08/02/2026
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AS LEITURAS DESTA PÁGINA E DO MÊS TODO
1ª Leitura: Isaías 58,7-10
Salmo 111(112) R- Um luz brilha nas trevas para o justo, permanece para sempre o bem que fez.
2ª Leitura: 1 Coríntios 2,1-5
Evangelho de Mateus 5,13-16
Proclamação do evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus – Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 13“Vós sois o sal da terra. Ora, se o sal se tornar insosso, com que salgaremos? Ele não servirá para mais nada, senão para ser jogado fora e ser pisado pelos homens. 14Vós sois a luz do mundo. Não pode ficar escondida uma cidade construída sobre um monte. 15Ninguém acende uma lâmpada e a coloca debaixo de uma vasilha, mas sim num candeeiro, onde brilha para todos os que estão na casa. 16Assim também brilhe a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e louvem o vosso Pai que está nos céus”. – Palavra da salvação.
Mt 5,13-16
Através de três pequenas parábolas, do sal, da lâmpada e da cidade construída sobre um monte, Jesus ensina sobre a missão que os cristãos devem desempenhar.
Os cristãos são sal da terra. O sal tempera, preserva os alimentos e é símbolo da sabedoria. O sal serve para preservar os alimentos da corrupção. Como o sal, os cristãos com sua pregação e seu comportamento anunciam a Boa Nova do Evangelho. Eles ensinam uma sabedoria e edificam os homens com seu comportamento. Por meio da pregação do Evangelho, eles devem fazer com que os homens, distantes de Deus pelo pecado, voltem à sua amizade. Por isso os Apóstolos devem transmitir a mensagem de Cristo como ela é, uma boa nova, uma mensagem que se escuta com alegria e com sede.
Por outro lado, para que o Evangelho seja uma boa notícia, é preciso que a pregação seja acompanhada de uma vida santa, marcada pelo exercício das obras de caridade fraterna.
E se o sal se tornar insosso? As coisas melhores quando se degeneram se tornam as piores. As coisas mais úteis, quando perdem sua utilidade, se tornam as mais inúteis. O pregador do Evangelho que se desvirtua, que dá escândalo, torna-se um grande obstáculo para a salvação dos outros. Assim como não existe sal para salgar o sal, assim também será muito difícil encontrar um outro Apóstolo que devolva e recupere o que o pregador infiel perdeu com seu comportamento escandaloso. Um dos grandes obstáculos para a evangelização é a vida incoerente dos cristãos: pais, padres, religiosos, catequistas, etc. Sobre nós pesa o juízo de Deus: se o sal se tornar insosso, ele não servirá para mais nada, senão para ser jogado fora e ser pisado pelos homens. A parábola coloca os discípulos e as comunidades cristãs sob o juízo. Se a comunidade não desempenhar sua missão, será rejeitada como sal sem sabor.
Não pode ficar escondida uma cidade construída sobre um monte. Muitos poderiam se sentir incomodados com esta situação dos cristãos. Uma situação de evidência. Seria melhor e mais cômodo uma situação de menos evidência, mas quem se tornou cristão perdeu o direito de viver comodamente. Todos observam se o comportamento do cristão corresponde àquilo que ele prega e ensina.
Assim brilhe a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e louvem o vosso Pai que está nos céus. Esta afirmação parece contradizer Mt 6,1-4: “Evitai praticar vossas boas obras diante dos homens para serdes notados por eles, porque assim não tereis recompensa da parte de vosso Pai que está nos céus... Quando, portanto, deres esmolas, não faças tocar a trombeta diante de ti, como procedem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, com o fim de serem aplaudidos pelos homens. Eu vos declaro esta verdade: já receberam a sua recompensa. Mas, quando deres esmola, não saiba tua mão esquerda o que faz a direita, para que a tua esmola fique oculta. O Pai, que vê a ação oculta, te recompensará.”
A contradição é apenas aparente. O “para que vejam vossas boas obras” não é uma finalidade, mas uma consequência. Devemos fazer as boas obras para que os outros vejam, não para que sejamos louvados, mas para que eles se encontrem com Deus e louvem a Deus. Devemos nos preocupar em ter uma vida de boas obras, coerente com o Evangelho, não por causa de nós mesmos, mas por causa de Deus. Não buscamos a glória para nós mesmos, mas para Deus. Não queremos ser vistos pelos outros, queremos que todos vejam Deus em nossa vida. O cristão se esforçará em ter uma vida santa, não por ostentação ou exibicionismo, mas por saber que sua condição é aquela da cidade construída sobre o monte. Sabe que o lugar de destaque é privilégio e responsabilidade.
Vós sois a luz do mundo. Devemos nos lembrar que Jesus é a luz do mundo e não os cristãos. A luz brilha por si mesma; os discípulos brilham por causa da luz de Cristo. O discípulo é luz somente na medida em que ele luzir a luz que é Cristo. Ele não tem luz própria. Em Jo 1,4.5.9 lemos: “Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens. A luz brilha na escuridão e a escuridão não a pôde extinguir ... o Verbo era a luz, a verdadeira luz que vindo ao mundo, ilumina todo homem”. O cristão deve fugir da presunção de querer se colocar no lugar de Cristo. Sem Cristo, o cristão é sal insosso, é luz debaixo da vasilha. A verdadeira fecundidade apostólica só é possível na união com Cristo.
“Vós sois o sal da terra; vós sois a luz do mundo”
Estamos no início do Sermão da Montanha, onde Jesus nos ensina e nos proporciona belas imagens, parábolas e histórias; elas só permanecem no coração e na mente quando são consideradas através da imaginação e não meramente explicadas como uma lição.
A proclamação das Bem-aventuranças desemboca nesta constatação: quando as vivemos, nós nos tornamos, naturalmente, “sal da terra e luz do mundo”. Trata-se de duas imagens profundamente eloquentes, que têm a ver com dois de nossos sentidos e que apontam para algo que todos aspiramos: o sabor e a luz.
As imagens não precisam de explicação nem de comentário. Explicam-se por si mesmas. Exigem, isso sim, uma resposta vital do leitor ou ouvinte.
Quando nos deixamos interpelar por elas, descobriremos uma nova dimensão da existência à qual somos convidados. Podemos aceitar o desafio ou rejeitá-lo. As imagens nos colocam frente uma alternativa: ou continuar como estávamos em nosso modo de ser e viver, ou aceitar a nova maneira de assumir a vida que elas nos sugerem.
Embora o sal e a luz não tenham nada em comum, há um aspecto no qual coincidem. Nenhuma das duas é proveitosa em si mesma. O sal sozinho não serve para a saúde, só é útil quando acompanha os alimentos. A luz não é para ser vista; ela possibilita ter uma visão clara das coisas.
O sal e a luz têm duas formas diferentes de realizar sua ação: o sal remete a uma ação invisível; no entanto, próprio da luz é brilhar. De acordo com o texto, as formas de presença, significadas pela luz e pelo sal, não se eliminam; as duas são inseparáveis. Sal e luz são elementos expansivos; a importância não está neles mesmos, mas na relação com a realidade onde se fazem presentes: o sal realça o sabor dos alimentos; a luz revela a realidade escondida na escuridão.
O sal atua no anonimato. Se um alimento tem a quantidade precisa, passa desapercebido, ninguém se lembra do sal. Quando a um alimento lhe falta sal ou tem demasiado, então nos lembramos dele. Não se pode comê-lo diretamente. Se não há comida, o sal é simplesmente veneno. O que importa não é o sal, mas a comida temperada com sal. Quando a comida tem excesso de sal se faz intragável. A dose tem que estar bem calculada.
O significado é tão simples como profundo: o sal serve para que os alimentos realçam seu sabor; a luz serve para que se possa ver o que já existe. Ambos têm uma só função: servir para que outras coisas sejam válidas, para que sejam o que são. Ser sal e luz é ressaltar e potenciar tudo o que é positivo na vida humana.
“Vós sois a luz do mundo”: não é uma expressão de futuro, mas de uma realidade que já é presente.
Um pouco antes, Mateus nos havia dito que Jesus era “a luz que brilhou na Galileia” (4,16). Agora, Jesus afirma que é luz todo aquele que encarna o espírito das bem-aventuranças. Ou seja, somos luz, como Jesus, na medida em que, esvaziando-nos de nosso eu, permitimos simplesmente que a luz “passe” através de nós sem encontrar obstáculo.
O texto do evangelho de hoje constitui uma clara afirmação de que a missão dos discípulos no mundo faz parte de sua própria identidade. Neles aparecem os traços fundamentais que caracterizam esta missão. “Vós sois” diz Jesus e não “vós deveis ser”, ou “tendes que se transformar em…”.
Os discípulos “são”, querendo ou não, pela força do chamado que lhes foi dirigido. “Sois”: este tempo verbal no presente refere-se a uma identidade marcada pelo modo de ser e de agir de Jesus. Quem o segue, afetado pelo seu chamado, fica plenamente transformado em sal da terra e luz do mundo.
Na brisa calma do monte, Jesus evoca uma imagem cálida e pede que imaginemos uma pequenina chama. É de uma lamparina que ilumina uma casa. Vemos uma chama dançante que expande sua luz.
E Ele pergunta aos seus ouvintes: “onde deve ser colocada a lamparina: dentro de um alqueire ou no candeeiro?”. O alqueire era um recipiente que se utilizava para medir a quantidade de grãos. Não tem nada a ver com a lamparina. É absurdo utilizar um alqueire para cobrir uma chama que ilumina uma casa escura. Se está acesa, é evidente que a luz deve ser visível e tornar visível as coisas.
O tom das palavras que emprega revela uma grande preocupação por parte de Jesus: é como se quisesse nos alertar de que em nós há uma tendência inata à obscuridade, à penumbra, que corremos o risco de deixar na sombra o que deveria brilhar (nossos dons, nossos recursos…).
Por isso, suas palavras estão cheias de amor, são fogo, são chama. Isso é o que nós, como seus seguidores, devemos ser, e não presenças obscuras, e, talvez, sem sol. Suas palavras são pronunciadas para despertar a luz vacilante e tímida de nosso interior, e assim expandi-la amplamente.
Somos portadores da “luz nova”; não extinguir essa luz que ilumina dentro. Abafar essa luz é menosprezar a vida da Graça, o tesouro que nos foi confiado no batismo.
Devemos guardá-la ciosamente, velar por ela, valorizá-la pela nossa colaboração, estimá-la e protegê-la, como a chama olímpica que nos levará à vitória.
Se voltamos ao início do relato da Criação, a primeira coisa que ouvimos é que Deus cria a luz; “faça-se a luz”: essa é a primeira palavra que Ele pronuncia como potência criadora e que possibilita a vida.
As trevas, as sombras, a obscuridade é “não ser” e “não existir”. Nossa fonte original é Luz.
O simbolismo da luz está muito presente em toda a Escritura, mas, de maneira especial, em dois momentos: a) na sua primeira carta, João define a Deus como Luz sem mistura de trevas; b) a afirmação de Paulo de que somos filhos da luz, a caminhar na luz, a desmascarar as trevas, a conectar com a Luz fontal, para que nossas obras sejam luz.
Através do apelo de Jesus, no evangelho deste domingo, somos convidados a aprender a gerir nossa luz e sabor/sabedoria, a viver em conexão com nossa verdadeira identidade, a gerar espaços de conhecimento daquilo que é essencial para que nós mesmos, nossas comunidades, nosso mundo, nossa casa comum, sejam reflexo do movimento profundo da fonte da Vida.
No último parágrafo do evangelho deste domingo, há um ensinamento esclarecedor: “… para que vejam as vossas boas obras e louvem o Pai que está nos céus”. A única maneira eficaz para transmitir a mensagem são as obras. Uma atitude verdadeiramente evangélica se transformará inevitavelmente em obras.
Evangelizar não é propor uma doutrina muito bem elaborada e convincente. As obras que os outros percebem devem desvelar as nossas atitudes internas. Quando elas são fruto só de uma programação externa, não ajudam os outros a encontrar seu próprio caminho. Só as obras que são reflexo de uma atitude vital autêntica, são canal por onde flui iluminação para os demais. O que existe em nosso interior só pode chegar aos outros através das obras. Toda obra feita a partir do amor e da compaixão é luz.
Quando nos é pedido que sejamos luz, está nos dizendo algo decisivo para a vida espiritual, própria e dos outros. A luz brota sempre de uma fonte incandescente. Se o nosso coração não arde, não poderemos emitir luz. Mas se há brasas incandescentes, não poderemos deixar de emitir luz. Só se vivemos nossa humanidade, poderemos ajudar os demais a desenvolver a sua própria humanidade.
Ser luz significa pôr toda nossa bagagem espiritual a serviço dos outros.
Texto bíblico: Mt 5,13-16
Na oração: “O amadurecimento da experiência e uma visão de fé mais profunda evidenciam a grande Luz que nos precede, acompanha e segue no percurso da vida”.
– Deixa-te iluminar, leva a Luz nas suas pobres e frágeis mãos, iluminando os recantos do seu cotidiano.
– Deixa-te iluminar para seres presença que desperta o sabor da vida.
Tradutor: Antonio Manuel Álvarez Perez
Os seres humanos tendem a aparecer diante dos outros como mais inteligentes, melhores, mais nobres do que realmente somos. Passamos a vida a tentar aparentar diante dos outros e diante de nós mesmos uma perfeição que não possuímos.
Os psicólogos dizem que essa tendência se deve, sobretudo, ao desejo de nos afirmarmos perante nós mesmos e os outros, para nos defendermos assim da sua possível superioridade.
Falta-nos a verdade das «boas obras» e enchemos a nossa vida de conversa e de todo o tipo de divagações. Não somos capazes de dar ao filho um exemplo de vida digna e passamos os dias exigindo o que nós não vivemos.
Não somos coerentes com nossa fé cristã e tentamos justificar-nos criticando aqueles que abandonaram a prática religiosa. Não somos testemunhas do evangelho e dedicamo-nos a pregá-la a outros.
Talvez tenhamos que começar por reconhecer pacientemente as nossas incoerências, para apresentar aos outros apenas a verdade de nossa vida. Se tivermos a coragem de aceitar a nossa mediocridade, iremos abrir-nos mais facilmente à ação desse Deus que ainda pode transformar a nossa vida.
Jesus fala do perigo de que «o sal se torne insonso». São João da Cruz diz de outra maneira: «Deus nos livre que se comece a envaidecer o sal, que, embora pareça que faz algo por fora, em substância nada será, quando é verdade que as boas obras não podem ser feitas senão por virtude de Deus».
Para ser «sal da terra», o importante não é o ativismo, a agitação, o protagonismo superficial, mas “as boas obras” que nascem do amor e da ação do Espírito em nós.
Com que atenção deveríamos escutar hoje na Igreja estas palavras do próprio Juan de la Cruz: «Advirtam, pois, aqui os que são muito ativos e pensam rodear o mundo com as suas predicações e obras exteriores, que muito mais proveito fariam à Igreja e muito mais agradariam a Deus … se passassem sequer metade desse tempo em estar com Deus em oração».
Caso contrário, de acordo com o místico doutor, «tudo é martelar e fazer pouco mais que nada, e às vezes nada e às vezes até prejudicar». No meio de tanta atividade e agitação, onde estão as nossas «boas obras»? Jesus dizia aos Seus discípulos: «Ilumine a vossa luz os homens, para que vejam as vossas boas obras e deem glória ao Pai».
I. Introdução geral
Com as imagens do sal e da luz, a liturgia deste dia define a missão dos discípulos e discípulas de Jesus no mundo: dar sabor e iluminar. Essas imagens estão mais evidentes no evangelho, sendo utilizadas explicitamente por Jesus, mas encontramos ecos e ressonâncias também nas outras duas leituras, sobretudo na primeira, que também emprega a imagem da luz.
Ao povo que imaginava agradar a Deus com práticas penitenciais como o jejum, o autor da primeira leitura faz uma advertência: se não estiver acompanhada de ações concretas em favor dos mais necessitados, essa prática é inútil. A luz de Deus só é refletida na vida de uma pessoa quando esta é praticante da justiça e do bem. A advertência do profeta está claramente em sintonia com o evangelho, no qual Jesus declara que seus seguidores são “sal da terra” e “luz do mundo”. Jesus confere uma responsabilidade ímpar aos seus discípulos, indicando que a construção do Reino de Deus neste mundo depende essencialmente da coerência de vida deles. A segunda leitura traz o testemunho de um cristão que assumiu radicalmente a missão de ser sal da terra e luz do mundo. É o caso de Paulo, que fez de tudo para refletir na própria vida a luz de Cristo e dar sabor ao mundo, em uma comunidade marcada por divisões e vaidades, como a de Corinto.
Damos sabor ao mundo e o iluminamos, portanto, quando fazemos das opções de Deus as nossas, praticando o bem e anunciando integralmente o evangelho de Jesus Cristo, o crucificado e ressuscitado, mesmo que isso pareça loucura para o mundo (cf. 1Cor 1,23).
II. Comentários dos textos bíblicos
1. I leitura: Is 58,7-10
A terceira parte do grande livro de Isaías (Is 56-66), chamada de “Terceiro Isaías”, é uma obra anônima do pós-exílio (século V a.C.). A primeira leitura, retirada dessa obra, apresenta algumas advertências do profeta sobre a vida religiosa do povo, que tinha retornado do exílio da Babilônia. O que está em questão é a prática do jejum (cf. Is 58,1-12). O povo acreditava que bastava jejuar e cumprir ritos penitenciais para agradar a Deus e, consequentemente, atrair seus favores. O profeta, no entanto, pensava diferente.
O que agrada a Deus é que sua vontade seja feita, e esta não consiste em práticas penitenciais ou ritos, mas em obras de justiça e amor em favor dos mais necessitados, como o profeta recorda: “Reparte o pão com o faminto, acolhe em casa os pobres e peregrinos. Quando encontrares um nu, cobre-o” (v. 7). É nas necessidades mais básicas e elementares do próximo que o amor deve se manifestar, e é esse tipo de jejum que Deus espera do seu povo. Não basta, porém, praticar o bem para agradar a Deus; é necessário igualmente não ser conivente com nenhum tipo de mal e exploração. Por isso, o profeta recomenda também que sejam destruídos os instrumentos de opressão e sejam evitadas atitudes como a prepotência e a difamação (cf. v. 9).
Somente quem age dessa forma pratica um culto agradável a Deus e se torna reflexo da sua luz (cf. vv. 8.10b). As práticas religiosas não são ruins, mas não têm sentido se não são acompanhadas de uma vida coerente e atenta às necessidades do próximo. Embora empregue somente a imagem da luz, o texto profético antecipa, ao menos parcialmente, a mensagem de Jesus no evangelho do dia.
2. II leitura: 1Cor 2,1-5
Paulo é exemplo de quem assimilou a identidade e a missão cristã de ser sal da terra e luz do mundo. É incontestável seu esforço para refletir na própria vida a luz de Cristo e dar sabor ao mundo pelo testemunho. A segunda leitura é uma demonstração disso. Nela, o apóstolo recorda as bases da sua experiência evangelizadora na comunidade de Corinto.
Como afirmamos há dois domingos, essa comunidade enfrentava sérios problemas, devido às divisões e rivalidades que estavam sendo alimentadas entre seus membros, o que punha em risco a eficácia do anúncio. Após a saída de Paulo, surgiram lá novos pregadores que depositavam maior confiança em suas habilidades retóricas do que no conteúdo, o evangelho de Jesus Cristo, e isso dividia os cristãos em diversos partidos, pois se deixavam atrair pela retórica do pregador, e não pelo Cristo crucificado (cf. 1Cor 1,10-13.17). Corinto era uma grande cidade grega e nela a sabedoria humana era cultuada e propagada por diversas correntes filosóficas, o que gerava resistências à aceitação de um Deus com aparências tão frágeis, como Jesus crucificado. Diante disso, alguns pregadores procuravam adequar a pregação à sabedoria humana por meio da retórica, fazendo a cruz passar quase despercebida no anúncio.
Essa situação era intolerável para Paulo. Por isso, ele recorda sua experiência, afirmando que não recorreu aos artifícios da linguagem nem à sabedoria humana (cf. v. 1), pois tais elementos poderiam ofuscar o conteúdo e, consequentemente, tornar despercebido o poder do evangelho e da cruz. Ao ministro do evangelho não interessa outro conteúdo senão estes quatro elementos básicos, sobre os quais Paulo construiu sua experiência evangelizadora: o mistério de Deus (cf. v. 1), Jesus Cristo crucificado (cf. v. 2), o poder do Espírito (cf. v. 4) e o poder de Deus (cf. v. 5).
Para que a evangelização seja autêntica, o pregador deve renunciar a qualquer sinal de vaidade ou busca de reconhecimento, pois as pessoas não podem ser atraídas pelas suas habilidades, mas somente pelo Cristo. Com essa consciência, Paulo ensina como assimilou tão bem sua missão de ser sal e luz.
3. Evangelho: Mt 5,13-16
Iniciamos hoje a leitura do “discurso da montanha” (Mt 5-7), cuja parte inicial, correspondente às bem-aventuranças (5,1-12), foi saltada, devido à festa da Apresentação do Senhor, celebrada no domingo passado. O trecho que lemos nesta liturgia é sua continuidade. Vale a pena recordar que as bem-aventuranças são o núcleo central de toda a mensagem de Jesus, retratam seu estilo de vida e constituem o programa que ele propõe também aos seus discípulos.
Empregando as imagens do sal e da luz, Jesus fala da missão dos discípulos e do efeito transformador deles no mundo, se viverem efetivamente as bem-aventuranças. De fato, da vivência das bem-aventuranças depende a instauração do Reino que ele oferece como alternativa a um mundo marcado por injustiças, egoísmo, corrupção, violência e todo tipo de mal. Esse Reino só pode se concretizar quando as pessoas, começando pelos discípulos, assumirem um estilo de vida semelhante ao de Jesus, ou seja, puserem em prática o programa das bem-aventuranças.
O sal é um elemento essencial para a vida e pode ser utilizado para diversas funções, porém as principais são dar sabor e conservar. Os discípulos de Jesus, em sua maioria pescadores, compreendiam muito bem o impacto de uma afirmação como esta: “Vós sois o sal da terra. Ora, se o sal se tornar insosso, com que salgaremos?” (v. 13a). A atividade pesqueira utilizava bastante o sal para conservar os peixes para a comercialização. Os discípulos pescadores sabiam o problema que era um sal estragado. Seria um desastre total, todo o esforço da pesca seria perdido. Assim, além de dar sabor ao mundo, transformando realidades, os discípulos têm a função de conservar no mundo os valores do Reino. Esse sal, portanto, é o conjunto das bem-aventuranças, as quais só têm sentido e funcionalidade se forem vividas concretamente e de modo contínuo.
A imagem da luz atravessa toda a Bíblia e é mais fácil de ser compreendida, pois seu efeito é muito mais visível. O próprio Mateus apresentou a missão de Jesus na Galileia como a irrupção de uma grande luz que iluminava quem estava nas trevas (cf. Mt 4,16). Ao dizer aos discípulos “Vós sois a luz do mundo” (v. 14), Jesus está compartilhando com eles sua própria vida e missão, e indicando-lhes a responsabilidade de, pelo testemunho, tornarem acesa como a luz a presença deles no mundo. Os dois exemplos ilustrativos, a cidade sobre o monte e a lâmpada acesa no candeeiro (cf. v. 15), só reforçam a responsabilidade dos discípulos e dos cristãos de todos os tempos: manter o mundo iluminado por Jesus e pelo seu evangelho, cuja síntese está nas bem-aventuranças.
Concluindo, Jesus adverte: os cristãos não podem buscar reconhecimento pessoal pelas boas obras que realizam. Quem tem de ser louvado é o Pai celestial (cf. v. 16).
III. Pistas para reflexão
Destacar a relação entre as três leituras e o apelo ao testemunho que elas fazem: não tem sentido uma prática religiosa marcada por muitas devoções e poucos gestos de amor em favor dos mais necessitados (I leitura); os seguidores de Jesus têm a responsabilidade de transformar o mundo pelo anúncio e, sobretudo, pelo testemunho (evangelho); o anúncio, para ser autêntico e credível, não pode ter a sabedoria humana como fundamento, e sim Jesus Cristo crucificado (II leitura). O cristão dá sabor ao mundo e o ilumina quando se conforma a Jesus, vivendo, como ele, as bem-aventuranças.
Arquidiocese de Maringá
Em nossas celebrações e eventos, do que Deus sente falta: de ritos ou de justiça social?
Na Liturgia deste Domingo, V do Tempo Comum, veremos, na 1a Leitura (Is 58, 7-10), que o profeta Isaías reage contra uma religião feita de puro formalismo e explica quais são as práticas religiosas agradáveis a Deus. Nas grandes celebrações, do que Deus sente falta: de ritos ou de justiça social? O culto separado da justiça social não funciona, o pecado é não fazer a vontade de Deus. “A religião pura e sem mancha diante de Deus, nosso Pai, consiste em socorrer os órfãos e viúvas em seu sofrimento e não se deixar corromper pelo mundo” (Tg 1, 27).
Isaías apresenta as condições para ser luz: encontrar Deus no sofrimento e na vida das pessoas, sentir suas aflições, dar de si, acolher. Não basta o cumprimento de ritos estéreis e vazios, é necessário o compromisso concreto, uma opção com políticas públicas e Projetos Políticos de Governo que levem as pessoas a viver com dignidade, pois os pobres devem receber por direito e não por esmola. Nisso está a insistência da Igreja quando diz que “a política é a melhor forma de viver a caridade”.
Na 2ª Leitura (1 Cor 2, 1-5), o apóstolo Paulo não se serviu de artifícios humanos para anunciar o Evangelho aos Coríntios. Foi por meio da sua fraqueza e de testemunho que ele anunciou o ponto central do projeto de Deus: Jesus crucificado. Vemos, então, que, pelo poder de Deus, o Espírito Santo agiu abundantemente sobre a Comunidade de Corinto.
No Evangelho (Mt 5, 13-16), Jesus nos diz que diante de um mundo insípido devemos ser sal (não açúcar) da terra e luz do mundo.
Quais são as funções do sal e da luz?
Sal
- dá sabor às comidas (não falamos que sal gostoso e, sim, que comida gostosa);
- é curativo, preserva (vivência equilibrada, valores);
- é tempero: nem muito: só vale o meu ego, Grupo, Movimento; nem pouco: sem conteúdo, insosso;
- impede a corrupção dos alimentos;
- é conservante;
- retira a ferrugem de alguns objetos;
- afasta a traça dos tapetes.
Assim foi Jesus: com o sal de sua palavra, ia dando sabor a todas as situações humanas: alegres e dolorosas. Ia preservando os valores humanos e morais com sua mensagem divina, para que não se corrompessem.
Luz
- sinal de vida, de calor, dinamismo, trabalho (nenhum ser vivo vive sem luz);
- serve para afastar aos animais perigosos;
- para mostrar o caminho, as belezas presentes na natureza;
- para iluminar os objetos.
Na criação: a luz recorda o primeiro ato do Criador.
No Êxodo do Egito, a coluna de fogo guiava o povo para a Terra Prometida.
Em Isaías: O Servo de Javé: "Luz das nações".
Jesus: "Eu sou a Luz do Mundo".
É a Luz que dá sentido à vida, à dor e à própria morte. Uma pessoa que tem luz é uma pessoa sábia, que tem rumo, horizontes.
Todos os seres se identificam pela sombra, somente Deus, pela luz.
Ninguém é luz por si próprio: é ligado a uma fonte geradora. Como a lâmpada depende do gerador, assim nós dependemos do gerador que é Cristo para iluminar. E iluminamos na medida em que estivermos ligados a Ele. Essa união se faz pela meditação da palavra de Deus, pela participação na Comunidade, pela comunhão eucarística, pela caridade e pela oração.
Sempre digo que cada um de nós é como a lua, a lua não tem luz própria, mas ilumina, pois reflete a luz que o sol lhe manda. Nós, também, não temos luz, mas, quando iluminamos, certamente é a luz de Deus que reflete em nós e vamos passando esse esplendor a todos os ambientes em que estamos inseridos.
Sal e Luz são símbolos do que deve ser um cristão
(O texto original em espanhol está logo a seguir ao texto em português traduzido pelo Tradutor Google)
QUINTO DOMINGO DO TEMPO COMUM, ANO A
Primeira leitura (Is 58:7-10)
O capítulo 58 de Isaías pode ser datado do final do século VI a.C., após o retorno do exílio, época em que a prática do jejum, já conhecida antes do exílio, ganhou particular destaque. O jejum passou a ser observado em datas fixas, como os aniversários do cerco de Jerusalém, da queda da capital, do incêndio da cidade e do Templo e do assassinato do governador Gedalias. Era um dia de humilhação e mortificação para obter o favor divino (cf. Is 58:1-6). Contudo, o autor deste texto acredita que o caminho para a salvação reside não tanto no jejum, mas na justiça e no amor ao próximo . De fato, após zombar dos rituais associados ao jejum (balançar a cabeça, deitar-se sobre uma esteira e cinzas), ele indica os verdadeiros rituais que deveriam constituir o jejum: rituais direcionados ao benefício dos oprimidos, dos famintos, dos sem-teto e dos nus. Compartilhar pão, abrigo e roupas com eles é o que Deus espera do seu povo. Em outras palavras, em verdadeiro estilo profético, ele critica o ritualismo exterior sem compromisso sincero, sem envolvimento interior; critica a busca egoísta e individualista do favor divino sem a prática da compaixão e da caridade para com o próximo necessitado. "Somente aqueles que sabem assumir o sofrimento e as limitações dos outros, que sabem se comprometer a lutar contra qualquer tipo de injustiça, sem fazer distinções entre as pessoas, descobrirão a verdadeira luz de Deus e se tornarão uma fonte perene." ¹ Desde Amós, a mensagem dos profetas tem sido que a religião não é autêntica sem justiça; e a adoração sem compromisso social é incompleta .
Quando as pessoas adotarem a postura correta que Deus lhes pede por meio do profeta, sua situação mudará e elas poderão desfrutar da alegria da salvação de Deus, que é representada pelo símbolo da luz que dissipa as trevas e a escuridão.
Segunda leitura (1 Coríntios 2:1-5)
Em 2:1-5, Paulo aplica o princípio da sabedoria da cruz ao seu próprio ministério, visto que a sua proclamação do evangelho seguia essa lógica da cruz. Aqui, ele retoma e expande o que foi anunciado em 1:17, no mesmo sentido de apresentação negativa: " não em sabedoria de palavras " (2:1, 4); mas agora com a novidade de apresentar a sua contraparte positiva: " mas em demonstração do Espírito e de poder " (2:4). Também como em 1:17, a razão reside em Cristo crucificado (2:2), que é o foco da atenção de Paulo, embora não seja o tipo de salvador esperado pelos judeus ou buscado pelos gregos. Em 2:5, Paulo explica o motivo das suas ações: para que os coríntios não baseassem a sua fé na sabedoria humana, mas no poder de Deus . Esta é outra forma de dizer que os crentes só podem se gloriar no Senhor. Indiretamente, ele também está apontando para a raiz das divisões que existiam entre os coríntios, visto que eles depositavam sua fé, sua glória, na pessoa dos pregadores ou apóstolos.
Evangelho (Mt 5:13-16)
Esta passagem serve de transição entre as bem-aventuranças que a precedem (5:3-12) e as “antíteses” que se seguem (5:17-48). Liga-se à passagem anterior porque se dirige aos mesmos discípulos (“Vós sois…”) que sofrem perseguição, exortando-os a perseverar na vida cristã, pois têm uma missão indispensável diante de um mundo que os rejeita, expressa através das imagens do sal e da luz . Continua na secção seguinte porque as boas obras que os discípulos devem irradiar serão ali explicitadas; daí a função de prólogo ou exórdio que atribuímos a esta passagem na estrutura geral do Sermão da Montanha. De facto, não explica aqui como um discípulo pode tornar-se sal e luz; apenas que deve sê-lo. A secção seguinte do Sermão desenvolve precisamente como tornar-se sal e luz, com todas as orientações específicas para se relacionar corretamente com o próximo no Reino de Deus inaugurado por Jesus. Em outras palavras, aqueles que vivem os ensinamentos de Mt 5:17-48, aqueles que os praticam, serão sal e luz .
A metáfora do sal refere-se a um elemento necessário e insubstituível na alimentação diária (cf. Mc 9,50; Lc 14,34). Essa função do sal deriva de sua capacidade intrínseca de temperar, dar sabor e conservar os alimentos; se perdesse essa propriedade, tornar-se-ia inútil. Se o sal perde o sabor, perde a capacidade de temperar, deixa de ser útil e é descartado. O verbo grego moraino , que é traduzido como "perder o sabor" ou "corromper-se", também significa tornar-se tolo ou insensato (cf. Rm 1,22; 1 Cor 1,20). O adjetivo derivado dele ( morós ) aplica-se ao homem tolo ou insensato que constrói sua casa sobre a areia em Mt 7,26 e às virgens insensatas em Mt 25,1-21. Os termos "ser expulso" e "ser pisoteado" referem-se ao julgamento de Deus (cf. Mt 3,10; 7,19; 13,42); portanto, um discípulo que não vive como tal e que não exerce qualquer influência no seu ambiente será rejeitado por Deus.
O valor simbólico do sal na antiguidade e na própria Bíblia é amplo e variado, com ênfase particular em sua capacidade de temperar e conservar alimentos. Davies-Allison , por exemplo, lista onze possíveis significados simbólicos para o sal que consideram relevantes; no entanto, eles encorajam os leitores a não escolherem apenas um, mas sim a manterem uma compreensão ampla e a interpretá-lo dentro do contexto mais abrangente do Sermão da Montanha, particularmente os ensinamentos que se seguem, que definem o que significa ser sal e luz. Eles também sugerem relacioná-lo à metáfora subsequente — luz do mundo — porque mais tarde é especificado como as "boas obras" dos discípulos. Sua interpretação final é que os discípulos, como o sal, possuem certas qualidades inerentes que, se perdidas, os tornariam inúteis. De forma semelhante, L.H. Rivas afirma que "o sal é um condimento; ele confere seu sabor às substâncias em que é colocado. O discípulo é colocado no mundo para transmitir aos outros o seu 'sabor', aquilo que lhe é único como cristão " . Nessa mesma linha, G. Barbaglio<sup> 4 </sup> afirma que o sal era uma imagem da sabedoria e, portanto, quem o perdesse tornava-se ignorante, tolo. L. Sánchez Navarro elabora ainda mais, sustentando que "o sal simboliza o discípulo com fé viva e a sua distorção equivale à perda da fé" <sup>5</sup>.
Em resumo, o significado da metáfora é claro: os discípulos têm uma missão única e necessária no mundo, que cumprirão somente na medida em que viverem de acordo com os ensinamentos de Cristo . A metáfora da luz é frequente no Antigo Testamento e no Judaísmo, onde é aplicada a Deus, a Israel, ao servo de Deus, à Torá e a Jerusalém. Talvez os textos mais próximos sejam Isaías 9:1-2 (cf. Mateus 4:15-16) e Isaías 60:1-3. Em ambos os textos, a luz é uma imagem de Deus que vem salvar o seu povo, com referência também ao Messias. A missão dos discípulos será, então, uma extensão da missão de Jesus, que veio anunciar a chegada do Reino de Deus, isto é, a salvação do mundo . Assim, o brilho de uma vida vivida segundo as exigências do Sermão da Montanha é o sinal da presença e da ação transformadora de Deus no discípulo, que, quando reconhecida pelos outros, os levará a glorificar o Pai que interveio. Esta obra de Deus nos discípulos de Jesus não pode ser escondida; seria tão absurdo quanto tentar esconder uma cidade no alto de uma colina ou uma lâmpada debaixo de um cesto. Ela necessariamente brilhará, mas para a glória do seu Autor, que é o Pai celestial.
Em resumo, “Mateus procura fazer com que a vida dos cristãos sirva de testemunho de fé para a glória de Deus […] A luz do mundo toma forma nas obras dos cristãos. Por obras, Mateus entende principalmente amor, como explica nas Bem-aventuranças e nas Antíteses” 6 .
Algumas reflexões:
Há duas semanas, ouvimos Jesus anunciar a chegada do Reino de Deus, da sua soberania. Ou seja, na Pessoa de Jesus, Deus se aproxima da humanidade e pede que ela o receba, que o aceite como Senhor. Agora, no Evangelho de hoje, Jesus insiste que este Reino de Deus, com a sua novidade de vida e valores, deve ser vivido e partilhado . Por outras palavras, ao aceitarmos o Reino de Deus presente em Jesus, tornamo-nos seus discípulos. E Jesus não quer que os seus discípulos se fechem num gozo narcisista deste "Bem Imenso" que é o Reino de Deus, que se acomodem na sua zona de conforto e se esqueçam dos outros. Pelo contrário, somos chamados a dar testemunho da nossa fé com a nossa vida e, sobretudo, com as nossas boas obras.
Portanto, considerando o significado das duas metáforas escolhidas por Jesus, sal e luz, não há dúvida de que o tema central do Evangelho deste domingo é a "essência" missionária da vocação cristã . O discípulo torna-se sal para temperar a terra e luz para iluminar o mundo. Seria uma contradição e um absurdo que o sal não temperasse e que a luz se escondesse para não iluminar. Mas é importante respeitar os passos da proclamação de Jesus para não cair num mero "funcionalismo" da vida cristã. Trata-se de SER verdadeiramente cristãos, de ter uma identidade. Se NÓS SOMOS cristãos
Seremos também sal e luz do mundo. A partir do nosso SER cristão, AGIMOS como cristãos e DÁMOS TESTEMUNHO ao mundo do que SOMOS para a GLÓRIA do PAI. E é bom esclarecer, como faz o Rabino Cantalamessa , que o cristão é luz e brilha não pelo brilho das suas ideias ou pensamentos, mas pelo amor manifestado nas suas ações. A realidade de que toda vocação e eleição de Deus é para a missão é uma constante nas Sagradas Escrituras. Recordemos, por exemplo, a vocação de Abraão (Gn 12,1-5), a de Moisés (Ex 3) e a do próprio povo de Israel, uma nação escolhida dentre as nações para dar testemunho do Deus vivo. E como nem sempre foi assim, os profetas nos lembram que a eleição não é um privilégio ou um refúgio, mas uma responsabilidade, e que se não for cumprida, podemos nos perder (cf. Am 3,2). E o mesmo se aplica aos apóstolos: "Sigam-me, e eu os farei pescadores de homens" (Mt 4:19). Agora, o fato de a vocação ser para a missão torna-se uma das estruturas básicas do cristão, como J. Ratzinger explica muito bem: 8 “A fé cristã chama o indivíduo, não para si mesmo, mas para o todo; por isso, a palavra 'para' é a autêntica lei fundamental da existência cristã [...] Ser cristão significa essencialmente passar de ser para si mesmo para ser para os outros. Isso também explica o conceito de eleição, muitas vezes tão estranho para nós. Eleição não significa privilegiar um indivíduo e separá-lo dos outros [...] Por isso, a decisão cristã fundamental – aceitar ser cristão – implica não mais girar em torno de si mesmo, em torno do próprio ego, mas unir-se à existência de Jesus Cristo consagrada ao todo [...] Digamos, finalmente, que não basta ao homem sair de si mesmo. Quem só quer dar, quem não está disposto a receber, quem só quer ser para os outros e não está disposto a reconhecer que vive da doação inesperada e desmotivada do-para-os-outros, ignora a forma fundamental do ser humano e, assim, destrói o verdadeiro significado da fé cristã.” 'Para os outros.' Quando o homem sai de si mesmo, da mesma forma, para que essa jornada seja frutífera, ele precisa receber algo dos outros e, em última instância, daquele que é verdadeiramente o outro de toda a humanidade e que, ao mesmo tempo, é um com ela: Jesus Cristo, Deus-homem."
Esta é claramente a proposta de Jesus, ainda que contrarie a cultura atual, como aponta o Documento Aparecida n.º 110: “Diante do subjetivismo hedonista , Jesus propõe a entrega da própria vida para ganhá-la, porque ‘quem valoriza a sua vida terrena a perderá’ (Jo 12,25). É próprio do discípulo de Cristo viver como sal da terra e luz do mundo”. Em contrapartida, temos também o diagnóstico de Aparecida: “Temos um elevado percentual de católicos sem consciência da sua missão de ser sal e fermento no mundo, com uma identidade cristã frágil e vulnerável” (n.º 286). Daí surge o desafio de recuperar a autêntica identidade cristã de ser discípulos e missionários do Senhor da vida.
A respeito disso, o Papa Francisco disse: “Nós, que somos seus discípulos, somos chamados a brilhar como uma cidade situada sobre um monte, como um candelabro cuja chama jamais se apaga. Ou seja, antes de nos preocuparmos com a escuridão que nos rodeia, antes de esperarmos que algo ao nosso redor se torne claro, somos chamados a brilhar, a iluminar, com nossas vidas e nossas obras, a cidade, as aldeias e os lugares onde vivemos, as pessoas com quem interagimos, as atividades que realizamos. O Senhor nos dá a força para isso, a força para sermos luz nele, para todos; porque todos devem poder ver as nossas boas obras e, vendo-as — Jesus nos lembra —, abrirão os olhos com admiração para Deus e lhe darão glória (cf. v. 16). Se vivermos como filhos e irmãos e irmãs na terra, as pessoas descobrirão que têm um Pai no céu. Somos, portanto, chamados a arder de amor. Para que a nossa luz não se extinga, para que o oxigênio do amor não desapareça das nossas vidas.” caridade, para que as obras do mal possam roubar o ar puro do nosso testemunho (Homilia de 5 de fevereiro de 2023).
Em resumo, o dilema entre uma Igreja que deve salvaguardar sua identidade perante o mundo e uma Igreja que vai ao mundo é refutado pelo Evangelho de hoje. Sem dúvida, é necessário preservar a própria identidade perante o mundo, mas essa identidade é missionária; é para o mundo. A Igreja existe para evangelizar. Muito simplesmente: para ser o sal da terra e a luz do mundo .
PARA ORAÇÃO (RESSONÂNCIAS DO EVANGELHO EM UMA ORAÇÃO):
O Senhor disse…
O sal dá sabor…
Sem isso, as diferenças ficam ocultas.
Os alimentos diferem em sua textura, seu cheiro,
Compartilhá-las também as enriquece.
Eles se tornam deliciosos à mesa.
A luz ilumina a casa inteira…
Cantos escuros não podem ser escondidos.
Porque é aí que as tristezas e as feridas se escondem.
A história que nos torna reais.
O testemunho que encoraja outros
Boas ações…
Eles escaparão de nossas mãos se estivermos
Sabor e luz para nos tornar mais humanos.
Renascido a cada dia pelo Pai.
Pois Ele era Seu único filho.
Em comunhão com o Espírito Santo. Amém.
1 G. Zevini – PG Cabra (eds.), Lectio Divina para cada dia do ano. Vol. 13 , Verbo Divino, Estella, 2005, 46.
2 Cf. WD Davies – DC Allison, O Evangelho segundo São Mateus. Vol I ., Clark, Edimburgo 1988, 472-473.
3 Dicionário de símbolos e figuras da Bíblia , Amico, Buenos Aires, 2012, 169.
4 Cf. Mateo , Cittadella Editrice, Asisi, 2004, 141.
5 L. Sánchez Navarro, O ensinamento da montanha. Comentário contextual sobre Mateus 5-7, Verbo Divino; 2005, 55. 6 U. Luz, O Evangelho segundo São Mateus. Vol. I (Sígueme; Salamanca 1993) 317.
7 Cf. Lançai as redes. Reflexões sobre os Evangelhos. Ciclo A (EDICEP; Valência 2003) 198. 8 Introdução ao Cristianismo (Sígueme; Salamanca 1982) 217-220.
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QUINTO DOMINGO DURANTE EL AÑO CICLO "A"
Primera lectura (Is 58,7-10)
El capítulo 58 de Isaías puede datarse a finales del siglo VI a. C., a la vuelta del exilio, época en la que adquiere especial auge la práctica del ayuno, conocida antes del destierro, pero que ahora se celebra en fechas fijas como en los aniversarios del asedio de Jerusalén, del día de la caída de la capital, del incendio de la ciudad y del templo, del asesinato del gobernador Godolías. Se trata de un día de humillación y mortificación para conseguir el favor divino (cf. Is 58,1-6). Pero el autor de este texto piensa que el camino para obtener la salvación pasa no tanto por el ayuno sino por la justicia y el amor al prójimo. En efecto, después de "mofarse" de los ritos que acompañan al ayuno (mover la cabeza, acostarse sobre estera y ceniza), indica los verdaderos ritos que deben constituir el ayuno, y que están orientados en beneficio de los oprimidos, hambrientos, pobres sin techo y desnudos. Compartir con ellos pan, casa y vestido es lo que Dios espera de su pueblo. Es decir, al mejor estilo profético, se critica el ritualismo exterior sin el compromiso del corazón, de la interioridad; se critica la búsqueda interesada e individualista del favor divino sin la práctica de la compasión y de la caridad para con el prójimo necesitado. "Sólo quien sabe asumir el sufrimiento y las limitaciones del otro, quien sabe comprometerse luchando contra cualquier tipo de injusticia, sin hacer distinción de personas, descubrirá la verdadera luz de Dios y se convertirá en un manantial perenne"1.Ya desde Amós el mensaje de los profetas es que la religión no es auténtica sin la justicia; y el culto sin compromiso social es incompleto.
Cuando el pueblo adopte la postura correcta que le pide Dios a través del profeta, cambiará su situación y podrá gozar con la alegría de la salvación de Dios que se presenta con el símbolo de la luz que ahuyenta las tinieblas y la oscuridad.
Segunda lectura (1Cor 2,1-5)
En 2,1-5 Pablo aplica el principio de la sabiduría de la Cruz a su propio ministerio pues su anuncio del evangelio siguió esta lógica de la cruz. Aquí retoma y amplia lo anunciado en 1,17, en el mismo sentido de presentación negativa "no en sabiduría de palabra" (2,1.4); pero ahora con la novedad de presentar su contraparte positiva "sino con demostración del espíritu y de poder" (2,4). También como en 1,17, la razón está en Cristo crucificado (2,2) que focaliza toda la atención de Pablo, aunque no sea el tipo de salvador esperado por los judíos o buscado por los griegos. En 2,5 Pablo explica el motivo de su obrar: para que los corintios no basaran su fe en la sabiduría de los hombres sino en el poder de Dios. Es otra forma de decir que los creyentes sólo pueden gloriarse en el Señor. Indirectamente está señalando también la raíz de las divisiones que se daban entre los corintios por cuanto ponían su fe, su gloria, en la persona de los predicadores o apóstoles.
Evangelio (Mt 5,13-16)
Esta perícopa hace de transición entre las bienaventuranzas que la preceden (5,3-12) y las “antítesis” que le siguen (5,17-48). Se vincula con lo anterior porque se dirige a los mismos discípulos ("Ustedes son…") que sufren persecución para exhortarlos a perseverar en la vida cristiana pues tienen una misión irrenunciable de cara a ese mundo que los rechaza, expresada con las imágenes de la sal y la luz. Y se continúa con la sección siguiente por cuanto las buenas obras que deben irradiar los discípulos serán explicitadas allí; por eso la función de prólogo o exordio que atribuimos a esta perícopa en la estructura general del Sermón del Monte. En efecto, no se dice aquí cómo el discípulo puede llegar a ser sal y luz; sólo que tiene que serlo. Justamente el cómo llegar a serlo lo desarrolla la sección siguiente del Sermón con todas las normas concretas para vincularse correctamente con el hermano en el Reinado de Dios inaugurado por Jesús. Es decir, quienes viven las enseñanzas de Mt 5,17-48, quienes las practiquen, serán sal y luz.
La metáfora de la sal remite a un elemento necesario e insustituible en la alimentación cotidiana (cf. Mc 9,50; Lc 14,34). Esta función de la sal deriva de su propia virtualidad de salar, de dar sabor y conservar los alimentos; si llegase a faltarle esta propiedad, se volvería inútil. Si la sal se desvirtúa, pierde su función de salar, ya no sirve y se la tira. El verbo griego moraino que se traduce por "perder el sabor", "desvirtuarse"; significa también volverse necio, loco (cf. Rom 1,22; 1Cor 1,20). El adjetivo derivado del mismo (morós) se aplica al hombre necio o insensato que construye su casa sobre arena de Mt 7,26 y a las vírgenes necias de Mt 25,1-21. Los términos ser "tirado fuera" y "pisoteado" remiten al juicio de Dios (cf. Mt 3,10; 7,19; 13,42); por tanto, un discípulo que no viva como tal y que no ejerza alguna influencia en su ambiente, será rechazado por Dios.
El valor simbólico de la sal en la antigüedad y en la misma Biblia es amplio y variado; con especial acento en su propiedad de salar y de conservar los alimentos. Davies-Allison2, por ejemplo, enumeran once sentidos simbólicos posibles para la sal que consideran pertinentes; pero invitan a no querer elegir uno sino más bien a mantener un sentido amplio y a leerlo dentro del contexto mayor del Sermón de Monte, en particular las enseñanzas que siguen y que definen cómo ser sal y luz. También invitan a vincularlo con la metáfora que sigue – luz del mundo – porque viene luego especificada como "las buenas obras" de los discípulos. Su interpretación conclusiva es que los discípulos, como la sal, tienen determinadas cualidades propias que, si las perdiesen, se volverían inútiles. De modo semejante L. H. Rivas dice que "la sal es condimento, transmite su sabor a las sustancias en las que es colocada. El discípulo está puesto en el mundo para transmitir a otros su «sabor», lo que tiene de propio por ser cristiano"3. En esta línea G. Barbaglio4afirma que la sal era una imagen de la sabiduría y, por eso, una persona que la perdía se volvía insipiente, tonta. L. Sánchez Navarro precisa más sosteniendo que "la sal simboliza al discípulo con fe viva y el desvirtuarse equivale a la pérdida de la fe"5
En fin, el sentido de la metáfora es claro: los discípulos tienen en el mundo una misión única y necesaria que cumplirán sólo en la medida que vivan conforme a las enseñanzas de Cristo. La metáfora de la luz es frecuente en el Antiguo Testamento y en el judaísmo, dónde se aplica a Dios, a Israel, al siervo de Dios, a la Torá y a Jerusalén. Tal vez los textos más cercanos sean Is 9,1-2 (cf. Mt 4,15-16) e Is 60,1-3. En ambos textos la luz es imagen de Dios que viene a salvar a su pueblo, con referencia también al Mesías. La misión de los discípulos será entonces una prolongación de la misión de Jesús quien vino a anunciar la llegada del Reinado de Dios, es decir, de la salvación del mundo. Así, el brillo de una vida conforme a las exigencias del Sermón del Monte es el signo de la presencia y de la acción transformadora de Dios en el discípulo, que al ser reconocido por los hombres los llevará a glorificar al Padre que ha intervenido. Esta obra de Dios en los discípulos de Jesús no puede ocultarse, sería tan absurdo como querer ocultar una ciudad en un monte o una lámpara debajo de un cajón. Necesariamente brillará, pero para la gloria del Autor, que es el Padre celestial.
En síntesis, "Mateo trata de que la vida de los cristianos actúe como testimonio de fe para gloria de Dios […] La luz del mundo cobra figura en las obras de los cristianos. Mateo entiende por obras, primariamente, el amor, tal como lo expone con las bienaventuranzas y con las antítesis"6.
Algunas reflexiones:
Hace dos domingos atrás escuchamos que Jesús anunciaba la llegada del Reino de Dios, de su soberanía. Es decir, en la Persona de Jesús, Dios se acerca a los hombres y les pide que lo reciban, que lo acepten como Señor. Ahora, en el evangelio de hoy, Jesús insiste en que este Reinado de Dios, con su novedad de vida y de valores, es para vivirlo y transmitirlo. Vale decir que al aceptar el Reino de Dios que se hace presente en Jesús nos volvemos sus discípulos. Y Jesús no quiere que sus discípulos se encierren en un disfrute narcisista de este “Bien Inmenso” que es el Reino de Dios, que nos instalemos en nuestra zona de confort y nos olvidemos de los demás. Al contrario, somos llamados a testimoniar nuestra fe con nuestra vida y, sobre todo, con nuestras buenas acciones.
Por tanto, teniendo en cuenta el sentido de las dos metáforas elegidas por Jesús, la sal y la luz, no caben dudas que lo central del evangelio de este domingo es la "esencia" misionera de la vocación cristiana. El discípulo se vuelve sal para salar la tierra y luz para iluminar al mundo. Sería un contrasentido y un absurdo que la sal no sazone y que la luz se esconda para no iluminar. Pero importa respetar los pasos del anuncio de Jesús para no caer en un mero "funcionalismo" de la vida cristiana. Se trata de SER cristianos de verdad, de tener identidad. Si SOMOS cristianos
seremos también sal y luz del mundo. Desde el SER cristianos OBRAMOS como cristianos y DAMOS TESTIMONIO ante el mundo de lo que SOMOS para GLORIA del PADRE. Y también es bueno aclarar, como hace R. Cantalamessa7, que el cristiano es luz y alumbra no por la brillantez de sus ideas o pensamientos; sino por el amor manifestado en sus acciones. La realidad de que toda vocación y elección de Dios es para la misión, es una constante en la Sagrada Escritura. Recordemos, por ejemplo, la vocación de Abraham (Gn 12,1-5), la de Moisés (Ex 3) y la del mismo pueblo de Israel, nación elegida entre las naciones para dar testimonio del Dios vivo. Y como no siempre se vivió así, los profetas recordaron que la elección no es un privilegio ni un refugio sino una responsabilidad y que si no se cumple se puede perder (cf. Am 3,2). Y lo mismo vale para los apóstoles: "Síganme, y yo los haré pescadores de hombres" (Mt 4,19). Ahora bien, que la vocación es para la misión pasa a ser una de las estructuras básicas del cristiano nos lo explica muy bien J. Ratzinger8: "La fe cristiana solicita al individuo, pero no para sí mismo, sino para el todo; por eso la palabra "para" es la auténtica ley fundamental de la existencia cristiana […] Ser cristiano significa esencialmente pasar del ser para sí mismo al ser para los demás. Esto explica también el concepto de elección, a menudo tan extraño para nosotros. Elección no significa preferir a un individuo y separarlo de los demás... Por eso la decisión cristiana fundamental – aceptar ser cristiano – supone no girar ya en torno a sí mismo, en torno al propio yo, sino unirse a la existencia de Jesucristo consagrado al todo […] Digamos, por último, que no basta que el hombre salga de sí mismo. Quien sólo quiere dar, quien no está dispuesto a recibir, quien sólo quiere ser para los demás y no está dispuesto a reconocer que él vive del inesperado e inmotivado don-del-para de los demás, ignora la forma fundamental del ser humano y destruye así el verdadero sentido del para-los-demás. Cuando el hombre sale de sí mismo, para que esta salida sea provechosa, necesita recibir algo de los demás y, a fin de cuentas, de aquel que es en verdad el otro de toda la humanidad y que, a un tiempo, es uno con ella: Jesucristo, Dios-hombre".
Esta es claramente la propuesta de Jesús, aunque vaya a contramano de la cultura actual, como señala el Documento de Aparecida nº 110: "Ante el subjetivismo hedonista, Jesús propone entregar la vida para ganarla, porque “quien aprecie su vida terrena, la perderá” (Jn 12, 25). Es propio del discípulo de Cristo gastar su vida como sal de la tierra y luz del mundo". Frente a esto tenemos también el diagnóstico que hace Aparecida: "Tenemos un alto porcentaje de católicos sin conciencia de su misión de ser sal y fermento en el mundo, con una identidad cristiana débil y vulnerable" (nº 286). De aquí surge el desafío de recuperar la auténtica identidad cristiana de ser discípulos y misioneros del Señor de la vida.
Al respecto decía el Papa Francisco: "Nosotros, que somos sus discípulos, estamos llamados a brillar como una ciudad puesta en lo alto, como un candelero cuya llama nunca tiene que apagarse. En otras palabras, antes de preocuparnos por las tinieblas que nos rodean, antes de esperar que algo a nuestro alrededor se aclare, se nos exige brillar, iluminar, con nuestra vida y con nuestras obras, la ciudad, las aldeas y los lugares donde vivimos, las personas que tratamos, las actividades que llevamos adelante. El Señor nos da la fuerza para ello, la fuerza de ser luz en Él, para todos; porque todos tienen que poder ver nuestras obras buenas y, viéndolas —nos recuerda Jesús—, se abrirán con asombro a Dios y le darán gloria (cf. v. 16). Si vivimos como hijos y hermanos en la tierra, la gente descubrirá que tiene un Padre en los cielos. A nosotros, por tanto, se nos pide que ardamos de amor. No vaya a suceder que nuestra luz se apague, que desaparezca de nuestra vida el oxígeno de la caridad, que las obras del mal quiten aire puro a nuestro testimonio (Homilía del 5 de febrero de 2023).
En fin, el dilema entre una Iglesia que debe salvaguardar su identidad ante el mundo y una Iglesia en salida hacia el mundo se demuestra falso desde el Evangelio de hoy. Sin duda que es necesario preservar la propia identidad ante el mundo, pero esa identidad es misionera, es para el mundo. La Iglesia existe para evangelizar. Muy simple: ser sal de la tierra y luz del mundo.
PARA LA ORACIÓN (RESONANCIAS DEL EVANGELIO EN UNA ORANTE):
El Señor dijo…
La sal da el sabor…
Y es que sin ella se ocultan las diferencias
Los alimentos difieren en su textura, su olor,
Compartirlos también los enriquece
Sabrosos se tornan alrededor de la mesa
La luz alumbra toda la casa…
Los rincones oscuros no se ocultan
Porque allí se esconden las penas y las heridas
La historia que nos hace verdaderos
El testimonio que a otros anima
Las buenas obras …
Saldrán de nuestras manos si somos
Sabor y luz para hacernos más humanos
Engendrados cada día por el Padre
Como fue su Hijo único
En unión con el Espíritu Santo. Amén.
1 G. Zevini – P. G. Cabra (eds.), Lectio Divina para cada día del año. Vol. 13, Verbo Divino, Estella, 2005, 46.
2 Cf. W. D. Davies – D. C. Allison, The Gospel according to Saint Mathew. Vol I., Clark, Edinburgh 1988, 472-473.
3 Diccionario de símbolos y figuras de la Biblia, Amico, Buenos Aires, 2012, 169.
4 Cf. Mateo, Cittadella Editrice, Asisi, 2004, 141.
5 L. Sánchez Navarro, La Enseñanza de la Montaña. Comentario contextual a Mateo 5-7, Verbo Divino; 2005, 55. 6 U. Luz, El evangelio según San Mateo. Vol. I (Sígueme; Salamanca 1993) 317.
7 Cf. Echad las redes. Reflexiones sobre los Evangelios. Ciclo A (EDICEP; Valencia 2003) 198. 8Introducción al cristianismo (Sígueme; Salamanca 1982) 217-220.