prestes a chegar. Amém.
1 O Evangelho segundo São Mateus , 179.
2 Jesus fala ao seu povo. Ciclo A (CEA; Buenos Aires 2001) 70-71.
3 Comissão Episcopal dos Leigos e da Família, Contribuições para a Pastoral Familiar da Igreja na Argentina (CEA; Buenos Aires 2009) N° 62.
4 Comissão Episcopal para os Leigos e a Família, Acompanhando, cuidando e integrando as famílias. Rumo a uma abordagem pastoral familiar à luz da Amoris Laetitia (CEA; Buenos Aires 2017) 9.
5 “Sem dúvida, os tempos atuais tiveram muito a ver com a insistência do Papa João XXIII na renovação desta festa, que abrange três pessoas cuja vida em comum deve ser um exemplo eficaz para as famílias de hoje. Pois cada membro desta família viveu para Deus e uns para os outros, com simplicidade e heroísmo, sempre sem alarde, com sinceridade”, em “ Celebrando Jesus Cristo II. Natal e Epifania (Sal Térrea; Santander 1979) 66-67.
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FIESTA DE LA SAGRADA FAMILIA DE JESÚS, MARÍA Y JOSÉ – CICLO A
Primera Lectura (Eclo 3,3-7.14-17):
El texto del Eclesiástico que leemos este domingo es una meditación sobre el cuarto mandamiento del decálogo (Ex 20,12): "Honra a tu padre y a tu madre, para que tengas una larga vida en la tierra que el Señor, tu Dios, te da".
La intención del autor es explicitar lo que significa "honrar" a los padres y cuál es la recompensa divina que se sigue de ello. La palabra "honrar" en la Biblia significa reconocer la importancia, la autoridad de alguien; y se utiliza en primer lugar para con Dios y luego para con todo lo que entra en su dominio. A la figura paterna y materna se le debe honor, respeto y temor por una relación de analogía o semejanza con Dios. Ellos transmiten la vida, cuya fuente primera es Dios mismo. Incluso más, honrar al padre y a la madre es en cierto modo honrar también a Dios, según lo establece el cuarto mandamiento.
Por esto mismo, quien honra a su padre expía los pecados, encontrará alegría en sus hijos, será escuchado en su oración y tendrá larga vida. Y quien respeta a su madre acumula un tesoro, como nos dice la lectura del Eclesiástico de hoy. Y es también válida la vía descendente, por cuanto "el que teme al Señor honra a su padre y sirve como a sus dueños a quienes le dieron la vida".
La analogía entre la relación con los padres y con Dios aparece también en el aspecto negativo, por cuanto "quien abandona a su padre es como un blasfemo y el que irrita a su madre es maldecido por el Señor".
Segunda Lectura (Col 3,12-21):
Este texto forma parte de la sección "parenética" o exhortativa de la carta a los Colosenses. Después de haber desarrollado lo propio del "ser" cristiano, sigue como consecuencia lo propio del "obrar" cristiano. Por tanto, es de resaltar la motivación teológica del obrar de los cristianos que refleja este texto. El primer lugar está la conciencia de ser elegidos por Dios, el Dios santo que invita a la santidad de vida que incluye necesariamente sentimientos y actitudes de benevolencia para con los demás. En segundo lugar, el haber sido perdonados por el Señor como motivación para el perdón fraterno. Luego, la recepción del don del amor y de la paz que conlleva vivir en comunión, en unidad. Por último, al ser habitados por la palabra de Cristo, el corazón se llena de sabiduría como para poder practicar la corrección fraterna.
Los últimos versículos de esta perícopa pueden clasificarse dentro de un género literario bien definido llamado ‘código familiar’ o ‘tabla de deberes familiares’. Se trata de un modelo literario en el cual los deberes de los miembros de una familia son enumerados en orden y seguidos de alguna motivación. Aquí se dan indicaciones concretas a cada uno de los miembros del núcleo familiar. A la mujer se le pide respeto-sumisión hacia el marido y al marido que ame a su mujer y no le amargue la vida. Al hijo, obediencia a los padres porque es grato al Señor; y a los padres no exasperar (irritar) a los hijos para que no se desanimen.
Evangelio (Mt 2,13-15.19-23):
En Mt 2,13-15 se nos narra la huída a Egipto de la Sagrada Familia ante la amenaza de muerte por parte de Herodes. El motivo profundo de esta violenta e irracional reacción ante el nacimiento de Jesús es el miedo a perder el poder.
Lo sorprendente es que todo esto ocurre según el plan de Dios consignado en la Escritura, según lo prueba la cita de cumplimiento que aquí es Os 11,1: “De Egipto llamé a mi hijo”. En el profeta este texto se refería al éxodo como gracia salvadora de Yavé-Padre en favor de su pueblo-hijo. Aquí se aplica claramente a Jesús, el Hijo. De este modo Mateo establece un claro paralelo entre el destino del pueblo de Israel y el de Jesús indicando que en la historia de Jesús se repite la historia de
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Israel, que Jesús comparte la experiencia del éxodo. Al respecto dice U. Luz1: “La idea mateana es que la salvación acontece de nuevo. El lector familiarizado con la Biblia siente que la acción de Dios en su Hijo posee un carácter fundamental, conecta con las experiencias básicas de Israel y las realiza de nuevo”.
Como bien nos advierte L. H. Rivas2, la huída a Egipto no tiene nada de romántica. Es una fuga nocturna, dejándolo todo y arriesgándose a los innumerables peligros de viajar en aquellos tiempos. Lo mismo vale de la residencia en Egipto, país extranjero, con otro idioma, otras costumbres y otra religión. Nada de esto tuvo que haberles resultado fácil a la Sagrada Familia. La fe de María y José tiene que haber sido probada en estas circunstancias adversas. Pero no pensaron en sí mismos, sino en la vida de Jesús que tenían que custodiar.
En Mt 2,19-23 se narra que a la muerte de Herodes el ángel del Señor manda a la Sagrada Familia que regrese a Israel. El punto de retorno debería haber sido Belén, en Judea; pero ante un nuevo clima de persecución terminan por establecerse en Nazareth, en Galilea.
La cita de cumplimiento de esta subunidad "será llamado Nazareno" no es identificable con certeza (pueden verse las diversas opciones en la Biblia de Jerusalén nota a Mt 2,23). Incluso la fórmula de introducción no es la habitual. Lo cierto es que mediante esta referencia Mateo busca dar razón del origen Galileo de Jesús y armonizarlo con el mesianismo davídico vinculado a Belén.
Los desplazamientos de la Sagrada Familia (ida y vuelta de Egipto) coinciden con el itinerario de los patriarcas Abraham y Jacob. De este modo se presenta a Jesús reviviendo las migraciones del pueblo de Israel en su historia.
Nos encontramos con una familia perseguida por un tirano. José y María son plenamente obedientes a la Palabra de Dios. Herodes planea el mal, quiere matar a Jesús, pero Dios como Señor de la historia se anticipa a los crueles designios del tirano y salva la vida del Niño. La Sagrada Familia se salva por su fidelidad a la Palabra de Dios manifestada por el ángel del Señor.
Desde el punto de vista de la cristología se presenta a Jesús como el nuevo Moisés; aunque superior a Moisés. Y desde el punto de vista eclesiológico es también un anticipo del nuevo Israel. El hijo-Israel se ha convertido en el Hijo Jesús.
Algunas reflexiones:
La Fiesta de la Sagrada Familia se celebra siempre el domingo siguiente a la Navidad y es como una prolongación de este misterio. Con su Encarnación Dios ha santificado al hombre, lo ha redimido. Pero no al hombre considerado individualmente, sino al hombre con sus vínculos más profundos y vitales. Y aquí es donde entra, con pleno derecho, la realidad de la familia, que es iluminada por la Luz de la Fe de modo prioritario, tal como dice Lumen Fidei nº 52: "El primer ámbito que la fe ilumina en la ciudad de los hombres es la familia. Pienso sobre todo en el matrimonio, como unión estable de un hombre y una mujer: nace de su amor, signo y presencia del amor de Dios, del reconocimiento y la aceptación de la bondad de la diferenciación sexual, que permite a los cónyuges unirse en una sola carne (cf. Gn 2,24) y ser capaces de engendrar una vida nueva, manifestación de la bondad del Creador, de su sabiduría y de su designio de amor. Fundados en este amor, hombre y mujer pueden prometerse amor mutuo con un gesto que compromete toda la vida y que recuerda tantos rasgos de la fe. Prometer un amor para siempre es posible cuando se descubre un plan que sobrepasa los propios proyectos, que nos sostiene y nos permite entregar totalmente nuestro futuro a la persona amada. La fe, además, ayuda a captar en toda su profundidad y riqueza la generación de los hijos, porque hace reconocer en ella el amor creador que nos da y nos confía el misterio de una nueva persona”.
Es que "la salvación de la humanidad consiste en la redención de la intimidad de los hombres con Dios, de los hombres entre sí, y del varón y la mujer"3. Además, “nuestro Dios y Señor se presenta a sí mismo y se explica con la imagen de los vínculos familiares. Es así como el amor familiar es un bello reflejo de la Trinidad. También, la misma puerta por la que se revela Jesucristo, el Señor, y nos ofrece a todos su salvación, es una familia concreta, formada por María, José y el mismo Jesús”4.
En breve, Jesús nació, creció y vivió con su familia y, por ello, la llamamos la Sagrada Familia. Y desde ella podemos iluminar la vida de todas las familias.
A la luz del evangelio de hoy, la Sagrada Familia puede ayudar a mantener la esperanza y la confianza en Dios a las familias en crisis por causa de la situación económica; o más precisamente, las familias que se ven obligadas a emigrar, con todo lo que ello comporta de inseguridad y desolación. Al respecto decía en Papa Francisco en su “Mensaje para la Jornada mundial del emigrante y refugiado 2014”: “Jesús, María y José han experimentado lo que significa dejar su propia tierra y ser emigrantes: amenazados por el poder de Herodes, fueron obligados a huir y a refugiarse en Egipto (cf. Mt 2,13-14). Pero el corazón materno de María y el corazón atento de José, Custodio de la Sagrada Familia, han conservado siempre la confianza en que Dios nunca les abandonará. Que por su intercesión, esta misma certeza esté siempre firme en el corazón del emigrante y el refugiado”.
En los tiempos que vivimos todo lo que se diga en favor de la familia parecerá poco. Sirva de ejemplo los numerosos documentos que sobre este tema han surgido tanto de los Papas como de los dicasterios romanos en los últimos tiempos. Incluso mucho tuvo que ver la situación actual de la familia en la renovación de esta fiesta litúrgica, tal como nos lo recuerda A. Nocent5.
Una opción para la homilía podría ser la denuncia de la crisis que atraviesa la familia tanto en los aspectos culturales como legales. Pero tal vez sea mejor, tras las huellas de la Sagrada Familia, presentar las bondades del matrimonio y la familia cristiana como camino de santidad. Al respecto decía el Papa León XIV en su homilía del 1 de junio de 2025:
“En las últimas décadas hemos recibido un signo que llena de gozo y, al mismo tiempo, invita a reflexionar: me refiero al hecho de que fueron proclamados beatos y santos algunos esposos, no por separado, sino juntos, como pareja de esposos. Pienso en Luis y Celia Martin, los padres de santa Teresa del Niño Jesús; y recuerdo también a los beatos Luis y María Beltrame Quattrocchi, cuya vida familiar transcurrió en Roma, el siglo pasado. Y no olvidemos a la familia polaca Ulma, padres e hijos unidos en el amor y en el martirio. Decía que es un signo que da que pensar. Sí, al proponernos como testigos ejemplares a matrimonios santos, la Iglesia nos dice que el mundo de hoy necesita la alianza conyugal para conocer y acoger el amor de Dios, y para superar, con su fuerza que une y reconcilia, las fuerzas que destruyen las relaciones y las sociedades.
Por eso, con el corazón lleno de gratitud y esperanza, a ustedes esposos les digo: el matrimonio no es un ideal, sino el modelo del verdadero amor entre el hombre y la mujer: amor total, fiel y fecundo (cf. S. Pablo VI, Carta enc. Humanae vitae, 9). Este amor, al hacerlos “una sola carne”, los capacita para dar vida, a imagen de Dios.”
El ejemplo de la familia de Nazaret puede traducirse en algo muy práctico como lo propuso el Papa Francisco en el Ángelus del 29 de diciembre de 2019: "María, José, Jesús: la Sagrada Familia de Nazaret que representa una respuesta coral a la voluntad del Padre: los tres miembros de esta familia se ayudan mutuamente a descubrir el plan de Dios. Rezaban, trabajaban, se comunicaban. Y yo me pregunto: ¿tú, en tu familia, sabes cómo comunicarte o eres como esos chicos que en la mesa, cada uno con un teléfono móvil, están chateando? En esa mesa parece que hay un silencio como si estuvieran en misa... Pero no se comunican entre ellos. Debemos reanudar el diálogo en la familia: padres, madres, hijos, abuelos y hermanos deben comunicarse entre sí... Es una tarea que hay que hacer hoy, precisamente en el Día de la Sagrada Familia. Que la Sagrada Familia sea un modelo para nuestras familias, para que padres e hijos se apoyen mutuamente en la fidelidad al Evangelio, fundamento de la santidad de la familia. Confiemos a María “Reina de la Familia” todas las familias del mundo, especialmente las que sufren o están en peligro, e invoquemos sobre ellas su protección materna”.
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PARA LA ORACIÓN (RESONANCIAS DEL EVANGELIO EN UNA ORANTE): Sagrada Familia (Hablaba María…)
Niño nuestro, te acuno en mis brazos
Con asombro y ternura te observo
Tu padre salió de prisa
A buscar unos leños,
Para calentar este hogar.
Es un refugio pasajero, te quiero explicar
Tus ojitos pequeños me miran sin cesar.
Ya los cerrarás cuando él venga
Y puedas calentito descansar,
Te envolví en estos pañales
Para poderte abrigar
Unos magos que vinieron
Te querían saludar
Dejaron regalos y pudieron contemplar.
A los tres nos dio alegría
Vi tu sonrisita tierna al escucharlos hablar.
Cuando partieron se oyeron rumores
Amenazas de otros hombres
Temen a un bebé recién nacido
El temor los va a violentar.
Pero ahora duerme tranquilo
Nada nos va a pasar.
Partiremos a otras tierras
Tu padre nos llevará,
Él sabe bien Quién lo guía
Y encontrará un buen lugar.
Allí estaremos un tiempo, crecerás
Y aprenderás de nosotros
A rezar día tras día,
Te podremos enseñar.
Reinará la alegría en cada despertar
Y aunque vuelvan las sombras
No entrará la oscuridad.
Tendrás la familia
Diseño del Padre del Cielo
Para la humanidad,
Trabajo, paz y armonía
Abierta a los pobres y sencilla.
Sin más lujo que Dios hecho hombre
Un Rey oculto de dulce Nombre.
Reunirá a su rebaño, lo conducirá.
Mi corazón se estremece
Cuando te escucho llorar…
Calma niño de mi alma, la aurora está por llegar. Amén
1 El evangelio según San Mateo, 179.
2Jesús habla a su pueblo. Ciclo A (CEA; Buenos Aires 2001) 70-71.
3 Comisión Episcopal de Laicos y Familia, Aportes para la Pastoral familiar de la Iglesia en la Argentina (CEA; Buenos Aires 2009) nº 62.
4 Comisión Episcopal de Laicos y Familia, Acompañar, cuidar e integrar a las familias. Hacia una pastoral familiar a la luz de Amoris laetitia (CEA; Buenos Aires 2017) 9.
5"Indudablemente, los tiempos actuales han tenido mucho que ver con la insistencia del Papa Juan XXIII en la renovación de esta fiesta, que engloba a tres personas cuya vida en común sería de desear fuese un ejemplo eficaz para las familias de hoy día. Porque cada uno de los miembros de esta familia vivió para Dios y para el otro, en la sencillez y el heroísmo, siempre sin brillo, con sinceridad", en "Celebrar a Jesucristo II. Navidad y Epifanía (Sal Térrea; Santander 1979) 66-67.