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AS LEITURAS DESTA PÁGINA E DO MÊS TODO
1ªLeitura: Joel 2,12-18
Salmo 50(51)-R- Misericórdia, ó Senhor, pois pecamos!
2ª Leitura:2 Coríntios 5,20-6,2
Evangelho de Mateus 6,1-6.16-18
“E o teu Pai, que vê o que está oculto, te dará a recompensa” (Mt 6,4)
Com a cerimônia da “imposição das Cinzas”, toda a Igreja dá início ao percurso Quaresmal. Neste tempo litúrgico, inspirados pelo tema da CF2020, teremos a oportunidade de experimentar um modo diferente de viver, onde a verdadeira liberdade terá a chance de se expressar.
Quaresma pode ser escola de vida para o restante do ano; é tempo favorável para “ordenar a própria vida” na direção do sonho de Deus para toda a humanidade. Para que este processo de “ordenamento” aconteça, o tempo litúrgico quaresmal nos convida a “considerar” as nossas relações vitais: com Deus, conosco, com os outros e com o mundo.
Nem sempre sabemos viver de maneira intensa: conformamo-nos com uma vida estreita, estéril, fechada ao novo, carregada de “murmurações”... O dinamismo do Seguimento de Jesus, no entanto, é gerar vida, possibilitar que o(a) discípulo(a) viva a partir da verdade mais profunda de si mesmo(a); ou seja, viver a partir do coração. O seguimento proporciona vigor inesgotável, a vida se destrava e torna-se potencial de inovação criadora, expressão permanente de liberdade, consciência, amor, arte, alegria, compaixão....
Por isso, o sinal decisivo de que alguém crê no Deus de Jesus está na vida que leva; ou seja, está na experiência de viver como viveu Jesus de Nazaré
Distanciar-se da vida superficial-consumista e eleger a vida plena, profunda, comprometida: aqui está o sentido do “percurso quaresmal”
Em sintonia com toda as comunidades cristãs somos chamados a viver o “tempo quaresmal” sempre de maneira nova e inspiradora. O centro de nossa vida é Jesus Cristo, sua pessoa, sua mensagem, o mistério de sua morte e de sua ressurreição. O caminho do seu seguimento é sempre rico e surpreendente. Muitas vezes, corremos o risco de viver o tempo litúrgico da Quaresma como uma celebração rotineira, algo já conhecido.
Contemplando Jesus Cristo, descobrimos também quem somos nós. Ele nos interpela: que queremos fazer de nossa vida? Como queremos viver? Para quê e para quem vivemos?...
Nesse sentido, através da Campanha da Fraternidade, a Igreja no Brasil nos motiva a viver a Quaresma como um tempo privilegiado para dar um novo sentido à nossa vida. Através do tema “Vida, dom e Missão” e do lema “Viu, sentiu compaixão e cuidou dele”, somos movidos a desatar todas as ricas possibilidades e recursos que querem se expressar e que se encontram no mais profundo de nossa interioridade.
A imagem de Jesus, presente junto às vidas feridas e bloqueadas, nos ajuda a conhecer nossa própria interioridade e desperta nossa vida, arrancando-a de seu fatal “ponto morto”, de seus limites estreitos e constituindo-a como vida expansiva em direção a novos horizontes.
Nesse sentido, nossa quaresma torna-se um “estar com Jesus” para, como Ele, dar a Deus o lugar central de nossa vida. A quaresma é um tempo em que damos maior liberdade a Deus para agir em nós; é abrir espaço, alargar o coração para a ação de Deus. É tempo de re-construção de nós mesmos (conversão), de retomada da opção fundamental por Deus e pelo seu Reino (maior serviço, mais compaixão, mais partilha, mais solidariedade...).
O Evangelho da 4ª. feira de Cinzas fala das “práticas quaresmais” da oração, esmola e jejum, onde nossas relações são iluminadas e questionadas pelo modo de viver e de proceder de Jesus.
São três gestos que nos humanizam e tornam a vida mais leve e com sentido; eles condensam o sentido da vida cristã e apresentam-se como uma alternativa privilegiada para viver com mais intensidade.
A vida é um abrir-se aos demais (esmola), sintonizar-se com o coração de Deus (oração) e colocar ordem na própria existência (jejum).
É preciso criar espaço novo no coração e na mente, para que coisas novas aconteçam.
Sintonizados com o lema da CF – “viu, sentiu compaixão e cuidou dele” – a Quaresma é também um tempo privilegiado para re-educar a olhar: superar o olhar possessivo, interesseiro, frio... e entrar em sintonia com o modo de olhar de Jesus, ou seja, olhar carregado de admiração, compaixão, calor humano... Este tempo litúrgico nos move a fixar o olhar naquilo que vivemos, a contemplar tudo o que compõe nossa existência, para dar um novo sentido e significado.
Como o bom samaritano, precisamos re-aprender a olhar, para nos deixar impactar pela situação dos outros, sobretudo dos mais carentes e excluídos. Nesse sentido, as três práticas quaresmais – “jejum, oração e esmola” – implicam também uma conversão do olhar, para captar o mistério da vida que nos envolve e nos aproximar d’Aquele que é Fonte da Vida.
A liturgia quaresmal nos propõe o jejum; aqui, a novidade não está tanto em reduzir o que comemos, o que ingerimos de uma maneira quase mecânica. O jejum também tem a ver com o sentido da visão: olhar a nós mesmos, fixar a atenção naquilo que nos alimenta, ativar a prática de nos olharmos com mais compaixão; talvez, afastar de nós aquele olhar que nos destrói por dentro, que nos causa dano, que bloqueia a expressão de nossa verdadeira identidade.
O olhar é o reflexo de nossa interioridade; ele tem um grande poder porque deixa transparecer o que acontece e o que sentimos por dentro.
A outra prática quaresmal proposta é a esmola; dar o que temos, não o que nos sobra; aqui significa compartilhar um olhar novo, que eleva o outro, que consegue perceber nele um tesouro escondido, olhar humanizante e humanizador; tem a ver com o presentear ao outro um olhar de consolo, de acolhida, de cuidado, de sorriso...; acostumamos a “ver” as coisas, as pessoas e, de tanto ver, banalizamos o olhar, perdendo a capacidade de despertar assombro e encantamento. Vemos e não olhamos. O que está próximo de nós, o que nos é familiar, já não desperta curiosidade. O campo visual vai se estreitando e tudo se torna rotina.
É salvífico ativar o olhar mais expansivo e contemplativo, um olhar que nos faz sair de nós mesmos, conduzindo-nos à admiração e ao encantamento diante do dom maravilhoso da vida, em suas múltiplas expressões. Olhar que desperta a gratidão e o louvor. Um olhar que deixa transparecer, neste tempo propício, que a Vida com maiúscula é possível.
E, finalmente, a prática quaresmal por excelência: a oração. Deixemos retumbar dentro de nós a pergunta: “a partir de onde você olha?” A liturgia nos pede, neste tempo litúrgico, que sejamos capazes de olhar a partir de Deus; que fixando nosso olhar no Senhor Jesus, sejamos capazes de olhar-nos com mais bondade, de olhar os outros com mais carinho, de olhar a criação com mais admiração. Só assim teremos olhos atentos e limpos para o espetáculo do mundo.
Quaresma é um tempo para nos deixar olhar por Deus, para descobrir o olhar em cada irmão e aprender a olhar como Deus olha, porque um olhar Seu, bastará para nos fazer “converter e crer no evangelho”.
“Um olhar contemplativo percebe sinais de evangelho nos acontecimentos mais simples” (Ir. Roger).
Quaresma é um convite a começar outra vida, a concentrar nossas energias e a nos deslocar em outra direção. Nesse sentido, a vivência quaresmal é uma verdadeira “escola de vida”, cujo aprendizado nos leva ao centro do nosso ser, para enraizar nossa vida no coração da Trindade, dele haurir a seiva da vida divina e deixar-nos plenificar pela graça transbordante de Deus.
Nada mais contrário ao espírito do Evangelho que a vida instalada e uma existência estabilizada de uma vez para sempre, tendo pontos de referência fixos, definitivos, tranquilizadores... É vida em movimento, gesto de ir além de nós mesmos; vida fecunda, potencial humano. Vida com fome e sede de significado, que busca o sentido... Vida que é encontro, interação, comunhão, solidariedade. Vida que é seduzida pelo amor, pela ternura. Vida que desperta o olhar para o vasto mundo. Vida que é voz, é canto, é dança, é festa, é convocação...
Texto bíblico: Mt 6,1-6.16-18
Na oração: - torne o seu coração vulnerável ao olhar do Pai, receptivo a todo apelo que vem d’Ele, deixando-se tocar pelo inesperado, pela novidade, pela iniciativa amorosa de Deus.
- evangelizar o olhar: aprender a olhar como Jesus, ultrapassando as aparências.
- como você “olha” as pessoas, as coisas, os fatos, o mundo...?
Meu irmão, Minha irmã!
Neste primeiro dia da Quaresma a Igreja nos dá uma orientação correta. Pede-nos, com São Paulo, a acolher a graça no momento favorável, a não deixar passar este momento, porque agora é o dia da salvação.
No evangelho o Senhor nos indica qual deve ser a nossa atitude e insiste sobre a retidão interior, dando-nos também o meio para crescer nesta pureza de intenções: a intimidade com seu Pai. Este evangelho é verdadeiramente belo e devemos lê-lo com frequência, porque nos diz qual é a atitude interior do próprio Jesus, que não fazia nada para ser admirado pelos homens, mas vivia diante do Pai.
O evangelista Mateus nos apresenta três exemplos: a esmola, a oração, o jejum e coloca em evidência em cada um uma tentação comum, que, poderíamos dizer, seria normal. Quando fazemos o bem, imediatamente nasce em nós o desejo de ser estimados por esta boa ação, de sermos admirados, ou seja, de ter a nossa recompensa, uma recompensa falsa: a glória humana, a nossa satisfação, o nosso prazer e glória. E isto nos fecha em nós mesmos, enquanto, ao mesmo tempo, nos leva fora de nós, porque ficamos dependendo daquilo que os outros pensam de nós, louvam e admiram em nós.
O Senhor nos pede que façamos o bem porque é o Bem e porque Deus é Deus e nos dá também o modo para viver assim: viver em relação com o Pai. Para fazer o bem, nós temos necessidade de viver no amor de alguém. Se vivemos no amor do Pai (no segredo) na intimidade do Pai, o bem nós o faremos de modo perfeito. Estar cheios desta presença é uma alegria muito mais profunda do que qualquer outra alegria humana e que se torna sempre maior. Esta é a recompensa daqui da terra e o penhor daquela futura.
O Senhor Jesus não tem medo de dizer: “o teu Pai te recompensará” e não é egoísmo esperar esta recompensa porque não é procura do próprio interesse, mas busca da vida, do amor. No amor há sempre reciprocidade.
A Igreja Católica vive o tempo da quaresma e da Campanha da Fraternidade. Neste ano de 2020, estamos iniciando a Campanha da Fraternidade como tema “Fraternidade e Vida: Dom e Compromisso”. Vivemos a penitência quaresmal acolhendo o dom da vida, mas também cuidando dela. Neste ano queremos viver a penitência quaresmal a partir do Bom Samaritano, que, ante aquele que estava caído a beira do caminho, “Viu, sentiu compaixão e cuidou dele”.
DOM JULIO ENDI AKAMINE
O profeta Joel, por ocasião de uma terrível praga de gafanhotos, convida o Israel pós-exílio a refletir sobre a proximidade do Dia do Senhor . Como consequência, ele faz um poderoso apelo à conversão, que é o texto que lemos hoje. Vale a pena notar a repetição do verbo "retornar", que traduz a palavra hebraica shûb e é usada para expressar conversão ou "retorno a Deus". Também é notável a natureza interior dessa conversão: "Voltem para mim de todo o coração... rasguem o coração, e não as vestes..." O convite ao retorno é motivado pela bondade de Deus e sua predisposição para perdoar .
Embora a ênfase seja no interno, ela se expressa necessariamente no externo e no comunitário: trombetas, jejum, reuniões e atividades dos diferentes grupos e estados.
2ª leitura (2 Coríntios 5:20-6:2):
São Paulo, apresentando-se como profeta e embaixador de Cristo, também nos exorta fortemente à reconciliação com Deus. Para São Paulo, a reconciliação é uma iniciativa gratuita de Deus que requer a resposta gratuita da humanidade . A obra de Deus foi identificar Cristo com o pecado em nosso favor, para nos justificar. Nossa resposta é crer, confiar e aceitar esse perdão gratuito que vem de Deus em Cristo.
A reconciliação, para alcançar todas as pessoas, requer também a mediação da Igreja e de seus ministros ou servos. Devemos observar que São Paulo chega a esta exortação como conclusão de uma longa reflexão sobre o ministério apostólico, iniciada em 2 Coríntios 3. Ali, referindo-se ao texto de Jeremias 31:31-33, ele situa o tema no contexto da Nova Aliança entre Deus e o seu povo, na qual Paulo insere a sua própria mediação ministerial. Isso, por sua vez, serve como ponto de referência para ele comparar a Aliança do Sinai, escrita em tábuas de pedra (cf. Êxodo 34:1, 4), com uma Nova Aliança em novas tábuas, que são corações de carne (cf. Ezequiel 11:19; 36:26). Ou seja, Paulo invoca textos proféticos que predisseram uma nova relação entre Deus e o seu povo ( um novo coração e um novo espírito ) como uma transcendência da Aliança do Sinai (Êxodo 34). Esta Nova Aliança (cf. Jeremias 31-32; Ezequiel 36-37) requer um novo ministério que também vem de Deus, pois é Ele quem capacita, e que é fundamentalmente um ministério de reconciliação.
Em resumo, para São Paulo, o tema da reconciliação aponta para a intervenção gratuita de Deus, que reconcilia a humanidade consigo mesmo por meio de Cristo . Assim, o sujeito da reconciliação é Deus, e os destinatários são todas as pessoas. O mediador da reconciliação é Cristo, e sua esfera é a Igreja.
Evangelho (Mt 6,1-6.16-18):
A leitura litúrgica deste texto nos leva a refletir sobre o convite à esmola, à oração e ao jejum . Este texto foi sabiamente escolhido por sua exortação à prática dessas três obras de piedade, que conhecemos como "práticas da Quaresma".
Agora, a análise da estrutura literária do texto (que não abordaremos aqui) nos convida a tirar outras conclusões para sua interpretação. Primeiramente, considerando que Mateus 6:1 ("Cuidado para não praticarem a sua justiça diante dos outros para serem vistos por eles. Se fizerem isso, vocês não terão recompensa do Pai celestial") serve como título para 6:2-18, este primeiro versículo estabelece o tom geral do que se segue.
Em outras palavras, Jesus nos adverte sobre um sério perigo: que, ao cumprirmos a vontade de Deus (isto é, fazendo o que é certo) por meio de atos de piedade, podemos buscar ser vistos e reconhecidos pelos outros. Além disso, a repetição desse padrão nas três estrofes mostra que um princípio geral está sendo exemplificado e, portanto, a ênfase recai sobre esse princípio e não em exemplos específicos. Ou seja, a advertência vai além da esmola, da oração e do jejum; ela abrange todas as ações de um cristão.
Em resumo, acreditamos que a mensagem fundamental de Mateus 6:1-6, 16-18, no contexto do Sermão da Montanha, é ao mesmo tempo simples e profunda. Ela nos convida a fazer o que é certo , isto é, a cumprir a vontade de Deus perfeitamente (5:48) e de uma maneira que supera a dos escribas e fariseus (5:20). Essa justiça perfeita e superior refere-se não apenas às ações , mas também à intenção . Assim, nosso texto condena uma maneira de agir característica dos hipócritas que são egoístas, que buscam e recebem glória ou reconhecimento dos outros, fechando-se, dessa forma, para um relacionamento verdadeiro com Deus e para receber a recompensa do Reino do Pai . Em contraste, nosso texto propõe uma maneira de agir característica dos discípulos ou filhos que buscam apenas agradar ao Pai e esperam receber dele uma parte do Reino. Essa é a única intenção válida para Jesus .
ALGUMAS REFLEXÕES:
Podemos dizer que neste dia recebemos uma espécie de "mapa" para toda a nossa jornada quaresmal, com seus temas essenciais .
⇒ Em primeiro lugar, o chamado de Deus à conversão ressoa neste dia . O próprio Deus, por meio do profeta Joel e do apóstolo São Paulo, nos convida a retornar a Ele, a nos reconciliarmos com Ele. O ministro nos diz isso em nome de Deus ao impor as cinzas: “ Arrependam-se e creiam no Evangelho ”. Esta frase é extraída de Marcos 1:15, que a apresenta como a primeira proclamação de Jesus. Ali, usa-se a palavra metanoia , que significa conversão, uma mudança de mentalidade e de atitude. A pregação penitencial de Jesus encontra sua motivação na vinda do Reino, sinal do amor do Pai pela humanidade. A bondade de Deus, que busca e espera os pecadores para lhes oferecer a salvação, é o cerne da mensagem de conversão do Evangelho .
É importante não perder de vista essa novidade da conversão experimentada na Nova Aliança. Rabi Cantalamessa explica isso com maestria : “Conversão não significa voltar à antiga aliança e ao cumprimento da lei, mas dar um salto adiante, entrar na nova aliança, apreender este reino que se manifestou, entrar nele. E entrar nele pela fé. ‘Arrependam-se e creiam’ não significa duas coisas distintas e sucessivas, mas a mesma ação: arrepender-se, isto é, crer; arrepender-se crendo. Conversão e salvação trocaram de lugar. Não é mais: pecado-conversão-salvação (arrependam-se e serão salvos; arrependam-se e a salvação virá a vocês), mas sim: pecado-salvação-conversão (arrependam-se porque estão salvos, porque a salvação chegou a vocês). Primeiro vem a obra de Deus e depois a resposta do homem, e não o contrário.”
A conversão é dizer "sim" à pessoa de Jesus, à sua obra, à sua mensagem, ao seu amor. É converter-se e crer no amor de Cristo. A conversão é aceitar a misericórdia de Deus em nossas vidas, permitir que ela nos transforme e compartilhá-la com os outros.
A este respeito, o Papa Leão XIV afirma em sua mensagem deste ano: “Todo caminho de conversão começa quando nos deixamos tocar pela Palavra e a recebemos com docilidade de espírito. Há, portanto, um vínculo entre o dom da Palavra de Deus, o espaço de acolhimento que lhe oferecemos e a transformação que ela produz. Por isso, a caminhada quaresmal torna-se uma ocasião propícia para escutar a voz do Senhor e renovar nossa decisão de seguir a Cristo, caminhando com Ele pelo caminho que leva a Jerusalém, onde se cumpre o mistério de sua paixão, morte e ressurreição.”
Agora, somente aqueles que têm consciência de sua pecaminosidade e da necessidade da graça de Deus aceitam o chamado à conversão, somente aqueles que abrem seus corações à misericórdia de Deus . É essencial, para progredir na caminhada quaresmal, tomar consciência de nossa fragilidade, de nossas limitações. Em uma só palavra: precisamos de humildade . Somente os humildes, aqueles que se humilham diante do Senhor, recebem sua graça e perdão. Este é o profundo significado do rito da imposição das cinzas que realizamos hoje, que nos revela nossa fragilidade, nosso fim e, portanto, o chamado a abraçar o que é definitivo.
⇒ Em terceiro lugar , a importância da prática do jejum, da oração e da esmola ou caridade . A respeito do jejum , o Papa Leão XIV afirma em sua mensagem deste ano: “ A abstinência de alimentos é, de fato, uma prática ascética antiga e insubstituível no caminho da conversão. Precisamente por envolver o corpo, torna mais evidente o que ‘desejamos’ e o que consideramos essencial para o nosso sustento. Serve, portanto, para discernir e ordenar os nossos ‘apetites’, para manter desperta a fome e a sede de justiça, resgatando-a da resignação e educando-a para se tornar oração e responsabilidade para com o próximo […] O jejum, entendido neste sentido, permite-nos não só disciplinar o desejo, purificá-lo e torná-lo mais livre, mas também expandi-lo, para que se dirija a Deus e se oriente para o bem […] Como sinal visível do nosso compromisso interior de nos distanciarmos, com a ajuda da graça, do pecado e do mal, o jejum deve também incluir outras formas de privação destinadas a ajudar-nos a adquirir um estilo de vida mais sóbrio, pois ‘só a austeridade torna o homem forte e a sua alma verdadeira’”. A vida cristã é autêntica. Portanto, gostaria de convidá-los a uma forma muito concreta e frequentemente subestimada de abstinência: abster-se de usar palavras que afetam e ferem o nosso próximo. Comecemos a desarmar a linguagem renunciando a palavras ofensivas, julgamentos precipitados, falar mal de quem está ausente e não pode se defender, e calúnias .
O Papa Leão XIV apresenta a oração em sua forma essencial e primordial, ou seja, como "dar espaço à Palavra através da escuta , visto que a disposição para escutar é o primeiro sinal com que se manifesta o desejo de entrar em relação com o outro " .
A respeito da esmola, o Papa Leão XIV nos disse na Dilexi te n.º 115: “É bom dizer uma última palavra sobre a esmola, que hoje não goza de boa reputação, muitas vezes até mesmo entre os fiéis. Não só não é praticada, como também é desprezada. Por um lado, afirmo que a ajuda mais importante para uma pessoa pobre é ajudá-la a encontrar um bom trabalho, para que possa ganhar a vida mais de acordo com a sua dignidade, desenvolvendo as suas capacidades e oferecendo o seu esforço pessoal […] Por outro lado, se esta possibilidade concreta ainda não existe, não podemos correr o risco de deixar uma pessoa abandonada ao seu destino, sem o essencial para viver com dignidade. E, portanto, a esmola continua a ser um momento necessário de contacto, de encontro e de identificação com a situação dos outros.”
Finalmente , nesta Quarta-feira de Cinzas, iniciamos juntos o que devemos vivenciar juntos, pois “a Quaresma destaca a dimensão comunitária da escuta da Palavra e da prática do jejum […] nossas paróquias, famílias, grupos eclesiais e comunidades religiosas são chamados a empreender uma caminhada compartilhada durante a Quaresma, na qual a escuta da Palavra de Deus, bem como o clamor dos pobres e da terra, se torna um modo de vida, e o jejum sustenta o arrependimento genuíno. Dentro dessa estrutura, a conversão diz respeito não apenas à consciência do indivíduo, mas também ao estilo dos relacionamentos, à qualidade do diálogo, à capacidade de ser desafiado pela realidade e de reconhecer o que realmente guia nossos desejos, tanto em nossas comunidades eclesiais quanto na humanidade sedenta por justiça e reconciliação.”
PARA ORAÇÃO (RESSONÂNCIAS DO EVANGELHO EM UMA ORAÇÃO):
Quando…
Em você podemos esquecer o tempo.
E que sejamos moldados pela tua Palavra.
Semente que dá frutos eternos
Em ti podemos alcançar o Pai.
E para orar durante nossa caminhada diária
Pois Ele nos conhece até mesmo em segredo.
Podemos deixar nossas ansiedades em você.
E jejuar do imediato e do passageiro
Porque você é o verdadeiro alimento
Em ti podemos nos entregar livremente.
E reconhecermo-nos como desamparados e pobres.
Tudo é seu e nós não possuímos nada.
Em ti podemos dar glória ao Deus Triúno.
E percorrer a paixão no caminho para a Cruz,
Que sejamos guiados rumo à Páscoa. Amém.
La cuaresma es un camino hacia la Pascua y es bueno en este itinerario litúrgico existencial conocer de antemano los pasos que domingo a domingo los cristianos tenemos que dar; pero sin perder nunca de vista el Misterio Pascual que es el fin; porque "en realidad no existe más que un único tema en la Escritura, la liturgia y la vida de la Iglesia: la muerte y resurrección de Cristo. Pascua es una cima, un centro de convergencia y el único desenlace que puede dar un sentido a la historia"1.
Nos preparamos durante cuarenta días para celebrar la Pascua de Jesús, que es fundamentalmente su muerte y su resurrección, su paso de este mundo al Padre (Jn 12,1). La cuaresma es también la proclamación del itinerario de nuestra salvación que culmina en la Pascua, la cual da sentido a toda la historia y la recapitula2. Por tanto, al mismo tiempo celebramos y anticipamos nuestra propia pascua, nuestra redención. Ya en el Bautismo hemos participado de la muerte y resurrección del Señor (cf. Rom 6); hemos sido "sumergidos" en la vida de Dios. La cuaresma busca entonces que esta dinámica bautismal (renacer a la vida de Dios, paso al hombre nuevo) sea vivida más profundamente. Ahora bien, para vivir en profundidad estos misterios hace falta la conversión del corazón. Al respecto el Papa León XIV, en su mensaje para la cuaresma 2026, nos dice: “La Cuaresma es el tiempo en el que la Iglesia, con solicitud maternal, nos invita a poner de nuevo el misterio de Dios en el centro de nuestra vida, para que nuestra fe recobre su impulso y el corazón no se disperse entre las inquietudes y distracciones cotidianas.
Todo camino de conversión comienza cuando nos dejamos alcanzar por la Palabra y la acogemos con docilidad de espíritu. Existe, por tanto, un vínculo entre el don de la Palabra de Dios, el espacio de hospitalidad que le ofrecemos y la transformación que ella realiza. Por eso, el itinerario cuaresmal se convierte en una ocasión propicia para escuchar la voz del Señor y renovar la decisión de seguir a Cristo, recorriendo con Él el camino que sube a Jerusalén, donde se cumple el misterio de su pasión, muerte y resurrección”.
En esta línea el Papa León XIV eligió como lema para esta cuaresma: "Escuchar y ayunar. La Cuaresma como tiempo de conversión". Nos propone en su mensaje “dar espacio a la Palabra a través de la escucha, ya que la disposición a escuchar es el primer signo con el que se manifiesta el deseo de entrar en relación con el otro”; y al mismo tiempo: “la escucha de la Palabra en la liturgia nos educa para una escucha más verdadera de la realidad”. Es decir, fiel al espíritu cuaresmal, nos invita a escuchar la Palabra de Dios para escuchar el clamor de los pobres: “Entre las muchas voces que atraviesan nuestra vida personal y social, las Sagradas Escrituras nos hacen capaces de reconocer la voz que clama desde el sufrimiento y la injusticia, para que no quede sin respuesta. Entrar en esta disposición interior de receptividad significa dejarnos instruir hoy por Dios para escuchar como Él, hasta reconocer que “la condición de los pobres representa un grito que, en la historia de la humanidad, interpela constantemente nuestra vida, nuestras sociedades, los sistemas políticos y económicos, y especialmente a la Iglesia” (Dilexi te, 9)” .
A la práctica de la Oración (escucha de la Palabra) y de la Caridad/limosna (escucha y atención de los pobres) hay que sumar el Ayuno: “Si la Cuaresma es tiempo de escucha, el ayuno constituye una práctica concreta que dispone a la acogida de la Palabra de Dios. La abstinencia de alimento, en efecto, es un ejercicio ascético antiquísimo e insustituible en el camino de la conversión. Precisamente porque implica al cuerpo, hace más evidente aquello de lo que tenemos “hambre” y lo que consideramos esencial para nuestro sustento. Sirve, por tanto, para discernir y ordenar los “apetitos”, para mantener despierta el hambre y la sed de justicia, sustrayéndola de la resignación, educarla para que se convierta en oración y responsabilidad hacia el prójimo”. Y atento a los signos de los tiempos, nos propone una particular y necesaria forma de ayuno: “me gustaría invitarles a una forma de abstinencia muy concreta y a menudo poco apreciada, es decir, la de abstenerse de utilizar palabras que afectan y lastiman a nuestro prójimo. Empecemos a desarmar el lenguaje, renunciando a las palabras hirientes, al juicio inmediato, a hablar mal de quienes están ausentes y no pueden defenderse, a las calumnias. Esforcémonos, en cambio, por aprender a medir las palabras y a cultivar la amabilidad: en la familia, entre amigos, en el lugar de trabajo, en las redes sociales, en los debates políticos, en los medios de comunicación y en las comunidades cristianas. Entonces, muchas palabras de odio darán paso a palabras de esperanza y paz”.
Concluye su mensaje cuaresmal el Papa León XIV invitándonos a recorrer juntos el itinerario cuaresmal ya que: “la Cuaresma pone de relieve la dimensión comunitaria de la escucha de la Palabra y de la práctica del ayuno […] nuestras parroquias, familias, grupos eclesiales y comunidades religiosas están llamados a realizar en Cuaresma un camino compartido, en el que la escucha de la Palabra de Dios, así como del clamor de los pobres y de la tierra, se convierta en forma de vida común, y el ayuno sostenga un arrepentimiento real. En este horizonte, la conversión no sólo concierne a la conciencia del individuo, sino también al estilo de las relaciones, a la calidad del diálogo, a la capacidad de dejarse interpelar por la realidad y de reconocer lo que realmente orienta el deseo, tanto en nuestras comunidades eclesiales como en la humanidad sedienta de justicia y reconciliación”.
VISIÓN DE CONJUNTO DE LAS LECTURAS BÍBLICAS
"Para emprender seriamente el camino hacia la Pascua y prepararnos a celebrar la Resurrección del Señor —la fiesta más gozosa y solemne de todo el Año litúrgico—, ¿qué puede haber de más adecuado que dejarnos guiar por la Palabra de Dios?" (Benedicto XVI, Mensaje Cuaresma 2011, nº 2).
Las lecturas del ciclo A se inspiran en la antigua tradición de la preparación de los catecúmenos al bautismo: son una gran catequesis bautismal. En efecto, las lecturas que ofrece la liturgia son "lecciones catecumenales", que han surgido de la experiencia que la Iglesia antigua tuvo de cómo «hacer» nuevos cristianos. De hecho, este ciclo A es obligatorio donde hay catecúmenos y, aunque no haya catecúmenos en nuestra comunidad, es una buena oportunidad para que todos renovemos o reestrenemos nuestro bautismo.
Las lecturas del Antiguo Testamento siguen su línea propia, sin relación directa con los evangelios como en el resto del año. Su intención es clara: presentar las grandes etapas de la Historia de la Salvación, “para que las contemplemos, para que admiremos las obras de Dios en favor de los hombres. De este modo, la contemplación de las obras de Dios nos posibilita la experiencia de la gracia que motiva una verdadera conversión”3.
• La creación y el pecado en los orígenes (domingo primero).
• La vocación de Abraham (domingo segundo).
• La sed en el desierto y la “querella” del pueblo contra Moisés (domingo tercero). • La unción de David (domingo cuarto).
• Los israelitas exiliados vuelven a vivir por obra de Espíritu (domingo quinto).
Los Evangelios siguen también una temática organizada y propia:
• Los dos primeros domingos están vinculados entre sí por cuanto nos presentan en una visión global todo el camino de la vida cristiana, con sus obstáculos o tentaciones y su coronación o transfiguración. En este ciclo A se lee la versión de San Mateo que junto a la dimensión cristológica resalta también la eclesiológica de ambas.
• En estos dos primeros domingos contemplamos la persona de Jesús en dos experiencias personales básicas: su referencia al mundo y su relación con el Padre. La primera, como enfrentamiento y lucha; la segunda, como cercanía y contemplación. La primera, como hombre tentado “semejante a nosotros en todo menos en el pecado”; la segunda, como Hijo amado, “mi predilecto”. Estos dos domingos constituyen, pues, una unidad sobre ¿quién es Jesús?
• Desde el punto de vista antropológico, toda la cuaresma como camino de conversión nos lleva al tema del mal, del pecado en nuestras vidas. En el primer domingo somos invitados a reconocer esta presencia y a luchar, motivados por la victoria de Cristo sobre el Tentados. El segundo domingo se nos revela el camino para la “transfiguración” del mal, que no desaparece que con la Gracia puede transformarse en bien.
• Los otros tres domingos, de la mano del evangelio de San Juan, están ordenados como jalones de un itinerario bautismal mediante el recurso a los tres símbolos fundamentales del mismo: el agua, la luz y la vida. Son textos catequéticos fundamentales que acompañan a los candidatos al bautismo y a la comunidad de creyentes en el proceso de fe. Estos tres domingos “se presentan como la realización sacramental de la obra de Dios, gracias al Misterio Pascual, culmen de la Historia de la Salvación”
• El relato de la samaritana (tercer domingo – el agua) expresa detalladamente lo que significa creer en Jesús y dar testimonio a otros confesando tanto nuestro pecado como nuestra fe, compartiendo esa experiencia con otros como Buena Noticia.
• El relato del ciego de nacimiento (cuarto domingo – la luz) extiende este proceso a una persona que no sólo es llamada a creer en Jesús, sino a convertirse en discípulo y experimentar la persecución por estar asociado a Jesús.
• El relato de la resurrección de Lázaro (quinto domingo – la vida) a quien el poder de la palabra del Señor lo llama a salir de la tumba nos enseña que “el que cree en mí, aunque haya muerto, vivirá”; y que todos los que hemos sido bautizados somos peligrosos para el mundo, porque otros llegarán a creer por lo que Dios ha hecho en nosotros por Jesús.
• En fin, estos tres domingos conforman un segundo bloque sobre la relación de Jesús con el Reino y con nosotros. Jesús se revela como el agua viva, la luz verdadera y la vida eterna a través de su obra en nosotros.
Las segundas lecturas, a diferencia del resto del año, están relacionadas con los evangelios, con especial presencia de la epístola a los Romanos (en tres domingos). Son las que insisten más en la renovación moral del cristiano a la que invita la cuaresma. Pero “vale una observación: deben ser escuchadas como homilías o comentarios a las otras lecturas, del Antiguo Testamento y del Evangelio, para mantener la actitud contemplativa que requieren y evitar un moralismo antropocéntrico”4.
He aquí un cuadro sintético presentado por Jesús Castellano5:
AT
Apóstol
Evangelio
Domingo 1
Gn 2,7-9
Creación y pecado
Rm 5,12-19
Dónde abundó el pecado sobreabundó la gracia
Mt 4,1-11
Ayuno y tentación
Domingo 2
Gn 12,1-4
Vocación de Abrahán
2Tim 1,8-19
Vocación e iluminación
Mt 17,1-9
Transfiguración
Domingo 3
Ex 17,3-7
El agua de la roca
Rm 5,1-2.5-8
El Espíritu derramado en los corazones
Jn 4,5-42
La samaritana
Domingo 4
1Sam 16,1b.6-7.10.13. La unción de David
Ef 5,8-14
Cristo te iluminará
Jn 9,1-41
Ciego de nacimiento
Domingo 5
Ez 37,12-14
Promesa de vida en el exilio
Rom 8,8-11
El Espíritu que habita en ustedes
Jn 11,1-45
Lázaro resucitado
En síntesis, en cada cuaresma el Señor nos invita a renovar la gracia de nuestro bautismo, de nuestra condición de discípulos misioneros de Jesús. Y para esta cuaresma en particular, con el lema "Escuchar y ayunar. La Cuaresma como tiempo de conversión", el Papa León XIV nos dice: “pidamos la gracia de vivir una Cuaresma que haga más atento nuestro oído a Dios y a los más necesitados. Pidamos la fuerza de un ayuno que alcance también a la lengua, para que disminuyan las palabras que hieren y crezca el espacio para la voz de los demás. Y comprometámonos para que nuestras comunidades se conviertan en lugares donde el grito de los que sufren encuentre acogida y la escucha genere caminos de liberación, haciéndonos más dispuestos y diligentes para contribuir a edificar la civilización del amor”. En base a todo esto la consigna para esta cuaresma sería:
«Nos preparamos para renovar el Don del Espíritu Santo dando lugar en nuestros corazones y en nuestras comunidades a la Palabra de Dios y al clamor del sufrimiento y la injusticia; y ayunando de palabras hirientes».
El profeta Joel, con ocasión de una terrible plaga de langostas, invita al Israel del postexilio a pensar en el día del Señor que está cerca. Y como consecuencia de esto, hace un fuerte llamado a la conversión, que es el texto que leemos hoy. Es de señalar la repetición del verbo "volver" que traduce el hebreo shûb, y que se utiliza para expresar la conversión o "vuelta a Dios". Es de señalar, también, el carácter interior de esta conversión: "vuelvan a mí de todo corazón…desgarren su corazón, no sus vestiduras…". La invitación a volver está motivada en la bondad de Dios y en su predisposición al perdón.
Si bien el acento está puesto en lo interior, se expresa necesariamente en lo exterior y lo comunitario: trompetas, ayuno, reuniones y actividades de los distintos grupos y estados.
2a. lectura (2Cor 5,20-6,2):
San Pablo, presentándose como profeta-embajador de Cristo, nos exhorta también vivamente a la reconciliación con Dios. Para San Pablo la reconciliación es una iniciativa gratuita de Dios que requiere la libre respuesta de los hombres. La obra de Dios fue identificar a Cristo con el pecado en favor nuestro, para justificarnos. La respuesta del hombre es creer-confiar-aceptar este perdón gratuito que viene de Dios en Cristo.
La reconciliación requiere también, para llegar a todos los hombres, la mediación de la Iglesia y de sus ministros o servidores. Debemos notar que S. Pablo llega a esta exhortación como conclusión de una larga reflexión sobre el ministerio apostólico que comenzó en 2Cor 3. Allí, mediante una referencia al texto de Jer 31,31-33, ubica el tema en el contexto de la Nueva Alianza entre Dios y su pueblo dentro del cual Pablo coloca su propia mediación ministerial. A su vez esto le sirve de punto de apoyo para comparar la Alianza del Sinaí escrita en tablas de piedra (cf. Ex 34,1.4) con una Nueva Alianza en nuevas tablas que son los corazones de carne (cf. Ez 11,19; 36,26). Es decir, Pablo reclama unos textos proféticos que anunciaban al futuro una nueva relación entre Dios y su pueblo (nuevo corazón y nuevo espíritu) como superación de la alianza sinaítica (Ex 34). Esta Nueva Alianza (cf. Jer 31-32; Ez 36-37) requiere un nuevo ministerio que también viene de Dios, pues es El quien capacita, y que es fundamentalmente un ministerio de reconciliación.
En resumen, para San Pablo el tema de la reconciliación señala la intervención gratuita de Dios que reconcilia consigo a los hombres por medio de Cristo. Así, el sujeto de la reconciliación es Dios y los destinatarios son todos los hombres. El mediador de la reconciliación es Cristo y el ámbito de la misma es la Iglesia.
Evangelio (Mt 6,1-6.16-18):
La lectura litúrgica de este texto nos lleva a fijar la atención en la invitación a la limosna, a la oración y al ayuno. Con buen criterio se ha elegido este texto por su exhortación a la práctica de estas tres obras de piedad que conocemos como “prácticas cuaresmales”.
Ahora bien, el análisis de la estructura literaria del texto (que no expondremos aquí) nos invita a sacar otras consecuencias para la interpretación del mismo. Ante todo, teniendo en cuenta que Mt 6,1 ("Tengan cuidado de no practicar su justicia delante de los hombres para ser vistos por ellos: de lo contrario, no recibirán ninguna recompensa del Padre que está en el cielo") tiene la función de título en relación a 6,2-18; este primer versículo nos da la impostación general de lo sigue.
Es decir, Jesús nos advierte de un serio peligro: que al cumplir la voluntad de Dios (= obrar la justicia) realizando los actos de piedad busquemos ser vistos y reconocidos por los hombres. A su vez, la repetición del esquema en las tres estrofas nos muestra que se está ejemplificando un principio general y, por tanto, el acento va puesto en esto y no en los casos particulares. Es decir, la advertencia va más allá de la limosna, la oración y el ayuno; pues abarca todo el obrar del cristiano.
En breve, pensamos que el mensaje fundamental de Mt 6,1-6.16-18 dentro del contexto del sermón del monte es simple y profundo a la vez. Nos invita a obrar la justicia, esto es, cumplir la Voluntad de Dios de un modo perfecto (5,48) y superior al de los escribas y fariseos (5,20). Y esta justicia perfecta y superior se refiere no sólo a las acciones sino también a la intención. Así, nuestro texto descalifica un modo de obrar propio de los hipócritas que se buscan a sí mismos, que buscan y reciben la gloria o reconocimiento de parte de los hombres, cerrándose así a una verdadera relación con Dios y a recibir la recompensa del Reino de parte del Padre. Como contrapartida nuestro texto propone un modo de obrar propio de los discípulos o hijos quienes buscan sólo agradar al Padre y esperan de El recibir parte en el Reino. Esta es la única intención válida para Jesús.
ALGUNAS REFLEXIONES:
Podemos decir que en este día se nos entrega una especie de "hoja de ruta" para todo nuestro camino cuaresmal con los temas esenciales del mismo.
⇒ En primer lugar, resuena en este día el llamado de Dios a la conversión. Dios mismo, por medio del profeta Joel y del apóstol san Pablo, nos invita a volvernos a Él, a dejarnos reconciliar con Él. Así nos lo dice el ministro en nombre de Dios al imponernos la ceniza: “Conviértete y cree en el evangelio”. Esta frase está tomada de Mc 1,15 que la presenta como el primer anuncio de Jesús. Allí se utiliza la palabra metánoia que significa conversión, cambio de mente y actitud. La predicación penitencial de Jesús encuentra su motivación en la llegada del Reino, signo del amor del Padre por los hombres. La bondad de Dios que busca y espera a los pecadores para darles la salvación es el centro de la predicación sobre la conversión que nos trae el evangelio.
Importa no perder de vista esta novedad de la conversión que se vive en la nueva Alianza. Nos lo explica magistralmente R. Cantalamessa6: "Convertirse no significa volver atrás, a la antigua alianza y al cumplimiento de la ley, sino dar un salto hacia delante, entrar en la nueva alianza, agarrar este reino que ha aparecido, entrar en él. Y entrar en él mediante la fe. 'Convertíos y creed' no significan dos cosas distintas y sucesivas sino la misma acción: convertíos, es decir, creed; convertíos creyendo. Conversión y salvación se han cambiado de sitio. Ya no es: pecado-conversión-salvación (convertíos y estaréis salvados; convertíos y la salvación vendrá a vosotros) sino más bien: pecado-salvación-conversión (convertíos porque estáis salvados, porque la salvación ha venido a vosotros). Primero está la obra de Dios y después la respuesta del hombre, no viceversa".
La conversión es un Sí a la persona de Jesús, a su obra, a su mensaje, a su Amor. Se trata de convertirse a y de creer en el amor de Cristo. La conversión es aceptar la misericordia de Dios en nuestras vidas, dejarse transformar por ella y transmitirla a los demás.
Al respecto dice el Papa León XIV en su mensaje de este año: “Todo camino de conversión comienza cuando nos dejamos alcanzar por la Palabra y la acogemos con docilidad de espíritu. Existe, por tanto, un vínculo entre el don de la Palabra de Dios, el espacio de hospitalidad que le ofrecemos y la transformación que ella realiza. Por eso, el itinerario cuaresmal se convierte en una ocasión propicia para escuchar la voz del Señor y renovar la decisión de seguir a Cristo, recorriendo con Él el camino que sube a Jerusalén, donde se cumple el misterio de su pasión, muerte y resurrección”.
⇒ Ahora bien, sólo acepta el llamado a la conversión, sólo abre su corazón a la misericordia de Dios, aquel que tiene conciencia de ser pecador y necesitado de su Gracia. Es imprescindible para avanzar por el camino cuaresmal tomar conciencia de nuestra fragilidad, de nuestros límites. En una sola palabra: nos hace falta humildad. Sólo el humilde, el que se humilla ante el Señor, recibe su gracia y su perdón. Este es el sentido profundo del rito de imposición de las cenizas que hoy realizamos, que nos descubre nuestra fragilidad, nuestro final y, por eso, el llamado a adherirse a lo definitivo.
⇒ En tercer lugar, la importancia de la práctica del ayuno, la oración y la limosna o caridad. Sobre el ayuno dice el Papa León XIV en su mensaje de este año: “La abstinencia de alimento, en efecto, es un ejercicio ascético antiquísimo e insustituible en el camino de la conversión. Precisamente porque implica al cuerpo, hace más evidente aquello de lo que tenemos “hambre” y lo que consideramos esencial para nuestro sustento. Sirve, por tanto, para discernir y ordenar los “apetitos”, para mantener despierta el hambre y la sed de justicia, sustrayéndola de la resignación, educarla para que se convierta en oración y responsabilidad hacia el prójimo […] El ayuno, entendido en este sentido, nos permite no sólo disciplinar el deseo, purificarlo y hacerlo más libre, sino también expandirlo, de modo que se dirija a Dios y se oriente hacia el bien […] En cuanto signo visible de nuestro compromiso interior de alejarnos, con la ayuda de la gracia, del pecado y del mal, el ayuno debe incluir también otras formas de privación destinadas a hacernos adquirir un estilo de vida más sobrio, ya que «sólo la austeridad hace fuerte y auténtica la vida cristiana». Por eso, me gustaría invitarles a una forma de abstinencia muy concreta y a menudo poco apreciada, es decir, la de abstenerse de utilizar palabras que afectan y lastiman a nuestro prójimo. Empecemos a desarmar el lenguaje, renunciando a las palabras hirientes, al juicio inmediato, a hablar mal de quienes están ausentes y no pueden defenderse, a las calumnias”.
La oración la presenta el Papa León XIV en su forma esencial y primordial, es decir, como “dar espacio a la Palabra a través de la escucha, ya que la disposición a escuchar es el primer signo con el que se manifiesta el deseo de entrar en relación con el otro.”
Sobre la limosna nos decía el Papa León XIV en Dilexi te n° 115: “Es bueno dedicar una última palabra a la limosna, que hoy no goza de buena fama, a menudo incluso entre los creyentes. No sólo no se practica, sino que además se desprecia. Por un lado, confirmo que la ayuda más importante para una persona pobre es promoverla a tener un buen trabajo, para que pueda ganarse una vida más acorde a su dignidad, desarrollando sus capacidades y ofreciendo su esfuerzo personal […] Por otro lado, si aún no existe esta posibilidad concreta, no podemos correr el riesgo de dejar a una persona abandonada a su suerte, sin lo indispensable para vivir dignamente. Y, por tanto, la limosna sigue siendo un momento necesario de contacto, de encuentro y de identificación con la situación de los demás”.
⇒ Por último, este miércoles de ceniza comenzamos juntos lo que tenemos que vivir juntos ya que “la Cuaresma pone de relieve la dimensión comunitaria de la escucha de la Palabra y de la práctica del ayuno […] nuestras parroquias, familias, grupos eclesiales y comunidades religiosas están llamados a realizar en Cuaresma un camino compartido, en el que la escucha de la Palabra de Dios, así como del clamor de los pobres y de la tierra, se convierta en forma de vida común, y el ayuno sostenga un arrepentimiento real. En este horizonte, la conversión no sólo concierne a la conciencia del individuo, sino también al estilo de las relaciones, a la calidad del diálogo, a la capacidad de dejarse interpelar por la realidad y de reconocer lo que realmente orienta el deseo, tanto en nuestras comunidades eclesiales como en la humanidad sedienta de justicia y reconciliación”.
PARA LA ORACIÓN (RESONANCIAS DEL EVANGELIO EN UNA ORANTE): Cuando…
En ti podemos olvidarnos del tiempo
Y dejarnos moldear por tu Palabra
Semilla que da frutos eternos
En ti podemos alcanzar al Padre
Y orar nuestro andar cotidiano
Pues Él nos conoce hasta en lo secreto
En ti podemos dejar nuestras ansiedades
Y ayunar de lo inmediato y pasajero
Porque eres el verdadero alimento
En ti podemos donarnos libremente
Y reconocernos indigentes y pobres
Todo es tuyo y nada poseemos
En ti podemos dar Gloria al Dios Trinitario
Y atravesar la pasión rumbo a la Cruz,
Dejarnos conducir hacia la Pascua. Amén.